Eternamente seu

4 capítulo 4 - Ciúmes


Uma semana se passou desde aquela noite. Não tínhamos tocado no assunto mais. Não que eu não quisesse esclarecer as coisas, mas o Pedro se esquivava sempre que eu falava algo sobre o beijo. Entendi então que ele não queria aquilo também desde o começo.

Era mais uma manhã de domingo. Estava no sofá olhando a televisão e dando um gole no café preto que havia preparado, hoje era dia que eu tirava para relaxar e assistir filmes.

Eu e o Pedro.

–Já vou indo Hugo!

Levantei o rosto e perguntei:

–Indo? Aonde?

Pedro tinha descido as escadas vestindo jaqueta de couro que combinava com uma calça preta justa e uma camisa azul marinho. Típico de um bad boy.

–Eu vou sair com uma garota. Peguei o telefone dela ontem no restaurante. Vamos hoje sair para beber e depois, bem acho que você já sabe o resto.

–ah sim. Eu sei...

Algo dentro de mim havia reagido mal ao fato de Pedro sair com uma mulher estranha. Isso era comum para ele. Sair para um bar ou uma boate, envolver uma mulher apenas com olhares e depois com uma conversa, leva-la para um motel, ou mesmo para nosso apartamento. Várias vezes fizemos o mesmo junto e trouxemos garotas para nossos quartos.

– Então, boa caçada Pedro!

– Porque não vem?

– não estou a fim de sair para ser seu castiçal Pedro!

De repente parei. Engoli em seco. Será que ele havia percebido a alteração na minha voz? A mudança no meu humor? A ironia? Eu raramente respondia com rispidez para o Pedro. Olhei para o café preto na xícara.

– você não quer que eu vá?

Senti o Pedro sentar ao meu lado no sofá, meu coração disparou no momento que senti o braço dele nos meus ombros, olhei lentamente para o rosto dele e vi que estava tão perto, e se aproximando seus olhos nos meus, depois na xícara que estava na minha mão tremula.

– me deixe tirá-la antes que você a deixe cair.

Seus dedos tiraram a xícara da minha mão, roçando levemente na minha pele. Senti como se não estivesse no meu corpo e não tivesse controle de nada que estava acontecendo.

Pedro colocou a xícara na mesa de centro e depois virou o rosto para mim. Olhou em meus olhos e disse:

– Achei que podia deixar o que aconteceu no passado, e que voltaria tudo ao normal, mas você não ficou a vontade não é? Então está na hora de conversarmos, pois não quero te ver assim tão longe de mim como nesses últimos dias.

– longe? Do que você está falando?- consegui dizer.

– Hugo... Você deve estar me odiando por ter feito você passar por aquilo. Sei que deve ter sido estranho já que nunca deve ter se relacionado com homens...

– Você já? minha voz saiu aguda demais tamanha minha surpresa. Ele riu.

– você sabe, eu nunca fui santo. Nessas minhas aventuras já aconteceu de tudo. Não quero que você mude comigo por um erro meu, desculpe.

– Você não precisa se desculpar.

–Amigos?

Pedro me estendeu a mão que estava livre, a outra ainda estava no meu ombro e seu braço ainda me abraçava. Olhei sua mão ali esperando um aperto e depois seus olhos com um brilho que dizia tudo que eu me perguntava, eles tinham as respostas para minhas duvidas, tinham o que eu queria há muito tempo. Segurei a mão que ele estendeu, então vi o sorriso que meu melhor amigo abriu e esse pequeno gesto me fez perder o controle. O derrubei no sofá.

– Hugo? O que você esta fazendo?

– O que tenho vontade.

Forcei minha boca contra a dele numa força que eu mesmo desconhecia. Em um ritmo como se houvesse uma musica de fundo ali naquela sala. Na minha cabeça tinha. Era um rock pesado.

Os lábios de Pedro resistiam as minhas investidas e isso só me deixava mais alucinado. Eu não conhecia esse lado em mim, como se o desafio já não fosse absurdo o suficiente eu ainda queria deixar as coisas piores.

Os gemidos de resistência vindos da boca do Pedro me faziam apertar os pulsos dele com mais forca. Até que ele venceu e me afastou.

– Isso não tem graça, Hugo! Você acha isso engraçado? Eu já sei que errei, mas você não pode brincar com os outros assim!

O Pedro chorava. As lágrimas caiam e ele não conseguia pará-las. Estendi a mão para enxugá-las, mas ele desviou o rosto, levantou do sofá e desapareceu pela porta.

Notas finais
sugestões? dicas? mais pegação ou mais drama? em breve vai ter os dois!