Eternit
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Um turbilhão de emoções estava em minha mente, cada milésimo de segundo que se passava comigo estando ciente de que a minha morte estava a apenas poucos metros de mim, as ultimas lágrimas escorriam pelo meu rosto.
É claro que Nico e eu acabamos dormindo de mais, é claro que quando eu acordei fiquei espantada ao ver a situação que nós dois e o quarto se encontrava, ou seja, tapados com um lençol sem uma única peça de roupa, estas que estavam espalhadas pelo quarto, este que estava uma completa bagunça. É claro que eu pulei da cama quando me dei por conta de que havia saído de manha, passado o dia fora e depois acabei dormindo no apartamento de Nico e sua família e que no momento não fazia a mínima ideia de que horas eram. Agarrei meu telefone que estava jogado junto com a minha calça no chão e, 10h48min da manha.
– Bom dia... – disse Nico num tom sonolento.
– Levanta dai traste, já são quase onze da manha e u acabei dormindo aqui. Seus pais ainda não estão em casa estão? – disse me vestindo apressada.
– Provavelmente sim.– ele respondeu calmamente enquanto observava eu me vestir, o que fazia me ter vontade de socar a cara dele contra a parede.
– Merda.
– Esta bem eu te levo até seu apartamento já que, pelo o que eu percebi, você está com pressa para se livrar de mim. – caramba o garoto vai ficar dramático agora?
– Cala a boca e se veste logo.
Ele se vestiu rápido e saímos do seu quarto. Tudo ia bem, ninguém parecia estar em casa, fomos até o elevador e o esperamos subir sem trocarmos uma única palavra. O marcador acima do elevador que indicava o andar em que o elevador se encontrava marcou 13, as portas se abriram e, surpresa, os pais do Nico estavam no elevador.
– Você não presta garoto – começou o pai dele – é só eu e sua mãe sairmos de casa e você já começa a usa-la de motel?
– Hades, não fale dessa maneira vai deixar a menina encabulada – disse a mulher ao seu lado, parecia ser a mãe de Nico – Desculpe pelo meu marido querida, ele não sabe escolher muito bem as palavras. Muito prazer, sou Perséfone, a esposa de Hades, pai do Nico como você já deve ter percebido pela semelhança.
Realmente a semelhança entre eles era enorme, os olhos, o cabelo, o sorriso maroto que tanto me irrita. Mas ela se apresentou apenas como a esposa de Hades, então aquela não é a mãe do Nico?
– Vocês não tem que entrar em casa e desfazer as malas não? – perguntou Nico.
– Está bem filhinho, nós já estamos indo, mas comporte viu?! – disse Hades rindo e dando uma leve batida no ombro de Nico.
Descemos em silêncio até o andar abaixo e caminhamos até a porta do meu apartamento.
– Olha aquilo que meu pai disse, que a casa vira motel e tals, não é verdade...eu não levo garo...
– Você não me deve explicações e eu não estou a fim de ouvi-las. – disse rigidamente. – Tchau.
Entrei e fechei a porta sem nem ao menos dar tempo dele me responder alguma coisa ou simplesmente me dar tchau.
Caminhei até meu quarto, peguei uma roupa e fui tomar um banho. Depois fui até a cozinha com a intenção de comer algo, mas encontrei minha mãe por lá.
– Posso saber por que você sumiu desde ontem de manhã Thalia? – perguntou ela num tom rígido.
– Desde quando você se importa comigo?
– Ah me poupe Thalia – disse ela com um sorriso de escarnio no rosto – Você realmente acha que eu me importo com você? – ela perguntou apontando para mim e fazendo cara de nojo ao me mencionar em sua pergunta – Eu tenho meus motivos para querer saber por que você sumiu, mas é obvio que eles não incluem me preocupar com você. Até por que eu nunca iria me preocupar com o maior erro da minha vida. NUNCA iria me preocupar com quem matou meu filho, o ÚNICO FILHO que um dia eu amei. Entenda uma coisa garota, os motivos pelo qual eu ainda deixo viver embaixo do meu teto uma garota que além de ter assassinado meu filho ainda destruiu o meu casamento e se tornou essa esquisita que ninguém nunca será capaz de gostar ou muito menos amar são meramente financeiros, nada mais.
Dito isso ela saiu da cozinha, me deixando sozinha e com lágrimas correndo pelo meu rosto. Tranquei-me no meu quarto e me encolhi chorando num canto. “...o maior erro da minha vida...”, “...matou meu filho, o ÚNICO FILHO que um dia eu amei...”, “...esquisita que ninguém nunca será capaz de gostar ou muito menos amar...”. Essas palavras não saiam da minha cabeça, porém ainda havia mais uma coisa que me atormentava: eu havia me deixado levar por um garoto que eu nem ao menos conhecia direito, e eu gostava dele.
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