Eternamente

44 Capítulo 44


Gabe sorria, mas eu sei que o que realmente ele estava sentindo. Eu tinha o poder nas minhas mãos, e não iria desperdiçá-lo. Não adianta virem defendê-lo, porque eu sei o que eu vi. Ele olhou para os peitos da vara pau, e eu não gostei. Sei que ele é homem, mas ele é o meu homem. Não quero o Gabe olhando para os peitos de qualquer uma.

— Meu amor, eu juro por tudo o que é mais sagrado, foi ela que deu em cima de mim.

Típica desculpa, senhor Gabe. Faça melhor.

Eu fui andando até o escritório dele, que exalava masculinidade. Sentei-me em sua cadeira, e olhei para a sua mesa. Vários papéis, processos e outras coisas que eu não entendia estavam espalhados sobre ela. Fotos nossas e minha também estavam presentes. Tinha até uma foto do ultrassom dos nossos bebês, e isso me emocionou. Mas não era hora de ser uma mulher grávida chorona. Era hora de ser a mulher grávida vingativa e brava.

— Hum. Belo escritório, Dr. Hunter. — sorri, mas não estava feliz. Sorri do meu jeito maligno de ser.

Ele concordou e passou as mãos pelo cabelo.

— Emy, minha princesa, eu juro que eu não fiz nada. Eu estava em reunião com ela, e quando acabamos, ela me atacou. Eu não fiz nada, só quis afastá-la de mim.- disse, com os olhos assustados.

— Sei.

— Eu juro, Emy. Ela veio esfregando as tetas na minha cara. Amor, aquelas tetas não eram normais. — arregalou os olhos – Eram, sei lá… Tortos e tinha umas perebas. Deu nojo, sabia? — fez uma careta de nojo, e a minha vontade era de gargalhar.
Gabe conseguia arrumar cada coisa, viu!

— Mas você então olhou para os peitos dela, já que viu as até as perebas.

—Não! Eu só achei estranho, mas nem toquei, e nem quero. Se eu quisesse ver um par de seios, eu olharia os seus, que são perfeitos e não tem aquelas coisas. E são certinhos, meu amor. Os dela eram tortos. Eu acho que o cirurgião era vesgo, porque estavam bem estranhos. Era como se um peito fosse o norte e o outro o sul. Totalmente tortos.

Eu dei uma risada, e não sabia se era por causa da história dos peitos ou por causa do desespero do Gabe em me contar que não havia feito nada.

Ai, meu Deus, eu vou fazer xixi na roupa do tanto que o Gabe está me fazendo rir com tudo isso.

Mas, eu ainda quero saber quem é essa mulherzinha.

— Quem é a vara pau?

— É… Ah… Ela é uma cliente, a Sr. Wilson. Está se separando do marido, por isso que ela procurou os meus serviços.

Ah, ela é uma cliente. Está se divorciando, mas estava de olho no meu noivo. Safada. Se eu a pego… Ai que raiva!
– Sei. — respirei fundo – Ela não é mais a sua cliente. — falei, seriamente.

— Emy…

— Eu não a quero perto de você, Gabe. Sinto cheiro de piranha de longe. E eu sei muito bem os serviços que ela quer ter de você.

— Emy, mas ela me pagou, e eu não posso abandonar o meu trabalho.

Ele ainda quer discutir sobre a piranha? Tudo bem, querido. Eu também sei usar as armas que eu tenho.

— Tudo bem – suspirei, mas pensando no meu plano. — É o seu trabalho, né?

Ele olhou pra mim, e parece que está pensando em alguma coisa. Ele é esperto, mas eu sou muito mais.

— Então, eu estou perdoado? — perguntou, fazendo carinha de coitado.

Não!

— Sim, querido. É o seu trabalho.

Ele veio até a mim, e me beijou. Foi um beijo delicado e carinhoso. Eu queria me jogar nos braços dele, e arrancar aquela roupa e fazer amor por horas, mas a minha pequena vingança estava só começando.

— Você está tão gostosa nesse vestido, princesa. Estou louco de tesão… — disse, me abraçando. Eu me desvincilhei dele, deixando-o assustado.

— O que foi?- perguntou sem entender.

— Eu estou com fome, e os bebês também. — sorri.

— Ok. Eu vou rapidinho no banheiro, e já volto.

Concordei, e fiquei esperando ele voltar.

Eu estava louca para fazer amor com o Gabe, mas eu não baixaria a guarda. Nunca fui vingativa, mas não sei o que está acontecendo comigo. Quando eu vi aquela mulher dando em cima do Gabe, eu virei um bicho. Eu só não arranquei mais aqueles cabelos dela, porque eu tinha que controlar meu nervoso. Agora o Gabe vem com essa de que não pode abandonar o caso dela. Sim, ela é vadia, e eu tenho certeza que vai dar em cima do Gabe. Eu me garanto, e sei que ele me ama, mas tenho certeza que o Gabe iria me obrigar a largar qualquer coisa se um homem estivesse dando em cima de mim. Eu o conheço desde sempre, e sei como ele usa a lábia de advogado, mas eu sou esperta. Farei uma brincadeirinha com ele. Quero ver até quando essa pose de “não posso abandonar o caso, Emy” vai durar. Eu sei muito bem que ele pode fazer isso, porque ele já fez uma vez.

