Eternamente
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Se vocês pudessem ver como a cara do Chad está agora. Acho que deve estar saindo fumaça, igual nos desenhos animados. Obvio que eu tenho vontade de repreender o Gabe nessas horas, mas que é engraçado, ah, isso é.
– Noivos? Do tipo... Aliança e tudo? – perguntou sério.
– Chad, eu e o...
– Sim! Mais sério impossível! Até em filhos estamos pensando, não é, amor?
– Mais para frente, Gabe.
– Não importa, amor. O que interessa é que teremos filhos. Nossos filhos. -
– Mas a Emy é nova para ter filhos. Eu acho que ela não quer isso para a vida dela.
Opa! Quem é ele para achar o que eu quero ou não para a minha vida? Eu sempre amei crianças, e sempre quis ser mãe também. Só faltava encontrar o homem certo.
– Olha aqui, Chad. Você não sabe o que eu quero. Eu sempre quis ser mãe, mas não cm você. Sempre quis formar uma família, mas só faltava achar o homem certo. Mas eu achei, Chad. Gabe é o homem certo. Meu homem certo! É com ele que eu quero formar a minha família, quero ter os meus filhos e uma casa. E, se eu sou nova ou não, isso não te interessa. – falei, desabafando tudo o que eu deveria ter falado antes. Chad estava ficando abusivo demais, e eu tinha que cortar essa intromissão dele.
Gabe sorria ao meu lado, e passou seu braço sob a minha cintura.
– Emy, eu não quis ser...
– Chega! Ela já não falou para você, Chad.
– Eu estou falando com ela, Gabe.
– Não me interessa.
– Emy me desculpe se eu...
– Eu não quero saber, Chad. – falei desanimada, e cansada de tudo aquilo.
Senti meu celular tocar, e vi que era a Lis.
– Eu vou atender, Gabe, é a Lis. Espero que estejamos entendidos, Chad. – falei séria.
Não vi se ele responder algo ou não. Aliás, eu nem queria saber por um tempo dele.
– Oi, Lis.
– Amiga, finalmente te achei. Você sumiu o final de semana inteiro. Liguei ai, e sua mãe me falou que parece que você tinha saído com o Gabe.
– Foi sim. Fomos fazer uma pequena viagem. – ah, só de me lembrar dessa viagem...
– Que tudo! Depois quero saber de tudo!
Não queira saber! Se eu contar o que fizemos... Levaria anos.
– Contarei. E como você está?
– Bem. Eu te liguei para marcarmos alguma coisa. Abriu uma boate nova, então iríamos chamar você e o Gabe para ir.
– Eu vou ver com ele, e depois eu te ligo, ok?
– Estarei esperando. Bem, tenho que desligar. Beijos.
– Beijos.
Estava voltando para encontrar com Gabe, e eu espero que não tenha se atacado com o Chad. Deus, eu espero que esteja bem, e vivos! Avistei Gabe sozinho e... Rindo. Ele parecia achar algo muito engraçado, porque a gargalhada era alta.
– O que é tão engraçado? – perguntei curiosa.
– A vida, princesa. A vida é muito engraçada. – disse me abraçando.
– A vida? Gabe, o que você aprontou? Ou melhor, o que você falou para o Chad?
– Porque você acha que eu falei alguma coisa?
– Porque eu te conheço?! Vai, o que você falou?
Ele respirou fundo, e secou a lágrima que caiu. Riu tanto que chegou a chorar.
– Eu só falei para ele ir tomar um chá. Só isso.
– Chá? Pra que?
– Para se acalmar. Ele estava precisando tirar toda aquela... Tensão.
– Só isso mesmo?
– Claro! Eu não iria falar nada de mais pra ele. Olha pra mim. Eu sou inocente, princesa.
– Sei... Bem, vamos entrar. Acho que o almoço está pronto.
– Que bom! Eu estou morrendo de fome! E não é só da comida, princesa. – disse, apertando a minha bunda e mordiscando a minha orelha.
Corei na hora, mas achei aquilo tão... Bom!
***
Estávamos todos a mesa, e Gabe estava comentando sobre algum caso que ele solucionou no escritório. Todos estavam interessados, mas eu percebi que ele estava nervoso. Acho que esse medo tem a ver com o meu pai. Sei que ele o ama como filha, mas também sei que ele poderá pirar um pouco com esse casamento. Fora a tatuagem que o Gabe não falou para ninguém.
– Então, o que esse casal quer nos dizer? Até almoço especial pediu para fazer. – minha madrinha perguntou.
Olhei para Gabe, e ele sorriu. Era a hora de contar que eu logo seria uma mulher casada.
– Eu falo. – ele disse. – Ok! É o seguinte... Eu... Ah... Espera ai!
Ele estava mais suado do que alguém que acabou de malhar. Suas mãos seguravam a minha, e ele estava tremendo. Fora a voz eu não saia direito.
– Gabe...
– Eu falo, princesa. Bem...
– Nós... – comecei falando, mas ele me interrompeu na hora.
– Nós vamos nos casar! – ele disse de olhos fechados.
O silêncio pairou naquele momento. Ninguém falou nada, e eu senti que Gabe segurava a sua respiração. O coitado ainda estava de olhos fechados, e parecia estar rezando para não ser morto.
