Eternamente

59 Capítulo de aniversário


Notas iniciais
Oi, meus amores! Que saudade de postar por aqui! O motivo de eu estar de volta é especial: 2 anos que eu criei essa coisa linda, que se chama Eternamente. Nesses dois anos, esse livro só me trouxe alegrias, risadas e leitores maravilhosos! Sou tão grata por ter vocês comigo, que eu decidi escrever um "bônus" de aniversário, e na versão do Gabe. Eu espero que gostem, porque foi escrito com muito amor! Lembrando que, logo, logo, o livro estará na Amazon! ;) Ah, o segundo livro já está sendo postado, hein! Facebook: Autora de romances - Mayara Silva Beijos

Mais um dia de trabalho corrido no escritório. Tudo estava dando certo, e tínhamos muitos clientes. Até chegamos a aumentar o escritório, e trabalhamos com muitos mais advogados. Quando eu decidi vir trabalhar com o meu pai, eu não imaginei que daria tão certo, e que seria tão gratificante. E o mais importante, nós estávamos perto dos meus amigos e da nossa família. Criar as crianças perto dos nossos pais também fizeram muito diferença na criação deles. Fora que sempre são mimados pelos avós.

Olhei para o celular, e já estava quase na hora de ir embora. Mesmo amando o que eu faço, ir embora era a melhor parte do meu dia, porque eu iria encontrar com os meus três amores. Por falar neles, não sei qual é o milagre que não me ligaram pedindo alguma coisa, ou porque um brigou com o outro. Não é fácil a criação de dois filhos, agora imaginem dois filhos adolescentes, com 16 anos. É uma arritmia cardíaca todos os dias. É rezar para que não me deixe com cabelos brancos. Mas eu tenho os meus métodos de ensinamento, que são ótimos e educativos, porém, agora, não vem ao caso, porque está tudo anotado no meu caderno de educação básica, escrito por mim. Sou um pai educativo.

Comecei a enrolar só para dar a hora de ir embora. Não que eu faça isso direto, mas eu dou aquela espiada nas redes sociais, e me faço de fruta esquecido na feira, e fico parado, como se eu estivesse trabalhando. Abri o perfil da Sophie, e fui ver se tinha algum comentário impróprio para os meus olhos. Vamos ver se tinha algum futuro defunto dando em cima da minha filha. Quem vai ser o próximo a morrer? Não que eu seja um pai paranóico, mas é importante dar aquela olhada para ver se não tinha nenhum mão de punheta dando em cima da minha filha. Olhei as últimas atualizações, e não tinha mudado nada desde que eu olhei, duas horas atrás.

Só aconteceu uma coisinha um tempinho atrás. Um moço curtiu a foto da minha filha, e a chamou de gostosa. Eu não me estressei, porque eu não sou assim. Eu só fui à casa do rapaz, e disse que, se ele continuasse chamando-a de gostosa, ele saberia como é ter que fazer uma colonoscopia, por causa da arma que eu enfiaria na parte de trás dele. Eu nunca vi mais nenhuma mensagem dele, e a Sophie não sabe que eu fiz isso, porque ela acha que eu sou exagerado, mas eu sou apenas um pai preocupado com o bem estar dos meus filhos.

Depois de vistoriar as redes sociais deles, decidi jogar paciência spider. Eu era craque nesse jogo, mas meu pai não sabia que eu fazia isso por aqui. Eu teria que estar trabalhando, mas o meu cérebro pede descanso, e eu preciso ouvi-lo. Comecei jogando na fase fácil, porque de difícil já bastava a minha vida com dois filhos adolescentes. E é carta pra cá, carta pra lá. Acertei!

— Isso ai! Eu sou o melhor! – fiz a dança da vitória, quando eu reparei que o meu pai estava parado na porta. – Pai?!

Droga! Eu fui pego, e nem fiz toda a minha comemoração. Sentei-me, e me fiz de bonecão de posto, ajeitando rapidamente a minha roupa.

— Dançando, Gabe?

— Eu? Imagina, pai. A vida é que dança na minha cara. – sorri, disfarçando a vergonha de ser pego.

— E você estava fazendo o que?

— Ah... É um ótimo exercício pra quem fica muito tempo parado ou sentado. Não atrofia os músculos, né?

— Sei. E você está jogando? – olhei para o notebook, e eu me lembrei que eu tinha me esquecido de desligá-lo.

