Eternamente

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Amores, desculpem-me pela demora, mas eu aproveitei o feriado para descansar. Obrigada pelos comentário. Amo vocês

Meu Deus! A cara que o Gabe estava fazendo era de dar medo. Será que eu tinha feito alguma merda? Só faltava isso para a minha vida. Eu nunca fui de beber por causa disso. Eu sabia que eu fazia merda quando bebia um pouco além da conta. Uma vez eu bebi tanto, que depois fiquei praticamente vomitando a noite toda, e escutando o Gabe acabar comigo. E agora ele está com a mesma cara, e ainda me chamou de Emily. Porcaria, eu estou ferrada mesmo!

– Oi Gabe. Bom dia! – falei calmamente e sorrindo, com o intuito de diminuir a bronca.

– Nem adianta vir com esse sorriso e com essa voz. – falou me olhando sério.

– Eu não estou fazendo nada.

– Não mesmo, porque você já fez o suficiente na noite passada.

– Gabe, eu...

– Você tem noção do que poderia ter acontecido com você? E não estou falando só sobre beber demais. Emily, você ficou doida de beber além da conta, e ainda por cima ficar se esfregando em um bando de dançarinos, que passam gliter no corpo? Aquilo foi irresponsabilidade, e das grandes. Se eu não tivesse aparecido, com certeza você estaria na cama de um daqueles... Globos com brilhos. – disse-me sério, e bravo, bem bravo.

– Gabe...

– Gabe nada. Imagina o desespero de todos agora. Seus pais iriam te matar, e eu iria ajudar. Você não é mais uma garotinha, e você sabe que não consegue beber demais.

Droga! O pior é que eu não podia discutir com ele, porque ais uma vez ele tem razão. Apesar de não lembrar-me muito da noite passada, eu tenho certeza de que eu iria fazer alguma besteira. E mais uma vez ele estava lá para me ajudar. Mas, espera ai, como ele sabia a boate que estávamos? Eu não falei nada. E como ele entrou lá?

– Espera ai. Como você sabia a boate que eu estava? – perguntei curiosa, e sedenta pela resposta.

– Isso não vem ao caso. O que estamos discutindo aqui é a sua falta de consideração pelo o seu bem estar.

Ok. Ele não queria me responder e mudou de assunto. Tudo bem, logo eu descubro isso.

– Desculpe-me, ok?! Eu fui errada, muito errada. E prometo não fazer mais isso. E, obrigada por ter ido me salvar, príncipe encantado.

Ele me olha, e vejo um sorriso em seus lábios. Que sorriso era aquele?! Sabe aquele do canto da boca, que vai se alargando bem devagar. Pois bem, ele estava dando esse sorriso, e mostrando os dentes perfeitamente alinhados e brancos. Deus! Como pode ser tão lindo?!

– Para de ficar babando por mim, querida. – falou perto de mim, e eu pude sentir o aroma dele.

– Babando por você, Gabe? Quem babaria por você? – perguntei ironicamente.

– Muita gente. Pode sair perguntando por ai. – falou o meu ouvido.

Deus! Eu estava babando por ele agora. Mas não posso demonstrar isso. Não mesmo.

– Gabe, eu não fiz nenhuma burrice com você, né?! Tipo, vomitei, dancei, ou sei lá, fiquei pelada. – perguntei, e com medo da resposta.

– Não. Você chegou aqui e apagou completamente.

– Ufa! Que alívio! Eu acho que vou tomar um banho e ver se essa dor de cabeça passa.

– Tome o café e o remédio que eu trouxe. Estarei lá embaixo, se precisar de alguma coisa, é só me chamar.

Após o Gabe sair, eu fui tomei o café, que estava forte até demais, e o remédio. Prometo nunca mais beber. Nunca mais!

Eu estava na sala brincando com o príncipe. Ele é um cachorrinho tão fofo... Tenho certeza que a Vic irá amá-lo. Ele deitava e rolava, e eu ria das gracinhas dele. Gabe chegou a dizer que eu estava dando bola demais para o príncipe, mas eu nem liguei, porque eu estava dando mesmo e não nego.

Depois fomos escolher as músicas para o baile. Mesmo com o Gabe reclamando na minha cabeça.

– E essa música? Acho que seria legal e romântico. – falei, enquanto estávamos escolhendo as músicas para o baile dos meus tios, que seria no outro dia.

– Celine Dion? Ela não é aquela do Titanic? – ele perguntou pensativo.

– Ela cantou o tema do filme. Ah, aquele filme é tão romântico...

– Eu hein. Vamos botar um Rock, daí será bem mais maneiro.

– Não! É um baile romântico, e tem que ter músicas românticas.

– Pelo menos vai ter um DJ. Isso vai animar, porque se depender dos seus gostos, todo mundo vai sair da festa chorando.

– Claro que não!

– Já sei. Vamos colocar NSYNC e Britney Spears. Daí, você deixará o romântico um pouco de lado. O que você acha? – perguntou me provocando.

– Seu bobo. Você acha que eu não vou colocar Justin Timberlake? É obvio que sim! Brit diva também, assim como a Beyoncé, Rihanna, Madonna...

– Ok. Vamos voltar para essas músicas, princesa. – falou rindo, e eu o acompanhei.

Após decidirmos as músicas, eu fui separar a roupa que eu iria usar para um jantar que teria na casa dos meus padrinhos. Seria mais daqueles jantares que vinha um monte de gente com dinheiro, e que eu não me sentia bem perto deles, mas a madrinha fazia questão da presença dos meus pais, e a minha principalmente.

