P.O.V. Clary.

Desde que eu era criança vem Shadowhunter de tudo o que é lugar do mundo só pra me ver.

Eu criei umas runas novas e dai?

Ser uma híbrida Nephilim é um pé no saco.

Eu tenho três dias de idade, mas eu aparento ter dezessete. E eu fiquei mais ruiva, agora eu to muito ruiva, tipo bem ruiva mesmo.

Ontem á noite, eu fui atacada por um vampiro e isso fez eu... criar presas e morder o desgraçado.

Ah, e como eu atingi a minha maturidade total, eu criei asas também.

As do meu pai tem o brilho violeta, mas as minhas tem o brilho rosa.

O brilho vem de dentro, da natureza angelical, a graça e a personalidade do anjo geram o brilho.

As do meu pai são violeta como eu já disse. O violeta é a cor da cura.

O rosa é a cor da ingenuidade, do romantismo, do feminino, beleza, pureza, suavidade e delicadeza. Eu sei... é tão eu.

Eu estava em casa, sozinha sentada no sofá assistindo TV e tomando sorvete. Quando eu escuto a campainha, a trouxa aqui simplesmente levanta e abre a porta.

Eu vejo o Jace e o comprimento animadamente.

—Jace! Oi.

Abraço ele, mas os dois estavam me olhando estranho.

—O que?

Só então eu me lembro que eu estava só de blusa... e calcinha.

—Oh!

Fecho a porta correndo e coloco uma calça de moletom que estava no chão.

—Me desculpem. Ai, que vergonha. Podemos fingir que aquilo não aconteceu?

—Claro.

—Quem diabos é você?

—Simon Lewis.

—Muito prazer.

P.O.V. Jace.

Nós batemos na casa da Clary e ela atendeu. Quando aquela porta abriu... dei de cara com uma Clary adulta e de calcinha. Uma linda calcinha vermelha de renda, tanguinha e cheia de lacinhos.

Ela me cumprimentou, me abraçou e nem se atinou. Até que ela finalmente percebeu que abriu a porta de sua casa estando semi-nua e fechou a porta ás pressas.

Quando a porta reabriu ela estava usando uma calça de moletom roxa.

—Podemos fingir que aquilo não aconteceu?

Foi o Simon que respondeu:

—Claro.

—Quem diabos é você?

—Simon Lewis.

—Muito prazer.

—Igualmente. Não lembra mesmo de mim?

—Desculpa, eu não te conhecia até cinco minutos atrás. E algo me diz que o meu final de semana de folga acaba de ir para o espaço.

—Um vampiro foi assassinado.

—E dai? Vampiros se matando. Grande novidade.

—Esse não morreu estacado. Ele foi mordido e ai ele morreu.

—Só a mordida de um lobisomem ou híbrido meio lobisomem pode matar um vampiro. É uma morte horrível. Alucinações, febre, demência.

—Não foi um lobisomem. O líder da alcateia de Nova York já examinou e não é mordida de lobisomem.

—Vai ver foi um híbrido. Parte vampiro, parte lobisomem. Eles tem dois pares de presas ao invés de só duas presas. Eu vou trocar de roupa e vocês me levam pra ver o corpo.

Ela subiu correndo e desceu vestindo uma calça jeans skinny de lavagem escura, blusa preta, botas de salto quadrado e uma jaqueta de couro marrom.

Clary pegou a bolsa e saiu.

—Vamos.

—Não vai desligar a tv?

—Ah, é.

Ela apertou os controles remotos, pegou a bolsa e nós fomos até o Instituto.

—Você é um vampiro. Eu sei. Mas...

—Eu sou um diurno.

—Eu sei.

—E a mãe dela também.

—Sério?

—Sim. Eu to procurando algo em você, mas eu não acho.

—O que?

—Menino, você tá andando no sol sem proteção?! O que é isso, protetor solar fator três mil?

—Proteção?

—Eu não vou falar nada Jace. Não vou deixar esse segredo cair nas mãos da Clave pra eles desenvolverem um novo método de tortura contra vampiros.

—Você ainda odeia a Clave?

—Você ainda é um Shadowhunter?

Nós entramos no Instituto e fomos direto para o corpo e quando a Clary o viu ficou chocada.

—Não sabemos quem ou o que...

—Fui eu. Meu Deus fui eu!

