Eternamente

41 Capítulo 41


– Não! Pelo amor de Deus, Gabe! Não me deixa! Eu te amo! – gritei desesperada.

Gabe caiu em meus braços, e estava desacordado. Meu desespero aumentou ao ver que havia sangue em sua roupa. Ele não pode me deixar! Ele não pode me deixar agora e nem nunca! Eu queria gritar, mas a minha voz não saía. Eu estava baqueada ao ver o amor da minha vida morto! Não, ele não pode estar morto! Eu não aceito a morte dele, e nunca vou aceitar. Gabe não pode me deixar, ele não... não... Eu não conseguia dizer mais nada. Olhei para o Joe, que estava caído no chão, e os policiais com as armas ainda apontadas para ele. Nem me importei se esse verme tinha morrido ou não, o importante era ajudar o Gabe.

– Ambulância! Chamem a ambulância! – eu falava desesperada, mas sem soltar o Gabe.

– Srta, a ambulância já está a caminho. Eles não devem demorar. – um dos policiais me avisou.

Eu apenas concordei, e comecei a rezar para que tudo desse certo. Pedi para que Deus não me abandonasse, e que se fosse para levar o Gabe, que eu fosse junto. Eu não iria suportar perdê-lo desse jeito. Eu não seria a mesma Emily, nunca mais. Eu falava em seu ouvido o quanto eu o amava e que ele não poderia me deixar. Gabe não pode me deixar sozinha. Coloquei a minha cabeça em seu coração, e eu precisava saber que ele estava batendo. Batendo por mim e por ele. Fiquei grudada com ele, escutando o seu coração e a sua respiração perto de mim. Aquelas eram as evidências de que ele não havia me deixado.

– Srta, a ambulância chegou e nós precisamos levar o Sr Hunter.

Eu não queria me desgrudar dele, mas eu sei que ele precisa de atendimento o mais rápido possível. Os paramédicos entraram correndo, e eu me afastei para eles resgatarem o Gabe. Fiquei parada sem saber o que fazer. Minha cabeça estava explodindo com tanta coisa que havia acontecido em tão pouco tempo.

– Srta Campbell? Srta Campbell?

– Oi! – voltei à realidade, e olhei para o policial a minha frente que estava me chamando.

– Precisamos ir. O seu noivo está sendo removido para o hospital local.

Assim que ele falou no Gabe, eu me desesperei, e percebi que ele não estava mais lá.

– Cadê ele? Cadê o Gabe? – perguntei, indo em direção à porta.

Sai daquela casa desesperada, e fui em direção à ambulância que estava parada do lado de fora. Eu vi que o Gabe estava em uma maca, e tinha aparelhos ligados a ele. Tentei subir, mas fui impedida por um dos médicos.

– Eu vou entrar queira você ou não.

– Os policiais irão levar a Srta até o outro hospital.

– Eu não quero que nenhum policial me leve. Eu quero ir com o eu noivo! – gritei, sentindo uma leve tontura.

Eu tentei fazer de tudo, mas fui impedida, e fecharam a porta na minha cara. Eu poderia muito bem esmurrar até abrirem, mas sabia que o Gabe deveria estar no hospital, e eu estava atrapalhando.

O policial Calton me levou até a viatura, e fomos rumo ao hospital central. Escutei-o falando que o Joe havia morrido, parece que eles atiraram nele, porque ele iria atirar em mim. Não fiquei com dó! Por mim, eu mesmo o mataria com toda a vontade do mundo. Ele havia feito atirado na pessoa que eu mais amo no mundo, e sem motivo nenhum. Só por ódio, e por um amor doentio e sem fundamento. Eu nunca ficaria com ele, nem se eu estivesse louca ou se fosse o último homem da face da terra. Eu tomei nojo assim que descobri o que ele tinha feito para me separar do Gabe. Eu posso soar como uma fria, mas que ele arda no inferno e, ele foi tarde.

