Eternamente
11 Epílogo
Notas iniciais
Nós brigamos.
Eu saí do carro e mandei ele ir para o hotel, que depois eu iria. Precisava esfriar a cabeça ou iríamos continuar a briga. Não é isso que eu quero. Eu o amo acima de qualquer coisa e preciso pensar em um jeito de resolver isso.
Caminho por mais de uma hora beirando a floresta e adentro um pouco a mata para sentar em uma pedra no meio de uma clareira. Tenho que voltar... vai começar a chover a qualquer momento e pelo vento que já começou, vai ser chuva forte.
Já se passaram mais quatro meses desde que ele veio com aquele pedido inusitado no quarto de hotel. “Quer namorar comigo?”, e eu quis. Como não querer? E eu estou tão feliz desde então... é como se toda a nossa vida estivéssemos esperando por isso e finalmente alcançamos a felicidade que tanto merecíamos.
Mas uns dias atrás encontramos o pai, o ajudamos com um ninho de vampiros e agora estamos na cola do demônio maldito que matou mamãe e Jess. Não está tão difícil assim conviver com o pai como eu imaginava, mas para Dean é pior. Sempre foi... o pai o trata como um robô, como se ele nunca pudesse demonstrar fraqueza ou se cansar, como se ele não tivesse sentimentos... e isso está afetando Dean. Ele não me deixa chegar perto. Diz que tudo vai ficar bem depois que o pai conseguir sua vingança e nós só precisamos esperar um pouco.
Eu não quero esperar um pouco. Quero meu irmão de volta. Quero o homem que eu amo de volta!
Hoje inventei uma desculpa qualquer para sair sozinho com Dean, mas tentei conversar e ele não se abre mais para mim e eu acabei me irritando. Eu disse que ele era fraco por não tentar enfrentar o pai, e a expressão no rosto dele foi como se eu o tivesse esfaqueado. Ele nem me respondeu, apenas disse que queria voltar para o hotel. E foi quando eu saí do carro.
Agora as primeiras gotas começam a bater no meu rosto e em segundos começa a apertar, molhando minhas vestes.
— SAM! MAS QUE MERDA! ME RESPONDE!
Levanto e olho ao redor, mas as gotas grossas atrapalham minha visão.
— DEAN!
Chego próximo da linha das árvores e o vejo correndo até mim.
— Porra, Sam! Você disse que ia logo atrás de mim para o hotel e já se passaram quase duas horas! Você quer me matar do coração? Você tem noção da quantidade de demônios que estão atrás de nós por causa da Colt agora? Achei que você tinha sido sequestrado e morto! Nunca mais me assusta assim, maldição!
Ele está gritando para que o escute acima do barulho do vento e da chuva, mas não parece com raiva, apenas preocupado.
— Vem! Vamos para o carro.
Eu não me movo. O puxo pelo braço em minha direção e ele escorrega na terra molhada e se apoia em mim. Ótimo, tenho uma desculpa para o segurar.
Meus braços se envolvem ao seu redor e me inclino pra falar perto de seu ouvido.
— Me desculpa, Dean. Eu estava frustrado. Você não fala mais comigo e isso me magoou. Eu não sei por que você está tão longe de mim e eu sinto a sua falta, mas eu não tinha o direito de te falar aquelas merdas.
Sinto suas mãos puxando meu rosto e em seguida ele me beija. Já tem dias que ele não me beija desse jeito, sem controle, como se eu fosse o ar que ele precisa pra continuar vivo. Eu retribuo com igual intensidade. Meu corpo já estava sofrendo abstinência pela falta de seus beijos. Desde que o pai voltou estamos tendo que ser discretos e isso está me deixando maluco. Parece que está deixando ele também.
— Sam... eu não estou longe porque eu quero... mas eu não consigo ficar perto de você sem te tocar e te beijar. Você chega perto de mim e quero mergulhar em seu pescoço pra sentir seu cheiro. Mas não da pra fazer isso com o pai perto! Eu preciso ficar longe. Por isso eu tenho seguido cada ordem maldita que ele me dá... pelo menos eu me distraio dessa necessidade que tenho por você. – ele segura meu rosto e começa a distribuir beijos nas minhas bochechas, olhos, pescoço... — Me desculpa. Me desculpa. Eu sinto sua falta, Sammy. Me perdoa por não te mostrar isso o suficiente.
