Já fazia algum tempo que a Saori não nos dava uma folga, também, pra quem precisa de proteção até quando espirra só por ser uma reencarnação. Tudo bem, eu, Shiryu de Dragão não sou muito de reclamar, mas, com a falta do que fazer, parece que qualquer coisa fútil agora é motivo para nos incomodar, eu sou um cavaleiro, não um burro de carga.

Eu estava voltando para perto dela, da menina que cresceu junto comigo, que sempre fora a minha força, que jamais me abandonara, que crescera como uma irmã, mas, que com o passar dos anos conquistara um local muito mais profundo em meu coração, a linda garota que sempre rezava por minha vitória e proteção...

— Shiryu, que bom que voltou...

— Por que diz isso, mestre Dohko?

— A Shunrei...

Senti como se meu coração parasse, depois que ele me encarou sorrindo percebi que não era nada de mais com que deveria me preocupar. Se não fosse pela cara de mestre Yoda falsificado, pelo poder e experiência em lutas que eu sei que tem não me sentiria nada intimidado em dar-lhe um chute e mandá-lo lá pro quinto dos...

- O que é que tem ela?!

- Ela estava preocupada com você...

- Só isso?!

- Acha que é pouco?! Ela não sai lá de fora faz uns cinco dias...

- Cinco dias?! Mas, ela tá se alimentando direito?!

- Só quando eu a lembro e muito pouco...

- Vou falar com ela agora mesmo!

Shiryu foi até onde sabia que ela ficava... Ajoelhada em um pico próxima a uma cascata, como era linda aquela visão e como ele pôde negá-la por tanto tempo?

- Shunrei?

- Shiryu! Você voltou... Por quanto tempo?

- Não sei ao certo, até a Saori dar um espirro... Como você está?

- Com saudades... E você?

- Também senti sua falta, é duro ter que lutar sem ter quem amamos por perto...

Ela ficara corada. Era tão lindo ver aquele rosto branquinho mudar de cor assim, ela percebeu que eu reparara nesse detalhe e virou-se de costas para mim, fiquei olhando seus lindos traços até a curva de seus quadris, com a voz trêmula ela me perguntou:

- Do que você está falando?!

- Da falta que você faz em minha rotina... Eu te amo!

Shunrei balançou a cabeça, não sabia se estava sonhando ou se já havia morrido sem perceber. Shiryu sentou-se atrás dela e ela o encarou, ele fez um gesto para que ela se sentasse ao lado dele, ela o obedeceu sem encará-lo e só fez ouvi-lo, demorando a responder:

- Eu queria ter tido uma chance, apenas uma chance antes de me tornar cavaleiro para lhe dizer isso...

- E qual diferença faria? Isso não o prenderia junto a mim...

- Está enganada. Apesar de tanto tempo separados, sempre estivemos ligados, eu a sinto todo momento...

- Eu rezo por sua vitória, para que possa voltar rápido...

- Desde que éramos crianças, enquanto eu treinava, eu sabia que nós seríamos mais do que simples irmãos de criação...

- Está indo rápido demais...

- Eu preciso, além do mais, não sei quando poderei estar de novo com você.

- Shiryu, eu...

E meus lábios foram calados com os seus... Ah, como esperei por esse momento... Sempre te quis Shiryu...

- Desculpe.

- O que foi Shunrei?

- Preciso de um tempo...

- Mais tempo ainda até quando?!

- Cinco minutos...

- Ah, se é só isso eu espero... O que vai fazer?

- Ainda não sei.

- Como assim?!

- Você saberá depois.

Entendendo para onde a conversa estava chegando, Shiryu sorriu e beijou-a, dessa vez não tão intensamente porque ela correu dele como um foguete, quase tropeçando em Dohko que perguntou:

- Você deu cafeína para ela?

- Não exatamente...

- Então?

- O quê?!

- O que você fez que a deixou assim?

Como Shiryu calou de repente, Dohko resolveu mudar de assunto:

- E como vão as coisas lá no Japão?

- Normais...

- E com “normais” você quer dizer...?

- Tediosas.

- Como assim?!

- É duro ter que encarar as crises de TPM da Saori...

Dohko estava orgulhoso, afinal seu pupilo estava crescendo rápido e com certeza já sabia o que realmente significava ser um cavaleiro.

- Sei como se sente.

No quarto, Shunrei estava enrolada em uma toalha, acabara de tomar banho, queria estar perfeita para aquele momento que tanto esperara, sabia que talvez demorasse um pouco mais do que dissera antes, mas, oh Deus, aquele dia prometia ser inesquecível...

Próximo às cascatas, Shiryu tentava não pensar muito no que Shunrei estaria aprontando, porém, fora interrompido por Dohko, que o alertara:

- A Saori precisa de você com a máxima urgência!

- O que foi agora?! A unha do pé dela tá encravada?!

- Ela não me disse o motivo, mas eu posso sentir que é grave...

- Grave é como vai ficar a cara dela quando sentir o meu punho!

- Quer ir direto para o inferno?

- Eu já vivo o inferno com os chiliques dela. Diga a Shunrei que eu sinto muito por não poder ficar...

Dohko viu que Shiryu sorrira ao mesmo tempo em que seus olhos ficaram cheios d’água, piscara-os e lágrimas tornaram-se visíveis enquanto percorriam seu rosto...

