Eternia
1 Ser ou não ser.
Sou chamado de Max e também de Eve, mas não sei em que acreditar, sou humano? Ser ou não ser, não é algo pelo qual quero gastar meu tempo em pensar, pois se estou aqui vivo, é óbvio que é por que sou algo, não importa o que seja, agradeço por estar aqui, rodeado de tantas pessoas.
Estou sempre rodeado por paredes de vidro, desde que existo, eu vivo aqui, sendo observado freqüentemente. Todos estão sempre com expressões sérias, exceto um deles, seu nome era Frank e ele sempre vem me ver com um sorriso nos lábios, acredito que sejamos amigos, pois está sempre comigo, era como se ele se importasse comigo.
Eu acabei de acordar e vejo que ele está se aproximando de meu quarto com a expressão alegre de sempre.
– Teve uma boa noite de sono? – Ele Perguntou.
– Eu não posso dormir! Lembra?
– Sim, eu sei! – Ele deu altas gargalhadas, como costumava fazer quando algo engraçado acontecia, mas não era o caso.
Aqui eu não posso dormir, pois há um tipo de sistema que me mantinha sempre bem disposto e sempre bem limpo, isto é, segundo Frankie havia me explicado há muito tempo atrás.
Uma coisa me veio a minha mente e que eu não poderia esquecer:
– Posso te fazer uma pergunta?
– Já fez. – Respondeu com os lábios tremendo, preparados para rir.
– Vou fazer mesmo assim. Qual seria a minha “idade”, como um humano?
– “Se” você fosse humano, você teria 12 anos, mas não é então você tem apenas 12 anos. – Frank voltou a rir escandalosamente.
– E quantos anos faltam para eu poder sair daqui? Não que eu esteja reclamando, mas é que...
– Você quer tanto sair? – Ele cortou as risadas e ficou em um tom mais sério – Para onde iria?
– Eu... Eu... – Tentei me explicar.
Eu realmente não sabia o que dizer, eu só queria sair dali e conhecer o lado de fora.
Frank se despediu, aproximou–se da parede e falou bem baixo e devagar:
–... Eu queria poder ajudar...
Ele começou a andar e voltou para o lugar de onde havia saído, enquanto eu continuava ali dentro, preso, pensando o que ele queria dizer com isso.
Então eu começo a pensar:
– Se não sou humano, o que sou?
O que seria um Eve, pelo qual tanto me chamam? Quem sou eu? Não posso ser apenas humano? Eu só sei que quero sair daqui, mas não quero ficar só lá fora, acredito que seria melhor ficar, mas como posso saber? Vozes na minha cabeça ficam me iludindo, me confundindo.
Às vezes, eu consigo sonhar, um sonho onde eu estou em cima de um grande muro, onde me equilibro para não cair de nenhum lado, mas estas vozes incomodam e me impedem de continuar, tentam me puxar para um dos lados, tento inclinar para o outro lado, mas não consigo.
Eu escuto gritos de dor, humanos pedindo clemência para mim, eu me apresso na caminhada pelo muro para poder fugir.
Não consigo ver o final destas paredes por onde me equilibro, tenho medo de parar e descer, eu escuto gritos, mas não sei de que lado vem, não sei para onde as vozes querem me levar. Não quero continuar andando, quero voltar, mas exatamente atrás de mim há um enorme vazio, com se eu nunca houvesse me movimentado e nunca ter saído dali.
É algo que vou ter que sonhar, mais esta noite, até o próximo dia, quando Frank voltará. Nada mais para fazer, vou deitar ali na minha cama e esperar o tempo passar, novamente...
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