Eternamente
53 Capítulo 53
Ai meu Deus! O Gabe estava completamente desmaiado. Estirado no chão! Será que ele um piripaque? Não! Pelo amor de Deus! Será que ele enfartou? Ah, bate na madeira três vezes. Levantei-me toda desajeitada, e fui até ele. Meu Deus, eu espero que não seja nada.
— Gabe! Gabe, pelo amor de Deus, abra esses olhos, meu amor. – chamei-o, mas ele não estava me escutando.
— Eu vou chamar um enfermeiro para nos ajudar. – a médica falou, e eu apenas concordei.
Meu foco era o Gabe e esse desmaio dele, que eu tenho quase certeza que foi causado por causa da nossa filha, que ainda nem nasceu, mas já anda dando uns sustos no papai.
Após alguns minutos, um enfermeiro chegou, e o colocou na sala da minha médica. Eu corri até o banheiro, e troquei de roupa, e limpei o gel da minha barriga. Voltei, e percebi que ele estava se mexendo. Corri para ficar ao lado dele, até que eu vi os seus lindos olhos, que estavam mirando para mim.
— Gabe. – sorri, e segurei a sua mão. – Que bom que você acordou.
Ele olhou em volta, e parecia perdido.
— Que lugar é esse? Onde eu estou?
— Você está na sala da minha médica, Gabe. Você desmaiou, e um enfermeiro o trouxe para cá. – sorri. – Você está bem? Quer que eu chame um médico?
— Não precisa, princesa. Eu tive um sonho meio maluco, sabia?
— Que sonho?
— Sei lá. Parece que eu sonhei que um dos nossos bebês era uma menina, dai tudo sumiu. Depois de um tempo, eu estava em casa e uma moça, que me chamava de pai, me apresentava um namorado. Eu não me lembro muito bem, mas isso foi um sonho, ou pesadelo. – ele sentou-se na cadeira, e eu fiquei ao seu lado.
— Querido, isso foi um sonho, Gabe. – sorri.
— Ufa! Amém! – sorriu.
— Menos a parte de um dos nossos filhos ser menina. Isso é verdade. Parabéns, papai.
Gabe colocou a mão no peito, e ele ficou branco feito um papel. Droga, só faltava ele desmaiar novamente.
— Isso... Isso é verdade? Não era um sonho?
Eu fiz que não, e ele fechou os olhos e respirou fundo.
— Gabe, não desmaie, por favor. – pedi.
— Tudo bem. Eu vou ficar bem. Não vou desmaiar, e nem estou tremendo. Uma filha! Eu vou ter uma menina! Menina, com a vogal a no final. – levantou-se, e começou a andar pela sala.
Eu fui até ele, e o abracei. Sabia que o Gabe tinha esse ciúme em relação a esse assunto, então eu mostrei que tudo estava ótimo.
— Não precisa se preocupar, meu amor. A nossa filha irá te amar, assim como o nosso pequeno. Teremos um mini Gabe e uma mini Emy. Isso não é incrível?
— Claro que é, Emy. Poxa, nós vamos ter um casalzinho, meu amor. Meu filho vai ser pirocudo, porque você viu o tamanho que ele tem. Vai chegar com tudo! E nós vamos ter uma menininha linda, que eu espero que seja parecida com você. Linda, doce e educada. Teremos dois filhos maravilhosos, mas isso não quer dizer que eu não tenha um mini ataque cardíaco só de saber que eu terei que proteger uma vagina. Emy, é a vagina da minha filha! O pote de ouro dela, que deverá ser protegido contra os babacas que chegarem perto dela. Isso é demais para um coração de um pai.
— Gabe, você sofrendo por antecedência, querido. Ela nem nasceu, e você já está imaginando coisas.
Ele me olhou estranho no momento em que eu disse que ele estava imaginando coisas. Mas eu falei a verdade. Gabe estava sofrendo, e sem motivo. A nossa filha nem nasceu, e ele já está imaginando futuros namorados e quase tendo ataques do coração. Se ficar desse jeito, eu ficarei viúva mais cedo, porque ele quase surta só de imaginar, imagina quando ela nascer.
— Emily, eu não estou imaginando nada. Eu sou homem, e passei pela fase da adolescência, que é a perdição para nós. Hormônios à flor da pele, querida. Eles irão pensar no meu bebê, enquanto tentam ficar com a mãe calejada, que eu terei o prazer de decepar.
Eu ri com aquela constatação.
— O seu filho também passará pela fase da adolescência, Gabe. Ele poderá fazer isso, imaginando a filha dos outros. Acha isso bonito? – perguntou, arqueando a sobrancelha.
— Meu filho será um cavalheiro, assim como eu sou. Ele irá tratar as mulheres com carinho, amor e respeito. Mas não posso negar que será bem dotado, porque isso está nos genes dele. Meu filho terá que usar fralda especial, porque não irá caber tudo aquilo dentro da fralda. Você viu o tamanho, e eu não estou mentindo.
— Vi muito bem. – ri.
— Com licença, posso entrar? – a médica perguntou.
— Claro. – respondi.
— Que bom que você acordou, Gabe. Imagino a emoção que foi em saber que terá um casalzinho.
— Muita emoção. Vou ter que frequentar o cardiologista mais vezes, porque isso poderá acontecer com frequência.
— Nós ficamos muito emocionados. Eu nunca achei que seria mãe de um casalzinho. – suspirei. – Estou me sentindo realizada. – abracei o Gabe, que retribuiu imediatamente.
A médica disse que estava tudo bem com os bebês, que meu peso estava ótimo, assim como a minha gravidez.
