Eternamente
38 Capítulo 38
Nunca achei que voltar para casa seria tão doloroso. Estar aqui, neste avião, sem o Gabe ao meu lado. Dói saber que não teremos mais a nossa rotina, nossos jantares na segunda, nossas conversas sem importância, que eram importantes pra mim, nossos filmes, pizzas, caronas... Dói saber que eu e o Gabe não seremos mais as mesmas pessoas quando estivermos juntos. Não posso dizer que ficarei sem vê-lo, porque a família dele é a minha família e temos os mesmos amigos. Será doloroso quando eu reencontrá-lo, mas eu terei que ser forte para não me lembrar das palavras que ele disse. Eu deveria imaginar que ele não iria conseguir seguir em frente com um relacionamento. Eu o conheço suficiente, mas eu achei que ele havia mudado e que ele realmente não estava preparado para o que nós poderíamos ter. Até em casamento ele me pediu. Ah, foi tão lindo, mágico e inesquecível, mas só ficou nas minhas lembranças, porque nem vai ter mais casamento.
***
Assim que o avião pousou, eu respirei fundo e senti a brisa refrescante da Califórnia. Eu amo esse lugar! Chamei um táxi, e pedi para que ele fosse para a minha casa. Deixei de pensar um pouco nele, e me permiti olhar as ruas da Califórnia, ver as pessoas despreocupadas, as praias e tudo o que rodeava aquela bela cidade. Assim que o taxista parou em frente ao meu prédio, ele me ajudou com a bagagem e eu o paguei. Fiquei parada na calçada por pelo menos 10 segundos.
– É, eu estou de volta!
Arrastei a minha mala até a entrada, até o porteiro se ofereceu para me ajudar.
– Srta. Campbell, que prazer revê-la novamente.
– Obrigada! – agradeci.
– O Sr. Hunter também veio com a Srta?
Até ele sabe que eu e o Gabe não desgrudamos um do outro. Essa é a minha vontade, mas ele não veio e não virá.
– Não! – não queria ser grossa, mas não quero tocar nesse assunto.
– Ok! – acho que até ele percebeu que aconteceu alguma coisa. – Quer ajuda?
– Não precisa! Muito obrigada! – sorri, tentando tirar a cara fechada do meu rosto.
Fui até o elevador e apertei o número do meu andar. Olhei para o espelho, e me deparei com olheiras profundas e um cabelo bagunçado. Deve ser por isso que o taxista olhou com cara de piedade pra mim e o porteiro evitou perguntar o porquê do Gabe não ter vindo. A minha cara não está nada boa.
Assim que abri a porta do apartamento, uma dor invadiu o meu peito. Estava do mesmo jeito que eu havia deixado na última vez em que eu estive aqui. Entrei, e deixei as malas por ali mesmo e ficou olhando para aquele vazio. Ainda tinha o cheiro irreconhecível do Gabe e nossas fotos espalhadas por todo o meu apartamento. Fui até o quarto de hóspedes, abri o guarda roupa e me deparei com várias roupas dele nos cabides e nas gavetas. Peguei uma camisa que ele sempre dizia que era uma das suas favoritas porque eu havia dado de presente a ele. Cheirei, e senti o perfume que ele sempre usava quando saíamos juntos. Era um cheiro que poderia passar despercebido para outros homens, mas no Gabe era uma marca registrada, e o deixava ainda mais charmoso e atraente. Quantas vezes eu vi mulheres quase quebrando o pescoço só para poder vê-lo melhor e sentir esse cheiro. Na época eu não percebia que o amava de outro jeito, então achava graça delas.
Afastei esses pensamentos, e comecei a juntar todas aquelas roupas. Peguei uma mala e coloquei tudo ali dentro. Não quero mais ter sentir esse cheiro ou me lembrar de como ele ficava gostoso com aquela calça jeans preta, aquela bermuda de academia ou aquele terno que o deixava sexy. Não! Eu não quero me lembrar do Gabe. Quero estar na minha casa e ter paz, pelo menos por enquanto.