– Gabe, pode abrir os olhos. – sussurrei.
Ele obedeceu, mas seus olhos foram para o meu rosto. Eu esbocei um sorriso tranquilizador, mas eu queria mesmo era acabar com aquilo, antes que meu pai faça alguma coisa.
– Nossa! Isso foi bem... Surpreendente. – minha madrinha falou, tirando o silêncio enlouquecedor.
Eu e Gabe concordamos com a cabeça e sorrimos. Tínhamos que mostrar sintonia e tranquilidade.
– Então... Casamento? Eu estou sem palavras. – foi a vez de a minha mãe falar.
– Mãe, eu sei que pode ser assustador no começo, mas eu o amo. E eu quero me casar. – disse com sinceridade.
Meu pai olhava sério, e dava para ver que estava nervoso.
– Você está grávida? – papai perguntou, fazendo Gabe arregalar os olhos.
– Não! Padrinho, ela não está grávida! Não é, amor? Você não está...
– Não! Não mesmo! Podem ficar tranquilos.
– Então porque querem se casar?
– Pai...
– Emily, você é nova, tem uma vida pela frente. Não acha que está cedo demais?
Mais um na lista que acha que é cedo demais. Argh!
– Pai, as pessoas não se casam só porque estão esperando um filho. Existe o amor, sabia? – falei nervosa.
– Eu sei que se conhecem há muito tempo, mas começaram namorar pouco tempo, aliás, nem houve um pedido de namoro. E agora vem com essa ideia de casamento.
Eu já estava perdendo a paciência com o meu próprio pai. Eu o amo muito, mas ele não pode querer se intrometer até nas decisões de quem eu caso ou não.
– Pai, olha eu amo o senhor, mas a decisão é minha.
– Filha, o seu pai só quer o bem de vocês.
Meus padrinhos estavam quietos, e só os meus pais tagarelavam feito papagaios. Gabe há essa altura já poderia estar se arrependendo de ter me pedido em casamento.
– Olha...
– Madrinha e padrinho, eu sei que é um susto. Acreditem, mas eu fiquei assustado quando descobri que estava apaixonado pela princesa, mas a gente não pode fugir do amor, não é? Ele pode estar onde a gente menos espera. Eu não esperava encontrar a mulher da minha vida na maternidade, ou quando brincávamos juntos, ou quando íamos para a faculdade juntos, quando saíamos juntos. Eu fiz tudo isso com a Emy. Sempre foi com ela, e sempre será ela! Não duvidem do meu amor por essa mulher. Sempre será ela e com ela. Eu nunca me vi casado e planejando meu futuro com outra mulher. Todas as vezes que eu via o meu futuro, a Emy estava lá comigo. Eu não me vejo longe dela, ou sendo apenas um simples namorado. Com ela eu quero mais, muito mais. Ela é a minha vida, meu amor e minha princesa. Então, por favor, aceitem o nosso noivado, ou senão, irei me casar com ela, queira vocês ou não. Eu os amo muito, e tenho vocês como pais pra mim, mas eu amo mais a Emy. Não me vejo sem ela, nem um segundo da minha vida! – meu Deus! Aquela foi a declaração de amor mais... Ah, eu queria era me jogar nos braços do Gabe, e nunca mais sair. Oh, homem lindo!
Meus pais estavam de boca aberta, e meus padrinhos sorriam. Parece que eles aceitaram o noivado. Porque será que os meus ainda duvidavam do nosso amor?
– Filha, se é isso que você quer, vocês tem a minha benção. Eu quero que vocês sejam felizes, se amem e se respeitem. Relação se constrói a cada dia. Mas eu sei que serão felizes.
– Obrigada, mãe. Pai?
Meu pai apenas me olhou, e seus olhos estavam com lágrimas. Eu pai era um brincalhão, e poucas vezes eu o vi em lágrimas.
– Você sabe que é difícil para mim. Minha filha, minha única filha sendo levada para os braços de outro homem. Eu queria que você fosse criança para sempre, porque assim ainda iria precisar dos meus cuidados, iria pedir para eu te contar histórias, ou para assistir o seu desenho favorito. Mas você cresceu, não é? É tão difícil, Emy. Sei que Gabe irá te fazer feliz, porque eu vi e sei o quanto ele te ama. Claro que eu sempre soube que ele te levaria de mim, mas não achei que fosse agora. Eu te amo, filha, amo mais do que a minha vida. Quero que você seja feliz, todos os dias da sua vida. Gabe irá te trazer essa felicidade, então, eu dou a benção para esse casamento. Que sejam felizes! – disse emocionado, e eu corri para abraçá-lo. Meu pai, meu grande herói, o homem que me ensinou os bons valores, claro, junto com a minha mãe. Sempre foi ciumento em relação a mim, mas eu sei que ele sabia que o Gabe é o homem certo para a minha vida.
– Eu te amo, pai. Você sempre será o primeiro homem que eu amei e sempre vou amar! Meu grande herói!
Ele me abraçou, e tratou logo de enxugar as lágrimas.
