Estou bem aqui, pleno, deitado na minha cama, em um dia que eu escolhi que não iria para o escritório. Trabalhei tanto na semana passada, que eu decidi que ficaria em casa, apenas hibernando o dia todo, sem preocupação e sem barulho... Só que não. Quando se tem filho, ou filhos, a vida da gente muda, completamente. A minha mudou muito. Até porque, dois de uma vez, não é para qualquer um. Eu, obviamente, dei conta do recado, afinal, eu sou Gabe, né? Quem duvidou que eu não daria conta de dois filhos, acabou quebrando a cara, porque eu sou maravilhoso no papel de pai, até porque é o meu dever também e não só da Emy. Ainda há quem fique surpreso quando me veem ajudando a minha esposa. Gente, isso é o papel de ambos, não só da mulher, até porque ela não fez os nossos filhos sozinhos. Eu tive um papel bem importante e gostoso ai. Por falar em gostoso, eu me lembrei de mim mesmo, claro.

E cadê a minha linda mulher e os dois pequenos terroristas que eu amo? Saíram cedo, e eu nem vi. Deixaram um bilhete, dizendo que iriam sair para um passeio e nem me chamaram. Vida injusta mesmo. Agora eu estou aqui, sozinho, jogado as traças, enquanto eles se divertem. Tudo bem que está um completo silêncio, o que é bem raro por aqui, e isso até que faz com que a minha cabeça descanse, porém, eu sinto falta quando fico muito tempo longe.

Já que não tinha ninguém mesmo, eu iria comer aquele chocolate maravilhoso que eu havia escondido na gaveta na cozinha, atrás do fundo falso, debaixo dos panos de prato. O que foi? Sim, eu escondo doces de vez em quando. Ok! Sempre tem um doce escondido por lá, só que ninguém sabe disso. É o meu segredinho sujo. As crianças amam doces, mas a Emy sempre diz que eles não podem comer em excesso, senão ficam imperativos demais e ela vive de dieta, então eu como sozinho, graças a Deus. Por isso que eu criei um fundo falso onde ninguém iria perceber. Eu sou um gênio mesmo, e esse chocolate está uma delícia. Ainda bem que eu peguei da Sophie e escondi pra mim.

— Gabe? – escutei a voz da Emy, e mastiguei correndo, escondendo o outro pedaço na minha cintura.

— Oi, amorzinho. – sorri e fui até ela, que estava com a Sophie em seu colo. — Oi, minha princesa.

— Papaizinho. – estendeu os bracinhos em minha direção e eu a peguei.

— Acordei e não vi vocês. O passeio estava bom? Cadê o Lucas?

— Ele está com o Nathan na casa da Lis e do George. Beck e Alex estão lá. Eu ia te acordar para ir, mas você estava dormindo tão tranquilo por isso que eu não quis te atrapalhar.

— Não teria problema nenhum, meu amor. – encostei a minha cabeça nos cabelos da Sophie, que estava abraçada comigo.

— E esse chamego todo com o papai, hein?! Eu só vim buscar as roupas que a Beck esqueceu aqui, mas essa danadinha quis vir comigo. Vamos, Sophie?

— Não, mamãe. Eu quero ficar com o papai!

— Mas, filha, o Nathan estava te esperando para nadar. O Lucas está lá também.

— Não. Não. Um momentinho com o meu papai. Dia da Sophie passear com o papai. – sorriu, me abraçando.

Eu vi que ela não iria me soltar de jeito nenhum, e eu nem queria. Eram só eles estares perto de mim, que eu era completamente dos três.

— Eu preciso voltar para a casa da Lis. Depois você leva a Sophie, por favor. O Nathan está esperando por ela, mas estou vendo que ele terá que esperar um pouquinho para ter a Sophie, já que a pimentinha aqui só quer saber do colo do papai.

Ele teria é que esperar para sentado e para sempre. Acho graça quando a Emily fala que ele terá que esperar para ter a Sophie. Vai esperar é a eternidade se depender de mim.

— Até mais tarde e não demore, Gabe. Amo vocês! – se despediu com um beijo em cada um de nós.

— E o que nós iremos fazer agora, Soso?

— Passeio no parque! – gritou animada.

— Combinado. – pulei junto com ela, quando o meu chocolate caiu no chão, e a pequena pestinha pegou primeiro que eu.

— Isso é o meu chocolate que a vovó me deu, papai. Você comeu?

— Não! Ela te deu só metade, Sophie.

— Eu te conheço, pai. – riu. — Você escondeu da mamãe, não é?

