Eternamente
56 Capítulo 56 - penúltimo capítulo
Notas iniciais
Os meses foram se passando, e eu já estou aqui, com quase nove meses. Sim! Nove meses! Daqui a uma semana eu entro no nono mês de gestação. Os meses passaram tão rápido, assim como a toda a arrumação da minha nova vida. Já estamos na nossa casa, arrumamos tudo, e está lindo. O quarto dos gêmeos está decorado, e ficou a coisa mais perfeita do mundo. Eu amo ficar sentada na poltrona e olhar, cheirar as roupinhas e abraçar. Falta tão pouco para tê-los em meus braços. Estou contando os dias para que isso aconteça. Nossa família está tão animada, que ligam sempre, e meus pais e padrinhos vivem aqui em casa, mesmo morando perto da gente. Sobre o Gabe, o que eu posso dizer? Ele continua a mesma coisa. Não! Ele piorou com o avanço da minha gravidez. Não me deixa fazer praticamente nada. Nada! Quer que eu tome banho sempre quando ele estiver em casa, ou com ele. Não posso andar muito tempo, porque posso cansar, e os meus pés incharem mais ainda. Não posso comer isso, ou aquilo. Ele fez uma tabela de horários e comidas que eu sou terminantemente proibida de comer. Quase acabei com ele, mas do jeito que é teimoso. Eu entendo o lado dele, mas ele acha que tudo me fará mal, ou que os bebês não podem. Esses dias eu estava mascando um chiclete, e eu engoli sem querer. Sabem o que ele fez? Ficou maluco! Disse que ia grudar nas minhas tripas, que eu teria que fazer cirurgia, porque isso pode ir para o cordão umbilical dos bebês. Foi o maior drama. Eu dei um grito, e ele parou na hora. Eu amo toda essa preocupação, mas o Gabe é muito exagerado, mas eu amo esse homem, gente! Como viver sem ele? Não dá. Isso é algo impossível, não é?
Onde eu estou? Estou deitada na minha enorme cama, esperando o meu marido chegar do trabalho. Ah, deitada não. Eu estou jogada aqui. Minha barriga está maior do que a todos os planetas do sistema solar. Eu já imaginava que ficaria grande e pesada, mas não desse jeito. Estou enorme de um jeito que eu nunca pensei que ficaria. Minha barriga está ficando cada vez mais difícil de carregar, meus pés inchados, minha coluna dói e eu não consigo achar posição para dormir. Eu li sobre isso, mas vivenciar é outra coisa. E os desejos? Meu Deus! Eu queria comer o universo, mas o Gabe me proibia de exagerar, ele sabia quando era desejo ou quando era gula. Então eu não conseguia enganá-lo. Fora o desejo por sexo. Eu sentia muito, ou melhor, eu ainda sinto, mas com essa barriga enorme, está sendo impossível e o meu querido marido acha que eu vou quebrar só por respirar um pouco mais forte.
Escutei o carro dele, e sorri. Finalmente ele estava em casa, e eu poderia tentar me aconchegar em seu peito e ficar abraçada ao meu maridinho. Não demorou nada, e eu o vi entrando pela porta do nosso quarto. Meu Deus! Esse homem fica cada dia mais lindo. Ele está usando esse terno que o deixa sexy, quente e gostoso pra caramba. Quem vê acha que é sério, mas nós o conhecemos bem o bastante, né? De sério ele não tem nada. Ele sorriu quando me viu, e eu suspirei com aquele sorriso que me deixa de pernas bambas.
— Oi, minha bolinha.
O que? Ele me chamou de bolinha? Ai, meu Deus! Eu sabia que eu seria vitima dos apelidos dele, mas não é agradável.
— Bolinha? Você me chamou de bolinha? – perguntei, me desmanchando em lágrimas.
Isso era uma coisa frequente. Eu estava sensível pra tudo e uma bomba relógio que podia explodir a qualquer hora. Minha mudança de humor estava me enlouquecendo, e enlouquecendo o Gabe.
— Coxinha. Eu falei que "Oi, minha coxinha". – ah, não adianta disfarçar, querido.
— Mentira. Você me chamou de bolinha, e não minta pra mim. – gritei.
Eu falei pra vocês. As lágrimas foram embora, a raiva me consumiu.
— Eu? Isso fere a minha dignidade, Emily. – lá vem o drama. – Chego à minha própria casa, e sou apedrejado verbalmente. Realmente, eu não sou querido. Dói saber disso, sabia? Eu falei coxinha, que deveria ser elogio de tão gostoso que é, e você acha isso uma ofensa. Tudo bem, eu vou engolir o choro, mas saiba que estou ferido por dentro. – respirou fundo, e colocou a mão em seu coração. Tão típico.
— Sem dramas, Gabe. E eu sei o que escutei, e isso me fere. Eu estou encalhada na cama, e você me chama de bolinha. Os bebês sentem quando a mãe deles fica chateada.
Ele me olhou seriamente, e eu quero que ele sinta aquela culpazinha. Não sou má, mas eu adoro me divertir com o Gabe.
— Jura? Droga! Eu vou pensar antes de falar qualquer coisa. – deu de ombros. – Desculpe-me, princesa.
— Tudo bem. – sorri. – Como foi o seu dia?
— Cansativo, e eu não via a hora de vir embora e ficar com vocês três.
— Eu também. Mas eu estou cansada de não fazer nada.
— Mas você faz, Emy. Só de viver e respirar, a pessoa já está fazendo alguma coisa.
— Gabe, eu estou falando sobre algo para passar o tempo. Sei lá. Eu tentei fazer crochê, mas não me dei muito bem. Pintura também não deu muito certo.
— Já tentou escrever um livro? Tem aquela lista das três coisas para se fazer antes dos trinta. Você já plantou uma árvore, praticamente já é mãe e agora falta escrever um livro.
— Gabe, eu não tenho tanta criatividade para escrever um livro. Eu adoro escrever, mas sobre o que eu iria falar?
Ele fez aquela cara de quem está pensando, e sorriu. Lá vem alguma ideia mirabolante.
— Poderia falar sobre a nossa história de amor. Seria tocante. Ou, você poderá dar dicas de como conviver com um marido lindo como eu. – piscou. – O que você acha?
Eu ainda acho que o Gabe bateu com a cabeça quando nasceu, ou bebeu água do parto. Ele não é normal.