– E você – disse apontando para o Gabe. – Trate de tratá-la como um cristal, uma princesa, rainha, ou o que for. Mas a trate bem. Ela é a minha preciosidade. Se eu souber de alguma coisa, eu caço você, entendeu?
Gabe arregalou os olhos e concordou.
– Pai, pare de assustá-lo. Daqui a pouco não tenho mais noivo. – falei brincando, e todos começaram a rir.
– Ele vai saber o que eu estou sentindo quando tiver uma filha. Vai ameaçar o rapaz até a morte. E eu quero estar aqui para ver esta cena.
– Pai.
– Parei. Agora podemos almoçar? Eu estou com fome.
– Todos nós, querido. – mamãe completou.
Sentei-me ao lado do Gabe, e ele sorriu para mim. O coitado estava mais nervoso do que eu na minha primeira vez. Ok, comparação terrível, mas foi assim mesmo.
– Devo contar da tatuagem? – perguntou sussurrando.
– Não. Vamos parar por aqui enquanto estamos em vantagem.
– Sim futura Senhora Gabe Hunter.
– Gostei do título.
– Vai gostar ainda do que eu tenho aqui dentro. – disse, apontando a calça jeans.
– Gabe!
– Vamos almoçar, casalzinho 20?
– Claro. – falamos ao mesmo tempo.
Gabe piscou pra mim e sorriu. E eu, vermelha igual ao pimentão.
***
Estava estampado em todos os jornais o meu noivado. A madrinha tinha mandado anunciar que iríamos nos casar. Obvio que eu e o Gabe não queríamos, mas não adiantou nada os nossos pedidos. Ela foi até os jornais, e pediu para publicar. Até em sites de fofocas estavam anunciando o casamento do grande advogado, e solteirão convicto, Gabe Hunter. E até ri com o que eles haviam colocado, porque Gabe era assim mesmo. Não estava nem ai para um relacionamento sério, e do nada, estava de casamento marcado com a melhor amiga de infância. Até mencionaram um casamento de mentira. Ah, se eles soubessem das mentiras... Até hoje isso pesa na minha cabeça, e eu pretendo um dia contar para a nossa família. Eu precisava tirar esse peso da mentira.
E estávamos aqui, tomando uns drinques com alguns amigos dos meus padrinhos. Eles vieram nos “cumprimentar” pelo casamento, mas eu sei que é mentira. Alguns eu nunca vi na vida, e outros me ignoravam pelo simples fato de ser filha da governanta da casa. Bando de babacas! Hoje estão aqui, bebendo e rindo. Se acharem que vão ser convidados para o casamento, eles estão redondamente enganados. Falsidade eu quero longe de mim! Por mim eles nem estariam aqui, mas fazer o que, não é?! Só para terem uma ideia, os pais da Patrícia e do Daniel estão aqui. Rindo feitas duas hienas, e até me cumprimentaram. Acham que eu não sei o quanto são preconceituosos comigo, e que me odeiam, porque a filhinha deles não conseguiu um pé de meia para se garantir no futuro. Filha da...
– O que tanto a minha noiva está pensando? – Gabe perguntou, me abraçando por trás.
Virei para ele, e sorri. Pode um homem desses ser: lindo, gentil, romântico, fofo, engraçado, gostoso, bom de cama e meu? É muito bom para ser verdade. Ganhei na loteria!
– Em todo esse pessoal aqui.
– Argh! Por mim não teria ninguém, mas...
– Eu sei. Por mim também não. Principalmente os pais do Daniel.
– Nem me fale. Esses ai seriam os primeiros que eu iria mandar sair. Principalmente o Daniel, que eu percebi que não tira os olhos de você à noite toda.
– Ele pode olhar a vontade, porque o único que pode tocar é você.
– Só mesmo! Eu sou o único que pode te tocar, beijar, te dar prazer, orgasmos, te ver nua...
– Sim, só você! – falei o beijando.
Ah, esqueci-me de completar: e beijar maravilhosamente bem? Não! Esse homem é só o Gabe! Meu Gabe!
– Com licença, casal?
Eu me afastei do Gabe, e virei para ver quem estava nos atrapalhando. Deparei-me com Daniel, que mostrava um sorriso nada legal no rosto.
– Atrapalho? – e ele ainda pergunta?
– Desde quando você nasceu. – Gabe respondeu secamente.
– Gabe e suas piadas. Nunca vai crescer, menino Gabe?
– Crescer pra onde? Bem, eu sou mais alto que você, então se for crescer fico um gigante. E se meu pênis crescer mais... Bem, impossível! Já é grande o suficiente para satisfazer a minha mulher, e está acima da média. Da sua média.
Sabe aquela vontade absurda de rir da cara de alguém?Eu estava passando por isso neste exato momento. A cara que o babaca do Daniel fez foi impagável. Eu já ouvi dizer coisas sobre o desempenho dele, e não era muito bem falado por ai. E, sim, se o do Gabe crescer mais... Eu to fodida! Bem, no sentido de ferrada, porque, olha, aquilo que o Gabe tinha... Sem comentários!
– Eu vim na boa vontade, e você me tratando assim, Gabe?
– Veio porque quis.
– Vim para parabenizar esta bela dama pelo casamento. – disse pegando a minha mão, mas Gabe a tirou rapidamente.
