Eternamente

45 Capítulo 45


Notas iniciais
Oi, amores! Feliz Natal! Que Deus abençoe o lar de cada um de vocês! Que esse Natal seja repleto de alegria, amor, paz, união e muita prosperidade. E nunca se esqueçam do significado do Natal: nascimento do menino Jesus. Obrigada por estarem comigo mais em mais um Natal, junto com esse casal lindo que tanto amo. Eu não sei quando eu vou postar o próximo, porque estou com familiares em casa, e não posso ficar tanto tempo no computador, tenho que dar atenção, haha Mas eu vou fazer de tudo para escrever nas horas "vagas". Facebook: Autora de romances - Mayara Silva Twitter: AutoraMaySilva Beijos

Gabe me levava para a escola contra a vontade dele. Sua cara fechada mostrava que seu humor estava péssimo. E eu não estava nem ai. Ele teria uma bela lição. E nada melhor do que o contrariar. Ele era o mandão, mas eu iria acabar com essa pose. Pra cima de mim, querido.

Liguei o som, não me importando se ele estava bem ou não. Ele iria escutar do mesmo jeito. Cantei muito, e ele só com a cara fechada. Olhava-me de vez em quando, e eu sorria, mostrando que o humor dele não estava me abalando em nada. Gabe estacionou o carro, e eu senti meu coração acelerar. Fiquei olhando para as crianças que estavam entrando, e a saudade bateu forte.

– Obrigada, Gabe! – dei um beijo na sua bochecha.

Ele apenas balançou a cabeça, mas não esboçou nenhum sorriso.

Destravei a porta, e abri.

– Emy.

Gabe me chamou, e eu me virei, olhando seriamente para ele.

– Você tem que ir mesmo? Eu... Emy, eu fico preocupado, você sabe disso.

– Gabe, eu estou bem. E eu preciso trabalhar, querido. – usei a mesma cara que ele fez pra mim.

– Isso é por causa dela? – perguntou, nervoso.

– É por mim, Gabe. Você tem que aprender a aceitar o que eu quero, e não achar que eu devo sempre te obedecer. Somos um casal, não pai e filha. E, sim, isso é por causa dela. Você sabe muito bem que aquela mulher deu e dará em cima de você, e você acha que isso não vai acontecer. Mas eu sei que ela não irá desistir – aquela vadia oferecida.

Ele não falou nada, apenas abaixou a cabeça.

– Eu tenho que ir. Eu te ligo quando eu for sair, ok?

Sai sem olhar novamente para ele, porque eu sei que fizesse isso, ele iria me fazer voltar atrás. Gabe tem que pagar na mesma moeda. Se ele pode fazer o que quiser, eu também posso. Não sou filha dele. Somos um casal, e eu tentei ter um diálogo com ele, mas ele não quis, então estou fazendo do meu jeito. Está sendo difícil pra mim, mas ele terá que aprender alguma coisa com isso, ou melhor, terá que sair de perto da vara pau.

**

Assim que atravessei os portões da escola, senti o cheiro da limpeza e ouvi as vozes das crianças. Eu amava tudo aquilo. Formei-me e não me via fazendo outra coisa. Desde criança eu me via ensinando as minhas bonecas, e hoje eu fico feliz por ter conseguido realizar esse sonho. Só não irei ficar aqui na escola, porque eu preciso pensar na minha gravidez e no meu casamento. Fui até a diretoria, e bati na porta.

– Entre! –

– Com licença, Sra. Garcia. — a diretora Garcia, como era conhecida, era uma jovem senhora na casa dos quarenta e poucos anos. Ela era americana, mas seus pais eram mexicanos, e isso deixava bem à mostra em seus traços.

– Emy, quanto tempo! – levantou-se, e veio me abraçar.

– Pois é. Como a senhora está?- perguntei, sorrindo.

– Bem, mas nada de me chamar de senhora, por favor.

– Tudo bem, Dolores. Como estão as coisas por aqui? – sentei-me de frente para ela.

– Bem, minha querida. As aulas começaram, e está a todo vapor.

– Que bom! Então, eu preciso te falar uma coisa.

– Pode falar, Emy.

– Então, eu... Eu estou grávida!

Dolores levantou correndo, e veio me abraçar. Ela sorria animada com a minha gravidez.

– Eu estou tão feliz, Emy. Sempre soube que você seria mãe logo. Você será uma ótima mãe. Já sabe o sexo?

– Obrigada! Não, mas são gêmeos. – falei, sorrindo.

– Oh meu Deus! Que maravilha! Dois bebês lindos. O papai deve estar feliz, não é?

– Muito!

– Eu fico muito feliz por vocês, Emy.

– Obrigada, Dolores! Mas eu também vim dar uma notícia. Não será boa, mas será necessária.

– Eu devo imaginar qual é esse assunto. – ele me olhou seriamente.

