Eu não sei muito bem quando começou, e eu nem imaginava como toda aquela história iria terminar.

Quando eu tinha oito anos, meu pai viúvo, adotou uma garotinha, até fofinha pros seus quatro anos, e eu cuidei dela, mais por prazer do que por obrigação de irmão mais velho. Ensinei a ela tudo o que havia aprendido e sempre me divertia ao vê-la rir depois de um tropeço ou por não conseguir alguma coisa.

Eu sabia que ela era especial.

Quando ela completou 13 anos, lhe ensinei a tocar guitarra, como ela sempre me pediu. Nos seus 15 anos, concordei em ajudá-la a montar uma banda, e nessa época eu já sabia que estava perdidamente apaixonado pela minha irmãzinha de criação.

Aquele dia foi especial. Meu presente de aniversário foi ensiná-la a amar. Foi uma noite inesquecível. Depois dessa noite, nós transávamos todas as vezes em que nosso pai não estava, em qualquer lugar, e era muito bom. Eu a amava e sabia que ela me amava também.

Um dia, nosso pai nos flagrou mas, ao contrário do que pensávamos, ele não nos passou nenhum sermão. Disse, para a nossa surpresa, que já sabia que estávamos juntos e que ficara apreensivo a princípio mas com o passar do tempo aceitou a idéia do nosso amor e nada teria me deixado mais feliz naquele momento.

Quando ela completou 18, descobrimos que ela tinha uma doença rara e terminal, que havia sido detectada pela gravidez que me contara dias antes, e eu não sabia o que fazer. Naquela mesma noite, transamos como se aquela fosse a última vez e de certa forma era.

Eu sabia que ela nunca iria desistir do nosso filho.

Para mim, os meses passavam se arrastando, e a única coisa que ainda me fazia sorrir era ver o sorriso dela, mas, mesmo assim, eu sentia sua dor como se fosse minha.

No dia em que nossa Vivian nasceu, eu não sabia se chorava de felicidade ou de dor, pois sabia que, enquanto ganhava uma filha, perdia a mulher da minha vida. Antes de ela ir para a sala de cirurgia, me pediu um beijo, que eu não poderia recusar nem em mil anos. Era um beijo de adeus definitivo, o último, e, antes de ir, cantarolou em meu ouvido o refrão de nossa música favorita, Eternity, e eu sorri, a beijando pela última vez.

Não queria deixá-la partir. Não queria perdê-la daquela maneira. Mas eu tinha. E eu estava com ela, o tempo todo, como sempre.

Vi nossa filha nascer e ela lhe dar o nome e a segurar pela primeira e última vez. Tirei sua última foto e a vi sorrir antes do último suspiro.

Até hoje, anos depois, revejo essa cena todos os dias. Lembro de nossos momentos juntos e procuro ser o melhor pai do mundo ensinando à nossa Vivian tudo o que ela precisa saber.

E, todas as noites, antes de dormir, eu sorrio, porque sei que, não em corpo, mas em espírito, o amor da minha vida está do meu lado, e um dia, ficaremos juntos para toda a eternidade.

FIM

Notas finais
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