– Tire as mãos dela.
– Ciúmes? Não se garante, Gabe?
– Eu só não quero que você a toque com essa sua mão imunda.
– Olha só como você é. Eu vim parabenizar, e você vem acabar comigo.
– Não precisamos das suas palavras. Você pode dar meia volta e ir embora.
– Viu como é o seu noivo, Emy? Quer mesmo isso para você?
– Vai embora, Daniel. O Gabe já avisou, e eu não quero repetir novamente.
– Tudo bem. Se não me querem aqui. Até mais, casal. — Daniel disse se afastando de nós, e eu dei um suspiro de alívio. Ficar perto dele me causava ânsia.
– Filho da... Se eu pego esse Daniel, eu...
– Não vai fazer nada. Ele quer isso de você. Quer que você perca a cabeça, mas não faça isso. Ele não vale a pena.
– Ok. Mas é por você. – falou me abraçando.
– Eu vou pegar um drinque daquele de morango pra mim, você quer? – perguntei.
– Não. Estou bem de bebida, e você não deveria beber tanto, hein?
– É a última, eu prometo. – disse, saindo do abraço dele e indo em direção à cozinha.
Preparei a bebida, e fui em direção ao Gabe. Ele não estava mais na sala como antes, então deduzi que ele esteja no quarto. Subi até o quarto, e vi que a porta estava encostada. Dava para ouvir gritos de uma mulher. Não esperei mais um segundo, e abri a porta.
– Mas o que é isso? – perguntei espantada.
A vadia da Patrícia estava de calcinha e sutiã, e estava tentando agarrar o meu namorado. Gabe tentava se esquivar dela, mas a bruaca ainda tentava alguma coisa.
– Princesa, eu juro que eu não fiz nada. Eu cheguei aqui, e ela estava desse jeito.
– Calado! Com você eu falo depois. Eu perguntei para essa... O que você está fazendo aqui?
– Emily, eu não sabia que o Gabe curtia um voyeur ou ménage. Se eu soubesse... – falou sorrindo.
Meu sangue subiu nessa hora! A vadia ainda ria pra mim. Mas seria por pouco tempo. Eu iria arrancar dente por dente dessa boca. Joguei o copo longe, e puxei o cabelo da safada. Eu iria deixá-la careca, ah se ia...
– Você está me machucando, sua idiota!
– Mas é para machucar! Vou arrancar fio por fio desse cabelo falso.
– Falsa é você, cretina! Acha que vai conseguir dar o golpe no baú no Gabe? A filha da empregada quer entrar para a alta sociedade? Querida, você sempre será a filha da governanta. A que sempre morou no fundo da casa dos patrões, e que só estudou em escola boa, porque sua mãe trabalha como empregada, e porque meus tios sempre foram bons demais com você. Mas você sempre terá a alma pobre! Sua pobretona ridícula!
Ai meu sangue ferveu. Falou da minha vida e da minha mãe... Eu queria era furar os olhos dela com o meu salto, mas eu faria muito pior.
– Ah, vadia. Você vai se arrepender! Ninguém fala assim de mim e da minha família. – falei, abrindo a porta e a levando para fora do quarto.
– Onde você está me levando, sua pobretona? – gritou.
– Vou te mostrar o que a pobretona vai fazer com você. Você vai se arrepender de ter pisado no meu caminho, sua cadela! – gritei, puxando ainda mais o cabelo dela, sem dó e nem piedade.
Gabe
Cadê minha câmera numa hora dessas? Ainda bem que a casa tinha câmeras de segurança, porque assim eu poderia ver e rever a cara de idiota do Chad bundão. Sim, esse era o seu novo apelido. Fumaças e fumaças estavam saindo da sua cabeça, e eu sorria de alegria.
– Noivos? Do tipo... Aliança e tudo? – perguntou sério.
Não, tipo, isso é uma pegadinha! É claro que é de verdade, bundão. Estou quase tirando a blusa para mostrar a tatuagem, mas achei melhor não. Ele iria enfartar com isso.
– Chad, eu e o...
– Sim! Mais sério impossível! Até em filhos estamos pensando, não é, amor?
Agora não, mas não custava zoar com a cara dele.
– Mais para frente, Gabe.
– Não importa, amor. O que interessa é que teremos filhos. Nossos filhos.
Nossos! Saiu de mim, e foi para o útero dela! Eu vou colocar meus filhos dentro dela! Eu serei o pai! Eu!
– Mas a Emy é nova para ter filhos. Eu acho que ela não quer isso para a vida dela.
Quem é Chad bundão para achar o que é melhor pra ela? Nem sexo eles fizeram. Ah, se fosse tão bom, e se soubesse tanta coisa dela, não a teria a proibido de viver o sonho dela. Eu iria dizer umas verdades para esse cara, mas quando iria abrir a boca, a princesa passou na minha frente e falou um monte, e me deixou com mais orgulho dela. Eu sou o homem certo para ela e para a nossa futura família. Eu senti orgulho da minha mulher. Oh, mulher inteligente que eu tenho.
– Emy, eu não quis ser...
– Chega! Ela já não falou para você, Chad.
