Eternamente
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Joan só sabia de suspirar e revirar os olhos. E eu? Bem, eu estava morrendo de sono e queria muito fugir para a minha cama. Não queria ser sem educação com ela, até porque eu não gostava de ser assim com as pessoas, mas odeio quando atrapalham o meu sono, meu tão precioso sono.
– Joan, eu não vejo o motivo de você ter vindo falar sobre o Gabe, ainda mais essa hora da noite. falei, tentando ser mais educada possível.
– Emy, eu sei que você deve estar cansada, mas eu precisava desabafar com alguém. Eu não iria conseguir dormir sem falar com você. falou sorrindo pra mim.
Ok! Meu coração amolece quando alguém sorri daquele jeito, ainda mais com a cara dela de cachorro que acabou de cair da mudança, ou melhor, de quem acabou de fazer outra coisa.
– Tudo Bem! E então, o Gabe foi legal com você? perguntei já esperando um grito ou um sorriso enorme aparecer.
– Emily, Emily... O Gabe foi sensacional! Ele me levou para jantar, e ele é tão inteligente, totalmente diferente dos outros caras que eu já sai. Bem, depois fomos para um motel, e ai começou a brincadeira.
Ai, Jesus! Ela iria começar a falar sobre a parte que eu não quero ouvir, mas como tentar ser legal sem ser mal educada? Poxa, Gabe era meu melhor amigo! Meu melhor amigo de infância, e seria constrangedor saber como era o sexo com ele. De todas às vezes que ele tentava falar eu o cortava, até porque ele sabia que isso não me interessava.
– Joan, eu não quero saber dos detalhes sórdidos. Afinal, Gabe é meu melhor amigo, e seria chato eu ficar sabendo sobre sua vida sexual. — falei me desculpando.
Joan pareceu pensar um pouco. E eu estava rezando para que ela entendesse de alguma forma o que eu queria dizer, mas sem ficar chateada.
– Eu entendo Emy, mil perdões por isso. É que eu só queria dividir com alguém que conhece ambos, mas se não quiser ouvir, eu vou embora. falou dando de ombros.
Droga! Porque as pessoas não entendem o que eu quero dizer. Eu não estou mandando ela embora, e muito menos estou brava, eu só acho estranho querer saber sobre a intimidade de alguém. Mas eu não gosto de ver alguém que eu gosto desse jeito, porque pode parecer que não, mas Joan é uma boa pessoa, tem suas extravagâncias, é exagerada e parece que não tem filtro, mas é uma boa pessoa.
– Desculpe-me Joan, eu não quis ser indelicada com você. Bom, já que você veio até aqui, e parece estar feliz, pode falar.
– Jura? Ah Emily, você é incrível!
Eu apenas sorri, e me preparei para ouvir gritos de alegria, e ver enormes sorrisos em seu rosto.
– Ele me levou para um motel lindo, cheio de espelhos essas coisas, sabe?
Concordei. Era óbvio que não iria falar muita coisa sobre a minha vida.
– Ele nem esperou direito, e já foi tirando a minha roupa, e quase que eu fico sem nenhuma para vir embora. Depois ele me deitou na enorme cama, e a brincadeira começou. Quando eu pisquei, ele já estava nu. E Emily Campbell, eu nunca, em toda a minha vida, vi algo tão extraordinário como aquele monumento. Aqueles gominhos deliciosos, que me fizeram babar até não querer mais. E as pernas? Emy, que pernas eram aquelas? Um delírio para qualquer mulher solteira. Mas a diversão começou quando meus olhos foram direto para o monumento fenomenal dele. Meu Deus! Eu nunca vi um negócio tão grande e grosso daquele jeito, e olha que eu já vi vários, hein! Se eu fosse virgem eu iria morrer de dor, porque se eu já senti dor hoje, imagina se ele pegasse uma virgem. Coitadinha!
Jesus! Aquilo era informação demais para a minha cabeça! Realmente, Joan não tinha filtro. Dessa vez eu tinha que cortá-la, senão eu teria toda a informação mais sórdida que alguém poderia me dar.
– Joan, eu acho que recebi informações demais. Bem, eu acho que você deve guardar essa intimidade para você. Por favor, não fique chateada comigo. falei, sendo mais calma possível.
Ela parece que entendeu que estava dando informações demais sobre a sua vida. E eu agradeci a Deus por isso. Não queria ter a imagem do meu amigo fazendo sexo com a minha colega de trabalho.
