Eternamente
52 Capítulo 52
Estávamos voltando para a casa depois da nossa lua de mel mais que perfeita. Gabe reclamava do avião, mas eu sei que isso tudo é medo. Ele não estava calmo, e as suas mãos suavam.
— Nós já estamos chegando, meu amor. – beijei a sua bochecha.
— Glória a Jesus! Emy, eu sei que é repetitivo, mas nesse treco eu só vou andar em caso de emergência. – reclamou.
— Então a nossa lua de mel foi um caso de emergência? – perguntei sorrindo.
— Querida, qualquer coisa que me fará fazer sexo com você, eu estou topando. Nem se eu fosse na asa do avião, mas nós faríamos a nossa lua de mel. – sorriu. – Só de me lembrar daqueles momentos... Sexo, sexo e sexo! Deve ter mais uns gêmeos por ai, porque eu sou desses. Um é pouco, dois é ótimo! Não brinco em serviço.
— Não cansa de falar isso, não é?
— Nunca! – ele alisou a minha barriga, e sorriu. – Eu estou ansioso para saber o sexo deles.
— Eu também, Gabe. – suspirei. – Eu tenho a consulta com a minha médica, quem sabe nós descobrimos o sexo deles.
— E eu espero por isso. – beijou-me continuou acariciando a minha barriga.
Eu amava quando ele fazia carinho, e os bebês também. Gabe já se sentia um pai protetor, e eu nem quero imaginar se for meninas ou se tiver uma menina. Ele vai amar, mas vai surtar de tanto ciúmes dela. Se o Gabe já assim comigo, imagina se ele tiver uma filha.
***
Meus pais e padrinhos estavam animados com a nossa volta. Não perguntaram muita coisa, apenas se o lugar era muito bonito. Eles sabem o que os casais fazem na lua de mel, e o meu pai não gostaria de ouvir o que fizemos, mesmo ele sabendo muito bem que eu não sou nenhuma virgem.
— Gabe, nós precisamos conversar. – sentei-me na cama, virando-me para ele.
— Está tudo bem? Está passando mal? Quer alguma coisa?
— Calma! – ri. – Nós precisamos conversar sobre a nossa casa. Olha, eu amei ficar na Califórnia. Foi um lugar maravilhoso, e eu aprendi muita coisa por lá, mas eu queria ficar um tempo por aqui. Até os bebês nascerem, e eu tenho certeza que os nossos pais também vão querer isso. Eu quero que eles curtam a gravidez com a gente.
— É, você tem razão. Eu posso trabalhar por aqui, e eu quero que você se sinta feliz por aqui. Tem os nossos pais e amigos, que vão querer passar esse tempo com a gente.
— Ótimo! – sorri. – Eu estava com medo de que você não quisesse ficar por aqui.
— Princesa, eu vou onde você está. Menos no inferno, porque deve ser quente, né? Ah, e no avião, porque não confio naquelas coisas idiotas. E também em...
— Gabe! – dei risada. – Menos esses lugares, eu sei.
— Sabe, eu queria fazer sexo, mas eu sei que daqui a pouco teremos que descer para almoçarmos, e você precisa se alimentar.
— Jura? Nem um tempinho?
— Eu quero muito, mas daqui a pouco o seu pai bate aqui na porta.
— Ok! – fiz beicinho.
— Sem beicinho, senão eu não consigo me segurar.
— Eu não quero que você se segure, Gabe. – fui para o colo dele, e o beijei. – Eu quero outra coisa.
Quando ele ia se render, a minha mãe nos chamou. Quase que eu desisti de almoçar só para poder ficar com o Gabe, mas foi ele foi enfático ao dizer que eu preciso me alimentar bem, e que depois teríamos a nossa sobremesa.
Descemos que para o almoço, que estava cheirando maravilhosamente bem. Eu estava realmente com muita fome, e com saudades da comida da minha mãe.
Sentamo-nos, e comecei a colocar comida no meu prato. Meu Deus, aquilo era tanta comida boa que eu nem sabia se iria caber tudo aquilo dentro de mim.
— Eu fico feliz que esteja comendo, minha filha. Quando eu estava grávida de você, eu senti tanto enjoo. Tinha dias que eu ficava de cama do tanto que eu passava mal. – mamãe disse.
— Eu passei mal, mas não tenho mais enjoo, graças a Deus! – falei. – O Gabe me ajudou muito. – sorri.
— Eu sempre estarei ao seu lado, querida. – disse, beijando a minha mão. – Ah, nós temos uma surpresa para vocês. – Gabe sorriu e acenou pra mim.
— Que surpresa? – meu pai perguntou.
— Bom, eu e o Gabe decidimos que iremos ficar aqui. Não sabemos até quando, mas eu ficarei a minha gravidez toda e até quando os bebês nascerem. Eu quero que vocês participem de cada momento com os gêmeos, e com a gente também. – sorri.
Nem preciso dizer que a minha mãe e madrinha já estavam chorando, e o meu pai e padrinho sorriam de tanta alegria. Era bom saber que eles estavam felizes com isso. Eu e o Gabe somos filhos únicos, e eles querem participar de cada momento da minha gravidez e da vida dos nossos filhos. Eu quero a minha família toda junta, mesmo que eu me mude pra cá.