— Meu notebook tem que formatar. Ele fica abrindo páginas sem eu clicar. Esses vírus por ai. – fechei-o, não demonstrando a vergonha.

— Nossa! Isso é um perigo. – riu.

Meu pai estava zombando da minha cara? Eu faço isso com as pessoas, e dói ser zombado.

— Eu vim te perguntar se você não ia embora. Hoje é sexta, meu filho. Pode ir, e aproveitar a sua família.

Falou em aproveitar, já pensei na Emy. Eu aproveito tanto.

— Eu já estava indo. A minha mulher e os meus filhos me esperam em casa.

— Mande um beijo para eles, e apareça lá em casa, porque sempre somos nós que vamos a sua.

— Pode deixar, pai. Vamos marcar um almoço. – falei, pegando a minha pasta, e indo até a porta.

— Gabe. – ele me chamou, e eu me virei. – Parabéns mais uma vez pela vitória no paciência spider. Mas você precisa colocar na fase difícil, é muito mais gratificante ganhar nessa fase. – disse rindo, e saindo da sala.

É, fui pego no flagra! Droga!

***

Cheguei em casa, e estava em completo silêncio. Isso é bem estranho. A Emy já estava em casa, porque o carro dela está na garagem. Sophie e Lucas estariam em casa, ou não? Eu escutaria os gritos dos dois, ou as birras dos dois. Será que tinham saído? Poderia ser uma surpresa para mim, o melhor pai do mundo, e o mais gostoso. Sim, eu sou mesmo. Eu não sou exagerado, eu sou realista.

Subi a escada, e fui para o meu quarto. Ao entrar, eu deparei com a minha bela mulher de óculos, e sentada em nossa cama. Ela parecia tão concentrada, que eu não queria atrapalhá-la. Fiquei olhando-a, até ser pego.

— Gabe, que bom que você chegou. Eu já ia ligar para você. – levantou-se, e me beijou.

— Tudo isso é saudades? – agarrei-a pela cintura, e beijei o seu pescoço.

— Não, é fome mesmo. Temos que esperá-lo para jantar, querido. – sorriu.

— Ah, então é por isso? – respirei fundo. – Tudo bem. Eu mal chego em casa, e já estou sendo humilhado desse jeito. A vida é assim mesmo. Cada dia é uma humilhação diferente, mas tudo é uma aprendizagem na vida.

— Que drama, Gabe. – Emy riu. – Vamos, porque eu estou morrendo de fome.

— Eu vivo com fome. – olhei para ela, que entendeu o meu recado. Ah, minha mulher é bem esperta, e eu sou um safadão.

— Depois, querido. – sorriu, me beijando.

Descemos até a sala de jantar, e vimos o Lucas na cozinha e abraçou assim que e viu, enquanto a Sophie arrumava a mesa para o jantar.

— Oi, papi. Que saudades! – disse, me abraçando.

— Papai também estava com saudades, filha. – sorri.

Os dois eram os responsáveis por ajudar nas obrigações da casa. Não eram muitas, mas a Emy fazia questão de que eles ajudassem de alguma forma, tornando-os responsáveis, e sem essa questão de que só mulher tem que ficar na cozinha. Lucas também ajudava, e dividia as tarefas com a irmã.

— Eu estou morrendo de fome. – falei, pegando o prato.

— Pode se sentar, papai. Eu vou colocar para você. – sorriu.

Ela vai colocar pra mim? Tudo bem que a Sophie é educada, mas isso é muito suspeito. Meu faro de pai está captando alguma coisa errada, e eu espero que não seja o que eu estou pensando. Quando um filho faz isso, é porque quer alguma coisa.

— Pronto, papaizinho. Se quiser mais, é só falar. – sorriu.

Lucas ria de alguma coisa, e a Emy me olhava de um jeito estranho. Alguma coisa está acontecendo por aqui, ou eu não me chamo Gabe. Olhei para cada um, mas ninguém me falava nada.

— O que está acontecendo por aqui?

— O que? – Emy perguntou, e eu sei quando ela me esconde alguma coisa. – Não está acontecendo nada, meu amor. Porque você acha isso?

— Eu conheço você. Aliás, eu conheço os nossos filhos. Eles saíram de mim também, então eu conheço quando me escondem alguma coisa.

— Acho melhor jantarmos, meu amor. – sorriu nervosa.

Primeiro ato de quem está escondendo alguma coisa: tentar distrair a vítima. Sim, eu sou a vítima. É sempre assim. Eu sempre sou a vítima. Vida cruel!

