Eternamente

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Oi, amores! Quem aqui que capítulo novo?? Está fresquinho, fresquinho... Eu quero agradecer a todos vocês, meus leitores lindos, que faz de mim uma pessoa feliz! Agradecer aos comentários, que eu ainda vou responder, juro, e a todos que estão acompanhando. Espero que gostem, curtam, recomendem e se apaixonem pelo nosso casal mais fofo! Sem mais delongas... Beijos

Gabe apertava cada vez mais a minha mão, mas sem a pretensão de machucar. Ele estava notavelmente nervoso, e eu mais ainda. Todos ali nos olhavam assustados, como se tivéssemos falado alguma besteira, ou algo pior. Patrícia parecia estar inconformada, e eu estava adorando ver a cara de idiota dela. Chupa, vadia! Os pais dela pareciam que queriam matar qualquer um, ou melhor, queriam me matar. Daniel sorria maliciosamente, e não parava de ficar me olhando de cima para baixo. Cadê o respeito, rapaz? Eu tenho namorado! Ok, eu sei que é de mentira, mas mesmo assim, né?! Meus pais me olhavam assustados. Até eu estaria me olhando assustada. Eles pareciam não estar acreditando, já que eu nunca havia mencionado namoro, muito menos uma paquera, e olha que a minha mãe perguntava sempre. Meu pai estava querendo acreditar, mas eu via que ele queria voar no pescoço do Gabe. Ciumento? Nem um pouco, imagina! Bem, os meus padrinhos? A minha madrinha sorria, com um sorriso mais largo do que o coringa, e meu padrinho nos olhava assustadoramente. Meu Deus! Eu acho que posso cavar um buraco agora, não é?! Parece que ninguém nunca namorou. Ficam nos olhando desse jeito intimador. Eu tenho medo desses olhares. Muito medo!

Olhei para o Gabe e sorri. Ele sabia que eu queria sair dali correndo, mas o seu sorriso me tranquilizou. Ele sussurrou em meu ouvido, fazendo eu me arrepiar. Sem arrepios, Emy. É o frio! Claro que é frio!

– Tudo vai ficar bem, princesa. Mantenha a calma!

Eu assenti, esperando começar a santa inquisição da família Campbell e Hunter. Patrícia foi a primeira a falar. Eu disse família, não foi? Pois bem, a enxerida já veio metendo a tromba. Vaca!

– Gabe, como assim você está namorando ela? Vocês são amigos, ou sei lá o que vocês são. Isso não pode acontecer! — ela cacarejava feito uma galinha despenada.

– Patrícia, o que eu faço da minha vida é problema meu. Sim, somos amigos, e sempre iremos ser. Mas, quem nunca se apaixonou pela melhor amiga, não é amor?! falou olhando pra mim.

Amor? Jesus, Maria, José! Ele me chamou de amor?Respira, Emy! Respira! O que eu respondo? Chamo de amor? De anjo? De querido? Ai, senhor! Socorro!

– Olha, o nosso amor é tão forte, que ela ficou sem palavras. Calma, amor, não precisa ficar nervosa. ele falava, olhando nos meus olhos, e acariciando o meu rosto.

– Impossível! Até ontem você não tinha namorada, e agora aparece amarrado com ela. e a vaca ainda estava mugindo. A sorte dela é que eu não tinha força para dar um tapa na cara dela.

– Patrícia, eu já te falei. A minha vida só quem precisa saber é eu e a Emy. Você não é nada minha, e então não dê palpite na minha vida. Acho melhor você se preocupar com a sua. Gabe falou bravo.

Ponto para nós. E mais uma vez o Gabe arrasou. Patrícia parecia indignada ainda, mas não abriu a boca para falar mais nada, por enquanto. Meu padrinho parecia estar processando tudo aquilo, mas não demorou e foi logo perguntando sobre o nosso namoro relâmpago.

– Eu ainda estou sem entender. Gabe, quando você me falou sobre uma namorada, eu achei que fosse outra garota, não a Emy. Porque você não contou que era ela?

– Pai, é que foi meio complicado no começo. Nós estávamos tentando a todo custo esconder esse sentimento, mas teve uma hora que isso estava transbordando. Não conseguíamos esconder o que sentíamos, e bem, decidimos tentar. ele falava sorrindo para o padrinho.

O filho da mãe sabe inventar uma história. Acho que ele fez o curso errado. Deveria ser ator, ao invés de advogado. Ele falou com tanta convicção que, por um minuto, eu acreditei.

– Mas quando eu liguei vocês já estavam juntos?

– Estávamos pai, mas era muito recente, sabe.