O vestido preto até que ficou bem em mim, mas ao mesmo tempo ficou tão colado ao meu corpo... Não sei se irei me sentir bem. Olhei-me diversas vezes no espelho, até que me decide que teria que ser aquele mesmo. Deixei meu cabelo solto, a minha maquiagem neutra, mas os olhos bem marcados. Coloquei meu sapato de salto e fui encontrar com o Gabe.

Encontrei Gabe conversando com um homem. O homem ficou olhando para mim, foi então que Gabe virou-se e veio em minha direção. Ele me olhou de cima para baixo, e me deu um beijo na bochecha. Gabe estava tão... Maravilhoso. Seu cheiro inebriante me deixou tonta.

– Como estou?

– Está... Linda. Muito linda. – falou, sem tirar os olhos dos meus.

– Obrigada. Você também não está nada mal. – brinquei. Ele não estava nada mal mesmo. Ele estava bem... Perfeitamente bem.

– Coloquei a melhor roupa. Venha, deixe-me te apresentar para algumas pessoas. – falou me puxando, sem esperar eu falar alguma coisa.

Gabe me apresentou para todos que estavam ali. Ele dizia que eu era a namorada dele, e em nenhum momento tirou as mãos da minha cintura. Eu senti algo dentro de mim. Algo bem grande, e quando ele falava que eu era a sua namorada, eu me senti estranha. Mas um estranho bom. Não tinha raiva, ou medo... Era apenas felicidade.

Estávamos na mesa do jantar, e havia muitas pessoas legais. Muitos ali tinham dinheiro porque eram médicos, engenheiros, advogados, entre outras profissões. Mas claro que nada são flores. Na mesa estava Daniel, Patrícia e os seus pais. Patrícia tentou várias vezes chamar a atenção do Gabe, mas ele em nenhum momento deu bola pra ela. E eu adorei, né?! Quem ela acha que é para dar em cima do Gabe? Bem, Gabe sentou-se ao meu lado direito, já o Daniel sentou-se do lado esquerdo. Eu tentei disfarçar o meu desgosto, mas estava sendo impossível. Daniel ficava sorrindo pra mim, ou tinha hora que passava as mãos nos meus braços. Eu não queria arrumar briga, mas se ele passasse mais uma vez as mãos em mim, eu cortaria, sem dó e piedade.

– Algum problema, Emy? – Daniel me perguntou baixinho.

Sim, eu tenho um problema. Você é o meu problema nesse momento, seu idiota. Quando eu ia responder, um Gabe com a cara fechada olhou para o Daniel e falou o mais baixo possível.

– Se tentar falar com a princesa mais uma vez, eu acabo com isso que você chama de rosto. E nenhum cirurgião poderá consertar. – falou bravo, e eu pude sentir que ele não estava mentindo.

– Gabe, acalme-se. Estamos em um jantar, e eu não quero briga. Deixe-o para lá. – falei, tentando acalmá-lo. Não queria que o jantar acabasse por causa do idiota do Daniel.

Depois do Gabe ameaça-lo, Daniel parou com as “investidas”. Eu acho que ele tem medo do Gabe, viu. Porque foi o Gabe falar, que na hora Daniel parou. Eu achei maravilhoso, porque eu já estava ficando irritada com aquilo.

O jantar está ocorrendo tranquilamente, para o alívio. O assunto é a festa que vai acontecer amanhã. Estamos ansiosos, e felizes. Todos confirmaram a presença, e infelizmente a Patrícia também estará. Eu terei que aguentar essa mulher mais um dia, mas eu não vou aguentar ela dar em cima do Gabe. Ah, não vou mesmo. Na hora da sobremesa, Gabe e eu nos deliciamos com o bolo de chocolate, o nosso preferido. Mas outra torta me chamou atenção, e eu como sou uma formiga peguei um pedaço pequeno. Ofereci para o Gabe, mas ele não quis. Coloquei um pedaço na boca, e me deliciei. Realmente estava bom, muito bom. Fui comendo, até sentir um formigamento na minha língua. Aquilo não estava normal. Eu só sentia isso quando comia algo que eu sou alérgica. Deus! Minha respiração está falhando, e a minha língua está ficando cada vez mais dormente. Cutuquei o Gabe, e ele me olhou assustado.

– O que foi princesa?

Eu não conseguia responder. Olhei para os meus braços, e eles estavam vermelhos, e coçava muito. Apontei para a torta e para mim, e ele imediatamente se levantou.

– Meu Deus! Emy, você não está respirando direito. Você comeu amendoim? Você sabe que não pode comer. – falou nervoso.

Todos que estavam na mesa começaram a ficar preocupados, menos claro a família do Daniel.

– Filha. Pelo amor de Deus, tenta puxar o ar. – meu pai falou desesperado.

Eu não conseguia. A minha pele ardia, e cada vez mais eu sentia tontura. Tentei me levantar, mas se não fosse pelo Gabe, eu teria caído no chão. Gabe me levou até o quarto, e me deitou na cama. Um dos amigos do meu padrinho era médico, e ele estava e examinando cautelosamente. Ele me deu um remédio, e falou que a causa era por causa da ingestão do amendoim. Mas onde será que eu comi amendoim? Só se for a torta, mas a minha mãe sabe que eu não posso com isso. Estranho. O médico falou que tinha que ficar de repouso, e que a minha boca estava inchada por causa da alergia.