– Então, eu vou ter que sair da escola. Não porque eu quero, mas é porque será preciso. Eu estou grávida de gêmeos, estou enjoando muito e ainda tem o casamento. Tudo aconteceu muito rápido, e eu não imaginei que seria assim. Eu não planejei nada quando sai para as férias. Aconteceram tantas coisas, e eu acabei noiva, grávida e com um casamento para planejar. Então eu terei que sair da escola. – despejei de uma vez só.

Eu não estava fazendo isso pelo Gabe, mas sim porque eu queria ter um tempo pra mim e para os bebês. Quero aproveitar cada momento, e eu tenho certeza que a aminha mãe e madrinha também iriam querer isso.

Ela me olhava de um jeito que parecia que estava me entendendo. O que era ótimo pra mim.

– Emy, eu fico muito feliz por você estar iniciando a sua família, mas eu fico triste em saber que irei perder uma funcionária tão eficiente e excelente como você. Eu entendo o que quer dizer, porque eu passei quase a mesma coisa que você. Mas se essa é a sua decisão, eu não posso fazer nada. A nossa escola perderá uma excelente funcionária, mas os seus filhos e marido irão ganhar uma ótima mãe e mulher. Essa escola sempre estará de portas abertas para você. Sempre que quiser voltar, é só falar. – sorriu, tocando a minha mão.

Eu já estava chorando, e era por causa das palavras dela e dos hormônios que já estavam aparecendo.

– Muito obrigada, Dolores. Eu fiz muitos amigos por aqui, e serei grata a todos vocês.

– Nós é que agradecemos, Emy.

Ficamos conversando mais um tempo, e ela me explicou que deixaria a outra professora que estava me substituindo. O que me deu um alívio, porque ela sabe todo o conteúdo que eu estava dando para eles. Ela me falou sobre tudo o que havia acontecido nesse tempo em que eu fiquei fora. Antes de sair, eu disse que enviaria o convite do meu casamento, e a presença dela era obrigatória. Perguntei sobre Joan, mas ele havia faltado. Eu iria conversar com ela depois. E um dos assuntos era sobre não falar sobre a noite que teve com o Gabe. Não quero que ela fique lembrando-se disso. Ele agora é meu noivo.

Assim que eu saí da sala dela, eu resolvi passear pela escola que me fez tão feliz nesses últimos anos. Olhava cada cartaz com os trabalhos dos alunos e sorria. Sim, eu fui muito feliz ali, e sentiria muita falta. Fui até a minha antiga sala, mas as crianças estavam no horário da educação física. Olhei para tudo aquilo e comecei a chorar. Como eu iria sentir falta de tudo isso! Olhei para as pequenas carteiras, e sorri ao me lembrar dos meus pequenos.

Fui até a quadra, e lá estavam eles. Brincando de alguma coisa, e só se ouviam risadas. Cheguei mais perto, e fiquei parada, observando-os. Fiquei uns cinco minutos, até que eu fui notada pelo Steven, que era o professor de educação física.

– Olhem quem está ali, crianças. – ele disse, apontando para mim.

Todos eles me olharam, e correram até a mim. Eu abri os braços, e fui recebida com muitos abraços e gritaria. Eu sorri e chorava de emoção.

– Meus amores, que saudades de vocês! – disse, beijando cada um deles.

– Tia Emy, você sumiu! Por quê?

Sentei em um banco e eles sentaram ao meu redor.

– Meu amor, a tia Emy estava de férias, um pouco mais que vocês. – respondi.

– Você voltou? – perguntaram.

– Meus amores, a tia Emy vai ter que sair da escola. – falei, triste.

– Porque, tia? Você não gosta mais da gente?

– Claro que gosto, mas é que a tia Emy tem uma surpresinha.

Os olhinhos deles se iluminaram de curiosidade. E eu sabia que eles iriam gostar de saber.

– O que é, tia? – perguntaram de uma vez só.

– Bom, a tia está grávida!

Eles gritaram de tanta felicidade, e vieram me abraçar. Eu ri de tudo aquilo. Eles estavam tão felizes por mim.

– Que legal, tia. É menino ou menina?

– Eu ainda não sei, porque está bem pequeno, mas não é um bebê, são dois bebês. – falei, animada.

Ai a alegria está formada. Foi abraço, risada e conversa com os meus bebês. Cada um conversava com a minha barriga, e falavam que já amavam o meus filhos, porque eram os filhos da tia Emy. Eu nem preciso dizer que chorei, né? Eu estava com os hormônios à flor da pele.

Depois de um bom tempo, o sinal tocou, e a professora que estava me substituindo veio buscá-los. Ela me parabenizou pela gravidez e disse que estava feliz por mim. Eu agradeci e me despedi dos meus amores, prometendo que voltaria logo, logo.