— Eu estou tão feliz. Eu estava com medo que vocês fossem embora, mas não vão. Eu terei vocês dois e os meus netos juntos comigo. É muita alegria. – minha madrinha me abraçou e ao Gabe.
— Vamos comer, senão a comida vai esfriar. – ela disse, secando as lágrimas e rindo. – Obrigada por terem tomado essa decisão. Nós estamos muito felizes em saber que poderemos curtir os nossos netos.
— Mãe, eu e a Emy estamos feliz em poder dividir com vocês a nossa alegria, principalmente os vômitos, choros de madrugada, cólicas...
— Gabe! Isso é a nossa função, e se você achar ruim, você vai ver quando eles nascerem.
Se ele bobear, ele vai limpar até os cocôs, sem a minha ajuda.
— Estou brincando, princesa. – riu.
— Sei. – seria legal ver a cara de desespero dele ao ter que cuidar dos bebês. Eu posso até pensar em fazer isso com ele. Quem sabe.
O resto do almoço foi tão alegre, que comíamos e riamos de besteiras. Eu amava estar ao lado da minha família, e tenho certeza que os bebês também vão gostar e amar.
***
Minha mãe estava me mostrando algumas roupinhas de bebê, e eu estava babando em todas. Como que pode ter tanta roupa linda? Eu não vou resistir, e vou querer comprar todas.
— Eu sei que vocês ainda não sabem o sexo dos bebês, mas se for menino, olha esse macacão, filha. É a coisa mais linda do mundo! O meu netinho vai ficar lindo.
— Ou dois netinhos homens, ou duas netinhas ou um casal. — sorri.
— Quando eu engravidei, eu senti que seria uma menina. Não sei por que, mas eu sempre me vi sendo mãe de uma garotinha. Seu pai já estava cheio de ciúmes quando soube que era uma menina. Óbvio que ele se fez de durão, mas se derretia quando você estava perto. Ele sempre teve ciúmes de você, mas acho que isso acabou quando você começou a namorar com o Gabe, pois ele sabia que era verdadeiro e forte. Vocês sempre foram muito unidos, e ele sabe que é para sempre.
— Ai, mãe, que lindo! Eu sou tão grata por tê-los como pais. Eu não poderia ter escolhido pessoas melhores. Deram-me amor, carinho, me colocaram limite e muita educação. Eu quero ser metade da mãe que você foi. Eu te amo, mamãe.
— E eu te amo muito mais, minha filhota! Você e o Gabe serão ótimos pais. Não será fácil, mas valerá cada segundo. E nós estaremos sempre com vocês.
— Eu sei, mãe. E eu te amo muito mais pelo seu apoio. – abracei-a e sorri. Minha mãe era a melhor mãe que eu poderia ter.
Assim que nos afastamos, escutamos a risada da Beck, que estava vindo em nossa direção.
— Oi, amiga. Oi, tia. – cumprimentou- nos e sentou-se ao nosso lado.
— Porque você está rindo, Beck? – perguntei.
— Emy, é tão legal irritar o Gabe. Ele fica tão estressado e com vontade me matar.
— O que você aprontou, Beck?
— Eu? Eu não fiz nada. Eu só fiz uma brincadeira com ele, dizendo que um dos bebês pode ser menina, e ele ficou todo nervosinho.
— Beck, você sabe como o Gabe fica quando fala isso. Ele é ciumento e você fica provocando.
— Eu sei disso, e eu adoro. Gabe é tão sem paciência.
— Só se for com você, porque comigo ele tem muita paciência. – pisquei.
— É óbvio, né! Você é a mulher dele, e ele cai de amores por tudo o que você faz. Alex também é assim comigo.
— Isso se chama amor, meninas. O melhor do amor. – minha mãe sorriu.
— Com certeza, mãe.
— Então, eu vim fazer uma visita para a minha amiga gravidinha, já que a Lis me abandonou.
— A Lis não te abandonou, Beck. Ela viajou com o George. – ri.
Ah, vocês não estão sabendo? Pois é, Lis e George estão juntos. Beck me mandou uma mensagem quando eu estava na lua de mel, e me deu essa notícia. Eles viajaram para a Califórnia, e ela está amando. Eu espero que dê tudo certo para os dois, e que ela seja feliz.
— Ela nem me liga.
— Beck, eu acho que ela tem coisas melhores para fazer, né? – ri. – Eu tenho certeza que você não ligaria.
— Não ligaria mesmo. – riu. – Você tem razão. A Lis deve estar aproveitando.
— E ela tem que aproveitar mesmo.
Beck ficou conversando comigo um bom tempo, e me fez prometer avisá-la sobre o sexo dos bebês e sobre a reação do Gabe. Ela não para de implicar com ele, e só dou risada com tudo aquilo. Gabe ficava lindo quando estava nervoso.
***
Tomei um banho de banheira, e me fez ficar tão relaxada. Gabe estava trabalhando e não pôde me acompanhar, mas prometeu que faria uma massagem em mim, e eu iria cobrá-lo.
Coloquei um pijama confortável, e me olhei no espelho. A cada dia a minha barriga crescia mais. Antes era tão escondidinha, e hoje já está grande. Meus bebês estão crescendo rápido, e logo estarei com eles em meus braços. Eu quero tanto ver os rostinhos, cheirá-los e poder senti-los. Eu os amo tanto, que não cabe dentro de mim. Suspirei, e sai do banheiro.
