Eternamente
54 Capítulo 54
Entrei naquela casa, que agora era nossa. Nosso novo lar, onde iriamos criar os nossos filhos e iriamos formar a nossa família. É algo irreal, porque quando éramos crianças, aquela casa era o meu sonho. Quantas vezes eu fiquei olhando para ela, e imaginando como seria morar ali. E agora essa casa era nossa. O Gabe tinha realizado mais um sonho que eu tinha. Se eu ainda tivesse alguma dúvida que ele era um príncipe, essa duvida tinha acabado nesse momento. Ele era perfeito. Perfeito pra mim.
A casa era grande, e perfeita. Nunca imaginara que ela era tão linda por dentro. O tamanho da sala era todo o meu apartamento, e mais um pouco. As cores neutras e o enorme lustre dava um ar de romantismo.
— Gostou? Se você quiser, nós podemos mudar as cores da sala, tirar esse lustre, e colocar um globo de boate. Seria legal, né? Só no balanço da boate. Brilhos e brilhos e podemos colocar caixas de som espalhadas pela sala. O que acha? – perguntou sorrindo.
Gabe e sua imaginação. Eu às vezes me pergunto de onde sai tanta imaginação daquela cabeça. Ele consegue transformar tudo em piada ou brincadeira.
— Eu acho que não. Eu gosto do jeito que a sala está. Só se você quiser mudar, porque a casa também é sua. – sorri.
— Imagina. Esse é o seu castelo, minha princesa. Tudo o que você quiser, será mudado aqui. – sorriu, me abraçando.
— Eu gosto desse jeito.
— Tudo bem. Então nós podemos ir para os outros cômodos da nossa nova casa?
Ai, isso é tão bom de ouvir. Nossa casa!
— Claro, meu amor. Eu quero conhecer cada lugar da nossa nova casa.
Gabe fez uma cara sensual, e piscou pra mim. Mais safado que ele, não existe.
— Não desse jeito, Gabe. Quero ver como são os cômodos, e depois pensamos em conhecer mais profundamente.
— Ah, eu vou querer conhecer cada lugar, e dar uma boa pintura com o meu pincel gigante. Vai pintar até a parede do seu útero.
— Gabe! – eu não consigo parar de rir com aquilo. Gabe e sua imaginação.
— Pode rir, mas quando eu te mostrar, você vai ver o quão sério eu estou falando.
— Eu não duvido disso. – falei, tentando parar de rir.
Ele me olhou, e sorriu. Entrelaçou as nossas mãos, e foi me mostrar o resto da casa. A cozinha era maravilhosa. Toda equipada, e eu já me imaginava fazendo um bom café da manhã para a minha família. Conheci tudo o que tinha no andar de baixo, e depois fomos para os quartos, onde o Gabe estava bem ansioso para que eu conhecesse. Ele parou em frente a uma porta, e sorriu.
— Eu pensei em uma coisa, mas você pode discordar quando você quiser. – abriu a porta, e era um quarto. Era grande e tão lindo. As janelas eram enormes, e tinha uma vista tão bonita para o jardim.
— Eu pensei que aqui poderia ser o quarto dos bebês. Não sei se você quer que eles durmam separados, mas eu achei que seria bom que eles ficassem juntos por enquanto. Fora que isso iria te ajudar quando fôssemos cuidar deles. O que você acha?
Acho que eu não posso amar mais esse homem, senão eu enlouqueço. Ele tinha pensado em tudo. Nessa casa, no quarto para os nossos filhos e até em colocá-los no mesmo quarto.
— Eu acho tudo isso maravilhoso. – andei pelo quarto, e parei diante dele. – Esse lugar é incrível, Gabe. E é claro que eu quero que eles fiquem juntos. Quando eles crescerem, nós colocamos um deles em outro quarto, mas eu aprovo a sua decisão. – beijei-o com ternura, enquanto ele acariciava a minha barriga, que já estava grande o suficiente para o meu mês de gravidez.
— Se você ficou assim com o quarto dos bebês, imagina quando eu mostrar o nosso quarto.
— Jura? Então eu quero ver, e eu irei te mostrar quando eu irei reagir.
Ele me puxou com cuidado, e me levou ao quarto ao lado. Ao abrir, eu percebi que era mãos lindo ainda. Não tinha os móveis, mas dava para imaginar como tudo ficaria quando estivesse pronto. A janela também tinha a vista para o jardim, e a enorme janela, com sacada dava para ver todo perfeitamente. E tinha um banheiro, com uma enorme banheira. Banheira! Meu sonho era ter uma. Tudo tão lindo, e do jeito que eu sempre tinha sonhado, mas estava de um jeito bem melhor, porque eu estava grávida e casada com o homem que me fazia feliz todos os dias e cada vez mais.
—Então, você gostou?
— Eu amei, Gabe! Eu estou sem palavras. Olha essa vista, esse banheiro e o tamanho desse quarto.
— Ah, e nós temos um closet.
— O que? – perguntei surpresa.
Ele abriu outra porta, e eu entrei, ficando mais abismada ainda. O closet era enorme. Eu nem tinha tanta roupa e sapatos, mas eu tinha um closet. Eu viveria naquele lugar.
— Só peço que deixe um espaço pra mim. – riu.
Virei-me para ele, e não conseguia acreditar nisso. Essa era além da casa dos meus sonhos. Era muito mais.
— Sempre vai ter espaço par você, Gabe. Eu nem tenho tanta roupa assim, mas eu tenho um closet. Lembra quando eu me escondi no closet da madrinha, e eu acabei dormindo por lá, porque você não me achava. Eu sempre fui boa em me esconder. – ri.
— Nem me lembre. Eu fiquei desesperado, e culpei o Chad, achando que ele tinha te sequestrado.
— Sempre ciumento, né?
— Só protegendo o que sempre foi meu, princesa.
Ele foi chegando cada vez mais perto, até eu sentir a parede atrás de mim. Olhou-me com aquele jeito feroz, e agarrou os meus lábios com todo o desejo que estávamos sentindo um do outro. Minhas mãos percorriam a sua nuca, deixando-o arrepiado com o meu toque. Ele foi descendo as suas mãos para tirar a minha blusa, quando eu senti um tremor vindo de dentro de mim. Empurrei o Gabe, e fiquei paralisada com o que eu tinha acabado de sentir.
— Princesa, o que aconteceu? Está passando mal? Quer vomitar? – ele começou a andar de um lado para o outro, e queria me levar ao banheiro, mas eu não quis. – Emy, o que aconteceu? Eu estou tendo uma pequena amostra de ataque do coração.