***

O carro nem havia parado direito, e eu já estava correndo para fora dele. Entrei rapidamente, e fui logo à recepção para saber onde o Gabe estava. Uma moça olhou com indiferença pra mim, e nem me deu bola. Eu vou quebrar a cara vadia!

– Eu quero saber onde está o meu noivo! – disse, nervosa, e me segurando para não fazê-la engolir aquele crachá goela abaixo.

– Quem a Srta é? – perguntou sem ao menos se importar.

Eu vou falar quem eu sou, só que com a minha mão no meio da cara dela.

– Eu sou a porra da última pessoa que você vai ver na vida se não me falar onde está o paciente Gabe Hunter. – gritei, chamando a atenção de todos que estavam por ali.

A tontura voltou, e eu me segurei para não cair. Eu poderia desmaiar, mas eu iria arrebentar aquela garota. Uma mulher que parecia ser mais velha chegou perto de mim e perguntou o que estava acontecendo. Eu falei tudo, inclusive da má vontade da coisinha chata.

– Desculpe-me pela má vontade dela, Srta...

– Campbell. Emily Campbell.

– Eu irei atrás de informações sobre o seu noivo. A Srta pode esperar, por favor.

– Só não demore, por favor. – supliquei.

Fui à sala de espera, e me sentei. Comecei a minha prece para que ele esteja bem, que não passasse de um susto. Mas eu vi tanto sangue, e ele não acordou quando eu o chamei. Meu Deus, fala que ele esteja bem e volte para mim! Volte para os meus braços!

– Srta Campbell?

O policial Calton me chamou, e me ofereceu o copo com café que estava em suas mãos. Agradeci, e comecei a tomá-lo. Eu precisava ficar acordada, e saber de tudo sobre o Gabe. Mandei uma mensagem para o Alex, e pedi que ele avisasse os meus padrinhos e os meus pais. Eu não tinha cabeça e nem calma para falar com eles naquele momento. Era perigoso eu acabar caindo no choro ao invés de confortá-los.

Escutei meu telefone tocar, e vi que era o Alex. Não queria falar com ninguém naquele momento, mas atendi porque sabia que ele deveria estar preocupado.

– Alex! – me segurei para não chorar, porque eu devo ser forte.

– Emy? Pelo amor de Deus, como você e o Gabe estão?

Percebi o tom de preocupação em sua voz, e eu queria muito dar uma boa notícia, mas nem isso eu tinha.

– Eu estou bem, mas não sei nada do Gabe. Ele levou um tiro, Alex. Um tiro! Ele... Ele estava sangrando e caiu em meus braços. Eu não sei como ele está.

– Calma, Emy. O Gabe é forte e teimoso. Ele não vai desistir tão fácil da vida. Ele tem você! Você acha que ele irá te deixar? Nunca! Ele morre de ciúmes de você, e sabe muito bem que muito gavião te querendo.

Isso ele tem razão. Gabe iria lutar para ficar bem. Nós iríamos nos casar, ter filhos e sermos felizes. Esse é o nosso futuro, e eu não aceito se não for deste jeito.

– Você tem razão, Alex. O Gabe vai lutar por nós, não é? Ele precisa lutar! – disse, chorando.

– Ele irá, Emy. Eu conheço o meu amigo. – parecia que o Alex queria me reconfortar, mas nem isso estava adiantando.

– Eu sei. Eu estou tentando fazer o meu coração entender que ele ficará bem. – respirei fundo. – Você avisou aos meus pais e aos meus padrinhos?

– Eu estou indo avisá-los. Não sei como irei fazer isso.

– Eu te entendo, Alex, mas eu não consigo fazer isso. Eu não iria conseguir manter a calma. Eu não tenho força para dizer isso a eles.

– Vou fazer de tudo para acalmá-los. Não sei se iremos conseguir um voo de imediato, mas iremos fazer de tudo.

– Obrigada por tudo, Alex. – agradeci a ele que estava fazendo um enorme favor pra mim.

– Sempre que precisar estarei por aqui, Emy. Bem, agora eu preciso ir. Qualquer coisa você me liga, ok?

