Eternit

14 Capítulo 14


Notas iniciais
E ai pessoinhas? Eu sei que eu disse em alguns reviews que postaria ontem, mas infelizmente não deu, então mil desculpas!! Mas ai está mais um capítulo! Gente ta acabando mas como eu não quero que acabe porque eu amo a história e meus leitores maravilhosos eu to enrolando o máximo que eu posso, mas ta ficando díficil fazer isso :( Mas ta ai mais um cap pra vocês!

“Às vezes eu sinto que não tenho um companheiro, às vezes eu sinto como se fosse meu único amigo. É a cidade em que vivo, a cidade dos anjos. Sozinho como estou, juntos nós choramos. Eu dirijo em suas ruas pois ela é minha companhia, eu ando pelas suas colinas pois ela sabe quem eu sou, ela vê meus feitos bons e ela me beija com o vento. Eu nunca me preocupo agora que é uma mentira. Eu não quero me sentir como me senti naquele dia. Me leve ao lugar que amo me leve embora, bem, eu não quero nunca me sentir como me senti naquele dia. Me leve ao lugar que amo me leve embora...”

Under The Bridge – Red Hot Chili Peppers

…Algum tempo depois já me via entrando em seu quarto. Mas algo aconteceu e vi Nico me olhar com um jeito assustado, então que eu percebi que estava sem blusa e meus hematomas estavam expostos.

Eu me afastei rapidamente de Nico ficando de pé parada em sua frente, enquanto ele me olhava, sem dizer nada, apenas com uma expressão de pânico em seu rosto. Me abaixei e peguei minha blusa que estava jogada no chão, a vestindo rapidamente. Olhei novamente para Nico sem saber o que dizer. Aquele silêncio que tomava conta do ambiente estava me deixando mais nervosa ainda. Nico se levantou da cama e se aproximou lentamente de mim ficando a alguns centímetros de distância de mim e tocando meu braço com delicadeza e medo. Eu apenas fitava o chão.

– Thalia... – apenas ouvi um sussurro sair dos seus lábios formando meu nome – O que... O que é isto? – ele, que antes fitava meu braço, agora procurava olhar em meus olhos, porém eu desviava o olhar para o chão. – Como isso aconteceu? – perguntou se referindo aos roxos que tomavam conta do meu corpo.

Eu não conseguia encontrar palavras que explicassem o que tinha acontecido, a única coisa que vinha em minha mente eram imagens dos momentos dolorosos e desesperadores que causaram estas marcas no meu corpo. Eu queria contar a Nico o que havia acontecido, realmente queria, mas o medo que eu tinha do que poderia acontecer se ele soubesse era maior que tudo. Naquele momento, vendo Nico me olhar com olhos desesperados atrás de uma resposta, eu me senti sozinha, por mais que tivesse ele ali comigo, querendo saber o que aconteceu, eu me sentia sozinha, pois não podia contar o que vinha acontecendo, não queria perde-lo por isso, mas agora, tudo parecia estar perdido.

Como se um deus qualquer ouvisse minha prece silenciosa para que algo me tirasse dessa situação, escuto meu telefone tocar no bolso de trás da minha calça. Peguei rapidamente o telefone, com as mãos tremulas e atendi o numero desconhecido que me ligava.

– Alô?

– Alô, Thalia? – ouvi a voz do outro lado da linha dizer, era uma voz de mulher que parecia estar um tanto abatida.

– Sim, sou eu – respondi.

– Thalia, sou Hera Olympus, esposa de seu pai, Zeus – a voz falou abatida.

– Ah sim, oi Hera. – respondi sendo educada e me perguntando o que faria a esposa de meu pai me ligar sendo que eu nem a conhecia.

– Thalia... – a voz do outro lado da linha falhou – Seu pai...ele sofreu um acidente de carro... – meu coração quase parou e ouvi a mulher suspirara do outro lado da linha – O acidente foi grave, ele perdeu muito sangue...ele não resistiu. – senti meu estomago embrulhar, meu coração quase parar e as lágrimas encherem meus olhos, meu pai, tinha morrido. – O enterro será amanhã as cinco da tarde, em Los Angeles, tem duas passagens reservadas para você caso queira vir e trazer alguém para acompanhá-la, e reservas feitas em um hotel perto daqui, as passagens são para o voo das oito da manha de amanha...e eu sinto muito – ouvi o telefone sendo desligado.