Fiquei sentada, vendo- os entrarem, até que senti a presença do Steven. Ele se sentou do meu lado, e eu me virei para ele.

– Vou sentir saudades dessa turminha. Aprendi tanto com eles.

– E eles aprenderam muito com você, e não apenas sobre as matérias. Você sempre foi tão espetacular com eles. Eles sempre nunca irão se esquecer de você, assim como eu nunca irei. – disse, colocando as mãos sobre o meu rosto.

Ai, Jesus! Ele está dando em cima de mim, mesmo sabendo que estou noiva e grávida. Que safado!

– Steve, para! – levantei-me, e me afastei dele. – Você não tem que dar a outra aula? – falei, mudando de assunto.

– Ainda tenho uns minutos, Emy.

Que caramba! Vou sair daqui, antes que ele tente alguma coisa.

– Steven, me respeite! Eu estou noiva e grávida! Pelo amor de Deus! – falei, incrédula.

– Eu sei que está grávida, e está linda! Sempre foi linda, mas você está radiante. Eu sei que eu não tenho mais chances com você, mas quero que saiba que você sempre foi especial pra mim. E sempre será. – colocou as mãos sobre a minha barriga. Antes de eu me afastar, Steven foi puxado para longe de mim.

– Gabe! – falei, surpresa e aliviada ao vê-lo ali.

Gabe estava com as mãos fechadas em punho, e com a cara fechada. Eu sabia que ele estava pronto para a briga, mas ali não era o lugar. O Steven estava merecendo, mas ali era uma escola.

– Ficou louco, cara? – Steven perguntou.

– Louco ficou você, mamilos. – o quê? Ele chamou o Steven de mamilos? Ai, senhor!

– Meu nome é Steven.

– Não me interessa seu nome. Pra mim é mamilos. Agora, se afaste da minha noiva, ou você vai se arrepender. – eu sabia que o Gabe estava se segurando para não partir para cima, porque ali era uma escola, senão o Steven estava ferrado.

– Eu não...

– Não quero saber! Disse que a minha mulher é especial. Especial vai ficar a sua cara. Tão especial, que irá usar fila preferencial por causa dos danos. Já que nem uma mamoplastia você paga, quem dirá uma plástica.

– Gabe, vamos embora. Daqui a pouco alguma criança pode aparecer. – pedi, segurando o seu braço.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, mas acabou concordando comigo. Graças a Deus!

Puxei-o para perto de mim, mas o Gabe parou para encará-lo mais uma vez. Pronto, só faltava sair briga dessa vez. Fechei os olhos, pedindo para Deus.

– Vamos, Emily! – ele segurou a minha cintura, e me guiou para fora da escola.

Pois é, parece que uma conversa séria quando chegarmos a casa.

**

Gabe estava bufando de raiva. Estávamos em casa, mas ele não saia do telefone. Gritava e ordenava milhões de coisas. Coitado dessas pessoas. Ele não falou comigo durante todo o caminho para cá, e eu nem quis falar, porque do jeito que ele está, é perigoso vir falar merda pra cima de mim.

– Não quero saber. Eu já resolvi essa merda. Ok. – desligou, e jogou o telefone no sofá.

Eu estava sentada do outro lado do sofá, tentando ler um livro. Só tentando mesmo, porque conseguir estava sendo impossível.

– Emily, precisamos conversar.

Olhei para ele, que estava sério e vermelho. Ele vai explodir se continuar desse jeito.

– Pode falar, Gabe. – fechei o livro, e olhei pra ele.

– Eu não quero que você volte para a escola. Não enquanto aquele cara estiver por lá. Ele... Caralho, ele deu em cima de você! – disse, passando as mãos pelo cabelo, mostrando o quão nervoso ele estava.

Posso dizer que dessa vez eu concordo com ele. Mesmo se eu não tivesse saído da escola, eu não iria querer ficar perto do Steven novamente. Ele estava estranho, e achava que iria acontecer algo entre a gente. Nem se eu não estivesse com o Gabe.

– Gabe...

– Pode ficar brava comigo, mas eu não a quero perto dele. Argh! Ele praticamente te comeu com aqueles olhos e mãos. Ai, se eu quebro as mãos dele. Se eu apertar aqueles mamilos... Vai sair sangue ao invés de leite.

Ai, eu não aguentei. Gargalhei alto com esse apelido. O Gabe tinha uma imaginação fora do comum. Não sei como ele consegue arrumar apelido para todo mundo.

– Do que está rindo? É de mim?

– Sim. – respondi, enxugando as lágrimas que caíram do tanto que eu ri. – Gabe, você é muito engraçado. De onde tirou essa ideia dos mamilos.

Ele riu um pouco, e sentou-se ao meu lado.

– Você já reparou no tamanho das tetas dele? São enormes. Deve ganhar de você, princesa. – falou, me abraçando.