— Eles chutaram, Gabe. Nossos bebês chutaram pela primeira vez. – falei, emocionada.
Era uma emoção sem tamanho. Senti-los dentro de mim é a melhor sensação que eu já tive em toda a minha vida. Eu senti os meus bebês, e eu estou explodindo de tanto amor por esses pequenos, que nem nasceram, mas que me fazem a mulher mais feliz do mundo.
O Gabe me olhava paralisado, mas o seu olhar era de amor. Ele se ajoelhou na minha frente e levantou a minha blusa, deixando a minha barriga exposta.
— Chuta para o papai, meus amores. – sussurrou na minha barriga.
E foi só ele pedir para que eles obedecessem. Eu já não aguentava de emoção, e comecei a chorar.
— Sentiu, Gabe? Os nossos bebês mexeram.
— Eu amo tanto vocês, meus pequenos. Eu vou tentar ser o melhor pai para vocês. Vou amá-los a cada segundo da minha vida, e protegê-los de todo o mal que tentar passar em nossas vidas. Eu amo vocês, assim como eu amo a mamãe também. Vocês três são a minha vida! – beijou a minha barriga, e abraçou a minha cintura.
Isso não era justo. Já chorava antes, mas agora eu estava parecendo o Titanic quando estava naufragando. Gabe se mostrava apaixonada cada vez mais. Ele adorava beijar a minha barriga, e conversar com os bebês.
— Nós te amamos, papai. Amamos muito! – falei, sorrindo para ele.
Gabe se levantou, e me beijou, mas dessa vez foi doce e delicado. Ele não soltou a minha cintura em nenhum momento. Assim que ele me soltou, eu dei uma risadinha.
— Do que você está rindo? – perguntou, curioso.
— Eles chutaram no momento em que nós iriamos transar bem aqui. – ri.
Ele riu junto comigo, e do nada se abaixou, levantando a minha blusa novamente.
— Eu espero que isso seja um protesto da nossa filha, e que ela não goste de sexo até quando eu viver. Entendeu, meu amor. Continue não gostando de sexo, porque eu ficarei bem feliz em não ter que matar e ir para a cadeia. Papai não quer ir preso, então continue com esses seus protestos contra o sexo. – falava de um jeito bem sério.
Uma hora o Gabe estava todo fofo, e agora estava todo sério e preocupado com algo que vai demorar muito para acontecer.
— Gabe, não precisa de toda essa preocupação. Mas, pode ser o contrário. Ela pode estar mostrando que vai gostar de sexo, muito mais cedo do que você imagina.
Foi só eu dizer isso, que eu provoquei o furacão dentro dele. Levantou-se rapidamente, e me olhou com aquele olhar que poderia matar.
— Nem brinca com isso. Bate na madeira um milhão de vezes. Sai de ré com isso ai, Emy. Minha filhinha será pura, e enquanto eu viver ela não saberá o que é sexo. E quando eu morrer, eu volto e puxo o pé de quem roubar a pureza dela.
— Eu não disse nada de mais.
— Isso mesmo. Vai brincando com o coração de um pobre pai, que terá que afastar todos os homens que tentarão roubar a minha filhinha. Isso parte o meu coração, e você fica brincando. – lá vem todo o drama.
— É brincadeira, Gabe. Não precisa fazer todo esse drama.
Ele me olhou desconfiado, e depois relaxou.
— Podemos ver o resto da nossa casa? – perguntei.
— Claro, princesa. – levou-me até os outros cômodos, que eu posso gritar que amei com todas as letras.
Voltamos para a casa dos meus padrinhos, e contamos que iremos morar pertinho deles e que os bebês tinham chutado pela primeira vez. Foi tanta alegria, que eu só sabia abraçar e chorar ao mesmo tempo. Malditos hormônios.
— Estou tão feliz, minha filha. Agora faltam comprar os móveis de vocês.
— Nós iremos, mãe. Eu e o Gabe vamos resolver isso, principalmente os móveis do quartinho dos bebês.
— Estamos tão ansiosos para ver como ficará o quartinho deles. Não vejo a hora de ver a casa de vocês toda montada. – minha madrinha falou.
— Eu também estou bem ansiosa. Eu e o Gabe vamos providenciar tudo isso o mais rápido possível. Não que a gente queira ir embora daqui, mas agora temos o nosso cantinho e eu quero me mudar para lá.
— Nós te entendemos, filha. Vocês estão formando a família de vocês, e isso nos orgulha tanto. – minha mãe sorriu.
— Eu amo vocês. – abracei as duas, e chorei mais um pouco.
***
Passaram-se alguns dias desde que os bebês chutaram pela primeira vez. Eles tinham feito isso outra vez, e a nossa família se derreteu de tanto amor. Estávamos comprando os móveis, mas hoje iria planejar o chá de bebê, que iria acontecer em breve.
— Então, Emy. Já que o papai ansioso não está aqui, nós poderemos planejar o chá de bebê sem interrupções.
— Mas o Gabe vai saber do chá de bebê.
— Claro que vai, mas ele fica dando ordens que isso você não pode, isso pode. Às vezes ele é um pé no saco. – riu.
— Não fala assim do meu Gabe. Ele é um príncipe e perfeito. – o imaginei aqui do meu lado.
— Por isso que vocês combinam. A Lis tem que voltar logo dessa viagem com o George. Mas ela também é outra que deve estar só no romance. O que aconteceu com as minhas amigas?
— Nós só nos apaixonamos, do mesmo jeito que você está pelo Alex.
— Eu e o Alex somos práticos. Queremos casar, mas não somos de melação.
— Duvido. – ri.
Ela ficou em silêncio, e eu sei que eu tenho razão. Beck sempre foi a mais engraçada e prática. Nunca foi de romance, mas sempre estava com algum garoto. O Alex conseguiu domar a fera.
— O assunto aqui é o chá de bebê, não a minha vida amorosa.
— Tudo bem.
— Ok. Eu estava pensando em um mega chá de bebê, com direito a dançarinos sexys, com aquelas cuecas que marcam tudo e abdomens sarados. Palco com luzes, DJ, plumas e um dançarino só para você. O que você acha?
Beck estava tão animada, que eu me perdi na primeira parte da festa. Ela queria um chá de bebê com dançarinos de cueca, plumas, DJ e tudo mais. Ela sabe o que é um chá de bebê? Se eu fizer isso, o Gabe me mata.
