Eternamente

204 Bônus III-Festa de aniversário do Edward


Bônus III-Festa de Aniversário do Edward




Algum tempo depois…


Hoje era o grande dia! O aniversário do Edward. Aqui estava uma correria tremenda, e se não fosse pela nossa família, eu já teria pirado.

—Você está bem exigente. – Alice comentou.

Respirei fundo.

—Estou aflita. – disse. – Espero que dê tudo certo.

—Vai dar, amiga. O problema é você, que está muito tensa. Calma. – Alice tentou me acalmar. – Onde está meu irmão?

—Ainda dormindo. Ele vai dormir até mais tarde, para que possamos preparar tudo. – disse.

—Então ótimo! Vai dar tudo certo.

—Mamãe! Mamãe! – Megan e Ethan correram até mim.

—Hei, hei, calma. O que foi? – perguntei.

—O presente do papai. – Megan estava eufórica, os dois estavam, para falar a verdade.

—Quando iremos buscar? – Ethan perguntou.

—Acalmem-se os dois. – disse. – Iremos buscar assim que a festa começar. Tenham paciência, estamos arrumando tudo ainda, o papai ainda não acordou. Então. Vão se arrumar enquanto arrumamos tudo, ok?

—Ok. – disseram.

Os dois correram para dentro e eu respirei fundo. Alice riu.

—São crianças. Elas são ansiosas mesmo. – disse Alice. — E Megan tem o gênio do pai, mais difícil de controlar.

Comecei a rir.

—Vai ser o grande problema dele quando entrar na adolescência. – disse.

—E eu não sei? Ele agiu como o irmão mais velho ciumento comigo e Rosie. Vai chegar a hora dele vivenciar isso como pai.

Comecei a rir.

—Vamos nos concentrar aqui.

Alice e eu voltamos nossa atenção para os preparativos para a festa.

***

Os convidados já estavam chegando, Esme estava ajudando os meninos a se arrumarem, para Edward e eu podermos nos arrumar.

—Estou escutando barulhos de muitas pessoas lá fora. Achei que seria somente família. – ele disse.

—E são. Só alguns amigos, meu pai e sua família, Vic e Dean.

—Por que parece que tem muita gente ai?

Comecei a rir.

—Nossa família é grande e as crianças estão correndo por ai. – virei-me para ele. – Por que toda essa desconfiança?

Ele deu de ombros.

—Medo de você ter convidado o hospital inteiro, por exemplo. – ele disse.

—Do hospital tem somente suas irmãs, Emm, Jazz e Vic.

Ele assentiu.

—Está bem. Eu confio em você. – disse e eu ri.

Terminei de me arrumar e me virei para ele.

—Como estou? Apresentável como esposa do aniversariante? – perguntei, ele se virou para mim e ficou de boca aberta, olhando-me de cima abaixo.

—E como está. – disse. – Maravilhosamente linda. Se esse é o meu presente, fico muito grato.

Comecei a rir.

Eu estava vestindo um vestido vermelho, colado ao corpo, um salto alto da mesma cor e jóias, uma pulseira grossa no braço, uma fina corrente de ouro e pequenos brincos de ouro também. Os cabelos caindo em cachos e uma maquiagem bem leve e natural.

Comecei a rir.

—Esse não é o seu presente, mas, obrigada pelo elogio. – agradeci. – Já está pronto?

—Quase. – respondeu e voltou sua atenção para o espelho, terminando de abotoar a camisa.

Ele estava vestindo a roupa nova, uma calça jeans preta, tênis branco e camisa social branco, um relógio rolex no braço e os cabelos com o penteado de sempre.

—Eh, estou pronto. – disse.

Sorri.

—E lindo. – puxei-o pela nuca e o beijei.

—Obrigado. – ele suspirou. – Vamos lá?

—Espere um pouco, eu vou ver se já está tudo pronto.

Ele assentiu.

—Vou ficar te esperando aqui. – ele disse.

—Ok.

Saí do quarto e fui para o quarto das crianças, onde Esme e Berta arrumavam-nos.

—Oi. – disse.

—Oi! O aniversariante já está pronto? – Esme perguntou.

Assenti.

—Sim, vim ver se já está tudo pronto. – disse.

—As crianças já estão prontas e loucas para descerem. – disse Berta.

—Vamos descer. – disse Esme e saímos do quarto das crianças, descemos e fomos para o jardim, e parecia estar tudo certo. Fui até minhas cunhadas.

—Meninas, está tudo certo? – perguntou.

—Está sim, só falta o aniversariante.

—Ele está lá no quarto, esperando autorização para descer. – disse.

—Ok, então vá busca-lo. – pediu Alice.

Assenti com a cabeça e voltei para dentro, subi para o meu quarto e fui buscar Edward em nosso quarto, entrei no quarto e ele estava deitada na cama, mexendo no celular.

—Entediado? – perguntei.

Ele tirou os olhos do celular e virou a cabeça de lado, em minha direção para me olhar.

—Eh, você me deixou aqui de castigo. – respondeu.

Comecei a rir e me aproximei, estendi minha mão em sua direção.

—Vamos lá.

Ele se levantou e pegou em minha mão, respirou fundo e disse:

—Vamos lá. – repetiu.

Puxei-o para fora do quarto e descemos, fomos para o jardim, onde estavam todos preparados para o receberem.

—FELIZ ANIVERSÁRIO! – gritaram todos e Edward sorriu ao ver todos os nossos amigos e familiares.

Os primeiros que vieram abraça-lo, foram as crianças, ele beijou a bochecha de cada um e agradeceu, em seguida foram os seus pais, a família do meu pai e nossos amigos. Eu mal tive tempo de falar com ele, então, aproveitei essa deixa.

—Allie. – puxei-a.

—Que foi? –ela perguntou.

—Vou aproveitar que Edward está distraído com todo mundo e vou ir buscar o presente dele, ok?

Ela assentiu.

—Claro. Quer que eu fale o que para ele?

—A verdade. Que eu saí com as crianças para buscarmos o presente deles e já voltamos. – respondi.

Ela assentiu.

—Está bem, vai lá.

Peguei Megan e Ethan e fui com eles até o Pet Shop para pegarmos o presente de Edward.

—Finalmente! – disse Ethan, animado.

—Qual nome iremos dar para ele? – Megan perguntou.

—É um presente para o papai, ele quem tem que escolher. – lembrou Ethan.

—Mamãe, qual nome será que o papai vai escolher? – Megan me perguntou.

—Não faço ideia, filha. Mas, tenho certeza de que seu pai será bem criativo. – respondi.

—Como ele escolheu o nome do Simba? – Ethan perguntou.

—Bom… Simba parecia um leão. Então, seu pai usou a semelhança. – disse.

—Sim! Por causa do Rei Leão! – disse Ethan, eles adoravam esse filme, Edward os apresentou. E dada a escolha do nome do seu último cachorro, acho que ele também adorava.

Chegamos ao Pet Shop e pegamos o nosso novo amiguinho. Levamos comida para ele e o colocamos no carro. Voltamos para casa e o deixamos na lavanderia até a hora de entregar para o Edward. Voltamos para a festa que já se encontrava bem agitada.