***
Estávamos perto de casa, e eu sorria feito uma boba, ou melhor, como uma mãe coruja e apaixonada pelos filhotinhos. Acariciava a minha barriga, que crescia cada dia mais, e me deixava mais orgulhosa. Meus pequenos já eram tão amados, e eu não via a hora de conhecê-los. Meu amor por eles crescia a cada segundo que passava, e eu entendo quando a minha dizia que é um amor inexplicável, porque é um amor além do que eu não imaginava que existia dentro de mim. É sem medidas e para sempre.
Olhei para o Gabe, que dirigia calmamente, e fiquei admirando-o. Meu marido é o mais incrível do mundo. Sabe me levar à loucura, seja na cama ou em uma ultrassonografia. Seu ciúme era fora do normal, mas eu entendia o lado dele. Gabe sempre foi o mulherengo, que não estava nem ai para um relacionamento duradouro, e hoje será pai de uma menina. Ele simplesmente tem medo que façam com a filha dele, o que ele fez com a filha dos outros. O mais engraçado de tudo, era que o ciúme do Gabe era sarcástico. Ele já foi muito de brigar, mas, atualmente, ele usa da sua arma mais poderosa, que ele sabe administrar com proeza: o seu sarcasmo. Como pode existir alguém mais sarcástico do que ele. Ele consegue fazer isso, e ainda arrancar risada das pessoas, porque eu morro de rir quando ele começa com as suas piadas. Algumas são sujas, mas são engraçadas.
— Eu sei que sou gostoso, mas estou ficando constrangido do tanto que você me olha. – disse, com aquele sorriso torto que me deixava louca. Ah, esse sorriso...
— Não é nada, amor. Eu só estou pensando um pouco. – dei de ombros.
— Pensando em mim, né? Eu sei que sou inesquecível, princesa. – sorriu, e eu me segurei para não beijá-lo.
— Está se achando, papai do ano.
Ele sorriu, e estufou o peito, como se estivesse orgulhoso de algo.
— O papai mais sexy, princesa. – piscou.
— E o mais ciumento também. – brinquei.
— Nem tudo dão flores, querida.
Ele estacionou o carro na garagem, e me abriu a porta do carro, me ajudando a descer.
— Como iremos contar para a nossa família? – perguntei, entrelaçando os nossos dedos.
— Pelo o que eu conheço, eles não vão querer muito suspense. O jeito é chegar e contar. Eles não irão suportar a demora.
— Isso é verdade. – suspirei. – Está pronto para contar o sexo dos nossos babys?
— Mais pronto impossível.
Entramos, e fomos direto para a sala da jantar, onde todos estavam sentados.
— Olá, família. – dissemos juntos.
Eles levantaram, e vieram ao nosso encontro.
— E ai, meu filhos. Qual é o sexo dos nossos netinhos lindos? – minha mãe perguntou.
— Será que a gente conta, Gabe? – brinquei.
— Nem fale isso, minha filha. Meu coração de avô não aguenta.
Eu sorri, e olhei para os quatro, que estavam bem ansiosos.
— Bem, logo, logo vocês terão que comprar carrinhos, bolas e tudo mais, porque é um menino. – sorri.
Nem preciso dizer que a alegria foi geral, né? Meu pai abraçou o meu padrinho, que já estava chorando emocionado, junto com a minha mãe e madrinha.
— Um menino. Eu serei avó de um menino. – minha madrinha me abraçou, e chorava junto.
Olhei para o Gabe, que concordou comigo. Era hora de dizermos que também teremos uma menininha.
— E terão que comprar laços, bonecas, roupinhas cor de rosa, e tudo o que quiserem, porque também teremos uma menina. – Gabe disse, sorrindo de orelha a orelha.
E foi só dizer isso, que choraram mais um pouco. Foram abraços, choros, risadas, choros, ligações para o resto da família e mais choro. Eles estavam tão felizes, que fazíamos planos e mais planos para o nascimento dos gêmeos, e do quartinho deles.
***
Depois de toda essa emoção, e resolvi subir para tomar um bom banho. Gabe teve que resolver alguns assuntos do trabalho, e eu não quis interrompê-lo. Ele até queria vir comigo, mas eu disse que ele poderia terminar primeiro, que eu iria esperá-lo.
Coloque um pijama bem confortável, porque queria algo bem solto, e que me deixava bem. Deitei-me na cama para esperar o Gabe, mas o sono estava forte, e acabei dormindo.
Acordei assustada, e procurei pelo Gabe, mas ele não estava na cama. Achei estranho, porque já era tarde e ele não estava aqui. Sai da cama, e fui atrás dele. Assim que desci as escadas, eu vi que a luz do escritório estava acessa, e sabia quem estava por lá.
Abri a porta, e acertei na mosca. Gabe estava sentado na cadeira, e parecia bem concentrado no que estava lendo em seu notebook. Fiquei ali por alguns segundos, até que eu resolvi ir até ele, já que eu não fui notada. Cheguei perto, e o abracei, dando-lhe um beijo.
— Amor, o que você está fazendo acordado até essa hora? – perguntei.
Ele fechou o notebook, e parecia assustado com alguma coisa. Bem suspeito.
— Princesa, o que você está fazendo acordada? Era para estar descansando, meu amor. — Ele me sentou na cadeira ao lado, e colocou os meus pés em suas pernas.
— Eu estava dormindo, mas acordei agora e não te vi. Gabe, o que você está vendo ai no seu notebook?
Ele respirou fundo, e fez aquela carinha de inocente. Você não me engana, Gabe.
— Eu estou vendo algumas coisas, mas não é nada importante.
— Sério? Deixe-me ver.
— Oi? Ah, não precisa, Emy. – sorriu, achando que eu iria cair nessa.
— Gabe, se você estiver vendo pornografia, eu juro que arranco as suas bolas com o alicate de jardinagem.
Ele arregalou os olhos, e colocou a mão em suas bolas. Isso mesmo. É bom que tenha medo.
— Eu acho que você não deveria assistir mais os filmes dos jogos mortais e nem doce vingança. – disse assustado.