Comecei a comer, mas o meu olhar não passava despercebido entre os três. Ninguém me esconde nada. Eu sentia que era algo com a Sophie, e eu estou rezando para que não tenha pinto no meio dessa conversa, senão eu caço o infeliz até a outra vida dele.

Acabamos de jantar, e eu já quero saber o que realmente estão e escondendo. Sophie sentou-se na minha frente, e sorriu. Não sorria, querida. Papai vai descobrir o seu esquema engana papai. Não estamos no Harry Potter para me fazer de trouxa. Posso ser lindo, mas não burro.

— Pode falar, Sophie. Eu quero saber o que você está me escondendo, e não tente com história de papaizinho.

Ela olhou pra mim, e respirou fundo.

— Pai, eu quero te falar uma coisa.

— Espera. Eu estou sentindo aqui dentro. Emy, pega o rojão, os fogos de artifício e o terço, porque a Sophie decidiu ser freira. Meu Deus! Eu te falei, princesa. Meu coração de pai não se engana. – sorri. – Meu amor, você será uma linda noviça. – estou até emocionado.

Lucas e a Emy me olhavam de um jeito estranho, mas eu não estava nem ai. Minha bebê ficaria longe do pecado, e eu viveria mais. Que lindo!

— Pai, então, não é isso que eu quero te falar.

— Ah? – meu coração já acelerou. – Emy, guarda os rojões, e traga as armas. Quem eu tenho que matar, Sophie Cambell Hunter? Nathan? Aquele filho de mulher da vida. Tinha que ser filho do George. Lis não tem culpa de nada, mas vai ficar sem o filho. Onde o Nathan está? O que ele fez? Ah? Ele te beijou? Eu arranco a língua dele com vontade.

— Calma, pai.

— Gabe, calma, senão você vai morrer desse jeito. – Emy pediu, mas eu não conseguia me acalmar.

— Diga alguma coisa Sophie. – pedi, perdendo a paciência.

Ela olhou para a mãe, e respirou fundo.

— Então, papai lindo, amanhã vai ter uma festa do pessoal do colégio. É um baile a fantasia. Eu fui convidada, e eu vim pedir para você me deixar ir. Eu pedi pra mamãe, mas ela disse para pedir para o senhor. Por favorzinho, papi! – ela juntou as mãos, pedindo.

Sentei-me novamente, e olhei para os três. Tinham aquele olhar de esperança, mas parece que eles não me conhecem. Um baile a fantasia, cheio de adolescentes, bebidas e testosterona?

— E então, pai? Você me deixa ir?

— Me deixa ver... Ah... 2+2=4. Quem descobriu a América foi Cristovão Colombo. 4+4=8, que com mais um fica nove. O que dá o resultado que eu quero chegar: Não! Você não vai à festa.

Podem me achar chato, mas eu sou um pai preocupado com eles. Nessa festa, ela pode encontrar alguém que a queira beijar. Eu nunca deixaria isso acontecer.

— Poxa, pai! Todo mundo do colégio vai. Por favor!

— Você não é todo mundo. Você é a minha filha. A resposta ainda é a mesma: não.

— O Lucas vai comigo. Vamos nós dois.

— Não me coloca no seu plano, Sophie. Eu estou quieto no meu canto.

— Mãe, por favor. Pede para o papai.

— Filha, se ele disse que não, então nem adianta fazer nada. Seu pai é teimoso. – olhou com cara feia pra mim.

— Saco! Todas as minhas amigas vão, e eu vou ficar em casa, em pleno sábado à noite.

— Eu não pago Netflix à toa, Sophie. Pode ficar assistindo alguma coisa. Não tem coisa melhor do que ficar em casa, uma pipoquinha, chocolate, um filminho e a sua caminha quentinha. Não gasta tempo com maquiagem, cabelo e ainda pode ir a vários ambientes, sendo vip: do quarto pra sala, da sala pra cozinha, da cozinha pro banheiro, e tudo de graça. Olha que maravilhoso!

— Não tem graça, pai. – suspirou. Eu vou pro meu quarto, e vou avisar que eu não vou à festa, já que o meu pai fez o favor de estragar a minha graça. – subiu a escada, nervosa comigo.

Gente, eu sou um pai cuidadoso. Não sei quem são os donos da festa, e ela não iria mesmo se eu soubesse. A Sophie é virgem, e isso chama urubu, querendo possuir a minha filhinha. Ela não irá mesmo.