— Prontinho. — ele saiu, e eu reparei que ele havia trocado de calça.

— Trocou de calça?

— Ah, sim. Aquela lá estava muito apertada. — deu de ombros. — Vamos? — pegou a minha mão, e beijou.

— Claro. — sorri.

**

Estávamos em um dos nossos restaurantes preferidos. Era daqueles restaurantes simples, mas que tinha uma comida caseira maravilhosa. Não queria ir a um lugar cheio de executivos, e eu também estava com vontade de comer uma comida que lembrasse as da minha casa.

— Então, eu estou adiantando todos os trabalhos, para podermos ir o mais rápido possível para a casa dos nossos pais.

— Que bom, meu amor. Eu fico feliz e ansiosa em saber que logo poderemos voltar para lá. — sorri.

Eu estava ansiosa para reencontrar os nossos familiares, e poder terminar de organizar o nosso casamento.

— E você, Emy. Não vai voltar para a escola, né?

Eu nem tinha pensado nisso. Se eu voltaria ou não. Eu tenho férias acumuladas, mas não sei se iria tirá-las agora.

— Eu não sei, Gabe. Eu preciso ver e conversar. Eu não quero abandonar a minha turma.

Ele me olhou de um jeito estranho. O que será que está passando pela cabecinha dele.

— Você vai voltar? — perguntou, surpreso.

— Acho que sim. Eu ainda não pensei sobre isso. — dei de ombros, e comi mais um pouco.

— Eu não acho que isso certo. Você está grávida, e pode ser perigoso.

— Oi? — ri – Gabe, é perigoso pra quem? — perguntei.

— Pra você, princesa. Vai que você passa mal, cai ou sei lá. Eu acho que você deve repousar. Acho não, tenho certeza. — disse, com toda a convicção do mundo.

Eu queria rir. Gabe já estava começando a ficar paranoico com a gravidez. Só que quem está carregando os bebês sou eu. Eu sei que não posso exagerar, mas não vou ficar sem fazer o que eu gosto.

— Gabe, por favor. Não vai começar a ser um futuro pai e marido chato, né.

— Amor, isso não é questão de ser chato. É segurança para os meus bens mais preciosos. Se alguma coisa acontecer com vocês, eu morro.

Ai, porque a pessoa pode ser tão fofo, hein? Gabe era um mistério. Ele conseguia ser teimoso, engraçado e fofo ao mesmo tempo.

— Eu te amo, sabia? Te amo muito. — peguei as mãos dele, e segurei.

— Eu te amo muito mais, Emy. Muito mais.

Ele beijou as minhas mãos, e sorriu. Era nítido o amor que sentíamos um pelo outro. Eu o amava com todos os seus defeitos e exageros. Se ele não fosse desse jeito, ele não seria o Gabe que eu tanto amo.

— Emy? — ouvi alguém chamar o meu nome, e olhei para cima.

—Ah, meu Deus! — levantei-me, e abracei o Steven. — Quanto tempo!

— Pois é! Você sumiu, lindinha.

Eu sorri com o apelido que ele sempre me chamava.

— Ah, aconteceram tantas coisas, e…

Escutei um tossido, e me lembrei de apresentar o Gabe ao Steven.

— Ah, meu Deus, como eu sou esquecida. Steven, esse é o Gabe. Gabe, esse é o Steven. — sorri.

Steven cumprimentou o Gabe, que não estava muito feliz.

— Esse é aquele seu amigo, né? Você já me falou dele. — Steven comentou.

Olhei para o Gabe, que segurava a minha cintura, e a outra mão estava sobre a minha barriga.

— Ha Ha Ha, que engraçado esse seu conhecido, meu amor. — sorriu pra mim – Eu sou o noivo dela, Steven. Ah, quem eu quero enganar. Somos praticamente casados, porque moramos juntos e vamos ser pais. — Gabe já estava marcando o seu território, e eu evitando constrangimento.

— Noivo? Grávida? — perguntou, sem entender.

— Pois é. Eu vou me casar com o Gabe, e logo, logo serei mamãe.

— Ah, você já é mamãe, princesa.- beijou minha cabeça— E eu sou um futuro pai bem ansioso para conhecer os meus filhos. Sim, no plural, porque eu não brinco com coisa séria. Se é pra ter filho, já faz dois pra diminuir na festa de aniversário e no bolo, e pra diminuir a dor do parto, porque ai não precisa fazer outro, né?

Gabe estava sendo bem sarcástico, e eu sabia muito bem que ele estava nervoso com a presença do Steven.

— Uau, Emy, gêmeos! Quando saímos de férias, você era a Emy lindinha, e agora será a Emy mãe.

— Então, Steven. Eu mudei muito nesse tempo, e estou muito feliz. — sorri, olhando para o Gabe.

— Que bom, Emy. Eu fico feliz por você.

— Ah, você não está feliz por mim, Steven? Vou ficar chateado. — Gabe sendo sarcástico, e eu morrendo de vontade de rir.