A chuva cai ao nosso redor como cortinas brancas e estamos ensopados, mas nunca me senti tão quente na minha vida.
Arranco a jaqueta dele com urgência e levanto sua camiseta enquanto ele faz o mesmo com a minha, na mesma velocidade. Não temos sanidade suficiente para pensar no que estamos fazendo, agimos por puro instinto e em trinta segundos estamos os dois nus.
Bato seu corpo em uma árvore e minha boca desliza por cada pedaço de pele molhada que encontra, seu cheiro se mistura com o cheiro de terra e chuva e é tão excitante que me arranca um gemido involuntário.
— Vem, Sammy. – já estou lambendo direto em seu umbigo, enlouquecido de tesão, mas ele me puxa de volta pra cima. – Eu quero você.
Ele se inclina e tira um pequeno tubo de lubrificante de sua jaqueta. Deve perceber meu olhar confuso, pois solta uma risada sem graça.
— Tenho andado com isso na jaqueta desde que encontramos o pai, caso conseguíssemos fugir dele e ter um tempinho a sós pra matar a saudade.
Meu cérebro vai parar de funcionar a qualquer momento se eu não entrar nele agora.
Arranco o tubo de sua mão e o suspendo com força, apoiando suas costas no tronco largo da árvore. Suas pernas se envolvem automaticamente ao meu redor e meu pau bate direto em sua entrada, como se já soubesse o caminho de casa. Despejo o lubrificante sem qualquer perícia, apenas descarregando o suficiente para não machucá-lo com minha empolgação, e então começo a entrar devagar.
Ele está tão apertado que acho que vou gozar só com a cabeça dentro, mas ele vira meu rosto em sua direção e começa a me beijar e falar ao mesmo tempo.
— Respira, Sammy. Eu tô aqui. Eu sou seu.
Relaxo o corpo e me permito ser guiado por seus beijos, enquanto ele mesmo se abaixa todo o caminho pelo meu pau.
— Dean, eu não quero te machucar.
Estou totalmente fora de controle e meu corpo anseia por se mover, por fincar tão forte dentro dele que ele continue me sentindo mesmo quando eu não estiver mais ali.
— Você nunca me machucou, Sammy. Vem. Me mostra que você ainda está aqui. Me mostra que eu não te perdi.
E então eu perco toda a força de vontade que me mantem parado. Ele me agarra pelo pescoço para conseguir equilíbrio e eu entro e saio dele como um animal, desesperado por contato, desesperado por mostrar que ele ainda é meu e que eu ainda sou dele. Eu preciso disso e pelos barulhos desconexos que saem de sua boca, acho que ele também precisa. Seu pênis é como uma rocha fincada entre nossos estômagos, então sei que ele está tão excitado quanto eu.
— Dean, eu quero que você goze junto comigo, mas eu não vou durar muito mais tempo... eu realmente senti sua falta.
Ele morde meu pescoço com tanta força que acho que tirou sangue, mas isso só faz meu pau pulsar mais ainda. Me inclino e faço o mesmo com ele. Não é minha intenção morder tão forte, mas não consigo me controlar e sinto o gosto ocre de sangue na minha boca. Ele solta um gemido alto e se arrepia completamente.
— OH, MERDA! SAM!
O primeiro jato que sai dele é tão forte que bate no meu queixo. Ele percebe e me lambe, me limpando, depois me beija e eu consigo sentir seu gosto em sua língua. É quando eu perco a batalha.
O urro que sai de mim compete com os sons das trovoadas que se repetem a cada poucos segundos.
Meus jatos parecem que nunca vão acabar. Minhas pernas estão tremendo e acho que nós dois vamos cair a qualquer momento. Ele percebe isso.
— Ainda bem que o chão tá macio da chuva...
Mal ele termina de falar, minhas forças se esvaem e despencamos os dois no chão.
Estou tão dormente que não sinto nada, apenas escuto a gargalhada de Dean, que arranca meus próprios risos também
— Eu te amo, Sammy.
—*-
Acordo antes que eu possa ouvir minha resposta “Eu também amo você, Dean". Isso aconteceu três dias atrás, e foi um dos melhores momentos da minha vida. Tinha muito tempo que não via Dean gargalhar daquele jeito e agora...
— Com licença, senhor Winchester.
Me levanto de um salto e olho para a moça de branco.