— Beck, você sabe como funciona um chá de bebê?
— Claro que eu sei, por isso que nós temos que inovar. Será um chá de bebê exclusivo.
— Estou vendo que será bem exclusivo. – ri. – Eu não vou fazer isso.
— Como assim? – perguntou perplexa. – Isso vai ser maravilhoso, Emy. Imagina como será inesquecível. Meus sobrinhos terão a melhor festa do mundo, e só pra eles.
— E o pai deles vai pirar, minha família e até eu. Você acha que o Gabe deixará um homem quase pelado dançando só pra mim, e no chá de bebê dos nossos filhos?
— Eu achei que você poderia convencê-lo a aceitar.
— Nem se eu quisesse, Beck. Isso não é um chá de bebê, é uma despedida de solteiro, e eu não preciso de uma, já que eu sou casada.
— É quase isso, Emy. É a sua despedida da vida tranquila. Logo vocês terão dois bebês, e vai saber quando poderá desfrutar de uma festa como essas novamente.
— Não. Eu não quero nada disso. Eu só quero uma festa com a família. Só isso.
— Só isso? Nada de DJ?
— Não! – falei, definitivamente.
Beck respirou fundo, e fechou o seu caderno.
— Tudo bem. Você terá a sua festa simples e sem dançarinos. – suspirou.
— Você poderá fazer isso quando for o seu casamento ou o da Lis. Tenho certeza que fará a melhor despedida de solteira do mundo.
Ela se animou e sorriu.
— Com toda a certeza. Eu só queria que a minha sobrinha entrasse no ritmo desde antes de nascer.
— O Gabe morre se souber que você quer que ela já nasça sabendo o que é um dançarino.
— Espera ela fazer quinze anos, Emy. Ah, a festa dela será bombástica.
Só de imaginar o que a Beck vai aprontar, me dá vontade de rir.
— Gabe não pode saber disso. – falei.
— Ele só saberá quando chegar a hora. – piscou.
— Tudo bem. Podemos planejar o chá de bebê, e dessa vez de verdade.
— Ok.
Beck abriu o seu caderno de anotações, e começou a falar sobre as ideias que ela tinha. Eram maravilhosas, e a decoração que ela me mostrava me deixava mais derretida ainda. Os docinhos, o bolo, e tudo mais ficaria perfeito para os meus bebês.
***
Gabe já tinha voltado para a casa, e estávamos jantando em nosso quarto. Nossos pais tinham saído com um grupo de amigos, e nem tinham hora para voltar. Eles estavam melhores do que eu e o Gabe.
Coloquei o meu prato na bandeja, e fui escovar os meus dentes. Voltei para a cama, e o Gabe me olhava desconfiado. O que se passava na cabeça dele.
— O que foi, Gabe? – sentei-me ao lado dele.
— O que vocês planejaram para o chá de bebê?
— Ah, é surpresa, mas vai ficar tão lindo e fofo. Docinhos, bolo, a decoração. Você vai amar.
— Essa foi a ideia inicial da Beck?
— Ah... Sim. – eu sei que o Gabe desconfia de alguma coisa.
— Eu sei que está mentindo, Emy. Eu conheço você suficiente, e conheço a Beck. Ela não seria tão fofa desse jeito. Alex me disse que ela mencionou algo de dançarino e plumas. O que ela queria?
Droga! Fui pega!
— Não fique nervoso, mas ela queria um chá de bebê diferente. Queria colocar um DJ, plumas, luzes e homens dançando de cueca.
Não sei por que eu fui dizer isso. Gabe quase estava tendo um treco aqui. Ele ficou pálido e a balançava a cabeça sem parar, dizendo não diversas vezes.
— Você não concordou com esse absurdo, né, Emily Campbell Hunter?- perguntou furioso.
— Claro que não, Gabe, Você acha que eu faria isso no chá de bebê dos nossos filhos?
— A Beck vai se vir comigo. Ela acha que eu vou deixar isso barato. Isso é um absurdo. Os nossos filhos ficarão longe dela. – avisou-me
Eu nem vou mencionar que ela já está planejando algo para a festa de quinze anos da minha filha. Ele enfarta.
— Eu ainda acho que devemos colocá-los no convento. Ficará longe de pessoas como a Beck. Servirá a Deus, Emy. Olha que missão mais linda! Toca o meu coração.
— Não vem com essa história de novo. A Beck exagerou, mas ela não fez por mal. Ela ama os nossos bebês, meu amor.
— Amor louco, só se for. Ela me provoca, mas eu vou arquitetar um plano.
— Ah, sem planos malucos. – falei. – Deixe a Beck, Gabe. Ela não fará a festa desse jeito, e eu posso te garantir que ficará do meu jeito. Não precisa se preocupar com ela, meu amor.
Ele respirou fundo, e me olhou por alguns segundos.
— Tudo bem. Eu vou dar uma chance para a Beck. Mas essa garota me dá nos nervos.
— Não fala dela, dai você não ficará nervoso desse jeito.
Respirou fundo, e sorriu.
— Você tem razão, princesa. Vamos esquecer a Beck. – piscou. – Eu vou levar a bandeja para a cozinha, e eu já volto para ficarmos juntinhos.
Gabe saiu do quarto, e eu me deitei. Finalmente ele parou com a discussão, e “aceitou” a Beck.
Ele voltou depois de alguns minutos, e nós nos aconchegamos um no outro.
***
Eu virei de um lado para outro, mas o pensamento só ia para uma única coisa: cupcakes. Daqueles com bastante recheio, e o com um glacê maravilhoso. Ah, os cupcakes gourmet do restaurante da Nita. Os melhores doces eram dessa loja. Os melhores mesmo. A dona Nita era uma cozinheira maravilhosa, e amiga da nossa família, assim como os seus filhos que cozinhavam maravilhosamente bem. Eu estava com desejo daqueles cupckes, mas como eu iria buscá-los? Olhei para o meu lado, e o Gabe dormia calmamente, mas eu teria que acordá-lo.
— Gabe? Gabe, acorda! – sussurrei, cutucando-o.
Ele acordou meio desnorteado, e olhou pra mim. Eu sorri com aquele jeito angelical.
— O que foi? A bolsa estourou? Vamos pegar a bolsa. Eu vou ligar o carro e já... – ele corria de um lado para o outro.
— Calma, Gabe. Os bebês não nasceram. – sorri.