– Ai, Gabe só você mesmo. – ri – Mas eu ainda estou brava com você.

– Emy... — ele me soltou, e suspirou – Eu larguei o caso dela. Eu percebi que você estava certa.

Ponto pra mim. Agora sim, senhor Gabe. Estamos falando a minha língua.

– Jura? Ah, fico feliz que tenha percebido, mesmo que seja tarde, mas viu que aquela mulherzinha não iria desistir.

– Pois é. E hoje eu senti na pele o que você sentiu aquele dia. Eu aprendi a lição, Emy.

– Muito bem! Aprendeu a liçãozinha, Gabe. Parabéns!

– Belo sarcasmo, Emily. – reclamou.

– Aprendi com o melhor, querido. – levantei-me, e fui até a cozinha para beber água.

Percebi que ele estava me seguindo, e eu sabia muito bem que o assunto da escola não havia terminado.

– Você ainda vai voltar para a escola?

– Não sei. – fiz a desentendida.

– Emy, eu fiz o que você pediu. Por favor, não volta. Sei que você ama o seu trabalho, mas eu não vou ficar sossegado sabendo que o Sr. Mamilos estará no mesmo lugar que você, e pior, irá tentar esfregar as tetas em você.

– Gabe, eu não deveria te dizer isso, aliás, eu ainda deveria te dar um castigo, mas sou uma pessoa tão boazinha e que te ama muito. – sorri. – Eu sai da escola.

Ele sorriu, sentindo-se glorioso.

– Não foi por causa da vara pau, foi por minha decisão. Eu quero descansar, pensar nos nossos filhos e no nosso casamento. E isso aconteceu antes do Steven fazer aquilo.

Ele chegou perto de mim, e sussurrou no meu ouvido.

– Você não imagina como eu fiquei louco ao vê-lo perto de você. Eu fiquei fora de mim, e só não parti pra cima porque estávamos na escola.

– Por falar nisso, como você sabia o que o Steven estava tentando fazer? – perguntei curiosa.

– Amor, eu sempre estou de olho em você.

– Você...

– Vamos deixar pra lá. Eu quero esquecer a nossa briga, o Steven e a Sra. Wilson. –agarrou a minha cintura, e beijou o meu pescoço.

Como prosseguir com ele desse jeito? Eu já estava louca de desejo por ele, e com fome de Gabe.

– Eu amo você, princesa. Amo mais do que qualquer coisa na minha vida. Sou capaz de qualquer besteira por sua causa. Você e os nossos filhos são tudo pra mim. Você é a única na minha vida! A única mulher que me deixa louco de amor e desejo. A única que possui o meu coração, e que me possui de todas as formas. – ele dizia, enquanto intercalava com os seus beijos.

– E eu te amo muito mais. Você é o tudo o que eu sempre quis na vida. E eu não mudaria nada em você. Eu amo até o seu sarcasmo. – beijei-o.

Ele me segurou no colo, e me levou até o nosso quarto. Lá, nós fizemos o que mais gostamos: um amor gostoso, cheio de carícias e palavras de amor. Eu me sentia completa por ele, em todos os sentidos.

**

Depois de um dia cansativo e nosso do sexo incansável e gostoso, eu estava suada e com fome. Gabe se prontificou a fazer o nosso jantar. Estava tomando um banho tão relaxante. Lavando dos pés à cabeça.

Assim que sai, vesti um pijama confortável, e penteei os cabelos. Senti um cheiro maravilhoso vindo da cozinha, e a barriga roncou.

– Vocês estão com fome, filhinhos? Sim, eu sei que estão. Mamãe também está. – falei como uma mamãe babona.

Sai do quarto, e escutei uma pessoa conversando com o Gabe. Parecia ser outro homem.

Assim que a pessoa virou, eu fui abraçá-lo.

– George, quanto tempo! – disse feliz por vê-lo ali.

– Emy, você está linda a cada dia que passa. – sorriu. – Então, eu fiquei sabendo que você estava de volta, e que está grávida. Bom, foi a minha sobrinha que me falou, então eu decidi fazer uma visita e trazer dois presentinhos para esses bebês lindos. – sorriu, e colocou a mão de leve sobre a minha barriga.

Quando eu ia agradecer, o Gabe chegou ao meu lado, e agarrou a minha cintura, e sorrindo para o George. Conheço esse sorriso de sarcasmo dele. O Gabe vai aprontar alguma coisa. Ai meu Deus!

Gabe

Eu não estava com bom humor. Muito pelo contrário. Eu queria era desviar o caminho e levá-la embora. Eu mostraria que ficar comigo seria bem melhor. Ok, eu sei que eu não é justo usar esse tipo de persuasão, mas eu estava tão nervoso com isso. Ela sabia que eu ficaria estressado com isso, mas nem ligou. Ela usou de algo que eu falei para poder “jogar” na minha cara. Porra de mulher que me deixa louco. E o pior não é isso. O pior de tudo é saber que o tetudo do Steven vai estar por lá. Que raiva! Ele vai ficar de olho nela, e eu não estarei por perto.