— Por vocês, claro. — sorriu – Bem, eu vou deixá-los a sós. Espero vê-la logo, Emy.

Ele se despediu e sentou em uma mesa.

Gabe o seguiu com o olhar, e fez uma careta engraçada. Era incrível a capacidade que o Gabe tinha de ter ciúmes de qualquer pessoa.

Eu e o Gabe nos sentamos novamente, e eu esperava vir uma tonelada de perguntas sobre o Steven. Vamos com a contagem regressiva: 5,4,3,2,1…

— Quem é esse tal de Steven, Emily? -perguntou, com a cara fechada e me chamando pelo nome.

— Ele é um colega do trabalho. — falei, comendo o resto do meu doce.

— Colega de trabalho bem engraçadinho, né? “Quando saímos de férias você era a Emy lindinha, e agora será a Emy mãe” — disse, tentando imitar a voz dele, mas estava muito mais engraçado. — Você por um acaso é uma das meninas superpoderosas?

— Porquê? — perguntei, sem entender.

— O Chad te chamava de docinho e o Steven veio com lindinha. Ele vai ver a cara dele omo vai ficar lindinha de olhar para você daquele jeito.

— Que jeito, Gabe?

— Maníaco das grávidas.

Eu ri imediatamente.

— Pode rir, mas isso é sério. Ele te olhou com fome, quase que eu ofereci um dinheiro para ele comprar comida. Esse Steven é um maníaco de grávidas. Fique longe dele!

— Gabe…

— Emy, é sério! — disse, olhando novamente para o Steven, que esperava alguma coisa.

Eu não discutiria com o Gabe. Não adiantaria nada. Gabe sabe ser teimoso feito uma mula. Vir falar que o Steven era um maníaco por grávidas foi demais. Tudo bem que nós ficamos uma vez, mas não foi nada. Foi só um beijo, e não foi lá essas coisas. Mas o Gabe tinha uma imaginação enorme, que só ele poderia criar essas coisas.

**

— Amor, você se importa de ir buscar o carro sem mim? — perguntei, assim que estávamos saindo do restaurante.

— Porquê? Você está bem? Está com enjoo? Quer ir ao médico?

— Não, Gabe. Eu preciso ir ao banheiro. — falei.

— Está passando mal?

— Eu estou com vontade de fazer xixi. — sussurrei.

— Quer que eu vá com você?

— Não precisa, Gabe. É rapidinho! Pode ir pegando o carro, que eu já volto.

—Ok! Qualquer coisa, é só me mandar uma mensagem, e eu largo o carro e venho correndo.

Acenei e fui praticamente correndo ao banheiro. Que o Gabe não me veja fazendo isso.

Graças a Deus que não havia ninguém no banheiro, senão achariam que eu tinha uma torneira dentro de mim. Como pode ter tanto xixi dentro de uma pessoa? E olha que eu já havia feito antes, mas parecia que toda hora me dava vontade. Eu vou ter que andar com um penico no meio das minhas pernas.

Depois de muito tempo, porque na minha cabeça foi muito tempo. Consegui esvaziar de uma vez, graças a Deus. Lavei as minhas mãos, passei um batom, porque estava com a cara mais branca do que farinha de trigo, e sai totalmente leve.

Fui até o estacionamento, e o Gabe sorria com alguma coisa. O que será que ele deve ter aprontado?

— Desculpa pela demora, amor. — sorri, dando-lhe um beijo.

— Sem problemas, princesa. -sorriu de volta.

— O que tem de tão engraçado pra você rir? Eu estou com batom no dente? — perguntei, pegando o celular e vendo se tinha algo de errado comigo.

— Não, amor, você está ótima! Eu só me lembrei de uma coisa, mas não importa. — riu – Podemos ir?

— Aham.- ele abriu a porta do carro, e me beijou novamente.

**

Eu estava jogada no sofá, com um pijama confortável depois de ter passado mal mais uma vez. Não foi tão forte, foi só um pequeno enjoo, mas passou rápido. Já tinha comido as milhões de bolachas que o Gabe havia comprado, e tomado água. Gabe decidiu fazer um jantar, e foi algo leve, o que me ajudou ainda mais. Eu estava morrendo de sono, mas estava esperando ele acabar de trabalhar para irmos dormir.

— Princesa, pode ir para a cama. Eu já estou terminando, e já estou indo.

— Não, tudo bem. Eu quero te esperar. — olhei para ele, que estava sentado ao meu lado, com o notebook no colo.

— Tem certeza? Você está melhor? — perguntou, preocupado.- Eu me sinto mal por ter que trabalhar, e não te dar atenção.

— Estou. O enjoo passou, e eu estou bem melhor. E não fique preocupado, Gabe. Pense que logo estaremos com os nossos pais.

Ele sorriu e concordou.

Voltei a minha atenção para a televisão, que estava passando um programa sobre reformas de casas. Eu tentei achar um programa na TV para mães ou bebês, mas não havia achado nenhum naquele horário.

O telefone do Gabe tocou, e ele atendeu no seu tom profissional, mas ao olhar para mim eu sabia que não era coisa boa.

— Sr. Wilson, eu acho que está tarde para me ligar.