Procurei pelo Edward, que estava em uma conversa animada com Vic, Dean, Leah e Jacob.

—Oi! – passei o braço envolta da cintura de Edward. – Como estamos por aqui?

—Ótimos. Estávamos falando sobre as crianças. – disse Vic.

—Depois de cortá-los, por que estavam falando do hospital. – disse Leah.

—Eh, isso é normal entre vocês? – Dean perguntou.

Comecei a rir.

—Nem todos são assim. – garanti.

—Por onde andou? – Edward me perguntou.

Sorri.

—Logo você saberá. – respondi e ele riu.

—Com licença. – disse Edward e me puxou para longe de nossos amigos. Fomos nos sentar em uma mesa.

—Olha, está tudo ótimo, vocês realmente capricharam. Juntar-me com todos vocês, está maravilhoso. – ele elogiou.

Sorri.

—Que bom que está gostando, meu amor. Fizemos tudo com muito carinho para você, não se esqueça disso. – disse.

Ele assentiu.

—Sim, eu sei. – ele me olhou. – Vamos dançar?

—Claro.

Ele se levantou e estendeu a mão para mim, peguei em sua mão, nos levantamos e fomos para a pista de dança, montada no meio do jardim. Dançamos uma música lenta.

—Está mesmo gostando de tudo? Se tiver algo que queira mudar, é só me avisar. – disse

Ele sorriu.

—Não precisa se preocupar. Está tudo perfeito, você fez um ótimo trabalho. Mas… eu também sei que ainda não acabou e que você planejou um grande presente para mim, e que é bem misterioso.

Comecei a rir.

—Eh, mas é mais presente das crianças do que meu. Eles insistiram muito para lhe dar esse presente, eu só os ajudei. – disse

—E o que é?

Sorri.

—Logo saberá. – disse e ele riu.

—Olha, tem algo específico que eu gostaria de ganhar de você. Mas, seria algo que iria demorar um pouco em vir. – ele disse e eu arqueei as sobrancelhas, confusa.

–O que? Pode me pedir qualquer coisa. – disse.

Ele sorriu.

—Um bebê.

Meu cérebro se desligou por alguns minutos. Eu não sabia o que dizer nesse momento, pela primeira vez na vida, em todos esses anos que estivemos juntos, era a primeira vez que eu não sabia o que dizer com uma conversa sobre aumentarmos a família.

—Você me ouviu? – voltei a realidade.

Balancei a cabeça e sorri para ele.

—Sim, claro. Ah… você só me pegou de surpresa. – respondi. – É que achei que já estávamos com nossa família completa e que já estivesse satisfeito.

Ele sorriu.

—Eu estou satisfeito com os nossos filhos. Mas, aumentar a família é sempre bom, não acha?

Assenti.

—Sim, claro. – disse. – Mas, pode me dar um tempo para pensar? Quero planejar direito, por conta do nosso trabalho.

Ele assentiu.

—Claro. Eu não vou te pressionar. – ele suspirou. – Mas, vamos falar sobre isso depois. – ele me deu um selinho. – Eu vou pegar uma bebida.

—Ok.

Ele foi pegar uma bebida, eu fui me sentar. Eu precisava pensar um pouco depois dessa conversa.

—Oi, tá tudo bem? – Rose perguntou, ao se aproximar de mim junto com a Alice.

Olhei para as duas e respirei fundo.

—Acho que eu estou precisando conversar. – me levantei.

—Claro, vamos para o seu quarto. – disse Alice.

—Não, vamos para o de hóspedes. O meu quarto seria o primeiro que Edward me procuraria.

Entrei em casa com elas e fomos para o quarto de hóspedes. Sentei-me na cama e comecei a desabafar com elas.

—Sério isso? – Rosie perguntou

—Eu não posso tentar engravidar, sem falar para ele o que aconteceu antes. – disse.

—Então, chega de esconder isso dele. Conte a ele o que houve, está na hora de contar a ele. – aconselhou Alice.

—Olha, deixe a festa terminar. Senão, seria um banho de água fria. Levamos as crianças para nossa casa, para vocês ficarem sozinhos e você poder falar com ele. – sugeriu Rosalie.

Suspirei.

—Belo fim de festa. – disse.

—Agora, é melhor contar o mais rápido possível. –disse Alice.

—E conhecendo meu irmão como eu conheço, ele vai te dar todo apoio que precisar.

Respirei fundo.

—Tudo bem, é o que eu vou fazer. – disse.

—Agora, tire essa cara de preocupada, e vamos curtir a festa, ok? – Alice exigiu.

Assenti.

—Vamos lá. – disse.

Saímos do quarto, e no corredor, correndo em nossa direção vieram Ethan e Megan.

—MAMÃE!

—Hei, hei. Sem correr. O que houve?

—A vovó disse que já iremos cantar parabéns e cortar o bolo. – disse Megan.

—Vamos dar o presente do papai. – pediu Ethan.

Assenti e sorri.

—Claro! Vamos lá.

Descemos e voltamos para o jardim. Esme se aproximou de mim ao nos ver.

—Estávamos esperando por vocês para o parabéns. – disse.

Sorri.

—Claro, deixe-me só entregar o presente. As crianças estão ansiosas para isso.

Ela assentiu.

—Ok.

Busquei a caixa em que nosso novo cachorro estava. Levamos até o jardim e colocamos no meio da pista de dança. Virei-me na direção de Edward e estendi minha mão para ele, ele sorriu, se aproximou e pegou em minha mão. Olhou para a caixa parda, não fazendo ideia do que havia ali dentro.

—Quando me disseram que iriam me dar um presente, eu imaginei um relógio ou uma gravata. Parece que é algo maior. – comentou.

Sorri.

—Na verdade, é sim. Mas, tenho certeza de que você vai gostar. As crianças escolheram esse presente para você, tendo a certeza de que iria gostar e eu concordo com eles. – disse.

—Você merece, papai. – disse Megan.

—Estávamos ansiosos para isso. – disse Ethan, dando pulinhos.

—Abra. – pedi.

Ele suspirou.

—Tudo bem. Vamos matar essa curiosidade. – ele disse, abaixando-se e abrindo a caixa.

Quando ele viu o conteúdo dentro dela, ele sorriu, um enorme sorriso de orelha a orelha. Pelo visto acertamos em cheio.

Ele pegou o pequeno dálmata de dentro da caixa e nos olhou, sorrindo.

—Eh, dessa vez vocês me surpreenderam. – ele disse.

—Sabemos que o Simba é insubstituível, mas tenho certeza de que ele iria gostar se tivéssemos outro amigo para amar como o amamos. – disse Megan.

Edward suspirou, ele estava segurando a emoção por estar na presença de todos.

—Eh, vocês tem toda razão. – ele se levantou, e deu um beijo na cabeça do cachorro. – Eu adorei!

Ele veio até nós e nos abraçou.

—Feliz aniversário, papai! – Megan e Ethan disseram.