– Acho que estou exagerando, né?! Mas é que eu estou feliz Emy, muito feliz! Você foi o cupido, sabia?! Acho que encontrei o amor da minha vida!
Não! Eu não queria desapontá-la, mas eu sabia que Gabe não iria ficar com ela. Mas como falar pra ela? Como?
– Você acha que ele vai me ligar? perguntou sorrindo.
O que eu respondo? Eu não posso falar que ele não irá ligar novamente, mas eu também não posso ver um sorriso triste e desapontado em minha frente. Joan está tão feliz, e eu não quero vê-la triste. Senhor, o que eu faço? Ai Gabe, eu vou te matar!
– Joan, eu não sei te falar. Gabe é imprevisível!
Acho que mandei bem na mentirinha. Nem foi uma mentirinha, eu apenas fiquei em cima do muro.
– Ele deve te levar para a escola, mas eu não quero parecer exasperada, por isso não ficarei esperando-o no portão. Mas, por favor, diga a ele para me ligar. Eu adorei a noite de hoje!
– Pode deixar, ele vai te ligar de novo!
Ela deu um enorme sorriso, ficou me agradecendo eternamente e se despediu. E eu? Bem, eu estava ferrada com o Gabe, eu iria matá-lo.
Acordei mega atrasada. Isso por causa da noite anterior, já que fui dormir mega tarde. Nem deu tempo de tomar um café da manhã calmo e sentada. Tive que preparar o café e sair correndo. Gabe, como sempre, estava me esperando, e assim que me viu abriu a porta e seguimos para a escola.
– Você se atrasou! Aconteceu alguma coisa? perguntou pra mim, mas sem tirar os olhos do trânsito.
– Eu fui dormir tarde! falei bocejando.
– Percebe-se! Ficou vendo filme até tarde?
– Quem dera! Joan foi lá a casa. sussurrei.
– Joan? A da noite passada?
– A própria.
– O que ela foi fazer lá? perguntou curioso.
– Falar sobre você.
– Pelo amor de Deus! O que ela falou?
– Quer mesmo saber?
Ele assentiu e olhou preocupado pra mim.
– Ela foi me agradecer, e falou sobre a noite maravilhosa que teve com você.
– Jura? Ai, ai, eu sabia que era irresistível, mas não ao ponto de alguém ir agradecer por me conhecer. O que ela falou?
Eu não iria falar para ele que ela quase descreveu o sexo que tiveram. Poxa! Ele é meu amigo, e é estranho isso, muito estranho!
– Gabe, eu não vou te falar! Isso vai soar estranho pra mim, e você sabe disso.
– Eu sei, mas ela chegou a falar sobre o sexo que fizemos? perguntou sorrindo.
– Não! É claro que eu não a deixaria falar. Isso já seria demais!
– Princesa, aquela mulher é maluca! Ela não cansa, e é delicinha!
Delicinha? Pronto, agora só me faltava ele começar com essa história.
– Parou! Eu entendi que ambos gostaram de sair um com o outro, e eu fico feliz! Mas, eu posso te pedir um favor, um enorme favor? perguntei, com carinha de cachorro abandonado.
– Ai, lá vem você com essa carinha de piedade. Pode falar.
Soltei um suspiro, e me preparei para pedir algo que eu não sabia se ele iria querer ou não.
– Ligue pra ela! Sei lá, saiam de novo, curtam de novo, fazem o que vocês gostem, mas ligue pra ela, por favor!
Ele me olhou assustado, e eu o olhei mais assustada ainda.
– Princesa, porque está me pedindo isso? perguntou curioso.
– Ela me perguntou se você ligaria, e eu disse que talvez... falei sorrindo.
– Eu não sei. Eu gostei de sair com ela, mas não para sair duas vezes.
– Olha, quem sabe vocês não namoram?!
– Deus me livre! Quer me jogar praga?
– Ai Gabe, por favor! Por mim, por favor!
Ele ficou em completo silencio, e isso me matava! Queria vê-la feliz, mas eu não queria obrigá-lo a nada. Eu o conhecia, e sabia das poucas vezes que ele saia com a mesma garota. Quando isso acontecia, era um milagre! Estávamos virando a esquina da escola, quando eu já tinha desistido de tentar convencê-lo.
– Obrigada! Até mais tarde, Gabe! me despedi sorrindo.
Ele me deu um beijo e sorriu.
Então era isso? Eu teria que enfrentar Joan? Argh! Porque só acontece comigo?
Estava fechando a porta, quando ele me chamou.
– Diga para ela que eu irei ligar, e que podemos sair novamente.
