Eternamente
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Gêmeos? Minha Nossa Senhora das mães desesperadas, eu teria dois bebês. Eu mal descobri que teria um filho, e agora irão vir dois de uma vez só. Senti o meu coração palpitar, a respiração falhar. Olhei para o Gabe, querendo pedir ajuda, mas ele estava mais paralisado do que eu.
— Emily, você está bem? — a médica perguntou, mas eu não conseguia falar.
Eu queria dizer, mas não conseguia falar. Gabe saiu do seu transe, e me olhou assustado.
— Ela está com falta de ar. — ele pegou a minha bolsa, e me entregou a bombinha.
— Está melhor? — eles perguntaram.
— Sim. Doutora, tem certeza de que tem dois bebês ai dentro?
— Certeza, Emily. Vocês terão dois filhos.
Pois é. Eu realmente estou grávida de gêmeos. Não que eu não queira. Eu já amo muito esse filho. E estou ansiosa para conhecer o rostinho, poder beijar e sentir o cheirinho dele. Mas ainda é impactante saber que virão dois de uma vez. É um mundo novo, e que eu ainda não me acostumei.
— Escutem o outro coração.
Assim que eu escutei, não aguentei e comecei a chorar. Dois de uma vez só. Isso era uma benção! Sei que nãos erá fácil, mas eu tenho o Gabe ao meu lado. Meus pais e meus amigos. Vai dar tudo certo.
— Olha o nosso outro bebê, Gabe. — falei, não conseguindo conter a emoção.
— Eu nem sei o que dizer, meu amor. Muito obrigada pelo melhor presente que eu poderia ganhar na vida. — sorriu, e beijou os meus cabelos.
Assim que a doutora acabou o exame, eu fui me trocar. Arrumei os meus cabelos, e fui até o Gabe, que estava sentando e conversando com ela.
— Bem, eu queria dizer que estou muito feliz em saber que vocês terão gêmeos. Tem muitos pais que sonham com isso. E vocês foram privilegiados.
Eu olhei para o Gabe, e sorri. Sim, nós eramos sortudos e abençoados. Nós seremos pais de dois anjinhos.
— Porém, toda a gravidez requer um cuidado, principalmente gravidez de gêmeos.
Riscos? Será que eu tinha algum problema? Quando eu ia perguntar, o Gabe se adiantou.
— Que riscos? O que ela tem? Ela está com a pressão alta? Os bebês estão em risco? O que está acontecendo?
— Gabe, acalme-se, senão daqui a puco é você que vai passar mal. — coloquei as mãos em seu ombro, tentando fazê-lo se acalmar.
— Como eu vou ficar calmo, sendo que eu descobri que a gravidez é de risco. E se você, ou os nossos filhos… Eu não quero nem pensar. — respirou fundo.
Eu também estava com medo, e acho que toda mãe fica desse jeito, não é? Dá aquele medo de alguma acontecer com o nosso filho, no eu caso, com os meus filhos.
— Gabe, a Emy tem uma boa saúde, Tirando as alergias e o leve problema respiratório dela, que não tem nada com a gravidez. A saúde dela está perfeita. — a médica sorria, tentando nos tranquilizar, ou melhor, tranquilizar o Gabe.
— Mas porque você disse que era de risco? Eu preciso saber. — ele falava de um jeito autoritário, mas muito charmoso.
— Gabe, toda a gravidez requer cuidados. No caso da Emy, é por causa dos gêmeos. Eles estão bem, mas em alguns casos, os bebês nascem prematuros.
— Mas… — eu ia dizer, mas fui interrompida pelo desespero do Gabe.
— Prematuros? Meus filhos não nascerão prematuros, não é? Eles vão ficar os 9 meses na barriga da minha mulher, ou você acha que eles nascerão antes do tempo?
— Gabe, os bebês…
— Espera ai. — ele interrompeu, e eu achei que ele não faria nada. Mas quando eu o vi pegando o celular, fiquei curiosa com o que ele faria.
— Pronto, pode falar.
— Gabe, o que é isso? — perguntei, sussurrando em seu ouvido.
— Eu vou gravar tudo o que ela dizer, princesa. Eu quero ter gravado para não esquecer cada palavra que ela disser. Quero saber os riscos, o que você deve evitar e tudo mais.
— Não precisa, eu posso anotar, Gabe. — a médica nos disse.
— Não! E quero gravar, porque quando alguém teimar comigo – ele olhou pra mim – eu mostro o áudio. Pronto, pode falar tudo o que a gente precisa saber.
Ai meu Deus! Só o Gabe mesmo para vir com essa ideia de gravar as recomendações da doutora. Posso com isso, gente? Eu poderia me irritar, mas sabe o que é pior? Eu acho isso fofo! Ele está se preocupando, e está no modo Gabe fofo. Eu caio de amores quando ele fica desse jeito, mesmo com toda essa preocupação.
A médica falou tudo o que o Gabe perguntava. Os cuidados que eu tinha que ter com a alimentação, o que eu deveria evitar. As vitaminas que eu deveria tomar e tudo mais.
— Eu espero que tenha tirado todas as dúvidas de vocês. — ela disse, olhando para o Gabe.
— Por enquanto, sim. — Gabe respondeu.
— Sim, muito obrigada, doutora. Não temos como agradecer por você nos tirar todas as nossas dúvidas.
— Ah, só mais uma, e eu juro que é a última.