—Obrigado. – ele deu um beijo na testa dos nossos filhos e um selinho em mim. – Mais ainda a você, que entrou nessa com as crianças.

Sorri.

—Eles conseguem me convencer com uma facilidade. – disse.

Ele riu.

—Tá legal, não queria atrapalhar o momento família, mas, está na hora de cantarmos parabéns. – Esme nos lembrou.

Assenti.

—Claro, vamos lá. – disse.

Peguei nosso novo cãozinho e o levei para dentro, para podermos cantar parabéns, voltei para o jardim e me juntei a Edward e as crianças na mesa. Megan e Ethan ficaram a nossa frente, Edward pegou Anthony no colo e eu peguei Renée, cantamos parabéns e Edward apagou a vela.

—Bom, antes de cortar o bolo, queria dizer algumas palavras. – Edward respirou fundo. – Agradeço a todos por estarem aqui hoje, eu não sou muito fã de comemorar meu aniversário, mas, só por estar aqui, comemorando com todos que eu amo, já está sendo maravilhoso. Agradeço a minha família, por ter ajudado a minha esposa a organizar tudo isso. Mãe, pai, amo vocês.

—Também te amamos. – disse Esme e Carlisle.

—Às minhas queridas e maravilhosas irmãs, os meus braços direito e esquerdo. Obrigado mesmo, também amo vocês. – elas sopraram um beijo para ele. – E também aos meus cunhados. Obrigado por serem os melhores amigos que eu poderia ter.

Eles levantaram o copo de bebida, referindo a um brinde ao aniversariante.

Edward se virou para as crianças.

—Aos meus filhos, obrigado mesmo por terem me convencido a fazer essa festa, eu amo vocês.

—Também te amamos, papai.

Edward se virou para mim.

—E obrigada a você, por ser a melhor esposa, companheira de trabalho, meu alicerce. Eu te amo. – ele disse.

Sorri.

—Eu também te amo. – dei-lhe um selinho e sussurrei: —Feliz aniversário!

Ele sorriu para mim.

Em seguida, ele cortou o bolo e o primeiro pedaço foi para mim, os outros, ele dividiu para as crianças, em seguida, os garçons cortaram para o restante dos convidados. Sentamos em uma mesa para comer junto com nossos filhos menores, já que Megan e Ethan foram comer junto com as outras crianças.

—Eu conversei com suas irmãs mais cedo, e combinei com elas de que elas cuidariam das crianças essa noite. Para ficarmos sozinhos. – disse, enquanto comíamos do bolo.

Ele sorriu.

—Eu achei ótimo. Finalizar a noite somente com você, é perfeito. – ele disse.

Sorri.

Espero mesmo que dê tudo certo esta noite. Pois, a conversa que eu teria com ele, seria difícil, eu não sabia como ele lidaria com o que eu tinha para dizer a ele e esperava mesmo que ele não ficasse chateado por eu não ter lhe contado isso antes.

A festa continuou. Todos estavam se divertindo, houve um momento que me ausentei para colocar Anthony e Renée na cama, pois, eles ficaram cansados da festa. Liguei a câmera da babá eletrônica para ficar de olho neles e voltei para a festa. Rosalie se aproximou de mim e me entregou um copo.

—Eu iria te trazer um vinho, mas acho que está precisando de algo mais forte. É uísque. – disse.

Peguei o copo e dei um gole na bebida.

—Está tão na cara assim minha tensão? – perguntei.

—Um pouco. Mas, acho que meu irmão não irá perceber. – ela respondeu. – Mas, fique tranquila, ok? Edward vai entender os seus motivos por não ter contado antes, você conhece ele, sabe que ele é compreensivo.

Respirei fundo.

—Espero que esteja certa. – disse.

Terminei de beber o uísque e depois fui curtir a festa junto com todo mundo.

***

A festa já havia chegado ao fim, Rosie havia levado Megan e as crianças para sua casa, Alice e Jasper também iriam dormir lá com a filha deles, para ajudarem a cuidar das crianças, eu dei uma arrumada rápida em casa para não ficar muita coisa para arrumar amanhã. Edward estava limpando o jardim, mesmo eu insistindo para que o deixasse limpar, pois, ele era o aniversariante e não era justo ele limpar a sua própria festa de aniversário, mas, ele insistiu em me ajudar.

Peguei uma garrafa de vinho e duas taças para aliviar o clima que viria, fui para a sala de estar e coloquei a garrafa e as taças em cima da mesinha. Algum tempo depois, Edward voltou do jardim.

—Pronto. Dei uma limpada rápida, amanhã limpamos o restante com mais calma. – ele disse e se aproximou de mim. – Agora, eu quero aproveitar o resto da noite com a minha mulher.

Sorri.

—Sente-se, eu preciso conversar com você. – pedi.

Ele se sentou de lado no sofá, assim como eu, e ficamos um de frente para o outro.

—Quer vinho? – perguntei.

Ele negou com a cabeça.

—Não, mas quero saber o que tem para falar. Você tá estranha, parece tensa. – ele disse.

Respirei fundo e o olhei nos olhos.

—Bom… é sobre termos outro filho. – disse.

—Você não quer? – perguntou.

—Não, muito pelo contrário. Eu quero, mas antes, eu preciso te contar algo que estou escondendo há algum tempo. – disse.

Sua expressão mudou-se para preocupação.

—Está me escondendo algo? – assenti com a cabeça. – E… é o que? Outra pessoa?

—Não! Jamais existiria outra pessoa, Edward. – respirei fundo. – É que… se lembra de quando Simba ficou doente e foi internado? – ele assentiu. – Alguns dias antes dele ser internado, eu descobri que estava grávida. Na noite em que ele morreu, você ficou muito mal, eu ainda fiquei acordada por um tempo, e… quando fui dormir, tive um sangramento. Como médica, eu me cuidei, e depois do velório, quando voltamos ao hospital, passei em uma consulta com suas irmãs e confirmamos o aborto espontâneo.

Ele empalideceu com o que eu havia acabado de lhe contar.

—Eu preferia que tivesse tendo um caso. – disse.

—O que…? Como pode falar isso?

—Como você pôde me esconder isso, Bella?!

—Você estava passando pela dor da perda de Simba, eu não podia fazer você sofrer ainda mais, eu fiz isso por você!

—Por mim?!

—Edward, por favor, se acalma. – pedi, ele estava ficando muito nervoso e provavelmente falaria coisas ruins para mim.

Ele respirou fundo e se levantou, indo até a garagem.

—Eu preciso dar uma volta. – ele disse e saiu.

Tentei controlar minhas lágrimas, mas foi impossível. Apesar de todos falarem que ele poderia ser compreensivo, ele acabou não sendo. Eu estava certa de que ele não reagiria muito bem com isso.

Peguei a garrafa de vinho e tomei um gole. Depois mais um gole. Pelo visto era assim que terminaria minha noite.


Três horas depois…


Já haviam se passado três horas desde que Edward saiu e até agora não voltou. E nesse tempo, eu já havia tomado três garrafas de vinho e já não estava muito sóbria.

