Eternamente com você - livro II
2 Prólogo
Hoje é o dia! O meu e do Lucas! Dia do nosso aniversário! 15 anos é uma data bem importante na vida de algumas garotas, e outras nem se importam com isso. Eu sempre quis fazer 15 anos, mas não por causa da festa ou outras coisas, era apenas pelo fato de que eu achava essa idade importante. Seria o auge da minha adolescência. Claro que eu não era uma dessas adolescentes rebeldes, que saíam escondidos dos pais no meio da madrugada, bebiam ou usavam drogas. Eu sou uma garota bem tranquila, que só queria viajar e curtir com os poucos amigos que eu tenho, ler bons livros e planejar a vida, só isso.
Meu irmão era a mesma coisa. Por ser garoto, ele era bem tranquilo. Eu sei que ele paquerava algumas garotas, mas não passava disso. Lucas é igual ao meu pai quase em tudo. Por falar nisso, nós temos os nossos pais como exemplos de vida. Minha mãe é uma pessoa meiga, doce, inteligente e maravilhosa. Ela sempre está com a gente, nos momentos mais importantes. Ela se preocupa com tudo, mesmo trabalhando muito. Mas, ela é forte, e não pisem no calo dela, senão ela vira a mamãe protetora. O meu pai, bem, o grande Gabe Hunter pode ser definido em três palavras: ciumento, piadista e dramático. Ele é daqueles que perde o amigo, mas não perde a piada. Sempre tem aquele piada por perto, fazendo a gente rir. O seu drama é conhecido, ou melhor, sua visão realista dos fatos. Papai fala que ele não é dramático, é realista. Ele sabe muito bem interpretar, e consegue convencer as pessoas facilmente. O ciúme dele é algo que chega a ser engraçado. Ele uma vez comprou uma roupa de freira para eu ir a uma festa a fantasia na casa de uma amiga minha. Disse que eu sentiria que aquela era a minha vocação na vida. Outra vez ele comprou uma burca, dizendo que aquilo era para realçar a cor dos meus olhos, deixando apenas eles a mostra. Minha mãe ficou uma fera, e deu um basta naquela história de roupa de freira e burca. Meu pai fez todo aquele drama, mas não adiantou, minha mãe sempre acaba vencendo. Os dois são os nossos exemplos de que existe amor eterno. Um amor para a vida toda. Pode passar muitos anos, mas eles sempre serão eternos apaixonados.
Como hoje era sábado, e dia do nosso aniversário, teríamos um jantar entre família. Uma mini festa organizada pelas nossas avós. Apenas a nossa família e amigos, só para não passar em branco essa data.
Levanto-me da minha cama, e vou correndo para o meu banheiro. Eu não divido mais o quarto com o meu irmão. Não porque a gente não gosta, porque dividir o quarto com ele foi essencial para a nossa união e respeito um pelo outro. Decidimos nos "separar" porque já estávamos em uma fase que cada um precisava do seu espaço. Ele gostava de coisas e músicas que eu não gostava. Então, eu me mudei para o quarto ao lado, e decorei do meu jeito, com rosa, lilás e com as coisas que eu gosto.
Tomei um banho, sequei os meus cabelos, coloquei um vestido que eu tinha ganhado da minha madrinha e passei um batom. Hoje eu teria que estar mais arrumada do que o resto do ano. Desci as escadas, e fui direto para a cozinha, sentindo um cheiro maravilhoso!
— Bom dia, mamãe! – fui até ela, que estava perto do fogão e dei-lhe um beijo em sua bochecha.
— Sophie, você já está aqui?
— Não era para eu estar? – perguntei sem entender mais nada.
— Eu iria levar o café da manhã pra você e para o seu irmão.
— Ai, mãe, eu não sabia da surpresa! – eu me senti culpada por isso.
— Tudo bem! – sorriu, com aquele sei jeito angelical. – Parabéns, minha filha! Que Deus te abençoe sempre! Todos os dias da sua vida! Eu te amo muito, e para sempre! – ela me abraço, chorando.
— Obrigada, mamãe! Obrigada por tudo! – abracei o mais forte possível a mulher que eu amava mais que tudo.
Escutamos alguns passos, e sabíamos de quem eram.
— Já começaram a festa sem o astro principal? Se não fosse por mim, vocês não teriam nascido. – meu pai chegou com estilo, do jeito que ele gosta, e olhou para o meu vestido umas cinco vezes. Ele até poderia fazer o discurso do vestido, mas não iria adiantar muita coisa, porque eu tinha a minha mãe do meu lado, e o meu pai faz tudo o que a minha mãe quer.
— Ah é, Gabe? Se não fosse por você? Eu achei que eles tinham nascido de mim, que eu os carreguei por nove meses, senti dores e amamentei.