— Eu também vou pro quarto. – Lucas se despediu de nós, e saiu.

Emy me olhou de rabo de olho, e eu sabia que vinha chumbo grosso.

— Você não vai deixá-la ir, Gabe?

— Não. Eu confio nela, mas não confio nos outros.

— Deixa a Sophie ir, Gabe. O Lucas vai junto.

— Não, Emily. Ela não vai, e ponto final. – suspirei. – Podemos ir descansar, por favor.

— Ok! Já que você não vai mudar de idéia, não é. Você é um teimoso!

— Muito bem, meu amor. Ainda bem que me conhece. – sorri.

Subimos para o nosso quarto, e nos amamos muito, do jeito que e gosto.

***

Desci para o café da manhã, e os três já estavam me esperando. Era sábado, então eu passaria o dia todo com a minha família. Lucas e a Emy sorriram quando me viram, mas a Sophie abaixou a cabeça, e voltou a comer. Eu odiava esse olhar dela. Doía o meu peito, mas ela tinha que entender o meu lado. Não é fácil aceitar que a minha filha, a menina que eu carreguei em meus braços, quer sair com os amigos para uma festa. Lucas era a mesma coisa. Eu não conseguia entender que os meus bebês estavam adolescentes, e que logo estariam longe de mim.

Sentei-me e comecei a comer. Conversávamos, mas eu percebi que a Sophie estava monossilábica comigo. Eu odiava aquela distância entre nós, e queria que ela voltasse a ser a minha Sophie de sempre. Engraçada, meiga e carinhosa, mas ela era cabeça dura, e eu não sabia de quem tinha puxado esse gênio.

Assim que acabamos o café, escutamos a voz da pessoa que enchia a minha paciência, mas que eu tinha que conviver: Beck.

— Hello, pessoas lindas e Gabe. – não falei? Ela é irritante!

— Oi, madrinha. – Sophie correu, e a abraçou. – Oi, amiga.

Eu olhei para a Lara, e ela era uma boa garota. Ela era a melhor amiga da minha filha, e era da família. Olhei para o Lucas, que sorria. Hum... Ele não nega ser o meu filho. Esses olhos brilhando, suor e esse sorriso eu cheguei a uma conclusão: Lara será minha nora. Interessante. Ter a Beck por perto seria irritante, mas eu vou adorar ver a cara de desespero dela. Papai Gabe sabe das coisas do coração.

— Então, vamos para o dia de meninas? Vocês precisam se arrumar para a festa de hoje à noite. – Beck disse, animada.

Sophie olhou pra mim, e respirou fundo.

— Eu não vou à festa, madrinha.

— Por quê? Está doente? Mas vocês estavam combinando de irem.

— O meu pai não me deixou ir. – deu de ombros.

Pronto! Já estou pronto para as chibatadas da chatinha. Pode vir a surra de xingamentos.

— Eu não acredito nisso! É claro que você vai!

— Ela não vai, e nós já conversamos sobre isso. – falei, sem paciência.

— Ela vai! Pegue a sua bolsa, porque nós iremos ao shopping, querida.

Sophie correu para o quarto junto com a Lara, enquanto eu fuzilava a Beck com o meu olhar.

— Emily, você não fala nada? Ela é a nossa filha! –perguntei, enquanto a Emy ria. Eu não tenho mais credibilidade nessa casa.

— Eu sou a madrinha dela. A segunda mãe. Óbvio que ela vai à festa junto com a Lara e o Lucas.

— Ela não vai! – disse nervoso.

— Ela vai. E ainda vai com a roupa que eu escolher. Se reclamar, eu a mando ir de Kim Kardashian no modelo nua. Quer isso?

Como ela pode me desafiar desse jeito? É uma intrusa mesmo! Não basta cuidar da vida dela. Essa praga de fazenda tem que vir cuidar da minha.

— Ah, parou com essa briguinha, né? – olhou pra mim. – Deixe a garota ir, Gabe. É só uma festa!

— Não! É uma festa de adolescente.

— E essas são as melhores. Lembra quando a gente ia, Emy? E aquele cara que você deu uns pegas, e quase foi para...

O que? A minha mulher dando uns pegas? A Emy não fazia isso! Ela não era assim!

— Quem foi a mãozinha da família Adams que você deu uns amassos, Emily Campbell Hunter? Quero nomes.

— Ah, isso faz muito tempo, meu amor. Eu nem me lembro. – sorriu, me beijando.