Ah, a vara pau estava ligando para ele? Que audácia dessa safada! E que raiva!

— Eu sei, eu sei, mas eu não posso fazer nada. Aliás, já passou do horário. Não, eu não estou no escritório. Sim, estou em casa.

Ele olhava pra mim e tremia. Está com medo do que, querido? Eu ainda não acabei com a raça dessa vagaba.

— Eu preciso desligar. Ok, nós iremos ter outra reunião. Até mais.

Ele iria mesmo ter outra reunião com ela? Gabe, não se brinca com uma mulher grávida, que está com os hormônios à flor da pele.

— Eu vou me deitar. — levantei-me, mas ele segurou o meu braço.

— Princesa, é o meu trabalho. Logo estarei livre dessa louca, já que o caso dela está acabando.

Ele acha que eu não conheço esse tipo de mulher. Ah, está enganado.

— Eu sei, querido. — disse, sarcasticamente. — É o seu trabalho, não é? Não se deve abandonar um trabalho.

— Ainda bem que você me entende, amor. — me deu um beijo.

— Eu vou me deitar, Gabe. Boa noite, querido.

— Boa noite, amor. Daqui a pouco estarei com você.

Assenti, e fui para o quarto. A cama já estava arrumada, graças a Deus. Deitei-me, e comecei a planejar uma vingancinha contra ele. Não seria nada exagerado, mas ele provaria do próprio veneno. Nunca fui vingativa, mas eu quero mostrar a mesma coisa que ele quer fazer comigo. Ah, Gabe, você me aguarda.

**

Acordei com o barulho do meu despertador. Era o horário que eu estava acostumada a acordar antes das férias. Gabe não estava na cama, porque iria cedo para o escritório. Levantei-me, fiz a minha higiene, troquei de roupa, e peguei a minha bolsa.

Fui até a cozinha, e Gabe estava lendo o jornal e bebendo café.

— Bom dia! — fui até ele, e dei um beijo.

Ele abaixou o jornal, e me olhou surpreso.

— Emy, está cedo para você estar de pé. Pode voltar a dormir.

— Não. Eu vou comer alguma coisa, e vou sair.

Gabe colocou o jornal em cima da bancada, e franziu o cenho.

— Sair pra onde?

Peguei um pacotinho de bolacha e uma fruta, e coloquei na minha bolsa.

— Vou trabalhar.

Ele arregalou os olhos, e parecia nervoso.

— Não! Você não vai trabalhar, Emily. Você passou mal ontem, e está grávida. Deve ficar de repouso.

— Quem disse? — mordi um pedaço da maça.

— A médica e eu. Eu tenho o áudio para provar. — pegou o celular.

— Nem adianta vir com o áudio, Gabe. Eu estou bem, sem enjoos. — sorri.

— Emily…- fechou os olhos, e apertou a têmpora – Por favor.

Eu até poderia ceder, mas ele merecia um castigo.

— Não adianta, querido. Eu já me arrumei, aliás, eu estou um pouquinho atrasada. Você pode me levar, ou eu chamo um táxi?

Ele olhou com cara feia pra mim, e eu nem me importei.

— Eu te levo. — resmungou.

— Obrigada, querido.

Peguei a minha bolsa, e fui abrindo a porta.

— Emy, tem certeza que quer ir trabalhar? Eu acho que…

— Eu não posso abandonar o trabalho, Gabe. Estou sendo paga, e não posso abandonar, querido. Você me entende, né?

— Isso é vingança, Emy?

— O quê? Não! Claro que não! — fiz a ingênua.

— Emy…

— Vai me levar ou não? Eu estou atrasada para o trabalho.

Ele resmungou mais uma vez, e me deixou passar.

— Ah, tranque a porta, amor. — pedi, sorrindo.

Gabe não estava feliz, mas merecei um castigo. Se ele acha que eu não faria nada, ele estava enganado. Chumbo trocado não dói. Ele não abandonaria o caso da vara pau, e eu não abandonaria o meu trabalho, por enquanto. Talvez eu saia hoje, mas ele não precisa, saber disso. Por isso que eu falo, não mexa com uma mulher grávida e com os hormônios indo à loucura. Gabe aprontou, está levando o que merece. Meu noivinho nervoso.

Gabe

Meu pai amado! Eu estava começando a pedir para todos os santos, anjos e fazendo até pedido. Comecei a rezar todas as orações que eu conhecia. Ave – Maria, pai – nosso, salve rainha, o credo, glória ao pai e tudo o que o padre ensinava. A cara dela não era das melhores, e eu sabia que viria chumbo grosso para o meu lado. Vou implorar para tudo.

— Meu amor, eu juro por tudo o que é mais sagrado, foi ela que deu em cima de mim.

Isso é verdade! Ela deu em cima de mim! Eu estava sendo o Gabe profissional. Só isso.

Ela foi andando pelo meu escritório, e se sentou na minha cadeira. Poderia ser sexy, se não fosse tão trágico a cara que ela fazia. Ela tinha raio laser no olhar.

— Hum. Belo escritório, Dr. Hunter. — sorriu, mas de um jeito maligno. Credo, que medo!