— Então, o que você está vendo ai, que não quer me deixar ver?
Posso estar parecendo uma mulher neurótica e ciumenta, mas o um marido tinha algo naquele notebook, e eu quero saber o que é. Tenho certeza que o Gabe faria a mesma coisa se fosse comigo, ou pior, ele iria fazer escondido.
Ele respirou fundo, e ligou o notebook. Quando olhei para a tela, eu vi um nome de um colégio.
— Colégio para freiras e padres? Gabe, o que é isso? – perguntei, sem entender mais nada.
— Então, eu fiquei pensando um pouco, e acho tão interessante se a nossa filha estudasse em um colégio de freiras.
— Como? – eu acho que escutei mal.
— Pensa comigo, meu amor. A nossa filha se dedicando Deus. Ela saberá todas as orações, saberá usar palavras bonitas quando quiser dar um conselho, poderá dar aula de catequese e crisma, fora que ficará linda de beata. – sorriu docemente.
— Quem disse que a nossa filha irá estudar em um colégio de freiras?
— É a missão da vida dela, Emy, e você quer tirá-la disso? Que coisa feia. Deus está vendo o empecilho que você está colocando no caminho que ela tem que seguir.
— Ou que você decidiu que ela terá seguir?
— Eu? Claro que não. Eu sinto aqui dentro, no coração de um pai, que esse é o destino dela. Longe desse mundo de homens intrusos, querendo roubar o coração da filha dos outros. Ela se dedicará a mudar o mundo, da sua forma doce e delicada. Nossa filha precisa estudar nesse colégio.
— Ela não irá estudar nesse colégio. Se ela quiser ser freira, eu irei ajudá-la e apoiá-la em tudo o que precisar, mas não agora. Ela nem nasceu, e você já quer arrumar escola pra ela.
— Não é qualquer colégio. Chama-se: Colégio três corações do senhor. Nós temos apenas um coração, e lá tem três. Olha que legal e profundo.
— Lindo nome, mas não. – discordei.
— E lá tem um jardim lindo, cheio de flores e um chafariz, que tem um anjo que sai água da boca dele. Olha que lindo. Eu achei criativo. – ele me mostrou a foto, e eu concordei.
— Bem bonito mesmo, mas não.
— E se começarmos a pagar agora, teremos desconto. E se o nosso filho quiser ser padre, ganhará mais desconto ainda. Dois a preço de um. Olha que incrível. Até anotei o telefone.
— Não! Gabe, pelo amor de Deus! A nossa filha não estudará em um colégio de freiras. Se esse for o destino dela, tudo bem, mas eu não irei forçá-la a ficar em um lugar que ela não quer.
— Mas a escola é tão linda! – sorriu.
— Sim, ela é linda. – suspirei. – Mas a minha filha não estudará nele.
— Você está tomando decisões sem o meu consentimento.
— Você também tomou sem o meu consentimento. Gabe, não precisa disso tudo. Deixe a nossa filha decidir o futuro dela. Porque você quer tanto eu ela siga o caminho de Deus e vire freira?
— Porque ela ficará longe do antro masculino. – sorriu.
— Só por isso? Gabe, senta aqui. – eu o coloquei sentado do meu lado, e peguei a sua mão. – Não fique pensando nisso, ok? A nossa filha nem nasceu, e você já está ficando maluco com essa preocupação toda. Deixe para você se preocupar quando ela entrar na adolescência.
— Pra mim, irá começar na pré-escola, que onde começa com aqueles meninos querendo brincar um pouco no parquinho, depois se acham no direito de roubarem a pureza da minha filha quando ficar mais velha. Não dá.
— Então se preocupe com ela quando estiver na pré-escola, não agora. Não sofra de ansiedade por algo que vai demorar em acontecer. E eu tenho certeza que o nosso filho irá proteger a irmã.
— Eu vou ensiná-lo a fazer isso, principalmente em bater se alguma coisa acontecer.
— Gabe! Não irá ensinar o nosso filho a bater.
— Eu não falei qual o sentido do bater. Pode ser em alguém, ou em algo que ele terá bem grande. – piscou, e eu ri com aquele pensamento sujo que ele tinha.
— Esqueça o verbo bater, por favor. – eu ri. – Estamos conversados? Nada de colégio, freiras e bater em nada, e nem em ninguém. Esqueça tudo isso, e vamos viver o hoje. Tudo bem?
— É, eu posso fazer isso. – deu de ombros.
— Eu sei que pode, meu amor. Vamos nos deitar? – levantei-me, e o chamei.
— Vamos. – ele me abraçou, e fomos para o quarto.
***
Eu estava na companhia da Lis e da Beck, que vieram me visitar e para saberem dos bebês. Nem preciso dizer o quão animadas elas ficaram, né? Já estavam planejando o chá de bebê, mesmo eu achando cedo demais. Beck não cansava de dizer que queria encontrar com o Gabe, e dizer que ela estava certa. Eu tenho certeza que o Gabe piraria ao ouvi-la dizer que iria ensinar a nossa filha a paquerar e se arrumar. Ele teria um treco no coração.
— Ok! Agora vamos falar de outra coisinha que eu estou bem curiosa. – virei-me para a Lis, que sorria para nós. – Você e o George estão namorando?
Ela hesitou, e corou na hora. Ai tem coisa.
— Já transaram, sua safadinha! – Beck falou.
— Beck! – Lis a repreendeu, e riu em seguida.
— Então...
— Sim, nós estamos juntos. – sorriu. – Ai, ele é tão incrível! Cavalheiro, romântico, legal e...
— Gostoso?
— Beck! – ela riu. – Sim, posso dizer que ele é isso mesmo. Nós viajamos, ele foi tão incrível. Disse que queria algo sério comigo, e que tinha se encantado comigo assim que me viu.
— Que lindo! – eu comecei a chorar de tanta emoção.
— Amiga, você está bem? – elas perguntaram.