Argh! Qual será a próxima pergunta do Gabe, meu Deus? Ele já havia perguntado tudo o que eu poderia imaginar.
— Então, eu quero saber sobre o sexo. Eu e Emy temos um apetite alto, daqueles que só de olhar, já ficamos com vontade. Mas agora temos os bebês, e isso pode ser perigoso. Quais os cuidados que devemos ter? — perguntou seriamente.
O que? Ai, Jesus, só o Gabe para me fazer passar essa vergonha. Qual a razão de ele falar sobre o nosso apetite? Que vergonha. Ele parecia bem sério em relação à pergunta.
— Você fez bem em me perguntar, Gabe. Muitos casais ficam com vergonha, mas é algo normal. Sobre o sexo, vocês podem continuar fazendo tranquilamente, eu só peço que tenham cuidado, porque não se pode exagerar, não é? Aproveitem enquanto a barriga não cresce. — ela riu, me deixando mais envergonhada ainda.
Gabe sorriu e agradeceu. Eu fiz e o mesmo, e agradeci por tudo, até pela paciência pelo surto que eu tive.
Ao sairmos, os nossos pais estavam nos esperando. Minha mãe estava balançando as pernas, então era sinal de ansiedade. Assim que ela nos viu, ela correu até nós.
— Filha, que demora. Aconteceu alguma coisa?
Eu olhei para o Gabe, que sorria todo orgulhoso.
— Bom… — respirei fundo — Vocês serão avós… de gêmeos.
E foi uma alegria. Todo mundo se abraçou, Gabe não parava de falar que seria pai de gêmeos, que um era pouco pra ele. Estavam todos emocionados e felizes além da conta.
**
Á noite, nós saímos para comemorar. Escolhemos um pequeno restaurante que tinha uma comida caseira maravilhosa. Estávamos comemorando as boas notícias e a calmaria que a nossa vida estava.
— Você não pediu nada muito forte, né? Você sabe que pode fazer mal se você comer algo muito forte. Pode afetar os bebês.
Começou. Demorou para o Gabe começar a ficar com essa preocupação toda. Eu sabia que ele ficaria desse jeito.
— Gabe… – respirei fundo – Não, eu não pedi nada forte, querido. — apertei o queixo dele.
Ele sorriu, e me desarmou inteira. Maldito sorriso.
— Que bom que estamos reunidos aqui. Precisamos falar sobre o nosso casamento, Emy. — disse, feliz. — Nosso casamento deve sair no máximo um mês. — falou, decido.
— Gabe, isso é impossível. Não tem como um casamento sair em um mês. — falei, encabulada.
— Um mês, ou eu te sequestro e te levo a Vegas, e nós nos casamos lá mesmo.
Meu pai olhou feio para o Gabe, que sorriu.
— Brincadeira, padrinho. É uma pegadinha.
— Acho bom mesmo. — papai disse.
— Então, mamãe e madrinha, vocês acham que conseguem fazer um casamento em um mês? — Gabe perguntou.
— Gabe…
Minha mãe olhou pra mim e piscou.
— Até em menos de vocês quiserem. Nós continuamos planejando o casamento de vocês, mesmo com a separação, porque sabíamos que voltariam. Então faltam só escolher o jeito que querem os convites, e os vestidos, porque o resto nós já fizemos.
— Como assim? — perguntei.
— Filha, eu conheço o seu gosto, e naquele dia que fizemos a reunião você adiantou como queria o casamento, e onde queria. Então ficou mais fácil. Se você quiser mudar alguma coisa, tudo bem, mas ficou a cara de vocês.
— Vocês são fodas! — Gabe sorriu ao dizer. — No bom sentido, claro.
— Bem, já que está quase tudo planejado, então teremos um casamento em breve. E assim fica té fácil para achar um vestido, já que logo, logo eu terei um barrigão.- alisei a minha barriga.
Fizemos um brinde ao amor e ao futuro. O futuro que eu estava começando a planejar com o Gabe.
**
Após dois dias aqui em casa, nossos pais tiveram que ir embora. Eu já estava com saudades, mas logo em alguns dias estaríamos com eles. A minha gravidez estava começando a ficar aparente. Eu já tirava várias fotos, e não parava de imaginar o meu barrigão. Gabe estava ficando paranoico de tanta preocupação. Ele disse que eu estava proibida de usar saltos, que não deveria me abaixar e ainda queria me dar banho. Já estou vendo que ficarei louca até o fim da gestação. Nem trabalhando ele está indo, porque acha que pode acontecer alguma coisa comigo. Aliás, ele só foi ao escritório hoje para algumas reuniões, mas não para de me ligar. Sempre pergunta as mesmas coisas.
Decidi preparar um jantar para ver se ele se acalmava um pouco o ânimo do meu futuro maridinho. Peguei os ingredientes na geladeira e coloquei na bancada da cozinha. Mas, assim que me virei para pegar a panela, eu senti um embrulho no estômago, e corri para o banheiro. Por pouco que eu não chego. Levantei a tampa da privada, e coloquei tudo pra fora. Eu não sabia que tinha tanta coisa no meu estômago. Encostei a minha cabeça em meu braço, e suspirei. Escutei uma porta abrindo, e logo veio a voz do Gabe.
— Princesa, cadê você? Cheguei!
Eu não tinha forças para gritar, e eu senti o meu estômago fazer aquele barulho estranho de novo.
