Eternamente
13 Presentes

Já se passava quase um mês desde que o Príncipe Jimin e Namjoon iniciaram sua viagem a Fratris, a movimentada cidade comercial de Amicitia. Durante esse período, Hoseok e Taehyung fortaleceram sua amizade e dedicavam-se intensamente aos treinos. Hoseok compartilhava todo o seu conhecimento sobre arco e flechas, almejando que Taehyung se tornasse o melhor arqueiro possível, reconhecendo o potencial extraordinário do jovem.
— Tae, você está indo muito bem! És o melhor arqueiro de Amicitia! — Hoseok bagunçou seus cabelos carinhosamente.
— Hobi! — Taehyung tentou sair — Eu não sou o melhor arqueiro, você é.
— Pare de bobagens, menino Tae. Com esforço e dedicação você pode alcançar e até mesmo superar o seu mestre! Além do mais, isso não é uma competição, se eu to falando que você é o melhor, apenas aceite o elogio, oras!
Taehyung sorriu timidamente.
— É verdade… Obrigado Hobi, darei sempre o meu melhor para não desapontá-lo, serei um exímio discípulo! Quando eu tiver um discípulo um dia, passarei todo o meu conhecimento a ele, assim como tu me ajudaste.
— Somos muito mais que mestre e discípulo, somos amigos e irmãos de arco!
— Exatamente! Gostei disso… Amigos e irmãos de arco! — Taehyung estendeu seu arco e Hoseok estendeu o seu, batendo levemente com seu arco contra o de Taehyung, como se fizessem um “brinde”.
— O que vamos treinar hoje, Mestre Hobi?
— Hoje? — Hoseok riu — Vem cá…
Hoseok conduziu Taehyung para os amplos jardins do castelo, reconhecidos como o melhor local para treinamento, pois sua extensão se assemelhava mais a uma floresta.
— O que vamos fazer? — Perguntou Taehyung, curioso.
Hoseok pegou alguns pedaços de madeira e Taehyung o acompanhava com o olhar, ansioso para saber quais eram os planos do ruivo.
— Estás vendo essas madeiras?
— Sim, para que servem?
— É o nosso treinamento!
Taehyung o olhou sem entender.
— Como assim?
— Tae, eu vou jogar esses pedaços de madeira um a um, você terá que acertar com a flecha enquanto ainda estiver no ar.
Taehyung abriu a boca, impressionado e também temeroso de tal desafio que aparentava ser tão difícil.
— Hobi, isso é impossível!
— Não, não é. Tenha confiança em si, você consegue! Eu não ia treinar qualquer pessoa.
— Está bem, vou tentar.
— E vai conseguir!
Hoseok recolheu diversos pedaços de madeira e escalou uma árvore altíssima. Do topo, soltou um grito suficientemente alto, perguntando se Taehyung estava preparado. Taehyung, ao olhar para cima, retirou uma flecha de sua aljava e preparou seu arco, mirando para o alto.
Com uma resposta alta e clara, Taehyung suspirou e concentrou-se. Hoseok lançou o pedaço de madeira tão alto quanto pôde. Com a flecha apontada para o céu, Taehyung calculou o vento e o tempo exato, seguindo as instruções de Hoseok, e então disparou a flecha. A flecha passou raspando na madeira, que caiu intacta no chão. Hoseok olhou para baixo e viu Taehyung cabisbaixo.
— TAE! ANIME-SE, FOI A PRIMEIRA TENTATIVA! VOCÊ FOI MUITO BEM! — Gritou Hoseok lá de cima.
— ESTÁ BEM, HOBI. NA PRÓXIMA EU ACERTO!
Taehyung concentrou-se novamente, pronto para atirar assim que Hoseok jogasse a madeira. Hoseok lançou outro pedaço para o ar, e Taehyung calculou o momento exato, sabendo que um segundo de adiantamento ou atraso poderia resultar em erro. Controlando a respiração, ele disparou a flecha, que acertou em cheio, atravessando a madeira. Taehyung olhou desacreditado para Hoseok.