— Sim. É só emoção e os hormônios. – sorri. – Lis, eu fico muito feliz por você. – abracei-a, e puxei a Beck.
— Obrigada, meninas. Eu estou muito feliz, e fico mais feliz ainda em compartilhar isso com vocês.
— Sempre estaremos juntas. – falei, e sorri.
Depois de um tempo, as meninas foram embora, mas prometeram que iriam voltar. Sentei-me na sala e liguei a televisão, tentando achar algo de interessante. Gabe disse que iria até o escritório do meu padrinho, mas falou que não demoraria. Minha mãe e minha madrinha saíram. Então eu estava sozinha, e sem nada para fazer. Desliguei a televisão, já que não tinha nenhum filme que me interessasse, e olhei para a minha barriga. Como ela crescia a cada dia. Não sei se era impressão minha, mas ela já estava bem grandinha. Sorri ao me lembrar do susto que eu tive quando soube que estava grávida de gêmeos. Não é algo que você espera, mas é tão mágico. Um presente de Deus. Dois bebês para encherem as nossas vidas de alegria. Seria difícil, mas será tão gratificante. Eu já imagino os rostinhos deles, o cheirinho, as bochechas rosadas e até com a cor dos olhos. Será que eles iriam se parecer mais com o Gabe ou comigo? Tantas coisas que eu queria saber, mas tinha que esperar. Alisei a barriga, como se eu estivesse fazendo carinho neles. Fechei os meus olhos, e comecei a cantarolar uma música de ninar. Estava tão quietinha, que eu não reparei que tinha alguém ao meu lado. Senti alguém beijando a minha cabeça, e eu deduzi que seria o Gabe. Abri os meus olhos, e me deparei com o meu lindo marido, que me olhava docemente, e sorria pra mim.
— Atrapalho? – perguntou, colocando a sua mão sob a minha barriga.
— Nunca. – sorri. – Eu estava tão quietinha que eu não o vi chegar.
— Eu percebi. Como nossos amores estão?
— Bem. Eu estava cantando para eles.
Ele sorriu, e beijou a minha barriga, delicadamente. Depois ele veio e meu um beijo casto na boca.
— Eu te amo, Emy. Eu te amo a cada segundo da minha vida. Sempre te amei, e sempre vou amar. Eu não existo sem você. Jamais.
— Eu também, Gabe. Eu te amo tanto, que chega a doer.
Ele me abraçou, e ficamos ali, na nossa bolha particular, apenas com o nosso silêncio.
— Eu tenho que te levar em um lugar. – disse, olhando para mim.
— Que lugar? – perguntei, morrendo de curiosidade.
— Surpresa. – sorriu. – Vamos? – levantou-se, e me ajudou a levantar do sofá.
Assenti, e saímos para um lugar que eu nem imaginava onde seria.
Não demoramos muito, aliás, poderíamos ter ido a pé, mas o Gabe disse que eu não poderia me cansar e que poderia fazer mal aos bebês. Descemos em uma casa, que eu me lembro muito bem dela.
— Gabe, o que nós estamos fazendo aqui?
— Então, um tempinho atrás, uma menininha linda me contou que essa seria a casa dos sonhos dela, porque parecia um castelo de princesa. Eu prometi que iria realizá-lo algum dia, e que compraria para ela tudo o que lhe faria feliz. Então, eu realizei o desejo da minha eterna princesinha. – ele me entregou um papel, e eu vi a coisa que eu nunca poderia imaginar.
— Você...
— Sim, eu comprei o castelo para a minha princesa. – sorriu. – A nossa casa, Emy. Nosso castelo.
Meu Deus! Ele tinha comprado a casa para nós, para mim. Não sei o que dizer com isso. Gabe não tinha se esquecido do meu desejo de comprar essa casa, que eu ainda admirava por causa da sua arquitetura, do jardim e da cor, que na época era rosa.
— Gabe...
— É nossa, meu amor. Nós vamos criar os nossos filhos na sua casa dos sonhos. – beijou a minha cabeça. – Você gostou?
— Eu amei, Gabe! Eu nunca imaginei que você faria isso. – eu estava encantada e surpresa.
— Eu faço tudo por você.
Virei-me para ele, e o beijei. Gabe me conquistava cada dia mais, e eu o amava como nunca imaginei que amaria alguém na minha vida.
— Vamos conhecer a nossa casa? – perguntei.
— Com toda a certeza, senhora Hunter.
Nossa casa. Nosso cantinho. Nosso ninho de amor. Seja lá o que for, eu estava com o Gabe, até o fim da minha vida.
Gabe
Eu estava em um lugar estranho. Não sei identificar direito. Tudo era um borrão. Cadê a Emy? Será que eu morri? Será que eu estou em outro plano? Esse não era o meu plano ideal, e eu não quero morrer. Ainda sou jovem, bonito e gostoso. Não! Cadê os meus direitos de consumidor? Quero a minha vida de volta! Quero provas concretas sobre a minha morte. Como eu morri? Que dia? Que horas? Ai, aquilo é uma luz? Sempre me falaram para não seguir a luz, então eu vou ficar parado, esperando a minha vez de voltar para a terra. Eu fiquei ali, quando de repente, eu estava em uma sala, e a Emy ao meu lado. Nós parecíamos mais velhos, mas eu ainda estava sexy, e a Emy gostosa. Isso é o futuro? Legal! Então eu serei assim quando estiver mais velho? Aprovado! A Emy sorria ao falar ao telefone, quando a porta da sala se abriu, e eu nem sei de quem é essa casa. Olhei, e vi uma jovem, linda e muito parecida com a Emy. Ah, já saquei. É a minha filha.
— Oi, papai. – beijou a minha bochecha, e foi cumprimentar a Emy.
Caralho! Eu fiz uma filha linda! Fazer o que, né?
