Notas iniciais
Desculpe a demora, pessoas. Eu estava em provas gerais na escola e era difícil ter tempo pra escrever.

Eu sabia que Eduardo estava desconfortável. Interagir com outras pessoas nunca foi fácil para ele, ainda mais quando ele descobriu o que aconteceu com a mãe dele.

Mas desde que começamos a namorar ele tem melhorado bastante. Conversa um pouco mais com nossos colegas e não tem mais tanta dificuldade ao falar em público.

-Está pensativo — falei para Eduardo quando chegamos na escola.

Ele balançou a cabeça.

-Nada de mais, só pensando nas aulas.

-Sei — respondi sorrindo.

Apertei sua mão e ele retribuiu, apertando-a também.

***

As primeiras aulas passaram, assim como o intervalo. Na hora da saída encontrei Eduardo sentado em um banco na frente da escola ouvindo música. Ele estava com a cabeça baixa.

Cheguei perto dele e puxei seu queixo para cima. Senti um arrepio ao ver o olho inchado.

-O que aconteceu?

-Nada — ele disse, soltando a minha mão.

-Fala a verdade — falei sentando ao lado dele — Quem fez isso contigo?

Ele não respondeu.

-Quem? — repeti a pergunta.

-Bruno — falou baixinho.

Bruno era o idiota da escola. Aquele garoto que bate nos que não gosta, que acha que todas as garotas querem transar com ele e que acha que é o gostoso porque malha todo o dia.

E ele detestava Eduardo. Desde o primeiro dia de aula. Meu namorado até poderia evitar Bruno se não fosse pelo fato de ele ser meu irmão.

Sim, aquele babaca é o meu irmão.

-Não acredito que ele fez isso com você!

-Deixa — ele disse.

-Não — falei enquanto o abraçava.

Seu calor era reconfortante. Seu cheiro era inebriante. Eu amava abraçá-lo, beijá-lo, senti-lo.

-Não faça nada — ele disse, passando a mão nos meus cabelos.

Fiquei indignada.

-Claro que eu vou fazer alguma coisa! O babaca do meu irmão não pode sair batendo no meu namorado. Nem pensar!

Eduardo não falou nada.

-Ei — chamei-o — Quero que você me diga SEMPRE que ele fizer alguma coisa. Não importa que ele apenas olhe torto para você. Eu não quero que ele continue a fazer isso.

-Tudo bem — ele disse, acenando com a cabeça.

Sorri e o beijei. Seus lábios quentes também eram reconfortantes.

***

Uma hora depois eu estava em casa. Bati a porta com força enquanto ia para as escadas.

-Mariana, o que houve? — perguntou minha mãe, preocupada.

-Pergunte pro idiota do Bruno! — respondi enquanto largava a mochila ao pé da escada.

Subi correndo os degraus e bati com força na porta do quarto do meu irmão. Ele demorou alguns segundos para abri-la.

-SEU IDIOTA — gritei e comecei a dar socos em seu peito.

-O que foi, sua louca?! — perguntou levantando os braços.

-Por que você tinha que bater no Eduardo?

Ele começou a rir.

-Está me batendo por causa daquele seu namoradinho idiota? Garota, ele não é quem você pensa!

-E você é um idiota, seu desgraçado...

Parei quando meu pai chegou.

-O que DIABOS está acontecendo aqui?

Ele estava louco de raiva. Seu rosto estava vermelho e a veia em seu pescoço pulsava.

-Bruno bateu no Eduardo — tratei logo de responder. Deixa-lo esperando quando está com raiva não é muito bom.

-Por que você fez isso, Bruno? — meu pai perguntando, lançando um olhar penetrante ao meu irmão.

-Porque o namoradinho dela é um imbecil.

-Ele nunca fez nada pra você — respondi furiosa.

-CHEGA! — meu pai gritou — Não quero mais saber dessas brigas infantis de você. Fico com vergonha. Você, Bruno, já tem 18 anos e fica discutindo sobre o namorado da sua irmã! E você, Mariana, quer ser tão responsável, mas em uma hora dessas começa a bater no seu irmão. Não foi assim que eu criei meus filhos.

Silêncio até que Bruno declarou:

-Foda-se — disse, e bateu a porta do quarto.

Notas finais
Curtiram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.