Percebi que os passos dele estavam mais firmes, e estavam mais próximos do banheiro. Olhei para a porta, e ele apareceu com a cara fechada.
— Gabe… — comecei a vomitar, e parecia que eu ficava mais fraca.
Gabe veio até a mim, e segurou os meus cabelos. Ele parecia querer me acalmar, e passava as mãos pelas minhas costas.
— Calma, meu amor. — ele repetia – Você está melhor?
Eu balancei a cabeça positivamente.
— Venha, eu vou te levar para o quarto.
— Não, eu preciso escovar os dentes. — sussurrei.
Gabe me segurou diante da pia, e praticamente me ajudou a escovar os dentes. Ele me pegou no colo, e me deitou na cama.
— Obrigada. — sorri, mostrando que eu estava melhor.
Ele ficou me olhando, até que me abraçou de leve.
— Eu fiquei com medo quando eu te vi passando mal. Ainda bem que eu estava chegando. Por isso que eu não vou mais ao escritório.
— Não precisa ser assim, Gabe. A doutora disse sobre os enjoos. Eu só estranhei, porque eu estava bem. Iria até fazer um jantar para você, mas eu comecei a passar mal.
— Eu acho melhor eu te levar ao médico. Vai saber se pode piorar. Ou sei lá.
— Eu estou bem, juro. — falei, com sinceridade.
Ele pensou um pouco, mas acabou aceitando que estava tudo bem.
Aconcheguei-me em seus braços, e acabei adormecendo.
**
Acordei bem melhor do que a noite anterior. Gabe não estava ao meu lado, então me levantei e fiz a minha higiene. Sai do quarto, e me deparei com o Gabe chegando.
— Bom dia, princesa. Como você está? Está se sentindo mal? Quer se sentar? Está com enjoos?
— Ei, calminha. — sorri – Eu estou melhor.
Olhei para as suas mãos, e reparei que tinha algumas sacolas.
— Foi ao mercado? — perguntei.
Ele colocou as compras em cima da bancada, e veio até a mim para me dar um beijo.
— Fiz algumas compras básicas, e comprei as suas vitaminas. — disse, sorrindo.
— Hum. O que o senhor dono de casa comprou de bom?
— Bolachas de água e sal, gengibre, limão, algumas folhas para fazer chá, água com gás e algumas frutas.
Olhei para a sacola, e parecia que ele tinha assaltado o mercado.
— Gabe, você deixou alguma coisa no mercado?
— Por que?
— Olha um monte de coisa que você trouxe. Quem vai comer esse monte de pacote de bolacha? E essas folhas de chá?
— Você.
— Ah? Eu? — perguntei, sem entender.
— Claro! Isso faz bem para os enjoos na gravidez. A bolacha de água e sal é bom comer logo pela manhã, porque os carboidratos suaves são mais fáceis de serem ingeridos, assim como as frutas. O gengibre é bom para amenizar os enjoos, seja ele cru ou em chá. Os chás de camomila, menta ou folhas de framboesa ajudam na digestão, então evita as náuseas, já o limão, bem, dizem que é bom ter aromas ácidos ou azedos por perto. — falava, enquanto guardava as compras.
Oi? Gabe me deu uma aula de alimentos para evitar enjoos?
— Gabe, você é formado em medicina?
Ele riu.
— É sério. Onde você soube de tudo isso?
Ele veio até a mesa, e colocou o pacote de bolachas sobre a minha mesa, junto com a água com gás.
– Eu pesquisei, e li na internet um livro sobre isso. — deu de ombros.
— Ah, que lindo. — sorri, dando-lhe um beijo.
— Nem pra ter um cafezinho.
— Café não pode. Você deve evitar tudo que tem cafeína.
— Sim, doutor.
Ele riu, e comecei a comer.
**
Gabe teve que resolver um problema no escritório. Ele não queria, mas eu o convenci. Meu estômago já estava bem melhor, e aquelas bolachas me fizeram muito bem. Eu estava tão bem, que decidi fazer uma surpresinha para o meu noivo lindo. Ele foi tão atencioso comigo, que eu resolvi ir ao escritório, e sairmos para almoçar e depois ter um sexo enlouquecedor naquela mesa de advogado.
Coloquei um vestido, e a minha barriguinha estava aparecendo. E eu achei que essa barriga fosse gordura. Ai, que inocência. Chamei um táxi, já que o meu noivo superprotetor me proibiu de andar no meu carro.
Alguns minutos depois, cheguei ao prédio, e nem precisei de identificação, já que eles me conheciam. Cumprimentei a todos, e fui até o andar em que o Gabe trabalhava.
— Boa tarde. — cumprimentei a moça da recepção.
— Srta. Campbell, que prazer revê-la.
— O Gabe está? — perguntei, sorrindo.
— Sim. Ele está acabando a reunião, mas a srta pode esperar perto da sala dele, que eu vou avisá-lo que a srta está aqui.
— Ah, eu acho que vou esperar aqui mesmo, não quero atrapalhar.
— Bem, o Sr. Hunter disse que eu poderia interromper qualquer coisa que ele estivesse fazendo se o assunto você relacionado a noiva dele, que é a srta Emily Campbell. — sorriu pra mim.
Já que ele quer desse jeito. Pedi para que ela não avisasse, porque queria fazer uma surpresa. Cheguei perto da sua sala, quando eu percebi que a porta estava um pouco aberta. Achei que eu poderia entrar, então nem bati.