- Você está bem?!

Shiryu balançou a cabeça e limpou as lágrimas e, respondeu:

- Estaria melhor se não precisasse ser babá de uma garota mimada. Bom, vemo-nos outro dia, mestre Yoda.

- O quê?!

- Nada não. Adeus.

E afastou-se cantando algo que Dohko não entendera ao certo. Entrando em casa, Dohko bateu na porta do quarto de Shunrei e ela respondeu:

- Eu já estou pronta, Shiryu, espere só...

Assim abriu a porta do quarto, Dohko percebeu que ela estava vestida com um roupão... Qual seria a surpresa para Shiryu se tivesse ficado?

- Ele não pôde ficar.

- Por quê?!

- Não sei, mas, por um momento percebi que estava chorando...

- Chorando?

- Também estava sorrindo...

- Sorrindo?

- Ah, também estava cantando...

- Cantando?!

- Sim, não sei qual música ao certo, mas, parecia estar amando.

- Amando?!

- Exatamente. Mas, por que está vestida assim?

Dohko mal terminou a pergunta quando a porta foi fechada com força na cara dele, ele bateu insistentemente na porta enquanto perguntava:

- O que houve Shunrei?! Fale comigo!

- Me deixe em paz! Quero ficar sozinha!

Dentro do quarto, Shunrei abriu seu roupão e olhara-se no espelho, Shiryu mal poderia imaginar o que perdera, então, ao invés de chorar, desabafou tudo em uma canção...

Pedi você
Prá esperar 5 minutos só
Você foi embora
Sem me atender

Não sabe o que perdeu
Pois você não viu,
Você não viu...
Como eu fiquei

Pedi você
Prá esperar 5 minutos só
Você foi embora,
Sem me atender...

Pois você não viu,
Não sabe o que perdeu
Pois você não viu,
Não viu, não viu
Como eu fiquei

Dizem que foi chorando,
Sorrindo, cantando
Os meus amigos, até disseram
Que foi amando, amando

Pois você não sabe,
Você não sabe
E nunca, e nunca,
E nunca, e nunca,
Vai saber por que
Pois você não sabe
Quanto vale 5 minutos,
5 minutos na vida

Dizem que foi chorando,
Sorrindo, cantando
Os meus amigos,
Meus amigos, até disseram
Que foi amando, amando

Pois você não sabe,
Você não sabe
E nunca, e nunca,
E nunca, e nunca,
Vai saber por que
Pois você não sabe
Quanto vale 5 minutos,
5 minutos na vida

Escutando seu choro, Dohko coçou atrás da cabeça e disse:

- Ele sente muito por não poder ficar.

- Ele disse isso ou o senhor inventou agora?!

- Ele disse. Foi logo depois de eu dar a mensagem da Saori.

Então, talvez ainda exista essa chance de nos reencontrarmos...

- Está se sentindo melhor?

- Um pouco.

- Certo, então, posso ver o que você preparou para o Shiryu?

- Tem certeza de que quer ver?

- Se isso fizer você se sentir melhor...

A porta se abriu e mestre Dohko, diante de Shunrei com o roupão aberto revelando o corpo branco com uma lingerie preta com rendas, caiu desmaiado no chão, afinal, já não tinha mais idade para certas “emoções”...

Quatro horas depois, mais ou menos, Shiryu já havia chegado à mansão Kido, estava aguardando junto com os outros na grande sala, olhou para fora através do vidro fechado de uma das janelas, respirou fundo e disse:

— Maldita hora pra vir aqui!

De um canto da sala, Ikki estava escutando tudo, deu apenas um sorriso e balançou a cabeça, finalmente Shiryu estava deixando de ser apenas um capacho...

Com um estrondo, Saori Kido chegou, falando alto:

— Muito bem, preciso da ajuda de todos vocês!

Shun perguntou:

— E para quê seria desta vez?

Saori estava animada demais, então, Shiryu deduziu sem encará-la:

— Gastou toda sua herança no shopping e quer que ajudemos a carregar as coisas?!

— Melhor ainda!

— PIOR, você quer dizer.

— Credo Shiryu, que bicho te mordeu?! Eu só ia pedir pra vocês me ajudarem a trocar a mobília aqui de casa e...

— Você só pode estar maluca! Chamou-nos apenas por isso?!

— Não senhor, já que você deu a ideia, iremos ao shopping depois...

— Você vai sozinha! Tirou-me de perto da Shunrei no momento que mais faria minha vida fazer sentido para isso?! Pro inferno com o shopping! E passar bem!

Ikki aproximou-se dele, ofereceu-lhe a mão e disse:

— Estou orgulhoso de você! Vá! Vá fazer a sua garota feliz!

— Eu irei.

— Boa sorte e aproveite.

— Obrigado, mas, é estranho ouvir você dizer isso...

— Eu perdi a minha garota antes de poder fazer o que você tem a chance agora. Vá e seja feliz.

— Não precisa dizer duas vezes. Tchau mesmo.

E depois de mais quatro horas de viagem, mais ou menos, Shunrei seria minha, só minha para sempre.

Notas finais
Leitores, por favor, comentem e deixem essa ficwriter insana que vos fala feliz ^ ^
kisu, ja nee ^ ^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!