— Não? Eu achei que você tivesse me acordado para isso.
— É que eu estou com um desejo.
— De sexo? A gente pode acabar com isso rapidinho. – Gabe veio pra cima de mim, e eu olhei com carinha de anjo para ele.
— Não, meu amor. Eu quero cupcakes.
Ele me olhou extasiado, e foi para o lado da cama.
— Você me trocou por cupcakes?
— Não! Mas é que os bebês pedem por cupcakes nesse momento, meu amor. Você pode ir comprar pra mim?
— Claro! Eu vou tentar achar um lugar que esteja aberto, e compro pra você. – sorriu.
— Então, eu quero os cupcakes da Nita. Sabe aquele restaurante que a gente sempre ia? Então, eu quero os de lá, por favorzinho.
— Tudo bem, minha princesa. Eu vou comprar pra você, e depois irei saciar outra vontade sua.
Que homem quente, senhor. Ele consegue me acender com uma simples frase.
— Estarei esperando. – pisquei.
Gabe saiu, e eu fiquei no quarto, esperando pelos meus cupcakes e pelo Gabe. Eu teria as duas melhores sobremesas do mundo, mas eram só minhas, principalmente o Gabe.
Acabei dormindo, quando senti alguém tocando o meu braço. Olhei para o lado, e vi o Gabe com uma sacola em suas mãos.
— Aqui estão, meu amor. Seus cupcakes do jeito que você gosta. – entregou-me a sacola, e eu olhei para ela.
— Não acredito que você conseguiu. Foi fácil?
— Super fácil. Foi só chegar e pedir com jeito.
— Meu amor, você é incrível. Eu não acredito que irei acabar com esse desejo. – falei, enquanto mastigava um pedaço do meu doce. – Você quer?
— Não, meu amor, pode comer. Eles são todos seus.
E foram mesmo. Eu comi quase todos os doces, e a minha médica iria me matar por causa disso.
— Satisfeita? – ele perguntou.
— Muito. Eles estão bem felizes, e eu também. – sorri.
— Bem, será que o papai aqui pode ficar feliz também?
— O que eu posso fazer por você, papai? – perguntei, sabendo muito bem da resposta.
Gabe me derrubou de leve na cama, espalhou beijos pelo meu pescoço.
— Agora eu vou te saciar de outra maneira, Emy. – sussurrou.
E foi assim que eu perdi as contas de quantas vezes eu fiquei completamente saciada. Gabe me preenchia, em todos os sentidos.
Gabe
Quando eu entrei na nossa casa pela primeira vez, eu achei a cara da Emy. Eu me lembro de quando ela passava por aqui, e ficava encarando a casa. Eu sabia do sonho que ela tinha em morar perto dos pais, e quando eu vi que a casa estava à venda, eu não demorei em comprá-la, e hoje eu vejo que foi o melhor negócio que eu fiz na vida. Iriamos formar a nossa família em um lugar especial para ela, e perto da nossa família. Foi como juntar o útil com o agradável. Eu faria qualquer coisa por aquela mulher. Ela trouxe a felicidade para a minha vida, e isso que eu fiz por ela não chega nem perto do amor que eu sinto pela Emy. Ela é a minha alma, minha respiração e o meu coração. Minha maior alegria é vê-la feliz.
Olhei para ela, e queria ter certeza que estava do jeito que ela sempre quis. Quero que ela esteja sempre feliz e animada com a mudança.
— Gostou? Se você quiser, nós podemos mudar as cores da sala, tirar esse lustre, e colocar um globo de boate. Seria legal, né? Só no balanço da boate. Brilhos e brilhos e podemos colocar caixas de som espalhadas pela sala. O que acha?
Imagina que legal. Nós dois ao som de Work da Rihanna, e no meio da nossa sala. Seria tão legal! Só no tum, tum tum.
— Eu acho que não. Eu gosto do jeito que a sala está. Só se você quiser mudar, porque a casa também é sua. – sorriu.
— Imagina. Esse é o seu castelo, minha princesa. Tudo o que você quiser, será mudado aqui. – sorri, abraçando-a.
— Eu gosto desse jeito.
Então, se ela gostou desse jeito, então ficará assim. Não queria que ela ficasse triste por nada. Aqui era nosso.
— Tudo bem. Então nós podemos ir para os outros cômodos da nossa nova casa?
Isso soa tão bonito. Nossa casa. Vocês sabem que eu nunca planejei me casar, ter filhos e nada disso. Mas isso era antes de me tocar que eu era louco pela Emy. Talvez eu não sonhasse com isso porque não era com ela. Porém, a Emy mudou a minha visão de mundo, e me fez querer sempre mais e ao lado dela.
— Claro, meu amor. Eu quero conhecer cada lugar da nossa nova casa.
Ah, ela quer conhecer cada lugar da casa. Isso me deixa bem animado. Só de pensar em batizar cada canto, eu já abro aquele sorriso que eu sei que ela ama.
— Não desse jeito, Gabe. Quero ver como são os cômodos, e depois pensamos em conhecer mais profundamente.
Eu vou querer conhecer bem profundamente cada lugar daqui. Afinal, quero saber como é a casa, e se a Emy combina com ela.
— Ah, eu vou querer conhecer cada lugar, e dar uma boa pintura com o meu pincel gigante. Vou pintar até a parede do seu útero.
— Gabe! – eu não fiz nada de mais. Apenas fiz um pequeno trocadilho com segundas intenções, e ela ainda ria de mim. Nunca ria de um homem quando se trata de sexo.
— Pode rir, mas quando eu te mostrar, você vai ver o quão sério eu estou falando.
— Eu não duvido disso. – falou, tentando parar de rir.
Entrelacei as nossas mãos, e a levei para conhecer o andar de baixo. Ela exclamava maravilhada em cada lugar que eu a levava. Mas a pequena surpresa estava lá em cima. Eu tinha uma sugestão para o quarto dos gêmeos, e eu espero que ela goste. Subimos a escada, e eu parei diante da porta que eu havia escolhido para ser o quarto dos nossos filhos, apesar da nossa casa ter outros quartos. Olhei para ela, e sorri.
— Eu pensei em uma coisa, mas você pode discordar quando você quiser. – abri a porta, e ela olhou maravilhada para ele. A vista era linda, e eu queria que os meus filhos a contemplassem também.
— Eu pensei que aqui poderia ser o quarto dos bebês. Não sei se você quer que eles durmam separados, mas eu achei que seria bom que eles ficassem juntos por enquanto. Fora que isso iria te ajudar quando fôssemos cuidar deles. O que você acha?