Gabe estava sentado na cama, com o notebook em seu colo. Sentei-me ao lado dele, e vi que ele estava no facebook. Ah, o que será que ele estava aprontando.
— Quem é essa ai, Gabe? – perguntei, apontando para uma mulher que estava pedindo solicitação de amizade.
— Eu não conheço, princesa, mas apareceu aqui. Nem vou aceitar. Olha aqui, estou excluindo. Exclui. – sorriu, mostrando pra mim.
— Então tem mulheres querendo que você adicione no facebook como amiga? – Ok, eu estou ciúmes. Mas quem não estaria, não é?
— Só vão ficar querendo, porque eu não aceitar. – sorriu. Eu conheço esse sorriso, Gabe.
— Sei. – olhei para a tela do notebook, e vi que tinha um comentário na foto que ele tinha postado.
— Postou foto?
— Faz tempo. Muito tempo. Eu ia colocar uma nossa, mas você chegou. Podemos escolher uma foto juntos, o que acha?
— Eu acho que eu quero ver o que essa mulher comentou na sua foto, Gabe Hunter. Posso ver?
— Isso não...
— Eu vou ver! – peguei o notebook dele, e vi que a barbaridade que ela comentou na foto do meu marido. Vaca! Piranhuda! Cara de boneca de posto!
— Emy, eu ia apagar o comentário. Eu juro que...
— Olha o que ela falou: — “Nossa, vem ser o advogado na minha cama, e me dá o seu habeas corpus.” Ah, e tem outra “Deixe-me tirar esse terno, e ver em qual vara você sabe atuar.” – olhei para ele, que estava com os olhos arregalados e bem assustados.
— Eu não concordo, e não curti esses comentários. Horrorosos e assustadores. Bláh! – fez uma careta.
— Acho bom mesmo, porque senão eu curto os comentários do meu facebook. – pisquei.
— Nem morta! Eu já os comentários, e não gostei nem um pouco.
— Então faça valer a pena a minha descurtida.
— Mulher que só me provoca, viu.
Sorri, e peguei um livro que estaca na cabeceira. Gabe ainda continuava no facebook, e eu sei que ele não vai se atrever a aceitar nenhuma dessas garotas que vivem dando em cima dele, e na cara dura.
— Olha aqui. Eu coloquei que estou casado, foto da nossa aliança, casamento e nossa. Quem der em cima de mim não é culpa minha.
— Que lindo! Eu já mudei o meu também. – sorri. – Olha, eu não sou uma espora paranoica, mas imagina alguém comentando as minhas fotos desse jeito, e um monte de homem pedindo que eu aceite o convite deles. Obviamente que eu não aceitar, mas se coloca no meu lugar.
— Não gostei de imaginar! Não gostei mesmo!
— Viu! É assim que eu me sinto. Não é questão de insegurança, mas de raiva dessas vacas.
— Que nervosinha que a minha esposa está. Eu adoro quando você fica desse jeito, sabia?
— É? – deixei o livro de lado, e tirei o notebook do colo dele. – Eu adoro quando você fica de várias maneiras. – subi no colo dele.
— Eu adoro me enterrar em você, sem parar.
— E você está me devendo isso, desde a hora do almoço.
— Eu detesto ficar em dívida com você. – beijou o meu pescoço, colocando o meu cabelo de lado.
Gabe me deitou na cama, e eu sabia que ele iria me amar de várias maneiras, do jeito que eu gosto.
***
— Calma, Gabe! Daqui a pouco você irá furar o chão. – ele batia o pé sem parar, de tanto nervosismo.
— Eu estou calmo. Quem disse que eu não estou? Eu estou bem.
— Sei. – ri. – Daqui a pouco a médica irá nos atender, querido. – abracei-o.
— Sra. Emily Campbell. – levantei-me ao ouvir o meu nome.
Gabe me acompanhou, mas parou na porta, e virou-se para a enfermeira.
— É Sra. Emily Campbell Hunter. Pode anotar ai. Nós somos casados, então ela tem o meu sobrenome.
— Sim, me desculpe.
— Anotou?
— Sim, senhor Hunter.
Gabe sorriu, e seguimos para a sala da médica.
Antes do casamento, eu vim na médica. Ela foi a minha primeira ginecologista, e é amiga da minha outra médica. Ela tinha o meu histórico de gravidez, e me parabenizou ao ver que está tudo bem, e eu estou no meu peso ideal.
— Emily, agora nós iremos tentar ver o sexo dos bebês. Eu espero que dê para vermos dessa vez.
— Eu também espero, porque estamos bem ansiosos, não é, Gabe?
— Demais! – sorriu.
— Eu vou pegar uma ficha na minha gaveta, mas eu já volto.
Ela saiu, deixando-nos a sós.
— Emy, eu posso parecer um idiota, mas eu não estou escolhendo o sexo dos bebês. Se vierem meninas, eu vou amá-las do mesmo jeito. Eu só fico com ciúmes de imaginar quando elas crescerem. Isso é inevitável. Eu não sei se vou conseguir ser um pai paciente, ao ver a minhas filhas saindo com um homem. Isso é demais para o meu pobre coração!