— Seu pai já está acordado, caso queira vê-lo. Ele está no quarto 202.
— E o meu irmão?
Por favor. Por favor, me diz que ele está bem...
— Ele ainda não reagiu. O acidente causou um trauma cerebral muito forte e não tem como prevermos o que vai acontecer. Temos que esperar.
— Mas as pessoas acordam disso, não é? Você vê essas coisas todos os dias...
Ela me olha com piedade, mas parece não ter mais qualquer esperança.
Não. Por favor. Eu não vou conseguir aguentar isso. Meu peito está congelado, minha voz sai tremida como se eu estivesse com frio. Meu corpo está dormente e tem um zumbido nos meus ouvidos.
— O que eu vou fazer sem ele, moça? Me diz que ele vai voltar.
Ela aperta meu ombro com gentileza e me ajuda a sentar de volta na poltrona.
— Eu sinto muito. Você pode ter esperança. Ore por ele. Mas você também precisa se preparar. Pode ser que ele não saia dessa.
Seguro minha cabeça com as mãos, tentando me manter inteiro.
— Aqui, querido. Tivemos que tirar isso dele para fazer a ressuscitação. — Ela estende a mão e me entrega algo gelado. É o cordão que dei pra ele no natal quando era criança. – eu venho te chamar quando você puder ir vê-lo.
Fico olhando pro pingente que ainda tem algumas marcas de sangue e aperto minha mão ao seu redor com força. Tem tempo que não rezo, mas abaixo minha cabeça e faço uma oração.
As lágrimas descem pelo meu rosto e pingam no chão.
Acabei de perder meu mundo inteiro e não sei como sobreviver a isso. Não sei como seguir sem ele...
Como isso pôde acontecer?
Me enrosco de novo na cadeira e tento voltar para meu sonho, para Dean encharcado e coberto de lama, gargalhando e dizendo que me ama. Mas dessa vez sou pego pelo pesadelo.
—x-
Estou sentado em um banco de madeira no esconderijo e Dean volta para a sala
— O pai está deitado. Levou uma bela surra.
Olho pra ele através do meu olho inchado.
— Dean, você salvou minha vida.
Ele vem em minha direção e embala meu rosto.
— Me desculpa, Sam. Eu prometi não mentir pra você, eu sei. Mas eu não podia arriscar sua vida sem levar a Colt por garantia. Me perdoa.
Como eu poderia sentir raiva? Eu faria o mesmo por ele. Sem pensar que nosso pai está no cômodo ao lado, puxo Dean em meus braços. Não quero fazer nada sexual, mas preciso de seu consolo.
Ele me envolve e beija meu rosto.
— Vai ficar tudo bem, Sammy. Eu te amo.
Eu levanto o rosto e o beijo. Apenas um colar de lábios mas...
— QUE PORRA É ESSA ACONTECENDO AQUI?
Merda! O pai viu.
A briga que se segue é dolorosa de se ouvir, pois mexe com todos os nosso medos. Tudo que nós lutamos contra, tudo que tentamos evitar...
O pai parte pra cima de Dean, falando coisas horríveis, o xingando e arrancando lágrimas de seus olhos. Eu tento me meter, mas Dean me empurra para trás dele, tentando me proteger disso tudo.
— Como você pôde deixar isso acontecer, Dean? Ele é seu irmão! Você é um veado pervertido e doente!
E da um soco tão forte em Dean, que ele cai para o lado. Eu tento me meter na frente, mas fui empurrado contra a parede.
Dean está sangrando no chão e eu ergo a Colt para evitar que meu pai vá pra cima dele.
—*-
Acordo novamente. Estou gelado e tremendo.
Não foi fácil passar por essa briga, ver o que meu pai fez com Dean... mas depois descobrimos que não era o pai. O demônio de olhos amarelos estava dentro dele desde que o resgatamos.
Não sei se quero visitar o pai agora. Será que ele lembra do que presenciou? A verdade é que não sei se a reação dele seria tão diferente da do demônio. Tenho medo de entrar no quarto dele e me arrepender, mas ainda não posso ver Dean, e depois que puder não vou sair do lado dele, então é melhor ver o pai logo e acabar com isso.
Paro na porta e meu pai está de olhos fechados. Ele está destroçado e pela primeira vez na vida, aparenta a idade que tem.
Abre os olhos.
— Sam?
— Oi, pai... como está se sentindo?