Eu soltei um suspiro de alívio, e o agradeci.
– Estou fazendo isso por você! Sei que não iria conseguir enfrentá-la, ainda mais ela.
Eu sorri, e agradeci novamente.
– Você jura que ele vai me ligar mesmo? perguntou Joan, com aquele enorme sorriso e me abraçando pela milésima vez.
– Pela milésima vez, eu juro!
– Você é a melhor amiga do mundo!
– Uau! Agora me senti. falei sorrindo.
E esse foi o seu assunto, até o horário que o sinal bateu e eu tive que voltar para a sala de aula.
Todo o resto do meu dia foi praticamente como todos os dias. Soube pelo Gabe e pela Joan, que eles haviam saído mais algumas vezes, e claro, eu evitei querer saber dos detalhes. Era um sábado de manhã, e eu precisava resolver algumas coisas da casa, como por exemplo: ir ao supermercado, pagar algumas contas, e comprar algumas coisinhas também. Decido ir a pé, até para caminhar um pouco e não virar uma sedentária.
Confesso que eu não gosto muito de sair sozinha, isso bate uma solidão... Eu até chamaria o Gabe, se ele não estivesse enfiado no escritório em pleno sábado!
Assim que pago as contas, vou direto para o supermercado. Compro coisas básicas, até porque é só pra mim. Pago as compras e decido chamar um táxi. Assim que eu consigo um táxi, um cara alto, que parecia estar correndo tromba comigo, e deixa toda a minha compra cair no chão. Ele percebe a burrada que fez, e logo vem para me ajudar.
– Desculpe-me Srta! Eu realmente não a vi. disse com um sorriso encantador.
– Não precisa se desculpar. Eu vi que foi sem querer.
Ele me ajudou a colocar tudo de volta na sacola, e quando eu estava me preparando para entrar no táxi, eu percebi que o motorista tinha ido embora.
– Droga! bufei.
– O que aconteceu? Machucou-se? perguntou preocupado.
– Não! É que eu acabei perdendo o táxi, e agora vai ser difícil achar outro.
Ele olhou pra mim com cara de Desculpe-me se te fiz perder o táxi, eu não queria isso.
– Ah, obrigada por me ajudar a guardar as coisas. Eu tenho que ir!
Quando estava me preparando para sair, ele segura levemente o meu braço e sorri.
– Se você quiser, eu posso te levar para a sua casa, mas só se você quiser.
Pegar ou não pegar uma carona com um estranho? Minha mãe sempre me ensinou que, não podemos falar com estranho, pegar nada deles, e se possível sair correndo. Mas, ele não parecia estar querendo o mal, pois ele me ajudou, foi legal e até se desculpou.
– Olha, eu tenho certeza que deve estar se perguntando se pega uma carona com um estranho ou não, mas eu garanto que eu só quero te ajudar, já que a culpa é minha. E eu acho que não tenho cara de assassino, ou tenho? perguntou sorrindo.
– Não, você não tem! Eu aceito a carona, até porque achar outro táxi agora seria um milagre.
Andamos até um estacionamento. Ele colocou as compras no banco de trás do carro, e abriu a porta para eu entrar. Perguntou onde eu morava, e eu falei. Por todo o caminho nós fomos conversando. Ele era muito simpático, inteligente e divertido! Ele me falou que era bancário, mas que estava de férias. Falou sobre o que gosta e não gosta em seu trabalho. Perguntou sobre a minha vida, e sobre o meu trabalho.
– Então você é professora? perguntou admirado.
– Sim! Eu amo a minha profissão!
– Você tem que se orgulhar mesmo. Hoje em dia é raro as pessoas escolherem esta profissão, apesar de achar linda. A minha sobrinha Loren quer ser professora quando crescer, e olha que ela é uma criancinha ainda. falou sorrindo.
– Eu tenho uma aluna que chama Loren, ela é uma gracinha. Loira dos olhos castanhos.
– Jura? A minha sobrinha é loira dos olhos castanhos.
– Espera ai, o nome dela é Loren Adams?
– Sim. Ela é a minha sobrinha!
– Ah meu Deus! Ela é tão graciosa! Eu a adoro tanto!
– Ela é mesmo! Lolo é o anjinho da família, mesmo com a prima menor, ela é a queridinha. disse sorrindo.
– Eu devo imaginar. Na escola ela já é querida, imagino na sua família.
– Bem, então você é a famosa tia Emy? Ela não para de falar de você um minuto. Ela imita você dando aula quando está brincando, sabia?
