Notas iniciais
Gente, esse capítulo vai ser baseado no episódio 6 da primeira temporada. Não é exatamente idêntico, então algumas coisas podem não se encaixar perfeitamente no episódio, mas de um modo geral, é bem parecido. Tentei não focar muito no episódio em si, por que convenhamos, não estou aqui pra ficar fazendo resenha de episódio nenhum. Apenas achei que esse momento se encaixava no que eu precisava pra história. Boa leitura.

Já faz quase quatro meses que me reencontrei com Dean.

Continuamos buscando o pai, mas ainda sem sinal... não creio que ele esteja morto, mas com certeza não quer ser encontrado, então apenas seguimos em frente, enfrentando uma coisa ou outra pelo caminho.

Desde a morte de Jessica, Dean nunca mais voltou a tentar me tocar ou sequer me olhou de forma diferente... na verdade, ele mal me olha e mal fala comigo a não ser que estejamos em algum caso.

Também não está fácil para mim nesses poucos meses... admito que estou um pouco obcecado em encontrar o assassino de Jess. Eu sempre achei o pai maluco por passar mais de vinte anos atrás desse cara, mas agora o desgraçado voltou a matar... isso quer dizer que ele pode muito bem matar outras mães, esposas, namoradas... Não tem como não me importar com isso.

Além disso, Dean parece ter voltado a gostar de mulheres... ou sejamos realistas, talvez nunca tenha deixado de gostar, pra início de conversa. Não é como se meu pau fosse mágico e faria ele se interessar apenas por mim depois de ter provado.

Então sou obrigado a vê-lo quase todas as noites saindo com um par de saias diferente, e isso me tortura de uma forma que nem tem como começar a descrever... fico fantasiando que ele chega bêbado e eu vou pra cima dele com raiva, jogo na cama, arranco suas roupas e enfio meu pênis tão fundo em sua bunda que minhas bolas se chocam com sua carne. No meu devaneio, ele sorri e diz que sentiu minha falta, depois promete que me ama e que sou o único em sua vida e em sua cama.

Rá! Só em sonho mesmo...

É óbvio que não faço nada em nenhuma das vezes que ele chega bêbado e cheirando a perfume barato, afinal fui eu quem o expulsou... eu o chamei de aberração... eu o culpei pela morte da Jessica... eu não consegui lidar com a situação... eu sou o imbecil dessa história toda. E eu nunca mais vou me arriscar a ser o responsável por quebrar sua alma de novo, como na hora que eu disse aquelas coisas horríveis para ele.

Toda dor, ciúme e frustração que estou sentindo servem apenas para me lembrar do que eu fiz e para me impedir de fazer de novo. É melhor manter essa barreira entre nós de qualquer modo.

Então, estou aqui hoje, em mais uma cama de solteiro minúscula, em mais um hotel de quinta categoria, curtindo mais uma noite solitária enquanto Dean deve estar fodendo mais uma garçonete por aí. Duas horas depois escuto em silêncio quando ele volta do seu encontro e vai direto para o banheiro, depois se joga na cama esgotado e provavelmente só vai levantar quando o despertador tocar.

Bem, pelo menos temos uma rotina definida...

De certa forma as coisas melhoraram um pouco nas últimas semanas... não tanto para mim, se eu for ser bem sincero. Mas no início, o Dean estava totalmente imprudente. Foi pego por um Wendigo pouco depois de deixarmos Stanford e quase morreu, depois quase se afogou na porra do Lago Manitoc quando mergulhou naquela água atrás de um espírito vingador para salvar uma criança, e mais pra frente, se enfiando em uma loja de antiguidades cheia de espelhos para enfrentar a Blood Mary... bem, nessa nós dois quase morremos... mas enfim, depois disso ele não está tão impulsivo assim, o que finalmente me trás alguma paz, pois meu coração não iria aguentar todas essas situações de quase morte...

Já estamos há várias semanas sem qualquer caso, o que me poupa de me preocupar com ele, mas que ao mesmo tempo me corrompe de ciúme pois ele fica com mais tempo livre pra foder por aí... honestamente, não sei mais o que é pior para mim...

Tudo que eu queria era voltar a dormir com ele na mesma cama, abraçados... sentir seu cheiro depois do sexo... sentir sua boca na minha de novo... ouvir meu nome sussurrado quando ele está delirando de tesão... agora que eu sei o que é ser amado por Dean, não consigo mais ter uma noite de sono tranquila.