Eu pensei na praticidade que iria ser. Eu sei que eles irão crescer e vão querer o seu próprio quarto, mas seria bom se ficassem um pouco juntos, e iria facilitar para nós, já que eu cuidaria muito dos meus filhotinhos.
— Eu acho tudo isso maravilhoso. – andou pelo quarto, e parei diante de mim. – Esse lugar é incrível, Gabe. E é claro que eu quero que eles fiquem juntos. Quando eles crescerem, nós colocamos um deles em outro quarto, mas eu aprovo a sua decisão. – beijou-me com ternura, enquanto eu acariciava a sua barriga, que a cada dia ficava mais linda. Eu amava o jeito que ela estava ficando.
Se ela ficou animada com o quarto dos bebês, imagina quando vir o nosso. Ela vai ficar bem mais animada, e eu mais ainda.
— Se você ficou assim com o quarto dos bebês, imagina quando eu mostrar o nosso quarto.
— Jura? Então eu quero ver, e eu irei te mostrar quando eu irei reagir.
Puta que pariu! Essa mulher me mata com isso. Eu a levei até a porta ao lado, e abri. Eu espero que ela reaja bem, e fique tão animada, assim como eu estou. Ela olhou por todo o quarto, e o banheiro, mas o silêncio permanecia. Será que não tinha gostado da escolha? Poderíamos trocar por outro, se ela quiser. . Mas ela sempre quis ter uma banheira, e eu me lembro de quando ela me falou isso.
—Então, você gostou? – espero que sim.
— Eu amei, Gabe! Eu estou sem palavras. Olha essa vista, esse banheiro e o tamanho desse quarto.
Graças a Deus. Ah, mas eu ainda tinha uma surpresinha. Ela acha que eu me esqueci de algo que ela sempre gostava de olhar.
— Ah, e nós temos um closet.
— O que? – perguntou surpresa.
Ela abriu a outra porta, e abriu a boca com a surpresa. Ela amava o closet da minha mãe, e vivia dizendo que queria ter um, nem se fosse só por ter.
— Só peço que deixe um espaço pra mim. – ri.
— Sempre vai ter espaço par você, Gabe. Eu nem tenho tanta roupa assim, mas eu tenho um closet. Lembra quando eu me escondi no closet da madrinha, e eu acabei dormindo por lá, porque você não me achava. Eu sempre fui boa em me esconder. – riu.
Como me esquecer daquele dia. Eu quase arrebentei a cara do Chad, porque eu achei que ele estava a escondendo. Ele dizia que não era ele, mas eu não acreditava. Meu ódio por ele aumentou aquele dia.
— Nem me lembre. Eu fiquei desesperado, e culpei o Chad, achando que ele tinha te sequestrado.
— Sempre ciumento, né?
EU já a amava, mas achava que era apenas para protegê-la. Como eu era inocente naquela época. Viram, eu já fui inocente um dia.
— Só protegendo o que sempre foi meu, princesa.
E ela sempre foi minha. Minha de coração, alma e corpo. Estava escrito que ficaríamos juntos, e só precisávamos de um empurrãozinho do destino. A Emy mudou a minha vida no momento em que eu a peguei nos braços pela primeira vez. Ela abriu os olhos, e eu me apaixonei por aquela garotinha, que iria roubar o meu coração. Eu queria senti-la, e fui levando-a até a parede que estava atrás dela. Agarrei os seus lábios, e a beijei ferozmente. Suas mãos passeavam pela minha nuca, me deixando arrepiado com o seu toque. Fui descendo as minhas mãos, e queria tirar aquela blusa dela. Não via a hora de estar dentro dela, e ouvir o seus gemidos maravilhosos. Quando eu estava puxando a blusa, ela me empurrou para ficar longe. Será que ela não queria fazer sexo? Eu ouvi sobre algumas mulheres perderem o prazer, mas a Emy amava quando fazíamos amor. Será que eu não sei mais fazer sexo? Não! Será que ela estava passando mal? Droga! Eu aqui preocupado comigo, e ela passando mal bem na minha frente.
— Princesa, o que aconteceu? Está passando mal? Quer vomitar? – comecei a andar de um lado para o outro, tentando achar alguma solução. Eu tinha que levá-la ao hospital, ou ao banheiro. – Emy, o que aconteceu? Eu estou tendo uma pequena amostra de ataque do coração.
Ele olhou pra mim e sorriu. O que estava acontecendo?
— Eles chutaram, Gabe. Nossos bebês chutaram pela primeira vez. – falou, emocionada.
Eu a olhei paralisado para ela. Eles tinham chutado pela primeira vez. Meus bebês tinham se mexido pela primeira vez. É uma emoção tão grande, e incapaz de ser explicada. Se eu já estava emocionado, eu imagino a Emy, que os sentiu. Era tanto amor por eles, que não cabia dentro de mim. Ajoelhei-me, e levantei a sua blusa, deixando-a exposta.
— Chuta para o papai, meus amores. – sussurrei em sua barriga.
Eu queria senti-los também, e pedi com todo o carinho e amor que tinha por eles. E foi eu pedir com jeitinho, que eles fizeram novamente. Meu Deus! Isso é algo incrível e sem explicação. Eu os vi mexer, e saber que eles estão bem, me faz o homem mais completo e feliz do mundo. É muita alegria!
— Sentiu, Gabe? Os nossos bebês mexeram.
Eu já estava chorando, e foda-se o papel de homem forte. Eu estava sendo uma manteiga derretida, mas não estava nem ai.
— Eu amo tanto vocês, meus pequenos. Eu vou tentar ser o melhor pai para vocês. Vou amá-los a cada segundo da minha vida, e protegê-los de todo o mal que tentar passar em nossas vidas. Eu amo vocês, assim como eu amo a mamãe também. Vocês três são a minha vida! – beijei a barriga, e abracei a sua cintura.
Eu não sabia se chorava ou se agradecia a Deus por ter me dado essa mulher maravilhosa, e filhos que eu já amava acima de qualquer coisa. Eu me apaixonava cada vez mais por eles, e percebi que eu nasci para ser pai.
— Nós te amamos, papai. Amamos muito! – falou, sorrindo pra mim.
Eu a beijei novamente, mas dessa vez foi calmo, assim como o meu coração estava. Soltei-a, e ela riu de algo. Será que ela queria algo mais forte. Eu posso fazer isso.