– Querida, você teve sorte, porque senão teria acontecido algo pior. A sua alergia é séria, e você poderia ter morrido. Sorte que tinha um médico aqui, senão... Mas eu já te mediquei, e repouso por hoje, ok?

Concordei e agradeci pelo atendimento e pela atenção. Meus padrinhos queriam cancelar a festa por minha causa, mas eu os proibi. Estava tudo pronto, e não seria uma crise alérgica que faria isso com a festa. Gabe ficou o tempo todo ao meu lado, e até falou que eu poderia ser uma Nicki Minaj da vida, por causa dos meus lábios. E eu morri de rir.

Acordei bem melhor, graças a Deus. Minha boca não estava inchada, minha pele estava só um pouco vermelha, minha língua não estava dormente e a tontura tinha ido embora. O remédio realmente foi bom para mim. Gabe ficou o tempo todo ao meu lado, mesmo eu falando para ele ir se deitar em seu quarto. Ele ficou sentado na cama, e fez cafuné, até eu cair no sono. Tomei o café da manhã, e todos perguntaram como eu estava. Depois do café, eu fui ajudar mamãe na cozinha. E mesmo com ela falando que não precisava, eu fui.

– Filha, você acha que foi a Patrícia que fez isso com você? – mamãe perguntou, enquanto lavava louça.

– Eu não sei mãe. Como ela faria isso? – falei, guardando os copos.

– Eu não sei. Eu e o seu pai ficamos pensando nisso a noite toda. Mas alguém fez aquilo, porque eu não iria colocar algo que eu sei que você não pode. Eu sou a sua mãe, e te conheço melhor do que ninguém. – minha mãe falou chorando.

– Ei, mãe. Não chora, ok?! Não é culpa sua. Eu sei que você seria incapaz de fazer isso. – falei a abraçando.

– Eu juro filha, que se tivesse acontecido alguma coisa com você, ela iria se arrepender.

– Mas graças a Deus eu estou bem. E temos uma festa hoje à noite. Então vamos esquecer as preocupações por hoje. – falei sorrindo.

– Eu te amo, filha.

– Eu te amo, mãe. Você é a melhor mãe do mundo!

Assim que acabamos de arrumar toda a louça, ficamos conversando asneiras. A minha madrinha não queria que mamãe fizesse almoço, porque nós iríamos almoçar fora.

Procurei Gabe por todos os lugares, mas a madrinha me falou que Gabe tinha dado uma saída, mas que logo estaria de volta. Ache i estranho, já que ele saiu sem me falar nada, e isso raramente acontecia.

Fomos almoçar, e depois ao cabeleireiro. E a festa? Bem, ela estava nas mãos do melhor organizador de Washington. Fomos a uma loja, e a minha madrinha comprou um vestido para mim e para minha mãe, que reclamou, mas que acabou aceitando. Chegamos a casa, e achei que Gabe já estaria aqui, mas não. Aonde será que ele se meteu? Liguei pra ele, mas só deu na caixa postal. Droga! Será que aconteceu alguma coisa? Não! Claro que não! Noticia ruim chega rápido, não é?! Então não tinha acontecido nada. Nada.

Fui me arrumar no quarto, mas a minha preocupação era grande. Coloquei o meu vestido roxo, que deixava um pouco as minhas pernas à mostra. Fiz um olho esfumaçado, para deixar meus olhos azuis em destaque, e coloquei um batom vermelho. Coloquei um par de brincos que combinavam com o vestido, e deixei meu cabelo do mesmo jeito que o cabeleireiro havia feito.

Cheguei à sala, e a minha madrinha estava linda também, mas a preocupação em seu olhar me deixou alarmada. Ela havia ligado para o Gabe, assim como eu, minha mãe, meu pai e meu padrinho, mas só estava dando desligado. Tentei tranquiliza-la, falando que nada teria acontecido, porque senão alguém teria falado alguma coisa. Ela concordou, mas a preocupação não deixou o seu olhar. Fomos para a festa, que estava perfeita. Mesas espalhadas pelo jardim enorme. Luzes para todos os lados. Um palco para a banda se apresentar, DJ, e o Buffet. Meus padrinhos estavam recepcionando a todos, enquanto meus pais estavam verificando se estava tudo certo.

Eu não parei um segundo de ligar para o Gabe, e até na minha teoria de que, notícia ruim chega logo, eu estava começando a desacreditar. Eu juro que se ele aparecer na minha frente agora eu vou esmagá-lo só por nos deixar loucos de preocupação. Liguei, liguei, liguei e nada. Só estava dando desligado. Droga! Até para os meninos eu liguei, mas eles avisaram que não tinha visto o Gabe, e que eles estavam vindos para a festa.

– Tudo bem, querida? – merda! Era a voz da última pessoa que eu queria ver agora.

– O que você quer Daniel? Eu estou ocupada. – falei, sem ao menos olhar para a cara do idiota.

– Só quero saber se você está bem. – falou perto demais de mim.

– Eu estou bem. Agora pode ir curtir a festa.

– Nossa! Como você está ríspida. Será que o Gabe não está dando conta de você?

O que? Esse babaca está acabando com a minha pouca paciência nesse momento. Eu quero chutar as bolas dele, mas isso iria alarmar, e acaba com a festa. Então, me virei para ele e sorri sarcasticamente.

– Querido, não é da sua conta o que eu e o Gabe fazemos ou deixamos de fazer, ok?! Então não se intrometa onde não é chamado. – falei, tentando ser mais educada possível.

– Uau! Que mulher arisca. Adoro mulheres assim. Mas, será que o Gabe não deve estar com nenhuma mulher por ai? Porque você sabe como ele é. Até a minha irmã ele pegou.