Ela ligou o som, e cantava toda feliz. Vai brincando, princesa. Vai achando que vai sair ganhando. Eu vou resolver esse assunto o quanto antes, depois resolveremos os nossos assuntos. Estacionei o carro, e fiquei pensando se iria destravar o carro ou não. Eu ainda poderia leva-la embora. Sim, isso seria uma boa ideia.

– Obrigada, Gabe! – deu um beijo na minha bochecha.

Um beijo na bochecha? Porra! Eu dou um beijo na bochecha da minha tia. Eu quero é um beijo na boca.

Ela destravou a porta, e eu senti alguma coisa dentro de mim, e não era dor de barriga e nem gases.

– Emy. – eu a chamei, com esperança de ela mude de ideia. — Você tem que ir mesmo? Eu... Emy, eu fico preocupado, você sabe disso.

– Gabe, eu estou bem. E eu preciso trabalhar, querido. – usou a mesma cara que eu fiz pra ela.

Caralho! Agora eu vou ter que evitar falar muita coisa, porque ela joga tudo na minha cara.

– Isso é por causa dela? – perguntei nervoso.

– É por mim, Gabe. Você tem que aprender a aceitar o que eu quero, e não achar que eu devo sempre te obedecer. Somos um casal, não pai e filha. E, sim, isso é por causa dela. Você sabe muito bem que aquela mulher deu e dará em cima de você, e você acha que isso não vai acontecer. Mas eu sei que ela não irá desistir

Eu não sabia o que pensar. Aquelas palavras pesaram sobre mim, e eu me sentia culpada por ela se sentir desse jeito e achar que eu sou um mandão. Eu sou assim, e não sei se irei mudar um dia. Eu não quero que ela me vire uma “submissa” pra mim, e aceite tudo o que eu proponho. Eu só quero o bem dela. Só isso.

– Eu tenho que ir. Eu te ligo quando eu for sair, ok?

E ela saiu sem olhar pra mim. Isso doeu muito. Ela estava brava comigo, e isso me machucou muito. Aquela não é a Emy que eu conheço. Mas eu vou acabar com esse assunto, e com as dúvidas dela.

**

Entrei no meu escritório fumegando de raiva. Eu tinha assuntos para resolver, mas eu precisava resolver uma coisa mais importante. Sentei-me na cadeira, e pedi para a minha secretária ligar para a Sra. Wilson. Nosso assunto seria resolvido hoje mesmo. Fiquei analisando uns contratos, até que a minha secretária me avisou que ela havia chegado. Arrumei o meu terno, e comecei a rezar para que ela não tentasse nada.

– Gabe, posso entrar? – já entrou, né?

–Claro. – seja profissional, Gabe. Não seja grosso com ela.

– Eu fiquei surpreso com a ligação da sua secretária. Ainda bem que você adiantou. Eu tenho uns compromissos no salão de beleza. Sabe como é, né?

Olha, está precisando mesmo. Seu cabelo está mais ressecado do que a caatinga. Nem todas essas coisas que fazem no cabelo vão resolver.

– Não, não sei. Sou homem, e não vou a salões de beleza. – respondi.

– Ah, mas você tem a sua namoradinha, né? Ela deve ir muito.

Namoradinha? Ela quer me estressar, mas eu serei bonzinho.

– Não! Eu não tenho namoradinha, até porque não sou um pré-adolescente. Sou um homem formado, futuro pai e marido. Ela é a minha noiva. E, não, ela não vai muito aos salões de beleza. O que ela tem é natural. Os olhos, o corpo, os seios, o cabelo... Ela não precisa de cirurgia para ficar linda.

Ela fez uma careta de desgosto, mas pra mim é inveja.

– Mas deu para entender, né? Ela é sua namoradinha...

– Não! Ela é minha mulher. Eu tinha namoradinha quando era mais novo, e quando transava de vez em quando. A Emy é diferente. Mas isso não te interessa. Não somos amigos, e muito menos íntimos.

– É. – respondeu secamente.

– Então, eu marquei essa reunião para falar sobre o seu caso.

– Ah, claro. – ela subiu o vestido que estava usando, tentando ser sexy. Só tentando mesmo, porque não estava conseguindo.

– Eu não vou poder cuidar do seu caso.

– Como assim? Ficou louco? Eu te paguei para cuidar do meu caso. – levantou-se nervosa, e faltou avançar em cima de mim.

– Ei, acalma o coração. Ficar desse jeito pode dar rugas, sabia? – que mentira.

Ela colocou a mão no rosto, preocupada mais com as rugas do que com outra coisa.