— É assim, Emily? Vai me humilhar na frente dos nossos filhos? A vida é cruel mesmo. A gente ama, mas o amor se vira contra a gente. Olha ai, filhos, a mãe de vocês jogando na minha cara o que eu não fiz, só porque eu não fui agraciado com um belo par de peitos para amamentá-los, e um útero e outra coisa que as mulheres têm. Sabe, princesa, a medicina está avançada. Quando eu puder, eu irei fazer tudo isso que vocês faz. – meu pai já começou com o drama.
Nós três rimos, e ele fechou a cara.
— Sem dramas, Gabe! Eu estava brincando com você, bobinho!
— Isso me magoa, Emy. Meu coração está com buraquinhos. – suspirou.
Era isso que os deixavam tão apaixonados. Um brincava com o outro, e minha mãe tinha o meu pai na palma da mão.
Mamãe cumprimentou o Lucas, enquanto o meu pai sorriu assim que me viu.
— Minha filha linda! Minha bebê! Minha Soso! Parabéns, minha filha! Eu nem acredito que você já está com 15 anos. Passou tão rápido, Sophie. Eu ainda me lembro de quando você era apenas um bebê. Que saudades desse tempo! Vocês ainda precisavam de mim, e você não usava um vestido curto, como esse que está usando agora.
— Pai...
— Sophie, que você tenha muitos anos de vida, e que não namore tão cedo, porque eu quero ter muitos anos de vida, e longe da cadeia. Não namore, se você quer que eu fique bem, filha. Não...
— Gabe! – minha mãe o repreendeu. – Você não está falando sobre namorados, né?
— Eu? Eu estou só parabenizando a minha filha pelo seu aniversário. – deu de ombros.
Eu falei que o meu pai poderia ser um bom ator, né? Ele consegue enganar com essa carinha de que não fez nada de errado.
— Sei. E eu nasci ontem, querido. Não fique dando lição sobre namoros para a nossa filha, Gabe.
— Eu só estou dando um aviso. Quem avisa, amigo é. Não estou fazendo nada de errado. A Sophie e o Lucas estão naquela fase, princesa.
— Que fase, Gabe? – mamãe perguntou.
— Aquela fase que não deve ser dita, Emy.
— Ai, Gabe! Lá vem você com essas ideias para cima dos nossos filhos.
— Não são ideias. São fatos comprovados por mim. Pelas minhas faculdades mentais.
Lucas parou do meu lado, e ficamos vendo aquela cena tão engraçada. Os dois poderiam brigar, mas se amavam tanto, que isso era maior do que qualquer briguinha ou implicância que tinham um com o outro.
— Sophie, eu falei alguma coisa de errado para você? – meu pai levantou uma das sobrancelhas, e eu sabia que teria que tirar o dele da reta.
— Não! Nada que eu não saiba, mãe. – sorri.
Ela olhou para nós dois, e respirou fundo. Ela sabia muito bem que o meu pai tinha falado alguma coisa, mas eles iriam resolver entre os dois.
— Parabéns, maninha. Eu te amo!
— Parabéns, maninho. Eu te amo! – nós nos abraçamos fortemente, mostrando o nosso amor.
— Que lindos! Nem parecem que saíram dos meus...
— Gabe! Não fale aquilo sobre eles terem saído do seu... Ah, você sabe. – mamãe riu. – Ok! Vamos nos sentar à mesa, que o dia será corrido. Eu fiz um bolinho para cantar parabéns, e um café da manhã bem especial para os meus bebês.
— Mãe, eu já tenho 15 anos, não sou um bebê! – Lucas reclamou.
— É meu bebê, sim. Enquanto estiver morando aqui, será o meu bebê! – sorriu. – E você mal completou 15 anos, senhor Lucas.
Ele deu de ombros, e eu ri.
Cantamos parabéns, sem aquela parte que fala com quem vamos nos casar, porque meu pai não gostava muito, e logo começamos a tomar o café da manhã. Lucas estava bem animado com o dia dele. Ele sempre gostou da profissão do nosso pai, então ele ficaria o dia no escritório, e o papai iria ensiná-lo sobre o trabalho de advogado. Nem preciso dizer que o Lucas vibrou com essa notícia.
— O que você irá fazer antes da festa, Sophie? – papai perguntou.
— Eu não sei. Talvez eu ligue para a Lara, e ela venha aqui.
— Não quer ir ao escritório junto com a gente, Sophie? – Lucas me perguntou.
— Não que eu não goste do seu trabalho, pai, mas eu prefiro ficar por aqui.
— Tudo bem! Quando você quiser ir ao escritório, é só falar.
— Tudo bem, pai. – sorri, voltando a comer o bolo de chocolate, que é a especialidade da minha mãe.
Após o café da manhã, eu ajudei a minha mãe a arrumar e lavar as louças. Papai e Lucas foram para o escritório bem apressados, porque já estavam atrasados. Escutamos o barulho da campainha, e a minha mãe foi atender, enquanto eu acabava de guardar as louças.
— Filha, eu tenho uma surpresa pra você. – minha mãe sorria.