– Eu estou falando com ela, Gabe.
E eu estou falando com você, Chad. Essa porra tá me deixando nervoso.
– Não me interessa.
– Emy me desculpe se eu...
– Eu não quero saber, Chad.
Isso mesmo! Mostra o seu poder, amor. Mostra quem manda aqui!
Eu olhava com desgosto para Chad. Se olhar matasse, nós dois estaríamos mortos agora.
– Eu vou atender, Gabe, é a Lis. – concordei com a cabeça. — Espero que estejamos entendidos, Chad.
Ele ia falar alguma coisa, mas acabou ficando quieto, o que eu achei bem melhor.
– É inacreditável o que você fez com ela, Gabe. Emy não é mais a mesma.
– Não é mesmo. Ela está mais feliz, em todos os sentidos. Você a queria como uma simples dona de casa e mãe dos seus filhos. Mas a Emy é muito mais que isso. Ela é fantástica! Uma excelente profissional, inteligente, dedicada... Eu não quero que ela seja dona de casa, não que isso não seja digno, mas eu sei que ela tem sonhos, e quero que ela consiga realizar todos eles. Eu quero estar a aplaudindo de pé, por cada vitória conquistada. Eu serei tudo o que ela sempre quis.
– Eu era o que ela sempre quis. – falou nervoso.
– Eita! Acalma o coração, Chad! Você está precisando de um chá. – falei rindo.
– Chá? Desde quando eu preciso disso.
– Desde que está todo estressado e com essa tensão acumulada. Sabe, eu vou ser seu colega agora. Eu vou te receitar um chá que acaba com esse seu mau humor.
– Eu não...
– Está sim. Experimenta tomar chá de perereca.
– O que? Como você...
– Não sabe o que é perereca? Meu Deus, vamos lá! Perereca, Chad. Ou pode ser também pepeca, Berenice, vagina ou a mais chula de todas: boceta. Experimenta tomar um bom chá disso. Faz um bem... – falei rindo.
– Idiota! – disse nervoso, e saindo de perto de mim.
– Experimenta tomar com mel, muito mel. Fica uma delícia! – gritei, e rindo da cara dele.
Não consegui segurar a risada. Eu sabia que ele iria ficar todo nervosinho, mas não poderia perder a chance de provocá-lo. Chad era muito certinho, e isso me irritava de uma tal maneira... Foi tão engraçado ver a cara de assustado dele, que estava chorando de tanto rir. Realmente, cadê a minha câmera nunca hora dessas? Impagável a reação.
– O que é tão engraçado?
– A vida, princesa. A vida é muito engraçada. – disse a abraçando.
– A vida? Gabe, o que você aprontou? Ou melhor, o que você falou para o Chad?
– Porque você acha que eu falei alguma coisa?
As pessoas sempre achando que eu fiz alguma coisa. Eu não falei nada de mais pra ele. Só dei uma dica. Não foi?
– Porque eu te conheço?! Vai, o que você falou?
– Eu só falei para ele ir tomar um chá. Só isso.
– Chá? Pra que?
Pra tantas coisas... Se ele seguir a minha dica, o bundão vai ficar de bom humor.
– Para se acalmar. Ele estava precisando tirar toda aquela... Tensão.
– Só isso mesmo?
– Claro! Eu não iria falar nada de mais pra ele. Olha pra mim. Eu sou inocente, princesa.
– Sei... Bem, vamos entrar. Acho que o almoço está pronto.
– Que bom! Eu estou morrendo de fome! E não é só da comida, princesa. – falei, apertando a bunda deliciosa dela e mordiscando a sua orelha. Essa mulher me deixava louco!
Corei na hora, mas achei aquilo tão... Bom!
***
Sabe aquele negocio de você preparar o terreno antes de falar ou fazer qualquer coisa? Eu estava fazendo isso. Estava contando um caso do escritório, e todos pareciam estar leves e felizes. Estavam rindo, então estavam gostando. Eu poderia estar rindo junto, mas por dentro estava me borrando de medo de não aceitarem o nosso noivado, ou de morrer também. Meu padrinho idolatrava a Emy. Ela é filha única, linda, inteligente, humilde, simpática entre outras qualidades. Qual pai não sentiria orgulho de uma filha assim? Ele aceitou o namoro, quero ver o casamento. Só rezo para que ele não tenha uma arma em casa, senão serei um noivo cadáver.
– E acreditem, isso aconteceu mesmo. – terminei de contar, e me preparando psicologicamente para contar.
– Então, o que esse casal quer nos dizer? Até almoço especial pediu para fazer. – mamãe perguntou.
Eu sorrio para Emy, mas meu coração estava na garganta. Nunca enfrentei o pai de nenhuma namorada. O justo o que eu vou enfrentar é o meu padrinho, e conheço desde criança e ele pode me matar mesmo.
– Eu falo. Ok! É o seguinte... Eu... Ah... Espera ai!
Droga! Cadê a coragem, Gabe? Seja homem! É só o seu padrinho. Ele te ama como um filho, e vai aceitar! Ele vai! E essas mãos tremendo? Até suado eu estava. Daqui a pouco estarei com marca de suor pela minha camisa.
– Gabe...
– Eu falo, princesa. Bem...
