Eternamente Adormecida
3 Mariana
Notas iniciais
Eu sabia que Eduardo estava desconfortável. Interagir com outras pessoas nunca foi fácil para ele, ainda mais quando ele descobriu o que aconteceu com a mãe dele.
Mas desde que começamos a namorar ele tem melhorado bastante. Conversa um pouco mais com nossos colegas e não tem mais tanta dificuldade ao falar em público.
-Está pensativo — falei para Eduardo quando chegamos na escola.
Ele balançou a cabeça.
-Nada de mais, só pensando nas aulas.
-Sei — respondi sorrindo.
Apertei sua mão e ele retribuiu, apertando-a também.
***
As primeiras aulas passaram, assim como o intervalo. Na hora da saída encontrei Eduardo sentado em um banco na frente da escola ouvindo música. Ele estava com a cabeça baixa.
Cheguei perto dele e puxei seu queixo para cima. Senti um arrepio ao ver o olho inchado.
-O que aconteceu?
-Nada — ele disse, soltando a minha mão.
-Fala a verdade — falei sentando ao lado dele — Quem fez isso contigo?
Ele não respondeu.
-Quem? — repeti a pergunta.
-Bruno — falou baixinho.
Bruno era o idiota da escola. Aquele garoto que bate nos que não gosta, que acha que todas as garotas querem transar com ele e que acha que é o gostoso porque malha todo o dia.
E ele detestava Eduardo. Desde o primeiro dia de aula. Meu namorado até poderia evitar Bruno se não fosse pelo fato de ele ser meu irmão.
Sim, aquele babaca é o meu irmão.
-Não acredito que ele fez isso com você!
-Deixa — ele disse.
-Não — falei enquanto o abraçava.
Seu calor era reconfortante. Seu cheiro era inebriante. Eu amava abraçá-lo, beijá-lo, senti-lo.
-Não faça nada — ele disse, passando a mão nos meus cabelos.
Fiquei indignada.
-Claro que eu vou fazer alguma coisa! O babaca do meu irmão não pode sair batendo no meu namorado. Nem pensar!
Eduardo não falou nada.
-Ei — chamei-o — Quero que você me diga SEMPRE que ele fizer alguma coisa. Não importa que ele apenas olhe torto para você. Eu não quero que ele continue a fazer isso.
-Tudo bem — ele disse, acenando com a cabeça.
Sorri e o beijei. Seus lábios quentes também eram reconfortantes.
***
Uma hora depois eu estava em casa. Bati a porta com força enquanto ia para as escadas.
-Mariana, o que houve? — perguntou minha mãe, preocupada.
-Pergunte pro idiota do Bruno! — respondi enquanto largava a mochila ao pé da escada.
Subi correndo os degraus e bati com força na porta do quarto do meu irmão. Ele demorou alguns segundos para abri-la.
-SEU IDIOTA — gritei e comecei a dar socos em seu peito.
-O que foi, sua louca?! — perguntou levantando os braços.
-Por que você tinha que bater no Eduardo?
Ele começou a rir.
-Está me batendo por causa daquele seu namoradinho idiota? Garota, ele não é quem você pensa!
-E você é um idiota, seu desgraçado...
Parei quando meu pai chegou.
-O que DIABOS está acontecendo aqui?
Ele estava louco de raiva. Seu rosto estava vermelho e a veia em seu pescoço pulsava.
-Bruno bateu no Eduardo — tratei logo de responder. Deixa-lo esperando quando está com raiva não é muito bom.
-Por que você fez isso, Bruno? — meu pai perguntando, lançando um olhar penetrante ao meu irmão.
-Porque o namoradinho dela é um imbecil.
-Ele nunca fez nada pra você — respondi furiosa.
-CHEGA! — meu pai gritou — Não quero mais saber dessas brigas infantis de você. Fico com vergonha. Você, Bruno, já tem 18 anos e fica discutindo sobre o namorado da sua irmã! E você, Mariana, quer ser tão responsável, mas em uma hora dessas começa a bater no seu irmão. Não foi assim que eu criei meus filhos.
Silêncio até que Bruno declarou:
-Foda-se — disse, e bateu a porta do quarto.
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