Ele tenta se sentar mais ereto na cama.
— Como se tivesse batido em um caminhão... e como está Dean?
Abro a boca para responder mas não sai nada. Não consigo falar em voz alta que Dean pode morrer. Meu coração não vai aguentar...
Um soluço escapa dos meus lábios e tomo consciência de que estou chorando de novo.
— Sam? Filho, vem aqui.
Sem eu comandar, minhas pernas se movem até a cama de meu pai, mas ainda não consegui conter minhas lágrimas e estou um pouco receoso de sua reação. Quando éramos crianças, ele sempre brigava quando chorávamos. “Lágrimas não resolvem nada. Lágrimas são para mariquinhas".
Sinto sua mão apertar a minha.
— Ele morreu? Dean está morto?
Os olhos dele estão molhados como os meus, apesar de ainda não ter se derramado.
Me sento na cadeira que tem ao lado.
Minhas palavras saem como um robô, mas pelo menos consigo falar.
— Não. Ainda não. Traumatismo craniano. Está em coma. O coração já parou duas vezes.
Ergo meus olhos para meu pai. Teve uma época quando eu era criança que o admirava e achava que ele sabia de tudo. Óbvio, depois Dean ocupou esse papel.
— O que eu faço, pai? Se ele m-morrer? Eu... eu...
— Ele não vai morrer, Sam. Olha pra mim! Eu não vou deixar isso acontecer.
Uma parte de mim quer acreditar, mas já tem muitos anos que não tenho essa fé nele, então permaneço calado. Ficamos assim por alguns minutos, quando meu pai volta a falar.
— Eu não queria socá-lo. Eu não fui o melhor dos pais, mas eu não iria dar um soco daqueles no meu próprio filho. Nem mesmo depois de ver vocês...
Porra! Ele lembra...
Não sei o que falar.
— Ele achava que você daria. Um tempo atrás conversamos sobre isso e ele disse que se você descobrisse, iria matá-lo.
— Que tipo de pessoa vocês acham que eu sou? – ele parece realmente surpreso e talvez um pouco magoado, e deixo um pequeno sorriso escapar, não é fácil extrair emoções do meu pai – Eu não vou dizer que entendo vocês, Sam. Na verdade isso ainda parece errado pra mim, filho. Mas você tem vinte e três anos e o Dean vinte e sete, não importa o que eu penso. Vocês são adultos. Se eu for ser bem honesto, Dean já é adulto desde que era criança, na verdade. E você... bem... eu já imaginava isso. Você não era um garoto que disfarçava as coisas tão bem quanto desejava. Seu irmão era um pouco tapado, mas eu vi...
O que? Merda! Agora estou envergonhado, pensando em toda a minha adolescência.
Ele parece perceber.
— Eu posso ter estado distante, posso não dizer o que sinto com muita frequência, mas eu amo vocês dois mais do que qualquer outra coisa no mundo. E eu não preciso entender isso entre vocês, não tenho que aprovar nada. Vocês são meus filhos e isso não mudou nada do que eu sinto, Sam. Eu te amo, filho. Eu amo vocês dois.
Alívio me envolve e tombo minha cabeça em seu ombro.
— Eu também te amo, pai. E eu amo o Dean. Eu amo de verdade. Se ele morrer...
— Ele não vai! Eu só preciso dar uns telefonemas. Eu vou resolver isso.
Não sei o que ele quer dizer com isso e nem tenho tempo de perguntar.
— Senhor Winchester? – é a enfermeira de novo – seu irmão já está no quarto. Você pode ir vê-lo.
Me levanto de um pulo, mas meu pai segura minha mão.
— Sam, me escute. Seu irmão é forte. Se tem alguém que pode sair dessa, é ele. E depois disso, você cuida dele, Sam. Eu criei vocês para serem soldados, não me orgulho disso, mas foi necessário. Vocês precisavam saber se cuidar. E o Dean é um grande soldado, ele é forte, destemido, corajoso... mas ele tem uma mania de só se preocupar com você e esquecer de si. Então, você cuida dele, entendeu?
— Sim, senhor.
E corro pelo corredor até Dean.