— Do que você está rindo? – perguntei, curioso.
— Eles chutaram no momento em que nós iriamos transar bem aqui. – riu.
Caramba! Os meus filhos empataram a nossa transa. Isso pode ser bom, levando em consideração que pode ter sido a nossa filha.
— Eu espero que isso seja um protesto da nossa filha, e que ela não goste de sexo até quando eu viver. Entendeu, meu amor? Continue não gostando de sexo, porque eu ficarei bem feliz em não ter que matar e ir para a cadeia. Papai não quer ir preso, então continue com esses seus protestos contra o sexo. – falei seriamente.
Seria um grande problema se isso acontecer. Mas pode ser que ela seja contra sexo, e isso me deixaria bem feliz. Não quero aquele bando de mãos de porra em cima da minha menina.
— Gabe, não precisa de toda essa preocupação. Mas, pode ser o contrário. Ela pode estar mostrando que vai gostar de sexo, muito mais cedo do que você imagina.
O que? Eu gritei mentalmente, e imaginei a minha filha sendo levada por um garoto. Por isso eu vou ensinar ao meu filho, que ele deve proteger a irmã acima de qualquer coisa. Eu vou tirar porte de armas, e treinar para atirar. Poderei usá-la para qualquer ocasião.
— Nem brinca com isso. Bate na madeira um milhão de vezes. Sai de ré com isso ai, Emy. Minha filhinha será pura, e enquanto eu viver ela não saberá o que é sexo. E quando eu morrer, eu volto e puxo o pé de quem roubar a pureza dela.
— Eu não disse nada de mais.
— Isso mesmo. Vai brincando com o coração de um pobre pai, que terá que afastar todos os homens que tentarão roubar a minha filhinha. Isso parte o meu coração, e você fica brincando.
— É brincadeira, Gabe. Não precisa fazer todo esse drama.
Não era drama. Eu não sou dramático! Sou apenas um pai preocupado com a filha.
— Podemos ver o resto da nossa casa? – perguntou.
— Claro, princesa. – tirei aqueles pensamentos da minha cabeça, e seguimos para conhecer o resto da nossa casa.
Quando voltamos para a casa dos meus pais, contamos as novidades. Preciso dizer que foi alegria total? Era choro, risada e emoção. Fui puxado para os abraços diversas vezes, até que o meu pai me levou ao escritório, junto com o meu padrinho. Sentamo-nos e abrimos uma cerveja.
— Estamos muito orgulhosos de você, meu filho. Formando a sua família, e perto de nós. – meu pai disse orgulhoso.
— E fazendo a minha filha feliz, isso me deixa mais feliz ainda.
— A Emy e os meus filhos são a minha felicidade, padrinho. Se eles estão felizes, eu também estou. – sorri.
— Quem diria que você iria se casar com a pequena Emy. A garotinha que você protegia de todo mundo, como se ela fosse quebrar. – meu pai dizia, e eu voltei lá atrás, quando eu dizia que eu iria me casar com ela.
— Eu sempre soube, pai. A Emy mudou a minha vida. Se eu não a tivesse, eu seria outra pessoa. Uma pessoa triste e sozinha. Ela sempre foi a alegria da minha vida, e o meu amor. Nós apenas enxergamos agora que o nosso destino era ficarmos juntos, então aqui estamos. Não quero perder mais tempo com ela. Quero tudo completo. Já nos casamos, teremos os nossos filhos e agora a nossa casa. Ela me completa.
Eles olharam pra mim, e sorriram.
— Um brinde a sua nova família, meu afilhado. Que você e a minha filha sejam mais felizes do que já são.
Levantamos as cervejas e fizemos um brinde a minha nova família, que eu queria que fosse igual ao dos meus pais e padrinhos. Feliz e unida!
***
Alex me ligou, e perguntou se poderíamos sair, mas apenas nós dois, porque precisaria da minha ajuda.
Ele foi até a casa dos meus pais, e nós fomos ao shopping. A Beck decidiu ficar com a Emy, e eu agradeci a Deus. Ela me sempre me provocava, e eu queria arrancar a cabeça daquela garota. Não sei como o Alex a aguenta. Deve ser muito amor, porque é difícil.
— Então, você me chamou até aqui pra que? Disse que queria a minha ajuda.
— Gabe, eu preciso de uma aliança de noivado.
— Ah, vai pedir a minha mão em casamento? Saiba que eu sou difícil. – brinquei.
— Claro que não. Eu vou pedir a mão da Beck em casamento.
Senhor! Ele sabe aonde vai se meter? É a Beck! Ela é maluca. Doida da cabeça!
— Misericórdia, Alex. Está fumando maconha? Você entendeu o que acabou de dizer?
— Claro que sim. Eu amo a Beck, e sei das maluquices dela, mas eu amo.
— O amor faz a gente cometer loucuras. – suspirei. – E qual vai ser a minha ajuda?
— Eu quero que você dê a opinião sobre o anel. Quero algo maravilhoso para ela.
Pra Beck? A garota que me atormenta todas as vezes que nos encontramos?
— Ok. Eu vou fazer isso porque é meu amigo, mas pensa bem antes de se casa com ela.
Ela sorriu, e entramos em uma joalheria. Olhei todas aquelas mulheres e homens bem vestidos, e esperei para ser atendido.
— Vamos procurar por um vendedor Miley Cyrus. – falei, procurando por um.
Alex olhou sem entender.
— Vendedor Miley Cyrus? Com assim?
— Você não sabe o que é isso? Um vendedor Miley Cyrus é aquele que não pode ver bolas, que já quer ficar pendurado até vender. Igual ao clipe dela, Wrecking Ball.
Ele riu, e eu assenti. Todo lugar tem um vendedor Miley Cyrus.
— Você conhece a Miley Cyrus? – perguntou.
— Alex, ela era a Hannah Montana. Tinha duas vidas em uma
— Você assistia Hannah Montana?
— Eu? Não! Claro que não! – ok, eu assistia, e foi triste quando acabou. Mas eu assistia nos meus intervalos do trabalho. – A Emy que assistia, e eu acompanhava, mas odiava.
— Sei.
Eu ia protestar, mas uma vendedora veio até nós, tirando a minha atenção.
— Boa tarde! É um prazer receber homens tão bonitos aqui em nossa loja. O que poderei ajudar.
— Satisfação, porque prazer é só na cama, e com a minha mulher. – falei, rindo do meu trocadilho.
A mulher me olhou sem entender nada, e o Alex ria junto comigo.