— Eu acho que eu preciso de outro passatempo. Escrever um livro não seria comigo, não agora. Eu já arrumei as roupinhas dos bebês, a mala e o quartinho. Estou cansada de ficar deitada. – pensei em algo, e me veio uma ideia. — Uh, eu já sei. Eu poderia fazer algum exercício, ou melhor, eu poderia fazer hidroginástica. Seria legal, né?
— Ah... Legal? Eu acho que isso é um perigo, meu amor.
— Por quê?
— Princesa, piscina não é confiável, principalmente água. A única água em que eu confio é para beber e tomar banho. O resto é resto.
— Que besteira, Gabe.
— Não! Isso está nas minhas estatísticas. E se você escorregar? Ah? Perigo! E se você engolir água da piscina, e essa mesma água for parar no cordão umbilical dos nossos filhos, e eles passarem mal? Ah? Perigo! Acho que não, Emy. Melhor não mexer com esse negócio de hidroginástica.
De onde ele tira isso? Gabe deve ter um baú de imaginações dentro dele, porque ele pensa em cada coisa.
— Gabe, você está ficando bem maluco, sabia?
— Não, princesa. Isso está nas minhas estatísticas de pai. Eu sinto isso.
— Ok! Não adianta tentar você mudar de ideia, porque é impossível. Mas eu vou pensar em algo para fazer nessas últimas semanas de gravidez.
Ele sorriu, e me abraçou mais forte.
— Eu não acredito que logo iremos conhecer os nossos filhos.
— Nem eu, Gabe. Estou contando os dias para isso acontecer.
— Que dia é a próxima consulta? – ele perguntou.
— Amanhã.
— Espero que a sua médica dê o dia exato para eles nascerem.
— Verdade. – olhei para cima da mesinha do nosso quarto, e vi um envelope. – O que é aquilo?
Ele olhou, e pegou o envelope.
— Mandaram me entregar lá no escritório.
— O que será? Pode abrir, porque estou bem curiosa.
Ele sorriu, e foi abrindo o envelope. Ao ver o que era, ele olhou pra mim com uma cara bem estranha.
— O que foi? – perguntei, morrendo de curiosidade.
— Um convite de casamento.
— De quem?
— Da Patrícia.
A Vacatrícia? Quem é o louco que aceitou se casar com ela?
— Quem é o louco? – perguntei.
— Parece que é um lorde francês, com um nome estranho, que parece comida.
— Coitado! E ela ainda teve a audácia de mandar convite de casamento?
— Bem, aqui só está o meu nome.
— O que? – puxei o convite das mãos dele, e comprovei com os meus próprios olhos. Estava só o nome do meu marido. Vaca!
— Como ela tem a audácia de te mandar um convite? Que raiva! Certeza que quer dar o golpe nesse lorde francês. Ela e a família toda, incluindo o irmão.
— Você duvida, princesa? Eu tenho certeza.
— Que se case, e fique bem longe daqui.
— Ciúmes?
— Talvez. – sorri.
— Sabe que esse corpo, meu coração e a minha alma são seus, querida.
— Acho bom. Sabe, já que você não quer que eu tome banho sozinha, bem que você poderia me ajudar.
— Com todo o prazer do mundo. – agarrou-me, levando-me até o banheiro, para um bom banho relaxante, se é que me entendem.
***
Eu e o Gabe estávamos na sala da minha provável última consulta antes dos bebês nascerem. Minha médica falou que o meu peso estava normal, mas não era ela que estava pesada, né? O importante é os meus bebês estarem bem saudáveis.
— Bem, Emily, os bebês estão ótimos, e logo, logo irão nascer. Já escolheu o tipo de parto.
— Eu andei pesquisando, e escolhi o parto normal.
Gabe olhou pra mim com os olhos arregalados, e ficou sem reação.
— Ótima escolha, Emy. Os partos normais são mais saudáveis, seja para a mãe e para os bebês.
— Eu vi sobre isso, e eu marquei um daqueles cursos sobre parto, sabe? Eu achei bem interessante para nós, que seremos pais de primeira viagem. Seria bom aprendermos com uma especialista todo o procedimento de ter um bebê.
— Isso é muito legal, Emily. – sorriu. – Bem, aqui estão as vitaminas para você tomar, e logo teremos outra consulta.
— Obrigada. – agradeci, e o Gabe fez o mesmo.
Durante todo o caminho, até a casa onde era o curso de parto, o Gabe ficou olhando estranho pra mim. O que está passando na cabecinha dele?
— O que foi?
— Você escolheu fazer parto normal, mas disse que pensaria sobre isso.
— Eu sei, mas eu acabei resolvendo fazer, Gabe. Conversamos sobre algumas opções, e eu acho que essa seria a melhor para os bebês.
— Claro, meu amor. O importante é a sua saúde e a dos nossos filhos. – sorriu.
Ele parou o carro em frente à casa, e me ajudou a descer. Estávamos no horário certinho. Uma moça muito simpática nos ajudou, e nos levou até a uma salinha, com vários tapetes, bolas e outras coisas que eu não sei pra que servia.
— Viemos fazer ginástica, ou um curso sobre parto? Eu não vim com a minha roupa de ginástica, Emy. Meus glúteos irão ficar duros?
— Para de graça, Gabe. – ri.
A professora pediu para que nós nos sentarmos e começou a explicar como seria o curso. Ele ensinou as respirações necessárias para ajudar na hora do parto. Gabe olhava para alguns casais, que estavam exagerando demais na hora da respiração.
— Gabe, para de ficar olhando.
— Você reparou naquele casal? Eu não sabia que o He-man seria pai.
He-man? Olhei para o rapaz, e ele tinha o cabelo bem parecido com ele. Segurei-me para não rir.
— Então, agora eu quero a presença dos papais para uma aula.
Olhei para o Gabe, que me olha assustado.
— Vai lá, Gabe. Você vai arrasar!
Ele me olhou desconfiado, mas foi. Todos os pais presentes estavam de frente para uma mesa, que tinha uma boneca, fraldas e um pote de talco.
— Papais, eu quero que vocês me mostrem se sabem trocar a fralda. Temos uma boneca, fraldas e um talco. Terão que mostrar o que sabem, e com um tempo cronometrando. Quando apitar, eu quero que todos parem, para eu ver o resultado, ok?