— Gabe, eu sei disso, meu amor. E não fique pensando nisso. Nós nem sabemos o sexo dos bebês. E se forem meninas, , eu estarei sempre ao seu lado. – sorri.
— Voltei. Vamos lá, queridos. Vamos ver se conseguimos saber o sexo desses bebezinhos.
Ela colocou o gel na minha barriga, e começamos a ver os bebês. Era uma emoção tão grande, que eu já estava chorando de tanta alegria. Gabe olhava admirado, e sorria sem parar.
— Olhem só, parece que abriram as perninhas para a gente. Querem saber?
— Claro! – Gabe se apressou.
— Parabéns, vocês terão um meninão.
Um menino! Eu vou ter um mini Gabe!
— Obrigado, senhor! Olha que pintudo que ele é, Emy. Vai furar a tela do computador. Esse ai é meu filho! Filho de pintudo, pintudinho é. – riu.
— Gabe!
A médica ria do entusiasmo dele, e eu com vergonha.
— E o outro bebê, doutora? – perguntei.
— Também estou mostrando para vocês. – apontou para a tela.
— Coitado! O nosso outro filho não vai ser tão avantajado assim, mas ele será feliz. Daremos fermento, quem sabe não cresce, né? Iremos te amar do mesmo jeito, filhão.
— É uma menina! Parabéns, vocês terão um casal!
Ai, que emoção! Eu vou ter um casalzinho! Um mini Gabe e uma mini Emy! Um casal! Que tudo!
— Como? Para de brincadeira, que aqui não é humorístico. Volta esse exame, e deve ter um pinto escondido por ai. Deve ser pequeno, mas deve ter.
— Não tem, Gabe. É uma menina.
— Senhor! Uma vagina! Eu vou ter uma filha. Ela vai crescer e vai ter namorados, vai ter tpm, usar sutiã bonitos que os caras vão querer ver, homens querendo sair com ela, sem horário de voltar e tudo mais. Eu não sei se vou deixar isso acontecer. Isso...
— Gabe? Pelo amor de Deus, você está bem? Gabe? – chamei-o, mas ele estava mais branco do que um papel.
— Eu estou bem. Eu estou respirando, quase com ajuda de aparelhos, mas estou bem. – ele levantou-se da cadeira, e aprecia pensar em alguma coisa.
Quando eu menos esperava, ele desmaiou! Merda! O Gabe desmaiou!
Gabe
Infelizmente, nós estávamos indo embora. Eu queria poder ficar mais um bom tempo naquele lugar, e com a Emy só pra mim, mas precisávamos voltar, e voltar de avião. Tentei ir de qualquer coisa, até de burro, mas tivemos que voltar nessa caixa do horror. O que eu não faço pela, Emy, não é? Eu estava com as mãos suando, e queria chegar logo em casa.
— Nós já estamos chegando, meu amor. – beijou a minha bochecha.
— Glória a Jesus! Emy, eu sei que é repetitivo, mas nesse treco eu só vou andar em caso de emergência. – reclamei, e reclamo quantas vezes mais.
— Então a nossa lua de mel foi um caso de emergência? – perguntou sorrindo.
Lua de mel tem sexo, e eu faço de tudo para ter sexo com ela. Até fazer sexo nessa caixa do horror eu faço, mesmo com medo.
— Querida, qualquer coisa que me fará fazer sexo com você, eu estou topando. Nem se eu fosse na asa do avião, mas nós faríamos a nossa lua de mel. – sorri. – Só de me lembrar daqueles momentos... Sexo, sexo e sexo! Deve ter mais uns gêmeos por ai, porque eu sou desses. Um é pouco, dois é ótimo! Não brinco em serviço.
Enquanto uns tentam pelo menos um, eu já fiz dois.
— Não cansa de falar isso, não é?
— Nunca! – alisei a barriga dela, e sorri. – Eu estou ansioso para saber o sexo deles.
— Eu também, Gabe. – suspirou. – Eu tenho a consulta com a minha médica, quem sabe nós descobrimos o sexo deles.
— E eu espero por isso.
Eu amava fazer carinho na barriga dela. Ali estavam os nossos dois novos amores, que iriam transformar a nossa vida do avesso, mas que iria nos trazer tantas alegrias e emoções. Posso ser um ciumento, um pouco, mas eu sentirei ciúmes até se for menino. Ele é meu, e eu não vou querer que ele cresça muito rápido. Quero mimá-los muito, até quando não puder mais.
***
Nem preciso dizer como a nossa família estava feliz com a nossa volta. Graças a Deus que não perguntaram muita coisa, senão seria basicamente a palavra sexo, e o me padrinho não iria gostar de saber o que fizemos e como fizemos. Ah, que saudades daquela piscina, banheira, salinha privativa, entre outros lugares, que nem ao caso.
Eu estava acabando de arrumar as nossas roupas, quando escutei a voz da Emy ao meu lado.
— Gabe, nós precisamos conversar. – sentou-se na cama, virando-me para mim.
— Está tudo bem? Está passando mal? Quer alguma coisa?
Sim, eu estou desesperado. Vai saber se ela está passando mal, ou se está sentindo alguma coisa. Eu preciso saber, porque a gente nunca sabe o que pode acontecer.