— Emy, minha princesa, eu juro que eu não fiz nada. Eu estava em reunião com ela, e quando acabamos, ela me atacou. Eu não fiz nada, só quis afastá-la de mim.- falei, com os olhos assustados.

— Sei. — a voz desconfiada dela não me enganava.

— Eu juro, Emy. Ela veio esfregando as tetas na minha cara. Amor, aquelas tetas não eram normais. — arregalei os olhos ao me lembrar daquela coisa bem na minha cara. – Eram, sei lá… Tortos e tinha umas perebas. Deu nojo, sabia? — fiz uma careta de nojo, e arrepio só de lembrar.

— Mas você então olhou para os peitos dela, já que viu as até as perebas.

Droga! Foi impossível não olhar. Eu tinha que tirá-la de perto de mim. Eu estava perdendo o ar.

—Não! Eu só achei estranho, mas nem toquei, e nem quero. Se eu quisesse ver um par de seios, eu olharia os seus, que são perfeitos e não tem aquelas coisas. Os seus são certinhos, meu amor. Os dela eram tortos. Eu acho que o cirurgião era vesgo, porque estavam bem estranhos. Era como se um peito fosse o norte e o outro o sul. Totalmente tortos.

Acho que ela usava um sutiã escadinha. Um dia e o outro embaixo.

Emy riu, então o campo estava começando a ficar limpo. Estávamos começando a nos entender.

— Quem é a vara pau?

— É… Ah… Ela é uma cliente, a sr Wilson. Está se separando do marido, por isso que ela procurou os meus serviços.

O marido foi esperto, porque senão, aquela mulher roubaria a alma dele.
– Sei. — respirou fundo – Ela não é mais a sua cliente. — falou, seriamente.

— Emy…

— Eu não a quero perto de você, Gabe. Sinto cheiro de piranha de longe. E eu sei muito bem os serviços que ela quer ter de você.

Eu também sentia cheiro de piranha, mas essa piranha estava me pagando para defendê-la, então eu faria isso. Não posso voltar atrás, mesmo querendo muito. Eu estava acabando com esse caso, e faltava pouco.

— Emy, mas ela me pagou, e eu não posso abandonar o meu trabalho.

Ela entenderia o meu lado.

— Tudo bem – suspirou— É o seu trabalho, né?

Ela aceitou tão fácil assim? Não, isso tinha alguma coisa por trás. Tinha alguma malandragem ou era uma pegadinha. Mulher quando aceita muito fácil, é porque não ela aceitou muito bem. Aquela mágoa fica guardada dentro dela, e eu conheço a Emy, mas ela não fari nada, né? Eu sou o amor da vida dela.

— Então, eu estou perdoado? — perguntei, fazendo carinha de coitado.

— Sim, querido. É o seu trabalho.

Ah, essa é a minha noiva. Compreensiva e inteligente. Ela sabe que eu sou louco por ela, e que não me atreveria a traí-la com ninguém. Ela é tudo pra mim, e eu ficaria louco sem ela ao meu lado.

— Você está tão gostosa nesse vestido, princesa. Estou louco de tesão… — falei, abraçando-a. Ela se desvincilhou de mim, e eu achei que tinha feito algo de errado.

— O que foi?- perguntei sem entender.

— Eu estou com fome, e os bebês também. — sorriu.

— Ok. Eu vou rapidinho no banheiro, e já volto.

Corri para o banheiro, e respirei fundo. Eu estava duro, porra. Como eu ia almoçar o negócio duro desse jeito? Liguei a torneira, e comecei a jogar água fria. Joguei tanta água, que eu estava parecendo o rio Amazonas.

Porra, ela me deixou na mão, e estava usando vestido. Eu amo quando ela usa vestido, mas só para os meus olhos. Comecei a pensar em processos, filmes de terror, e eu só jogando água para ver se abaixava. Depois de me certificar que estava tudo bem com o cara lá embaixo, eu troquei de cueca e de calça, senão ela acharia que eu tinha feito xixi na roupa.

— Prontinho. — sai do banheiro, e sorri. Ainda estava querendo outra coisa, mas ela e os nossos filhos estavam com fome, então eu iria alimentá-los.

— Trocou de calça?

— Ah, sim. Aquela lá estava muito apertada. — dei de ombros, arrumando uma desculpa— Vamos?

— Claro. — sorriu.

**

O restaurante era um dos preferidos dela. Fiz questão de trazê-la, porque era mais uma parte do meu pacote do meu pedido de desculpas. Queria agradá-la e mostrar que ela é o amor da minha vida. Não importa se esfregar as tetas na minha cara. A Emy sempre seria a minha linda, e com os seios mais lindos que eu já vi, e serei o único a ver.

— Então, eu estou adiantando todos os trabalhos, para podermos ir o mais rápido possível para a casa dos nossos pais. — falei, animado com a volta para a nossa casa.

— Que bom, meu amor. Eu fico feliz e ansiosa em saber que logo poderemos voltar para lá. — sorriu.

Estávamos contando os dias para acabarmos de organizar o nosso casamento, para irmos à lua de mel e nos acabar de tanto amor. Eu estava adiantando tudo o que era possível, porque não queria interrupções nas minhas férias com a minha futura mulher.