Ela nem esperou eu perguntar o que era, quando a figura da pessoa que preenchia uma boa parte do meu coração apareceu.
— Eu não acredito que você está aqui! – gritei, largando tudo em cima da mesa, e corri para ele.
— Meu anjo! – ele me abraçou fortemente, beijando a minha cabeça.
— Você está aqui mesmo, Nathan? Não é miragem?
— Eu seria uma bela miragem, mas sou bem real. Pode me abraçar a vontade, anjo.
Ele me chamava de anjo desde quando eu me conheço por gente. Era um apelido que amava, mas irritava um pouco o meu pai.
— Eu achei que você não viria.
— Eu sempre venho para você, anjo! É seu aniversário e do Lucas. Eu sempre vou estar aqui, Sophie. Em todos os momentos da sua vida. – sorriu.
Nathan é o meu melhor amigo. Nós nos conhecemos desde quando eu era um bebê. Ele tinha três e eu quase um ano. Infelizmente ele teve que se mudar daqui, junto com a tia Lis e o tio George. Mantemos contato, mas eu sinto falta da presença dele. Nossa amizade não acabou por causa da distância. Muito pelo contrário, nós ficamos muito mais unidos.
— Com licença. – mamãe pediu. – Eu fico muito feliz que você esteja aqui, querido. – minha mãe o abraçou.
— Eu também, madrinha. Muito feliz por estar de volta em casa. – olhou, sorrindo pra mim. – Cadê o Lucas e o padrinho?
— Foram para o escritório. Esse seria o presente que o Lucas pediu para o pai. Um dia como um "advogado". – riu.
— Uau! – rimos. – Depois eu falo com ele, porque agora eu vim sequestrar a minha melhor amiga.
— O que? – perguntei sem entender nada.
— É seu aniversário, então iremos fazer um passeio. Posso levá-la, madrinha?
— Claro, querido. Só cuide muito bem da minha filha.
— Cuidarei com a minha vida! Sophie é a minha prioridade. – olhou pra mim, e piscou.
Homens podem ser maravilhosos e tentadores quando piscam, mas o Nathan é meu melhor amigo, e eu acabo rindo todas as vezes que ele pisca pra mim. Não tenho nenhum desejo por ele, e se tivesse, o meu pai me mataria e mataria ele, com toda a certeza.
— Ok! Podemos ir! Ah, mãe, tudo bem se a senhora terminar de limpar tudo aqui?
— Sem problemas, filha. Vá se divertir! Daqui a pouco eu irei ajudar na preparação da festa. Ah, você irá ficar para a festa, né? – perguntou para o Nathan.
— Claro, madrinha. Eu não perderia por nada. – olhou pra mim. — E os meus pais também estão bem ansiosos com a festa. – sorriu. — Bem, vamos, anjo?
— Vamos! – me despedi da minha mãe, e sai.
***
— Espere um pouco. – Nathan foi até o carro dele, que era lindo, e abriu a porta. – As damas sempre vêm primeiro, e você é uma bela dama aniversariante, e meu anjo para sempre.
Eu não tenho o melhor amigo do mundo? Nathan sempre foi romântico, e quem se casar com ele, terá muita sorte.
— Então, para onde você irá me levar?
— Surpresa. – sorriu, olhando para frente.
Ele sabia o quanto eu ficava ansiosa com surpresas. Tentei arrancar para onde estávamos indo, mas o Nathan não me dizia nada. Apenas falava que eu iria gosta do lugar, porque ele lembrava muito de nós.
— Chegamos! Ah, não saia do carro. – ele saiu apressadamente, e abriu a porta pra mim.
— Obrigada. – agradeci, olhando em volta, tentando ver onde estávamos.
— Hoje é o seu dia, mas eu tentei fazer alguns planos para o dia de hoje. – sorriu. – Eu quero que seja perfeito, Sophie. Perfeito igual a você?
— Eu não sou perfeita, Nath. – sorri, chamando-o por um dos apelidos que eu tinha dado.
— Você que se engana, anjo. – Nathan olhou pra mim por alguns instantes, e sorriu.
— O que foi? – perguntei curiosa.
— Eu amo os seus olhos. – sorriu envergonhado. – Quero dizer, você é linda, Sophie, mas os seus olhos são maravilhosos!
— Porque você acha isso?
— Porque eles mostram a pureza da sua alma, e a sua verdade. Os seus olhos não conseguem mentir, Sophie. Eles são puros, assim como a sua alma, anjo. Eles me acalmam, sabia? Não sei o motivo, mas eu amo ficar olhando para os seus olhos.
Eu sorri envergonhada com aquelas palavras. Nathan sabia me deixar sem jeito, mas eu amei ouvi-lo falar sobre mim. Mal sabe ele que eu também amo os olhos dele. O mais puro azul, que me deixava hipnotizada!
— Posso dizer que é recíproco. – sorri. – Ok! Qual é o seu plano para o dia de hoje?
