P.O.V. Izzi.

A Clary sempre teve espírito de liderança, mas pensar nela como Rainha?

Nunca me ocorreu.

P.O.V. Clary.

Eu estava aproveitando aquela sensação maravilhosa, eu só sabia que eu estava lá. Nos braços dele.

Ouvindo as batidas do seu coração, sentindo o calor. Calor.

—Meu... Ai Meu Deus!

—O que foi Clary?

Senti o meu coração acelerar e o meu cérebro começou a entrar em pane. Eu via as chamas e aquela gente... queimando.

—Clary?

—O fogo. Eles me jogaram no fogo. Mas, eu não queimei.

—O que?

P.O.V. Jace.

Acabamos de fazer amor e de repente ela tá falando de fogo e tendo um ataque de pânico?

—Te jogaram no fogo?

—Eu matei eles. Eu matei todos eles. Usei as chamas, queimei eles vivos. Eu queimei a cidade inteira. Eu massacrei os membros da Clave.

Ela levantou, colocou sua calcinha e a minha camisa que estava no chão e saiu correndo.

—Vovó! Vovó!

—Clary!

Quando eu cheguei, Deus estava lá. Na sua forma feminina.

—O que foi querida?

—Eu matei eles. Eu matei todos eles. Toda aquela gente, queimando. Me desculpe. Me desculpe. Eu tava com tanta raiva.

—Eu sei. Querida, eu sei.

—Você não está com raiva?

—É claro que não. Você fez exatamente o que eu sabia que faria. O que eu queria que fizesse.

—O que? Tinham crianças lá! Eu acho que eu matei crianças! Queimei elas vivas!

—Minha querida, sangue de anjo não é para qualquer um. Você deveria considerar o que fez, como um ato de serviço público.

—Serviço público?!

—Você está bem?

Perguntou Izzi.

Clary abriu a boca para falar, mas só saiam palavras desconexas. Então, ela saiu correndo porta afora. Completamente desamparada. Descalça, só com uma camisa social masculina preta e calcinha.

P.O.V. Luke.

Eu estava preenchendo papelada com a Ollie quando eu vejo a Clary sendo presa.

—Espera! Espera. Deixa, eu me encarrego.

—É melhor deixar a Ollie interrogar a garota.

—Você sabe que eu sou lésbica né?

—Vamos interrogá-la juntos. Vamos lá.

Eu arrastei uma Clary catatônica para a sala de interrogatório.

—Tudo bem Clary. As câmeras estão em looping. O que aconteceu?

—Eu os matei. Queimei eles vivos. Queimei a cidade inteira.

—O que? Clary, você foi drogada?

—Alicante e Idris. A Clave me jogou na fogueira literalmente. Fogo angelical, mas eu não queimei.

—Foi executada?

Ela fez que sim com a cabeça.

—Executada?

—É. Aqueles culpados de alta traição contra a Clave são condenados á morte e eles morrem queimados no fogo angelical. É literalmente fogo de anjo.

—Credo.

—Como você sobreviveu?

—Eu não sei. Eu só... usei o fogo contra eles. Eu canalizei e ateei fogo na cidade. Todos os Shadowhunters, homens, mulheres e acho que até crianças. Eu os queimei vivos, antes de passar pelo portal... eu olhei pra trás. Eu vi a cidade queimando, as pessoas gritando e sabe o que eu senti?

—O que?

—Nada. Eu voltei pra Nova York e eu não lembrava de nada disso, até agora. Foi como se fosse eu, mas não eu.

—Como se estivesse possuída?

—Isso. Na bíblia os Nefilins são descritos como monstros e Miguel que me falou que eles comiam gente. Talvez eu seja um monstro.

P.O.V. Ollie.

Nefilins? A Clary é nefilim?

E a resposta para a minha pergunta mental foi um par de asas com um brilho rosa.

—Meu Deus!

—Me mate.

—O que?

—Me mate antes que eu mate mais alguém.

—Não Clary. Você não vai matar ninguém.

Ela escorregou pela parede e ficou lá encolhida com as asas a envolvendo como se fosse um casulo.

—Eu vou buscar uma roupa pra ela e você... conversa com ela. De mulher pra mulher, tente acalmá-la e convencê-la a guardar as asas.

—Clary, eu não sei o que aconteceu. Mas, o Luke disse que você estava possuída. Não sabia o que estava fazendo.

—Sim Ollie. Eu sabia.

—Sabia?

—Era como se fosse eu, mas não eu. Como uma persona.

—Você quer dizer um alter ego?

—Isso.

Estava tão focada em acalmá-la que eu não vi quando ela pegou a minha arma. Até ela apontá-la para a própria cabeça.

—Clary! Calma Clary. Largue a arma.

Pelo menos eu a fiz guardar as asas.

—Luke! Luke! Clary, largue a arma. O que quer que esteja pensando em fazer, tem que haver uma alternativa. Uma outra maneira você não é assim

—É. Foi o que eu pensei.

Ela engatilhou a arma.

—Luke!