— E você, Emy. Não vai voltar para a escola, né?

Eu tinha que perguntar, porque ela não havia mencionado nada comigo se voltaria ou não.

— Eu não sei, Gabe. Eu preciso ver e conversar. Eu não quero abandonar a minha turma.

E eu não queria que ela voltasse agora. Eu sei que é o trabalho dela, mas sei lá. Eu acho que ela deve cuidar dos nossos bebês. E depois voltar para a escola.

— Você vai voltar? — perguntei, surpreso.

— Acho que sim. Eu ainda não pensei sobre isso. — deu de ombros.

Eu amo crianças, mas a Emy estava grávida de gêmeos, e poderia ser perigoso ela ficar em pé muito tempo, ou se abaixar para falar com algum aluno.

— Eu não acho que isso certo. Você está grávida, e pode ser perigoso.

— Oi? — riu – Gabe, é perigoso pra quem? — perguntou..

— Pra você, princesa. Vai que você passa mal, cai ou sei lá. Eu acho que você deve repousar. Acho não, tenho certeza. — falei, com toda a convicção do mundo.

Eu tinha pesquisado sobre isso, e acho certo ela fazer repouso. Os pés podem inchar, e ela sentir dor. Eu não estarei por perto, e eu não sei se aguentaria vê-la tão mal, sendo que ela pode ter um descanso.

— Gabe, por favor. Não vai começar a ser um futuro pai e marido chato, né.

— Amor, isso não é questão de ser chato. É segurança para os meus bens mais preciosos. Se alguma coisa acontecer com vocês, eu morro.

— Eu te amo, sabia? Te amo muito. — pegou as minhas mãos e segurou.

— Eu te amo muito mais, Emy. Muito mais.

Um simples gesto de beijar a mão dela já era motivo de desejo. Eu sentia desejo em tudo que envolvia a Emy. Era incrível. Será que estou virando obcecado? Mas eu não posso fazer nada. Ela é sexy pra caralho, e sabe usar isso para me enfeitiçar. Ela era uma bruxa gostosa. Minha bruxinha.

— Emy? — ouvi alguém chamar o seu nome, e olhei para cima.

—Ah, meu Deus! — ela levantou correndo, e abraçou o homem que estava na nossa frente. — Quanto tempo!

Quem é esse bastardo? Não fui com a cara dele.

— Pois é! Você sumiu, lindinha.

O caralho que vai chamar a minha mulher de lindinha. Vou dar uma de macaco louco e dar uma voadora nesse cara. Lindinha é o caralho!

— Ah, aconteceram tantas coisas, e…

E eu aqui esperando ser apresentado, e nada. Prepare-se Steven, a minha entrada triunfal nessa conversa, que nem deveria ter começado.

— Ah, meu Deus, como eu sou esquecida. Steven, esse é o Gabe. Gabe, esse é o Steven. — sorriu.

Ele estendeu a mão pra mim, e eu cumprimentei por educação, porque se fosse por vontade, eu tinha dado um golpe de mestre bem no meio da cara dele.

— Esse é aquele seu amigo, né? Você já me falou dele.

Aquele seu amigo? Respira Gabe, respira. Vamos dar uma analisada na figura que se chama Steven. Alto, forte, não muito, mas forte. Cabelos curtos e escuros. Mas uma coisa me chamou atenção, ele tem mamilos. Caraca, ele tinha uns mamilões, viu? Só não ganhava da teta de pereba. Eu ia zoar com a cara dele.

— Ha Ha Ha, que engraçado esse seu conhecido, meu amor. — sorri pra ela– Eu sou o noivo dela, Steven. Ah, quem eu quero enganar. Somos praticamente casados, porque moramos juntos e vamos ser pais.

— Noivo? Grávida? — perguntou, sem entender.

Isso ai, sr. mamilos. Ela está grávida! Chupa!

— Pois é. Eu vou me casar com o Gabe, e logo, logo serei mamãe.

— Ah, você já é mamãe, princesa.- beijei a cabeça dela, mostrando a nossa cumplicidade — E eu sou um futuro pai bem ansioso para conhecer os meus filhos. Sim, no plural, porque eu não brinco com coisa séria. Se é pra ter filho, já faz dois pra diminuir na festa de aniversário e no bolo, e pra diminuir a dor do parto, porque ai não precisa fazer outro, né?- brinquei, mas, no fundo, estava querendo é dar uma avada kedavra nele.

— Uau, Emy, gêmeos! Quando saímos de férias, você era a Emy lindinha, e agora será a Emy mãe.

E você será o Steven sem mamilos. Idiota!

— Então, Steven. Eu mudei muito nesse tempo, e estou muito feliz. — sorriu, olhando para mim.

— Que bom, Emy. Eu fico feliz por você.

— Ah, você não está feliz por mim, Steven? Vou ficar chateado. — na escola do sarcasmo, eu já tenho doutorado.

— Por vocês, claro. — sorriu – Bem, eu vou deixá-los a sós. Espero vê-la logo, Emy.

Ela vai te ver no seu velório, sr. mamilos.

Segui ele com o meu olhar, imaginando uma morte bem lenta para ele. Arrancar aqueles mamilos seria um bom começo.