Gabe estava estático no lugar dele, e abriu a boca para falar alguma coisa, mas acabou não falando nada. Ele olhou pra mim, e eu acenei.
— 1, 2 e 3. Começou.
O Gabe ficou um tempo olhando para o bebê, e só depois entrou em ação. Pegou a boneca pelos pés, meu Deus! E não quero ver isso. Coloquei as mãos nos olhos, e imaginando o desastre que o Gabe estava fazendo. Ele pegou a boneca pelos pés. Tudo bem que é uma simulação, mas eu ainda não acredito que ele fez isso.
Escutei o apito, e tirei as mãos dos meus olhos. O Gabe estava todo sujo de talco. Um total desastre.
— Parece que não foi muito bem, Gabe. – a professora disse, mostrando os seus erros.
— Jura? Se não tivesse apitado, eu teria terminado.
— Mas tinham que ser rápidos. Uma criança tem pressa. O rapaz do lado conseguiu terminar.
— O projeto de He-man? Claro, ele tem a força. Só faltou gritar eu tenho a força!
— O que? – o rapaz perguntou.
— Nada contra você. – deu de ombros.
— Ok! Você não foi muito bem, Gabe. Sinto muito. – a professora falou, e o Gabe fez uma careta engraçada.
Eu sabia que ele não tinha prática, mas não consegui fazer nada. Ele sentou-se ao meu lado, e fechou a cara.
— Você foi ótimo, meu amor. – vamos dar apoio, né?
— Não precisa me dar apoio moral, Emy. – resmungou.
— Você conseguiu colocar o talco.
— Depois de me sujar todo. Que legal!
— Meu amor, você foi ótimo! – só o esforço dele valeu a pena.
Ele sorriu pra mim, e eu o abracei.
— A aula de hoje está terminando, e eu recomendo que vocês leiam sobre o parto normal, e qualquer duvida é só me perguntarem.
Nós nos despedimos, e eu não via a hora de ir para a minha casa.
***
Depois do jantar que pedimos, Gabe estava fazendo massagem nos meus pés. Ah, estava tão relaxante. Meus pés estavam tão inchados, que pareciam pés de elefante.
— Eu preciso treinar, Emy. Eu fui um desastre.
— Gabe, você pelo menos tentou, meu amor. Eu vou te ensinar, ok?
— Eu vou precisar muito da sua ajuda. Em tudo.
— E eu estarei aqui. Nós iremos aprender juntos. É um papel novo pra mim, mas o melhor de todos.
— Se aquela professora não tivesse apitado no meu ouvido, daria tudo certo. Porque as pessoas precisam colocar tempo? Tempo pra que? TIC TAC é o caralho! Porra, Emy, eu estava todo concentrado, e ela apita aquele apito do cão. Vontade de enfiá-lo no...
— Gabe!
— Ok! Eu só não usei das minhas ates dramáticas, porque não queria causar inveja, mas eu acho que ela estava mancomunada com o projeto de He-man.
— Claro que não, Gabe. Ela avisou que tinha o tempo.
— Você também, Emily. Ah? Tudo bem, meu coração dói com essa traição. Era pra você estar do meu lado.
— Sem dramas! E eu estou do seu lado, querido. Sempre! – falei, bocejando.
— Vamos, eu vou te levar pra cama. Vocês precisam descansar.
— Você não vai também?
— Eu preciso acabar com um trabalho, mas eu já vou para a cama com os amores da minha vida.
Gabe ficou comigo, até eu pegar em sono gostoso.
***
— Bom dia, meu amor. – cheguei à cozinha, e dei um beijo nele.
— Princesa, eu ia te levar o seu café da manhã na cama. Sabe que pode cair se ficar andando sozinha. Isso é um perigo! Porque não me chamou?
— Porque não precisa de tudo isso. – ri. – Gabe, eu estou grávida, não doente. Posso andar, mesmo eu pesando algumas toneladas.
— Não está pesando toneladas, princesa. E eu acho que deveria usar cadeira de rodas. E se você cair? Tropeçar? Deus me livre se isso acontecer com você, Emy.
— Não irá, querido. E eu não vou usar uma cadeira de rodas, Gabe. Que exagero! – falei, tomando u m gole do meu suco e comendo a minha salada de frutas.
— Você é muito teimosa, sabia?
— Você que é exagerado, Gabe.
— Eu não sou exagerado. Quem disse?
Eu olhei pra ele, e ri. Ele ainda acha que não é exagerado.
Ele apenas me olhou, e tomou o seu café.
— Emy, ontem à noite eu fiz uma pesquisas.
— Que pesquisas?
— Olha, você não vai fazer parto normal.
— Como assim? Nós já conversamos, Gabe.
— Você já assistiu algum vídeo de parto normal?
— Não.
— Então não assista. Foi aterrorizante, princesa. A mulher tinha uma super vagina, só faltou sair raio laser de lá. A vagina dela ficou elástica. Ela poderia fazer parte do quarteto fantástico, como a vagina elástica. Foi feio! Como uma criança consegue sair de lá? Eu não sei. E se não voltar ao normal? Vai ficar aquele balangandan por lá? A sua vagina vai bater palmas. Não dá!
Eu não aguentei, e cai na gargalhada. Como ele consegue associar essas coisas? O Gabe precisa ser estudado. Urgentemente.
— Isso é sério, Emily. Eu fiquei preocupado com isso. A mulher só teve um, e você terá dois. Imagina como irá ficar. Fora os gritos que ela dava. Muita dor, Emy.
— Gabe, a minha vagina não vai ficar desse jeito. – ri. E eu sei que dói, mas é o melhor para os bebês. Um parto saudável e sem riscos.
— Só corremos o risco de ficarmos surdos com os gritos, né?
— Você está insinuando que eu grito muito, Gabe Hunter?
— Eu? Você não deixou eu acabar de falar. Perigoso ficar surdo com os meus gritos, porque eu vou ficar muito preocupado.
— Que bom que não sou eu. – sorri.
Ele sorriu, me abraçando.
— E os meus bebês? Como vocês estão, meus amores? Papai está com saudades de senti-los. – beijou a minha barriga, e abraçou. – Logo iremos conhecê-los.