Olhei para Nico sentado em sua cama, me observando enquanto eu largava o telefone numa mesinha do lado da cama e me sentando ao seu lado.

– Está tudo bem? – ele perguntou pegando minha mão e enlaçando nosso dedos.

– Não – disse baixinho e sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto – meu pai morreu. – Nico me olhou curioso.

– Eu achei que seu pai estivesse sumido no mundo e você não tinha contato nenhum com ele – falou achando estranhando.

Eu respirei fundo e comecei a falar.

– Há alguns meses atrás eu descobri que meu pai mandava dinheiro para minha mãe mensalmente, uma grande quantidade de dinheiro – ressaltei – mas com a condição de que eu ainda morasse com ela e estivesse bem, mas minha mãe escondia isso de mim e dizia apenas que ele tinha nos abandonado e que tinha sido minha culpa. Eu acabei interceptando uma correspondência do meu que dizia que ele estaria em Nova York por uma semana e atrás tinha seu numero de telefone. Eu liguei para ele e marcamos um encontro no café do hotel em que ele estava. Lá nós conversamos e eu contei sobre minha mãe a ele e ele me falou que ela havia dito que eu não queria ter nenhum contato com ele pois o odiava por ter nos abandonado, enquanto para mim ela dizia que ele havia sumido no mundo e não havia entrado mais em contato desde que nos deixou sozinhas depois da morte de Jason. — Nico ainda me observava atentamente enquanto eu falava sem depositar nemhum sentimento nas palavras e com os olhos fixos no chão do quarto — Conversamos um pouco mais e ele me contou que tinha se casado novamente e que teve dois filhos nesse casamento, que estava morando em Los Angeles e tinha uma pequena empresa de turismo. — parei de falar e olhei para Nico que tinha uma expressão de dúvida no rosto.

– Mas se você encontrou seu pai e sabe que ele ainda se importava com você por que continuou morando com a sua mãe? — me perguntou.

Eu nunca tinha realmente parado para pensar nisso, meu pai disse até que eu seria miito bem vinda para ir morar com ele e sua nova família em Los Angeles, mas eu não aceitei, eu não sabia muito bem o que ou o motivo, mas algo me dizia que eu devia continuar aqui, em Nova York, mesmo sofrendo o que sofro com minha mãe, ainda havia alho que me prendia aqui. Eu podia ter contado também este motivo escroto para Nico, mas resolvi contar apenas o outro motivo que me fez escolher contimuar em Nova York com a minha mãe:

– Meu pai estava feliz do jeito que estava, ele tinha ima família ,uma família de verdade, dois filhos, uma esposa que parecia gostar muito dele, um trabalho do qual eu deduzi que ele gostava apelo jeito como sorria contando de sua pequena empresa de turismo, estava tudo bem do jeito que estava, eu não queria estragar isso e tirar a felicidade dele, eu não queria sobrar numa família que estava muito bem sem mim. — olhei para Nico e dei um pequeno sorriso — Às vezes a gente não deve tentar melhorar algo que ja está bom, pois podemos acabar estragando — Nico me olhava atentamente e eu fitava seus olhos negros tentando entender o que se passava naquela escuridão.

Ficamos um tempo assim, trocando olhares que tentavam entender o que se passava na mente um do outro.

– Você vai ao enterro? — Nico perguntou quebrando o silêncio.

– Você pode ir comigo? — perguntei esperançosa, pois não queria ir sozinha até Los Angeles para o enterro do meu pai e tinha a esperança de que Nico me acompanhasse.

– É claro — ele respondeu e me abraçou de lado — você vai dormir aqui hoje? — perguntou passando as mãos em meu cabelo.

– Não — falei decididamente e ele me olhou estranho — eu preciso ir em casa arrumar minhas coisas e explicar para ainha mãe o que aconteceu — expliquei — Me leva até meu apartamento?

– Você vai ficar bem? — ele perguntou ignorando minha pergunta e olhando para meus braços descobertos que exibiam muitos hematomas.