Levantei-me e cambaleando subi para o quarto, peguei meu celular e vi que já eram 1h da manhã, liguei para o Edward algumas vezes e nada dele me atender. Se eu rastreá-lo, eu posso ir atrás dele com o meu carro. Peguei a garrafa, meu celular e desci as escadas, mas enquanto estava descendo, meu salto escorregou em um dos degraus e caí escada abaixo. Eu havia caído em cima da garrafa, que se quebrou e cortou o meu braço. Ao me levantar, senti uma dor aguda em minha costela. Agora, estava fora de questão ir atrás do Edward. Gemendo de dor, subi as escadas novamente e voltei para o meu quarto, fui até o banheiro e olhei com calma o meu corte, não havia sido profundo, era só lavar e fazer um curativo, então, tirei minha roupa e me enfiei debaixo do chuveiro, fiquei ali por um tempo, tentando refletir e me acalmar, lavei a ferida e saí, do banho vesti um pijama de seda, e fiz o curativo em meu braço.

Minha costela continuava doendo, desci de novo e peguei a bolsa térmica na cozinha, coloquei alguns gelos e voltei para o quarto, deitei-me na cama e enfiei a bolsa por debaixo da minha blusa, em cima da costela. A dor estava aumentando, eu não podia chegar ao hospital assim, por que eu tinha acabado de beber e eu como médica, não daria um bom exemplo. Fechei os olhos e fiquei esperando a dor passar.

Edward Anthony Cullen

Não era desse jeito que eu queria que meu aniversário terminasse. Descobrir que a Bella sofreu um aborto foi a pior coisa do mundo, eu não reagi muito bem com a notícia, foi muita coisa acontecendo ao mesmo tempo naquela época. Eu fiquei muito mal com a morte de Simba e não notei que ela havia passado por essa situação. Claro, ela também teve a ajuda das minhas irmãs, que são obstetras e ginecologistas, dariam o tratamento necessário para ela e a encobririam para que eu não descobrisse. E com as minhas irmãs eu falaria depois.

Eu havia ido dar uma volta de carro para poder esfriar a cabeça, eu vi que Bella se desesperou, com medo de lhe dizer algo muito ruim que só piorasse as coisas.

Agora, eu estava mais calmo e pude refletir um pouco. Conhecendo minha esposa como eu conheço, sei que ela me escondeu, por que eu já estava sofrendo pelo Simba e ela não me queria causar mais sofrimento, preparando para contar no momento certo, e esse momento foi hoje, por que pedi mais um filho para ela. Pensei também no quanto que ela também sofreu por ter passado por esse aborto. Todo o estresse que ela também passou com a morte de Simba, acabou fazendo mal para o bebê e por isso ela não conseguiu levar a gravidez adiante. Eu não tinha enxergado o sofrimento dela também, mas agora pude pensar nisso, era traumatizando para toda mulher passar por isso, ainda mais para ela, que foi sequestrada por um lunático quando estava grávida do Anthony, sofreu as dores do parto sozinha e quase deu a luz sozinha naquela floresta. Ela já tinha sofrido muito, praticamente passou por algo parecido.

Resolvi voltar para casa e conversar melhor com ela, entender exatamente tudo o que aconteceu, pedir desculpas pela minha reação e dizer a ela que a culpa não foi dela, foi um momento ruim para todos nós e que eu entendia que ter perdido o bebê por causa daquela tensão toda, eu jamais diria que a culpa foi dela, mas queria ter sabido na época, para poder apoiá-la.

Ao chegar em casa, notei as garrafas de vinho na mesa onde estávamos sentados, havia somente uma garrafa quando saí, agora havia três ali. Ela provavelmente bebeu sozinha por estar chateada.

Respirei fundo. Ela provavelmente não estava em condições de conversar hoje. Fui em direção a escada e notei que havia uma garrafa de vinho quebrada no chão e o celular dela também estava caído, notei um líquido no meio dos vidros, era vermelho, mas não parecia vinho, isso era sangue com certeza. Olhei para cima.

Bella!

Subi as escadas correndo e entrei no quarto, Bella estava dormindo, não parecia machucada. Fui até a cama e a descobri um pouco para ver se realmente não havia se machucado. Seu braço estava com um curativo, mas o que eu notei era que sua blusa estava molhada, levantei a blusa e vi a bolsa térmica com gelo que já havia derretido e por isso sua roupa estava molhada. Tirei a bolsa do local e me surpreendi com o enorme hematoma que havia em sua costela. Toquei o hematoma e seu corpo deu um espasmo e ela gemeu de dor. Foi um toque rápido, mas estava quase certo de que ela estava com a costela fraturada.

—Bella, acorde. – pedi.

Ela gemeu novamente e abriu os olhos.

—Edward, você voltou.

—O que aconteceu na escada? Você se machucou?

—Eu… bebi um pouco demais, subi para buscar meu celular e tentar falar com você, quando eu desci, meu salto acabou escorregando e eu caí. Cortei meu braço, mas já fiz o curativo.

—E a sua costela? Ela está com um hematoma enorme.

—Está? Quando eu vi só estava vermelho.

—Está doendo?

—Um pouco. – ela suspirou e fez careta. – Dói quando eu respiro.

—Levante, eu vou te levar para o hospital. – pedi.

—Não! Eu não posso aparecer no hospital assim! Eu bebi, que exemplo estaria dando, aparecendo assim no meu local de trabalho?

—Você não está indo como médica e sim como paciente, vamos.

Ela não discutiu, somente se sentou na cama, e fez careta novamente de dor. Estendi a mão para ela e a ajudei a se levantar, a guiei para fora do quarto e ao descer o primeiro degrau da escada, ela deu um alto gemido de dor.

—Ai! Acho que não vou conseguir, está começando a me dar falta de ar. – disse.

—Vem cá. – peguei-a no colo e a desci com ela, levei-a para o meu carro e a coloquei dentro. – Eu vou pegar seus documentos.

Peguei sua bolsa no quarto e peguei sua carteira dentro, onde tinham todos os seus documentos, apesar dela ser conhecida no hospital, ela precisava dos documentos para dar entrada. Voltei para o carro e dirigi direto para o hospital. Fui dirigindo rápido, mas ao passar pelo quebra-molas, o carro deu um salto e Bella soltou um grito de dor.

—Foi mal, é que eu quero chegar logo para você ser atendida o mais depressa possível.

Ela negou com a cabeça.

—Por favor, vai devagar. – pediu e assim fiz, diminui a velocidade do carro.

Quando enfim chegamos ao hospital, Bella foi atendida por um dos médicos de plantão, que logo fez o um raio-x e nos mostrou no quarto.

—Ela realmente fraturou. – confirmei, e ele assentiu com a cabeça.

—Sim. E estava comprimindo o seu pulmão, por isso a falta de ar. Ela vai permanecer assim por algum tempo, sugiro que ela use uma bombinha de asma para conseguir respirar melhor, ela vai precisar ficar de repouso, e com a costela imobilizada. – orientou. – Só uma pergunta, como isso foi acontecer? Vocês não estavam comemorando seu aniversário?