– Não quero mais, Gabe! Você me magoou e quebrou o meu coração! – eu estava chorando feito uma criança.
Fui até a sala, e peguei as fotos e que estávamos juntos. As únicas que eu deixei foi a que está toda a nossa família reunida, e uma que eu era criança, porque o resto foi parar dentro da gaveta. Posso estar sendo radical, mas o meu coração está pedindo um pouco de paz, e se eu ficar olhando tudo o que poderia me fazer recordar dele, eu vou chorar feito uma criança e ficar me perguntando por que eu acreditei nas palavras dele. Isso seria bem pior, muito pior.
***
Assim que eu acabei de guardar tudo, sentei-me no sofá e liguei para a minha mãe. Ela deve estar louca de preocupação, já que eu não havia dado sinal de vida desde quando eu cheguei.
– Alô! – uma voz desesperada atendeu, e eu percebi que era o Gabe. Eu havia ligado no telefone da casa da minha madrinha, não na minha casa.
Merda! Não, eu não consigo falar com ele!
– Emy, é você? Emy, fala comigo! – ele pedia sem parar.
Desliguei, e fiquei olhando para o telefone. A voz dele não era nada boa. Parecia que ele havia chorado, e a sua voz soava desesperada e angustiada. Será que ele estava arrependido? Óbvio que não, Emy! Deixe de pensar que o Gabe vai voltar correndo atrás de você.
Esperei mais uns alguns minutos, e retornei a ligação, só que dessa vez no número correto.
– Alô!
– Mãe, sou eu!
– Filha, como você está? – perguntou preocupada.
– Bem! – menti.
– Não minta pra mim, Emy. Como você está se sentindo?
– Eu estou despedaçada, mãe. Estou com saudades dele, dos nossos momentos...
– Meu amor, pode chorar a vontade. Eu queria muito estar ai, ou que você estivesse aqui, mas eu sei que esse tempo longe dele irá te fazer bem.
– Eu espero, mãe. Juro que eu quero muito que isso aconteça.
– Filha, seu pai não queria que eu falasse, mas eu não consigo guardar as coisas de você.
– O que foi, mãe? – perguntei preocupada.
– Teve uma briga por causa da separação de vocês. O seu pai, seu padrinho e a sua madrinha ficaram chateados com o Gabe.
– Meu Deus! – óbvio que eu fiquei preocupada com ele. Não deveria, mas fiquei.
– Filha, foi uma discussão feia! Nunca vi seu pai ficar tão bravo daquele jeito.
– E como ele está agora?
– Seu pai foi tomar um banho. Achei melhor ele ir esfriar a cabeça, e pensar um pouco. Já o Gabe, aquele lá está tão pra baixo, e eu o vi chorando. Ele dizia alguma coisa que eu não entendi muito bem.
– Como assim, mãe?
– Ah, sei lá! Ele dizia que alguém iria se arrepender e que se ele encontrasse com essa pessoa, ele iria matar.
Um calafrio passou pelo meu corpo e eu senti um aperto no peito, como se seu sentisse que algo iria acontecer.
– Não fique pensando muito, Emy. O Gabe está aqui, e nós ficaremos de olho nele, ok?
– Mãe, eu sei que ele não merece, mas, por favor, cuide dele.
– Eu irei, minha filha. Eu sei que esse não é o Gabe que eu conheço, e eu vou descobrir o motivo dessa mudança.
– Não tem motivo, mãe. Ele só não quer mais.
– Ah, tem. Meu coração de mãe não se engana.
– Ok, mãe. Eu vou desligar.
– Cuide-se, meu amor! Seu pai lhe mandou um beijo. Ah, a sua madrinha e padrinho também.
– Manda outro para eles. Outro dia eu ligo, e falo com eles.