Ela começou a surtar. Enfiar os dedos na raiz dos cabelos.

—Eu matei ele.

—Você o matou?!

—Não queria que ele morresse! Ele me atacou! Eu tava voltando pra casa e ele me atacou, as minhas presas saíram e eu mordi ele. É eu tenho presas agora.

—Você tem presas? Presas de vampiro?!

—Ah, é.

Respondeu Clary mostrando as presas para a minha avó.

—Caramba!

—E tem sede de sangue?

—Até o presente momento não. Eu matei uma pessoa. Eu matei uma pessoa! E eu nem sei como!

—Fica calma Clary. Foi legítima defesa. Você disse que ele te atacou não foi?

—Sim. Eu estava atravessando o beco e ele pulou encima de mim. Senti a minha gengiva doer e quando eu vi... eu estava mordendo ele. Mas, ele correu. Ele tava vivo.

Ela ficou com o olhar perdido.

—Meu Deus! Ele não tá morto.

—O que?

—Ele não tá morto. Ele me mordeu, mas eu mordi ele de volta. Eu matei o vampiro, mas ele não vai ficar morto.

—Como assim?

Foi só o Luke perguntar que o vampiro acordou.

—Eu sinto muito. Não queria que isso acontecesse, mas se não beber o meu sangue, você vai morrer e se beber... bom basta dizer que vai doer.

—Eu não quero morrer. Eu vou passar a eternidade com dor?

—Não. Vai durar pouco.

—Então manda ver ruivinha.

A Clary falou contrariada.

—Eu não queria ter que fazer isso.

Ela se mordeu e deu o sangue para o vampiro beber e então... o impossível aconteceu. Ouvimos os ossos dele quebrando.

—O que é isso?!

—Ele tá se transformando! A Clary transformou um vampiro em lobisomem!

—Híbrido na verdade. O inverso também é verdadeiro. Posso fazer um vampiro virar parte lobisomem e um lobisomem virar parte vampiro.

—E como você sabe disso?

—Minha avó. O Criador. Ela fala na minha cabeça ás vezes.

—O Criador? Você quer dizer...

—Deus! Jeová, Alá. Meu pai e os meus tios chamam de Criador.

Então, a transformação parou no meio.

—Você está bem?

—Estou melhor que bem.

—Pelo anjo!

—Bom, parece que não temos mais um corpo.

—Isso é uma abominação!

—Abominação?! Quem você acha que é pra falar isso?

Clary ignorou a minha avó.

—Qual é o seu nome?

—Dwain.

—Bom, eu sou a Clary.

—Peguem a Nephilim.

O híbrido ficou no caminho. Ele empurrou a Clary que caiu no chão.

—Se afastem dela.

—O que te importa? Saia do caminho abominação.

—Dwain, eles vão me matar. E vão matar você também, ela pensa que híbridos são muito perigosos para viver e... você... você precisa pará-los.

O híbrido começou a matar todos os Shadowhunters que se aproximavam, drenando o sangue deles, quebrando seus pescoços.

P.O.V. Clary.

Cara, eu não queria isso. Eu não queria que ninguém morresse.

Mas, eu sabia que se a Juíza me pegasse eu tava morta, mortinha. E sabia que não podia matá-la porque isso iria magoar o Jace, então... eu usei o elo entre eu e o Dwain para fazê-lo servir de distração enquanto eu sacava uma das minhas lâminas e fugia.

Eu sabia que havia outra saída, uma saída dos fundos. Conhecia o caminho como se já tivesse estado lá antes.

P.O.V. Jace.

Eu olhei em volta e a Clary não estava mais lá.

—Ai! Ela fugiu!

—Encontrem-na! Encontrem a Nephilim!

Eu, Alec, Simon e Izzi chegamos bem á tempo de ver Clary criar asas iridescentes e alçar voo.

—Ela tem asas.

—É. Eu posso ver.

—Vão atrás dela!

Nós fomos, fomos até a mansão e a Clary estava entrando, mas a minha avó veio por trás e atravessou a lâmina serafim no peito dela.

—Clary!

Ela caiu no chão. Estava morrendo.

A última coisa que ela fez antes de morrer foi...

—Vovó.

Só então notamos que o sangue que escorreu fez um caminho e formou uma estrela de Davi.

—Vovó?

De dentro da estrela saiu uma luz... era puro branco. E então, lá estava.