— Mãe e pai, eu trouxe uma pessoa para vocês conhecerem. – ela foi até a porta, e estava de mãos dadas com um rapaz.
Mas que porcaria é essa? Minha filhotinha de mãos dadas com esse rapaz, que tem cara que usa sabonetes Johnson baby, e ainda passa colônia de amostra grátis? Isso não!
— O que é isso? – perguntei furioso.
— Ele é o meu namorado, papai.
— E ai, sogrão. Tudo na paz?
— Paz você só terá quando morrer, seu moleque batedor de punheta. Larga da minha filha.
— Gabe! – Emy chegou até a mim, e pediu que eu parasse.
— O que foi? Você viu o que a nossa filha está fazendo? Ela quer que eu morra de desgosto. Ela quer que eu caia duro aqui no chão. Quer me ver na cama de um hospital, precisando de aparelhos para respirar, e sem saber o que fazer, ou se eu irei sobreviver.
— Papai, não é isso que eu quero.
— De boa ai, sogrão. Cuidado com o coração.
— Eu é que vou arrancar o seu coração. – gritei, e corri atrás do sequestrador da minha filha.
Eu estava correndo atrás desse moleque, quando eu voltei da luz, e comecei a voltar à vida. Ou eu achava que estava voltando. Comecei a me mexer, até que eu consegui abrir os olhos, que já procuravam pela Emy. Onde eu estava? Era tudo um sonho?
— Gabe. – sorriu, e segurou a minha mão. – Que bom que você acordou.
Olhei em volta, e percebi que eu não estava em casa.
— Que lugar é esse? Onde eu estou?
— Você está na sala da minha médica, Gabe. Você desmaiou, e um enfermeiro o trouxe para cá. – sorriu. – Você está bem? Quer que eu chame um médico?
— Não precisa, princesa. Eu tive um sonho meio maluco, sabia?
Eu acho e espero que tenha sido tudo um sonho.
— Que sonho?
— Sei lá. Parece que eu sonhei que um dos nossos bebês era uma menina, dai tudo sumiu. Depois de um tempo, eu estava em casa e uma moça, que me chamava de pai, me apresentava um namorado. Eu não me lembro muito bem, mas isso foi um sonho, ou pesadelo. – sentei-me na cadeira ao lado, e ela ficou ao meu lado. Eu não me lembro se tudo era real ou não
— Querido, isso foi um sonho, Gabe. – sorriu.
— Ufa! Amém! – sorri.
Tudo não passou de um pesadelo, mas parecia tão real, que eu fiquei com medo.
— Menos a parte de um dos nossos filhos ser menina. Isso é verdade. Parabéns, papai.
Ai, isso não era sonho. Teremos uma filha. E eu achei que fosse imaginação da minha cabeça. Meu coração até acelerava, e as mãos tremiam.
— Isso... Isso é verdade? Não era um sonho?
Ela negou, e eu me segurei para não desmaiar novamente.
— Gabe, não desmaie, por favor. – pediu.
— Tudo bem. Eu vou ficar bem. Não vou desmaiar, e nem estou tremendo. Uma filha! Eu vou ter uma menina! Menina, com a vogal a no final. – levantei — me, e comecei a andar pela sala.
Não que isso fosse ruim, muito pelo contrário. Eu estava feliz, mas o sonho que eu tive ainda me assustava um pouco. E se ele se realizasse? E se isso foi um Deja vu? E se realmente isso acontecer? Não dou conta disso.
Emy sentiu toda a minha tensão, e me abraçou. Ela tinha o poder de me acalmar apenas com um simples abraço. EU me sentia pleno quando estava com ela, e tudo poderia desaparecer, e ficar apenas nós dois.
— Não precisa se preocupar, meu amor. A nossa filha irá te amar, assim como o nosso pequeno. Teremos um mini Gabe e uma mini Emy. Isso não é incrível?
Isso é mais que incrível! É sensacional! Meu filho vai ser igual a mim, em tudo.
— Claro que é, Emy. Poxa, nós vamos ter um casalzinho, meu amor. Meu filho vai ser pirocudo, porque você viu o tamanho que ele tem. Vai chegar com tudo! E nós vamos ter uma menininha linda, que eu espero que seja parecida com você. Linda, doce e educada. Teremos dois filhos maravilhosos, mas isso não quer dizer que eu não tenha um mini ataque cardíaco só de saber que eu terei que proteger uma vagina. Emy, é a vagina da minha filha! O pote de ouro dela, que deverá ser protegido contra os babacas que chegarem perto dela. Isso é demais para um coração de um pai.
— Gabe, você sofrendo por antecedência, querido. Ela nem nasceu, e você já está imaginando coisas.
Eu não estou imaginando as coisas. Eu sonhei, e muitas vezes os meus sonhos se concretizaram. Isso me dá medo! Eu sei que posso estar sofrendo por antecedência, mas é melhor desse jeito, porque já vou preparando o meu pobre coração para o que o destino poderá aprontar comigo, porque eu entendo como é a fase da adolescência. Eu passei por isso. Fiz muitas coisas, que não vem ao caso, né?! Enfim, na adolescência nós somos puro hormônio. É ver uma mulher de biquíni, que já imagina coisas. Não é legal, mas realmente acontece. E eu não posso imaginar uma mão de punheta pensando na minha filha desse jeito. Isso eu não deixarei!
— Emily, eu não estou imaginando nada. Eu sou homem, e passei pela fase da adolescência, que é a perdição para nós. Hormônios à flor da pele, querida. Eles irão pensar no meu bebê, enquanto tentam ficar com a mãe calejada, que eu terei o prazer de decepar.
Ela riu da minha constatação, e eu não gostei. Isso era sério!
— O seu filho também passará pela fase da adolescência, Gabe. Ele poderá fazer isso, imaginando a filha dos outros. Acha isso bonito? – perguntou, arqueando a sobrancelha.