– Vou sim – menti, pois eu não sabia se eu ficaria exatamente bem, eu ainda estava processando o fato de que meu pai havia morrido e amanhã eu iria em seu enterro, e também ainda teria de falar com minha mãe e explicar o que aconteceu e isso não seria nada fácil.

– Eu te levo até em casa então. – ele disse se levantando.

Fomos silenciosamente até a porta do meu apartamento, lá Nico me deu um beijo rápido e voltou para o elevador enquanto eu, fiquei parada fitando a porta clara, pensando no que falaria quando abrisse a porta desse de cara com a minha mãe, eu teria de dar uma explicação para ir para Los Angeles no enterro do meu pai. Não seria tão simples como parece, pois minha mãe não sabia que eu tinha me encontrado com meu pai há alguns meses atrás.

Respirei fundo e abri a porta, ligando o modo “Thalia fria e calculista”, pois era assim que eu precisaria agir. Logo vi minha mãe sentada no sofá da sala assistindo TV. Eu caminhei lentamente até ela e parei na sua frente.

– O que você quer garota? – ela perguntou tentando olhar para a TV que estava atrás de mim.

– Amanhã eu irei para Los Angeles, para o enterro do meu pai – falei rápido e sem rodeios.

– Como? – ela perguntou agora prestando atenção em mim.

– Amanhã, as oito da manhã, estarei embarcando num avião destinado a Los Angeles, para comparecer ao enterro do meu pai – falei pausadamente – entendeu agora?

– Primeiro que se pai sumiu no mundo depois que Jason morreu e deixou nós duas abandonadas então você não sabe se ele está vivo ou não garota estupida e, segundo, mesmo que ele morresse e você ficasse sabendo, você não teria como ir para Los Angeles para o enterro do desgraçado.

– Então, mamãe – falei sendo sarcástica ao chama-la de mamãe –Eu não sou tão idiota como você pensa então, há alguns meses atrás, eu peguei uma das cartas que meu pai te enviava com dinheiro – sorri ao ver sua expressão de espanto – e nela dizia que ele estaria aqui, em Nova York, na semana seguinte e também tinha seu numero de telefone caso eu, a filha desnaturada que segundo você o odiava por ele ter nos abandonado após a morte do Jason e não queria nunca mais vê-lo, marcou um encontro com o ele, o pai que segundo você sumiu após a morte de Jason e nunca mias entrou em contato e tudo por minha culpa. Depois de nos encontrarmos e esclarecermos tudo isso, ele disse que continuaria mandando dinheiro, mas caso eu quisesse poderia ir morar com ele.

– Então por que você não foi? – ela perguntou baixo.

– Eu tenho meus motivos – respondi fria.

– Então agora o desgraçado está morto? – ela perguntou sorrindo.

– Sim – respondi – e amanhã eu vou ao enterro dele.

Depois disso ignorei o que minha mãe ficava falando e apenas fui para o meu quarto arrumar minhas coisas e descansar um pouco.

Depois de tomar um banho e arrumar uma mochila com as coisas que precisaria para a viagem, me deitei e fiquei encarando teto enquanto refletia sobre a vida. Por mais egoísta que pareça da minha parte, eu não conseguia me entristecer com a morte do meu pai, na verdade eu não consegui nem pensar direito nisso, pois um idiota desgraçado, de cabelos escuros e olhos tão negros quanto a escuridão de uma noite sem estrelas, tomava conta da minha mente.

Primeiro fiquei feliz ao lembrar-me do que havia acontecido mais cedo, Nico tinha me pedido em namoro, levei a mão até meu pescoço onde agora tinha dois colares, o colar de raio que Jason me deu quando eu era pequena, alguns dias antes dele morrer. Eu lembrava como se fosse ontem...

Flashback on:

Estava chovendo muito lá fora e eu estava sentada perto da janela observando a chuva cair, vendo os raios e escutando os trovões. Meu irmão, ainda pequenino, se sentou ao meu lado e perguntou com aquela voz gostosa de se ouvir que toda criança tem:

– O que são essas luzes no céu Thals?

– São raios Jason – respondi – são bonitos não são? – falei admirando os raios que caiam por terra.

– Sim – ele respondeu rindo e depois me olhou, olhou para os raios, me olhou novamente e assim ficou por um bom tempo.