— Calma! – riu. – Nós precisamos conversar sobre a nossa casa. Olha, eu amei ficar na Califórnia. Foi um lugar maravilhoso, e eu aprendi muita coisa por lá, mas eu queria ficar um tempo por aqui. Até os bebês nascerem, e eu tenho certeza que os nossos pais também vão querer isso. Eu quero que eles curtam a gravidez com a gente.
Ah, então era isso. Ufa! Bem, vamos lá! Eu construí uma vida fora daqui. Eu gosto de lá, mesmo longe da minha família. Mas, se a Emy quer ficar aqui, é aqui que ficaremos. Meus pais e padrinhos vão querer curtir os netos, e ficar viajando não é legal. Sim, eu terei que viajar, mas depois eu dou um jeito nisso. O importante é que ela se sinta bem e em casa, seja em qualquer lugar.
— É, você tem razão. Eu posso trabalhar por aqui, e eu quero que você se sinta feliz por aqui. Tem os nossos pais e amigos, que vão querer passar esse tempo com a gente.
— Ótimo! – sorriu. – Eu estava com medo de que você não quisesse ficar por aqui.
— Princesa, eu vou onde você está. Menos no inferno, porque deve ser quente, né? Ah, e no avião, porque não confio naquelas coisas idiotas. E também em...
— Gabe! Menos esses lugares, eu sei. – sorriu.
Merda! Todas as vezes que ela dá esse sorriso, eu sinto vontade de agarrá-la e fazer besteirinhas, várias e várias, e em todos os lugares. Pensando bem, nós poderíamos ter a nossa própria casa. Seria demais! Morar perto, mas ter a nossa privacidade. Eu vou pensar nisso.
— Sabe, eu queria fazer sexo, mas eu sei que daqui a pouco teremos que descer para almoçarmos, e você precisa se alimentar.
— Jura? Nem um tempinho?
Eu queria tem um tempo para isso, mas daqui a pouco é perigoso invadirem o quarto só para vir nos chamar. Isso seria constrangedor.
— Eu quero muito, mas daqui a pouco o seu pai bate aqui na porta.
— Ok! – fez beicinho, e eu me segurei para não agarrá-la.
— Sem beicinho, senão eu não consigo me segurar.
— Eu não quero que você se segure, Gabe. – veio para o meu colo, e beijou-me. – Eu quero outra coisa.
Caralho! Eu não sou de negar fogo, então eu vou... Não falei? Estão chamando a gente. Droga! Eu estou com uma maldita ereção, e vou ter que descer para almoçar. Isso não é justo comigo! Gente, vocês querem ver o tamanho que está? Brincadeira, não podem olhar, senão a Emy arranca as minhas bolas.
Depois de um tempo, eu consegui acalmar a fera, e então descemos para almoçar. Coloquei a comida no prato, e me deliciei com aquela maravilha. Como que pode ser tão bom, né? Comer é bom demais, nos dois sentidos, se é que me entendem.
— Eu fico feliz que esteja comendo, minha filha. Quando eu estava grávida de você, eu senti tanto enjoo. Tinha dias que eu ficava de cama do tanto que eu passava mal. – minha madrinha falou.
Pois bem, eu sei bem o que é isso. Não no sentido de ter enjoo, mas no sentido de se preocupar com a Emy.
— Eu passei mal, mas não tenho mais enjoo, graças a Deus! – falou. – O Gabe me ajudou muito. – sorriu.
— Eu sempre estarei ao seu lado, querida. – falei, beijando a sua mão. – Ah, nós temos uma surpresa para vocês. – acenei para ela.
— Que surpresa? – meu padrinho perguntou.
— Bom, eu e o Gabe decidimos que iremos ficar aqui. Não sabemos até quando, mas eu ficarei a minha gravidez toda e até quando os bebês nascerem. Eu quero que vocês participem de cada momento com os gêmeos, e com a gente também. – sorriu.
Senhor, lá vem as lágrimas. Olha o Titanic! As mulheres choravam sem parar, elas pulavam de alegria, como se fosse uma festa. Brincadeira. Eu estava feliz com a felicidade delas. Eu quero que eles participem da nossa felicidade, e que estejam sempre ao lado dos netos.
— Eu estou tão feliz. Eu estava com medo que vocês fossem embora, mas não vão. Eu terei vocês dois e os meus netos juntos comigo. É muita alegria. – minha mãe me abraçou, pulando de felicidade.
— Vamos comer, senão a comida vai esfriar. – ela disse, secando as lágrimas e rindo. – Obrigada por terem tomado essa decisão. Nós estamos muito felizes em saber que poderemos curtir os nossos netos.
— Mãe, eu e a Emy estamos feliz em poder dividir com vocês a nossa alegria, principalmente os vômitos, choros de madrugada, cólicas...
Principalmente isso. Eu li em um livro, que muitos bebês sentem cólicas, e choram muito. Não que isso vá atrapalhar, mas como eu vou saber se é cólica, fome, cocô, colo, ou sie lá o que mais. Tinha que vir com um código de bebês. Isso iria facilitar muito a vida de pais de primeira viagem.
— Gabe! Isso é a nossa função, e se você achar ruim, você vai ver quando eles nascerem.
A Emy sempre jogando bomba pro meu lado. Nem se pode brincar mais.
— Estou brincando, princesa. – riu.
— Sei.