— Eu te trouxe para um lugar que eu te prometi quando éramos crianças.
— Um lugar? – pensei onde eu poderia estar. – Opa! Espera ai, Nath. Você me trouxe a um parque de diversões?
— Você acertou! – sorriu, me puxando para a bilheteria do parque.
— Espera ai, eu não trouxe dinheiro para pagar as entradas, e...
Nathan me deu aquele olhar que eu conhecia muito bem. Se falasse em pagar alguma coisa, ele acabaria comigo. Fiquei quietinha, enquanto ele pagava as nossas entradas.
Assim que entramos, eu vi aquele parque enorme, com todos os brinquedos maravilhosos, e algumas luzes acessas. O parque estava cheio, e bem colorido.
— Uau! – falei, admirada.
— Gostou? Olha, se você quiser nós podemos ir embora. Eu te levo em outro lugar, e...
— Eu amei! – sorri. – Porque você me trouxe aqui? Não que isso seja ruim, mas qual é o seu plano nesse parque?
Ele olhou para mim, e parecia pensar no que iria falar. Nathan era um homem grande, e seu rosto era sério, só pra quem não o conhecia, porque eu sei que por debaixo daquele rosto sério, existia um homem brincalhão, amoroso e inteligente.
— O parque de diversões foi o nosso primeiro passeio. Assim que eu cheguei à casa dos meus pais, eles trouxeram a gente em um parque, só que você era muito pequena para brincar nos brinquedos grandes. Eu me lembro de você chorando por isso. Eu não gostei de vê-la daquele jeito, então eu prometi que quando você fosse bem maior, não que você seja adulta, mas eu prometi que eu iria te trazer ao parque, para que você se divirta em uma data tão especial, mas que se divirta comigo, anjo. – sorriu, com a ponta do nariz vermelha por causa da timidez.
— Eu não me lembro muito bem disso, mas isso é incrível, Nath! – sorri, abraçando-o. – Você é tão especial pra mim! Meu melhor amigo!
Ele ficou me olhando por alguns instantes, eu sorria feito boba. Eu amava parque de diversões! Ali todo mundo virava criança, não importava a idade.
— Vamos! – ele falou, puxando a minha mão.
Perdi as contas de quantas vezes eu fui naqueles brinquedos. Eu estava me divertindo tanto, que já estava suada, com a roupa amassada, mas feliz. Fui a praticamente todos os brinquedos, menos na montanha russa, que era o meu maior medo. Fiquei parada olhando pra ela, mas não tive coragem de ir.
— Vamos, Soso, eu vou com você. – Nathan tentava me convencer, mas eu não subiria naquele treco. De jeito nenhum!
— Eu acho a visão daqui de baixo bem melhor, Nathan. – sorri, mas por dentro eu estava tremendo de medo.
— Está com medo? – perguntou rindo.
— Eu? Claro que não! – ri. – Você acha que eu, Sophie Campbell Hunter, está com medo desta pequena montanha russa?
— Eu, Nathan Adams, acha que você está com muito medo da montanha russa.
Virei-me para ele, que sorria sem parar. Não sei qual a razão daquele sorriso todo.
— O que foi? Eu não estou com medo, ok? Eu apenas estou evitando ficar com o nariz entupido por causa do vento forte. Eu tenho sinusite, sabia?
— Aham, sei. Nem uma voltinha?
— Argh, eu já falei que eu não subo nesse trem que abala a minha sinusite. Você já assistiu Premonição 3? Se não assistiu, assista. Montanha russa, quer dizer susto, susto quer dizer morte, morte quer dizer que eu não estarei mais aqui. Se eu não estou aqui, os meus pais irão morrer também, e se isso acontecer, o meu irmão também...
— Sophie! Ok! Nós não vamos subir no trem que abala a sua sinusite.
— E entope o nariz das pessoas, e embaraça os nossos cabelos. — completei
— Isso também. – riu. – Você é tão parecida com o padrinho. Até esse jeito desesperado de ser.
— Eu não sou desesperada, eu sou realista. – cruzei os braços, e olhei diretamente para ele.
— Você é filha legítima de Gabe Hunter. São parecidos em tudo.
— Ainda bem, né?
Nathan concordou, e rimos da cara do meu pai, imaginando o drama que ele faria se estivesse aqui, e vendo a montanha russa.
— Eu estou com fome. Vamos comer alguma coisa, ou você quer esperar mais um pouco? – perguntou pra mim.
— Eu não via a hora de você perguntar pra mim. Vamos comer! – pulei de alegria.