— Ah, elas estão descendo. Então, Sophie, se o seu pai não deixar você ir, você pode muito bem fugir. Eu tenho um ótimo truque e que nunca falha.

— Nem morto que a minha filha vai fugir!

— Ou ela vai à festa por bem, ou ela foge.

— Madrinha, não precisa disso.

— Claro que precisa, Sophie. Então, papai ciumento, qual é a escolha?

Não me encurralem. Eu não consigo pensar sobre pressão das pessoas. Eu não sei o que decidir. A Beck é muito a cara da Felícia daquele desenho animado, e tem idéias que deixam o Alex maluco. Ela pode muito bem ensinar algo para a minha filha, e fazer a cabeça dela. Não sei o que pensar, mas o silêncio diz tudo. Melhor se juntar com o lado negro da força.

— Que bom que você aceitou os meus termos, Gabe. Vamos pessoal? Lucas, querido, você também pode vir. Vamos escolher uma roupa para você.

Olha o bando da traição. Tudo traidores. Eu achando que a minha família estava do meu lado, mas tudo foi para o lado negro da força.

— Vão. Podem ir todos. Quando vocês chegarem e eu não estiver em casa, não quero que vão atrás de mim. Talvez eu esteja morando na rua, com fome, frio e sede, mas eu estarei bem. Estarei com o coração partido com essa traição, mas Deus sabe a dor que eu estou sentindo será uma lição para a vida. – falei, mas nem me ouviram.

Tudo bem! Estou sendo tratado como um nada. A minha opinião não vale nada por aqui. Saíram e nem me chamaram. Ok! Eu vou ficar bem e não vou chorar. Sou forte. Vou ali pegar um pote de sorvete, e assistir algum filme do Nicolas Sparks, mas eu sou forte.

Demorou séculos para eles voltarem, e eu fingi que não me importava com isso. Eles tinham me traído, e vai saber qual fantasia tinha escolhido para essa tal festa. Só faltava terem comprado uma roupa curta. Isso é querer acabar comigo. Voltei a me focar no trabalho, que eu nem deveria estar adiantando, mas era um meio de me distrair. Acabar com todo esse estresse que estava me rondando.

— Gabe, eu posso entrar? – olhei para a porta, e vi a minha linda mulher parada bem ali. Emy era a solução para todos os meus problemas, e era a causa também.

— Pode. – voltei a trabalhar, esperando-a falar o que queria.

— Está muito ocupado? – perguntou. – Se você estiver, eu volto depois.

— Não. Eu só estou adiantando algumas coisas, mas pode falar, princesa. – olhei para ela, que ficou na minha frente.

— Gabe, eu odeio quando você fica sério desse jeito. – suspirou. – Eu quero o Gabe sarcástico de volta. Eu quero o meu Gabe de volta.

— Eu estou aqui, Emily.

— Não. Esse não é o meu Gabe. O meu Gabe estaria fazendo alguma piada, rindo e dramatizando por alguma coisa. Você está sério, com a cara fechada e até agora não soltou nenhuma piada. O que está acontecendo?

Eu odiava ficar sério por muito tempo. Dizem que dá rugas, e eu não ter isso em meu rosto.

— Eu posso estar parecendo infantil, mas é sobre a Sophie. Não necessariamente sobre essa tal festa que ela vai, mas é a falta de obediência dela. Parece que eu não sou nada dentro dessa casa. Eu tinha dito que ela não iria, mas foi a Beck chegar, e todo mundo deu ouvidos a ela. Poxa, Emily! Eu sou o pai deles e o seu marido. Temos que tomar decisões juntos sobre os nossos filhos, não tomar decisões com a Beck. Por um acaso ela implantou um pênis e se chama Gabe? Não! Eu sou o Gabe! O único pai e seu marido. É difícil não ser escutado, e ter que ouvir barbaridades da boca da sua amiga. Isso me magoou.

— Ah, Gabe. – suspirou.

— Não quero que tenha pena de mim, mas pode chorar, me fazer carinho e me beijar.

— Eu sei que a Beck exagerou com aquele jeito dela, e eu já conversei sobre isso. Ela percebeu que exagerou, e pediu desculpas. Eu deveria ter te escutado, já que você que é o pai deles. Do mesmo jeito que eles também deveriam ter te escutado. A Sophie só quer ir a essa festa com as amigas, nada mais. Você já teve a idade deles, e sabia que essa vontade de sair para as festas iria aparecer. – sorriu. — Meu amor, nós estamos criando filhos maravilhosos. Sempre conversamos com eles sobre tudo. Deixe-os ir, pelo menos um pouco.