— Eu estou contando os dias para isso. Só os nomes que deixamos para escolhermos quando eles nascerem. Mas eu sinto que logo, logo eles estarão bem juntinhos da gente.
— Eu espero. Muito! Quero ver o meu meninão, e a minha mini princesa. – sorriu.
— Eu também. – beijei-o com tesão. Esse homem me deixava com tanta vontade, que eu enlouquecia com cada beijo que ele me dava.
— Eu preciso ir, meu amor. Por favor, se for sair, me ligue ou ligue para a minha madrinha. Pode ser perigoso qualquer tipo de...
— Eu sei, Gabe. – suspirei.
— Você sabe que eu te amo além do que qualquer coisa nessa vida, né? Vocês três são a minha vida! Por isso que eu me preocupo.
— Eu sei, meu amor. – sorri. – Eu te amo demais!
Ele se despediu, e eu voltei para terminar o meu café da manhã.
***
Eu estava acabando de me arrumar, quando a empregada me avisou que a Lis estava me esperando.
— Amiga! – dei um abraço, e pedi que ela se sentasse.
— Emy, você está cada dia mais radiante e linda. Meus sobrinhos estão bem?
— Estão muito bem, graças a Deus. Mas ainda vão ficar mais algumas semanas bem guardadinhos aqui na minha barriga.
— Como o Gabe está lidando com o fato de que, logo, logo terão dois bebês.
— Ele está bem animado e maluco de preocupação comigo.
— Isso é bem a cara dele. – sorriu.
— E você, Lis. O que me conta de bom?
— Eu e o George estamos muito felizes, Emy. Ele é um homem incrível! Faz-me sentir a mulher mais amada do mundo! A família dele também me maravilhosa! Eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida!
— Ah, eu fico muito feliz por isso, Lis. Você e o George merecem essa felicidade. Quero que tenha um casório logo, hein!
— Quem sabe. – riu. – Esses dias, nós estávamos falando sobre filhos, e queremos adotar um menininho. Não agora, mas logo. Quem sabe ele não pode ser o namoradinho da minha sobrinha.
Namoradinho da minha filha? Sei não.
— Alguém enfarta se ouvir isso. – gargalhamos.
— Quem sabe não acontece, Emy.
— Deixa as coisas acontecerem, Lis. Mas eu quero um sobrinho logo, hein!
— Pode deixar! – riu.
Lis ficou a tarde toda comigo, e nem vimos a hora passar. Gabe voltou do trabalho, jantamos, demos um ótimo amasso no sofá e depois na cama. É de madrugada, e eu não estou me sentindo muito bem. Minha barriga está pesando mais do que o normal e eu estou com uma dorzinha. Levantei-me da cama, e fui me sentar no sofá. Uma dor atingiu a minha barriga, e eu estava chorando de desespero. Não consigo me levantar direito, e começo a chamar pelo Gabe, que não demora muito a chegar.
— Emy, o que aconteceu? – perguntou, preocupado.
— Bebê! – eu só conseguia dizer isso, porque estou com muito medo.
— Você quer beber? Eu acho que deve ter suco na geladeira, ou você prefere água? Nada de bebidas alcoólicas, Emy. – riu.
Essa não era uma boa hora para ele rir. Eu estou com dor, e ele rindo.
— Gabe...
— Quer uma batida sem álcool? Eu posso fazer se você quiser.
Eu puxei a camisa dele, e olhei bem em seus olhos.
— Gabe, os bebês irão nascer! Eu estou com dor!
Ele se levantou correndo, e ficou parado me olhando.
— Ok! Os bebês irão nascer. OK! – ele não sabia o que fazer.
Ele me ajudou a levantar, quando eu senti algo molhado descendo pelas minhas pernas.
— Você fez xixi de tanta dor? Ou...
— Sim, a bolsa estourou, Gabe! Os bebês irão nascer, e agora é pra valer! – era um misto de alegria com medo.
Gabe
Nove meses se passaram. Pois é, o tempo voou, e ele me trouxe só coisas boas. Eu estava trabalhando junto com o meu pai, e ele estava adorando essa aproximação. Tudo o que aprendi da vida profissional, eu me espelhei nele. Estou morando com a minha esposa, na nossa própria casa, que já está montada e arrumada do nosso jeito. O quartinho dos gêmeos está lindo, e eu amo entrar lá e ficar olhando. E a minha linda esposa está quase para ter os nossos filhos. Ainda faltam algumas semanas, mas está chegando. A minha preocupação aumentou, mas ela acha que eu estou exagerando. É exagero eu achar perigoso que ela engula o chiclete? A minha vó vivia dizendo que grudava das tripas, então vai saber se não pode ir para os bebês. Acho isso um perigo! Não quero que ela ande sozinha, porque pode cair e que não tome banho sozinha também. Só isso! Ela vive dizendo que está mais pesada que o normal, mas são dois bebês. E ela continua sexy pra caralho! Mesmo sem o sexo, a gente consegue se divertir, porque aqui é diversão garantida e compromisso com o consumidor. O que eu prometo, eu cumpro! Não exageramos, mas sabemos os nossos limites.
Eu estava voltando para a casa, depois de um dia cansativo. Eu só quero chegar, e ver a minha bela esposa. Peguei o caminho mais perto, pensando no que me esperava quando eu chegasse a casa. Estacionei o carro, e peguei as chaves. Vi que ela não estava na sala, então estaria no nosso quarto. Subi as escadas, e abri a porta bem devagar. Ela estava deitada, linda e sexy. Eu sorri, e ela me deu u m sorriso de volta. A minha mulher é muito perfeita! A cada dia eu a amo mais.
— Oi, minha bolinha. – brinquei.
Ela me olhou assustada, e seus olhos se encheram de lágrimas.
— Bolinha? Você me chamou de bolinha? – perguntou, se desmanchando em lágrimas.
Merda! Eu e a minha boca grande. Mas é um apelido fofo. Eu pensei em bolinha de queijo, que é gostoso. É um carinho, mas ela não me entendeu.
— Coxinha. Eu falei que "Oi, minha coxinha.
Disfarça, Gabe, pelo amor de Deus.
— Mentira. Você me chamou de bolinha, e não minta pra mim. – gritou.