– Pode deixar. – respirei fundo. – Tente acalmá-los, por favor.

– Tentarei Emy.

Após nos despedirmos, fiquei sentada encarando o meu café. Não sei o que estava sentindo, mas o café descia amargo em minha garganta. Não sei se era por causa de tudo o que estava acontecendo, ou se o meu estômago não estava bem. Lembrei-me de que eu não havia comido nada há um tempo, mas não sentia fome naquele momento, muito pelo contrário, eu já estava me sentindo enjoada pelo cheiro daquele hospital.

O policial Calton ainda estava ao meu lado, e parecia que ele estava resolvendo os assuntos da morte do Joe e sobre ele ter atirado no Gabe. Ah, só de me lembrar disso, meu coração se paralisa. Aquela cena nunca vai sair da minha cabeça. Eu só via enfermeiras e médicos passando de um lado para o outro, mas ninguém me dava uma explicação sequer. Nem aquela mulher que disse que iria atrás para saber como ele estava.

– Familiares do Sr Hunter?

Um homem alto veio perguntou na sala de espera, e eu me levantei correndo.

– Eu! Eu sou a noiva dele.

O médico se apresentou, e respirou fundo antes de falar. Meu coração estava saindo pela boca de tanta angústia.

– Como ele está, doutor?

– O Sr Hunter levou um tiro bem do lado barriga, e por sorte não foi nas costas, onde poderia ter sido bem pior.

Bem pior? Ai meu Deus!

– E o que aconteceu com ele? Como ele está? – perguntei desesperada.

– Ele está bem! Está sedado por causa da cirurgia para a retirada da bala, mas, por incrível que pareça, ele está bem.

Ele está bem! Meu Deus, muito obrigada! Muito obrigada!

– Eu posso vê-lo?

– Agora eu peço que o deixe descansar, mas amanhã a Srta poderá vê-lo. Aliás, ele chamou por uma tal de princesa o tempo todo. Ele te ama muito.

Eu sorri envergonhada, mas meu coração estava cheio de alegria. Eu queria reclamar para poder ir vê-lo, mas eu tentaria esperar um pouco mais. Não sei se iria conseguir, mas pelo Gabe eu faria isso.

– Eu preciso ir. O quarto do seu noivo é 202, mas não vá até ele, porque ele está descansando. – concordei e sorri.

Eu abracei o policial Calton, que me retribuiu envergonhado. Ele estava feliz pelo Gabe. Mandei uma mensagem para o Alex, avisando que o Gabe estava bem, assim ele poderia tranquilizar a nossa família.

Era tanta felicidade que não cabia em mim. Depois de tudo o que passamos, finalmente uma notícia boa.

O policial Calton pediu que eu fosse para a casa e descansar, mas eu não iria tirar o pé daquele hospital enquanto eu não falasse com o Gabe. Eu queria vê-lo com os meus próprios olhos. Tocá-lo, beijá-lo e sentir a sua respiração forte e perto de mim. Queria ver aqueles olhos que me enlouquecem e aquela boca sacana, e que me deixa louca de amor.

Fui buscar mais café porque eu precisava me manter acordada caso o Gabe acordasse. Caminhei até à cantina do hospital, e pedi um café forte. Fiquei esperando pacientemente, até sentir aquela tontura novamente. Tentei focar os meus olhos em algo, mas a escuridão tomou conta e eu senti as minhas pernas trêmulas. Tentei segurar em algo, mas foi em vão.

***

Acordei com dor de cabeça. Não sei onde eu estava, porque a última coisa que eu me lembrava de era de estar na cantina esperando o meu café. Percebi que estava em uma cama de hospital, onde tinham alguns aparelhos em meu braço. Tudo estava em completo silêncio, e parecia estar de manhã. De manhã? Não! Não pode ser! O Gabe! Ele deve ter acordado, e deve estar perguntando se mim. Olhei para a janela do quarto, e vi que não havia nenhum médico por perto. Tirei todos aqueles fios que estavam em mim, coloquei a minha roupa que estava em um sofá, me olhei no espelho, e quase assustei quando eu me vi. Caramba, eu estava mãos pálida do que o gasparzinho! Foda-se! Depois eu passo uma maquiagem para tampar essas olheiras. Arrumei os meus cabelos e sai do quarto coma minha bolsa. Sai à procura do quarto do Gabe. Ninguém iria me impedir de visitá-lo!

