Eternit
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Comecei a sentir o vento emaranhando meus cabelos e a bater em meu rosto, o som dos carros lá em baixo zunia em meus ouvidos.
Naquela manhã de segunda feira tudo parecia normal, sem nada fora do comum acontecendo em minha vida. Levantei cedo, me arrumei lentamente, pois o sono persistia em se alojar em meu corpo, minha mente ainda trabalhava devagar então resolvi tomar um café para ajudar a acordar de vez. Segui normalmente meu caminho para escola. Minha primeira aula seria de história, uma das únicas matérias que me chama um pouco mais a atenção.
A aula começou da mesma maneira de sempre: todo mundo conversando e contando as novidades do final de semana até o professor se irritar e mandar todo mundo calar a boca. Virei-me para trás e comecei a tirar meus materiais da mochila, porém fui interrompida ao ouvir meu professor chamar a atenção de todos. Ao me virar vi parado em frente à turma, de costas para quadro, um garoto que nunca havia visto antes, era alto, pelo menos mais que eu, o cabelo num tom de castanho escuro que estava quase no preto, a pele num tom tão pálido que se assemelhava a uma folha de oficio, como se a qualquer momento ele fosse desmaiar, vestia uma calça jeans preta, uma camiseta do Green Day pela qual me apaixonei logo de cara (cheguei a cogitar bater no garoto, furtar a camisa e fugir, mas acabei concluindo que no soaria muito bem), por cima dela uma jaqueta de aviador daquelas antigas e para completar um all star botinha preto. Tenho que admitir que o garoto era realmente muito bonito, e o cabelo que insistia em cair em seus olhos dava um charme ainda maior a ele. Todas as garotos começaram a cochichar coisas tipo “nossa ele é um gato”, “senhor ajuda, desaprendi a respirar”, “meninas imaginem esse garoto de cueca na minha cama... não ia presta” (vadia, pensei), enfim o de sempre. Então o professor começou a apresentar o garoto formalmente:
– Alunos este é seu novo colega, Nico di Ângelo. Espero que o recebam bem, você pode se sentar ali logo atrás da punk, a Thalia Grace.
O garoto acenou com a cabeça em agradecimento ao professor e olhou pela sala. Ele começou a se dirigir até seu lugar logo atrás de mim, então ao passar pelo meu lado me laçou um olhar que foi mais que encantador. Naquele momento senti minhas pernas ficarem bambas, a minha sorte foi estar sentada, senti meu coração falhar uma ou duas batidas e logo em seguida acelerar desesperadamente, senti algo que nunca havia sentido antes, era como se aquele olhar, por alguns segundos, tivesse preenchido um vazio que a anos existe dentro de mim, senti uma vontade imensa de sorrir, sorrir de verdade, de uma maneira que a muito não fazia. Tudo isso bastou para eu perceber uma coisa: eu vou me apaixonar por este garoto. Isso era uma coisa que definitivamente não poderia acontecer de jeito nenhum comigo, eu já tinha problemas de mais em minha vida, já sofria muito, já tinha motivos até de mais para chorar todas as noites antes de dormir, eu não precisa de uma paixonite boba de adolescente para ter mais um motivo pelo qual sofrer, eu não podia me apaixonar por um garoto tosco que por causa de um simples olhar mexeu comigo. Eu estava decidida: iria ignorar totalmente este garoto, fingiria que ele nem ao menos existia, iria negar a todos e principalmente a mim mesma que eu posso ter feito a tolice de que eu nem mesmo acreditava, eu havia me apaixonado a primeira vista por Nico di Ângelo.
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