Depois de ficar mais alguns segundos com a minha mãe, eu desliguei e fiquei olhando para o nada. Não queria ver TV e nem ouvir música. Nem com fome eu estava, o que é um milagre. Decidi tomar um banho, e deixar a água levar tudo de ruim que eu passei hoje.
Levantei-me, e assim que eu estava saindo da sala, escutei o telefone tocar.
– Alô! – falei, mas ninguém respondeu. – Alô! Quem é? Gabe, é você?
Será que era ele? Ninguém falava nada, eu só escutava uma respiração.
– Gabe, nós terminamos, ok! Você não quis desse jeito? Pois bem, desse jeito será! Eu já vim embora, e você pode curtir a sua vida do jeito que você gosta! Agora, por favor, me deixe um pouco em paz! – o silêncio pairou sobre o telefone. — Gabe, você me está me escutando? Gabe...
Desligou! Ele desligou na minha cara, e nem se quer falou comigo? Então está bem, ele quer desse jeito, desse jeito será!
Gabe
E ela foi embora. Ela realmente foi embora. Eu queria correr atrás daquele carro, pegá-la de volta e nunca mais soltar. Eu queria era poder falar tudo para ela, dizer a verdade. Se eu fui um covarde em esconder? Sim, eu fui! Mas eu não iria conseguir olhar nos olhos dela, e falar tudo o que eu recebi, ouvi e quase vi. Ela quase foi atropelada por um maldito e por sorte não aconteceu nada de grave no acidente de carro. Eu falhei com a promessa que eu fiz quando éramos crianças.
Não tinha vontade de voltar para a minha casa. Não, ali não era a minha casa. Meu lugar é onde a Emy está. Ela é a minha casa, meu porto seguro e meu calmante.
Arrastei-me até a entrada, e senti o vazio do meu peito. Aquela casa não seria a mesma se ela e nem eu serei o mesmo sem ela. Olhei para aquela sala, e lembrei-me de vários momentos que passamos. Os filmes que assistimos; das brincadeiras e das vezes em que eu fiquei olhando ela dormir como se fosse um anjo.
– Gabe.
Olhei para a minha madrinha, que estava com os olhos vermelhos. Eu me senti culpado por ter sido o culpado pela volta da Emy. Sei que ela queria que a filha estivesse aqui, mas eu fui estúpido demais em não pensar que ela pudesse ir embora.
– Madrinha, me desculpe. Eu juro que eu queria que ela fosse embora. Eu só...
– Gabe, o que aconteceu com você? Porque você disse aquilo pra ela? A Emy está despedaçada, Gabe. Ela esperava aquilo de qualquer um, menos de você. O garoto que sempre a protegeu e que esteve ao lado dela. Você a pediu em casamento para falar que não sabe o que quer. Porque, Gabe? – ela chorava, e isso partia o meu coração.
– Madrinha, eu juro que eu me arrependo do que eu falei. Eu daria tudo para poder voltar atrás. – falei, abraçando-a.
– Então diz pra ela, Gabe. Diga que você se arrependeu. Vá atrás dela e conta o verdadeiro motivo, seja ele qual for. Vocês se amam, e precisam ficar juntos, Gabe.
– Eu não sei se...
– Não! Eu não quero que o Gabe vá atrás da minha filha!
– Padrinho, eu sei que...
– Samuel, por favor, você não...
– Carmem, me deixa falar. Você não sabe de nada, Gabe. Eu achei que você seria o homem ideal para a minha filha, mas eu errei. Você a magoou! E não me venha com essa história que ambos quiseram dar um tempo, porque eu a conheço muito bem, e sei quando ela decide algo.
– O senhor tem razão. Eu pedi um tempo pra ela.
– Por quê?
– Porque eu preciso disso. Eu preciso resolver uma coisa antes de voltar para ela.
Meu padrinho olhou com fúria, e eu entendi a raiva que ele sentia de mim. Se até eu estava.