— Gabe, meu amor… Que porra é essa? — gritei.
Tinha uma mulher loira quase esfregando os peitos na cara dele. Gabe tentava afastá-la, mas a mulher insistia.
— Emy, eu… Droga, eu juro que não fiz nada. Eu juro pela Nossa Senhora dos noivos inocentes e apaixonados. Eu juro! Juro mesmo!
Fui até a vara pau de vestido, e a tirei longe do meu noivo.
— Quem é você para vir até a sala do Gabe, e me tratar desse jeito?
Ela ainda pergunta quem eu sou? Eu sou o capeta que vai te levar pro inferno.
— Eu sou a noiva dele, querida. — falei, com a voz mais alta possível.
— Noiva?- perguntou, fazendo uma careta.
— Pois é, querida. Noiva e mãe dos filhos dele. Quer mais?
Ela me olhou com raiva, e eu quis provocar ainda mais. Agarrei o Gabe pela camisa, e praticamente fizemos um sexo com o nosso beijo. Eu nem sabia mais o que estava fazendo. Eu o afastei, e olhei para a magricela na minha frente.
— Está olhando tanto, quer participar, querida? Só que não. — dei uma risada.
A vadia pegou a bolsa rosa choque ofuscante, e saiu toda nervosinha.
— Isso mesmo, é pra ir embora e ficar longe, sua vara pau. — Gritei.
— Emy…
Olhei para o Gabe, levantei as sobrancelhas e fiz a minha cara de mal.
— Você está tão linda, meu amor. Tão… radiante. — falou, sorrindo pra mim.
Ah, Gabe, eu conheço o seu jogo, querido. Sei muito bem que está tentando me agradar, mas eu sou muito mais esperta. Muito mais. Você não fez nada de errado, mas olhou para os peitos dela, porque eu vi. Você me paga.
Gabe
Gêmeos, gêmeos, gêmeos, gêmeos… Essa pequena palavra ainda martelava na minha cabeça. Eu seria pai de dois bebês de uma vez só. Teríamos fraldas em dobro, mamadeiras, chupetas, brinquedos, cocôs, hora do banho, desenhos a mais na televisão, choro, leites, roupas e tudo o que poderia envolver dois bebês. É óbvio que eu estou feliz, mas é assustador saber que quando decidi ter um filho, eu já fiz dois de uma vez só. Eita porra, a minha genética é boa. Eu não brinco em serviço. O negócio aqui é foda! Mas ainda é assustador. Como eu vou saber cuidar de um bebê? E se os dois chorarem na mesma hora? Ah, meu Deus!
— Emily, você está bem? — a médica perguntou para a Emy, e isso fez com que eu saísse dos meus pensamentos.
Percebi que ela estava começando a respirar com dificuldade. Droga!
— Ela está com falta de ar. — peguei a bombinha dela, que eu sabia que ficava dentro da sua bolsa, e lhe entreguei.
Esperei a respiração dela voltar ao normal, e só assim eu pude me tranquilizar
— Está melhor? — perguntamos.
— Sim. Doutora, tem certeza de que tem dois bebês ai dentro? — ela aparecia mais apavorada do que eu.
— Certeza, Emily. Vocês terão dois filhos.
Dois filhos. Dois! Imagina se forem dois meninos. Porra, eles vão arrasar por ai. Meninas, cuidado! Mas, e se forem duas meninas. Senhor da glória! Eu infarto antes de elas irem para a pré-escola. Se for um casal. Bem, pelo menos terá um irmão para defendê-la. Mas mesmo assim, eu espero que seja dois meninos, porque quero viver muito ainda.
— Escutem o outro coração.
Acho que não tem som mais bonito do que o som do coração de um filho, que está batendo dentro da mulher que eu amo. Meus filhos, que estão saudáveis e vão crescer forte dentro da Emy.
— Olha o nosso outro bebê, Gabe. — falou, não conseguindo conter a emoção.
— Eu nem sei o que dizer, meu amor. Muito obrigada pelo melhor presente que eu poderia ganhar na vida. — sorri, e beijei os seus cabelos.
Eu não tinha palavras naquele momento. Estava sendo único e inexplicável.
Enquanto a Emy foi se trocar, eu comecei a falar com a doutora sobre os bebês. Ela me confirmou que eles estavam bem. Perguntei se ela sabia o sexo deles, mas era impossível saber naquela fase, porque eles estavam bem pequenos. A Emy chegou, sentou-se ao meu lado.
— Bem, eu queria dizer que estou muito feliz em saber que vocês terão gêmeos. Tem muitos pais que sonham com isso. E vocês foram privilegiados.
Claro que éramos. Sempre fomos, e os nossos filhos é a confirmação disso.
— Porém, toda a gravidez requer um cuidado, principalmente gravidez de gêmeos.
Que porra de riscos são esses? Ela não mencionou risco nenhum. Será que está de brincadeira comigo?
— Que riscos? O que ela tem? Ela está com a pressão alta? Os bebês estão em risco? O que está acontecendo?
Perguntei de uma vez só. Se ela estivesse doente, ela teria que falar, ou eu processaria esse hospital. Que caralho de esconder informação da gente.
— Gabe, acalme-se, senão daqui a puco é você que vai passar mal. — A Emy colocou suas mãos em meu ombro, tentando me acalmar.