—*-
Quando passo pela porta do seu quarto, meu coração bate pela última vez e para. Como ele poderia continuar batendo normalmente depois de ver meu irmão nessa cama, pálido, com os lábios azulados e cheio de fios ligados nele? É a imagem mais dolorosa que já vi, e isso incluindo Jess pegando fogo no teto. Não sei se vou conseguir me manter inteiro dessa vez. Se eu perder Dean, não vai ter mais nada me prendendo a este mundo. É melhor a morte me levar junto, pois não existe forma de seguir vivendo sem ele.
Chego ao lado de sua cama e seguro sua mão. Está tão fria e parece tão branca...
— Dean, você está me escutando? Você precisa voltar, ouviu? Não é sua hora ainda. Eu acabei de te reencontrar. Nós ainda não acabamos... eu preciso de você, Dean... não me deixa aqui sozinho, por favor...
Continuo falando com ele por muito tempo. Implorando. Dizendo que o amo. Chorando... ele não se mexe, nem da qualquer sinal de que pode me ouvir.
Depois de um tempo ele tem outra parada cardíaca e eu tenho certeza que o perdi de vez. Caio de joelhos no chão do quarto, em desespero. As pontas do pingente furam a palma da minha mão mas eu nem percebo. Meu coração está de despedaçando, sinto minha alma se rasgando em duas.
Mas ele volta.
O médico manda que eu me prepare de novo. Que mania é essa de mandar se preparar? Eu não vou me preparar. Eu quero meu irmão, porra! Eu quero ele aqui!
Isso continua por horas. Não volto ao quarto do meu pai, não saio do lado do Dean. Minha mão está dormente e suada, mas não solto a dele. Quando não tem ninguém no quarto, eu o beijo. Seus lábios estão ressecados, roxos e gelados. Não quero que essa seja a última lembrança que tenho de seus beijos.
Não sei de onde as lágrimas continuam vindo, era de se esperar que o reservatório já tivesse esvaziado, mas elas continuam caindo e não sei se algum dia elas irão parar.
Pego no sono e desperto um tempo depois com a enfermeira me falando algo sobre morte cerebral e desligar os aparelhos.
Nunca! O coração dele ainda tá batendo. Ele pode voltar.
Mando ela sair dali. Ela que vá procurar outro para matar.
Não percebo que estou gritando no quarto até que ouço.
— Sam? Você vai matar a moça de medo, seu ogro!
A voz é baixa demais, rouca e linda, maravilhosa, perfeita... eu já tinha perdido a esperança de ouvir de novo.
A enfermeira arfa e tampa a boca com as mãos.
Me viro devagar, com medo de ser um sonho e acabar acordando antes que possa vê-lo.
— Dean?
Ele esta ali. Pálido como uma fantasma, olheiras escuras, lábios quase azuis, mas os olhos? Ah, os olhos continuam brilhantes como da última vez que os vi. Ele da um sorriso fraco.
— Você parece uma merda, Sam.
Mais lágrimas enchem meus olhos. Mas dessa vez, eu não me importo que elas caiam.
— É porque você não se olhou no espelho ainda, imbecil.
Envolvo seu rosto entre minhas mãos e o beijo com todo o desespero que estava contendo até agora.
— Não faz mais isso comigo, porra! – continuo beijando cada centímetro do seu rosto sem dar tempo dele sequer retribuir – Você tem noção de como eu quase morri? Nunca mais faz isso, Dean!
Ele segura meu rosto e me afasta um pouco.
— Sam – ele passa os dedos embaixo dos meus olhos, limpando minhas lágrimas. Aí ele abaixa a voz e fala quase em silêncio – você disse pra enfermeira que era meu irmão?
Levo um susto e olho para trás. A mulher está parada no mesmo lugar, a mão no peito, e uma expressão de asco no seu rosto que admito, bate direto em meu coração. Esse é o tipo de olhar que vamos continuar recebendo enquanto estivermos juntos... mas aí me lembro que ele quase morreu e volto a tocar seu rosto, olhando bem fundo nas suas esmeraldas brilhantes.
— Dean, você morreu três vezes hoje... Eu morri três vezes junto com você! – meus olhos ameaçam transbordar novamente — então eu estou pouco me lixando se alguém aqui sabe que você é meu irmão. Eu vou te beijar quantas vezes eu quiser e se eu conseguir me enfiar nessa cama minúscula, vou dormir com você essa noite!
Ele me olha sorrindo e me puxa para baixo.
— Eu te amo, Sam. Que se foda a enfermeira. Me beija de novo, por favor.
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