Odeio quando tentam me convencer, e eu acabo sendo convencido. Maldito cérebro traidor. Ele deveria obedecer aos meus comandos.

— Mesmo eu não gostando, eu os deixo ir. – ela sorriu. – Mas, terão que chegar no horário que eu estipular e não poderão passar desse horário.

— Ok, meu amor. Eu vou falar com eles. – sorriu.

— Deixe que eu falo, assim eu mostrarei que eu não sou um monstro.

— Ok, papai monstro. – riu, e me beijou.

Fui até o quarto do Lucas, e o chamei. Queria conversar com os dois de uma vez só, e dar alguns avisos importantes. Ele e seguiu até o quarto da Sophie. Bati na porta, mas ela não abriu. Será que estava tão brava comigo, que nem a porta ela queria abrir?

— A sua irmã estava brava comigo? – perguntei para o Lucas.

— Ela estava chateada.

— Devo me preocupar? – ele deu de ombros. – É que as mulheres têm aquelas coisas de TPM. Será que eu devo pegar a água benta e me benzer? Se a sua irmã estiver brava, você a distrai e eu saio correndo. Ou, eu finjo um desmaio, e tudo dá certo. Entendeu, filho?

— Pode deixar, pai. Abra a porta devagar. – pediu.

Eu fui abrindo devagar, e parecia que não tinha ninguém. Abri mais um pouco, e a vi deitada na cama, falando com alguém no celular.

— Ah, claro que não. – ela riu. – Eu não estou brava com o meu pai. Só chateada com tudo isso. Eu odeio ficar sem falar com ele. – disse, ficando sem silêncio. – Eu sei, Nathan. – hum, então é com o projeto de George que ela está falando. Interessante. – Eu vou à festa com o meu irmão e a Lara, eu não vou sozinha. Não, eu não vou dançar com qualquer um. Eu sei, Nath. Eu vou ter cuidado.

Porque ele estava tão cuidadoso com a minha filha? Suspeito. Eu preciso ter uma conversa, só que do meu jeito, com esse projeto ladrão de virgindade. Pode roubar a dos outros, não a minha.

— Sophie! – eu chamei com a minha voz imponente, e puxei o Lucas para ficar do meu lado.

— Pai? – me olhou assustada. – Depois eu falo com você, Nathan. Beijos. – desligou o telefone e olhou pra mim. – Veio me proibir de mais alguma coisa, pai?

— Eu deveria te proibir de ser afilhada da Beck, mas já que eu não posso. – dei de ombros. – Vim falar com vocês dois. – Lucas se sentou junto com a Sophie. Os dois me olharam com aquele olhar de filho pidão. –Eu pensei muito, conversei com a mãe de vocês e eu decidi que podem ir à essa tal festa.

— Jura? Ai, muito obrigada, pai. – Sophie correu e me abraçou como se estivesse ganho um mega prêmio.

— Não se anima tanto. Vocês vão, mas com algumas ordens.

— Estava muito bom para ser verdade. – falaram.

— Eu quero que vocês estejam em casa 20h30. Sem um minuto a mais.

— Pai, mas a festa começa às 20h00. – Lucas falou.

— Ótimo. 30 minutos curtindo a festa já é o suficiente, já que não bebem, não fumam e não fazem pecadinhos.

— Mas é muito pouco tempo, pai.

— Sophie, em 30 minutos dá para dançar, sozinha, claro. Ah, comer, conversar alguma coisa rápida e vir embora. Dá tempo de se divertir.

— Se for assim, então eu nem vou.

— Ótimo, Sophie. Foi bom negociar com vocês.

— Eu vou escondida. – cochichou com o Lucas, achando que eu não iria escutar.

— Vai escondida pra onde? Vocês acham que eu não conheço os paranauê de adolescente. Eu já fui um, e era o mestre nos planos. Enquanto vocês vêm com os tijolos, e já fiz a casa, queridos. – sorri. – Ok! Depois não falam que eu não sou um pai bonzinho. Quero vocês às 22h30 aqui em casa. Se passar desse horário, eu vou até a festa, vestido com aquela fantasia de bananas de pijamas, e chamo por vocês dois. Querem isso?

— Não! – responderam.

— Ótimo! Não quero que bebam, fumem e não peguem nada de ninguém. Se chamarem vocês, finjam desmaio. Não se desgrudem e evitem ficar muito perto de meninos. – olhei para a Sophie, que concordava com tudo. – Estamos entendidos?