– Você engravidou outra mulher? É por isso que precisa resolver algo antes?
– Não! Claro que não! Eu não fiz isso! Eu a amo muito, e eu falar com ela para ela entender os meus motivos.
– Samuel, por favor, tente entender o Gabe.
– Entendê-lo? Ele magoou a nossa filha, e você pede que eu tente entender? Pra mim isso ai é cheiro de outra mulher. Ele deve ter percebido que a Emy é mulher de família, e não essas que ficam procurando dinheiro. – gritou.
Nessa hora eu enfureci. Nunca trai e nem trairia a Emy, muito menos achar que ela não fosse de família. Eu cresci com ela, porra! Sei tudo sobre ela!
– Padrinho, eu amo e respeito o senhor como um pai, mas não duvide da minha fidelidade. Eu nunca pensei em outra mulher quando eu estava com a Emy, e não será agora que irei pensar. E eu sei muito bem que ela é de família, tanto é que eu a pedi em casamento.
– Pediu, mas logo deu um fora nela.
– Eu não dei um fora nela! – gritei.
– Escuta aqui...
– Meu Deus, o que está acontecendo aqui? Lá de fora dá para escutar o grito de vocês.
Minha mãe e meu pai entraram correndo, e se assustaram ao verem com quem eu estava brigando.
– Gabe, porque você está brigando com o seu padrinho? – meu pai perguntou.
– Não é nada, pai. Deixa quieto.
– Deixa quieto? Michael, eu amo o Gabe como se fosse o meu filho, mas o que ele fez com a Emy...
– Gabe Hunter, o que você fez com ela?
– Pai, eu terminei com ela.
– Você fez o que? Gabe, como você pôde terminar com a Emily? Vocês se amam! – minha mãe me olhou assustada, não querendo acreditar na idiotice que eu tinha feito.
– Mãe... Eu errei em ter feito isso, e vou corrigir o meu erro, ok?
– E nunca achei que fosse fazer isso, Gabe! A Emy é mulher da sua vida! Você nunca vai encontrar alguém que te ame tanto, e que seja tão boa igual a ela. Porque você terminou? – meu pai parecia decepcionado comigo.
– Isso é um assunto pessoal!
– Traição!
– Eu já disse que eu não a trai! Nunca faria isso! – gritei, cansado de todos perguntarem o motivo.
– Eu não aguento mais! Perto da minha filha você não chega, ok?
– Padrinho...
– Eu me decepcionei com você, Gabe. Se você tivesse um motivo concreto para esse término, eu poderia entender, mas nem isso você tem. Nem o motivo você deve ter.
– Eu tenho, mas...
– Não quero saber! Pra mim já deu!
– Samuel, vamos para a nossa casa, daí você poderá esfriar a cabeça. Você está nervoso, e daqui a pouco vai dizer algo que poderá magoar ainda mais o Gabe.
Meu padrinho me olhou tristemente, e eu jurei que iria ter a sua confiança novamente.
– Gabe, vá descansar. Desculpe-me pelo Samuel!
– Não precisa desculpar-se, madrinha.
Ela beijou-me, e saiu junto com o meu padrinho.
Agora eu quero conversar com você, Gabe.
– Pai...
– Eu vou falar! Desde quando a Emy nasceu, eu vi que você a amava de um jeito diferente. Nunca foi um amor de irmão. Não posso dizer que nunca foi de amigo, porque isso vocês sempre foram, mas o seu amor transbordava. Eu achei que demorei muito para vocês perceberem que se amavam. Começou quando você a levou embora daqui, e eu sei que foi para ela ficar longe do Chad. Você o odiou desde a primeira vez que o viu, porque sabia que ele gostava dela. Depois foi com o Daniel, que eu sei que você não gosta dele por causa dela. – suspirou. – Filho, eu só quero entender o motivo dessa separação. Eu sei que nãoé traição, porque eu te ensinei muito bem a respeitar uma mulher. Então eu descarto essa possibilidade.