– Nós... – ela começou falando, mas é a minha obrigação pedi-la em casamento.
– Nós vamos nos casar! – falei com os olhos fechados, tentando diminuir o medo.
Porra! Ninguém falava nada. Nem a respiração eu estava ouvindo. Senhor, meu pai amado! Sei que não sou muito de rezar, mas eu peço que o senhor me ajude nessas horas. Eu a amo, e quero ficar com ela. Oh, meu Deus! Eu prometo que se tudo der certo, eu...
– Gabe, pode abrir os olhos.
Obedeci imediatamente. Ela sorria para mim, e isso me tranquilizou imediatamente. Ela me acalmava de uma maneira insana. Era a única que tinha qualquer poder sobre mim.
– Nossa! Isso foi bem... Surpreendente. – minha mãe falou, tirando o silêncio enlouquecedor.
Concordamos. Foi até para mim, mas é o que eu mais quero na vida!
– Então... Casamento? Eu estou sem palavras. – a madrinha falou.
– Mãe, eu sei que pode ser assustador no começo, mas eu o amo. E eu quero me casar.
Meu padrinho olhava sério, e dava para ver que estava nervoso. Se eu morresse agora, seria por causa do olhar que ele me dava a cada segundo.
– Você está grávida?
Grávida? Não! Eu acho que não. Ela não ficaria grávida tão rápido assim, né? Ou ficaria? Será que... Não!
– Não! Padrinho, ela não está grávida! Não é, amor? Você não está...
– Não! Não mesmo! Podem ficar tranquilos.
– Então porque querem se casar?
– Pai...
– Emily, você é nova, tem uma vida pela frente. Não acha que está cedo demais?
Estou prevendo tempestades. Eu amo o meu padrinho, mas ele não pode achar que a Emy é muito nova para algumas coisas. Ela é adulta, e sabe muito bem o que é certo e o que ela quer para a vida dela.
– Pai, as pessoas não se casam só porque estão esperando um filho. Existe o amor, sabia?
– Eu sei que se conhecem há muito tempo, mas começaram namorar pouco tempo, aliás, nem houve um pedido de namoro. E agora vem com essa ideia de casamento.
Eu sabia que deveria ter feito um pedido de namoro, mas vocês sabem como foi o começo do nosso namoro. Tudo era uma mentira, e sabem do que deu.
– Pai, olha eu amo o senhor, mas a decisão é minha.
– Filha, o seu pai só quer o bem de vocês.
– Olha...
Não ia deixar a Emy sozinha. Eu a pedi, então vou falar o que eu quero com ela. O que eu realmente sinto por essa mulher. Acho que se alguém a tirar de mim, ou fizer algum mal a ela eu sou capaz de matar ou morrer. Não existe Gabe sem Emy. Eu apenas existo, sem ela não sou nada! Não há mulher que me faça feliz ou completo igual a ela. Ela é minha existência! Meu ar, meu coração e minha alma!
Acho que falei demais, porque ninguém falou mais nada, e me olhavam como seu eu fosse um E.T. Eu ia falar mais um monte, mas fui interrompido no exato momento que abri a boca.
– Filha, se é isso que você quer, vocês tem a minha benção. Eu quero que vocês sejam felizes, se amem e se respeitem. Relação se constrói a cada dia. Mas eu sei que serão felizes.
– Obrigada, mãe. Pai?
Ele estava chorando? Nunca o vi chorar desse jeito. Será que falei merda? Não! Eu joguei meu coração nessa mesa. Eu falei tudo o que sentia. Abri o verdadeiro Gabe para todos.
– Você sabe que é difícil para mim. Minha filha, minha única filha sendo levada para os braços de outro homem. Eu queria que você fosse criança para sempre, porque assim ainda iria precisar dos meus cuidados, iria pedir para eu te contar histórias, ou para assistir o seu desenho favorito. Mas você cresceu, não é? É tão difícil, Emy. Sei que Gabe irá te fazer feliz, porque eu vi e sei o quanto ele te ama. Claro que eu sempre soube que ele te levaria de mim, mas não achei que fosse agora. Eu te amo, filha, amo mais do que a minha vida. Quero que você seja feliz, todos os dias da sua vida. Gabe irá te trazer essa felicidade, então, eu dou a benção para esse casamento. Que sejam felizes!
Graças a Deus! Finalmente recebi a benção. Oh homem complicado! Mas eu até entendo o lado dele. Não me imagino sendo pai agora, mas se acontecer de caso eu ter uma filha, essa ai vai ser freira. Sem dúvida nenhuma!
– Eu te amo, pai. Você sempre será o primeiro homem que eu amei e sempre vou amar! Meu grande herói!
– E você – disse apontando para mim. Não me mate, pelo amor de Deus! – Trate de tratá-la como um cristal, uma princesa, rainha, ou o que for. Mas a trate bem. Ela é a minha preciosidade. Se eu souber de alguma coisa, eu caço você, entendeu?
Eu nunca faria isso. Nem se eu fosse louco! Emy é... Tudo!
– Pai, pare de assustá-lo. Daqui a pouco não tenho mais noivo.