Ele finalmente apareceu.

—Clary, largue a arma. Eu vou ligar pra sua mãe.

—Não! Se essa coisa tá dentro de mim e colocou fogo numa cidade, é melhor que morra. Nem que pra isso eu tenha que morrer com ela!

Então... bang! Ela puxou o gatilho.

—Meu Deus!

—Clary!

—Jace. Ative a runa de ocultação da Clary. Agora! Rápido.

O Jace passou a estela na runa e o corpo da Clary simplesmente sumiu, junto com o sangue espirrado.

—Pegue a arma Ollie.

Eu peguei a arma.

—O que houve?

—Nada. Foi um disparo acidental.

—Isso. Eu esqueci de colocar a trava.

—Tudo bem.

O policial saiu. Luke trancou a porta.

—Desencanta ela.

E o corpo reapareceu.

—Aqui, me ajude a vesti-la.

—Ela morreu.

—Não Jace. A Clary é Nephilim. Ela é filha de um arcanjo, filha do arcanjo Daniel. Se dar um tiro não vai matá-la. Ela vai curar.

—Está certo. Você está certo. Os nefilins são mais poderosos do que o anjo que os gerou e apesar de sua anatomia ser em sua maioria humana, eles tem poderes sobrenaturais de cura e são praticamente imortais.

Então, eu vi os miolos dela se refazendo, primeiro o cérebro, depois o crânio, os músculos, a pele e então... o cabelo.

—Ela vai ficar furiosa. Tinha acabado de fazer um novo corte de cabelo.

—Caramba! Isso é assustador. Muito assustador.

—Veste ela Jace!

—Desculpe.

O Jace vestiu uma Clary semi consciente e então ela acordou.

—Ai. Que dor de cabeça.

Ela se deu um tiro, estourou todos os miolos e... ai que dor de cabeça!

—Eu não morri.

—Graças a Deus que não!

—Não fale da minha avó! Isso é culpa dela!

—Da sua avó?

—Deus.

—Não seria avô?

—Não. Deus não tem gênero e sempre apareceu pra mim como uma mulher. Ah, o meu cabelo!

—Eu vou levar ela de volta pro Instituto.

—Precisamos de um história.

—Ahm, aqui. Presente da vovó.

—Sangue?

—O sangue de uma mundana que tomou algum tipo de droga. Pra todos os efeitos a Clary foi drogada.

—Leva o sangue para a evidência que eu vou buscar um esfregão.

—Tá bem.

É surpreendente a naturalidade com a qual eles lidam com isso.

—Você se acostuma. Não é tão glamouroso agora não é?

—Nem de longe. O Luke não se transforma na lua cheia.

—O Luke não é um lobisomem filho da lua. Filhos da lua são amaldiçoados.

—Filhos da lua?

—Isso. Mil anos antes da cidade de Nova Orleans ser fundada...

Ela contou a história de duas tribos de bruxos que se uniram através de uma cerimônia de casamento bruxa e acabaram sem querer gerando uma criança que era tipo o bebê de Rosemary.

—Então ser filho da lua é maldição. E essa Hollow criou a maldição do lobisomem.

—Sim. Filhos da lua não transformam mundanos com arranhões, mas com mordidas e tem que ser a mordida de um alfa ou aquilo se espalha pelo corpo, uma infecção que o destrói.

—E depois de ser mordido pelo alfa, o humano se transforma?

—Não. Só contrai a maldição e passa ela pra frente. Uma mordida de um filho da lua alfa e a linhagem está amaldiçoada para sempre.

—A linhagem?

—Aquele que foi mordido e seus filhos e os filhos dos seus filhos e os filhos dos filhos dos filhos. Está no sangue deles. Mas, a maldição tem que ser ativada.

—E como se ativa a maldição?

—O feitiço de Inadu foi empoderado pela sua própria morte, portanto para ativar a maldição você tem que... matar. Acidente ou homicídio, não importa.

—E o que acontece depois que se ativa a maldição?

—Eles se transformam. Toda lua cheia eles são forçados a quebrar cada osso do seu corpo.

—Credo!

—Falando em filho da lua...

—Você é a Clarissa Grigori?

—Sou. Você quer que eu te transforme num híbrido?

—Sim.

—Sabe que vai ter que morrer não sabe?

—Sei.

—E quando completar a transição vai se transformar, até a metade do caminho. Depois, vai poder se transformar em um lobo sempre que quiser e vai poder não se transformar também.

—Até mesmo na lua cheia?

—Sim. A lua não vai exercer influência nenhuma. E você vai estar ligado a mim. Vai ser minha prole.

—Eu não ligo. Faço qualquer coisa pra não ter que me transformar nunca mais. Eu vim de Chicago para você me transformar.

—O Dwaine veio de Ohio.

Depois de fazer todos os exames necessários e prestar depoimento ela foi liberada.

—Eu posso ver?

—O que?

—O que vai fazer com ele.

—Você tem estômago fraco?

—Não.

—Então sim. Se ele concordar é claro.

—Tanto faz.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!