Será que o Gabe estava com alguma mulher? Não! Ele não seria capaz de fazer isso comigo. Ou seria?

– Perdeu a fala? Ou será que você está concordando comigo?

– Sai daqui, Daniel.

– Ok, mas antes, cadê o Gabe? Ele deveria estar aqui, ao seu lado. Bem que nós poderíamos ficar juntos. O que você acha? – falou passando a mão na minha nuca.

– Ela acha que eu vou acabar com a sua raça, seu filho da puta!

Meu Deus! Gabe apareceu do nada, e tirou logo de cara o Daniel de perto de mim. Eu vi as suas mãos em punho, e imaginei a briga que isso iria dar. Coloquei-me entre eles, e pedi para não fazerem nada.

– Eu avisei. Se você chegar perto dela novamente, eu acabo com a sua raça. – Gabe falou nervoso, e olhando furiosamente para Daniel.

Daniel levanta as mãos como sinal de quem vai se render, mas antes de sair, ele dá um sorriso sarcástico.

– Cuidado com a Emy, Gabe. Alguém pode roubá-la de você, antes que você perceba. – falou, e foi embora.

Eu nem liguei para o que ele tinha falado. Eu tinha um peixe maior para tratar agora, e ele estava bem aqui na minha frente, vestido um terno magnífico. Seu cabelo molhando e seu perfume forte e marcante.

– Princesa, eu...

– Você tem a merda da noção do que você fez com a gente? Você some a tarde inteira, não atende a merda do seu celular, e agora aparece do nada? Você me deu bronca porque eu bebi, mas e você que some e não dá um aviso sequer. Não falou onde estava, chegou atrasado à festa dos seus pais, e sabe lá o que estava fazendo. – falei nervosa, e com medo de saber onde ele poderia ter passado a tarde inteira.

– Eu não...

– Olha, a minha vontade é de te matar agora. Eu só não faço isso por causa da festa. Mas depois eu posso muito bem fazer isso.

Gabe não falou, até porque eu não deixei também. Quando eu ia abrir a boca para pedir explicações, ele me arrasta para a nossa árvore da infância. Pois é, nós temos a árvore da infância, que é onde sempre brincávamos e nos divertíamos. Até as nossas iniciais nós colocamos na madeira da grande árvore.

– Gabe, o que estamos fazendo aqui? A festa é do outro lado. Olha aqui, se for para vir com mentiras e desculpas esfarrapadas, eu vou...

O que? Gabe nem deixou eu acabar de falar, e me agarrou com toda a sua força e me beijou. Sim, eu estou beijando Gabe. Meu melhor amigo, meu namorado de mentirinha e esse Deus grego! Meu Jesus, que beijo é esse? Gabe está fazendo uma dança aqui, porque não para de se mexer. Ele cada vez mais está agarrando a minha cintura fortemente, e a outra mão está na minha nuca, fazendo com que eu sinta arrepios por todo o meu corpo. Gabe não para nenhum segundo, e o nosso beijo se intensifica cada vez mais. Eu estou sentindo aquela coisinha estranha de novo, e um tesão absurdo. Meu pai, que homem, que homem... E a mordida que eu levei nos lábios. Meu Deus me segure!

– Gabe, espera ai... O que foi isso? – perguntei, tentando recuperar o fôlego que ele roubou de mim com esse beijo.

Ele não respondia nada, e só me olhava cada vez mais intensamente. Eu estava vermelha e despenteada, com certeza. Gabe foi chegando mais perto de mim, e eu achei que ele iria me beijar de novo, mas para a minha surpresa, suas mãos foram para o meu rosto, e ele começou a acariciar bem devagar, fazendo com que eu fechasse os olhos e imaginasse muitas coisas.

– Princesa, eu... Eu...

– Você...

– Emy, eu te amo, enlouquecidamente. –falou olhando profundamente meus olhos.

O que? Foi isso mesmo que eu ouvi? Meu pai do céu!

Gabe

Fiz a cara de quem iria dar aquelas broncas terríveis, e era a minha vontade mesmo. A Emy sabia que não podia beber daquele jeito, já que não era a primeira vez. Mas o que me deixou possesso foi vê-la dançando com aquele bando de globo de boate. Sim, eles brilhavam mais do que aqueles globos que iluminam. E quem em sã consciência coloca gliter no próprio corpo? Só eles mesmos. E a Emy tava lá, toda se esfregando no projeto de Ken. Argh! Vontade de matar por causa da bebida e por causa daquelas passadas da mão desnecessárias. Até porque, as meninas também estavam mais bêbadas do que qualquer homem.

Ela me deu aquele bom dia fofo, que eu sabia que era por causa do medo da bronca que eu iria dar. Ah, querida, não adianta vir com essa posse de “eu não tenho culpa, foi a bebida”. É culpa sua sim, ninguém esfregou a garrafa na sua cara e te obrigou. Ela tentou falar, mas eu queria dar a lição nela, antes que ela faça meu coração amolecer, e eu esqueça a burrada que ela poderia ter feito. Sim, porque ela poderia estar na cama de um daqueles lá, e eu estaria preocupado e louco. Só de pensar nela na cama daqueles caras, eu já fico puto da vida. Falei tudo o que eu tinha que falar, e até mencionei o fato dos meus padrinhos acabarem com ela. Claro que eu não iria falar nada para ele, já que eu não teria coragem de vê-la levar outra bronca, mas que seria bom para ela aprender, ah, seria...