Ai, meu Deus! Agora vem a raiva. Eu tenho medo quando uma mulher está com raiva, principalmente a minha mulher. Vocês acham a Emy calma? É porque não sabe como ela ficou depois que ficou grávida. Ela me olha com os olhos pequenos, as narinas dela abrem como se quisesse roubar todo o oxigênio do mundo e a ela fecha bem a boca. É ela fazer essa cara, e eu estar a um passo do caixão.
— Eu? Isso fere a minha dignidade, Emily. Chego à minha própria casa, e sou apedrejado verbalmente. Realmente, eu não sou querido. Dói saber disso, sabia? Eu falei coxinha, que deveria ser elogio de tão gostoso que é, e você acha isso uma ofensa. Tudo bem, eu vou engolir o choro, mas saiba que estou ferido por dentro. – respirei fundo, e coloquei a mão em meu coração.
— Sem dramas, Gabe. E eu sei o que escutei, e isso me fere. Eu estou encalhada na cama, e você me chama de bolinha. Os bebês sentem quando a mãe deles fica chateada.
Será? Será que eles imaginam o que eu penso? Eu já criei tantos apelidos para grávidas, então nenhum bebê deve gostar de mim. Meu Deus! Eu preciso para de ser tão malvadinho.
— Jura? Droga! Eu vou pensar antes de falar qualquer coisa. – deo de ombros. – Desculpe-me, princesa.
— Tudo bem. – sorriu. – Como foi o seu dia?
— Cansativo, e eu não via a hora de vir embora e ficar com vocês três.
— Eu também. Mas eu estou cansada de não fazer nada.
— Mas você faz, Emy. Só de viver e respirar, a pessoa já está fazendo alguma coisa.
Eu acho justo! A pessoa tem que respirar, e isso faz funcionar várias coisas que eu não sei o que são. Fazer o sangue bombear pelo corpo todo, e chegar ao nosso coração dá um trabalho. Então, quando a sua mãe dizer que você não faz nada, diga que está fazendo o sangue bombear o seu corpo, o que te faz manter vivo. É um trabalhão.
— Gabe, eu estou falando sobre algo para passar o tempo. Sei lá. Eu tentei fazer crochê, mas não me dei muito bem. Pintura também não deu muito certo.
Ela pegou a agulha e o crochê, olhou e desistiu. Por isso que não deu certo.
— Já tentou escrever um livro? Tem aquela lista das três coisas para se fazer antes dos trinta. Você já plantou uma árvore, praticamente já é mãe e agora falta escrever um livro.
— Gabe, eu não tenho tanta criatividade para escrever um livro. Eu adoro escrever, mas sobre o que eu iria falar?
Escrever não é fácil, mas ela pode falar de uma coisa linda, que ela vê todos os dias: eu! Poderia falar sobre nós, ou como conviver comigo. Iria ser líder de vendas.
— Poderia falar sobre a nossa história de amor. Seria tocante. Ou, você poderá dar dicas de como conviver com um marido lindo como eu. – pisquei. – O que você acha?
— Eu acho que eu preciso de outro passatempo. Escrever um livro não seria comigo, não agora. Eu já arrumei as roupinhas dos bebês, a mala e o quartinho. Estou cansada de ficar deitada. Uh, eu já sei. Eu poderia fazer algum exercício, ou melhor, eu poderia fazer hidroginástica. Seria legal, né?
Hidroginástica? Eu acho que não! É aquele negócio que fica na água, e pula pra lá e pra cá. Ah, eu acho isso um perigo! E se cair? Deus me livre! Água é traiçoeira.
— Ah... Legal? Eu acho que isso é um perigo, meu amor.
— Por quê?
— Princesa, piscina não é confiável, principalmente água. A única água em que eu confio é para beber e tomar banho. O resto é resto.
— Que besteira, Gabe.
— Não! Isso está nas minhas estatísticas. E se você escorregar? Ah? Perigo! E se você engolir água da piscina, e essa mesma água for parar no cordão umbilical dos nossos filhos, e eles passarem mal? Ah? Perigo! Acho que não, Emy. Melhor não mexer com esse negócio de hidroginástica.
Meu coração até palpita com a ideia disso. Os bebês não se alimentam pelo cordão umbilical? Então eles devem beber também, né? Água de piscina é nojento. As pessoas fazem xixi nelas. Eu mesmo já fiz xixi na água da piscina. E acontecer alguma com eles. Eu morro!
— Gabe, você está ficando bem maluco, sabia?
— Não, princesa. Isso está nas minhas estatísticas de pai. Eu sinto isso.
— Ok! Não adianta tentar você mudar de ideia, porque é impossível. Mas eu vou pensar em algo para fazer nessas últimas semanas de gravidez.
Ela pode apenas continuar sendo ela mesma, que isso já a melhor coisa pra mim.
— Eu não acredito que logo iremos conhecer os nossos filhos.
— Nem eu, Gabe. Estou contando os dias para isso acontecer.
— Que dia é a próxima consulta? – perguntei.
— Amanhã.
— Espero que a sua médica dê o dia exato para eles nascerem.
— Verdade. O que é aquilo?
Olhei para o envelope, que eu tinha esquecido que estava ali. Recebi enquanto estava trabalhando e nem liguei muito.
— Mandaram me entregar lá no escritório.
— O que será? Pode abrir, porque estou bem curiosa.
Sorri, e abri o envelope. Ao ler do que se tratava eu olhei pra ela. A Emy não iria gostar daquilo, e ela não poderia ficar nervosa. Mas ela é muito teimosa para eu esconder, como se nada tivesse acontecido.
— O que foi? – perguntou.
— Um convite de casamento.
— De quem?
— Da Patrícia.
— Quem é o louco? – perguntou.
— Parece que é um lorde francês, com um nome estranho, que parece comida.
É um tal de lorde Jean Croi... Croiss... Ah, um tal de Jean Croissant aqui. Eu lá vou saber falar o nome desse homem. E ele é bem maluco por aceitar se casar com a Patrícia.
— Coitado! E ela ainda teve a audácia de mandar convite de casamento?
— Bem, aqui só está o meu nome.
Ainda teve a audácia de me convidar, com coisa que eu iria. Se eu fosse, eu iria só pra comer, que é a melhor parte da festa.
— O que? – puxou o convite das minhas mãos, e comprovou com os próprios olhos.
— Como ela tem a audácia de te mandar um convite? Que raiva! Certeza que quer dar o golpe nesse lorde francês. Ela e a família toda, incluindo o irmão.