Irei ensinar ao meu filho como se deve tratar uma mulher, com todo o respeito e não com safadeza.
— Meu filho será um cavalheiro, assim como eu sou. Ele irá tratar as mulheres com carinho, amor e respeito. Mas não posso negar que será bem dotado, porque isso está nos genes dele. Meu filho terá que usar fralda especial, porque não irá caber tudo aquilo dentro da fralda. Você viu o tamanho, e eu não estou mentindo.
— Vi muito bem. – riu.
Ele será grande. Já vou até mandar encomendar algumas fraldas no tamanho maior. Esses de recém-nascido não caberá. Meu filho, meu orgulho!
— Com licença, posso entrar? – a médica perguntou.
— Claro. – Emy respondeu.
— Que bom que você acordou, Gabe. Imagino a emoção que foi em saber que terá um casalzinho.
— Muita emoção. Vou ter que frequentar o cardiologista mais vezes, porque isso poderá acontecer com frequência. – e um psicólogo também seria bom.
— Nós ficamos muito emocionados. Eu nunca achei que seria mãe de um casalzinho. – suspirou. – Estou me sentindo realizada. – ela me abraçou, e eu a abracei delicadamente.
A médica nos tranquilizou, e disse que tudo estava bem com os bebês. O peso dela estava normal, e nada estava fora do comum, graças a Deus. Pude respirar aliviado ao saber que eles estavam bem, sem nada os atrapalhando.
***
Eu dirigia de volta para a casa, e me peguei pensando em como eu estava feliz. Desde que eu me conheço por gente, a felicidade só esteve ao meu lado quando a Emy estava junto. Ela é a minha felicidade, junto com os nossos filhos. Éramos a sintonia perfeita. Eu não sei o que eu faria se ela estivesse se casado com outro homem, se estivesse grávida de outra pessoa e não de mim. Seria terrível, porque eu iria perder o amor da minha vida. Eu nunca iria saber o que era amar e ser amado. Eu sou desse jeito, porque eu estou ao lado dela. A Emy me entregou o seu coração, e eu me sinto completo só quando ela está ao meu lado. Percebi um olhar sobre mim, e eu sabia que ela estava me analisando de alguma forma. Não sei qual era, mas ela estava.
— Eu sei que sou gostoso, mas estou ficando constrangido do tanto que você me olha. – sorri.
— Não é nada, amor. Eu só estou pensando um pouco. –
— Pensando em mim, né? Eu sei que sou inesquecível, princesa. – sorri, brincando com ela.
— Está se achando, papai do ano.
Papai do ano? Amei isso! Dá até um orgulho em ouvir isso.
— O papai mais sexy, princesa. – pisquei
— E o mais ciumento também. – brincou.
— Nem tudo dão flores, querida.
Estacionei o carro, e a ajudei a sair do carro.
— Como iremos contar para a nossa família? – perguntou, entrelaçando os nossos dedos.
Eu queria fazer algo de surpreendente, mas eu conheço a família que eu tenho, e eles não irão querer esperar um segundo para saberem o sexo dos bebês. Já estavam me ligando, mas pedimos para eles esperarem um pouco.
— Pelo o que eu conheço, eles não vão querer muito suspense. O jeito é chegar e contar. Eles não irão suportar a demora.
— Isso é verdade. – suspirou. – Está pronto para contar o sexo dos nossos babys?
— Mais pronto impossível.
Entramos, e fomos direto para a sala da jantar, onde todos estavam sentados.
— Olá, família. – dissemos juntos.
Eles levantaram, e vieram ao nosso encontro.
— E ai, meu filhos. Qual é o sexo dos nossos netinhos lindos? – minha madrinha perguntou.
— Será que a gente conta, Gabe? – brincou.
— Nem fale isso, minha filha. Meu coração de avô não aguenta.
Eu falei que eles não iriam querer uma surpresa. Eles querem é saber logo. A Emy contaria que seria um menino, e eu contaria que seria uma menina. Quero ver a reação deles.
— Bem, logo, logo vocês terão que comprar carrinhos, bolas e tudo mais, porque é um menino. – sorriu.
Jesus! E foi choro para todo o lado! Aqui era o Titanic, de tantas lágrimas que estava rolando. Peguem o bote de salva vidas!
— Um menino. Eu serei avó de um menino. – minha mãe abraçou a Emy, e chorava junto muito.
Emy olhou para mim, e era hora de revelar a outra surpresa.
— E terão que comprar laços, bonecas, roupinhas cor de rosa, e tudo o que quiserem, porque também teremos uma menina. – falei, sorrindo de orelha a orelha.
Lá vem mais água por ai. Foram abraços calorosos, choros e ligações para todo mundo. Eles estavam tão radiantes com a notícia, que já estávamos fazendo milhões de planos para o nascimento deles. Era tanta emoção, que não cabia dentro de nós.
***
Eu estava no escritório ajudando o meu pai com alguns casos do escritório. Obviamente que eu queria estar com a Emy nesse momento. Imaginando ela tomando banho, totalmente nua, passando o sabonete sobre o seu corpo... Merda! Ereção agora não! Caramba! Eu estou trabalhando, e não posso ficar pensando nisso, senão eu me atrapalho todo, e largo isso aqui e vou tomar a minha mulher para mim. Fiquei até tarde, depois eu resolvi ir tomar um banho, para comer alguma coisa. Fui até o quarto, e me deparei com a bela mulher deitada em minha cama. Tão linda e natural. Ela era um anjo perfeito. O meu anjo.
Após tomar o banho, eu voltei para o escritório, mas antes comi alguma coisa. Sentei-me na cadeira, e voltei a mexer em meu notebook. Comecei a pesquisar sobre coisas aleatórias de bebês. Eu estava lendo alguns livros, mas queria me informar mais sobre o assunto. Achei cada roupinha linda, que dava vontade de comprar tudo. Procurei por decorações, e eu acho que a Emy irá gostar de alguns. Depois eu irei mostrar para ela. Quando eu ia desligar o computador, eu tive uma pequena ideia. Não era tão absurda, mas a Emy poderia me matar se visse o que eu estava procurando. Digitei a minha pesquisa, e cliquei no primeiro colégio que apareceu.