– O que foi pirralho? – perguntei já irritada com o que ele fazia.

– Os raios – ele apontou para a janela – são da cor dos seus olhos – ele ria muito, como se essa fosse a piada mais engraçada do mundo.

– Os seus são da mesma cor pirralho – sorri para ele.

Jason me olhou assustado e correu para o banheiro para se ver no espelho enquanto eu fiquei rindo da cara do meu irmão.

No dia seguinte Jason e meu pai saíram de manhã e quando voltaram Jason foi até meu quarto me acordar.

– Thals acorda – ele falava pulando em cima de mim – eu e papai compamos pesente para a Thals!!!

– Ok já acordei – falei quase pulando da cama e segurando Jason para ele não cair.

Meu pai que estava parado na porta entregou uma caixinha para Jason que depois me entregou. Eu abri e vi uma correntinha com um pingente prata em forma de raio.

– Obrigada – disse olhando para meu pai.

– Não agradeça a mim, agradeça a Jason que não parou de me incomodar enquanto eu não comprei o colar para você – meu pai disse sorrindo.

– Obrigada Jason – sorri e abracei meu pequeno irmão.

– Thals gosta de raio! – ele disse pulando em cima de mim.

Desde aquele dia eu não tirei mais o colar do pescoço.

Flashback off.

Depois senti o colar com o pingente de lua que Nico havia e dado e sorri. Mas então me lembrei que Nico tinha visto os hematomas em meu braço e queria saber como aquilo tinha acontecido e ele não iria esquecer assim, tão facilmente, disto. Então apenas virei para o lado e tentei esquecer tudo isso. Demorou um pouco mas finalmente consegui pegar no sono.

Acordei de manhã um pouco atrasada então tive que me arrumar rápido e não tive tempo para tomar café. Quando cheguei até a portaria Nico já estava lá me esperando e me dizendo que eu estava atrasada. Caralho que garoto irritante! Pegamos um táxi até o aeroporto, fizemos o check in e logo embarcamos. É claro que eu dormi a viagem toda, quase babando no ombro de Nico. Acordei com ele me sacudindo e dizendo que havíamos chegado. Pegamos mais um táxi e fomos para o hotel onde ficaríamos. Deixamos nossas malas no quarto e resolvemos ir almoçar já que meu estômago roncava tão alto que daria para ouvir lá de Nova York.

O dia foi assim, tranquilo, eu e Nico não conversamos muito e estava mais que óbvio que ele ainda estava incomodado com os hematomas no meu corpo que tinha visto ontem a noite e desde então ele ficava me perguntando de cinco em cinco minutos se estava tudo bem.

Para quem veio para esta cidade apenas para o enterro do pai eu não parecia, nem estava muito abalada, acho que talvez seja porque eu acabei convivendo muito pouco com ele desde a morte de Jason.

Às cinco horas fomos para o enterro. Enterros são sempre a mesma coisa: gente de preto, gente chorando.

Estávamos na igreja, onde o corpo do meu pai seria velado. Eu e Nico nos sentamos mais ao fundo. Lá na frente vi duas crianças com rostos abatidos que deduzi serem os filhos do meu pai pela aparência parecida com a dele. Aquilo mexeu comigo, pois eu sei como é perder alguém e não desejo isso para ninguém, muito menos para duas crianças que ainda são novas demais para entender o quão traiçoeira a vida é. Senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto, mas logo as limpei para que ninguém visse. O que foi em vão, pois Nico pareceu perceber então me abraçou.

Depois da igreja fomos até um cemitério não muito longe dali, onde o corpo do meu pai seria enterrado. Eu e Nico ficamos novamente mais ao fundo, onde não éramos notados, pois eu preferia assim.

Nico me abraçava de lado enquanto eu apenas fitava o nada, pensando na vida. Então olhei para frente e do outro lado do caixão, bem na primeira fileira, ao lado da mulher que deduzi ser Hera, a mais recente viúva, estava um rosto conhecido, que me causava calafrios só de olhar e me trazia lembranças horríveis. O dono deste rosto pareceu me ver e sorrio, eu me arrepiei e me virei um tanto apavorada para Nico.

– Vamos embora – disse assustada.

Notas finais
Me deixem reviews por favor!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.