– Sei. Mesmo assim, você deveria ter me contado, Gabe. Ficamos curiosos para descobrirmos quem era mulher misteriosa.

– Pois bem, agora vocês sabem. ele falou sorrindo.

Parece que o meu padrinho se convenceu, já que ele abriu um sorriso enorme, e havia certa emoção em seus olhos.

– Meus filhos, eu não acredito que vocês estão juntos. Eu estou tão feliz! minha madrinha falou chorando.

Minha madrinha era emocional demais, igual a mim. Dava para ver a alegria estampada em seus olhos. E eu estava me sentindo mal por isso. Era uma mentira, e ela estava feliz.

– Obrigada, mãe! Nós também estamos muito felizes!

Minha mãe sorria, e parecia estar chorando junto com a madrinha. Sentimentais? Nem um pouco! Ela apenas sorriu e me mandou um beijo. Meu pai fingiu estar tossindo e olhou para nós com a cara fechada.

– Então vocês estão namorando? ele falou olhando para o Gabe.

– Sim senhor! Gabe respondeu nervoso.

– Pois bem. Eu espero que você a machuque, rapaz.

– Não irei padrinho. Eu gosto muito dela.

Todos haviam falado alguma coisa, menos eu. Estavam esperando que eu abrisse a boca, pelo menos para agradecer, mas eu não conseguia. Gabe olhou para mim, na esperança de eu poder falar algo. Concentra-se, Emy! Você consegue!

– Bem, eu ouvi a todos os interessados, que é a minha família. falei diretamente para Patrícia, que ainda estava com a cara fechada. E queria agradecer a todos pelo apoio, compreensão e amor. Confesso que fiquei com medo de não aceitarem, mas fico aliviada e feliz que tudo deu certo. Eu e o Gabe estamos felizes, ainda mais agora com vocês ao nosso lado. Obrigada!

Ufa! Consegui falar sem ficar tão nervosa e sem gaguejar. Acho que consegui passar verdade na minha fala. Se não, pelo menos eu tentei.

Gabe sorriu e me levou até a mesa de jantar. Sentamos-nos, e a madrinha pediu para o que o jantar fosse servido. Durante o jantar houve muitas risadas. Meus padrinhos e pais estavam felizes com a nossa volta, e eu estava mais feliz ainda. A comida estava simples e maravilhosa, assim como eu gosto. Minha madrinha, apesar de todo o dinheiro, nunca gostou de comida chique demais. Ela sempre falou que comida boa, é comida com tempero. Não gostava de pouca comida, e muito menos de frescuras. Quem a via, nunca iria dizer que tem dinheiro, e que morava em uma mansão. Ela sempre repetia comida, comia comida esquentada, não colocava pouca comida no prato, e gostava de colocar tempero em tudo, menos pimenta, porque ela sabe que eu sou alérgica, assim como sou alérgica a amendoim e nozes. Na última vez que eu comi pimenta, fui para no hospital, tendo que ficar internado e ainda por cima com o rosto todo inchado. Gabe só sabia rir, mesmo mostrando preocupação.

Por falar em Gabe, ele parecia mesmo estar interpretando bem o papel de namorado. Ele sorria direto para mim, acariciava o meu rosto ou as minhas costas. Seus dedos grandes faziam um pouco de cócegas, quando ele descia e subia os dedos pelas minhas costas. Eu sorria, mas com uma vontade enorme de dar uma gargalhada.

– O que é tão engraçado, princesa? ele perguntou, sussurrando em meu ouvido.

– Eu morro de cócegas nas costas, e você fica descendo e subindo esses dedos. Daqui a pouco eu vou gargalhar aqui. sussurrei de volta.

– Hum... Então eu te faço sentir cócegas? Eu amo a sua gargalhada, princesa. ele sussurrava mais perto ainda do meu ouvido. Dava para sentir a sua respiração e seus lábios em minha orelha.

– Gabe, controle-se. falei, o repreendendo.

– Somos namorados. E eu não estou fazendo nada demais. Que eu saiba, estamos apenas conversando.

– Ao pé do ouvido?

– É para ninguém saber o nosso assunto, princesa. falou sorrindo.

– Comporte-se, por favor, senão daqui a pouco eu saio daqui, e me sento ao lado do Daniel.

– Ok! Mas nem pense em sentar ao lado daquele bastardo. falou bravo.

Gabe nunca quis me contar o motivo de tanta discórdia entre ele e o Daniel. Eu me lembro de um natal que o Daniel queria eu brincasse com ele no quintal, mas estava nevando. Gabe ficou furioso com aquilo, e me proibiu de ficar muito perto dele. Desde aquele dia eles não se dão bem. Tudo bem que ele não é de confiança, é atirado, fica encarando as pessoas, e é metido, mas eu queria saber o que piorou a relação dos dois.