Sim, eu estava pesquisando sobre colégio de freiras. Não que a minha filha vá estudar por lá, mas é bom ter várias opções. Quem sabe ela não decida, ou eu convença a Emy. O lugar era muito bonito. Olhei mais algumas fotos, e anotei o número do telefone. Estudar ali não seria uma má ideia. Isso a afastaria de meninos, até que ela se decida se irá querer ser freira ou não. Não era barato, mas valia a pena. Tudo por eles valeria cada centavo.
Estava tão concentrado, que nem percebi que a Emy estava ao meu lado. Ela me abraçou, dando um beijo casto em mim.
— Amor, o que você está fazendo acordado até essa hora? – perguntou.
Droga! Se ela visse que eu já estava pesquisando sobre isso, ela iria brigar comigo e me chamar de louco. Fechei o notebook, e sorri, disfarçando o meu
— Princesa, o que você está fazendo acordada? Era para estar descansando, meu amor.
— Eu estava dormindo, mas acordei agora e não te vi. Gabe, o que você está vendo ai no seu notebook?
Hora de atuar, Gabe. Seja convincente. Faz a cara de inocente, e dá os eu melhor.
— Eu estou vendo algumas coisas, mas não é nada importante.
— Sério? Deixe-me ver.
— Oi? Ah, não precisa, Emy. – sorri, achando que ela iria desistir de querer ver.
— Gabe, se você estiver vendo pornografia, eu juro que arranco as suas bolas com o alicate de jardinagem.
Ai, coitada das minhas bolas. Tão lindas. Eu não posso ficar sem elas. A Emy cumpre o que promete, e eu não quero que ela faça isso comigo.
— Eu acho que você não deveria assistir mais os filmes dos jogos mortais e nem doce vingança. – falei, assustado.
— Então, o que você está vendo ai, que não quer me deixar ver?
Eu vou ter que mostrar. Ela vai achar que eu estou enlouquecendo. Mas é preocupação, só isso. Liguei o notebook, e ela olhou imediatamente para a tela.
— Colégio para freiras e padres? Gabe, o que é isso? – perguntou sem entender mais nada.
— Então, eu fiquei pensando um pouco, e acho tão interessante se a nossa filha estudasse em um colégio de freiras.
Ela arregalou os olhos, e me olhou bem estanho. Que medo!
— Como?
— Pensa comigo, meu amor. A nossa filha se dedicando a Deus. Ela saberá todas as orações, saberá usar palavras bonitas quando quiser dar um conselho, poderá dar aula de catequese e crisma, fora que ficará linda de beata. – sorri docemente.
— Quem disse que a nossa filha irá estudar em um colégio de freiras?
— É a missão da vida dela, Emy, e você quer tirá-la disso? Que coisa feia. Deus está vendo o empecilho que você está colocando no caminho que ela tem que seguir.
Eu estava tentando convencê-la, mas a Emy é bem difícil, ainda mais com uma ideia igual a essa.
— Ou que você decidiu que ela terá seguir?
— Eu? Claro que não. Eu sinto aqui dentro, no coração de um pai, que esse é o destino dela. Longe desse mundo de homens intrusos, querendo roubar o coração da filha dos outros. Ela se dedicará a mudar o mundo, da sua forma doce e delicada. Nossa filha precisa estudar nesse colégio.
Sorri, e mostrei todo o meu amor para ela.
— Ela não irá estudar nesse colégio. Se ela quiser ser freira, eu irei ajudá-la e apoiá-la em tudo o que precisar, mas não agora. Ela nem nasceu, e você já quer arrumar escola pra ela.
— Não é qualquer colégio. Chama-se: Colégio três corações do senhor. Nós temos apenas um coração, e lá tem três. Olha que legal e profundo.
Coloquei as mãos em meu coração, e fechei os olhos. Queria que ela sentisse a profundidade daquele nome.
— Lindo nome, mas não. – discordou
— E lá tem um jardim lindo, cheio de flores e um chafariz, que tem um anjo que sai água da boca dele. Olha que lindo. Eu achei criativo. – mostrei a foto, e ela concordou.
Melhor sair água pela boca, do que pelo pinto, não é?
— Bem bonito mesmo, mas não.
— E se começarmos a pagar agora, teremos desconto. E se o nosso filho quiser ser padre, ganhará mais desconto ainda. Dois a preço de um. Olha que incrível. Até anotei o telefone.
— Não! Gabe, pelo amor de Deus! A nossa filha não estudará em um colégio de freiras. Se esse for o destino dela, tudo bem, mas eu não irei forçá-la a ficar em um lugar que ela não quer.
— Mas a escola é tão linda! – sorri.
E com um anjo que sai água pela boca.
— Sim, ela é linda. – suspirou. – Mas a minha filha não estudará nele.
— Você está tomando decisões sem o meu consentimento.
— Você também tomou sem o meu consentimento. Gabe, não precisa disso tudo. Deixe a nossa filha decidir o futuro dela. Porque você quer tanto eu ela siga o caminho de Deus e vire freira?
— Porque ela ficará longe do antro masculino. – sorri.
Era tão óbvio.
— Só por isso? Gabe, senta aqui. – ela pediu que eu me sentasse ao lado dela, e eu obedeci. . – Não fique pensando nisso, ok? A nossa filha nem nasceu, e você já está ficando maluco com essa preocupação toda. Deixe para você se preocupar quando ela entrar na adolescência.