Avistei o número do quarto que o médico disse que ele estava. Meu coração estava acelerado de tanta felicidade. O médico disse que ele estava bem, então ele deve estar bem. Abri a porta devagar, e a imagem que os meus olhos viram me fizeram sorrir. Gabe estava sentado na cama, e seu olhar era para a janela. Parecia que ele estava perdido em alguma coisa ou visão. Ele não percebeu que eu estava ali, até que eu soltei um soluço por causa das lágrimas que já estavam caindo.

Ele olhou pra mim, e eu vi que também estava chorando. Corri para os seus braços, onde sempre seria o meu porto seguro.

– Gabe, eu estava com tantas saudades e com medo! – chorei em seu ombro.

– Meu amor, minha princesa, minha vida! Eu senti medo de nunca mais vê-la, mas eu nunca te deixaria aqui! Nós somos um só, esqueceu? Não há Gabe sem Emy, e Emy sem Gabe! – ele acariciou a minha bochecha, limpando as lágrimas.

– Eu sei, mas é que... Ai, Gabe, eu vi sangue e você caído nos meus braços. Eu achei que...

– Ei, não aconteceu nada! Eu estou bem, forte como um touro e pronto para a outra. – disse sorrindo.

– Não fala isso! Eu não quero nunca mais passar pelo o que eu passei, Gabe.

– Eu sei, meu amor, mas eu precisava proteger você, princesa. Eu precisava te tirar de lá.

– Mas eu fui te salvar!

– Outra coisa que não deveria ter feito. Como você pôde entrar do nada, pegar uma faca e enfiar na barriga dele. E se aquele louco atirasse em você? E se não desse tempo de eu te proteger? Emy, só de pensar em...

– Não aconteceu nada disso! Eu estou bem e, graças a Deus você também está. – sorri.

Ele sorriu e me abraçou mais forte. Fiquei preocupada com os pontos dele, mas o teimoso disse que estava tudo bem.

– Eu preciso te beijar, Emy. Eu preciso de você!

– Você não imagina o quanto eu quero isso!

Gabe me beijou com todo o amor e saudades que estávamos um do outro. Ficamos longe por pouco tempo, mas que parecia uma eternidade.

Ouvimos a porta se abrindo, e eu me separei dele imediatamente.

– Doutor?! – o médico que havia atendido o Gabe estava bem na nossa frente, e seu semblante era de preocupação.

– Achei a Srta fujona. Com que autorização você sai do quarto, onde deveria estar de repouso?

Ops! Isso vai dar merda!

– Repouso? Que repouso? – um Gabe um tanto ciumento e protetor perguntou.

– Isso é besteira, Gabe! Foi só um mal estar!

Gabe me olhou de cara fechada, e eu sabia que iria escutar muito.

– Srta Campbell, não foi só um mal estar. A Srta estava horas sem comer, e com apenas o café em seu estômago.

– O que? Emily Campbell, como você pôde fazer isso? – eu falei que o Gabe ficaria furioso. – Que falta de consideração com a sua saúde!

– Eu estou bem! – falei, nervosa.

– Mas a Srta deveria estar de repouso, ainda mais no seu estado.

– Que estado? Se for cansada, eu estou bem. – falei, novamente.

O médico olhou para nós e sorriu. Seja lá o que for esse sorriso, eu não gostei.

– Então eu vejo que vocês não sabem.

– Não sabemos do que? – eu e o Gabe perguntamos curiosos.

Ele respirou fundo, e olhou em um papel que estava em suas mãos.

– A Srta Campbell está grávida!