Nathan me levou a uma pizzaria que tinha dentro do parque, e nos sentamos. Olhamos o cardápio, e escolhemos as nossas pizzas. Enquanto esperávamos, eu fiquei observando as pessoas que tinham no restaurante. Vários casais apaixonados, jovens com quase a minha idade com namorados, e eu me lembrei da garota do colégio, que vive dizendo que eu morreria sem namorar ninguém, principalmente beijar. E é verdade. Eu estou com 15 anos, e nunca beijei ninguém. Não sei o motivo, mas eu travo todas as vezes que penso em beijar alguém. Deve ser medo de não ser bom, ou de não saber, ou do meu pai mesmo, que vive falando para eu me manter longe dos meninos. Mas eu tenho essa curiosidade de saber como é beijar alguém, ou de se apaixonar por alguém.
— Nath, eu posso te perguntar uma coisa? – virei-me para ele, que olhava pra mim sem parar.
— Claro, anjo.
— Você já deve ter beijado algumas meninas, né? Como é isso?
— O beijo?
— É. Quero dizer, esse negócio de saber beijar, onde colocar a língua, o encaixe, essas coisas, Nath.
— Sophie, porque você quer saber de beijo?
— Ah, é só curiosidade. – eu não quero que ele saiba dessa garota, e o que ela fala pra mim.
— Ah, é normal. Tudo tem o seu tempo, Sophie. – olhou pra mim, como se tentasse me dar um recado.
Droga! Eu não quero saber de tempo, eu quero saber como é. Ele precisa me explicar, mas como fazer isso sem que ele ache que eu seja uma ridícula por querer saber demais.
— Só isso? – perguntei.
— Sophie, você não tem idade para isso. Fique longe disso, ok? – fez uma careta. — Um dia você irá beijar, e será com a pessoa certa. Não tenha pressa, anjo.
Eu nem poderia mentir, dizendo que já tinha beijado. Ele saberia, porque veria o escândalo que o meu pai iria fazer, e eu teria contado para ele.
Eu desisti do assunto por enquanto, e esperamos a pizza chegar. Eu estava morrendo de fome, quando chegou aquela coisa linda, e cheia de recheio. Pizza é vida! Eu e o Nathan amamos isso! Devoramos a pizza salgada, e depois comemos uma de chocolate, que estava divina.
— Eu amo isso aqui!
— Eu amo te ver comendo, Sophie.
— Como uma leoa, e um saco sem fundo? Ah, que gracinha você é, Nathan.
Ele riu, e me deu um pedaço de pizza na boca. Isso aqui estava divino!
Após ele pagar a conta, porque não deixou eu ajudar, ele disse que me levaria em um lugar lindo. Pagou as entradas, e quando eu fui ver, era a roda gigante.
— Eu não vou subir ai. De jeito nenhum! – já fui saindo de lá, mas fui puxada por ele.
— É claro que você irá ir. Eu estarei com você, Sophie. – sorriu de um jeito encantador.
— Mas...
— Por favor! – pediu.
— Ok, eu vou.
Ele me ajudou a subir, e eu nem queria abrir os olhos. Aquele negócio estava subindo demais, e eu não tinha coragem de olhar.
— Sophie, abra os olhos.
— Não! Eu vim com você, mas não vou abrir os meus olhos. Eu não consigo!
— Sophie!
— Não, Nathan! Eu não consigo fazer isso!
— Anjo, por favor, olhe pra mim! – sussurrou no meu ouvido, e eu me virei para ele, abrindo os olhos rapidamente.
— Viu como foi fácil, e não machucou. Quero que você veja o lugar daqui de cima, e que tire uma foto nossa.
— Foto? Eu não consigo...
— Você consegue tudo, anjo. Eu estou com você. – ele me entregou o celular dele. – Quero guardar esse momento para sempre.
Eu peguei, e posicionei a câmera, tirando algumas fotos de nós dois.
— Viu só, foi fácil.
— É. Até que não é tão ruim. – peguei o celular para ver as fotos, e vi que tinha um pouco de chocolate no canto da minha boca.
— Olha aqui! – mostrei pra ele a foto. – Eu estou com chocolate no canto da boca, e você nem me avisou.
— É o seu charme, anjo.
— Uau, que charme! – ri, tirando o chocolate. – Saiu?
— Não. Espera ai que eu tiro pra você. – ele chegou perto demais, e quase colou os seus olhos no canto da minha boca.
Não sei o motivo, mas eu senti o meu coração acelerar, e a minha respiração ficar ofegante. Nathan olhou para mim, e para os meus lábios. Ele ficou paralisado por alguns segundos, até eu sentir a boca dele na minha. Meu Deus! Nathan estava me beijando! Meu primeiro beijo! Meu primeiro beijo, e com ele! O que pensar nesse momento? O que fazer? Viro pra cá? Viro pra lá? Ai, droga, ele deveria ter me ensinado algumas coisinhas. Quer saber, eu vou dar o meu beijo. Parar o beijo eu não vou, porque está tão bom. A boca dele é macia, e cheira a chocolate. Eu adoro o Nathan e chocolate, então eu estou gostando do beijo. Mas eu estou sentindo algo diferente. Não sei explicar o que é, mas é algo bom e confuso. Ok! Vamos voltar ao beijo. Ele segurou a minha cabeça com uma das mãos, e com a outra a minha cintura. Que mãos! Nathan me beijava delicadamente, mas eu sentia algo feroz nele. Não que eu fosse especialista em beijos, mas pelos beijos que eu já vi pela televisão, esse estava sendo muito bom. Bom mesmo! Ah, bem, uma pergunta. Pode sugar a língua? Porque, meu Deus, ele fez isso comigo! Caraca, ele beija bem! Respira! Sophie, ele é seu melhor amigo, e mais velho que você! Logo ele estará na faculdade, e terá várias garotas. Não vamos pensar nisso, né? Vamos nos focar no... Merda! Eu estou beijando o meu melhor amigo! Não posso fazer isso. Ele é como um irmão pra mim! Não dá! Não agora!
