Eternamente seu

2 Capítulo 2 - Soco


Peguei a minha moto e fui dar uma volta na praça, onde sempre tinha garotas lindas para paquerar. Uma ficou olhando na minha direção, depois de um tempo se aproximou e disse:

– Nossa! essa moto é sua?

Era de se esperar... Todas se interessavam pela moto.

–Sim... Linda não é? Quer dar uma volta?

–Claro!

Fui colocando o capacete, porém senti uma rasteira que fez tudo que estava em volta girar. Quando dei por mim estava caído no chão olhando para cima e um homem se preparava para me socar, em reflexo, fechei os olhos e escutei um grito. Não era o meu. Voltei a abri os olhos e um rapaz segurava o punho do homem que ameaçava me bater. Rapidamente o rapaz lhe deu um soco que fez sair de cima de mim. Eu ainda estava caído quando entendi o que aconteceu.

– você está bem? – O rapaz forte me perguntou enquanto me ajudava a levantar.

– já estive melhor. Obrigado por me ajudar.

– Eu sei. Essa garota é namorada dele – ele disse enquanto a garota já estava uma distancia ajudando o cara jogado no chão.

– Eu não sabia. – Percebi que eu não tinha me apresentado ainda. – Prazer meu nome é Hugo.

– O meu é Pedro.

Minha mente estava perdida nessa cena do passado, eu mal podia imaginar aquela noite resultaria na mais duradoura amizade que já tive na vida.

– Nossa faz tanto tempo, como ainda consigo lembrar cada detalhe?

Eu me perguntava olhando para o vidro da janela. Lá fora chovia de leve, mas o frio entrava assim mesmo.

– Hugo! Cheguei! Trouxe bebida e o jantar!

Pedro entrava pela porta da sala como sempre. Trazendo o mundo consigo. O ar das ruas e a agitação da cidade.

– parece que adivinhou que hoje eu queria beber.

– eu sempre adivinho!

– Pedro sabe o que eu estava lembrando? Quando nos conhecemos.

– Serio? Lembra como eu lhe salvei de uma surra? Você era tão frágil!

– Eu lembro. E você sempre foi encrenqueiro.

– Não... Eu só sabia me defender.

– Ainda sabe!

Então soltamos uma gargalhada.

Pedro trabalhava como chefe de cozinha em um restaurante chique e disputado, sempre trazia comida para o jantar.

Começamos a beber e assistir televisão como sempre fazemos à noite depois do trabalho, eu acabei virando fotografo, eu gostava e não gostava. Sempre nos divertimos muito, mas naquela noite estava tudo fora de controle. Começamos a beber na sala perto da varanda. A música no ultimo volume.

–Assim vamos ser expulsos do prédio, Pedro!

– Seu Covarde! Sempre pondo limite na diversão. Não foi para sermos livres que nos mudamos?

– É verdade, você está certo!

Nós dois estávamos bêbados.

– nunca imaginei que seria possível se divertir tanto com uma pessoa só.

Eu disse, tudo girando e meio ofuscado ao meu redor.

– nem eu. Você é o melhor amigo que um homem pode ter Hugo. Eu te amo.

– Acho que você esta bêbado.

– Eu estou mesmo!

Começamos a gargalhar alto, caímos no chão, os rostos perto demais um do outro. A única luz que entrava, era da porta de vidro aberta da varanda na nossa frente. De repente um vento frio entrou na sala, invadindo o ambiente. Esse vento parecia nos envolver, nossos risos foram ficando baixos e em um momento não eram mais que um sorriso sutil nos nossos lábios. O vento não tinha se dissipado e sem que percebêssemos nossos rostos começaram a se aproximar, sem pressa, nossos olhos não se abandonaram em nenhum momento desde a hora que caímos no chão e como se fosse o movimento mais natural, nossas bocas se tocaram devagar sem pressa, sem violência, como os lábios estivessem se desfazendo a cada movimento nosso. A cada segundo foi se tornando mais intenso, mais real. Já não eram suficientes os lábios e logo foram necessárias as mãos, os dedos, os braços e sem permissão os nossos corpos já estavam se tocando.

– Espera Pedro. — Droga, minha voz era mais um sussurro que um pedido.

–Esperar o que? Você não quer? Você não me quer?

– Não é isso...

Ele me olhou nos olhos e sorriu:

–Então você me quer?!

Não, não era isso... Ou era? Eu já não sabia dizer. Eu não entendia nada que estava acontecendo, estava tudo girando e eu sabia que tinha bebido demais.

– Eu não estou bem. Acho que bebi demais. Vou para o meu quarto.

–Eu entendo... Eu te levo.

Após desligar a musica, ele me ajudou a entrar no quarto e deitar na cama, quando eu estava caindo no sono, senti Pedro deitar do meu lado, então adormeci.