— Pra mim, irá começar na pré-escola, que onde começa com aqueles meninos querendo brincar um pouco no parquinho, depois se acham no direito de roubarem a pureza da minha filha quando ficar mais velha. Não dá.
— Então se preocupe com ela quando estiver na pré-escola, não agora. Não sofra de ansiedade por algo que vai demorar em acontecer. E eu tenho certeza que o nosso filho irá proteger a irmã.
Disso eu tenho certeza. Eu o ensinarei desde pequeno.
— Eu vou ensiná-lo a fazer isso, principalmente em bater se alguma coisa acontecer.
— Gabe! Não irá ensinar o nosso filho a bater.
— Eu não falei qual o sentido do bater. Pode ser em alguém, ou em algo que ele terá bem grande. – pisquei.
Vocês me entenderam, né? Não preciso ser mais transparente do que isso.
— Esqueça o verbo bater, por favor. – riu – Estamos conversados? Nada de colégio, freiras e bater em nada, e nem em ninguém. Esqueça tudo isso, e vamos viver o hoje. Tudo bem?
Não estava bem, mas eu poderia tentar, pelo menos um pouco. Eu acho que dará certo, por enquanto.
— É, eu posso fazer isso. – dei de ombros.
— Eu sei que pode, meu amor. Vamos nos deitar?
— Vamos. – abracei-a, e planejei uma ótima noite para nós.
***
Acordei pronto para colocar o meu plano em ação. Eu iria realizar um antigo sonho da Emy, e que mudaria as nossas vidas. Planejei muito bem, e gastei um bom dinheiro, mas tudo valeria cada centavo ao imaginar o quanto ela irá amar a surpresa.
Fui até a casa, onde o antigo proprietário ainda estava lá. Conversamos sobre algumas burocracias, mas a casa já era da Emy. A nossa futura casa. Ele me entregou alguns documentos, e logo foi embora. Eu olhei para aquela casa, que ainda está vazia, e imaginei a minha família ali. Nossos filhos correndo pela casa, atrás do nosso cachorrinho. A Emy sentada, brincando com eles, ou simplesmente deitada em meu colo. Imaginei todos reunidos no jardim, fazendo um churrasco, em um dia de sol. Era tão perfeito, que eu queria que acontecesse agora. Não esperei mais um segundo. Tranquei a casa, e fui buscar a minha mulher, para que ela conheça a sua nova casa, o que será definitivamente nossa.
Procurei por ela, até encontrá-la na sala, sentada no enorme sofá, e totalmente desligada do mundo. Suas mãos sobre a barriga, seus olhos fechados e a sua doce voz, que cantava alguma música. Ela alisava calmamente, como se quisesse fazer carinho em nossos bebês. Minha família. Isso era tão incrivelmente maravilhoso. Eu estava formando a minha família, e tudo estava ficando tão perfeito, como eu nunca imaginei que seria.
Sentei-me ao lado dela, e beijei a sua cabeça. Imediatamente ela abriu os olhos, e sorriu pra mim.
— Atrapalho? – perguntei, colocando a minha mão sob a sua barriga.
— Nunca. – sorriu. – Eu estava tão quietinha que eu não o vi chegar.
— Eu percebi. Como nossos amores estão?
— Bem. Eu estava cantando para eles.
Sorri, e beijei a sua barriga. Queria que os meus filhos sentissem quão amados eles são. E o quanto eles nos fizeram felizes. Olhei para a minha mulher, e a admirei a mulher que estava a minha frente. Meu coração se enchia de amor a cada segundo.
— Eu te amo, Emy. Eu te amo a cada segundo da minha vida. Sempre te amei, e sempre vou amar. Eu não existo sem você. Jamais.
Ela me olhou emocionada, e sorriu.
— Eu também, Gabe. Eu te amo tanto, que chega a doer.
Eu abracei, sentindo o seu coração perto do meu. Provando que somos um só. Que o nosso amor é maior que tudo que vivemos nessa vida.
— Eu tenho que te levar em um lugar. – falei, olhando para ela.
— Que lugar? – perguntou.
— Surpresa. – sorri. – Vamos? – levantei- me, e a ajudei a se levantar do sofá.
Poderíamos ir a pé, mas não queria que ela se cansasse facilmente, porque pode fazer mal aos bebês. Parei em frente a nossa casa, e ela me olhou com aquele jeito curioso.
— Gabe, o que nós estamos fazendo aqui?
— Então, um tempinho atrás, uma menininha linda me contou que essa seria a casa dos sonhos dela, porque parecia um castelo de princesa. Eu prometi que iria realizá-lo algum dia, e que compraria para ela tudo o que lhe faria feliz. Então, eu realizei o desejo da minha eterna princesinha. – entreguei o papel, que comprovava que a casa era nossa, e que o sonho dela tinha se realizado.
— Você...
— Sim, eu comprei o castelo para a minha princesa. – sorri. – A nossa casa, Emy. Nosso castelo.
Ela me olhou emocionada, e eu me segurei para não agarrá-la por aqui mesmo. Ela ficou surpresa ao achar que eu tinha me esquecido desse sonho que ela tinha. A última coisa que eu faço é esquecer-se do que ela me fala.
— Gabe...
— É nossa, meu amor. Nós vamos criar os nossos filhos na sua casa dos sonhos. – beijei a sua cabeça. – Você gostou?
— Eu amei, Gabe! Eu nunca imaginei que você faria isso
— Eu faço tudo por você.
Tudo e muito mais.
Ela me beijou tão docemente, que eu pude provar cada segundo dos seus doces lábios. Os lábios que eu tanto amo beijar, e que morria de vontade de provar.
— Vamos conhecer a nossa casa? – perguntou.
— Com toda a certeza, senhora Hunter.
Ali, naquela casa que ela sempre quis morar, estava o começo das nossas vidas. Nossos filhos irão crescer ali, perto da nossa família, em um lar cheio de amor e carinho. Nosso futuro está só começando.
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