— Você duvida, princesa? Eu tenho certeza. — eles sempre querem dar o golpe em alguém.
— Que se case, e fique bem longe daqui.
— Ciúmes? – perguntei, rindo.
— Talvez. – sorriu.
— Sabe que esse corpo, meu coração e a minha alma são seus, querida.
— Acho bom. Sabe, já que você não quer que eu tome banho sozinha, bem que você poderia me ajudar.
— Com todo o prazer do mundo. – ela iria relaxar no banho, que pediria sempre por mais.
***
Estávamos na consulta da Emy, e os bebês estavam bem. Ainda faltava m algumas semanas para eles nascerem, e eu estava tão ansioso para uma data exata, mas a médica disse que ela teria uma outra consulta para poder dar certeza.
— Bem, Emily, os bebês estão ótimos, e logo, logo irão nascer. Já escolheu o tipo de parto.
— Eu andei pesquisando, e escolhi o parto normal.
Isso foi uma pequena discussão que tivemos. Não queria que ela sentisse tanta dor, mas ela optou pelo parto normal. Fez a minha cabeça para isso, e nós dissemos que pensaríamos nisso. Cara, meus filhos irão nascer da vagina dela. Isso é louco!
— Ótima escolha, Emy. Os partos normais são mais saudáveis, seja para a mãe e para os bebês.
— Eu vi sobre isso, e eu marquei um daqueles cursos sobre parto, sabe? Eu achei bem interessante para nós, que seremos pais de primeira viagem. Seria bom aprendermos com uma especialista todo o procedimento de ter um bebê.
Outra coisa que ela fez a minha cabeça. Participar de um curso de parto. Até que seria interessante.
— Isso é muito legal, Emily. – sorriu. – Bem, aqui estão as vitaminas para você tomar, e logo teremos outra consulta.
— Obrigada. – agradecemos.
Durante todo o caminho, até a casa onde era o curso de parto, eu fiquei calado. Eu queria que ela tivesse falado comigo sobre a escolha dela. Eu sou o marido dela. Quero saber das escolhas dela, e apoiá-la.
— O que foi? – ela perguntou.
— Você escolheu fazer parto normal, mas disse que pensaria sobre isso.
— Eu sei, mas eu acabei resolvendo fazer, Gabe. Conversamos sobre algumas opções, e eu acho que essa seria a melhor para os bebês.
Olhando para esse lado, isso é o que importa. A saúde dos três vem acima de qualquer coisa. Eles são a minha maior prioridade. Eu sei que o parto normal é o mais recomendado, e estaria ao lado dela.
— Claro, meu amor. O importante é a sua saúde e a dos nossos filhos. – sorri.
Parei o carro, e a ajudei a descer. Uma moça nos mostrou a sala, e eu fiquei observando. Eu iria fazer um curso ou ginástica? Cara, essas bolas de pilates doem pra caramba! Será que iremos fazer isso? Será que isso é uma pegadinha da Emy? Cadê as câmeras?
— Viemos fazer ginástica, ou um curso sobre parto? Eu não vim com a minha roupa de ginástica, Emy. Meus glúteos irão ficar duros?
— Para de graça, Gabe. – riu.
A professora pediu nos deu boas vindas, e começou o curso. Eu estava anotando tudo mentalmente, e iria seguir a risca cada passo. Ela disse sobre respirações, e que tem o famoso cachorrinho. Quase que eu falei pra ela que, no meu caso, é respiração cachorrão, mas eu deixei quieto. Olhei para o lado, e me deparei com o He-man. Caramba! Ele era a cara do He-man. O cabelo era igual, só que na fase antes da malhação. Ainda precisa ficar mais forte.
— Gabe, para de ficar olhando.
— Você reparou naquele casal? Eu não sabia que o He-man seria pai.
Ri muito com aquilo, mas voltei a minha atenção para a professora.
— Então, agora eu quero a presença dos papais para uma aula.
O que? Pra que ela queria a minha presença? Isso é uma pegadinha mesmo?
— Vai lá, Gabe. Você vai arrasar!
Ela sabia de alguma coisa e não me falou? Eu fui até lá, e fiquei de frente para uma mesa, que tinha uma boneca, fralda e talco para bebês. Opa, eu já sei o que é isso. É a prova de Deus, não é? Isso aqui é pra provar se eu sei trocar fralda, né? Mal sabem que eu não sei mesmo. Estou ferrado!
— Papais, eu quero que vocês me mostrem se sabem trocar a fralda. Temos uma boneca, fraldas e um talco. Terão que mostrar o que sabem, e com um tempo cronometrando. Quando apitar, eu quero que todos parem, para eu ver o resultado, ok?
Tempo? Pra que colocar tempo? Eu não consigo fazer nada sobre pressão. Ai meu Deus! Olhei para a Emy, que acenou. Ela sabe que eu vou fazer merda.
— 1, 2 e 3. Começou.
Ok! Olhei para a boneca, e não sabia o que fazer com ele. Como que começo? Peguei a boneca pelos pés, e vi que a Emy colocou as mãos no rosto. Será que fiz alguma coisa errada? Posicionei a boneca na almofada, e olhei o projeto de He-man. Ele estava colocando o talco, então eu iria fazer o mesmo. Eu só estou dando uma espionada nele. Peguei o talco, mas o negocio não saía o pó. Girei o pote, e voou pó em toda a minha roupa. Merda! Vou ficar cego com esse pó? Ah? Virei o pote para a boneca, e não queria sair o talco do maldito potinho da porra. Bati no fundo, até que eu percebi que a boneca estava cheia de talco. Limpei a coitada com a minha blusa, e corri para colocar a fralda, quando escutei o apito. Droga! Eu falei que não consigo fazer nada sobre pressão.
— Parece que não foi muito bem, Gabe. – a professora disse, mostrando os meus erros, que não eram tantos assim.
— Jura? Se não tivesse apitado, eu teria terminado.
Eu vou enfiar esse apito no lugar onde o sol não bate. Não apita pra mim!
— Mas tinham que ser rápidos. Uma criança tem pressa. O rapaz do lado conseguiu terminar.
— O projeto de He-man? Claro, ele tem a força. Só faltou gritar eu tenho a força! – falei, com raiva.
— O que? – o rapaz perguntou.