Esse “sei” dela me fez pensar que ela irá aprontar alguma coisa. Seja lá o que for, eu estou no combate e pronto. Podem vir cocôs, choros e tudo mais, eu acabo com vocês.
***
Meu pai me mostrava uns documentos do escritório, e perguntou se eu poderia ajudá-lo. Claro que eu aceitei. Advogar era algo que eu amava, e escolhi para a minha vida. Eu nunca me vi em outra profissão.
— Então, meu filho, eu estou muito feliz que você esteja de volta. Eu sei que você tem os eu trabalho por lá, mas eu adorei saber que terei vocês por perto. Quero conviver com os meus netos.
— Eu sei, pai. A Emy que teve essa ideia. Nós somos filhos únicos, e queremos que vocês participem da vida deles.
— E nós iremos mimá-los muito. – sorriu. — Ansioso para saberem o sexo?
— Bastante. Eu quero que venha com muita saúde. Confesso que estou com um pouco de medo se vier alguma menina.
— Por quê?
— Pai, meninas atraem meninos, isso é um fato. Fora que ela vai crescer, e o que acontece? Homens em cima! Eu não sei lidar com isso! Se for menina, e puxar a Emy, eu estou ferrado!
— Que pensamento é esse, Gabe. Você nem sabe, e já sofre de antecipação.
— Nem imagina o quanto. Isso me perturba, não pelo fato de ter uma filha, mas pelo fato de ela vai crescer e ter urubus em cima dela.
— Só você mesmo, Gabe. – meu pai riu, e fomos para a sala.
Assim que chegamos, avistei Alex e a sua namorada perturbadora.
— Olá! – eles nos cumprimentaram, e se sentaram.
— Como você está, Gabe? – Alex perguntou.
— Ótimo!
— E a Emy? Ela já sabe o sexo dos bebês? Já é uma menina, ou meninas? Já posso comprar roupinhas? – Beck perguntou desesperada.
— Ainda não, Beck. E não sabemos se é menina.
— Mas eu sei que é. Imagina, Gabe, você sendo pai de menina. Ela, uma bela jovem, na faculdade, naquele antro de hormônios e homens pra lá e pra cá. Isso vai ser demais!
Não! Eu não quero nem imaginar uma cena dessas. A minha filha, num antro de machos, querendo botar os pintos de fora, pensando na minha filha. Isso não! Isso não vai acontecer!
— Imagina o Gabe sendo vovô! Que coisinha linda!
— Alex, dê um jeito na sua namorada.
— Beck, pare!
— Eu não fiz nada. Só estou pensando no futuro, e planejando como eu irei ajudar a minha sobrinha postiça. Será tão divertido!
— Nem fodendo! Eu sinto que é menino.
Eu sei que é. É óbvio que é!
— Virou sensitivo? Não sabia disso.
— Engraçadinha. Escuta aqui, será menino e, se por um acaso for menina, ela não conhecerá sexo até que eu esteja vivo.
— Veremos, Gabe! Veremos. – ela saiu rindo da minha cara.
Virei-me para o meu pai, que ria da minha cara, junto com o Alex.
— Do que estão rindo? – perguntei, nervoso.
— Gabe, você ainda cai nas brincadeiras da Beck. Ela gosta de te infernizar.
— Isso, ria muito. Quero ver quando você for pai, e o gênio das suas filhas for igual aos dela. Eu vou rir tanto na sua cara.
— Daqui só sairá menino.
— Veremos, Alex. Eu tenho chance de ter menino, mas dai só sairá meninas.
Alex fechou a cara, e eu ri. Provocou, agora aguenta.
Mas agora eu estou pensando no que a Beck me falou. E se for menina? Não, isso não. Mas, e se for? Eu terei que tirar porte de armas. Seria bom se eu procurasse um lugar para praticar tiro, porque eu posso já ir treinando, vai que eu precise para alguma ocasião especial, que no caso seria para um futuro namorado, que eu nem sei se ela terá. E não terá mesmo!
Tirei esses pensamentos da minha cabeça, e fui encher o saco do Alex, que ainda estava de cara fechada comigo.
***
Terminei de analisar uns contratos, e decide entrar no facebook. Fazia tanto tempo que eu não entrava. Vi as atualizações de alguns amigos, curti as fotos deles, e fiquei vagando por ali, até que eu me deparei com um teste. Esses testes de facebook, para eu descobrir o sexo dos meus futuros filhos. Ah, interessante. Entrei nesse tal teste, e esperei até ser concluído. Quando eu vi o resultado, eu quase engasguei. Ali estava escrito que eu queria gêmeos, e duas meninas. Como assim? Fiz o teste de novo, e deu que eu teria um casal, e teria uma menina no meio. Desiste dessa bosta. Isso tudo é mentira. Mentira!
Eu ia fechar o notebook, quando eu percebi que tinha pedidos de amizade. Fui olhar, e me deparei com algumas meninas que eu tinha saído há muito tempo, e que estavam pedindo para ser a minha amiga, Nem morto! A Emy me mata se eu fizer isso, e eu acho que vocês irão entendê-la, não é? Namorado ou marido aceitar outra mulher, algumas que ele já saiu. É, isso não vai ficar bem. Exclui a solicitação, e vi a outra mulher que estava pedindo.