— Super entendidos, pai. – Lucas concordou.

— Faremos tudo isso. E é só uma festa do colégio. – ela sorriu.

— É bom que façam, porque vocês sabem que eu descubro tudo. Tenho vigias em todos os lugares.

Eles e olharam assustados, e eu mantive a pose.

— Eu vou deixar vocês se arrumarem, e não se esqueçam do que eu disse.

— Não iremos.

Eu sai, e encontrei com a Emy em nosso quarto.

— Resolveram todas as questões da festa? – perguntou.

— Claro! Estou super de boa com isso. Já combinamos, dei umas dicas de curtição e eles aceitaram. – sorri.

— Eu imagino as suas dicas de curtição. – riu.

— Você sabe que eu sou o mestre nesse assunto de curtir, principalmente a minha mulher. Eu curto tudo o que ela faz.

— Curte? Eu acho que ela adora saber disso.

— Eu tenho certeza. – sorri, beijando cada parte da minha bela esposa.

***

— O que é isso? Que fantasia é essa? Pega a máquina de costura, que eu vou costurar uns panos para colocar onde falta. Emy, pega pano das cortinas, e vamos arrumar essa fantasia.

— Não vai fazer nada, Gabe. É uma fantasia de odalisca.

— Eu falei que o papai não iria gostar. Nem eu gostei disso ai. É muita transparência para o meu gosto. – Lucas reclamou, e eu concordo com ele.

— Você não precisa gostar. Você é o meu irmão, não o meu... – ela não completou a frase, e olhou pra mim.

— É bom que não seja namorado, senão o papai vai pegar pena de morte por assassinato.

— Que exagerado vocês dois. Filha, você está linda! E você, meu filho, está perfeito. Meus dois amores. Vem, vamos tirar uma foto dos dois. – sorriu. – Prontinho.

— Ai, o bebê da mamãe está de príncipe. Que coisinha mais fofa! – Sophie riu da cara dele.

— A sua fantasia deveria ser de gnoma. Combina mais com o seu tamanho.

— Cala a boca, Lucas!

— Cala você!

— Parou! Se começarem a brigar, eu uso o meu método de ensino e não os deixo sair mais. – falei.

— Quem está brigando? Estamos de boa, não é, irmãozinho?

— Claro, irmã linda.

— O Alex chegou. Bom, o pai de vocês já conversou, deu a hora de voltar e eu espero que se divirtam. Não façam o que eu faria.

— É bom que não façam mesmo. – falei, mostrando os meus olhos, como se eu estivesse de olho.

— Podem deixar. – nos beijaram, e saíram.

Eu fiquei olhando os meus filhos saírem, e senti uma coisa dentro de mim, e não eram gases. Não era um sentimento de que fosse acontecer algo, mas era um vazio. Vê-los sair, como se não precisassem mais de mais, porque já são maduros o suficiente, me doeu. Eu queria que eles nunca saíssem de perto de mim, e que sempre me gritasse quando alguma coisa quebrou, e estão com medo da Emy. Quando querem pegar algo que está no alto. Para preparar o leite deles, levá-los à escola, cantar músicas infantis e vê-los dormir. É difícil dizer que eles cresceram.

— Ei, não fique pensando muito. Logo eles estão de volta.

— Eu sei. – sorri.

— Então, nós temos a casa todinha para nós. Não precisamos ficar com medo de alguém aparecer.

— Hum, tenho planos.

— Eu adoro os seus planos. São os melhores.

— Eu sei que são.

— Que convencido.

— Gostoso. – sorri, e a peguei no colo, colocando-a no sofá. – Enquanto eles se divertem por lá, nós nos divertimos por aqui.

E foi pura diversão e tesão.

***

Falta 1 minuto para dar a hora que eu os mandei chegar. Já estou quase furando o chão, e vendo petróleo, mas eles não chegam.

— Eles já estão vindo.

— Eu espero que sim, senão, o eu pijama já está preparado.

— Quanto exagero.

— Eu não sou exagerado, eu sou realista.

Escutamos o barulho de um carro, e depois as vozes deles. Glória ao pai! Eles chegaram. Lucas abriu a porta, e eu analisei os dois. Estavam bem, não estavam bêbados. Os dois estavam com os dois braços e as duas pernas. O batom dela não estava borrado, cabelo no lugar e ele estava tranquilo, sem nenhum machucado de briga. Estava tudo bem.