Sentamo-nos novamente, e a minha língua estava coçando para saber quem ele era, e de onde ela o conhecia.

— Quem é esse tal de Steven, Emily? -perguntei, com a cara fechada.

— Ele é um colega do trabalho. — falou, comendo o resto do doce.

— Colega de trabalho bem engraçadinho, né? “Quando saímos de férias você era a Emy lindinha, e agora será a Emy mãe”. Você por um acaso é uma das meninas superpoderosas?

— Porquê? — perguntou, sem entender.

— O Chad te chamava de docinho e o Steven veio com lindinha. Ele vai ver a cara dele como vai ficar lindinha se olhar para você daquele jeito.

— Que jeito, Gabe?

— Maníaco das grávidas.

Ela riu, mas era verdade. Existe homens que ficam maníacos com mulheres grávidas. E a minha mulher iria ser uma dessas.

— Pode rir, mas isso é sério. Ele te olhou com fome, quase que eu ofereci um dinheiro para ele comprar comida. Esse Steven é um maníaco de grávidas. Fique longe dele!

— Gabe…

— Emy, é sério! — falei, olhando novamente para o Steven, que esperava alguma coisa.

Eu marcaria território, e foda-se se ela achar ruim. Ele não chegaria perto dela, nem por cima do meu cadáver.

**

— Amor, você se importa de ir buscar o carro sem mim? — perguntou, assim que estávamos saindo do restaurante.

— Porquê? Você está bem? Está com enjoo? Quer ir ao médico?

— Não, Gabe. Eu preciso ir ao banheiro. — falou.

— Está passando mal?

— Eu estou com vontade de fazer xixi. — sussurrou.

— Quer que eu vá com você?

— Não precisa, Gabe. É rapidinho! Pode ir pegando o carro, que eu já volto.

—Ok! Qualquer coisa, é só me mandar uma mensagem, e eu largo o carro e venho correndo.

Fui até o estacionamento, e parei com o carro perto da porta do restaurante. Desci, e fiquei esperando-a. Steven veio até a mim, e eu enchi o peito de ar, e olhei com desdém para ele.

— A Emy está ai?

— Não. — fui curto e grosso.

— Você não foi muito com a minha cara, né?

— Uau! Cara, você é inteligente. — sorri com falsidade.

— Eu ainda não acredito que a Emy vai casar e ter filhos.

— Quer ver o ultrassom?

— Parece que você é bem sarcástico.

— Eu? Imagina, Steven. Nem sei o que é sarcasmo.

— A Emy escolheu um noivinho, hein! — ele falou baixo, mas eu escutei muito bem.

— Um noivo lindo, eu sei. E que ão tem mamilos. Você disputa com mulheres grávidas?

— Como assim?

— Com um tamanho desse seu mamilo, deve sair um litro de leite. Mais do que os seios de uma grávida. Isso não é justo com elas.

— Olha aqui…

— Quer que eu compre um sutiã? Me falaram que aqueles de amamentação são bons. Mas tem os de aro com bojo né?

Ele fechou a cara o olhou para o seu peito. Ele sabia que tinha mamilos, então não falei nada que ele não soubesse.

— Já pensou em fazer uma mamoplastia? Seria legal.

Ele olhou incrédulo pra mim, e saiu. Gente, eu só falei verdades. A verdade dói em algumas pessoas. Eu não tenho culpa que ele mexeu comigo. Falou, levou troco.

Encostei no carro, e ria sem parar da careta que ele havia feito.

— Desculpa pela demora, amor. — sorriu, dando-me um beijo.

— Sem problemas, princesa. -sorri de volta.

— O que tem de tão engraçado pra você rir? Eu estou com batom no dente? — perguntou.

— Não, amor, você está ótima! Eu só me lembrei de uma coisa, mas não importa. — ri – Podemos ir?

— Aham.- abri a porta pra ela, e a beijei.

**

Eu estava trabalhando na sala junto com Emy. Ela havia passado mal, e eu fiquei louco de preocupação. Ela pediu para que eu fosse trabalhar, mesmo eu insistindo em ficar com ela.

— Princesa, pode ir para a cama. Eu já estou terminando, e já estou indo. — pedi mais uma vez. Eu vi o quanto ela estava cansada, mas ela queria estar perto de mim.

— Não, tudo bem. Eu quero te esperar. — olhou pra mim, e eu sorri.

— Tem certeza? Você está melhor? — perguntei, preocupado.- Eu me sinto mal por ter que trabalhar, e não te dar atenção.

— Estou. O enjoo passou, e eu estou bem melhor. E não fique preocupado, Gabe. Pense que logo estaremos com os nossos pais.

Ah, nossa família e o nosso casamento era o que eu mais queria naquele momento.

Meu telefone tocou, e eu sabia que era trabalho. Assim que eu vi o nome, eu quase tive um enfarto. A teta de pereba me ligando agora? Só Jesus na causa.

— Sr. Wilson, eu acho que está tarde para me ligar.

Olhei para a Emy, que me olhava de um jeito predadora.