Assenti.

—Estávamos, só que ela bebeu um pouco além da conta e acabou caindo da escada, ela também machucou o braço.

Ele assentiu.

—Sim, examinei o braço também, foi superficial. Ela não vai precisar de pontos, a ferida está limpa. Para alguém que está bêbada, ela cuidou muito bem dessa ferida.

Sorri.

—Ela é uma médica talentosa. – disse.

Ele riu.

—Eu posso ir embora? Não quero ficar internada. – pediu.

—Pode assinar a alta dela. Eu cuido dela em casa. – pedi.

Ele assentiu.

—Tudo bem, precisa de uma enfermeira para fazer a imobilização?

Neguei.

—Eu mesmo faço.

Ele assentiu.

—Eu vou dar alta para ela e você assina na recepção. – ele disse.

—Obrigado, Dr. Kelvin.

—De nada. – ele olhou para Bella. – Melhoras, Dra. Cullen. E mais cuidado da próxima vez que beber.

Ela sorriu para ele.

—Obrigada. Tomarei mais cuidado. – prometeu.

—A propósito, pode pedir para minhas irmãs cuidarem dos nossos pacientes? Eu vou ficar cuidando da Bella e não poderei vir trabalhar.

Ele assentiu.

—Claro, pode deixar.

—Obrigado.

—Eu tenho que ir agora, tenham uma boa noite. E feliz aniversário, Dr. Cullen.

Sorri.

—Valeu.

Ele saiu do quarto e eu me virei para a Bella.

—Tá legal, vamos imobilizar sua costela. – ela se sentou e tirou a blusa para eu fazer o procedimento.

—Edward, sobre a nossa discussão…

—Não, Bella. – olhei-a nos olhos. – Você ainda está bêbada, não vou conversar com você assim. – acariciei seu queixo. – Vamos cuidar de você e amanhã conversamos sobre isso, está bem?

Ela assentiu.

—Já acabou?

—Quase.

Terminei de imobilizá-la e a ajudei a se vestir, saímos do quarto e passamos na farmácia para pegar uma bombinha de asma, depois fomos a recepção para assinar sua alta, saímos do hospital, voltamos para o meu carro e voltarmos para casa. Ao chegar em casa, subimos para o quarto.

—Troque de roupa. Essa ainda está molhada da bolsa de gelo.

—Ah… eu vou precisar de ajuda.

Assenti.

Fomos para o closet e a ajudei a tirar a roupa, deixando-a somente de calcinha, peguei uma camisa minha.

—Fica mais fácil para você vestir. – disse.

—Uhum.

A vesti com minha camisa e voltamos para o quarto e a deitei na cama.

—Agora, dorme um pouco. Qualquer coisa, me chame, ok?

—Tá. – ela fechou os olhos e não demorou muito para ela pegar no sono.

Respirei fundo e acariciei seus cabelos. A raiva que senti dela mais cedo, já havia passado, só de vê-la machucada, já me fez esquecer-se de tudo. Saí do quarto e desci para limpar a bagunça da escada. Limpei o sangue e os vidros dali e peguei o celular da Bella, verifiquei para ver se não havia quebrado, notei que o aplicativo de localização estava aberto, ela estava tentando me rastrear.

Ela estava vindo atrás de mim? Mas ela estava bêbada, ela realmente cogitou dirigir bêbada para vir atrás de mim?

Por um momento fiquei aliviado por ela ter caído da escada e não ter conseguido vir atrás de mim, se ela tivesse pegado o carro no estado em que estava, algo mais grave poderia ter acontecido.

Respirei fundo e desliguei seu celular, subi, entrei no quarto, coloquei o celular em cima do seu criado mudo e fui tomar uma ducha rápida, voltei ao quarto, deitei-me ao lado dela, beijei seus cabelos e sussurrei:

—Boa noite, gatinha.

Fechei meus olhos e dormi também.

No dia seguinte…

Acordei muito cedo para fazer o café da manhã da Bella. Foi uma noite difícil para ela. Ela acordou algumas vezes, e todas as vezes que ela acordava, eu também acordava, para ajuda-la, algumas vezes era para ela ir ao banheiro e outras, ela reclamava de dor. Eu não podia dar o remédio ainda para ela, por que seu organismo ainda tinha álcool, ela só podia usar a bombinha, algumas vezes ela chorou, mas eu a acalmei, fazendo-a dormir novamente.

Estava preparando o café da Bella quando Rose me ligou, atendi para contar o ocorrido e pedir para que ela levasse as crianças para Berta.

—Oi, Rosie. Bom dia.

—Ed, bom dia. Levei Renée e Thony para a casa dos nossos pais e trouxe Megan e Ethan pra escola. Cheguei ao hospital e disseram para remanejar os seus atendimentos e da Bella, por que ela se acidentou. O que houve?

Respirei fundo e contei toda a história para ela, ela já sabia de tudo mesmo.

—Eu que a convenci a te falar logo, achei que seria mais compreensivo.

—Sei que agi errado com ela. Mas, depois eu pensei bem e percebi que ela sofreu também. Eu só me chateei, por que não pude dar esse apoio para ela. Estou arrependido de tê-la deixado em casa sozinho, por que quando eu cheguei, ela já estava machucada.

—Mas… foi de propósito? Por causa da briga?

—Não! Ela não faria isso. Ela bebeu demais para afogar as mágoas da nossa briga, se salto escorregou na escada e ela rolou. Ela quebrou a costela e teve um corte superficial no braço. Quando eu cheguei em casa, ela estava com uma bolsa de gelo na costela, levei-a ao hospital e ela terá que ficar com a costela imobilizada. – respirei fundo. – Agora, eu não quero saber de nada, a não ser cuidar dela, é só isso que me importa nesse momento.

—Tudo bem, mas você entendeu que ela não esconder de você por mal, não é?

—Sim, eu entendi isso. Estávamos passando por um momento difícil e ela não queria me deixar pior. É que eu sei o quão difícil foi para ela também, eu só queria que ela tivesse me dado a oportunidade de cuidar dela.

—Ela achou que seria mais fácil assim.

—Eh. Mas, agora eu quero focar na recuperação dela, isso é um assunto para outro momento.

—Tudo bem. Depois eu faço uma visita para ela. Pode deixar que iremos segurar as coisas por aqui, vai cuidar dela. – ela disse.

—Obrigado, irmã. Tchau. – disse.

—Tchau.

Desliguei o telefone e voltei minha concentração no café da Bella.

Coloquei tudo em uma bandeja e levei para ela. Entrei no quarto e ela ainda estada dormindo, coloquei a bandeja na ponta da cama e sentei-me ao seu lado, acariciei seus cabelos.

—Bella. – chamei.

Ela abriu os olhos.

—Bom dia. – disse.

—Bom dia. – respondeu.

—Está com dor de cabeça? – perguntei e ela negou com a cabeça.

—Mas minha costela está me matando.

—Eu sei. Vem, eu vou te ajudar a se sentar. – ajudei-a a sentar, coloquei a bandeja a sua frente a me sentei na cama a sua frente também. – Toma seu café, e depois pode enfim tomar seu remédio, já que o álcool do seu corpo já se evaporou.