— Chegamos no horário certo. – falaram.

— Ainda bem, senão o papai aqui iria chegar com aquele pijama.

— Não precisa, pai. – Sophie falou.

— A festa estava boa? – perguntei.

— Estava. Foi bom estar com os amigos. Eu estou cansada. Vou tomar um banho e ir dormir

— Eu também.

Despediram-se de nós, e subiram. Pelo menos estava tudo bem, conforme o meu planejado.

— Prontinho, Gabe. Podemos ir para a cama?

— Claro.

Acordei de madrugada, e decidi tomar um copo com água. Abri a geladeira, e me bateu uma fome. Fiz um copo de leite com achocolatado, e peguei um pedaço de bolo. Sentei-me na cadeira, e comia em silêncio, quando escutei a voz da Sophie.

— Pai, está tudo bem?

— Claro, filha. Quer um pedaço.

Ela me olhou por uns instantes, e sorriu.

— Claro. – pegou uma colher, e sentou-se ao meu lado. – Lembra quando tinha um único pedaço de bolo, e eu tinha que dividir com o Lucas? Eu odiava dividir comida, ou melhor, eu ainda odeio, mas eu sempre dividia com você. Qualquer coisa era sempre com você.

— Eu lembro. – sorri, nostálgico. – Quer o leite?

— Sim, porque você faz o melhor leite com achocolatado do mundo!

— Eu faço?

— Claro que faz. Você o deixa doce na medida certa, e não fica forte. Eu amo!

— Pode continuar me elogiando. – brinquei.

— Sabe, pai, hoje eu fiquei chateada com o senhor por causa da festa, mas eu me arrependi imediatamente. Eu odeio ficar sem falar com você. Dói dentro de mim, e eu não sei fazer nada sem você ao meu lado. Enquanto eu estava na loja, eu pensei em desistir de ir, mas a mamãe disse que iria conversar com você. Eu não quero que pense que eu não te obedeço, porque eu sempre irei fazer isso. Você é o meu pai. Eu só queria sair com os meus amigos. – deu de ombros.

— E você gostou da festa?

— Gostei, mas eu mesmo tempo eu me senti deslocada. Não sei o motivo, mas eu fiquei pensando no senhor, na mamãe e no seu pijama de bananas. – riu. – Pode parecer maluco, mas eu gosto dessa proteção toda. Isso me faz e sentir amada, cuidada e protegida. Eu sei que vocês estarão comigo e, se eu errar, irão estar ao meu lado. Mesmo com o senhor fingindo desmaio. – sorri. – Tem uma menina no colégio, que o pai dela nunca está presente. Ele nunca a leva ou a busca. Não vai às reuniões, ou em datas comemorativas. O pai dela só viaja e nunca tem tempo. Uma vez, ela viu você indo me levar, e me falou uma coisa que me fez pensar.

— O que ela te falou, Sophie?

— Que eu era uma menina de sorte.

— Por quê?

— Porque eu tinha um pai que era um pai de verdade. Que acompanha todas as fases da minha vida. Que sempre vai às reuniões, festas do colégio, acorda cedo para e levar, e tira um tempo do seu almoço para nos buscar. Que me beija sempre com carinho, me abraça e fala que me ama. Não é por questão de presente, mas por presença. Ela não tem a mesma sorte que eu tenho de ter um pai tão incrível, e uma mãe maravilhosa. Um pai ciumento, mas com um coração enorme, que para o seu mundo para poder ver a minha felicidade e a do Lucas. Pode não parecer, mas eu te amo, papi. Eu te amo muito, e sou capaz de qualquer coisa para sempre tê-lo comigo. Se fosse para escolher um pai, eu escolheria você, sem duvida alguma. Eu, o Lucas e a mamãe temos a sorte de tê-lo em nossas vidas.

— Ah, minha filha! Agora você me fez chorar, e meu nariz vai entupir. – rimos. – Eu é que sou tão abençoado pela família que eu consegui construir. Eu paro o meu mundo por vocês. Morreria por vocês, sem pensar duas vezes. Sou um pai e um marido orgulhoso pela família que eu tenho. Nunca duvide do meu amor por vocês. – eu a abracei, e beijei a sua testa.

— É muito bom poder estar em casa, junto com vocês.

— É muito bom poder ter os meus três maiores amores da minha vida, aqui, na nossa casa.

— Eu te amo, papai.

— Eu te amo muito mais, minha filha.