Pronto. Dei a bronca, e eu percebi que ela estava arrependida. Mas ela é surpreendente. Daquelas que não deixa passar nada. Perguntou como eu descobri a boate. Bem, se ela soubesse o sacrifício, e o dinheiro que tivemos que dar, ela me mataria. Mudei de assunto, já que não queria arrumar mais confusão. Sorri para ele, para mostrar que estava tudo bem entre a gente, e que eu não estava mais bravo com ela. Ela ficou me encarando, e eu brinquei com ela.

– Para de ficar babando por mim, querida. – brinquei. Chegando cada vez mais perto dela.

– Babando por você, Gabe? Quem babaria por você?

– Muita gente. Pode sair perguntando por ai.

– Gabe, eu não fiz nenhuma burrice com você, né?! Tipo, vomitei, dancei, ou sei lá, fiquei pelada.

Merda! O que eu respondo agora? Sim, Emy, você só dançou sensualmente, e meu amigão criou vida. Só isso, coisa básica. Ah, claro que eu não iria falar isso, até porque ela ficaria morrendo de vergonha, e pelo o que eu a conheço, ela não iria olhar na minha cara, e eu não quero essa distância entre a gente. Então eu menti, dizendo que ela tinha pagado completamente. Quem dera se isso fosse verdade. Teria ajudado mais, e não confundido a minha cabeça, as duas cabeças. Após deixá-la tomando o café, eu desci para dar mais liberdade para ela.

Emy estava brincando com o príncipe, e até confesso que senti um pouco de ciúmes. Ela dava toda a atenção para ele, e para mim, nada. Nunca fui carente desse jeito, mas muitas coisas estão mudando na minha vida. Muitas mesmo.

Depois de tanto paparicar o príncipe, nós fomos escolher as músicas que seriam tocadas na festa. Ainda bem que teria um DJ, porque se dependesse da Emy, todos só escutariam músicas românticas, daquelas bem melosas mesmo. Do tipo que faz a gente se afunda junto com o Titanic. Até tentei colocar um Rock, mas ela nem quis saber. Brinquei, falando que iria colocar NSYNC e Britney Spears, mas eu não podia ouvir mais o Justin Timberlake na minha frente. Ele me fez dançar depois vê-la dançando com aqueles... Seres. Minha cota de Justin já está ultrapassada.

Eu estava terminando de arrumar para esse jantar que antecede o baile. Viria muita gente chata, mas alguns até que legais. Embora sejam poucos. Desci e procurei pela Emy, mas ela ainda estava se arrumando, então fiquei conversando com um dos amigos do meu pai. Ele me falava como estavam os negócios da sua construtora, e eu achando aquilo super chato. Queria que a princesa viesse logo, porque só ela para me tirar desse tédio. Eu concordava com tudo o que o homem estava falando, mesmo não prestando atenção em nada. Notei que ele parou de falar e ficou olhando alguma coisa atrás de mim. Eu me virei, e me deparei com a Emy. Meu Deus! Ela estava... Perfeita! Quando eu acho que ela não pode mais ficar linda, ela se supera. Mesmo não gostando desse vestido muito colado ao seu corpo, porque todos estão olhando, e isso me deixa muito incomodado, eu não posso deixa de babar e de admirar a mulher que eu chamo de amiga. Fui até ela, sem ao menos se despedir do homem, já que ele era o de menos ali. Meu foco agora é a Emy. Só ela.

– Como estou?

Como eu posso dizer? Linda? Perfeita? Maravilhosa? Gostosa? Tantos adjetivos...

– Está... Linda. Muito linda. – falei, sem conseguir tirar os olhos dela.

Porra Gabe! Tantos adjetivos, e você foi escolher linda?! Burro!

– Obrigada. Você também não está nada mal.

Ah, como eu amava quando ela brincava comigo desse jeito.

– Coloquei a melhor roupa. Venha, deixe-me te apresentar para algumas pessoas.

Eu a apresentei para todos os presentes ali como minha namorada. Eu senti essa necessidade absurda de todos saberem que ela tinha alguém, e esse alguém era eu. Não tirei as mãos dela, principalmente por causa de uns homens que não tiravam os olhos dela. Isso me incomodou muito. Muito mesmo.

Fomos sentar para jantarmos, e eu, claro, sentei-me ao lado direito dela, e quando eu menos esperava o idiota, filho da puta, o bastardo do Daniel sentou-se do lado esquerdo dela. Esse daí é o próximo da minha lista. Ele que me aguarde. Patrícia era outra que estava enchendo o meu saco. Ela tentava chamar a minha atenção, até vir com uma blusa de decote ela veio. Querida, eu já vi isso ai, e confesso que não são tão bonitos assim... Fora a sua chatice. Bonitos são os da Emy... Opa, foco na amizade. Foco.

O jantar estava bom, mesmo com os sorrisos que Daniel dava para a princesa. Ele acha que eu não vi? Ah, idiota! Quando se trata da Emy, eu vejo e percebo tudo. Tudo. Quando eu o vi passando a mão nos braços da princesa, ah, eu pirei. Eu queria levantar da mesa, e chutar as bolas dele, sem dó. Mas eu contentei em apenas dar um aviso. Por enquanto

– Se tentar falar com a princesa mais uma vez, eu acabo com isso que você chama de rosto. E nenhum cirurgião poderá consertar- ou cortar você inteiro, já que pra mim, não irá fazer falta nenhuma.