Oi? Para o mundo que eu quero descer! Grávida? Do tipo: fizemos sexo e eu engravidei? Jesus amado! Meu pai do céu! Eu estou grávida? Eu vou ser mãe?! É... Eu vou ser mãe!

– Ah? – perguntei, tentando entender esta última palavra: grávida.

Gabe

Abri os olhos, e me vi em uma sala de um hospital. Hospital? Que merda de hospital eu estou? O que aconteceu que eu estou em um... Merda! Agora eu me lembro! Do desgraçado do Joe, da Emy, do tiro... Meu Deus! Será que ela está bem? Ela precisa estar bem! Eu sei que eu a protegi, mas e se aconteceu alguma coisa com ela depois.

– Princesa... Emy... Eu preciso vê-la! – eu falava com dificuldade por causa da dor.

– Gabe, nós iremos te operar para retirarmos a bala.

A minha visão estava um pouco embaçada, mas eu sabia que era um medico falando.

– Eu só quero saber como está a princesa? Como ela... Ai!

Uma dor forte me atingiu, e eu senti que era por causa da bala.

– Nós precisamos te operar, Gabe. Vamos te dar anestesia e, quanto mais rápido operarmos você, será melhor.

Nem deu tempo de falar mais nada. Logo eu senti a escuridão vir de novo, e eu apaguei.

***

– Acorda, Gabe! Acorda!

A Emy me chamava sem parar perto da minha cama. Eu estava doente, e proibido de ir à escola. Ela quis ficar comigo, e chorou para não ir à escola também.

– Princesa, você vai ficar doente se ficar perto de mim, e eu não quero que isso aconteça com você.

– Mas eu quero ficar pertinho de você, Gabe! – disse, deitando-se ao meu lado.

– A madrinha vai brigar com você!

– Não! Ela vai ficar feliz, porque estamos juntos, e assim você não ficará lembrando que está dodói.

Eu olhei pra ela e sorri.

– Tudo bem! O que vamos fazer então?

Ela colocou a mão na boca e sorriu. Algo muito bom havia saído da sua cabecinha.

– Vou colocar um filme para assistirmos.

Ela pegou o controle da TV, e começou a mudar de canais. Ela parou em um canal onde estava passando um dos meus desenhos favoritos.

– Pronto! Agora você vai assistir quietinho. – deitou-se do meu lado, e me abraçou com os seus bracinhos pequenos.

– Mas você não gosta desse desenho, princesa.

– Não importa! Você está dodói, então pode assistir o que quiser. Eu sempre farei o que você quiser, Gabe. Sempre estaremos juntos.

– Promete? Promete que todas as vezes que eu ficar doente você estará aqui?

– Promessa de dedinho? – ela disse.

–Promessa de dedinho!

Juntei os nossos dedinhos e sorrimos. Ela me deu um beijo no rosto, e eu fiquei hipnotizado naqueles olhos azuis.

– Você vai sarar logo, logo. Lembra que a mamãe disse que os beijos podem curar? Então, eu espero que o meu beijo faça que você melhore logo.

– Eu já bem, princesa. Só de você estar aqui eu já estou melhor.

Ela sorriu e me abraçou. A Emy sempre seria o meu porto seguro e o meu melhor remédio.

Acordei do meu sonho de infância, e a claridade bateu em meus olhos. Olhei para o quarto do hospital, procurei algum médico ou enfermeira, mas só estava eu naquele quarto. Vi alguns fios pelo meu corpo, e senti uma pontada do lado da barriga. Apertei um botão que eu imaginei que seria para chamar alguém e, depois de alguns minutos, uma enfermeira chegou e sorriu a me ver acordado.

– Que bom que acordou, Sr Hunter. Fico feliz que esteja bem!

Eu sorri com a demonstração de carinho dela.

– O senhor se lembra do que aconteceu? – perguntou, chegando perto de mim.

– Eu me lembro do tiro e da cirurgia, não foi? Eu fui operado?

– Sim! O Sr teve muita sorte do tiro ter sido de raspão. Parece que o homem que fez isso com o senhor não tinha uma mira muito boa.