—Obrigada.

Nós dois começamos a tomar o café.

—Você se lembra do que aconteceu ontem para ter se machucado?

Ela assentiu.

—Eu… fiquei muito mal por ter te magoado, então… acabei bebendo algumas garrafas de vinho, vim buscar o celular no quarto para te ligar e quando desci novamente, meu salto escorregou e eu caí.

Assenti.

—Foi o que me contou. – disse.

—Você ainda está bravo comigo?

Sorri.

—Não, ver você machucada me deixou muito preocupado para pensar nisso. E fiz uma descoberta, depois de anos de casados, descobri que não posso deixar você sozinha em casa bebendo. – disse e ela riu.

—Deixa eu me explicar. – pediu.

—Quero que se concentre em sua recuperação primeiro.

—Por favor.

Respirei fundo.

—Tudo bem.

—Bom… eu descobri a gravidez quando Simba adoeceu, tinha esperanças deles se recuperar para eu dar essa notícia, mas…

—Não aconteceu. – completei e ela assentiu com a cabeça. – Você perdeu, por causa de todo o estresse da morte dele?

Ela respirou fundo.

—Sim. Perdê-lo também me afetou muito, as crianças ficaram mal, você ficou mal, acho que eu acabei ficando tão preocupada com vocês, que me estressei muito e acabei sofrendo um aborto. Meu sangramento começou no dia do velório, eu desconfiei que algo poderia estar errado, e quando voltei ao trabalho, pedi ajuda das suas irmãs, Allie fez um ultrassom e revelou a ausência dos batimentos. Elas me ajudaram com os procedimentos, e eu estava esperando o momento certo para te contar.

Assenti.

—E… como se sentiu com essa perda?

—Ah, você sabe, doeu muito. Era o nosso bebê e foi horrível. Jamais esperei passar por isso.

Assenti.

—A minha chateação é por que você não permitiu que eu vivesse essa perda com você, que te apoiasse. – disse.

—Desculpe, você já estava sofrendo pela morte do Simba, não queria te deixar pior.

—E achou justo passar por isso sozinha? Sofrer sozinha?

Ela engoliu em seco.

—Foi isso que me doeu de verdade. Eu e você somos casados, dividimos uma vida a dois. E já passamos por tanta coisa juntos. Eu não quero que carregue a dor sozinha, sendo que a dor é minha também. Sei que você pensa que eu já estava passando por uma situação ruim e estava sim, eu perdi o meu melhor amigo, mas você poderia ter me contado. Naquele momento, você estava lá comigo, me apoiando na dor que eu estava sentindo. Se tivesse me contado o que houve, estaríamos juntos nessa, apoiando um ao outro.

Ela assentiu.

—Você tem razão. Eu achei que estava fazendo a coisa certa. Eu realmente sinto muito por ter te deixado de lado. Me desculpe.

Peguei em sua mão.

—Você… ainda quer engravidar?

Ela assentiu.

—Sim, claro que eu quero. Aumentar nossa família, é sempre maravilhoso. – respondeu.

—Então, faremos isso com calma, sem pressa, no momento certo e sem pressão, ok?

—Ok.

—E… me desculpe pela minha reação. Por causa disso você se machucou.

—Não, por causa disso eu bebi, e eu caí por que eu bebi. – ela disse e eu ri. – Mas, eu perdoo você.

Sorri e acariciei sua bochecha.

—Você ficará de molho por um tempo, e eu vou ficar com você para cuidar de você.

—Pode ir trabalhar, Edward. Não tem necessidade de ficar comigo, eu me viro. – ela disse.

Neguei.

—De jeito nenhum! Eu não vou te deixar sozinha, Bella. Vou ficar aqui e cuidar de você.

—Mas o hospital ficará sem nós dois.

—Lá tem outros médicos, Bella. Não tem com o que se preocupar, nossos pacientes estarão em boas mãos. É apenas por um mês. – tranquilizei-a.

Ela respirou fundo.

—Tudo bem, se não tem outro jeito. – ela disse.

—Não tem. Eu que tenho que cuidar de você, além de ser minha obrigação, eu te amo e jamais deixaria de cuidar de você. – disse.

Ela sorriu.

—Eh, eu sei disso. Por isso, nem irei discutir com você. – ela disse.

—Vamos terminar o seu café para você poder tomar seu remédio. Você sofreu a noite inteira, por que não podia tomar nada, por que ainda tinha álcool em seu corpo. Agora que não tem mais nada, você precisa comer e tomar o remédio. Não se esqueça também de usar sempre a bombinha de asma. Você vai sofrer um desconforto para respirar, a bombinha irá te ajudar.

Ela assentiu.

—Sim, eu sei de tudo isso. – ela fez careta. – E realmente dói quando eu respiro.

—Vai aliviar quando tomar o remédio. Mas, ainda tem que tomar cuidado ao se mexer.

Ela assentiu.

—E o seu braço? Sente dor?

Ela negou.

—Não, foi só um arranhão. – respondeu.

—Eu tenho que te dar os parabéns. Mesmo no estado em que estava, você cuidou desse ferimento perfeitamente. Sempre soube que era uma médica talentosa, mas dessa vez me surpreendeu. – ela riu. – Só espero que não faça isso de novo, nem em você e nem em outra pessoa.

—Acha mesmo que sou irresponsável ao ponto de fazer um atendimento bêbada? – perguntou.

—Só estou avisando. – disse e ela riu.

—Mas, agradeço pelo elogio. – ela disse e eu ri.

Terminamos de tomar café e dei o remédio para ela.

—O que faremos o dia inteiro? – perguntou.

—Quer ficar na cama?

Ela negou.

—Eu não quero ficar na cama o dia inteiro. – disse.

—Eu fico aqui com você?

—O dia inteiro não. – teimou. – Posso pelo menos tomar um ar no jardim?

Assenti.

—Claro. Quer ir agora?

Ela concordou com a cabeça.

Estendi a mão para ela e a ajudei a se levantar, desci com ela e a levei para o jardim, sentei-a na cadeira e ela respirou o ar fresco.

—Consegue ficar sozinha por um tempo?

Ela assentiu.

—Ficarei aqui quietinha. – prometeu.

Dei-lhe um beijo na testa e entrei em casa. Subi para o quarto, peguei a bandeja do café, fui até a cozinha e lavei a louça, dei uma arrumada em casa das coisas que ficou faltando arrumar, quando terminei, voltei para o jardim para terminar de limpar ali também. Aproveitei para ir dar uma olhada na Bella.

—Tudo bem? Quer entrar?

Ela sorriu para mim.

—Eu estou bem. – respondeu e olhou para as coisas de limpeza que eu carregava. – Eu tinha prometido te ajudar a limpar.

—Isso foi antes, Bella. Eu já limpei tudo lá dentro só falta aqui. Depois que eu terminar, entramos e assistimos um filme, ok?

Ela assentiu.

—Claro, eu não posso fazer nada mesmo.