Emy me acalmou, e eu também não queria estragar o jantar dos meus pais, mas esse garoto acaba com a minha paciência. Eu devo ter pregado chiclete na cruz, porque para aguentar Chad e Daniel, eu tinha que ter feito algo de muito ruim para alguém. Esses dois não me dão paz, e sempre ficam de grude com a Emy. Meu Deus será que eu teria que distribuis socos por ai? Só assim para eles pararem, né?!

Estávamos comendo a sobremesa tranquilamente. Meu quis um pedaço de uma torta não sei do que, mas eu não quis. Estava conversando com um senhor que era muito simpático, e ele estava me falando sobre como é ser médico. Estava bem interessante o assunto, quando senti que a Emy estava me cutucando. Olhei para ela preocupado e perguntei o que era, mas ela não me falava nada. Será que era uma crise de novo? Cadê a bombinha dela? Olhei para os braços dela, e eles estavam vermelhos, e ela não parava de coçar. Mas que merda era aquela? Eu me lembrei da crise alérgica que ela teve uma vez, e eu me desesperei. Ela havia comido algo que não podia.

– Meu Deus! Emy, você não está respirando direito. Você comeu amendoim? Você sabe que não pode comer. – falei nervoso com toda aquela situação. O que eu poderia fazer?

Meu padrinho veio até a gente, e pediu para que ela tentasse puxar o ar, mas não estava adiantando. Merda! Mil vezes, merda! O que eu faço? Ok. Primeiro passo é. Levá-la daqui. Peguei-a no colo, e a levei para o quarto ao lado do meu. Coloque-a na cama, e corri para pedir ajuda ao senhor que era médico. Ele prontamente foi até o carro e pegou a sua maleta e foi atendê-la. Ficamos do lado de fora, esperando por alguma noticia. E cada segundo que passava, a minha angustia aumentava. Fui buscar um pouco de água para a madrinha, para ver se ela se acalmava um pouco, quando senti dois braços me puxando.

– Que porra é essa, Patrícia?- falei nervoso.

– Vamos ficar juntos, Gabe. Aquela noite foi tão perfeita. Eu nunca me senti tão completa. – falou-me, tentando me beijar a todo custo.

– Sai daqui. Eu não quero saber daquela noite. Aquilo foi um erro. Um dos meus piores erros.

– É por causa dela, não é? Você sempre amou a Emy, não é? Mas, algo me diz que esse relacionamento de vocês não é de verdade.

– Eu não me importo o que você acha ou deixa de achar. O que eu e a Emy temos é o que importa.

– Você a ama, Gabe?

– Que pergunta idiota. Claro que eu a amo.

Amo mesmo. Muito. Pela Emy eu sou capaz de tudo. De dar a vida por ela, sem pensar duas vezes.

– Mas ama enlouquecidamente? Aquele amor que te faz perder as estribeiras. Que faz você perder a noção de tudo, e de quem você é? Eu acho que não, Gabe. Você está se enganando, e enganando a Emy. Você não foi feito para amar alguém assim. E, pelo o que eu conheço Emy, ela quer um amor assim. Ela sempre sonhou com um amor assim.

Eu amava a Emy assim? Eu seria capaz de tudo por ela. Eu não quero enganá-la, e sei que a Emy sempre sonhou com príncipe encantado, e tudo mais, mas eu não sei se consigo abrir mão dela para alguém. Ninguém a merece. A única certeza que eu tenho, é que eu a amo de uma maneira diferente. Não é como eu me sentia antes. É algo mais forte, mais intenso. E é mais do que paixão e tesão. É um amor... Inexplicável.

– Não te interessa. – falei sem paciência. – Agora eu vou voltar para a minha namorada, que é o melhor que eu faço.

– Espero que ela não morra, porque do tanto que comeu...

Espera ai... Será que ela tem alguma coisa a ver com aquilo? Seria demais, e eu não me seguraria. E não lembraria que ela é mulher.

– Se eu descobrir que você tem alguma coisa a ver com o que aconteceu com a Emy, eu juro, eu acabo com você. – falei seriamente.

Deixei a Patrícia sozinha na cozinha, e voltei para saber como a Emy estava. Mas sabe quando alguma coisa fica martelando na cabeça? Eu estava sentindo isso em relação ao assunto que a Patrícia tocou. Eu teria que dar um jeito na minha vida, e esclarecer algumas coisas também.

O médico deu um remédio para a princesa, e confirmou a ingestão de amendoim. E eu imaginei que poderia ser a torta, e que Patrícia tinha dedo nessa história. Mas meu foco agora era a Emy, e nada mais. Ele deu repouso absoluto, e assim que ele nos falou que ela teve sorte, pois poderia ter acontecido algo pior, eu me desesperei. E se tivesse acontecido? Eu morreria junto com ela.

Prontifiquei-me a ficar com ela, e até brinquei, falando que ela estava parecendo a Nicki Minaj com aquela boca carnuda, devido a alergia. Fiquei fazendo cafuné nela, assim como eu sempre fazia quando éramos crianças. Ela até falou para eu dormir, mas eu não conseguiria ficar em paz, e muito menos dormir. Emy dormiu rapidamente, e eu pude contemplar o sono, e agradecer a Deus por ela estar bem.

Fiquei pensando no que a Patrícia me na cozinha. Será que eu estava enganando a Emy, e me enganando? A última coisa que eu quero fazer é magoar a princesa. Ela é a pessoa mais importante da minha vida. Nunca irei conseguir viver sem tê-la ao meu lado. Sem saber se ela está bem. Se está doente, se está se alimentando direito É uma necessidade que eu tenho dela, que é viciante e louco. Sabe aquela sensação estranha dentro do peito? Eu sempre senti isso, mas está mais forte a cada dia. É como se eu quisesse colocar para fora.