– Eu sei que você me pagou, mas eu vou colocar o seu caso com outro advogado daqui. Não tem só eu nesse escritório, não é?

– Mas eu quero você.

– Querer não é poder. Eu queria já queria estar casado com a minha mulher, estar de férias junto com ela e despachar todos os homens que a cercam, mas eu não posso. Então aceita que dói menos.

– Mas eu sou linda e interessante. Tenho certeza que tem o dedo da sua namorada nisso ai. Você não iria desistir do meu caso. –chegou perto de mim, e eu me afastei.

– Não te interessa se tem dedo da minha namorada. Eu decidi que não quero trabalhar no seu caso, até porque eu irei viajar em breve.

Ela me olhou de um jeito estranho, e arrancou o vestido de uma vez só. Não olha, não olha, não olha, não olha...

– Todo o homem trai, Gabe. Duvido muito que você não deseja o meu corpo. – alisou as suas pernas, e fez uma careta estranha. Parecia que estava com dor de barriga.

– Olha aqui – abaixei-me e peguei o vestido. – Coloque essa roupa. Agora!

– E se eu não quiser? – perguntou – Olha o meu corpo, Gabe. Duvido você não querer provar.

– Eu não quero saber do seu corpo. Eu não gosto do seu corpo, e muito menos provar.

– Eu sou perfeita.

– Que, te falou? Seus seios são tortos e tem pereba. Vá procurar uma dermatologista, porque é horrível isso dai. Dá nojo! Dá pra ver que tem uma cicatriz na sua barriga, resultado de cirurgia plástica; seus olhos são lentes, porque outro dia era uma e agora é outra; seu cabelo está ressecado e você é chata. Não gostei de trabalhar pra você. Pode colocar esse vestido, e sair. Vou devolver o seu dinheiro e não quero saber de você perto de mim ou do escritório.

Ela ficou boquiaberto com tudo o que eu dizia. Era pra aprender a me respeitar e respeitar a Emy. Que mulherzinha oferecida.

Ela colocou o vestido correndo, graças a Deus.

– Você vai se arrepender, Gabe. Você é um péssimo profissional. – gritou.

– Eu? Tenta alguma coisa. Eu sou advogado, e posso mostrar as câmeras de segurança, ou você se esqueceu delas? Tem tudo gravado. E eu não sou um péssimo profissional. É você que é mal amada e comida.

Foi só eu dizer isso, que ela saiu pisando quente, batendo a porta com tudo. Pronto, esse assunto estava encerrado. Arrumei a minha mesa e sai. Pedi para a minha secretária cancelar a minha agenda pelo resto do dia. Eu iria atrás da Emy.

**

Parei o carro um pouco afastado do portão principal. Dava para ver a quadra da escola. Olhei um pouco, e vi o Steven. Ele estava correndo com as crianças. Metido! Os mamilos dele balançavam tanto, que quase que batiam na cara dele. Era ploft, ploft e mais ploft. Olha ai, senhor! Que imagem do inferno. Senhor, tanta mulher colocando silicone, e ele tem um monte. Isso é injustiça com as pobres coitadas. Uns com tanto, e outras sem nada. Fiquei esperando mais um pouco, até a Emy apareceu. Linda como um anjo. Ela ficou olhando as crianças, e sorria. Ah, como eu amo essa mulher.

O tetudo apontou para Emy, e as crianças foram correndo até ela. Eu não quero interromper esse momento dela com os filhos de coração. A Emy amava aquelas crianças. A cena que mais me deixou comovido, foi quando parecia que eles estavam conversando com a barriga dela. Acho que ela deve ter contado que está grávida. Eles não paravam de abraçar e beijar. Era tão fofo!

As crianças entraram, e a Emy ficou sozinha com esse cara? Nem fodendo! Vou parar com essa porra toda. Desci do carro, e vi quando ele colocou as mãos no rosto dela. Essa porra quer ficar deficiente? Vou arrancar essas mãos com uma foice.

O guarda da escola me conhecia, já que eu sempre levava a Emy para a escola. Ele liberou a minha entrada, e eu pedi para a diretora me deixar falar com a Emy. Ela autorizou, só que disse que não sabia onde eu estava. Ah, eu sei onde a minha mulher está.

Pisei fundo, e cheguei à quadra, mas a cena que eu vi me deixou cego de raiva. Ele estava dando em cima dela, e com as mãos sobre a barriga da minha mulher. Ele está pedindo pra morrer. Puxei-o para longe dela, e me segurei para não partir para cima.

– Ficou louco, cara? – ele perguntou.

– Louco ficou você, mamilos. – disse, nervoso.

– Meu nome é Steven.