— Eu consegui? — Sussurrou Taehyung para si mesmo — EU CONSEGUI! — Gritou, após ter noção de seu feito.
Hoseok desceu rapidamente da árvore, queria parabeniza-lo de perto.
— Você conseguiu, Tae! — O ruivo correu e o abraçou.
— Graças a você, Hobi. Me ensinou muito bem, obrigado — Taehyung correspondeu ao seu abraço.
— Certo! vamos continuar treinando!
Hoseok subiu novamente na árvore e eles seguiram com o treinamento até o pôr do sol.
…
Taehyung e Hoseok chegaram em casa e encontraram ninguém menos que Jimin na sala, rodeado por um monte de caixas de presentes.
— JIMIM! — Taehyung correu para abraçá-lo, o apertando até deixá-lo sem ar.
— Tae… calma — Jimin tentou afastá-lo para respirar.
— Eu estava com saudade! — Disse Taehyung, choroso.
— Nem demoramos tanto assim.
— Pareceu uma eternidade.
Hoseok olhou para Namjoon e deu uns tapinhas em seu ombro.
— Que bom que chegaram em segurança. Agora fico mais aliviado, Nam.
— Obrigado por cuidar das coisas por aqui — Disse Namjoon, sorrindo para Hoseok.
— E como você está, Nam?
— Estou muito bem, Hobi… essa viagem fez muito bem para mim.
Mesmo quatro anos após a partida de Jin, Hoseok ainda se preocupava muito com Namjoon. Não queria revelar que continuava vendo Jin, temendo que isso reacendesse a dor da separação. Namjoon parecia estar bem, como se tivesse superado a situação, e Hoseok não queria remexer em feridas antigas. Assim, evitava tocar no assunto do irmão.
— Fico feliz que esteja bem, Nam… e como foi a viagem?
— Graças a Deus deu tudo certo, só tivemos um pequeno imprevisto, mas no fim, tudo saiu bem — Namjoon sorriu sem graça, coçando a cabeça.
— Imprevisto? Que imprevisto?
— O Jimin ele…
— Hobi! — Jimin interrompeu Namjoon sem perceber, estava empolgado demais com os presentes — Eu trouxe um presente pra você!
— Pra mim?
— Claro, você é meu amigo! — Jimin entregou o presente, estava visivelmente animado.
Hoseok abriu o embrulho, envolto em papel dourado e amarrado com uma fita marrom. Revelando o conteúdo, deparou-se com uma linda túnica de tom verde oliva, adornada com detalhes dourados. Seus olhos brilharam ao contemplar a peça.
— Jimin, é linda! Muito obrigado, vou colocar agora mesmo — Hoseok se levantou rapidamente e colocou a peça. A cor verde valorizava com seus longos cabelos vermelhos, era a harmonia de cor perfeita.
— Tae, comprei um pra você também!
— Sério, Jimin? — Taehyung o olhou choroso.
Jimin entregou a Taehyung um embrulho consideravelmente maior do que o de Hoseok. Com cuidado, Taehyung desfez o pacote e ficou boquiaberto ao ver seu presente, uma expressão de surpresa e euforia estampada em seu rosto.
— Jimin! U-um a-arco? — Ele admirou o arco novo — Pelos Deuses! Eu… — A voz de Taehyung ficou embargada — Eu… eu amei… Obrigado Jimin.
Taehyung o agarrou novamente, apertando o máximo que podia, essa era sua linguagem do amor e a forma como ele demonstrava seus sentimentos de gratidão.
— Socorro! — Jimin pediu ajuda para Namjoon, que apenas riu disfarçadamente.