Dormi na cadeira que tinha ao lado da cama, mas assim que eu vi os raios do Sol, eu me levantei e fui até o meu quarto. Tomei o café junto com todo mundo, e, graças a Deus, a Emy estava bem. Fui até a minha mãe, que estava procurando por alguns vídeos dela e meu pai, para colocar no telão da festa. Eu fiquei olhando para os vídeos e sorria. Nunca vi um casal tão feliz igual aos meus pais. Eles se completavam em todos os sentidos e de todas as formas.

– Olha o que eu achei filho. – mamãe falou, colocando outro DVD.

Nas imagens, estava eu sentado, e a Emy dançando como uma bailarina. Eu só estava observando e sorrindo. Eu me lembro desse dia. A Emy tinha ganhado uma rouba de balé, e estava exibindo para todo mundo. Depois minha mãe colocou em uma gravação feita debaixo da árvore que eu e a Emy costumávamos brincar. Ela estava vestida de branco, e eu com o meu terno. Parecia ser um casamento. Ah, eu me lembro. Nós estávamos brincando que iríamos nos casar. Juramos que estaríamos juntos para sempre, e que nada iria nos separar. O bolo era de chocolate, o nosso preferido. Eu me senti tão feliz esse dia.

– Olha que lindos vocês dois. Eu chorei nesse dia, acredita?- mamãe falou saudosa.

– Jura? Por quê?

– Porque eu sabia qual seria o seu destino. Sabia que de alguma forma, vocês ficariam juntos. Você nunca soube ficar longe da Emy. E nem ela ficar longe de você. Eu sempre percebi um brilho especial em seus olhos quando estava perto dela. E a falta que você sentia quando ela estava distante. Lembra aquela vez que ela viajou com os seus padrinhos, e você ficou doente, e só melhorou quando ela voltou?

– Lembro. Foi horrível. Nem o médico soube explicar o que foi aquilo. A princesa ficou o tempo todo ao meu lado.

– Ah, fora o apelido que você colocou nela. Ninguém podia chamá-la de princesa, senão você batia.

Bem, até hoje eu sou assim. Acho que não mudei muito.

– Verdade.

– Você deve amá-la muito, não é? Mesmo demorando em você perceber esse sentimento, eu fico feliz que estejam juntos. Imagina ela junto com o Chad?

Não! Ela não vai ficar com o idiota.

– Você a ama, não é filho? – mamãe perguntou sorrindo.

Droga! Essa pergunta de novo?Eu preciso pensar muito sobre isso. Muito mesmo.

– Mãe, eu tenho que resolver uma coisa antes da festa. Volto rápido. – falei, dando um beijo nela.

– Filho, não esconda o que você sente. Dá para ver o amor transbordar entre vocês, mas se demorar pode ser tarde demais.

Assenti e sai para pensar.

Estacionei o meu carro perto da praia que eu costumava vir com a família. Sentei-me na areia e deixei meus pensamentos vagarem. E todos eles foram para a Emy. Todos os sorrisos dela. Todas as vezes que eu a protegi, seja de um bastardo, ou de uma simples barata. Das vezes que a vi dormir, de quando ela ficou doente, e eu estava ao lado dela. Até das vezes que eu quis matar Chad e George, porque eles estavam com as mãos ou a boca nela. Eu nunca aceitei aquilo, e nunca aceitaria. Desde quando ela nasceu ela é minha, e de mais ninguém. Aquela praia tinha uma lembrança boa, porque foi àquela praia que a Emy conheceu. Ela sorria vendo o mar, e gritou todas as vezes que a onda vinha em direção a ela. Foi um dia perfeito e cheio de boas lembranças.

– Emy, o que você fez comigo? O que eu estou fazendo comigo? Com nós? Será que é mesmo esse amor que o homem sente pela mulher? Meu Deus me ajude! – falei comigo mesmo.

Fiquei pensando e pensando, e lembrei-me das palavras da minha mãe. Merda! Eu estou ferrado! Isso mesmo! Eu estou apaixonado pela Emy. Pela minha melhor amiga! Droga! Porque eu não conseguia enxergar antes? Agora eu estou aqui, caindo em si, e percebendo que a mulher da minha vida sempre esteve ao meu lado, só que eu fui cego demais para perceber.

O que eu faço agora? Conto ou não? Será que vai estragar a nossa amizade? Eu poderia ter me apaixonado por outra mulher... Não, eu não poderia. Eu sou apaixonada pela Emily Campbell. Deus! Como eu amo aquela mulher. Ela não pode ficar com Chad, George, Daniel e nenhum desses babacas trocoditas. Ela tem que ficar comigo, só comigo. Agora eu sei que, esses ciúmes todo, meu medo, tudo isso, sempre foi amor. Como será que eu posso falar? Chego e dou um beijo? Danço primeiro? Argh! Eu não sei fazer isso! Mas por ela eu faço!

Fiquei tão perdido nos meus pensamentos, que nem vi a hora passando. Já estava tarde, e, com certeza, a festa já tinha começado. Durante todo o caminho para casa, eu me lembrava da carinha da princesa. Ela vai se surpreender hoje. Hoje eu mostro o verdadeiro Gabe para ela. Aquele maluco apaixonado desde... Sempre.