– Não me interessa seu nome. Pra mim é mamilos. Agora, se afaste da minha noiva, ou você vai se arrepender. – a sorte dele era que aqui era uma escola, e eu iria respeitar. Senão eu iria pegar um alicate, e fazer igual no filme O albergue. Iria arrancar essas tetas ridículas de uma vez, junto com as bolas dele.

– Eu não...

– Não quero saber! Disse que a minha mulher é especial. Especial vai ficar a sua cara. Tão especial, que irá usar fila preferencial por causa dos danos. Já que nem uma mamoplastia você paga, quem dirá uma plástica.

– Gabe, vamos embora. Daqui a pouco alguma criança pode aparecer. – pediu, segurando o seu braço.

Eu não quero embora antes de dar um jeito nesse idiota, mas ir embora seria melhor. Aqui tem crianças, e elas não devem presenciar uma briga.

A Emy me puxou pelo braço, mas eu o encarei antes de ir embora. Apertei os meu peito, fingindo que tinha tetas e fiz um sinal como se fosse cortá-los. Sim, era uma ameaça e não estava nem ai para o que ele iria fazer.

– Vamos, Emily! – segurei a cintura dela, e saímos.

**

Eu estava no telefone com um dos advogados do escritório. Eu estava com tanta raiva, que não quero nem saber a opinião dele sobre o caso da Sra. Wilson. Não vou voltar atrás com a minha decisão, nem por todo o dinheiro do mundo.

– Não quero saber. Eu já resolvi essa merda.

– Tudo bem, Gabe. Tenho que desligar.

Ok. – desliguei, e joguei o telefone no sofá.

Olhei para a Emy, que estava sentada e lendo um desses livros que ela gosta, mas que eu não entendo nada. Eu preciso conversar com ela sobre o que aconteceu hoje. Eu ainda estou fervendo de raiva daquele ser.

– Emily, precisamos conversar.

Ela olhou pra mim e concordou.

– Pode falar, Gabe. – fechou o livro, e olhou pra mim.

– Eu não quero que você volte para a escola. Não enquanto aquele cara estiver por lá. Ele... Caralho, ele deu em cima de você! – falei, passando as mãos pelo cabelo, mostrando o quão nervoso eu estava. Eu estava explodindo de raiva.

Imagina se eu não tivesse chegado a tempo. Caramba! Ele estava praticamente comendo ela pelos olhos. E se alguma coisa tivesse acontecido, eu teria acabado com ele.

– Gabe...

– Pode ficar brava comigo, mas eu não a quero perto dele. Argh! Ele praticamente te comeu com aqueles olhos e mãos. Ai, se eu quebro as mãos dele. Se eu apertar aqueles mamilos... Vai sair sangue ao invés de leite.

Ela gargalhou. Será que ela estava achando que era brincadeira? Eu não estou brincando. Muito pelo contrário. Nunca falei tão sério em toda a minha vida.

– Do que está rindo? É de mim?

– Sim. – respondeu, enxugando as lágrimas que caíram do tanto que ela ria. – Gabe, você é muito engraçado. De onde tirou essa ideia dos mamilos.

Ah, então é isso. Ainda bem que é por causa do apelido.

– Você já reparou no tamanho das tetas dele? São enormes. Deve ganhar de você, princesa. – falei, abraçando-a, querendo sentir o corpo dela junto do meu.

– Ai, Gabe só você mesmo. – riu – Mas eu ainda estou brava com você.

– Emy, eu larguei o caso dela. Eu percebi que você estava certa.

– Jura? Ah, fico feliz que tenha percebido, mesmo que seja tarde, mas viu que aquela mulherzinha não iria desistir.

– Pois é. E hoje eu senti na pele o que você sentiu aquele dia. Eu aprendi a lição, Emy. – senti na pele quando ele estava dando em cima dela. Eu aprendi que devemos acreditar mais na minha namorada. Que o ciúme dela me ajudou.

– Muito bem! Aprendeu a liçãozinha, Gabe. Parabéns!

– Belo sarcasmo, Emily. – reclamei.

– Aprendi com o melhor, querido. – levantou-se, e indo em direção à cozinha.

Ela estava irresistível naquela roupa, e eu queria senti-la. Estava doido sem poder sentir aquele corpo enlouquecedor. Eu a quero tanto!

– Você ainda vai voltar para a escola?

– Não sei.

– Emy, eu fiz o que você pediu. Por favor, não volta. Sei que você ama o seu trabalho, mas eu não vou ficar sossegado sabendo que o Sr. Mamilos estará no mesmo lugar que você, e pior, irá tentar esfregar as tetas em você.

– Gabe, eu não deveria te dizer isso, aliás, eu ainda deveria te dar um castigo, mas sou uma pessoa tão boazinha e que te ama muito. – sorriu. – Eu saí da escola.

Glória a Jesus! Obrigado, senhor! Muito obrigado! Prometo que irei mais à igreja.