— Garota, quantos anos você tem mesmo? Porque não parece que tem só seis.

— Mamãe fala que eu sou esperta e eu sei que o senhor esconde doce, mas não vou dizer nada. Prometo que juro.

— Você é uma mini Emily mesmo.

— Dizem que eu sou um mini Gabe, pai. – riu, indo pegar alguma coisa em seu quarto, me deixando sozinho na cozinha, rindo de toda a ousadia dessa garota que eu amo.

*

Eu sempre tento ter um dia separado para os filhos. Tem dias que eu saio com os dois, mas têm dias que ambos querem coisas diferentes, então eu separo um dia para dar uma atenção a cada um. Lucas adora me acompanhar no trabalho, mesmo sem entender nada, mas ele se sente um adulto quando coloca os eu terno e vai “trabalhar” comigo. Já a Sophie gosta de pintar, desenhos heróis, o que gera uma discussão, porque o Lucas também gosta e os dois ficam disputando quem sabe mais.

— Pai, compra um escudo do Capitão América para mim e para o Lucas? Eu sei que não é o nosso aniversário, mas nós nos comportamos, sem brigas.

— Tudo bem. – levei-a até a loja que tinha no parque e ela parecia maravilhada.

Sophie é uma mistura de princesa heroína. Ela ama castelos, flores, rosa, mas ao mesmo tempo gosta de brincar de heróis com o Lucas e isso me deixa encantado como os dois, mesmo com as briguinhas, se divertem.

— Esses aqui, pai. O Lucas vai adorar. – peguei os dois escudos e fiquei olhando a loja junto com a Sophie.

— Seus filhos vão adorar esse brinquedo. Eles amam heróis, né? – um homem que eu nunca nem vi na vida veio conversar comigo.

— Um é para o meu filho e o outro para a minha filha. – apontei para a Sophie, que olhava os outros brinquedos.

— Um brinquedo de menino para a sua filha? – o homem olhou horrorizado pra mim, como se eu fosse feio.

— E o que tem a ver? – perguntei curioso.

— Cara, ela é uma garota. Você e a sua esposa não sabendo criar muito bem. Meninas brincam com coisas de meninas, como: bonecas, fogãozinho e essas coisas de garotas.

Pera! Para o mundo que eu estou tendo uma crise de labirintite com essa falação de bosta na minha cabeça. Uma coisa que eu aprendi na vida foi dividir as pessoas por tipos, porque assim ficaria mais fácil.

— Meu Deus! Cadê? – fingi que estava procurando alguma coisa só para ele me perguntar o que era.

— Está procurando alguma coisa?

— Sim. Estou procurando a minha carta da lei Áurea para saber se eu te dei liberdade para falar de como eu trato da minha filha. – o caro me olhou sem reação. — Você é tipo de pessoa academia: difícil de gostar.

— Como?

— Típico de pessoa Voldemort: mete o nariz onde não tem. Eu cuido da minha filha do jeito que eu quiser. Se ela quiser fazer o próximo filme do Capitão América, eu mando despedir o ator e coloco-a no lugar dele. Se ela quiser virar um escudo, ela vai virar. A vida é dela, e ela brinca com o que ela quiser brincar. Você já teve ter brincado de médico quando era mais novo e nem por isso virou médico, porque se for você não tem cara.

— Eu só dei a minha...

— Pega a sua opinião, enrola ela bem e engole. Não vai demorar muito para você cagar a merda que falou. Minha filha, minhas regras. – fui até o caixa, paguei pelos brinquedos e sai da loja com a Sophie, que pulava toda feliz pelo brinquedo novo.

—Muito obrigada pelo presente, papai. Agora eu sou uma heroína, não sou?

Eu agachei, ficando mais perto dela.

— Você pode ser o que quiser, Soso. Se quiser ser uma princesa, heroína, médica, bombeira, ou qualquer coisa, você será. Desde que seja feliz, porque isso me deixa feliz. E nunca deixe de ser você mesma por causa de ninguém. Nós te amamos muito, Sophie, e eu quero ver esse duelo de escudos entre você e o Lucas – ri, colocando-a no carro.

Eu faria e faço de tudo pela minha família, principalmente quando alguém vem dar uma opinião inútil sobre a minha filha, sendo que ele deve ser uma pessoa infeliz por ter um pensamento tão pequeno.

— E se eu quiser ser a namorada do Nathan, papai, eu posso?

Merda! Quantos anos essa menina tem mesmo? Estou até me vendo morrendo só de imaginar a minha filhinha com o Nathan taradinho. Isso não!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.