— Nada contra você. – deu de ombros.
— Ok! Você não foi muito bem, Gabe. Sinto muito. – a professora falou mais uma vez.
Pra que ficar repetindo que eu não fui bem. Se eu fosse bem nessa prova, seria perfeição demais. Já sou bom em tantas coisas, então eu deixei para os menos favorecidos de perfeição.
— Você foi ótimo, meu amor.
— Não precisa me dar apoio moral, Emy. – resmunguei.
— Você conseguiu colocar o talco.
— Depois de me sujar todo. Que legal!
— Meu amor, você foi ótimo!
Era isso que eu precisava. O apoio dela valia a pena.
— A aula de hoje está terminando, e eu recomendo que vocês leiam sobre o parto normal, e qualquer duvida é só me perguntarem.
Nós nos despedimos, e eu não via a hora de ir para a minha casa, e cuidar da minha mulher.
***
Eu estava fazendo massagens nos pés da Emy. Sei o quanto ele anda cansada, e isso era o mínimo que eu poderia fazer por ela. Ela ainda dizia que eu tinha me saído bem na prova, mas eu sei que não. Eu fui um desastre! Não sei trocar a fralda? Isso é vergonhoso!
— Eu preciso treinar, Emy. Eu fui um desastre.
— Gabe, você pelo menos tentou, meu amor. Eu vou te ensinar, ok?
— Eu vou precisar muito da sua ajuda. Em tudo.
Eu poder cuidar dos meus filhos. Isso é importante pra mim.
— E eu estarei aqui. Nós iremos aprender juntos. É um papel novo pra mim, mas o melhor de todos.
Disso eu não tenho duvida. Mas eu ainda estou com raiva daquela professora. Vai apitar no inferno.
— Se aquela professora não tivesse apitado no meu ouvido, daria tudo certo. Porque as pessoas precisam colocar tempo? Tempo pra que? TIC TAC é o caralho! Porra, Emy, eu estava todo concentrado, e ela apita aquele apito do cão. Vontade de enfiá-lo no...
— Gabe!
— Ok! Eu só não usei das minhas ates dramáticas, porque não queria causar inveja, mas eu acho que ela estava mancomunada com o projeto de He-man.
Eu vi o jeito que se olhavam. Ela estava dando dicas para ele, apenas com o olhar. Isso é um roubo!
— Claro que não, Gabe. Ela avisou que tinha o tempo.
— Você também, Emily. Ah? Tudo bem, meu coração dói com essa traição. Era pra você estar do meu lado.
— Sem dramas! E eu estou do seu lado, querido. Sempre! – falou, bocejando.
— Vamos, eu vou te levar pra cama. Vocês precisam descansar.
— Você não vai também?
— Eu preciso acabar com um trabalho, mas eu já vou para a cama com os amores da minha vida.
Levei-a até a nossa cama, e fiquei deitado com ela, até ela cair no sono. Fiquei olhando para a minha bela esposa, que me deixa cada dia mais apaixonado e louco. Se eu fosse escolher alguma mulher para viver o resto da minha vida, ela seria sempre a primeira.
Voltei para o escritório, e pesquisei sobre o parto normal. Realmente, o parto é mais saudável. Agora eu vou pesquisar algum vídeo de parto. Tem um falando que tem imagens muito fortes, então eu cliquei, porque sou desses. Não dê avisos, porque sou curioso. O vídeo começou com uma mulher gritando, e eu já fiquei assustado. A cara dela não era das boas. Do nada, o vídeo mostra a vagina dela, e... Senhor Jesus! Isso é normal? Toda essa elasticidade é assim mesmo? Velho, que tamanho! Isso é assim mesmo? Cabe a minha cabeça ali dentro. Será que volta ao normal, ou fica alargada assim? Ai, ai, ai... Uh! Eu fechei o vídeo, e não tive coragem de assistir tudo. Eu acho que fiquei com trauma. Será que o da Emy vai ficar desse jeito? Meu Deus! E todo aquele sangue? Deus me livre! Eu quero tirar essa imagem da minha cabeça.
Sai do escritório, e fui me deitar, pensando só em coisas boas, não em vaginas elásticas.
***
Acordei cedo, e fui me arrumar para mais um dia do trabalho. Fui até a cozinha e preparei o nosso café da manhã. Ela teria um belo café da manhã na cama, com direito a muitos beijos. Quero que ela descanse o máximo que puder. Fiz a sua salada de frutas preferidas, sucos e algumas torradas.
— Bom dia, meu amor. – chegou à cozinha, e me deu um beijo.
— Princesa, eu ia te levar o seu café da manhã na cama. Sabe que pode cair se ficar andando sozinha. Isso é um perigo! Porque não me chamou?
— Porque não precisa de tudo isso. – riu. – Gabe, eu estou grávida, não doente. Posso andar, mesmo eu pesando algumas toneladas.
— Não está pesando toneladas, princesa. E eu acho que deveria usar cadeira de rodas. E se você cair? Tropeçar? Deus me livre se isso acontecer com você, Emy.
Quando a gente acorda, é normal ficamos meio tontos, e eu não queria que ela ficasse desse jeito. Cadeiras de rodas seria uma boa opção pra ela.
— Não irá, querido. E eu não vou usar uma cadeira de rodas, Gabe. Que exagero! – falou, tomando um gole do seu suco e comendo a salada de frutas.
— Você é muito teimosa, sabia?
— Você que é exagerado, Gabe.
— Eu não sou exagerado. Quem disse?
Eu sou exagerado, gente? Eu acho que sou normal. Posso ser uma pessoa difícil, mas só isso.
Eu precisava falar com ela sobre o vídeo que eu vi na noite passada. Queria que ela mudasse de ideia em relação ao parto.
— Emy, ontem à noite eu fiz uma pesquisas.
— Que pesquisas?
— Olha, você não vai fazer parto normal.- falei, sendo bem direto.
— Como assim? Nós já conversamos, Gabe.
— Você já assistiu algum vídeo de parto normal?
— Não.
Ainda bem. Se ela tivesse visto o que eu vi, teria medo.
— Então não assista. Foi aterrorizante, princesa. A mulher tinha uma super vagina, só faltou sair raio laser de lá. A vagina dela ficou elástica. Ela poderia fazer parte do quarteto fantástico, como a vagina elástica. Foi feio! Como uma criança consegue sair de lá? Eu não sei. E se não voltar ao normal? Vai ficar aquele balangandan por lá? A sua vagina vai bater palmas. Não dá!
