Eternidades
1 eternalidade eternite eternaltivamente
Notas iniciais
Então, estou estreando a categoria (com um yaoi porque sou audaciosa), logo: oi, gente! ♥
Espero que gostem dessa fic e que a categoria se encha de outras em breve. ò_ó
Espero reviews! *acena com um lencinho branco e gay*
Eternidades
(eternalidade eternite eternaltivamente)
As coisas mais bonitas do mundo são sombras. Charles Dickens.
– Cara. Hoje o dia está uma merda. Digo honestamente. – ele só concordou num muxoxo, sem nem desviar os olhos da tela da televisão onde jogava um desses novos videogames que naquele momento não me interessava nem um pouco.
– Me diz alguma últimas palavras. Qualquer uma. Pra me tirar desse tédio.
– Bom. – pensei por um instante. – Nero, sabe, o imperador romano, pôs fogo em Roma, e antes de morrer, disse ah, que grande gênio o mundo vai perder! Sério. Nessas palavras. – ele riu por alguns momentos, antes de concordar com a cabeça.
– O mundo realmente tem uns caras muito loucos.
– É. Definitivamente.
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a minha ilha não existe mais, será que o mar já percebeu? ela desapareceu
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– Vocês realmente parecem um casal de velhinhos e isso é meio assustador, se querem saber.
– Não queremos. – dissemos ao mesmo tempo, e eu peguei um cigarro, dando de ombros. Alasca ás vezes delirava daquela forma.
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ah se não fosse o amor, pra recolher o óleo que vazou
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Nevava e eu observava o mundo da janela do meu quarto. Coronel estava deitado na cama, bebendo aquela curiosa mistura de leite e vodca, a sua eterna melhor amiga – ambrosia. Sara ainda o atormentava, mas eu tinha impressão que ele nem se importava mais. Foi inevitável, repeti para mim mesmo, mas mesmo assim o olhei por alguns segundos.
Com o cuidado de afastar toda a pena dos meus olhos.
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mas ninguém viu a marca no meu corpo, como é que pode alguém entrar, e dentro se desmanchar
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– Deveríamos armar um trote. Qualquer trote. Eu não aguento mais esse ócio.
– Faça logo o maldito trabalho de inglês, pelo amor de deus.
– Você é um aluno muito esforçado, Gordo. Você não aproveita os prazeres simples da vida. Quer um cigarro?
– Passa essa porcaria pra cá.
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nunca esqueça as oferendas, quando contar na rua as nossas lendas
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– Teve um imperador que foi apunhalado pelas costas pelo filho adotivo, e as últimas palavras dele foram até tu, Brutus meu filho?
E eu soube que ele entendia daquele jeito que só quem nos ama entende – simplesmente não entendendo, mas agindo como se sim.
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mudei pra laje de um prédio vermelho, no alto é sempre bem melhor, pra quem vive só
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– Se você acha que pode, sei lá, pegar a Alasca, eu acho bom você desistir enquanto é tempo. Porque você não pode. Têm umas noventas garotas nessa escola – a Lara, por exemplo – que não são tão malucas e sem noção nenhuma da realidade quanto a nossa Alasca. Você pode escolher qualquer uma. Seja mais esperto, sério.
Mas eu não queria garota nenhuma.
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ah se não fosse o amor, e a força incrível do seu reator
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Estávamos ligeiramente bêbados por causa daquela porcaria comumente chamada de vinho com gosto de xarope de Alasca, mas eu estava particularmente pior, então Coronel se ofereceu pra me levar de volta do dormitório.
– Com nossa sorte, o imbecil vai cair bem em cima da Águia se tentar ir sozinho.
– Céus, quanto amor.
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brilha seu brinco no alvo do sol
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As coisas foram gradativas. A primeira vez que eu tive consciência de que tinha alguma coisa – qualquer coisa – acontecendo debaixo dos nossos narizes foi quando eu me toquei que nós nos tocava demais (nossos ombros, braços, mãos, tudo se roçando) enquanto conversávamos. E parecia casual. Mas não era.
(E eu sabia que ele sabia que eu sabia).
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chamei você mas você não veio
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Era absurdo como ele sempre sabia a hora certa de me dar um cigarro, mesmo que não fosse óbvio para mais ninguém. Quem poderia imaginar que o ato de deitar no sofá e enfiar a cabeça na espuma que saia por um dos milhões de rasgos poderia significar mais do que uma melancolia temporária?
– Ela só é louca, cara. Pegue esse cigarro e se console.
– Beleza. Vou ficar bem.
– Não duvido disso, mas pegue essa maldita arma letal que vai foder seus pulmões.
E foi exatamente o que eu fiz. Em todos os sentidos possíveis.
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eu entendi que era normal, nada pessoal
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A primeira vez que nos beijamos, estávamos ligeiramente altos por causa daquele troço de leite e vodca que ele costumava beber, e tudo tinha gosto de verão e manhãs de natal.
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ah se não fosse o amor
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Eu acreditava levemente naquela teoria meio patética da minha mãe que ás vezes o amor nos faz fazer coisas idiotas mas que não devemos nos arrepender delas porque o amor é um sentimento sagrado e que deve ser muito bem cuidado e mais um monte de porcarias infinitas que ela falou pra me consolar a primeira vez que eu tentei beijar uma garota – e fui dolorosamente rejeitado. Claro que, na época, minha mãe não sabia que o que eu sentia da garota em questão era mais próximo de tesão que de amor, mas ela também não precisava saber, de qualquer forma. Certos segredos precisam ficar guardados.
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ah se não fosse o amor
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Beijá– lo era a única coisa que fazia sentido na minha cabeça até que chegamos num ponto que fomos mais. Além, adiante, transamos. Qualquer palavra que você quiser empregar. E tudo pareceu subitamente certo, todas as peças encaixadas nos lugares completamente errados, mas mesmo assim tão sem importância que tudo que pude fazer foi dar de ombros. Eu não queria pensar realmente no que viria depois, na manhã seguinte e nem em nenhuma dessas merdas – a velha desculpa de estamos experimentando que eu dava para mim mesmo não valeria mais àquela altura do campeonato – e provavelmente nem poderia, de qualquer forma. Era surpreendentemente difícil pensar depois de um orgasmo recente.
E, naquele momento, as coisas pareceram subitamente pequenas demais. Lara, Sara, Alasca, ambrosia e vinho. Perus de Ação de Graças, dias no celeiro e qualquer outros momentos na vida me pareceram ínfimos. Patéticos. Inúteis perante a sensação estranha de amar alguém honestamente que eu sentia naquele momento.
E provavelmente todas as coisas conspiraram para aquele momento, porque tinha que ser o destino.
Porque só algo não– humano poderia orquestrar uma coisa maravilhosa assim. Mesmo que gostar do melhor amigo já fosse clichê demais até pra mim.
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e a força incrível do seu reator.
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