Comecei a rir e fui limpar o jardim da festa de ontem, quando ficou tudo limpo, joguei os lixos da festa fora, e ao terminar de fazer todas essas tarefas, fiquei livre para dar total atenção para Bella.

Voltei para o jardim para busca-la.

—Pronto, amor. Já limpei tudo e sou todo seu. – disse.

Ela fez um bico.

—Não queria estar assim para aproveitar você melhor. – ela disse e eu ri.

—Quando melhorar pode fazer isso. Até por que tínhamos planos melhores ontem e não foi do jeito que a gente queria. E eu vou cobrar isso.

Ela riu.

—Eu vou de surpreender. – ela disse e tossiu, fazendo careta, e aspirou a bombinha.

—Vamos entrar, vou colocar um filme para assistirmos. – disse.

Ajudei-a se levantar e entramos, fomos para a sala de estar, ela se sentou na cama e eu liguei a TV, escolhendo um filme para assistirmos.

—E as crianças? – perguntou.

—Rose os trará para casa, não se preocupe. – respondi. – O que quer assistir?

Ela pensou por um tempo.

—Comédia romântica. – respondeu.

—Ok.

Escolhi uma comédia romântica, sentei-me ao lado dela e assistimos juntos ao filme, vez ou outra trocávamos carícias e beijos e era somente isso que podemos fazer.

—Edward.

—Hum.

—Já escolheu o nome do cachorro? Você foi bem criativo escolhendo do Simba, estou curiosa.

Sorri.

—Ainda não faço ideia. Preciso passar mais tempo com ele, para saber qual nome dar. – respondi.

Ela riu.

—Bom, ele está com as crianças, agora que vai ficar em casa comigo, você terá muito tempo com ele. – ela disse.

Sorri.

—Tem razão. Aliás, referente a esse meu presente... me deram para substituir o Simba?

—Simba será insubstituível, disso eu sei. Mas, as crianças acharam que você iria se sentir melhor se tivesse outro cachorro. E sinceramente, eu concordei, por que eu sabia que eles também sentiam falta de ter um cachorro para brincar. Esse novo cachorro não é para substituir, e sim para acrescentar.

Sorri para ela.

—Eh, é bom tem mais um cachorro em casa. Agradeço muito pela intenção de vocês.

Ela sorriu.

—Não precisa agradecer. Ele dará a mesma alegria que Simba deu para nós. – ela sorriu. – O bom é que ele é um filhote e podemos criar juntos. Quando eu te conheci, Simba já era um cachorro adulto.

Comecei a rir.

—Tá ai um lado bom. – disse.

—Precisa dar logo um nome para ele. É estranho se referir apenas como “cachorro”.

—Assim que ele chegar a gente pensa. Juntos. – disse.

Ela assentiu.

—Como está a dor? – perguntei.

—Melhor, mas ainda dói quando respiro. – respondeu.

—Esse incômodo você vai sentir por um tempo ainda. – disse.

—Eh, eu sei.

Continuamos ali abraçados assistindo ao filme.

(…)

Bella e eu passamos o dia assistindo filmes, ela acabou dormindo deitada no sofá. Minha irmã me mandou mensagem dizendo que estava indo até a minha casa para deixar as crianças.

Fui acordar a Bella, por que sabia que Rosie iria querer vê-la.

—Bella, acorde, gatinha.

Ela abriu os olhos e se sentou, fazendo cara de dor.

—Aí! Por um momento esqueci que estava nesse estado. – resmungou.

—Eh, você tem que se levantar com cuidado. – disse. – Rosie já está vindo com as crianças.

Ela assentiu.

Preparei um café para minha irmã e levei para a sala.

—Coma.

Ela negou.

—Não, eu espero. – respondeu.

Alguns minutos depois, a campainha tocou.

Levantei-me e fui abrir a porta. Megan Ethan entraram correndo com o cachorro.

—Oi, crianças. – disse.

—Oi, papai. – eles disseram.

Valentina entrou logo em seguida.

—Oi, princesa. – dei-lhe um beijo na testa.

—Oi, tio Ed. – ela disse e foi se juntar aos primos.

Rosie e Emmett entraram com Thony e Renée no colo.

—Olá. – disse.

—Oi! – eles responderam.

—E a Bella? – Rose perguntou.

—Na sala.

Fomos até a sala.

—Oi. – disse Bella, dando um beijo na bochecha de Megan e Ethan.

—Mamãe, como você se machucou? – Megan perguntou.

—Bom, depois da festa fomos limpar tudo e eu acabei escorregando da escada. – respondeu. – É por isso que eu digo para vocês tomarem cuidado quando ficam correndo pela escada.

—Tomaremos mais cuidado. – Ethan prometeu. – Papai, já escolhe o nome do cachorrinho?

Neguei com a cabeça.

—Ainda não tive tempo para isso. Passei o dia inteiro cuidando da sua mãe, e ela não é fácil de cuidar.

—Hei!

Comecei a rir e olhei para as crianças.

—Nós pensamos em um nome depois do jantar, ok? Agora vão tomar banho.

Eles deixaram o cão no chão da sala e subiram para tomar banho.

—Bom, e por falar em banho, os pequenos também irão.

—Vai dar banho nos dois?

—Sim. Emm, deixe as meninas conversarem e venha me ajudar. – pedi.

—Claro!

Peguei Renée do colo de Rosalie e Emmett me acompanhou, segurando Anthony. Fomos para o quarto do Anthony e Emmett deu banho nele e eu dei banho na Renée. Enquanto arrumávamos as crianças, eu conversava com o Emmett sobre o que houve.

—Eh, foi bem difícil pra ela mesmo. – Emmett disse.

O olhei.

—Você sabia?

—Ah… soube por que Rosie me contou, e acho que Allie também contou ao Jazz, mas nunca falamos diretamente com ela. Sabíamos que ela ainda não tinha te contado e estava esperando o momento certo para te contar.

Respirei fundo.

—Fiquei bravo na hora em que ela me contou, mas, depois pensei melhor, e fiquei decepcionado pelo fato dela não ter compartilhado comigo para tê-la apoiado, darmos apoio um para o outro.

—Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Houve a morte de Simba, ela perdeu o bebê e ao mesmo tempo em que ela tinha que ser mãe de quatro crianças, ela também tinha que dar apoio a elas e a você pela perda de Simba, e ainda tinha o trabalho dela. – resumiu Emmett.

Assenti.

—Sim, se for parar para pensar, ela tinha que lidar com muita coisa. Mas, como marido dela, me sinto na obrigação de ajuda-la em um momento como esse. – respirei fundo. – Mas, não quero ficar remoendo a mesma coisa. Apesar de todas as perdas e de saber disso agora, já passou. Temos todos que superar o que houve. Esse assunto só surgiu, por que conversei com ela de termos outro filho. E ela realmente quer também. Mas, fazer tudo com calma, sem pressa. Agora, ela tem que se recuperar de seu acidente e depois seguiremos com nossos planos.

Emmett assentiu.

—É a melhor coisa que poderá fazer. – ele disse.