Eu me afastei dele, e olhei pra frente, totalmente sem fôlego e sem reação. Não consigo olhar pra cara dele agora. Estou vermelha de vergonha, e tremendo também. Esse brinquedo não vai parar de rodar? Eu preciso sair correndo daqui, moço! Pelo amor de Deus!
— Sophie...
Olha pra ele. Olha pra ele. Eu não consigo olhar pra ele, sem ficar com vergonha de ter beijado e por ter gostado.
— Será que vai demorar para esse brinquedo parar? – falei, olhando para os lados.
— Sophie...
— La, la , la, la.... – eu comecei a cantarolar, tentando evitá-lo, mas foi em vão.
Nathan puxou o meu rosto, e olhou nos meus olhos. Ele estava vermelho, e eu sabia que também era de vergonha.
— Olha, Nathan, me desculpe pelo beijo. Eu deveria ter parado antes, mas é que foi...
— Eu não me desculpo pelo beijo.
— O que? – perguntei sem entender.
— Anjo, eu não me desculpo, porque não foi um erro. Foi sem querer, mas não um erro. Erro seria se eu não seguisse o que o meu coração dizia naquele momento. E tem o outro lado da moeda, Sophie. Você queria saber como é um beijo, agora você sabe.
— Mas não o seu. Isso foi...
— Bom? Foi muito bom! – suspirou. – Sophie, nós somos melhores amigos, eu te conheço muito bem, e você me conhece também. Você não tem sapinho, e nem eu. – riu. – Não vamos nos preocupar com isso, ok? Aconteceu, e foi perfeito.
Eu ri, e devo ter ficado mais vermelha ainda.
— Se você quiser, a gente pode esquecer tudo isso. Nós somos melhores amigos, e eu não quero ficar longe de você por causa disso.
— Ah, claro que você não ficará longe de mim, Nath. Nem se eu quisesse.
— Então pronto. Nós nos beijamos, e só isso. Ok?
— Ok! – apesar de que e o beijo foi ótimo, e... E mais nada, Sophie, se acalme, porque foi só um beijo.
Foi bem confuso, confesso. Foi bom beijá-lo, mas ao mesmo tempo foi estranho. Eu senti uma coisa dentro de mim, e não eram gases. Ele foi o meu primeiro beijo, e eu não era mais bv. Não sei o que pensar agora.
Ele sorriu, me ajudando a descer do brinquedo. Apesar de estarmos amando o passeio, nós decidimos ir embora, porque eu precisava me arrumar para a festa. Nathan foi falando coisas do curso que ele pretendia cursar, e eu fui em silêncio, apenas ouvindo tudo o que ele me dizia.
Assim que ele parou em frente da minha casa, ele abriu a porta para eu descer.
— Eu queria entrar, mas eu preciso fazer algumas coisas antes da festa. Eu te encontro às 19:00?
— Eu estarei esperando. – pisquei.
Ele se despediu, e eu entrei correndo. Eu precisava falar aquilo com a minha mãe. Ela precisava saber o que tinha acontecido comigo, e eu não conseguirei esconder isso dela.
Entrei em casa correndo, e a encontrei no quarto dela, arrumando algumas roupas. Puxei o ar, antes de chamá-la.
— Mamãe, eu preciso falar com você! – ela se virou, e me olhou assustada.
— Sophie, pelo amor de Deus, o que aconteceu? Foi alguma coisa com o seu pai ou irmão? Com os seus avós? Fala, filha! – disse desesperada.
Eu fui até ela, e a puxei para sentarmos na cama.
— Mãe, eu beijei pela primeira vez. – disse rapidamente.
Ela me olhou assustada, colocando as mãos no coração. Minha mãe parecia não acreditar no que eu estava dizendo.
— Minha filhinha beijou pela primeira vez? Que emoção! – ela disse, suspirando. – Espera ai! Quem é o garoto, Sophie? Você sai para ir ao parque, e volta sem a boca virgem? Filha, quem foi o...
— Foi o Nathan.- sorri sem graça.
— O Nathan? Filho da Lis e do George? O mesmo que veio que te buscar aqui?
— Esse mesmo.
— Espera ai! Parece que eu cheguei ao último capítulo da novela, e pedi tudo. Vocês estão juntos?