– Pai, eu só não sei mais o que eu quero pra minha vida. Aconteceu tudo muito rápido.
– Aconteceu no tempo certo, Gabe. Tudo acontece quando Deus quer. Ele quis que a amizade de vocês virasse um namoro, e virou. Ele quis que o namoro de vocês começasse com uma mentirinha, e foi assim que começou. Eu sei muito bem o que você quer para a sua vida, e ela se chama Emily.
Eu não aguentava mais. Meu pai sabia o que eu sentia, e soube me desabar. Eu o abracei, e chorei. Queria tirar a dor da saudade e do arrependimento.
– Pai, eu a amo tanto! Mais do que a mim mesmo! Eu só não posso ficar com ela nesse momento.
– Porque, Gabe?
– Se eu te contar, jura que não vai falar para a mamãe? Ela vai ficar preocupada.
– É tão sério, Gabe?
– Pior que é.
Contei tudo o que sabia, desde a caixa até o quase atropelamento da Emy. Ele ficou perplexo com tudo aquilo, e ficou sem reação ao saber do perigo que ela corre.
– Você deveria ter contado a ela, Gabe.
– Eu sei, e me arrependo de ter escondido a verdade. Agora todo mundo acha que eu a trai.
Nunca fiquei furioso com alguma coisa, como eu estava naquele momento.
– Eu vou te ajudar, filho. De alguma forma eu vou te ajudar.
– Obrigado, pai! –abracei-o fortemente.
***
Eu me senti um pouco mais aliviado ao ter a conversa com o meu pai. Sei que ele não vai descansar enquanto não conseguir pegar esse desgraçado. Minha mãe deve estar conversando com a madrinha, meu pai se enfiou naquele escritório. Eu não tinha vontade de ver nada, ouvir nada e nem ver ninguém. Estava jogado na sala, quando o telefone tocou. Minha cabeça foi imediatamente para a Emy. Poderia ser ela!
– Alô! – falei, desesperado.
O telefone ficou mudo? Não, tinha outra pessoa do outro lado da linha, e eu sei que é ela. Sei que é a minha princesa.
– Emy, é você? Emy, fala comigo! – pedi sem parar.
Eu esperei alguém me responder, mas o que eu escutei foi apenas o barulho do telefone sendo desligado. Eu tenho certeza que era ela. Eu senti a sua respiração acelerada. Nem falar comigo ela quer, e isso tudo é culpa desse merda que fica infernizando a minha vida.
– Seu desgraçado! Se eu te pego, eu te mato, sem dó! Você vai se arrepender de ter nascido! – enxuguei as lágrimas, e voltei a ter uma fúria mortal dentro de mim! Eu precisava acabar com aquilo!
Subi para o meu quarto, e pensei em algo para fazer. Eu havia tomado uma decisão, e não iria voltar atrás. Arrumei as minhas malas, peguei tudo o que eu precisava e fui até a sala, onde meu pai e minha mãe conversavam.
– Gabe, onde você vai com essas malas?- minha mãe levantou-se correndo, e veio até mim.
– Eu vou voltar para a casa, mãe!
– Mas aqui é a sua casa, Gabe!
– Não, mãe. A minha casa é onde a Emy está! Eu errei com ela, e vou corrigir o meu erro.
– Filho, você tomou a decisão certa! Vá, e conquiste a sua mulher! – me pai disse, piscando pra mim. Eu sabia que ele cuidaria também daquele assunto, e isso me aliviou um pouco.
– Eu vou rezar por vocês, meu filho!
– Reze bastante, mamãe. – sorri.
Despedi-me deles, e entrei no táxi. Eu iria voltar para a mulher que eu amo, e iria fazer de tudo para conquistá-la novamente. Iria protegê-la, mas eu precisava muito mais dela do que qualquer outra coisa!
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