Jimin comprou presentes para todos, desde seu pai até Namjoon, e até mesmo para as pessoas que trabalhavam no castelo; ninguém foi esquecido pelo atencioso príncipe. Hoseok observava pensativamente Jimin enquanto todos conversavam animadamente.
— Ei Jimin… — Hoseok o chamou, o loiro se virou e olhou para ele — Que imprevisto foi esse que aconteceu na viagem?
Jimin sorriu timidamente e suas bochechas ficaram coradas.
— Jimin? — Hoseok arqueou as sobrancelhas.
— É que… eu me perdi na cidade.
— Você o que?
— Me perdi… — Jimin tinha um sorriso bobo no rosto. Hoseok estranhou, não era a expressão de alguém que se perdeu.
— E desde quando se perder é bom? — Perguntou Hoseok.
— Ah, é que eu… — Jimin abaixou a cabeça, timidamente — conheci uma pessoa…
Ao ouvir isso, Taehyung levantou-se abruptamente, largou tudo no chão e correu até Jimin.
— Ai meu Deus! Quem é? Ele é bonito?
— Por que você acha que é um homem? — Hoseok arqueou a sobrancelha.
— Olha a cara dele, isso já responde. Jimin, conta tudo! Vocês se beijaram?
— Claro que não, Tae!
Jimin suspirou, sentiu seu rosto queimar de tanta timidez ao se lembrar do misterioso espadachim.
— Eu me perdi, e um rapaz me ajudou.
— Ajudou? Como? Conta, conta! —Taehyung estava ansioso.
— Deixa ele falar, Tae! — Hoseok o repreendeu.
— Então — Jimin continuou — Eu estava perdido e uns homens maus queriam me fazer mal, então esse rapaz que eu pensei que fosse um mendigo, apareceu e me salvou — Jimin suspirou com um sorriso bobo no rosto — Ele não era um mendigo, na verdade ele era um hábil espadachim que lutou com todos os homens e me salvou. Ele me protegeu e depois me levou em segurança até Namjoon… ahhh — Jimin suspirou — E ele é tão lindo…
Taehyung ouvia tudo com os olhos brilhando e um sorriso bobo, enquanto Hoseok arqueava a sobrancelha sem entender as reações de Jimin.
— Conta mais, Jimin! — Taehyung pediu empolgado, mas Namjoon chegou e os interrompeu.
— Chega de conversas. Vocês precisam ir dormir.
— Mas Nam, o Jimin tá contando algo legal — Taehyung choramingou.
— Amanhã vocês continuam. Vão para cama!
Taehyung saiu bufando, totalmente irritado. Se tinha uma coisa que ele amava eram histórias românticas, e Namjoon tinha acabado com sua festa. Hoseok não ligou muito; na verdade, achava tudo aquilo muito chato. Quando Jimin ia saindo, Namjoon o chamou.
— Príncipe Jimin!
— Oi Nam?
— Eu vi o colar.
Jimin colocou a mão no pescoço como se tentasse esconder algo.
— Colar? Que colar?
— Jimin… eu vi! — Namjoon cruzou os braços — Onde conseguiu isso?
— Ele me deu — Respondeu Jimin, receoso.
— Quem? O espadachim que te salvou?
— Sim.
— Deixe-me ver isso.
Jimin tirou o colar e entregou a Namjoon, que examinou a peça com muita atenção. O pingente, pendurado em uma corrente de ouro, tinha o formato de uma moeda. De um lado, estava a imagem de uma pena de pássaro.
— Por que ele te deu isso?
— Ele me disse que se um dia eu precisasse de ajuda, poderia chamá-lo que viria correndo para me salvar onde quer que eu estivesse.
Namjoon olhou o colar com uma expressão desconfiada.
— E como é o nome dele?
— Eu não sei, ele não me falou… mas tem letras na parte detrás do pingente, devem ser as iniciais dele.
Namjoon olhou a outra parte do pingente e leu as duas letras gravadas, então olhou para Jimin, confuso.
— JK?
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