— Nem eu entendi direito, mãe. É um pouco confuso.
— Então me explica tudo isso, Sophie.
Expliquei para a minha mãe sobre o nosso passeio, até o momento em que ele me deixou em casa. Ela ouvia tudo atentamente, e respirava fundo algumas vezes.
— Foi isso o que aconteceu, mãe. Foi de repente, e eu não sei o que...
— O que sentiu? Você gostou do beijo?
Eu olhei pra ela, e suspirei. Eu tenho que falar a verdade para a minha mãe.
— Seria errado se eu dissesse que gostei? Mãe, aquele foi o meu primeiro beijo, então eu tenho que gostar, não é?
— Não necessariamente, Sophie. – sorriu. – Você só tem 15 anos, filha, e beijou pela primeira vez. Eu sei que está confusa, principalmente pelo fato de ter sido com o Nathan, mas se quer um conselho de mãe, sempre siga o seu coração. Às vezes ele pode te ferrar, mas no final ele ajeita as coisas, Sophie. Eu escutei o meu coração, e decidi me entregar ao amor do seu pai. Nós somos melhores amigos, e nos tornamos namorados. Foi um pouco confuso, mas eu não me arrependo de nada do que fizemos, porque nós temos vocês. – sorriu. – Você tem muito o que viver, o que aprender e amar. Se o seu destino for o Nathan, ele vai ser seu, independente de ele ter sido o seu primeiro beijo, se ele é seu melhor amigo, ou o que for. Só siga o seu coração, e seja feliz.
Minha mãe tinha as melhores palavras para esse momento. Eu entendi o que ela quis dizer, e nesse momento eu estou bem comigo mesma, querendo aproveitar a minha vida, que ainda tenho muita coisa pela frente. Eu só não quero perder a amizade dele, e o que sentimos um pelo outro, que está bem confuso dentro de mim, mas eu sei que o tempo e a vida vão resolver e me deixar com o melhor.
— Ok, Sophie! Agora conta para mim, ele beija bem?
— Mãe!
— Eu só quero saber que ele beija bem, filha! Você merece o melhor.
Eu olhei pra ela, que estava esperando pela resposta.
— Eu não tenho com o que comparar, mas ele beija muito bem.
— Ah, aquela carinha de nerd safadinho nunca me enganou. Então ele beija bem, hein! – mamãe sorriu.
— Quem beija bem, Emily Campbell Hunter?
Viramos para a voz que escutamos, e vimos o meu pai parado perto da porta, com a cara fechada.
— Quem beija bem, meu amor? Obviamente que é você! – mamãe riu, e eu ri junto. Ela sabia enganar o meu pai direitinho.
Ele olhou pra mim, e me encarou. Lá vem bomba!
— Emy, o que nós combinamos no contrato sobre não falar essa palavra, e a outra palavra ruim perto dos nossos filhos?
— Que contrato, Gabe? Que palavra? Andou bebendo? – mamãe foi até ele, e colocou as mãos na cintura.
— Aquela palavra, Emy. B-E-I-J-O. – meu pai decifrou, achando que eu não sabia juntar as palavras.
— Ah... Oh, pai, eu sei juntar as palavras, caso você não saiba.
Ele olhou pra mim, e se assustou. Correu para tampar os meus ouvidos com as duas mãos.
— Emy, olha o que você me fez fazer. Ela sabe sobre a palavra beijo e sexo. Beijo ela pode ver só em filmes, e olhe lá! Sexo? Jamais! Não devemos falar essa palavra perto deles.
Meu pai acha que tampando o meu ouvido eu não vou escutar nada? Melhor eu ficar quieta.
— Gabe, para de viagem, e destampe os ouvidos dela.
Meu pai obedeceu prontamente, sorriu pra mim.
— Você escutou alguma coisa?
— Sobre o que? Eu não ouvi nada.
— Que linda! Ah, eu comprei o seu primeiro presente. – ele me entregou um pacote, e eu abri toda feliz.
— Uma boneca, pai?
— Uma boneca que fala 10 frases, canta e de brinde vem com uma mamadeira e papinha. Gostou, né? Eu falei para o vendedor que a minha filhota iria gostar.
— Uau! Eu amei, pai! Mais uma para as milhares de bonecas que o senhor ainda me dá, mesmo com 15 anos.
— E irei te dar, porque você é a minha bebê. Minha bebê frágil, meiga e inocente. – abraçou-me.
Mal sabe ele que eu acabei de beijar, e o meu melhor amigo, que eu estava muito bom! Se ele souber, é explosão para tudo o que lado.
Olhei para a minha mãe, que ria de tudo isso.
— Ok, pai! Eu preciso me arrumar para a festa.
— Claro! Pode ir, minha filhinha! – beijou a minha bochecha, deixando-me sair do quarto, mas antes, eu escutei a minha mãe falando com o meu pai. – Gabe, você está muito grudento. Está morrendo ou me traiu?