— Como eu vou ficar calmo, sendo que eu descobri que a gravidez é de risco. E se você, ou os nossos filhos… Eu não quero nem pensar. — respirei fundo.
Eu não quero nem pensar na possibilidade de perdê-los. Eu morreria, sem dúvida alguma. Eu já sou pai, e quero proteger a minha família.
— Gabe, a Emy tem uma boa saúde, Tirando as alergias e o leve problema respiratório dela, que não tem nada com a gravidez. A saúde dela está perfeita. — a médica sorria, tentando nos tranquilizar, ou melhor, tranquilizar o Gabe.
— Mas porque você disse que era de risco? Eu preciso saber. — usei meu tom de advogado, e toda a autoridade que existia e mim.
— Gabe, toda a gravidez requer cuidados. No caso da Emy, é por causa dos gêmeos. Eles estão bem, mas em alguns casos, os bebês nascem prematuros.
— Prematuros? Meus filhos não nascerão prematuros, não é? Eles vão ficar os 9 meses na barriga da minha mulher, ou você acha que eles nascerão antes do tempo?
E não aceito nada menos do que 9 meses. Essa é lei da gravidez, e deve ser seguida. Meus filhos não vão ficar em nenhuma incubadora ou porra alguma. Eles vão nascer no tempo certo, e vão pra casa.
— Gabe, os bebês…
Ela ia começar a explicar sobre os meus filhos, então eu teria que gravar todas as informações possíveis. Quero me lembrar de cada uma delas.
— Espera ai. — interrompi, pegando o celular, e colocando na função de voz para gravar.
— Pronto, pode falar. — apontei para a médica.
— Gabe, o que é isso? — Emy perguntou, sussurrando em meu ouvido.
— Eu vou gravar tudo o que ela dizer, princesa. Eu quero ter gravado para não esquecer cada palavra que ela disser. Quero saber os riscos, o que você deve evitar e tudo mais.
— Não precisa, eu posso anotar, Gabe. — a médica nos disse.
— Não! E quero gravar, porque quando alguém teimar comigo – olhei para a Emy – eu mostro o áudio. Pronto, pode falar tudo o que a gente precisa saber.
E papel rasga, pode sumir e molhar. Fora essas letras de médicos, que são um enigma de tão difíceis de decifrar.
Ela foi tirando todas as minhas dúvidas. Queria saber tudo. Posições para dormir, alimentação e tudo o que envolvia a gravidez. Quero estar por dentro de tudo, porque eu sou o pai.
— Eu espero que tenha tirado todas as dúvidas de vocês. — ela disse, olhando para mim.
— Por enquanto, sim. — respondi. Mas ainda faltava uma última coisinha.
— Sim, muito obrigada, doutora. Não temos como agradecer por você nos tirar todas as nossas dúvidas.
— Ah, só mais uma, e eu juro que é a última. — sorri.
A Emy vai me matar, mas eu preciso saber. E isso é por nós dois.
— Então, eu quero saber sobre o sexo. Eu e Emy temos um apetite alto, daqueles que só de olhar, já ficamos com vontade. Mas agora temos os bebês, e isso pode ser perigoso. Quais os cuidados que devemos ter? — perguntei seriamente, e gravando novamente.
— Você fez bem em me perguntar, Gabe. Muitos casais ficam com vergonha, mas é algo normal. Sobre o sexo, vocês podem continuar fazendo tranquilamente, eu só peço que tenham cuidado, porque não se pode exagerar, não é? Aproveitem enquanto a barriga não cresce. — ela riu, e eu respirei aliviado. Sexo está liberado! Oba!
Assim que saímos, a minha madrinha nos viu, e veio praticamente correndo até nós. Ela parecia bem ansiosa.
— Filha, que demora. Aconteceu alguma coisa?
A Emy olhou pra mim, e sorrimos um para o outro.
— Bom… — respirou fundo — Vocês serão avós… de gêmeos.
Foi um show de lágrimas, abraços, e passadas de mão na barriga da Emy. Meus filhos já eram tão amados por todos, e eu me sentia tão completo. A minha família estava bem, e feliz.
**
Estávamos em um restaurante, e esperando a nossa comida. Nossa família conversava animadamente, e eu sorria ao vê-los tão bem. Sempre fomos unidos, mas parecia que estávamos cada vez mais. E eu me orgulhava de ter nascido no meio de tanta união e amor. Olhei para a Emy, que sorria, mas a sua carinha era de fome.
— Você não pediu nada muito forte, né? Você sabe que pode fazer mal se você comer algo muito forte. Pode afetar os bebês. — perguntei, sussurrando em seu ouvido.
— Gabe… – respirou fundo – Não, eu não pedi nada forte, querido. — apertei o meu queixo dele, e eu sei que ela quer me matar. Por isso que sorri, porque eu sei que isso a desarma.
— Que bom que estamos reunidos aqui. Precisamos falar sobre o nosso casamento, Emy. — falei, feliz. — Nosso casamento deve sair no máximo um mês. — falei, decido.
— Gabe, isso é impossível. Não tem como um casamento sair em um mês. — disse, encabulada.
Tem como sair, e vai sair. Não quero esperar os gêmeos nascerem, ou só depois. Quero que ela seja minha, perante a nossa família e Deus. Quero que ela assine com o meu sobrenome, e que e chame de marido. Eu preciso disso, ou eu faço uma loucura.