– Ele vai saber o que eu estou sentindo quando tiver uma filha. Vai ameaçar o rapaz até a morte. E eu quero estar aqui para ver esta cena.
Ela não irá namorar! Será freira! Vai servia a Deus!
– Pai.
– Parei. Agora podemos almoçar? Eu estou com fome.
– Todos nós, querido. – minha madrinha completou.
Agora posso respirar aliviado. Conquistei o coração do sogrão!
– Devo contar da tatuagem? – perguntou
– Não. Vamos parar por aqui enquanto estamos em vantagem.
– Sim futura Senhora Gabe Hunter.
– Gostei do título.
E eu mais ainda! Ah, minha senhora Gabe Hunter...
– Vai gostar ainda do que eu tenho aqui dentro. – falei, apontando a calça jeans. O coitado já estava em alerta.
– Gabe!
– Vamos almoçar, casalzinho 20?
– Claro. – falamos ao mesmo tempo.
Pisquei pra ela e sorri. Essa mulher é minha agora!
Gabe piscou pra mim e sorriu. E eu, vermelha igual ao pimentão.
***
Não sei por que raios a minha mãe quis colocar nos jornais que nós iríamos nos casar. Ela usou a desculpa de que seus filhos estavam juntos de verdade, e que todo mundo deveria saber. Claro que eu não queria expor a nossa vida em capas sensacionalistas, mas ninguém pode com a minha mãe quando ela quer alguma coisa. Tinha tanta gente aqui em casa. Alguns eu conhecia de vista, outros eu nem sei quem são. Não p osso dizer que são amigos dos meus pais, porque só querem saber da vida dos outros, e são interesseiros. Outros eu conheço desde criança, e posso dizer que são legais. Mas são poucos. O que me incomodou foi a vinda da família do Daniel, e do próprio ser. Ele me incomoda de uma maneira fora do comum. Nunca fui com a cara dele, e nem ele com a minha. Nunca fingi que gostava dele, até porque seria falsidade demais. Por mim, ele poderia sumir da face da terra. Eu iria dar graças a Deus, e ainda fazer uma festa.
Estava acabando de falar com um homem, que eu mal lembro o nome, mas ele se intitulou como “melhor amigo do meu pai”. Coitado, meu pai nem sabe bem quem ele é, muito menos eu. Eu queria era sair dali, e ir para os braços da minha mulher.
– Com licença, senhor. Eu preciso sair.
– Mas eu não acabei de falar.
– Mas eu não quero escutar. Tchau.
Será que estava tão difícil ver o quanto eu estava entediado ali. Não me lembro de uma palavra do que ele falou. Fui procurar a Emy, e a encontrei na sala de estar, e parecia estar pensando em alguma coisa. Espero que seja em mim, dentro dela, sobre ela, ao lado dela...
– O que tanto a minha noiva está pensando? – perguntei, a abraçando por trás.
– Em todo esse pessoal aqui.
– Argh! Por mim não teria ninguém, mas...
Só teríamos eu e ela. Nus, e experimentando cada canto dessa casa.
– Eu sei. Por mim também não. Principalmente os pais do Daniel.
– Nem me fale. Esses ai seriam os primeiros que eu iria mandar sair. Principalmente o Daniel, que eu percebi que não tira os olhos de você à noite toda.
Ele acha que eu não o vi de olhos grandes para cima da minha mulher. Meus olhos de gavião não passam despercebidos em nenhum momento.
– Ele pode olhar a vontade, porque o único que pode tocar é você.
– Só mesmo! Eu sou o único que pode te tocar, beijar, te dar prazer, orgasmos, te ver nua...
Ah, sim... Eu sou o único, querida! Único!
– Sim, só você! – falou me beijando.
Essa mulher me deixava louca a cada beijo. Ela só melhorava.
– Com licença, casal?
Quem é o filho da puta que está atrapalhando o meu momento com a minha mulher? Espero que... É o maldito do Daniel. Hoje eu mato alguém.
– Atrapalho? – e ele ainda pergunta?
– Desde quando você nasceu. –respondi secamente.
– Gabe e suas piadas. Nunca vai crescer, menino Gabe?
Eu vou crescer é a mão na sua cara. Senhor, me segura! Eu mato esse bastardo.
– Crescer pra onde? Bem, eu sou mais alto que você, então se for crescer fico um gigante. E se meu pênis crescer mais... Bem, impossível! Já é grande o suficiente para satisfazer a minha mulher, e está acima da média. Da sua média.
Ele acha que eu não sei do seu passado. Digamos que ele não é tão... Dotado. Ele não foi muito bem agraciado com as partes de baixo. Já sai com algumas mulheres que saíram com ele, e, sem querer, elas acabam falando. Fora que não sabe fazer um oral. Ops! Alguém precisa de aulas ai.
– Eu vim na boa vontade, e você me tratando assim, Gabe?
– Veio porque quis.
– Vim para parabenizar esta bela dama pelo casamento. – disse pegando a mão da princesa.
Tratei de tirar rapidamente, evitando que ele tenha qualquer contato com ela. Até mesmo visual;
– Tire as mãos dela.
– Ciúmes? Não se garante, Gabe?
– Eu só não quero que você a toque com essa sua mão imunda.