— Você é louca, mulher! Nem uma das duas coisas. – riram. – Emy, você não é a lagoa azul, mas eu quero ficar perdido no seu corpo.
Eu segurei a minha risada ao ouvir aquilo. Ele não queria que eu falasse sobre sexo, mas acabei de escutar o meu pai falando sobre isso. Ai, amo aqueles dois!
***
A minha casa estava cheia de amigos pessoais da nossa família, e de alguns amigos meus. Eu e o Lucas já tiramos fotos e cumprimentamos todos os convidados. Olhei-me novamente no espelho que tinha na sala de visita, e adorei o meu vestido, que foi dado pela a minha madrinha. Meu pai quase enfartou quando viu, mas a minha mãe soube driblá-lo direitinho.
Voltei para a sala, olhando para o relógio. Droga! A tia Lis e o tio George disseram que o Nathan já estava chegando, mas até agora ele não veio. Será que ele não virá? Ele não faria isso comigo!
— Amiga! – escutei a voz da Lara, e me virei para ela. – Porque você está triste?
— Eu não estou triste! – sorri, abraçando-a.
— Nathan ainda não chegou?
— Ainda não, mas daqui a pouco ele chega. – eu acho.
Lara começou a olhar pela sala, como se estivesse procurando por alguém.
— Está procurando alguém? – perguntei.
— Ah, é, eu estou procurando o Lucas. Você viu onde o seu irmão se meteu?
— Eu não. Ele deve estar com os amigos dele. Aliás, eu sou a irmã, e a minha função é ficar feliz quando ele some, e como você é melhor amiga dele, a sua função é de procurá-lo. – sorri.
— Então vá procurar o Nathan, que eu procuro o Lucas. – piscou, saindo de perto de mim.
Esperei mais alguns minutos, até decidir sair um pouco, e tomar um ar fresco no jardim. Eu precisava respirar um pouco, e descansar do barulho.
Sentei-me no balanço que o meu avô colocou em uma das árvores, e comecei a balançar, sentindo o vento no meu rosto, e a paz.
— Será que eu posso dar um abraço na aniversariante? – escutei a voz do Nathan atrás de mim, e parei rapidamente, me virando para ele.
— Você veio! – sorri.
— É claro que eu viria, meu anjo. Porque achou que eu não fosse aparecer
— Você sabe o motivo.
Ele suspirou, olhando diretamente para mim.
— Sophie, nós já encerramos esse assunto. Foi um beijo, nós gostamos, mas somos amigos. Não irei mudar com você por causa disso. Eu te amo, e eu quero sempre ter você ao meu lado. Quem nunca beijou o melhor amigo, né? Só que o nosso foi um pouco diferente. – riu. – Eu me atrasei porque eu fui buscar o seu presente.
— O passeio foi o meu presente, Nath. Eu não preciso de mais nada.
— Mas eu quero te dar um presente. – estendeu uma caixinha pra mim, e eu abri. Abri a boca ao ver o que tinha ali dentro. Era lindo!
— Isso é...
— Um colar com dois pares de asas de anjo. É o nosso símbolo, então eu achei que seria o presente perfeito para essa data tão especial. Você é o meu anjo, e eu sou o seu. – sorriu. – Deixe-me colocar em você. – ofereceu, colocando o colar no meu pescoço.
Eu estava sem palavras com aquele presente. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto na vida. Eram brilhantes e pequenas.
— Quando estivermos longe um do outro, sempre pense que eu estou perto de você, em pensamento e no seu coração.
— Eu amei! Muito obrigada pelo presente! É a coisa mais linda que eu já ganhei! E eu vou me lembrar disso quando você for para a faculdade.
— Não ficaremos tão longe assim. Você uma vez me disse em qual faculdade queria estudar, e eu escolhi a mesma. – piscou. – Não consigo ficar longe de você!
— Então nós iremos estudar na mesma faculdade?
— Sim! Eu conversei com os meus pais, eles concordaram, e adoraram a ideia de estarmos juntos.
Eu corri, e o abracei. Seria impossível ficar sem vê-lo por muito tempo. Já é difícil com ele morando longe.
— Posso te dizer uma coisa? – perguntei.
— Claro, meu anjo.
— Obrigada por ser o meu primeiro beijo, mesmo que tenha sido desconfortável no começo. – sorri. – A nossa amizade continuará a mesma, não é?
— Claro que sim, Sophie. Nós sempre seremos os mesmos. E eu sempre vou querer ser o primeiro a quem você possa confiar, anjo. O nosso beijo foi a prova de que a gente pode confiar um no outro, e na nossa amizade. Sempre estaremos juntos! – falou, tocando no meu colar.
— Eu te amo, Nath. Eu estarei eternamente com você.
— E eu te amo, meu anjo. E eu estarei eternamente com você. – abraçou-me, enquanto ficávamos ali, no completo silêncio do jardim.
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