– Meu Deus! A Loren é assim mesmo. Nas brincadeiras ela sempre quer ser a professora, e eu já a vi me imitando. falei sorrindo.
Quando ele parou em frente ao prédio, me ajudou com as sacolas.
– Obrigada pela carona!
– Não precisa agradecer. Eu sou o culpado!
– Imagina!
– Emily, posso te pedir uma coisa?
– Claro.
– Você aceita sair comigo?
Sair com ele? Ah, faz tanto tempo que eu não saio com alguém, e ele me parece tão legal.
– E então, aceita?
– Aceito! Quando pode ser?
– Hoje! Sei que está em cima da hora, mas eu realmente quero sair com você.
– Combinado.
– Eu passo aqui às 20h30?
– Ótimo.
Despedimo-nos, e eu subi diretamente para o apartamento, mas com o pensamento neste jantar.
Estava arrumando o meu cabelo, quando a campainha tocou. Eu corri achando que já era ele, mas era cedo demais.
– Gabe, é você! falei, dando-lhe um abraço e um beijo na bochecha.
– E quem mais seria princesa?
– Um rapaz que eu vou sair.
Ele me olhou assustado, e até pensou antes de falar.
– Um rapaz? Que rapaz é esse?
– Eu o conheci hoje.
– Você vai sair com um estranho?
– Não! Eu vou sair com George.
– E quem diabos é George?
– George Adams.
– Quem? Princesa, eu acho que eu perdi metade desta história.
Eu comecei a contar como eu tinha o conhecido, até o convite para sair.
– E você vai sair com um estranho? perguntou sério.
– Ele não é estranho. Ele é tio de uma aluna minha, e é super legal e divertido.
Ele olhou incrédulo pra mim, e parecia não acreditar.
Assim que acabei de me vestir perguntei se estava bom ou não o meu vestido.
– Eu achei curto demais. falou emburrado.
– O que? Mas ele não é curto.
Meu vestido era na cor preta, e vinha até um pouco acima do joelho. A parte de cima era bem colada ao corpo, e depois era um pouco rodada, mas sem chamar a atenção. Meu sapato era da cor nude, e um pouco alto. Minha maquiagem leve, menos o batom, que eu ousei usar um vermelho.
– Pra mim está. Ele vai querer te levar pra outro lugar se continuar usando isso.
– Claro que não! Gabe, porque está assim?
Ele bufou. Eu queria saber por qual motivo o meu amigo estava daquele jeito, já que ele nunca se preocupou com isso.
– Só estou preocupado com você. Você mal o conhece! E estou com muito trabalho no escritório.
– Gabe, você também sai com as mulheres que mal conhece.
– Mas eu sou homem, e eu sei me defender.
– Machista? Eu também sei me defender, mas eu também sei que não será preciso.
Ele apenas balança os ombros e revira os olhos.
George é realmente pontual. Corro para atender a porta antes de Gabe. Dou uma última olhada no espelho, e arrumo o meu cabelo, que eu decido deixar solto, mas com as pontas com alguns cachos.
Assim que abro, avisto um George lindo e bem arrumado.
– Boa noite, Emy! ele fala, me dando um beijo na bochecha, e logo me entrega um buquê de rosas vermelhas. Eu não sabia qual flor você gostaria de ganhar, mas eu acho que todas as mulheres gostam de rosa. Acertei?
– Sim, eu amei! Obrigada! Entre, eu vou colocar a flor em um vaso, e já podemos sair.
Corro para a cozinha para pegar um vaso, e logo escuto Gabe conversar com ele. Espero que esteja sendo legal. Pego a minha bolsa, e vou em direção a eles.
– Pronto! falei sorrindo.
– Você está perfeita! Eu sou um sortudo por ter a mulher mais linda ao meu lado.
Eu coro.
– Ela é linda mesmo. Não é atoa que é a minha melhor amiga. Gabe falou, mas com um tom de sarcasmo.
– E ela é minha acompanhante de hoje! George falou olhando pra mim.
– Vamos? perguntei.
George concordou. Gabe disse que logo iria embora, e que trancaria a porta para mim.
Eu fui até ele e lhe dei um beijo e sorri.
– Obrigada! Você é o melhor amigo do mundo!
Ele sorriu e sussurrou em meu ouvido.
– Você está perfeita! A mulher mais linda do mundo! Boa sorte no seu encontro!
Eu sorri e agradeci.
Pronto! Eu estava pronta e nervosa para o meu encontro com o George. Muito nervosa!
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