Quando eu menos esperava, a Emy sentou-se do meu lado, e já viu a solicitação. Mulher rápida do caramba! Tem olho de falcão.
— Quem é essa ai, Gabe? – perguntou, apontando para uma mulher que estava pedindo solicitação de amizade.
— Eu não conheço, princesa, mas apareceu aqui. Nem vou aceitar. Olha aqui, estou excluindo. Exclui. – sorri, mas eu estava me cagando de medo dela. Emy quando está brava, só Deus na causa.
— Então tem mulheres querendo que você adicione no facebook como amiga?
— Só vão ficar querendo, porque eu não aceitar. – sorri, eu quero acabar com isso tudo. Quero acabar com esse assunto!
— Sei. – ela me olhou desconfiada, e eu sabia que vinha tiro.
— Postou foto?
— Faz tempo. Muito tempo. Eu ia colocar uma nossa, mas você chegou. Podemos escolher uma foto juntos, o que acha?
Deus me ajuda, por favor! Ela está me olhando daquele jeito macabro. Mulher quando está brava, sai de baixo!
— Eu acho que eu quero ver o que essa mulher comentou na sua foto, Gabe Hunter. Posso ver?
— Isso não...
— Eu vou ver! – pegou o notebook de mim, e olhou com raiva para a tela. Cadê o meu colete a prova de Emy
— Emy, eu ia apagar o comentário. Eu juro que...
— Olha o que ela falou: — “Nossa, vem ser o advogado na minha cama, e me dá o seu habeas corpus.” Ah, e tem outra “Deixe-me tirar esse terno, e ver em qual vara você sabe atuar.” – Eu nem tinha lido direito os comentários. Facebook é um bicho que atrasa nossa vida. Quando está solteiro, é um antro de coisa boa, mas quando se está casado, é pedir para não ter solicitação e evitar curtir sem querer, achando que a sua mulher não vai ver.
— Eu não concordo, e não curti esses comentários. Horrorosos e assustadores. Bláh! – fiz uma careta.
— Acho bom mesmo, porque senão eu curto os comentários do meu facebook. – piscou.
— Nem morta! Eu já li os comentários, e não gostei nem um pouco.
Nem vamos comentar sobre isso. Sim, eu tenho ciúmes do facebook dela. É cada foto que ela posta, que me dá nos nervos.
— Então faça valer a pena a minha descurtida.
— Mulher que só me provoca, viu.
Peguei o notebook de volta, e apaguei esses comentários. Não queria mais discussão ou nada disso. Fui à foto dessa mulher, e tive um plano. Se ela comentou a minha foto, eu iria comentar a foto dela. Peguei uma que ela estava fingindo ser comportada, e postei um simples comentário: “A semana santa já acabou, então pare de se fazer de Madre Tereza”. Mexeu nas minhas fotos, eu provoco. Mudei meu relacionamento, coloquei uma foto nossa e da aliança, só para provar que sou um homem casado.
— Olha aqui. Eu coloquei que estou casado, foto da nossa aliança, casamento e nossa. Quem der em cima de mim não é culpa minha.
— Que lindo! Eu já mudei o meu também. – sorriu. – Olha, eu não sou uma esposa paranoica, mas imagina alguém comentando as minhas fotos desse jeito, e um monte de homem pedindo que eu aceite o convite deles. Obviamente que eu não vou aceitar, mas se coloca no meu lugar.
Deus que me livre! Nem gosto de imaginar!
— Não gostei de imaginar! Não gostei mesmo!
— Viu! É assim que eu me sinto. Não é questão de insegurança, mas de raiva dessas vacas.
— Que nervosinha que a minha esposa está. Eu adoro quando você fica desse jeito, sabia?
— É? – deixou o livro de lado, e tirou o notebook do meu colo. – Eu adoro quando você fica de várias maneiras. – subiu no meu colo, e eu já me animei.
Hoje tem, e vai ser selvagem!
— Eu adoro me enterrar em você, sem parar. — forte, duro e por horas, de deixar.
— E você está me devendo isso, desde a hora do almoço.
— Eu detesto ficar em dívida com você. – beijei o pescoço dela, colocando o cabelo de lado.
Posso confessar uma coisa? Eu morro de tesão por nuca. Sei lá, mas me dá uma coisa louca quando eu beijo o pescoço da Emy, e ela se arrepia inteira. Eu gosto de sentir o cheiro dela, de beijar aquele espaço e de mordiscar de leve. Isso é surreal! Eu até faria em vocês, mas não posso! Sou um homem casado e apaixonado. Se fosse o Gabe antigo, eu iria dar cada mordida no pescoço de vocês, e iria lamber, mas não posso e nem quero. A Emy já me satisfaz por inteiro, e eu só preciso dela.
Deitei-a na cama, e tirei a camisola dela. Hoje seria das duas maneiras: selvagem e lento, mas de várias posições.
***
— Calma, Gabe! Daqui a pouco você irá furar o chão. – eu batia o pé sem parar, e tentava me acalmar.
Estávamos na médica que estava cuidando da gravidez da Emy. Talvez nós pudéssemos descobrir o sexo dos bebês, e aquilo que a Beck me falou ainda estava martelando na minha cabeça.
— Eu estou calmo. Quem disse que eu não estou? Eu estou bem.
Eu estou bem, e não estou ansioso.
