Eternidade

1 Eternidade


Eternidade

Oliver lacrimejou enquanto escrevia naquele pedaço de papel gasto e amarelado pelo tempo. Aquela folha de papel tinha sido o primeiro e único gabarito de respostas que Thomas Merlyn tinha entregado a Oliver Queen para que ele conseguisse passar em Matemática no Oitavo Ano. O Arqueiro não conseguiu se conter, e as lágrimas escorreram até molhar o papel.

― Tommy... Por favor, me perdoe, a culpa disso tudo é exclusivamente minha. Agora você está morto porque eu fui incapaz de salvá-lo.

O loiro esmurrou a mesa de seu quarto na Mansão Queen, um lugar que agora tornara-se sombrio, sem vida e de uma tensão pesada. O que estava acontecendo? Pensar que nunca mais iria passar a noite rindo com Tommy ou se divertindo em Starling City deixava Oliver triste. '’É difícil de acreditar que ele não está mais comigo’’, pensou. Suspirou e enterrou o rosto em seus braços apoiados na mesa, mais lágrimas desciam de seus olhos molhados sem permissão.

A campainha tocou.

Oliver Queen saiu de seu atordoamento e se levantou, colocou um roupão para cobrir o torso nu. Saiu do quarto e desceu as escadas até chegar a grande e bela porta da Mansão Queen. Ele abriu-a lentamente e suspirou ao ver a pessoa que mais queria evitar no momento: Dinah Laurel Lance. A maquiagem em seus olhos estava borrada e o rosto estava vermelho, ela fungou um pouco antes de falar. Laurel passou por Oliver olhando para baixo e sentou-se no sofá, não se preocupando se o loiro iria manda-lá sair, pois ele não iria. Oliver fechou a porta e acendeu a luz, diminuindo um pouco a tensão do ambiente. A mulher tirou alguma coisa da bolsa:

― Eu trouxe isto, – disse ela estendendo um CD para Oliver. – são... Alguns momentos recordáveis que eu, você, a Sara e o Tommy tivemos juntos. Se você não quiser ver, tem todos os motivos para isso.

― Não tem problema, Laurel – disse Oliver, cabisbaixo. Ele pegou o CD e colocou no DVD Player. – Você pode esperar um pouco, é que eu tenho que fazer algo. É bem rápido.

Laurel assentiu com a cabeça. Oliver subiu rapidamente as escadas e terminou sua carta em alguns segundos, tirou o roupão e pegou uma camisa adequada: negra como a noite. Vestiu-a e voltou à sala com a carta no bolso da calça. Ele se sentou perto de Laurel, à uma distância segura. O vídeo começou. Tommy e Oliver com cerca de cinco anos estavam brincando de pega-pega enquanto as irmãs Lance estendiam um grande pano sobre a grama do parque e depositavam a cesta de comida encima do pano delicadamente. Elas ajeitaram os sanduíches de frango sobre quatro pratos e chamaram os garotos. Os quatro então sentaram e começaram a comer, sorrindo.

Logo a cena mudou. Era uma apresentação de dança, Tommy tinha feito par com Sara e Oliver com Laurel. Eles dançavam valsa aceitavelmente para crianças de nove anos, outros pares dançavam junto a eles, mas os quatro estavam a frente do resto. Oliver olhou para Laurel, ela tinha os olhos molhados. O mesmo já começava a lacrimejar novamente.

― Ele dançava bem, né? – disse Laurel, esfregando os olhos na blusa.

― Eles dançavam bem – concordou Oliver em voz baixa.

Agora Tommy e Oliver estavam entrando na adolescência. Estavam num cemitério, Tommy estava chorando e Oliver olhava para o chão. O Arqueiro logo relembrou daquela cena, era o funeral da mãe de seu melhor amigo, um dos piores momentos pelo qual passara, ele não gostava de ver as pessoas que amava chorando. Essa foi uma cena rápida que logo foi para algo mais animado. Os quatro estavam agora com cerca de quatorze anos e Malcolm Merlyn tentava ensina-los um pouco de esgrima no quintal dos Merlyn, Oliver era o que tinha se saído melhor até agora: conseguira bloquear um ataque de Malcolm, claro, o golpe fora executado da forma mais fraca possível para não acabar machucando o adolescente. Não demorou muito até que uma empregada chegasse com biscoitos e canecas de chocolate quente.

Muitas outras cenas foram passando, aumentando a tristeza de Oliver e Laurel, até o ‘’filme’’ acabar. Assim que acabou, Oliver tirou sua carta do bolso e mostrou para Laurel:

― Será que o Tommy vai gostar? – perguntou ele, a voz um pouco esganiçada e rouca pela tristeza.

― É claro – respondeu Laurel. – Afinal, quem melhor para mandar uma mensagem para alguém do que o próprio melhor amigo.

――

O cemitério de Starling City estava molhado pela chuva que caia intensamente. Oliver e Laurel estavam parados na frente do túmulo de Thomas Merlyn embaixo de um guarda-chuva. Oliver pediu para que Laurel lesse a carta para Tommy. Ela concordou e começou a ler o pedaço de papel:

‘’Querido Tommy. Quem diria hein? Eu sempre fui o mais louco e indecente de nós dois, mas no final quem foi embora foi você. É injusto não é, Tommy? E tudo isso é culpa minha, Oliver Jonas Queen, o fracassado. Eu sou um ladrão, pois tirei o seu direito de se casar, ter uma família com filhos, viver seus últimos dias de vida junto ao amor da sua vida e partir feliz, tendo vivido tudo o que precisava. Esse mundo é cruel não é mesmo? — Laurel parou por um tempo, emocionada. – Mas você se lembra dos nossos momentos felizes, certo? Todas ás vezes que brincamos juntos, que tocávamos as campainhas das pessoas e saíamos correndo para o outro lado da rua. Você se lembra de quando decidiu continuar a vida, mesmo depois da morte da sua mãe? É porque você era e sempre será um homem corajoso e forte.

― As pessoas se classificam em generais, líderes, e até mesmo deuses, mas nenhum poder é superior que a amizade e o amor. Existem os soldados, os assassinos e os grandes destruidores da vida, mas nenhum deles consegue ser mais forte que você, que possuía o poder da amizade, bondade e até mesmo um pouco de altruísmo. Termino essa carta dizendo que você deve estar feliz, brincando no Paraíso com seus pais, você merece o maior dos descansos. Saiba que... – Laurel pausou de novo, enquanto começava a chorar e fungar. – Saiba que você será nosso amigo por toda a eternidade! Descanse em paz.

Laurel depositou a carta encima da lápide, que se molhou e se desfez com a chuva. Os dois foram embora. Mas antes que pudessem sair do cemitério, um cachorro lambeu a perna de Oliver alegre e sorridente, ele tinha a mesma expressão de felicidade que Tommy. Oliver sorriu:

― Parece que ele recebeu nossa mensagem.

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