— O meu amigo vai se casar, e quer ver algumas alianças de noivado.
— Por favor, sentem-se aqui.
Fomos até uma mesa de vidro, e ela foi mostrando todos os anéis de noivado que ela tinha. Caralho, que negócio caro. Aqui é muito caro.
— Esse é lindo.
— Lindo, mas o seu rim fica aqui também. Dividem o rim em quantas vezes?
— Não entendi.
— Moça, olha o preço desse anel. Nem se eu vendesse todos os meus órgãos, eu daria para pagar.
— Mas é diamante.
— Não! Ele quer de noivado, não de amante. – ri. Entenderam a piada? Di -amante. Diamante. Entenderam, né? – Olha isso. Meu amigo terá que deixar as bolas, e nem sei se paga. Aceitam carnê? Porque é caro.
— Eu sei, mas eles são maravilhosos, senhor.
Dei de ombros. Não era eu que iria comprar.
Alex olhou para todos aqueles anéis, que eram lindos. Eu sei o que ele sentia com tudo aquilo, porque eu senti quando escolhi as alianças para a Emy. Eu queria que ela tivesse o melhor, e ele quer a mesma coisa com a Beck, mesmo ela sendo chatinha comigo.
— Esse aqui é bonito, e eu acho a cara dela. – apontei para um, que estava no mostruário.
Ele olhou, e sorriu.
— Verdade. A Beck vai amar esse anel. – pegou-o, e entregou para a vendedora. – Eu vou levá-lo.
Ela sorriu, e foi embrulhar. Alex tirou o cartão do bolso, e pagou. O cara manjava da grana.
— Tudo por amor. – falou.
— Eu sei, Alex. Mesmo ela sendo chatinha comigo, eu sei que ela merece.
Ele pegou o embrulho, e decidimos comer alguma coisa.
Fizemos os nossos pedimos, e nos sentamos.
— Cara, as meninas devem estar planejando o chá de bebê dos gêmeos. – Alex falou.
— A Emy me contou mesmo que ela iria começar a ver as coisas do chá de bebê. Estou bem ansioso.
— A Beck também está. Ela disse que tinha algumas ideias sobre dançarinos, plumas, DJ e... Merda! – ele me olhou assustado, e sabe que falou o que não devia.
— Como assim? Dançarinos? Plumas? DJ? Conta essa história direito, Alex.
— Ah... Então, ela não pode saber que eu te contei, senão ela me mata.
— Para de ser medroso. Que merda é essa? – eu estava nervoso demais para os medinhos dele.
— Eu tenho certeza que a Emy não vai aceitar, mas ela disse que poderia ser um chá de bebê diferente, então iria propor alguma coisa desse jeito.
Depois ainda defendem a Beck. Essa garota gosta de atormentar a minha vida. O que eu fiz pra ela? Nada! Mas ela sempre me inferniza. Eu vou matar essa garota, antes mesmo de ela ficar noiva do meu amigo.
— Não fala nada. – pediu.
— Sabe o que a sua noiva merece? Um anel de latinha de refrigerante. Alex, ela quer colocar dançarinos no chá de bebê dos meus filhos. Ela é um ser humano? Essa garota é muito estranha.
— Ela é criativa.
— Não! Ela é maluca. Mas eu vou falar com a Emy, e iremos resolver tudo isso.
— Não me meta em encrencas.
— Tudo bem. Eu vou te salvar dessa. – mas a Beck me paga.
Eu praticamente engoli a comida. Estava furioso demais para comer tranquilamente.
Voltamos para a casa, e eu evitei encontrar com a Beck. Não queria matá-la ali, e nem hoje. Então, eu fui para o quarto, e esperei que ela fosse embora.
***
Estávamos jantando, mas a minha cabeça ainda estava naquele plano maluco da amiguinha da minha mulher. O Alex estava doido! Iria se casar com uma maluca! Vi quando ela voltou do banheiro, e me olhou desconfiada.
— O que foi, Gabe? – sentou-me ao meu lado.
— O que vocês planejaram para o chá de bebê?
Quero que ela me conta tudo.
— Ah, é surpresa, mas vai ficar tão lindo e fofo. Docinhos, bolo, a decoração. Você vai amar.
Então ela não aceitou a sugestão sexual da Beck. Ótimo!
— Essa foi a ideia inicial da Beck?
— Ah... Sim. – ela não sabe nem mentir. Eu sei que não verdade.
— Eu sei que está mentindo, Emy. Eu conheço você suficiente, e conheço a Beck. Ela não seria tão fofa desse jeito. Alex me disse que ela mencionou algo de dançarino e plumas. O que ela queria?
Ela arregalou os olhos, e eu vi a mentira. Eu conheço a minha mulher.
— Não fique nervoso, mas ela queria um chá de bebê diferente. Queria colocar um DJ, plumas, luzes e homens dançando de cueca.
Cueca? Isso eu não estava sabendo! Que raios passa na cabeça daquela maluca? Era um chá de bebê, não um show de striper. Isso é uma petulância. Agora eu mato aquela garota!
— Você não concordou com esse absurdo, né, Emily Campbell Hunter?- perguntei furioso.
— Claro que não, Gabe, Você acha que eu faria isso no chá de bebê dos nossos filhos?
Ótimo! A Emy tinha bom senso, pelo menos. Mas essa garota me irrita ao extremo!
— A Beck vai se vir comigo. Ela acha que eu vou deixar isso barato. Isso é um absurdo. Os nossos filhos ficarão longe dela. – avisei. Ela não irá colocar caraminholas na cabeça dos meus filhos. Do jeito que ela é, devemos mantê-los bem longe. — Eu ainda acho que devemos colocá-los no convento. Ficará longe de pessoas como a Beck. Servirá a Deus, Emy. Olha que missão mais linda! Toca o meu coração. – respirei fundo.
— Não vem com essa história de novo. A Beck exagerou, mas ela não fez por mal. Ela ama os nossos bebês, meu amor.
— Amor louco, só se for. Ela me provoca, mas eu vou arquitetar um plano.
Eu vou pensar em algo, ou vou jogar uma praga nela. Essa garota me paga!
— Ah, sem planos malucos. – falou. – Deixe a Beck, Gabe. Ela não fará a festa desse jeito, e eu posso te garantir que ficará do meu jeito. Não precisa se preocupar com ela, meu amor.
Falar é fácil. Mas, por enquanto, eu vou deixar isso de lado. Posso tentar dar uma chance pra ela, mas não sei se dará certo.