— Um mês, ou eu te sequestro e te levo a Vegas, e nós nos casamos lá mesmo.
Meu padrinho me olhou furioso, e eu senti a morte perto de mim.
— Brincadeira, padrinho. É uma pegadinha. — sorri, nervoso.
— Acho bom mesmo.
— Então, mamãe e madrinha, vocês acham que conseguem fazer um casamento em um mês? — perguntei
— Gabe…
— Até em menos de vocês quiserem. Nós continuamos planejando o casamento de vocês, mesmo com a separação, porque sabíamos que voltariam. Então faltam só escolher o jeito que querem os convites, e os vestidos, porque o resto nós já fizemos.
— Como assim? — A Emy perguntou.
— Filha, eu conheço o seu gosto, e naquele dia que fizemos a reunião você adiantou como queria o casamento, e onde queria. Então ficou mais fácil. Se você quiser mudar alguma coisa, tudo bem, mas ficou a cara de vocês.
Caralho, que família foda eu tenho. Elas são incríveis, e não pararam de planejar o nosso casamento.
— Vocês são fodas! — falei, sorrindo. — No bom sentido, claro.
— Bem, já que está quase tudo planejado, então teremos um casamento em breve. E assim fica té fácil para achar um vestido, já que logo, logo eu terei um barrigão.
A minha vontade era de arratá-la até o nosso apartamento, e fazer amor enlouquecidamente com ela. Mas eu iria me segurar. Quero ter o nosso tempo. Logo ela será minha, completamente minha.
**
Eu tive que vir trabalhar hoje à noite. Deixei muito trabalho acumulado, e isso me estressou. Vou adiantar o máximo que eu puder, porque logo estaríamos na casa dos nossos pais, e depois a nossa lua de mel. E eu em acredito que há algumas semanas eu me tornarei um homem casado. Eu nunca me imaginei casando, mas com a Emy eu vejo o meu futuro, meus filhos e a nossa felicidade. Terminei de falar com ela, e tudo estava bem. Retomei a reunião, e eu estava rezando para acabar. Eu só queria estar em casa, e nos braços da minha mulher.
Graças a Deus o trânsito estava tranquilo, o que facilitou a viagem até o apartamento dela. Entrei no prédio, e estacionei o meu carro na outra vaga que ela tinha. Estava planejando sair para jantar, ou preparar algo bem gostoso para ela comer. Não eu não estava falando de mim. Outra coisa gostosa. Assim que eu abri a porta do apartamento, eu notei um silêncio estranho.
— Princesa, cadê você? Cheguei!
Será que ela não estava em casa? Não, ela iria me avisar se fosse sair. Será que alguém a sequestrou? Deus, por favor, espero que não. Apressei os meus passos até o quarto, e vi que a porta do banheiro estava aberta. Assim que eu a vi, eu congelei. Ela estava pálida, e debruçada sobre a privada.
— Gabe… — antes mesmo de ele concluir a fala, começou a vomitar.
Eu me desesperei, mas ela não precisava de um noivo mais desesperado do que ela. Segurei os cabelos e comecei a passar as mãos nas costas dela. Eu queria mostrar que tudo ficaria bem, mas por dentro eu estava mais desesperado do que mulher quando vê liquidação, mas não tem dinheiro pra comprar. Porra, a minha mulher estava passando mal, e eu não sabia o que fazer.
— Calma, meu amor. — eu repeti diversas vezes – Você está melhor?
Ela confirmou, o que acalmou um pouco o meu nervosismo.
— Venha, eu vou te levar para o quarto.
— Não, eu preciso escovar os dentes. — sussurrou.
Eu a ajudei em tudo o que era possível. Peguei-a o colo, e a deitei na cama. Eu queria muito poder ter uma noite quente, mas a saúde dela e dos nossos filhos sempre vinha em primeiro lugar,
— Obrigada. — sorriu.
Será mesmo que ela estava bem. Eu ainda estava louco de preocupação. Caralho, eu não deveria deixá-la sozinha. Maldita hora em que eu decidi ir ao escritório. Eu queria estar aqui, junto com ela.
— Eu fiquei com medo quando eu te vi passando mal. Ainda bem que eu estava chegando. Por isso que eu não vou mais ao escritório.
— Não precisa ser assim, Gabe. A doutora disse sobre os enjoos. Eu só estranhei, porque eu estava bem. Iria até fazer um jantar para você, mas eu comecei a passar mal.
— Eu acho melhor eu te levar ao médico. Vai saber se pode piorar. Ou sei lá.
Isso mesmo. Eu a levaria ao médico. Ele tinha que receitar alguma coisa, pelo amor de Deus.
— Eu estou bem, juro. — falou.
Caralho de mulher teimosa. E eu sabia que ela não iria ao médico. A Emy sabia me driblar muito bem. Essa espertinha.
Aconchegou-me em mim, e acabou dormindo. Já eu estava mais acordado do que o normal. Não dormiria, sabendo que ela poderia passar mal. Eu tenho que ficar acordado. Peguei o telefone da médica dela, e liguei. Quero saber se eu posso ajudar com alguma coisa para combater os enjoos. A médica me explicou que era normal os enjoos, e que poderia ser frequentes. Porra, ela está grávida, e não deve ficar vomitando por ai. Ela é a Emily, não a menina do exorcista. Eu saí do quarto porque estava me alterando. Eu queria alguma coisa que poderia acabar com a porra dos vômitos. Só isso.