Só de me lembrar do desgraçado do Joe, meu coração se enche de raiva. Aquele verme deve ter morrido, porque se não morreu, eu mesmo o mato com as minhas próprias mãos.

– Vou chamar o Doutor para te examinar, ok?

– Espera! Eu preciso saber da minha noiva! Ela estava comigo na hora do tiro.

– Senhor, eu não posso lhe dar esta informação, porque eu cheguei agora no meu turno. O doutor vai saber falar para o senhor se a sua noiva está por aqui.

Eu concordei, mas a minha vontade era de tirar todos esses fios e essa roupa ridícula de mim, e ir atrás dela. E se ela não estiver bem? E se o Joe a machucou? Caralho de perguntas!

– Que bom que você acordou, Gabe! Fico feliz em ver que a cirurgia deu certo e que você parece estar se sentindo bem. Como está a dor?

– Está doendo um pouco, mas nada insuportável.

– Fico feliz! A cirurgia foi um sucesso!

Ok! Falamos sobre a cirurgia, mas eu quero saber da minha mulher! Quero saber se ela está bem e se está aqui no hospital.

– Doutor, você sabe se a minha mulher está aqui? Eu preciso saber se ela está bem, por favor!

Eu supliquei para saber notícias dela, e quase ajoelhei aqui na frente.

– A sua noiva está aqui.

Graças a Deus! Ela está aqui comigo e deve estar bem.

– Ela está bem? Onde ela está?

– Ela está bem!

O doutor me olhou de um jeito estranho, e não respondeu a minha outra pergunta.

– Onde ela está?

– Ela está bem, e está aqui no hospital.

– Vá chamá-la! Eu preciso vê-la! – pedi.

– Eu vou ver se ela poderá entrar.

Ele saiu feito um foguete, e eu estranhei o jeito que ele desconversou quando eu perguntei onde ela estava. Será que a Emy está no hospital, mas não está bem? Merda! Eu preciso sair desse quarto e ir até ela!

Quando eu estava prestes a tirar um fio que tinha em meu braço, a enfermeira entrou novamente e correu para me impedir.

– O senhor não pode sair daqui!

– Quem disse? Ah? Deus desceu aqui e falou isso? Não! Então ninguém me proíbe de sair desse maldito quarto e ir atrás da minha mulher.

– Mas você acabou de sair de uma cirurgia.

– Eu estou bem! A dor está suportável e foi de raspão. Mas, mesmo se eu estivesse morrendo, eu iria sair daqui.

– Eu vou chamar o doutor.

– Chame quem você quiser! Até o papa se quiser vir me fazer uma visita, mas ninguém irá me impedir de sair daqui.

– Eu ou atrás da sua mulher. Eu vou saber o que aconteceu com ela, mas o Sr não poderá sair daqui.

Eu olhei para a senhora que estava em minha frente, e eu vi que ela não estava mentindo.

– Tudo bem! Mas se demorar demais, eu sai daqui, até mesmo com essa roupa ridícula.

Ela sorriu e saiu do quarto.

Fiquei sentado na cama como se fosse um menino emburrado e que queria o brinquedo. No meu caso não era um brinquedo, mas era a minha mulher. Porra! Que raiva que me dá quando eu fico impotente, sem saber o que fazer ou como ela está. Olhei para a janela, e comecei a me lembrar da última vez que ficamos juntos. Eu a amei de uma forma única, como todas as vezes que ficamos juntos. Nossos beijos, carícias, carinhos e suor. Eu a amo de uma forma tão pura e forte! Tão... Tão... Inexplicável! Eu estava parecendo uma mulherzinha, mas, foda-se! Eu estava chorando e não iria esconder isso.

Escutei um soluço atrás de mim, e quando eu me virei, vi o amor da minha vida parado perto da porta. Ela correu até a mim, e eu a segurei em meus braços, que era e sempre será os eu lugar.

– Gabe, eu estava com tantas saudades e com medo! – chorou em meu ombro.