A sobremesa estava sendo servida, e era a melhor parte de um jantar. Eu sou uma formiguinha, e estou sempre disponível para um doce. Tinha pudim, mousse de maracujá e o meu preferido: bolo de chocolate da mamãe. Aquele bolo era o melhor de todos! Gabe e eu amávamos desde criança, e se deixasse, comeríamos a forma toda.

– Tem bolo de chocolate? Eu quero, eu quero. falei toda feliz e sorrindo, parecendo uma criança.

– Eu sabia que você iria amar, querida. mamãe falou sorrindo.

– E eu, madrinha? Eu não ganho um pedaço desta oitava maravilha?

– Claro, meu querido. Dê-me o seu prato.

Gabe entregou, e minha mão cortou um pedaço enorme. Eu pedi um pedacinho, mesmo sabendo que iria repetir, mas sabem como é mãe, não é?!

– Mãe, olha o tamanho do bolo. falei rindo, sendo seguida por quase todos.

– Ah, sem paranoia, princesa. Gabe disse sorrindo pra mim.

– Isso mesmo, Emily, tem que cuidar do corpo. Daqui a pouco você vai sair rolando por ai feito uma bola. Ou pior, Gabe pode querer te trocar por alguém mais... Magra.

Quem abriu a porta do galinheiro para a galinha despenada sair cacarejando? Eu perguntei alguma coisa pra ela? Eu nem lembro que essa coisa existe. Mas, será que eu estou gorda?

– Eu não te perguntei nada, Patrícia. falei, querendo não discutir com ela.

– Mesmo assim, eu acho que...

– Você não tem que achar nada. O bolo é nosso, e nos deixe comer o tanto que nós quisermos. Aliás, eu acho que você está com inveja da Emy, porque ela pode comer, sem ter medo de engordar, já você... E outra, se ela virar uma bola ou não, o que eu acho impossível, quem é o namorado dela sou eu, e eu sempre vou estar com ela, seja gorda ou magra. Entendeu? Gabe disse ríspido.

– Cadê a educação que você deu para esse menino, Agnes? a mãe da Patrícia perguntou para a madrinha.

– Filho, por favor. minha madrinha o repreendeu, mas querendo rir do que o Gabe tinha falado.

– Vamos parar com as brigas, por favor. Vamos comer em paz a sobremesa, tudo bem? o padrinho falou.

A conversa voltou ao normal, mesmo diante dos olhares mortais que eu estava ganhando da Patrícia e da mãe dela. Mas quem começou foi ela, não eu. Gabe é que tinha dado um belo fora nela. E eu havia amado aquilo.

– Pai, quando a vovó chega?

– Deve chegar amanhã, logo pela manhã. Ela vai amar saber que vocês voltaram mais cedo para a casa.

– Vai mesmo. Estou com tantas saudades.

A vovó Hunter, como era mais conhecida, era a melhor avó que alguém poderia ter. Sempre me fez sentir-me como uma verdadeira neta. Fazia bolinhos, me salvada de algumas pequenas broncas, e sempre contava histórias. Ela estava viajando, junto com os tios do Gabe, e os três netos.

– Ele deve vir logo cedo para cá. o padrinho falou.

O resto do jantar foi até mais tranquilo. Patrícia e sua mãe não falaram mais nada, e muito menos o pai dela, que entrou mudo e saiu calado. Daniel não tirava os malditos olhos de mim, e eu estava me sentindo incomodada com aquilo. Decidi ir até a varanda para tomar um ar fresco, quando senti a presença de alguém ao meu lado.

– Olá, Emily. Eu nem pude conversar com você hoje. Daniel falou, sentando-se ao meu lado.

– Ah, é verdade. falei seca.

– Então, como andam as coisas na Califórnia?

– Bem. Muito bem.

– Que bom. Eu estava pensando em passar um tempo por lá. Você deveria ser a minha guia turística, ou melhor, eu poderia ficar em seu apartamento, já que eu não gosto muito de fica em hotéis.

– Ah, eu não...

Nem deu tempo de falar, porque fui agarrada pela cintura por uma mão grande e forte, e eu sabia muito bem quem era.

– Algum problema por aqui, princesa? perguntou sério, olhando com raiva para Daniel.

– Não tem problema nenhum por aqui, Gabe. Daniel disse.

– Eu falei com você? Eu acho que não, porque pelo o que eu sei você não é mulher.

– É que você...

– Quieto! Eu perguntei para a Emily, não para você. E então princesa, algum problema?