— Tudo bem. Eu vou dar uma chance para a Beck. Mas essa garota me dá nos nervos.
— Não fala dela, dai você não ficará nervoso desse jeito.
— Você tem razão, princesa. Vamos esquecer a Beck. – pisquei. – Eu vou levar a bandeja para a cozinha, e eu já volto para ficarmos juntinhos.
Levei até a cozinha, e corri para voltar para o quarto. Não quero mais pensar na garota malvada. Quero apenas eu, a Emy e os nossos filhos.
***
Eu estava em sono tão gostoso, até que eu senti alguém me cutucando. Acordei meio sonolento, e a voz foi ficando mais nítido na minha cabeça.
— Gabe? Gabe, acorda!
Olhei para a Emy, e ela sorria. Droga! A bolsa estourou! Levantei-me correndo, e fui procurando a minha calça. Merda, cadê a minha calça?
— O que foi? A bolsa estourou? Vamos pegar a bolsa. Eu vou ligar o carro e já...
— Calma, Gabe. Os bebês não nasceram. – sorriu.
— Não? Eu achei que você tivesse me acordado para isso.
Sentei-me novamente, e respirei. Quase tive um ataque de ansiedade.
— É que eu estou com um desejo.
Ah, eu sabia. Essa é a minha garota.
— De sexo? A gente pode acabar com isso rapidinho. – Fui pra cima dela, e ela me olhava com aquele jeito de anjo. Minha anjinha!
— Não, meu amor. Eu quero cupcakes.
Ah? Eu aqui todo duro, e ela querendo cupcakes?
— Você me trocou por cupcakes?
— Não! Mas é que os bebês pedem por cupcakes nesse momento, meu amor. Você pode ir comprar pra mim?
O que eu não faço por essa mulher. Eu movo o mundo por ela.
— Claro! Eu vou tentar achar um lugar que esteja aberto, e compro pra você. – sorri.
— Então, eu quero os cupcakes da Nita. Sabe aquele restaurante que a gente sempre ia? Então, eu quero os de lá, por favorzinho.
Pedindo desse jeito, eu vou até ao céu. Mas depois eu irei saciar a outra vontade dela.
— Tudo bem, minha princesa. Eu vou comprar pra você, e depois irei saciar outra vontade sua.
— Estarei esperando. – piscou.
Coloquei a minha roupa e sai. Eu iria atrás desses cupcakes, e eu espero que o restaurante esteja aberto.
Parei o carro em frente, e desci. Vi um dos filhos da dona Nita em frente ao restaurante, e desci correndo.
— José, quanto tempo! – cumprimentei-o já para agradar.
— Gabe, eu não sabia que você já tinha voltado da lua de mel. Como a Emily está?
— Grávida e linda. – sorri. – Você já está fechando o restaurante?
— Sim. O dia foi cheio, mas deu tudo certo. Posso ajudá-lo?
— Então, a Emy está com aqueles desejos de grávida, e pediu que eu comprasse alguns cupcakes daqui, sabe.
— Sinto muito, Gabe, mas nós já fechamos o restaurante, e os únicos que tem serão entregues para uma festa, amanhã à tarde. Sinto muito. – deu de ombros.
Eu não iria sair daqui sem os meus cupcakes. Hora do show, Gabe!
— Tudo bem! Eu entendo o seu trabalho, José. Infelizmente eu irei dizer para a minha esposa, que está grávida de gêmeos. Pois é, gêmeos. Uma gravidez difícil, dores nas pernas, inchaço, mas tudo bem. A vida é difícil. Não podemos ter tudo o que queremos. Eu quero cupcakes, mas não posso ter.
— Sinto muito.
— Tudo bem. Meus filhos irão nascer com cara de glacê, mas o importante é o amor que reinará entre nós. Eu irei comprar em outro lugar, onde eu poderei ser assaltado e morto. Só não quero que chore ao lado do meu caixão e não se arrependa da sua negação. Eu tentei, mas o destino quis assim. Eu vou indo. – peguei a chave, e fiz cara de choro. – Estou indo mesmo. Olha aqui, estou chegando ao meu carro. Abrindo a porta. Estou quase entrando, onde irei chorar por algumas horas, mas não chora ao lado do meu caixão. Quero que lembrem o bom homem que eu fui.
José me olhava de um jeito estranho, e quando esse teatro não iria dar em nada, ele me chamou.
— Vem, Gabe. Para com esse drama, porque eu vou te dar alguns cupcakes.
Fiz a dança da vitória por dentro, mas coloquei as mãos em meu coração.
— Muito obrigada, José. Você salvou os meus filhos de sofrerem bullying com a cara de glacê.
Ele abriu o restaurante, e voltou com alguns cupcakes na sacola.
— Eu estou fazendo isso pela Emy e os bebês, não pelo o seu drama que você fez lá fora.
— Eu fiz drama? Quem disse? Falei tudo de coração. – falei, pagando pelos doces.
— Sei. Agora eu preciso fechar o restaurante.
— Obrigada, e que Deus te abençoe!
Corri para o carro, e voltei para a casa. Tinha os benditos cupcakes.
Cheguei ao quarto, e vi que a Emy estava dormindo. Uma bela imagem, mas eu tinha que acordá-la.
— Aqui estão, meu amor. Seus cupcakes do jeito que você gosta.
— Não acredito que você conseguiu. Foi fácil?
— Super fácil. Foi só chegar e pedir com jeito.
Do meu jeito.
— Meu amor, você é incrível. Eu não acredito que irei acabar com esse desejo. – mordeu um pedaço e sorriu. – Você quer?
— Não, meu amor, pode comer. Eles são todos seus.
E ela quase comeu todos, deixando alguns para o outro dia. Ela sorriu, satisfeita com os doces, mas agora eu iria satisfazê-la.
— Satisfeita? – perguntei.
— Muito. Eles estão bem felizes, e eu também. – sorriu.
— Bem, será que o papai aqui pode ficar feliz também?
— O que eu posso fazer por você, papai? – perguntou, sabendo muito bem da resposta.
Derrubei-a de leva na cama, e comecei a beijar o seu pescoço, que tinha um cheiro incrível, e eu amava.
— Agora eu vou te saciar de outra maneira, Emy. – sussurrei.
E eu a saciei de várias formas, do mesmo jeito que eu fiquei saciado, mas sempre querendo mais. A nossa noite foi longa e muito prazerosa.
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