– Meu amor, minha princesa, minha vida! Eu senti medo de nunca mais vê-la, mas eu nunca te deixaria aqui! Nós somos um só, esqueceu? Não há Gabe sem Emy, e Emy sem Gabe! – acariciei a bochecha dela, não querendo que ela chorasse mais.

– Eu sei, mas é que... Ai, Gabe, eu vi sangue e você caído nos meus braços. Eu achei que...

– Ei, não aconteceu nada! Eu estou bem, forte como um touro e pronto para a outra. – falei, sorrindo.

– Não fala isso! Eu não quero nunca mais passar pelo o que eu passei, Gabe.

– Eu sei, meu amor, mas eu precisava proteger você, princesa. Eu precisava te tirar de lá.

– Mas eu fui te salvar!

– Outra coisa que não deveria ter feito. Como você pôde entrar do nada, pegar uma faca e enfiar na barriga dele. E se aquele louco atirasse em você? E se não desse tempo de eu te proteger? Emy, só de pensar em...

Só de pensar no que poderia ter acontecido, o meu coração acelera. E se o tiro tivesse acertado ela e não eu? Eu morreria de qualquer forma.

– Não aconteceu nada disso! Eu estou bem e, graças a Deus você também está. – sorriu.

Eu a abracei, e eu senti que ela ficou preocupada com os pontos. Tranquilizei-a, e olhei para os olhos que me deixavam fora do eixo.

– Eu preciso te beijar, Emy. Eu preciso de você!

– Você não imagina o quanto eu quero isso!

Eu segurei o seu rosto, e a beijei com todo o amor que eu sinto por ela. Queria amá-la por completo, mas me segurei para não passar do beijo.

Ouvimos a porta se abrindo, e ela se separou de mim imediatamente.

– Doutor?! – o médico que havia me atendido estava bem na nossa frente, e seu semblante era de preocupação.

– Achei a Srta fujona. Com que autorização você sai do quarto, onde deveria estar de repouso?

Que? Ela deveria estar de repouso? Como assim? E que olhar é esse para cima da minha mulher? Homem nenhum olha para ela desse jeito.

– Repouso? Que repouso? – perguntei curioso e protetor.

– Isso é besteira, Gabe! Foi só um mal estar!

Porra! Ela teve um mal estar e nem me falou? E eu aqui deitado na cama, enquanto a minha mulher estava doente.

– Srta Campbell, não foi só um mal estar. A Srta estava horas sem comer, e com apenas o café em seu estômago.

Essa mulher enlouqueceu? Só com o café e nada mais?

– O que? Emily Campbell, como você pôde fazer isso? –eu falei, furioso. – Que falta de consideração com a sua saúde!

– Eu estou bem! – falou, nervosa.

Não interessa! Ela estava doente, e eu duvido que fosse me falar.

– Mas a Srta deveria estar de repouso, ainda mais no seu estado.

– Que estado? Se for cansada, eu estou bem. – falou, novamente.

Estado? Que porra de estado ela estava? Será que era grave, e ela não sabe? Meu Deus! Não! Ela não pode ficar doente!

O médico olhou para nós e sorriu. Que sorriso é esse para cima da minha mulher? Aqui não é concurso de dentista para ele ficar sorrindo desse jeito.

– Então eu vejo que vocês não sabem.

– Não sabemos do que? – eu e o Gabe perguntamos curiosos.

Ele respirou fundo, e olhou em um papel que estava em suas mãos.

– A Srta Campbell está grávida!

Ah? A Emily está... Está... Grávida? Do tipo: daqui a nove meses teremos um bebê? E do tipo: fizemos sexo e não sabíamos que tinha um danadinho desesperado para entrar na minha mulher? Caralho! O negócio aqui é foda! O cara foi rápido. Que orgulho! Porra! Eu serei pai?! Pai? Pai? Até que essa palavra soa bonito na minha boca! Eu e a Emy teremos um filho! Um filho nosso!

Eu não consegui segurar, e sorri feito um bobo! Chupa Chad e todos que deram em cima da minha mulher! Teremos um filho, porra! Um filho!