— Gabe, não existe algo que acabe. Isso faz parte da gravidez. Enjoos são comuns.
— Não sei em qual lugar que é comum. A senhora não viu o vômito dela. Parecia que estava parindo um filho pela boca. — respirei fundo – Eu só quero algo para acabar, só isso.
— Eu posso lhe dar algumas dicas de alimentos e sugestões para evitar ou ajudar com esses enjoos.
— Fazer o que, pode falar. — fui anotando tudo o que ela me passava. Eu iria no mercado bem de manhã, antes mesmo de ela acordar.
Agradeci mais uma vez e desliguei. Não era o que eu queria, mas me ajudou muito. Comecei a ler sites sobre guia de bebês, e blogs sobre maternidade. Deve ajudar a ler alguma coisa. Entrei nos tópicos, e tinha um assunto em aberto. Comecei a ler, e falava sobre enjoos. Li um por um, e anotei cada dica. Fiquei ali, até que eu decidi ir para a cama, e sentir o corpo da minha mulher.
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Acordei bem cedo, e fui ao mercado. Peguei a lista de compras de gravidez, e fui em busca desses alimentos. Eu estava olhando para a enorme prateleira com várias marcas de bolachas de água é sal. Pra que tantas marcas, se o gosto é o mesmo. Fui pegando os que eu via pela frente. Pelo menos ela teria opções de marcas. Peguei gengibre, algumas frutas, água com gás, folhas para fazer o chá e limão. Dizem que cheirar limão é bom. Vamos ver se vai adiantar alguma coisa. Estava chegando ao caixa, e o meu carrinho estava lotado, a maioria era de bolachas, mas eu nem me importava. Fui descarregando tudo, até eu escutei um homem mal humorado, que estava na fila.
— Não sei o motivo de comprar tanta bolacha. E ainda fica demorando.
Essa porra está de brincadeira comigo! Olhei pra ele, e fixei meu olhar matador para a cara de “não sou um bom fodedor, por isso sou amargurado” e respirei fundo.
— Eu comprei a bolacha pra comer, não para enfiar no seu cu. Mas se você quiser, é só tirar a merda da sua calça borrada, que eu te dou uma, de bom grado.
— Olha aqui…
— É claro que eu estou olhando, e estou quase infartando vendo essa cara de mal fodedor. — cheguei perto dele, e o cagão foi se afastando. — Eu comprei a porra das bolachas com o meu dinheiro, e eu compro quantas eu quiser. Se eu quiser, eu volto lá e compro mais. Eu trabalho, e gasto com o que eu quiser. Entendeu? — perguntei, levantando a sobrancelha.
Ele balançou a cabeça e se afastou. Voltei para a mulher do caixa, que estava assustada com a minha reação, mas ao mesmo tempo ela queria rir. Só para provocar ainda mais, eu fui passando as compras bem devagar, e sem nenhuma pressa.
— Obrigado. — agradeci, e olhei para o cagão, que ainda estava na fila.
Dei um tchau só para provocar. Babaca!
Coloquei as compras no carro, passei na farmácia para comprar as vitaminas e segui para o apartamento. Queria estar lá quando a Emy acordasse.
Estava abrindo a porta de casa, quando eu encontrei a Emy. Parece que ela havia acabado de acordar.
— Bom dia, princesa. Como você está? Está se sentindo mal? Quer se sentar? Está com enjoos?
— Ei, calminha. — sorriu – Eu estou melhor.
Graças a Deus!
— Foi ao mercado? — perguntou.
Coloquei as compras em cima do balcão, e fui dar um beijo de bom dia na mulher que me tirava os eixos.
— Fiz algumas compras básicas, e comprei as suas vitaminas. — falei, sorrindo.
— Hum. O que o senhor dono de casa comprou de bom?
— Bolachas de água e sal, gengibre, limão, algumas folhas para fazer chá, água com gás e algumas frutas.
Ela olhou para a sacola e se assustou. Eu queria rir da cara que ela fez.
— Gabe, você deixou alguma coisa no mercado?
— Por que?
Eu só comprei o que ela precisava, e eu não sabia se era o necessário para ajudar com os enjoos.
— Olha um monte de coisa que você trouxe. Quem vai comer esse monte de pacote de bolacha? E essas folhas de chá?
— Você.
— Ah? Eu? — perguntou, sem entender.
Virei-me para o armário, e fui retirando as compras da sacola para poder guardá-las.
— Claro! Isso faz bem para os enjoos na gravidez. A bolacha de água e sal é bom comer logo pela manhã, porque os carboidratos suaves são mais fáceis de serem ingeridos, assim como as frutas. O gengibre é bom para amenizar os enjoos, seja ele cru ou em chá. Os chás de camomila, menta ou folhas de framboesa ajudam na digestão, então evita as náuseas, já o limão, bem, dizem que é bom ter aromas ácidos ou azedos por perto.
Caramba, que orgulho de mim! Já sei de tudo sobre alimentos. Palmas para o Gabe!
— Gabe, você é formado em medicina?
Eu dei uma risada, mas já estava começando a ficar com vergonha.
— É sério. Onde você soube de tudo isso?
Separei um pacote de bolacha, que eu acho que ela deve gostar e peguei a água com gás que estava gelada, e coloquei sobre a mesa.