Com um suspiro, me cubro e finalmente me permito tentar dormir.

—*-

POV Dean

Acordo depois das nove da manhã. Não temos nenhum caso há semanas, então não vejo necessidade de colocar o despertador. Dessa forma, quando levanto, a chance de Sam já ter saído do quarto é bem grande. Como hoje.

Não sei mais quanto tempo disso eu vou aguentar. Essa situação é deplorável... estamos tão perto que se eu esticar o braço, o alcanço na cama ao lado. E ao mesmo tempo, estamos tão distantes que parece que mesmo gritando, não consigo alcançá-lo. Isso está me matando pouco a pouco... Meu corpo grita por seu toque cada minuto de cada dia. Minha boca parece seca o tempo todo sem seus beijos. Minha cama, mesmo de solteiro, parece grande demais sem ele enroscado em mim. Eu sonho com aquele final de semana quase todos os dias, tirando quando estou bêbado demais para sonhar com alguma coisa.

Comecei a voltar para os bares, procurar mulheres, ficar na farra até de madrugada... nada disso me agrada, nunca me agradou muito na verdade... mas é isso ou passar minhas noites trancado em um quarto com Sam. E isso eu não consigo. Não quando sei o que se esconde por baixo daquelas roupas... não quando lembro de como ele fica totalmente insaciável na cama... não quando seu cheiro fica preso em cada centímetro dos quartos que nós dividimos.

É melhor me manter longe. Eu prometi que nunca mais iria tentar encostar nele de forma imprópria, e eu vou cumprir, nem que pra isso eu tenha que arrancar minhas mãos fora. Nunca mais quero ver aquele olhar de quase nojo em seus olhos, ou ouvir palavras como “aberração” e “doentio" saindo de seus lábios. Eu prometi apenas irmãos pra ele, e é isso que vou dar.

O que importa se eu ainda babo pelo seu corpo cada vez que ele não está olhando? O que importa se às vezes eu acordo de madrugada apenas para poder apreciar seu rosto adormecido? O que importa se ainda o amo tanto que tem um eterno buraco no meu peito onde antes estava o coração que ele roubou e estraçalhou?

Nada disso importa, porque ele me quebrou, me expulsou, me trancou do lado de fora...

O que me dá mais raiva é o sentimento de traição... ele prometeu que queria isso... insinuou que me queria desde os doze anos... me fez acreditar que era meu e que eu era dele... e na primeira prova de fogo, quando precisávamos enfrentar as coisas juntos, ele me dá o maior pé na bunda da história! E apesar disso, não consigo esquecer o maldito beijo! Aquela porra daquele beijo perfeito!

Me permito mais alguns momentos me recordando nossos dias juntos, antes de recolher tudo e guardar numa caixinha bem trancada dentro de mim. Sam vai voltar a qualquer momento e não posso estar com a guarda baixa, ou vou fazer alguma inconveniência.

Como se o invocasse com meus pensamentos, ouço a porta se abrir e vejo os sacos de papel em seus braços, mas abaixo os olhos antes de encarar os dele.

— Trouxe o café, Dean. Achei mais fácil comermos por aqui antes de cair na estrada. – sinto seus olhos perfurando minha pele, mas não tenho coragem de mirar nele – Eles tinham torta. Eu trouxe pra você.

Sinto um sorriso se formando por dentro. Ele sempre procura torta pra mim. Pela embalagem diferente das outras, imagino que ele teve que ir em mais de um lugar para encontrar, e isso é adorável. Contudo, não permito que o sorriso saia.

— Obrigado, Sam. Vou comer assim que sair do banho. Por que você não vai comendo enquanto vou me arrumar? Depois você pode ir colocando as coisas dentro do carro. Já deixei tudo preparado.

Não fico esperando uma resposta, entro direto no banheiro e me enfio debaixo da ducha.

É completamente insuportável estar no mesmo ambiente que ele e não poder tocar, cheirar, beijar, lamber, morder, chupar...

Merda! Isso é mais que tortura!

O chuveiro tem sido meu melhor amigo esses meses. O chuveiro e minha mão. Acho que nem quando era moleque eu me aliviava tanto quanto ultimamente... mas quem poderia me culpar? Eu sei o que estou perdendo. Eu sei o prazer que está ali a dois passos de distância. Me considero um herói por passar por isso apenas com a masturbação...