– Não foi por causa da vara pau, foi por minha decisão. Eu quero descansar, pensar nos nossos filhos e no nosso casamento. E isso aconteceu antes do Steven fazer aquilo.

Cheguei perto dela, e sussurrei. Quero ver se ela irá resistir a mim.

– Você não imagina como eu fiquei louco ao vê-lo perto de você. Eu fiquei fora de mim, e só não parti pra cima porque estávamos na escola.

– Por falar nisso, como você sabia o que o Steven estava tentando fazer? – perguntou curiosa.

Ops! Acho que serei pego!

– Amor, eu sempre estou de olho em você.

– Você...

– Vamos deixar pra lá. Eu quero esquecer a nossa briga, o Steven e a Sra. Wilson. –agarrei a sua cintura, e beijei o seu pescoço.

Ela estava fodidamente cheirosa. Porra de mulher que me deixa com desejo só pelo perfume. Eu sou louco por ela e por quem nós somos quando estamos juntos. Somos um só. Nós quatro somos um só. Meus filhos são a prova de que nós fomos feitos um para o outro. E que fazemos as coisas direito, porque já vieram dois de uma vez só. Eu sou foda!

– Eu amo você, princesa. Amo mais do que qualquer coisa na minha vida. Sou capaz de qualquer besteira por sua causa. Você e os nossos filhos são tudo pra mim. Você é a única na minha vida! A única mulher que me deixa louco de amor e desejo. A única que possui o meu coração, e que me possui de todas as formas. – ele falava, enquanto intercalava com os meus beijos.

– E eu te amo muito mais. Você é o tudo o que eu sempre quis na vida. E eu não mudaria nada em você. Eu amo até o seu sarcasmo. – beijou-me.

Segurei-a no meu colo, e a levei para o nosso quarto. Eu estava louco para tê-la novamente em meus braços. Senti-la por completa e se desmanchando de prazer.

**

Depois do nosso dia recheado de sexo, conversa e carícias, eu percebi que ela estava cansada e com fome. Ela disse que iria tomar um banho, e eu iria preparar o nosso jantar. Separei os ingredientes e comecei a fazer uma das comidas que ela mais gostava. Comecei a preparar a mesa, quando a campainha tocou, e eu corri para atender. Abri achando que era alguém importante, mas dei de cara com o bobão do George. O que esse demônio quer?

– Oi, Gabe. Tudo bem? – ah, para de fazer a linha simpático.

– Nossa, estou ótimo. Que prazer, Geofrey. – e eu fiz a linha sarcástico.

– É George!

– Ah, claro. Geofrey. – vamos irritá-lo.

– Posso entrar? – está todo nervosinho.

– Ah, me deixa pensar. – coloquei a mão no queixo, fingindo que estava pensando. – Não!

– Ah, larga de ser chato, Gabe. Vai ser rápido.

Rápido vai ser a mão na minha cara, projeto de Pokémon. Decidiu sair da pokebola, e veio infernizar de novo a nossa vida.

Ele foi entrando, sem eu deixar. É um mal educado mesmo.

– Cadê a Emy?

Não te interessa, babaca! Olhei para as mãos dele, e tinha três presentes. Eu só espero que não seja para os meus filhos e mulher.

– Gabe, eu e a Emy somos só amigos. Confesso que eu gostei dela, mas eu percebi que ela nuca iria gostar de mim. Ela ama você, Gabe. Isso é nítido.

Ah, posso apertar uma fofura dessa? Argh! Cara chato. Agora vem bancar o cupido.

– Olha, você daria um ótimo político. Belas palavras.

Ele riu. Ah, vai rir na casa do caralho.

Escutei os passos da Emy, e me segurei para não impedi-la de vir para a sala. O idiota também escutou, e fez questão de se virar na hora.

– George, quanto tempo! – ela estava o abraçando? É isso mesmo?

– Emy,você está linda a cada dia que passa. – sorriu pra ela. Filho da... – Então, eu fiquei sabendo que você estava de volta, e que está grávida. Bom, foi a minha sobrinha que me falou, então eu decidi fazer uma visita e trazer três presentinhos para esses bebês lindos, e um para a mamãe mais linda também. – sorriu, e colocou a mão de leve sobre barriga dela. A barriga que ela carrega os meus filhos. Meus! Fui eu que os coloquei ai. Não você!

Eu ia controlar a minha raiva, porque não queria brigar novamente com a Emy. Eu queria paz para a nossa vida.

Coloquei o meu braço ao redor da cintura dela e sorri. Sabe aquele sorriso falso. Sim, eu estava dando um desses. Vamos ver até quando ele iria aguentar. Eu iria fazê-lo voltar para a pokebola dele, e deixar a minha mulher e meus filhos em paz, e sem presentinhos, que, aliás, já não gostei, mesmo sem ver. Vai comprar presente na casa do cacete.