— Eu pesquisei, e li na internet sobre isso. — deu de ombros. Fora que eu importunei a sua médica também.
— Ah, que lindo. — sorriu, dando-me um beijo.
— Nem pra ter um cafezinho.
— Café não pode. Você deve evitar tudo que tem cafeína.
Devo marcar isso na minha agenda de gravidez na parte dos proibidos.
— Sim, doutor.
Ah, mulher, não me tente.
**
Tive que vir adiantar uns processos, assinar alguns documentos, e ter algumas reuniões. Não queria deixar a Emy sozinha, vai saber se ela passaria mal. Ligava a cada cinco minutos, e ela dizia que estava bem. Eu teria que acreditar e parar de me desesperar. Seria impossível, mas eu tentaria, pelo menos. Avisei a minha secretária e a moça da recepção que a Emy poderia vir quando quiser, e que ela poderia atrapalhar qualquer coisa quando ela estivesse aqui. Nada tem importância quando a minha princesa me ligar ou aparecer. E deixei claro que ela era minha noiva. Logo seria Emily Hunter. Ah, meu Deus, que nome mais lindo. Não vejo a hora de sair esse casamento.
Estava acabando de ter uma reunião com a Sra Wilson. Ela estava se divorciando do marido. Ela era linda e nova. Estava na casa dos seus 26 anos, mas era tão chata. Queria pegar metade do que o marido tinha, mas ele não queria dar nada. E, confesso que eu apoio o marido, a mulher era uma insuportável, e só se casou por causa do dinheiro.
— Bem, eu vou entrar em contato com o advogado do seu ex-marido, sra Wilson.
— Srta., por favor. Eu só tenho 26 anos, e estou solteira. -disse, com a voz de gato que parecia morrer.
— Enfim, a reunião está encerrada. Se me der licença, eu tenho mais trabalho pela frente. — mentira. Eu só quero mesmo é despachar esse encosto. Queria ir embora, ou ouvir a voz da Emy.
Abri a porta, quando ela me empurrou para a parede.
— Que porcaria é essa? Saí de mim, encosto. — tentei tirar as mãos dela do meu peito, mas ela me apertava cada vez mais.
— Eu me segurei muito para não te atacar, mas, vendo você neste terno…Eu não aguentei.
— Sai de mim, coisa ruim. Desencosta essas tetas do meu rosto. — olhei para as tetas dela, e vi que eram maiores do que o normal. O marido deve ter vendido a alma para poder pagar pelos silicones. Mas, a caralha era torta. Senhor, os peitos dela estavam tortos. Isso não é normal. Fora que os bicos do peito dela estavam estranhos, já que estavam saltando para fora do vestido. Eca! Ela tinha pereba nas tetas. Esses peitos são feios.
— Gabe, meu amor… Que porra é essa?
Jesus! A Emy entrou no maldito momento em que ela estava tentando esfregar essas tetas tortas e feias bem na minha cara. Eu a empurrava, mas estava sendo impossível.
— Emy, eu… Droga, eu juro que não fiz nada. Eu juro pela Nossa Senhora dos noivos inocentes e apaixonados. Eu juro! Juro mesmo!
Senhor, me ajuda, por favor. Quero ser um homem vivo. A Emy veio até a teta de pereba, e a empurrou longe de mim. Graças a Deus, agora eu posso respirar.
— Quem é você para vir até a sala do Gabe, e me tratar desse jeito?
Ela ainda pergunta quem eu sou? Eu sou o capeta que vai te levar pro inferno.
— Eu sou a noiva dele, querida. — falou, com a voz mais alta possível.
Ela não podia gritar tanto assim. Isso poderia fazer mal aos bebês.
— Noiva?- perguntou, fazendo uma careta.
— Pois é, querida. Noiva e mãe dos filhos dele. Quer mais?
A mulher olhou com raiva, e eu sorri. Quando eu menos esperava, a Emy me agarrou pela camisa, e me beijou. Porra, que beijo mais louco era aquele. Era um sexo selvagem, mas com as nossas línguas. Meu amigo já se animou, e eu estava louco para tirar aquele vestido dela.
— Está olhando tanto, quer participar, querida? Só que não. — deu uma risada maléfica, que até eu fiquei com medo.
Sem esperar mais nenhuma provocação, a teta de pereba pegou a bolsa e saiu toda nervosa. Ah, que orgulho da minha mulher. Marcou território e me salvou de morrer por asfixiantemente de peitos.
— Isso mesmo, é pra ir embora e ficar longe, sua vara pau. — Gritou.
Ok! Acabou a festa, agora é hora de dar uma explicação. Ela tinha que acreditar em mim, porque eu não fiz nada.
— Emy…
Ela olhou pra mim, e fez a cara de Game Over. Estou ferrado mil vezes. Hora de usar o charme, e elogiar. Sempre elogiem, e falem do brilho natural que elas possuem. Isso pode ajudar em alguma coisa.
— Você está tão linda, meu amor. Tão… radiante. — falei, sorrindo pra ela, mas por dentro eu estava cagando de medo.
Senhor do céu, não me abandone neste momento de desespero. Eu não quero ser um homem-morto. Eu não fiz nada, só olhei para os peitos dela, o que não valeu, porque eram feios e tortos. A Emy não esboçava nada, então o jeito era segurar na mão de Deus, e seguir pedindo para sair vivo, ou sem nenhuma bronca.
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