Falei, desesperado. Sério, gente. Quando aparecer algum vídeo dizendo que tem cenas fortes, não cliquem. Não cliquem mesmo! Eu fui curioso e acabei de ferrando. Aquilo não sai da minha cabeça. E ela está rindo de mim. Ela acha que é mentira?
— Isso é sério, Emily. Eu fiquei preocupado com isso. A mulher só teve um, e você terá dois. Imagina como irá ficar. Fora os gritos que ela dava. Muita dor, Emy.
— Gabe, a minha vagina não vai ficar desse jeito. – riu. E eu sei que dói, mas é o melhor para os bebês. Um parto saudável e sem riscos.
— Só corremos o risco de ficarmos surdos com os gritos, né? – brinquei.
— Você está insinuando que eu grito muito, Gabe Hunter?
Merda! Ela fez aquela cara de novo. Ou é morte ou é briga!
— Eu? Você não deixou eu acabar de falar. Perigoso ficar surdo com os meus gritos, porque eu vou ficar muito preocupado. – disfarcei.
— Que bom que não sou eu. – sorriu.
Fui até ela, e a abracei, querendo sentir os meus filhos.
— E os meus bebês? Como vocês estão, meus amores? Papai está com saudades de senti-los. – beijei a sua barriga, e abracei. – Logo iremos conhecê-los.
— Eu estou contando os dias para isso. Só os nomes que deixamos para escolhermos quando eles nascerem. Mas eu sinto que logo, logo eles estarão bem juntinhos da gente.
Nós escolhemos deixar para escolhermos quando os bebês nascerem. Queremos ver a carinha deles primeiro.
— Eu espero. Muito! Quero ver o meu meninão, e a minha mini princesa. – sorri. – sorri, e a agarrei com vontade.
— Eu também. – beijou-me.
— Eu preciso ir, meu amor. Por favor, se for sair, me ligue ou ligue para a minha madrinha. Pode ser perigoso qualquer tipo de...
— Eu sei, Gabe. – suspirou
— Você sabe que eu te amo além do que qualquer coisa nessa vida, né? Vocês três são a minha vida! Por isso que eu me preocupo.
— Eu sei, meu amor. – sorriu. – Eu te amo demais!
Sai e fui para o escritório.
***
O dia estava sendo uma merda total. A hora não passava, e eu queria estar com a minha mulher. Eu estava adorando trabalhar com o meu pai, mas não tem coisa melhor do que ficar em casa, não é? Eram contratos e mais contratos para lerem, e as minhas vistas já estavam ficando cansadas.
Vi a porta se abrindo, e o meu pai apareceu, sorrindo.
— Atrapalho?
— Claro que não, pai.
— Vamos dar uma pausa, Gabe. Vim conversar com você. Como a minha querida nora está, e os meus netinhos?
— Estão cada dia mais lindos, pai.
— Moramos perto, mas o tempo anda tão curto que eu nem apareço muito.
— Isso é verdade. Logo a Emy terá os bebês, hein!
— Para quando está marcado?
— Não sabemos ainda. Ela ainda não está com nove meses, então só saberemos na próxima consulta. – dei de ombros.
— Gabe, o que está acontecendo?
Será que a minha preocupação está tão aparente assim? Sim, eu ainda estou achando estranho aquilo tudo. Como sai uma criança dali?
— Pai, eu nasci de parto normal ou cesárea?
— Normal, meu filho. Foi bem difícil, porque você nasceu grande, mas deu tudo certo.
Eu era um bebê grande e passei pela vagina da minha mãe? Será que voltou ao normal? Ou... Ai, não dá para imaginar a vagina da minha mãe.
— Pai, a... Como que eu vou dizer? A coisa da mamãe voltou ao normal?
— Coisa?
— O caminho da felicidade, pai. – suspirei. – A vagina. – sussurrei.
Meu pai começou a gargalhar de mim, e eu achei um cúmulo. Porque todos riem de mim?
— Gabe, que pergunta mais... peculiar. É estranho eu falar isso com você, mas já que perguntou. – riu. Sim, Gabe, ela voltou ao normal. Porque a pergunta?
— Eu vi um vídeo, e não achei tão normal aquilo. Ficou estranho, sabe? Eu fiquei com medo de ficar daquele jeito.
— Não precisa ficar assim, meu filho. Isso é o de menos, quando você sentir os seus dois filhos em seus braços. O amor será maior do que qualquer outra coisa.
— Obrigada por me explicar, pai. – sorri, e voltamos ao trabalho.
***
Olhei para o relógio, e vi que era de madrugada. Procurei pela Emy, mas vi que ela não estava na cama. Levantei-me correndo, e fui até a sala. Achei-a sentada no sofá, com as mãos na barriga.
— Emy, o que aconteceu? – perguntei, preocupado.
— Bebê!
Ah, ela quer beber? Tudo bem!
— Você quer beber? Eu acho que deve ter suco na geladeira, ou você prefere água? Nada de bebidas alcoólicas, Emy. – ri.
— Gabe...
— Quer uma batida sem álcool? Eu posso fazer se você quiser. – perguntei, chegando perto dela.
Emy me puxou pela camisa, e olhou em meus olhos. Será que ela ia me matar? Beijar?
— Gabe, os bebês irão nascer! Eu estou com dor!
O que? – gritei mentalmente. Meus filhos estão nascendo, caralho! Eu não sei o que fazer. Não sei como reagir. É medo, é ansiedade, alegria e uma vontade de fazer xixi, bem agora. .
— Ok! Os bebês irão nascer. OK!
Faça alguma coisa, Gabe! Pegue as bolsas, leve-a para o hospital. Seja rápido!
Eu a ajudei a levantar do sofá, quando eu vi algo molhado no chão. Será que é o que eu estou pensando?
— Você fez xixi de tanta dor? Ou...
— Sim, a bolsa estourou, Gabe! Os bebês irão nascer, e agora é pra valer!
Ai, meu pai celestial! Agora é de verdade! Meus filhos vão nascer, e eu acho que eu vou fazer xixi aqui na sala. Ok, eu serei pai, e agora é real! Muito real!
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