– Não! Eu estava aqui tomando um ar.

– E o Daniel veio te atormentar?

– Eu não vim fazer nada, Gabe. Eu estava conversando com a Emy.

– Emily. O nome dela é Emily. falou bravo.

– Estou vendo que ainda continua um ciumento e tanto, Gabe. E pior, ainda a chama de princesa. Isso é tão infantil. Daniel falou rindo.

Nessa hora, eu senti que Gabe ficou rígido ao meu lado. Eu sabia que ele queria voar no pescoço do Daniel, e eu queria ajudá-lo com isso. Daniel era um completo idiota, e umas belas tapas não iriam cair mal.

– Calma, Gabe. Ele só quer fazer você perder a paciência. sussurrei em seu ouvido, e ele respirou fundo.

– Infantil? Eu não acho que estou soando infantil.

– Está agindo como então?

– Como um namorado, querendo proteger a mulher que ama de um bastardo abelhudo.

– Uau! Realmente você está apaixonado, Gabe. É ver para crer!

– Daniel, por favor, deixe-me as sós com o Gabe. falei, tentando parecer mais calma possível.

– Ok, pombinhos. Boa noite Gabe e princesa. Daniel saiu rindo.

Gabe cerrou o maxilar e fechou os punhos. Parece que eu o imaginei voando em cima do Daniel, e desferindo alguns bons socos nele. O segurei pelo braço, e fiz com que ele olhasse em meus olhos.

– Calma. Não vai se estressar por causa dele. Não vale a pena.

– Bastardo filho da puta! Abelhudo do caralho! Eu vou arrancar aquilo que ele chama de pinto.

– Gabe, para! Estamos na casa dos seus pais. Eu não quero que eles presenciem uma briga, porque e isso que o Daniel quer. Eles não merecem ver o filho trocando socos com um idiota.

– Mas ele merece.

– Eu também acho que sim, mas não agora, ou nunca. Eu quero ter paz nessas férias. E você tente se controlar.

– Ok. Eu vou me controlar. Tentar pelo menos.

– Acho bom. E essa cena de ciúmes? A sua desenvoltura falando sobre o nosso namoro, e me chamando de amor também. Você soube enganar direitinho. falei o mais baixo possível.

Gabe suspirou fundo e segurou a minha mão. Parecia estar pensando em alguma coisa. Eu queria saber o que passava em sua cabeça, mas não queria que ele achasse que eu fosse intrometida.

– É... Eu soube mentir direitinho. Nós dois. falou sério.

– Está tudo bem? perguntei preocupada.

– Está. Eu estou cansado da viagem, fora a dor de cabeça infernal.

– Vá se deitar, Gabe. Você me parece estar mesmo abatido. falei preocupada.

– É eu estou indo. Vim aqui para me despedir.

– Acho bom. Boa noite, Gabezinho.

– Boa noite, princesa.

Gabe me deu um beijo na cabeça e saiu. Eu também já estava cansada, e decidi ir para o meu quarto. Despedi-me de todos, e fui para o quarto.

Acordei um pouco mais tarde que o comum, mas eu estava tão cansada e precisava dormir. Estava acabando de me arrumar, quando notei que tinha uma mensagem em meu celular.

Princesa, cadê você? Estou te esperando para tomar o café da manhã.

Beijos :D

Eu sorri com a mensagem. Era tão comum nos encontrarmos pela manhã, que seria estranho se eu não estivesse com ele.

Fui até a casa dos meus padrinhos, imaginando que meus pais estariam por lá também. Cheguei à sala de jantar e lá estavam eles. Dei bom dia e beijei cada um.

– Cadê o padrinho e o papai? perguntei para a minha mãe.

– Ah, seu padrinho teve que sair cedo. E seu pai saiu agora pouco porque ele tinha que chegar mais cedo na oficina.

– Entendi.

O café da manhã estava delicioso. Estava repleto de coisas de mãe. Tinha bolos, pães, frutas, sucos e café. Gabe estava brincalhão, e fazia piada de tudo. Após o café, mamãe e madrinha foram para a cozinha planejar o almoço, já que a vovó chegaria hoje. Gabe e eu ficamos vendo televisão, como antigamente.

– E então princesa, que filme quer assistir? perguntou, enquanto olhava alguns DVDs.

– Deixe-me ver. Ah, já sei.

Apontei para o filme e ele fez uma careta.

– Esse filme? Vamos assistir um de ação ou de terror.

– Não! Eu quero esse aqui.

– Mas você já assistiu tantas vezes.

– Mas eu quero. Você perguntou qual eu queria, e eu respondi. Quero Um amor para recordar.