Saio do banheiro meia hora e dois orgasmos mais tarde. Sam deve estar levando as coisas para o carro, pois não está aqui. Como rapidamente um sanduiche e minha torta. Amora. Uma delícia.

Dessa vez, tenho um sorriso no rosto pensando no esforço dele. Não importa que as coisas estejam estranhas, nós ainda nos importamos um com o outro... espero que com o tempo nós possamos superar toda essa coisa de sexo e ficarmos normais de novo. Se é que isso é possível...

— Vamos, Dean? O carro já está pronto.

Me levanto limpando a boca e pela primeira vez em dias, olho para ele e dou um sorriso genuíno.

— A torta estava perfeita, Sammy. Obrigado.

Ele me retribui com um sorriso um pouco melancólico mas não fala nada. Apenas se vira e vai me esperar no carro.

—*-

Os dois estão novamente na estrada, Dean dirigindo e Sam consultando os e-mails dos amigos da faculdade, quando uma das mensagens chama sua atenção.

— Dean, precisamos ir para St. Louis. Uma amiga minha, Rebecca, acabou de mandar uma mensagem de que seu irmão Zach foi acusado de matar a namorada. Eu conheço os dois e sei que ele nunca faria isso. Precisamos ir investigar.

— Você tá maluco, Sam? São 650km até St. Louis... Sem chance!

O mais jovem apenas o encara com aqueles olhos pidões e sobrancelhas inclinadas do lado, parecendo um filhotinho. Pura manipulação. Sam sabe. Dean sabe. Mas mesmo assim, não consegue resistir. Dá meia volta cantando pneus e estão a caminho de Missouri.

— Acho bom esse tal de Zach ser inocente...

— Dean, o Zach é uma das melhores pessoas que eu conheço! Tenho certeza que ele é inocente.

O mais velho não responde, mas aperta o volante com mais força. Odeia o sentimento de ciúme que toma conta do seu corpo ao ver seu irmão tão ligado a outro homem... ele é o homem que Sam tem que se ligar... ele é o homem de Sam!

Exceto que você não é... ele deixou bem claro, idiota! Ele não quer esse tipo de ligação com você, então vai se acostumando... a qualquer momento seu Sammy vai estar com outra pessoa e você vai ter que enfrentar isso de cabeça erguida.

— Dean. O que está acontecendo? Você parece estar enjoado, quer parar um pouco?

Respira fundo e coloca a máscara de indiferença que tanto tem usado ultimamente.

— Não é nada, Sam... acho que eu não devia ter comido a torta inteira... – encosta o carro – vem, você dirige. Vou tentar tirar um cochilo.

Mais de seis horas depois, estacionam na frente da casa da tal de Rebecca e começam a fazer perguntas para entender o ocorrido. Conversa vai, conversa vem, os irmãos começam a desconfiar que provavelmente o caso tem muito mais a ver com o tipo de coisa deles do que da polícia. Segundo as fitas de segurança, Zach só poderia ter cometido o assassinato se pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo, coisa que ele não podia. Mas uma coisa conseguia: metamorfo.

Eles demoraram um pouco para descobrir isso na verdade, mas depois de um tempo ficou tudo bem óbvio. Agora só precisavam achar a coisa e matá-la.

Bem, era mais fácil falar do que fazer... esses últimos meses serviram para mostrar aos irmãos que eles estavam meio enferrujados... talvez não enferrujados individualmente. Cada um tem seu jeito de trabalhar e resolver as coisas. Mas juntos... aí tudo se complica. Eles não estão em sintonia... tudo parece dar errado quando precisam lutar lado a lado.

E dessa vez não é diferente...

Os dois queriam resolver as coisas de seu próprio jeito. Cada um correu para um lado. E no fim, os dois caíram nas mãos do monstro.

— * -

POV Sam

Minha cabeça está latejando e não sei onde estou.

Meus braços e pernas estão amarrados.

Olho em volta e está muito escuro, mas consigo vislumbrar vários canos na parede e muita umidade... parece que estou no subterrâneo.

— Sammy!

Graças a Deus!

— Dean? Estou aqui.

Dean aparece na minha frente, e se abaixa para me desamarrar, mas tem algo errado. Me inclino o máximo que posso para trás, me afastando dele.

— O que você fez com meu irmão?