– Olha só como você é. Eu vim parabenizar, e você vem acabar comigo.
– Não precisamos das suas palavras. Você pode dar meia volta e ir embora.
– Viu como é o seu noivo, Emy? Quer mesmo isso para você?
– Vai embora, Daniel. O Gabe já avisou, e eu não quero repetir novamente.
– Tudo bem. Se não me querem aqui. Até mais, casal.
– Filho da... Se eu pego esse Daniel, eu...
– Não vai fazer nada. Ele quer isso de você. Quer que você perca a cabeça, mas não faça isso. Ele não vale a pena.
Ela tinha razão. Ele queria que eu perdesse a paciência. Mas não iria fazer isso, não hoje. Mas o que é dele está guardado. Ele vai se arrepender. Ah, se vai.
– Ok. Mas é por você. – falei a abraçando.
– Eu vou pegar um drinque daquele de morango pra mim, você quer? – perguntou.
– Não. Estou bem de bebida, e você não deveria beber tanto, hein?
Da última vez que ela bebeu, ela quase fez um stripe pra mim, mas também quase vomitou. Fora a ressaca. Se bem que esse stripe... Bem que poderia acontecer.
– É a última, eu prometo.
Ela se afastou de mim, foi então que eu tive uma ideia. Ela iria me procurar no quarto, então rolaria um sexo louco, e com todo esse pessoal aqui. Seria bom, muito bom! Iria fazê-la gritar bem alto, e seria bom se o Daniel ouvisse o quanto eu dou prazer a ela.
Cheguei ao quarto, e me deparei com uma Patrícia apenas de calcinha e sutiã, e em cima da minha cama. Antes eu até poderia pensar em ficar com ela de novo, mas hoje a única mulher que eu quero é a Emy.
– Que porra é essa? Ficou maluca, Patrícia? Sai daqui! – gritei.
– Amor, você já aproveitou desse corpo, e não reclamou. Vem aqui de novo! Quero sentir você novamente. Cada pedaço. Ouvir os seus gemidos no meu ouvido. Vem aqui, Gabe. – falou, colocando as mãos sobre o meu corpo, e eu me afastei imediatamente.
– Eu me arrependo a cada segundo por ter ficado com você. Sua louca! Eu estou noivo! Noivo – gritei. – E amo a minha mulher.
– Pare de bancar o príncipe encantado. Isso não combina com você.
– Sai daqui!
– Não vou! Eu vou ficar com você! Você é meu, Gabe! – gritou, e me agarrou. Ela estava fora de si. Completamente.
– Mas o que é isso?
Olhei para trás e vi a Emy. Porra! Eu estou perdido! Ela vai achar que essa louca estava aqui porque eu quis. Eu tentava me esquivar dela, mas se eu a machucasse, ela iria falar que eu a bati.
– Princesa, eu juro que eu não fiz nada. Eu cheguei aqui, e ela estava desse jeito. – falei. Estava quase implorando para ela acreditar em mim.
– Calado! Com você eu falo depois. Eu perguntei para essa... O que você está fazendo aqui?
– Emily, eu não sabia que o Gabe curtia um voyeur ou ménage. Se eu soubesse... – falou sorrindo.
Filha da mãe! Eu mato essa louca! A Emy vai acabar tudo comigo! Estou até me vendo chorando e comendo um pote de sorvete. Depressão, ai vou eu!
– Você está me machucando, sua idiota!
Eita! Agora é puxada de cabelo. O que eu faço? Ajudo? O que? Eu nunca vi uma briga assim.
– Mas é para machucar! Vou arrancar fio por fio desse cabelo falso.
– Falsa é você, cretina! Acha que vai conseguir dar o golpe no baú no Gabe? A filha da empregada quer entrar para a alta sociedade? Querida, você sempre será a filha da governanta. A que sempre morou no fundo da casa dos patrões, e que só estudou em escola boa, porque sua mãe trabalha como empregada, e porque meus tios sempre foram bons demais com você. Mas você sempre terá a alma pobre! Sua pobretona ridícula!
Eita porra! Emy estava virando a menina do exorcista. Só faltava vomitar, porque a cabeça estava girando para todos os lados. Seus olhos arregalados, e vermelhos, mostravam que ela iria matar essa noite. E como ela pode achar isso? Emy nunca daria um golpe. Era eu que queria acabar com ela agora.
– Ah, vadia. Você vai se arrepender! Ninguém fala assim de mim e da minha família. – falou, abrindo a porta e a levando para fora do quarto.
Aonde ela ia? Será que? Não! Matar seria demais, né? Ela não iria fazer isso. Ou faria? Não! Claro que não!
– Onde você está me levando, sua pobretona? – gritou.
– Emy, aonde você vai? – perguntei baixo, mas ela nem me escutou.
– Vou te mostrar o que a pobretona vai fazer com você. Você vai se arrepender de ter pisado no meu caminho, sua cadela! – gritou.
Emy puxava cada vez mais o cabelo dela. E eu vi que estava saindo. Era falso mesmo? Mas gente, ela usa cabelo falso. Ai, Deus! Eu aqui falando de cabelo, quando a minha noiva estava quase cometendo um suicídio. Hoje tem morte!
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