— Gabe, o meu ex não quer me atender. O que eu posso fazer? Ele não quer falar comigo. Você está em casa? Eu posso ir ai? — chorava desesperada.

E eu lá sou psicólogo pra ficar ouvindo reclamações?

— Eu sei, eu sei, mas eu não posso fazer nada. Aliás, já passou do horário. Não, eu não estou no escritório. Sim, estou em casa.

Eu olhava para a Emy e tremia. Só faltava essa louca aparecer aqui. Ai a Emy me mata e enterra.

— Eu preciso falar com você, Gabe. Podemos ter outra reunião? O mais rápido possível?

— Eu preciso desligar. Ok, nós iremos ter outra reunião. Até mais.

Olhei para a Emy, que não estava nada feliz.

— Eu vou me deitar. — levantou-se, mas eu segurei o seu braço. Não queria que ela ficasse brava comigo. Era o meu trabalho.

— Princesa, é o meu trabalho. Logo estarei livre dessa louca, já que o caso dela está acabando.

— Eu sei, querido. É o seu trabalho, não é? Não se deve abandonar um trabalho.

— Ainda bem que você me entende, amor. — dei um beijo, e sorri.

— Eu vou me deitar, Gabe. Boa noite, querido.

— Boa noite, amor. Daqui a pouco estarei com você.

Eu me joguei no sofá e continuei trabalhando. Eu já estava cansado de ler processos, assinar e ver várias burocracias. E eu ainda estava resolvendo uma surpresa para a Emy. Eu escolhi o lugar do nosso casamento, mas ela só saberia quando estivermos na casa dos nossos pais. Era o lugar certo. O nosso lugar.

Eu já estava exausto quando fui para cama. Deitei-me colado ao meu amor, e dormi rapidamente.

**

Acordei cedo para trabalhar. Eu daria uma passadinha no escritório, mas voltaria antes mesmo da Emy acordar. Fiz a minha higiene, coloquei o meu terno de advogado sério e fui tomar o café. Peguei o jornal, e fui comecei a ler enquanto tomava o meu café tranquilamente.

— Bom dia!

Abaixei o jornal, e me assustei ao ver a Emy em pé tão cedo. Ela deveria descansar.

— Emy, está cedo para você estar de pé. Pode voltar a dormir.

— Não. Eu vou comer alguma coisa, e vou sair.

Oi? Ela vai o quê? Ela vai se encontrar com alguma amiga?

— Sair pra onde?

Olhei para a roupa dela, e não estava casual. Era normal, mas sexy ao mesmo tempo.

— Vou trabalhar.

O quê? Ela vai trabalhar? Só por cima do meu cadáver. Ela não sairia daqui. Será que ela não pensava no perigo?

— Não! Você não vai trabalhar, Emily. Você passou mal ontem, e está grávida. Deve ficar de repouso.

— Quem disse? — mordeu um pedaço da maça.

— A médica e eu. Eu tenho o áudio para provar. — peguei o celular e fui procurar nos áudios. Eu tenho a prova.

— Nem adianta vir com o áudio, Gabe. Eu estou bem, sem enjoos. — sorriu.

— Emily…- fechei os olhos, e apertei a minha têmpora – Por favor.

— Não adianta, querido. Eu já me arrumei, aliás, eu estou um pouquinho atrasada. Você pode me levar, ou eu chamo um táxi?

Ela iria mesmo? Droga! O sr mamilos estaria lá, e daria em cima dela, com aquele papo de “oi, lindinha” Lindinho é o meu cu, idiota! Arg! Mas ela não desistiria de ir. Eu a conheço bem demais para saber que ela era insistente quando queria alguma coisa.

— Eu te levo. — resmunguei sim, e não estou nem ai.

— Obrigada, querido.

Pegou a minha bolsa, e foi abrindo a porta. Eu tentaria mais uma vez.

— Emy, tem certeza que quer ir trabalhar? Eu acho que…

— Eu não posso abandonar o trabalho, Gabe. Estou sendo paga, e não posso abandonar, querido. Você me entende, né?

Ela está virando o jogo contra mim? Ela usou as mesmas frases que eu usei com ela. Emy sabe ser vingativa.

— Isso é vingança, Emy?

— O quê? Não! Claro que não!

— Emy…- eu sabia muito bem que era por causa da sr. Wilson.

— Vai me levar ou não? Eu estou atrasada para o trabalho.

A minha vontade era de agarrá-la, e mostrar como é bom ficar comigo na cama, mas não adiantaria. Essa mulher é teimosa.

— Ah, tranque a porta, amor. — pediu, sorrindo.

E saiu. Porra de mulher teimosa. Ela trabalharia, mesmo sabendo que não estava boa. O pior de tudo isso, era o sr. mamilos que estaria ao lado dela o tempo todo, e rondando com aquele papo de amizade. Amizade pé o cacete! Isso ai é interesse. Ai, se eu pego esse maníaco de grávidas, eu aperto aquelas tetas, e torço igual as bolas dele.

Emy tinha tomado uma decisão porque eu não desisti da Sr. Wilson. Só sei que eu aprendi uma coisa: não se brinca com mulher grávida, em hipótese alguma. A minha está me dando uma lição, que eu terei que reverter.