– Esse não é aquele filme que a moça está doente, e depois ela morre.

– É.

– Então pra que você quer assistir se já sabe o final, já sabe que eles não ficam juntos.

– Mas eles ficam juntos, Gabe.

– Ela morre.

– Mas o amor deles ultrapassou todas as barreiras. Começou do nada e virou tudo. O amor deles foi mais forte do que a morte, porque ele nunca vai esquecê-la, e ela, de onde estiver jamais vai esquecê-lo. Mesmo com a morte, eles ficaram juntos.

Ele ficou sem palavras, e depois de um tempo sorriu.

– Ok, você venceu. Vamos assistir a esse filme.

Deitei no enorme sofá da sala de vídeo, e Gabe deitou-se ao meu lado, colocando a mão em cima da minha barriga.

Estava no meio do filme, e eu já estava chorando, quando escutei uma voz bastante conhecida, e eu que nós estávamos com saudades.

– Cadê os meus netos? Vovó perguntou, praticamente gritando quando nos viu.

Gabe e eu corremos em direção a ela, e a abraçamos. Vovó chorava e dizia o quanto nos amava. Ela foi falando como tinha sido a viagem, falou dos lugares, das pessoas, da comida e de tudo. Depois perguntou como nós estávamos, o nosso emprego e as paqueras, e nessa hora Gabe olhou para mim e eu confirmei.

– Vovó, nós estamos namorando.

– Namorando? Mas cadê o namorado e a namorada de vocês?

– Vovó, eu e Gabe estamos juntos.

– Vocês? Tipo juntos? Namorados?

– Sim.

– Meu Jesus! Que alegria! Meus dois netinhos juntos. Quando isso aconteceu? ela falava gritando e sorrindo.

– Há pouco tempo. Gabe falou.

– Eu não poderia estar mais feliz. Eu vou ligar para os seus tios, eles vão amar a novidade.

E assim, vovó saiu cantando toda alegre.

– Pois é, temos mais o apoio da vovó, Gabe.

– Pois é, Vamos voltar ao filme.

Gabe e eu terminamos de assistir ao filme, e não demorou muito para que todos os tios e primos do Gabe estivessem aqui. A família era grande, e tinha primos de todas as idades, sendo a mais novinha com seis anos.

– Tia Emy. gritou a minha pequena favorita.

– Minha flor.

Abraçamo-nos e ela me dava beijo por todo o rosto e me abraçava.

– Como você cresceu florzinha.

– Eu agora sou quase uma mocinha, tia, mas o papai e o chato do meu irmão ainda me chamam de bebê.

– Mas você ainda é a bebê da casa.

– Por pouco tempo. Quem sabe alguém não ganha da cegonha um novo bebê.

– Pois é. Quem sabe...

A pequena Vitória, ou Vic, era um anjinho. Era uma princesinha, e tinha todo o amor e carinho do mundo. Ela era o meu xodó.

Vic correu para abraçar o Gabe, e ele a levantava como se ela fosse um avião. Os gritinhos dela ecoavam pela sala.

– Mais tio Gabe, mais. ela gritava.

Vic chamava Gabe de tio, mesmo sendo primo dela. Já fizeram com que ela o chamasse de Gabe só, mas ela não quis, então deixamos assim.

A mesa do almoço estava pronta, e lá fomos nós nos sentar. Estavam todos conversando e rindo animadamente. Vic quis sentar ao meu lado, falando que eu era a querida dela. Durante o jantar, Gabe colocou as mãos na minha perna, e sorriu. Eu o repreendi, mas Vic percebeu o gesto e falou em voz alta:

– Tia, porque o tio Gabe está com as mãos na sua perna? ela falou com toda a inocência.

– Ah, é que...

– Querida, eles estão namorando. a madrinha falou sorrindo.

Ela sorriu e dei um gritinho de alegria.

– Namorando? O titio está namorando a tia Emy?

– Sim querida, eu e a princesa estamos juntos.

– Princesa?

– É o jeito que o seu tio me chama desde criança.

– Ah, entendi. Então quer dizer que você é um príncipe?

Gabe riu e concordou com a cabeça. Continuamos o almoço, até que pipoquinha ao meu lado ficou de pé na cadeira e tossiu.

– Bem, já que você é um príncipe e a tia uma princesa. Cadê o beijo? Príncipes e princesas se beijam no filme.

– Beijo? perguntei assustada.

– Aham. Eu quero ver o beijinho apaixonado, como na Branca de Neve. ela disse sorrindo.

Eu disse que a Vic gostava de nos colocar em uma fria? Pois então, ela gostava de perguntar sobre tudo. E agora eu estava em uma fria, e não sabia como sair.