Tomei um banho rápido, e coloquei o meu terno. Peguei o celular e vi as milhares de ligações e mensagens. A maioria era da Emy. Merda! Eu esqueci de ligar, e claro que ela estaria preocupada comigo. Fui até os meus pais, que estavam cumprimentando alguns amigos.

– Oi mãe, pai. – falei sem graça.

– Ah, meu filho. Graças a Deus você chegou. Estávamos tão preocupados com você. Nunca mais faça isso conosco, entendeu? – mamãe disse brava.

– Desculpe-me, mãe. Mas o assunto foi longo.

– Mas você conseguiu resolver? – meu pai perguntou preocupado.

– Sim. Eu... Pensei muito e resolvi. Agora eu quero ver como está a minha namorada.

– Ela vai te matar, viu?! Emy estava desesperada atrás de você. – papai falou.

– Eu dou um jeito naquela marrentinha. – falei sorrindo, e indo atrás da Emy.

Eu iria acabar com essa angustia de anos. E não poderia amarelar agora. Vamos lá, Gabe. Seja homem para a sua mulher. Procurei-a por todos os lugares, mas nada de achá-la. Comecei a ficar preocupado, mas ouvi a voz que era inesquecível para mim. Segui a voz, e avistei Emy. Meu pai! Ela estava... Maravilhosa. Aquele vestido roxo marcou bem o seu corpo. Seus cabelos soltos. Ela é muito para o meu caminhãozinho, mas eu aguentaria... Ah, eu faço questão de aguentar. Emy parecia estar nervosa, e quando fui ver direito, o idiota do Daniel estava a perturbando. Será que ele não se tocava que um estorvo nas nossas vidas? Bem, se ele não sabe, eu faço questão de mostrar.

Apressei os meus passos, e quando cheguei perto, deu para ouvir alguma coisa que a Emy achava. Ele vai achar... O rumo do inferno.

– Ela acha que eu vou acabar com a sua raça, seu filho da puta! – falei nervoso, e afastando Daniel de perto dela.

Emy se colocou entre nós e pediu para não brigarmos. Eu não iria acabar com a raça dele... Agora. Senão a festa iria para o ralo.

– Eu avisei. Se você chegar perto dela novamente, eu acabo com a sua raça. – falei nervoso, sem tirar os olhos dele, mostrando que quem manda nessa porra sou eu.

O bastardo levantou as mãos como sinal de rendição, mas eu sabia que ele não iria deixar barato.

– Cuidado com a Emy, Gabe. Alguém pode roubá-la de você, antes que você perceba.

Agora eu mato esse filho da puta! Ah! Eu quero acabar coma raça desse vagabundo! Filho da mãe, puta, vaca... De quem for. Eu vou mandá-lo par ao inferno, mas mando vivo.

Emy me segurou, porque ela sabia que eu acabaria com aquilo que ele chama de corpo. Acalme-se, Gabe. Seu foco agora é mostrar para a Emy o seu amor. Depois você acaba com a vida dele. Primeiro o amor, depois a guerra...

– Princesa, eu...

Puta que pariu! Nem deu tempo de respirar. A Emy caiu matando em cima de mim. Deu-me uma bronca daquelas de arrancar o couro. Nunca a vi tão nervosa como agora. Nem me deixar falar ela deixou. Escutei tudo, sem abrir a boca. Mas a tensão estava subindo em mim, e eu precisava beijar aquela boca gostosa. Levei-a até a nossa árvore, onde juramos que estaríamos sempre juntos. Fiquei olhando para ela, tentando criar a coragem que eu estava desaparecendo.

– Gabe, o que estamos fazendo aqui? A festa é do outro lado. Olha aqui, se for para vir com mentiras e desculpas esfarrapadas, eu vou...

Não pude esperar mais nada. Eu a agarrei pela cintura, e a beijei loucamente. Sem pedir permissão, eu a apertava mais, para ficar cada vez mais perto de mim. Não queria nem o vento entre nós. Ali éramos somente nós dois, e meu amor por ela. O beijo estava se intensificando, e parecíamos o encaixe perfeito um do outro. Nossas línguas pareciam bailarinas, do tanto que estavam grudadas. A minha outra mão estava em sua nuca, com medo dela querer separar de mim, eu a prendia, como um predador prendendo a pobre vitima. Só parei porque senti que estávamos ficando sem ar. Mas antes, eu dei uma mordida em seus lábios, para podem sentir ainda mais a gostosura deles, e o quanto meu desejo era grande.

Olhei para ela, que estava sem entender nada. Eu estava feliz. Meu Deus! Foi o melhor beijo de toda a minha vida! Como eu pude ficar tanto tempo com ela ao meu lado, e sem provar essa doçura?

– Gabe, espera ai... O que foi isso?

Fui chegando cada vez mais perto dela, e o maldito do amigão já estava acordado. Ela achou que eu iria beijá-la novamente, mas antes disso acontecer, eu precisava confessar o meu pecado. Precisava confessar o meu amor por ela. Sim, ela é o meu maior pecado.

Comecei a acariciar o rosto angelical da minha princesa, fazendo com que ela fechasse os olhos, e eu para pensar um pouco no que eu iria fazer.

– Princesa, eu... Eu...

Coragem Gabe! Coragem!

– Você...

É agora ou nunca! Vamos lá! É só dizer, Gabe. Só isso. Respira fundo e fale a verdade.

– Emy, eu te amo, enlouquecidamente. –falei olhando profundamente em seus olhos.

Pronto! Agora eu falei! Emy parecia estática, e me olhava assustada. E eu só pensava em beijá-la novamente. Até o fim da minha vida!