— Sei. – riu. – Daqui a pouco a médica irá nos atender, querido. – abraçou-me
— Sra. Emily Campbell.
Eu a acompanhei, mas parei em frente a enfermeira que chamou a Emy, Eu preciso fazer uma pequena correção ao que ela falou.
— É Sra. Emily Campbell Hunter. Pode anotar ai. Nós somos casados, então ela tem o meu sobrenome.
Eu ainda não acredito que há pessoas que não colocam o meu sobrenome junto com o da Emy. Somos casados, e eles acham que ela continua sem o meu sobrenome? Vão sonhando!
— Sim, me desculpe.
— Anotou?
— Sim, senhor Hunter.
Ótimo!
A doutora fez alguns exames, e confirmou que estava tudo bem com a gravidez. A Emy estava no peso ideal, e a saúde de ferro.
— Emily, agora nós iremos tentar ver o sexo dos bebês. Eu espero que dê para vermos dessa vez.
— Eu também espero, porque estamos bem ansiosos, não é, Gabe?
— Demais! – sorri.
Eu estava em outro patamar de ansiedade. Eu queria saber de tudo, e vê-los mais uma vez.
— Eu vou pegar uma ficha na minha gaveta, mas eu já volto.
Olhei para a Emy, que estava com uma carinha pensativa. Eu tinha que falar uma coisa para ela, antes que ela fique com medo da minha reação.
Ela saiu, deixando-nos a sós.
— Emy, eu posso parecer um idiota, mas eu não estou escolhendo o sexo dos bebês. Se vierem meninas, eu vou amá-las do mesmo jeito. Eu só fico com ciúmes de imaginar quando elas crescerem. Isso é inevitável. Eu não sei se vou conseguir ser um pai paciente, ao ver as minhas filhas saindo com um homem. Isso é demais para o meu pobre coração!
Terei que fazer uma cirurgia do coração antes do tempo.
— Gabe, eu sei disso, meu amor. E não fique pensando nisso. Nós nem sabemos o sexo dos bebês. E se forem meninas, eu estarei sempre ao seu lado. – sorriu.
— Voltei. Vamos lá, queridos. Vamos ver se conseguimos saber o sexo desses bebezinhos.
Ela colocou um gel na barriga da Emy, e ligou o aparelho. Os bebês apareceram, e eu quase chorei de tanta emoção. Meus filhos estavam bem, e saudáveis. É muita alegria!
— Olhem só, parece que abriram as perninhas para a gente. Querem saber?
— Claro! – falei, apressado.
— Parabéns, vocês terão um meninão.
Porra! Chupa universo que dizia que eu estava na pior. Eu vou ter um mini mim. Um mini Gabe! Porra, caralho! Um filho! Eu vou ter um filho! Chupa Beck, e todos que diziam que eu teria que aguentar homens na minha casa.
— Obrigado, senhor! Olha que pintudo que ele é, Emy. Vai furar a tela do computador. Esse ai é meu filho! Filho de pintudo, pintudinho é. – ri.
É um mini ator pornô, com um pintão. Meu filho vai arrasar por ai. É passando piroca em tudo o que é lugar. Vai dar pirocada na cara de quem falou que eu só iria fazer mulher. Gente, vocês precisam ver. Ele é grande mesmo. O moleque vai dar trabalho. Esse é o meu filho!
— Gabe!
Eu me segurei, e esperei para ver o meu outro menino pirocudo.
— E o outro bebê, doutora? – perguntou.
— Também estou mostrando para vocês. – apontou para a tela.
Olhei e não vi muita coisa. Ai, esse não vai ser tão avantajado, mas a gente entende e ama, não é? O importante é ser saudável. Iremos sentar e conversar com ele.
— Coitado! O nosso outro filho não vai ser tão avantajado assim, mas ele será feliz. Daremos fermento, quem sabe não cresce, né? Iremos te amar do mesmo jeito, filhão.
Olhei para a Emy, que sorria pra mim.
— É uma menina! Parabéns, vocês terão um casal!
Ah? Eu ouvi direito? Não, deve ser coisa da minha cabeça.
— Como? Para de brincadeira, que aqui não é humorístico. Volta esse exame, e deve ter um pinto escondido por ai. Deve ser pequeno, mas deve ter.
Olhei para a tela, mas não tinha pinto. Era uma mini vagina. Mini vagina! Uma filha! Eu vou ter uma filha, que crescerá, terá namorados, e vão querer entrar na vagina da minha filha!
— Não tem, Gabe. É uma menina.
— Senhor! Uma vagina! Eu vou ter uma filha. Ela vai crescer e vai ter namorados, vai ter tpm, usar sutiã bonitos que os caras vão querer ver, homens querendo sair com ela, sem horário de voltar e tudo mais. Eu não sei se vou deixar isso acontecer. Isso...
Ai. Meu. Coração! Será que eu estou enfartando? Meu Deus! Cadê o ar? Meu peito! Vou ter que colocar ponte de safena? Operar do miocárdio? Socorro!
— Gabe? Pelo amor de Deus, você está bem? Gabe?
— Eu estou bem. Eu estou respirando, quase com ajuda de aparelhos, mas estou bem. – levantei-me da cadeira, mas senti as minhas vistas escurecerem, e simplesmente apaguei.
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