Esse não é Dean... seu olhar é frio. Mais frio do que o de Dean jamais poderia ser. E além disso, eu reconheceria o cheiro de Dean em qualquer lugar... Dean cheira a desodorante, hamburguer e uma mistura estranha — e de alguma forma excitante — de graxa de carro e sabonete. Esse homem na minha frente cheira a fluidos corporais e muito perfume para disfarçar. Luto para me soltar, preciso descobrir onde Dean está. O verdadeiro. O meu Dean.

A criatura solta um sorriso diabólico.

— Você é bom, Sammy. Agora entendo por que ele gosta tanto de você... muito mais do que um irmão deveria gostar, na verdade...

— O que você fez com ele, desgraçado? — Odeio ver esse monstro usando a pele de Dean. Parece errado... sujo... vil... nesse momento sinto que poderia matar essa coisa apenas com minhas mãos. – Se você tocou num fio de cabelo dele, eu...

— Calma, Sammy. Não fiz nada com seu precioso irmãozinho... ainda. Estou gostando demais de toda essa novela entre vocês. Matá-lo iria romper toda a fusão de memórias que estou tendo. Você é mesmo um rapaz muito safadinho, Sam... mas pude ver que você partiu o pequeno coraçãozinho do seu irmão em mil pedaços.

Fico calado. Como posso responder a uma coisa dessas? E como pra inicio de conversa esse filho da puta pode saber de tudo isso?

O metamorfo me segura pelo queixo e lambe todo o lado direito do meu rosto.

Eu sei o quanto tenho desejado sentir a língua de Dean voltando a me lamber... eu sonho com isso cada minuto de cada dia... mas esse não é ele e tudo que sinto agora é asco.

— Não me toque! Não ouse me tocar usando o corpo dele!

— Foi assim que você o rejeitou também não é? Tsc tsc tsc ... pobrezinho do pequeno Dean... a mamãe morreu quando era criança... o papai nunca o amou como uma pai deveria amar um filho... e o irmãozinho? Ah, o irmão o despreza, o acha nojento... uma aberração!

Fecho meus olhos ao som dessa palavra. Nunca vou me perdoar pelo que disse para Dean e parece que ele nunca esqueceu também.

Grito para que ele cale a boca, mas o desgraçado não para.

— Eu entendo você, Sammy... ele é patético... todo esse amor dentro dele, que você já recusou mas que ele ainda guarda só pra você... te devorando pelas suas costas, sonhando com você e mentindo para vocês os dois... é deplorável e digno de pena... se você soubesse da metade, tenho certeza que já teria metido um pé na bunda do coitado há muito mais tempo.

Do que esse filho da puta tá falando?

— Eu não sei do que você tá falando, desgraçado, mas é melhor você parar de falar essas merdas! Eu vou te matar!

Ele sorri mais ainda. O maldito está gostando de me provocar.

— Você não sabe mesmo, não é Winchester? Você não sabe de nenhuma das vezes que ele te observa de noite... não sabe de nenhuma das centenas de punhetas que ele tem batido no chuveiro pensando em você... não sabe que ele sonha tanto com vocês transando que acorda com o corpo rígido quase todos os dias... Você não sabe o quanto suas palavras martelam na cabeça dele e o quanto ele se odeia por não conseguir arrancar esses sentimentos de dentro do peito. E tenho certeza que você não sabe que ele não conseguiu foder nenhuma das mulheres que ele procurou, por que simplesmente não consegue parar de pensar em você.

Minha respiração parou. Como assim? Ele passa quase todas as noites na rua e não transa com nenhuma mulher? Porra! Eu preciso sair daqui e encontrar Dean! Eu não deveria saber dessas coisas através da boca de outro. Bem... teoricamente é a boca dele.... mas é a mente de outro... porra, isso é confuso... bem... enfim... o verdadeiro Dean deveria me contar essas coisas!

— Não se preocupe, Sam. Eu vou resolver uns probleminhas com aquela sua amiguinha, e depois eu vou resolver tudo com seu irmão, e depois que eu acabar, eu vou matar você. E aí vocês não vão mais precisar se preocupar com quem está magoando quem. Vocês poderão sofrer pela eternidade no inferno!

Não tenho chance de ver de onde veio a pancada, só sinto uma dor aguda e um zumbido no ouvido antes de apagar.

Notas finais
É isso, gente... no proximo capítulo ainda continuaremos por um pequeno momento na base do 6°episódio e depois voltamos ao normal. Continuem comigo! Beijos no ♡♡