Respirei fundo.

—E por falar em aumentar a família, vocês não tem planos?

Emmett riu.

—Não, ainda não. Estamos satisfeitos até o momento. Vamos esperar mais alguns anos, esperar os meninos crescerem mais um pouco. – respondeu.

Comecei a rir.

—Não sabem o que estão perdendo. Eu gosto de ter a casa cheia de crianças.

Ele riu.

—Eh, eu sei. Me lembro também que vocês planejaram o Anthony, mas a Renée, foi sem planejar. Anthony tinha quando tempo mesmo.

Comecei a rir.

—Uns 2 meses e meio. – respondi. – Bella tinha passado por aquele parto complicado enquanto esteve sequestrada nas mãos de Donovan. Depois que as coisas melhoraram, só queríamos curtir os nossos filhos em paz, mas, quando seu resguardo terminou, nos animamos mais que o necessário.

Emmett riu.

—Bella engravidou na primeira vez que transou depois do resguardo.

Comecei a rir e voltei minha atenção para Renée, terminei de vesti-la e a peguei no colo.

—Mas, apesar de tudo, a amamos. – beijei-a sua testa.

—Sim, claro. – Emmett também terminou de vestir Thony e o pegou no colo. – Pronto, garotão. – ele me olhou. – Eles devem estar com fome.

—Vamos preparar a mamadeira deles. – olhei para meu amigo. – E por falar em comer. Vocês poderiam ficar para o jantar.

—Eu acho ótimo. Mas, teria que ver com a minha patroa. – ele brincou e eu ri.

—Vamos lá, então. – disse e saímos do quarto.

Descemos e fomos para a sala de estar, onde as meninas estavam.

—Os pequenos já estão de banho tomado. – avisei.

—Dê a mamadeira para eles, e logo eles capotam. – disse Bella.

Assenti.

—Faremos isso. – olhei para minha irmã. – Convidei vocês para o jantar, mas Emmett disse que era você que manda.

Rosalie riu.

—Eu acharia ótimo. Pelo menos não irei ter que fazer o jantar depois de um longo dia cansativo. – ela disse e eu ri.

—Ótimo! Pode deixar o jantar comigo. – disse. – E Emmett vai me ajudar.

Rosalie fez careta.

—Hum, não sei se confio. – ela olhou pra Bella que riu.

—Não quer pedir algo para comermos? – perguntou.

—Hei! Confiem em mim. – disse e elas riram.

—Podíamos chamar Allie e Jazz. – Bella sugeriu.

—Eles fazem plantão hoje. – Rosalie respondeu.

—Então, marcamos outro dia, ainda essa semana, um jantar aqui em casa para nos reunirmos e conversarmos. – disse. – Hoje, seremos apenas nós.

—Bom, então é melhor começarem. – disse Bella.

—Vamos lá, Emm. – chamei-o.

Fomos para a cozinha.

—Tá legal. O que iremos fazer? – Emmett perguntou.

Olhei para ele e sorri.

—Quer surpreender as garotas? Por que eu tenho certeza que elas pensam que iremos fazer macarrão com salsicha. – disse e ele riu.

—Então, vamos surpreendê-las. – ele disse.

Começamos então a preparar o jantar, estávamos com a ideia fixa de fazer um banquete, eu estava fazendo o prato principal e os acompanhamentos, enquanto Emmett estava encarregado de fazer a salada e a sobremesa.

Enquanto esperava o assado ficar pronto, preparei a mamadeira dos pequenos e dei a eles. Como Bella havia dito, eles não demoraram em dormirem. Levei-os para o quarto e os coloquei no berço, liguei a babá eletrônica e saí do quarto. Desci e dei uma espiada nas meninas, que estavam na sala de estar, junto com Megan, Ethan, Aurora e nosso cachorro.

Voltei para a cozinha, Emmett já havia feito a salada, e estava focado na sobremesa.

—Olha só, até que você está indo bem. – disse.

Ele sorriu.

—Achou que eu não sabia me virar? Antes de viver com a sua irmã, eu morava sozinho, se lembra?

—Achei que vivia de delivery e a comida do hospital. – disse. – E eu também morava sozinho antes de me casar, e não sabia cozinhar, aprendi com a Bella.

—Sua irmã não é muito fã de cozinhar. Ela cozinha muito bem, apesar de não gostar.

—Rosie nunca foi fã de ficar na cozinha. Quando morávamos com nossos pais, sempre foi a minha mãe que cozinhava, Alice também não cozinhava. – sorri. – Acho que tudo mudou quando resolvemos nos casar.

Emmett sorriu.

—Eh, com isso eu tenho que concordar. E estamos nos saindo muito bem.

Comecei a rir.

Terminamos os últimos detalhes e arrumamos a mesa de jantar, servimos o jantar e fomos chamar as meninas e as crianças. Entramos na sala de estar.

—Estão prontos para o jantar? Por que caprichamos. – disse Emmett.

—Já estamos com fome mesmo. – Rosie se levantou. – Vamos crianças.

Os meninos também se levantaram e eu fui ajudar a Bella a se levantar.

—Tudo bem? – perguntei e ela assentiu com a cabeça.

—Sim, está.

Fomos para a sala de jantar.

—Olha só, vocês estavam falando sério quando disseram que capricharam. – Rosie comentou.

—Isso tudo é por que recebemos visitas? – Bella me perguntou.

Neguei.

—Não. – sorri. – Tive um ótimo parceiro que mostrou um lado dele que eu não conhecia.

Emmett riu.

Sentamo-nos a mesa e servimos as crianças, que comeram enquanto conversavam sobre cachorros.

—Você vai ficar afastado até a Bella se recuperar? – Rose me perguntou, enquanto comíamos.

—Por mim, sim. – respondi.

—Por mim, não. – contrariou Bella. – Não tem a necessidade de ficar aqui comigo, Edward. Por mim, você pode ir para o trabalho. O hospital precisa de você.

—Você pode contratar uma das enfermeiras do hospital. – Rosie sugeriu.

—E pode ser a Vic, que é a mais confiável. – disse Bella.

—Tem certeza? Eu posso ficar aqui com você, cuidando de você. – insisti.

—Eu tenho certeza absoluta. – ela disse.

Comecei a rir.

—Então, você não quer mesmo a minha presença, não é mesmo? – perguntei.

Ela riu.

—Eu prefiro que vá trabalhar, você toca aquele hospital, Edward. Eu vou ficar bem. – prometeu e eu assenti.

—Agora, mudando de assunto. Qual o nome do cãozinho? – Rosie perguntou.

Sorri.

—Ainda não decidimos. – respondi. – Muita coisa aconteceu, então, vamos ver isso depois. Ele é muito novo, não está sentindo falta de um nome. – disse.

Eles riram.

Terminamos o jantar conversando sobre algumas pendencias no hospital, a escola das crianças e outras coisas. Foi ficando tarde e Rosie e Emm decidiram ir embora, eles pegaram Rorie e se despediram da Bella. Levei-os até o carro deles.

—Rosie, pode ver com a Vic a possibilidade dela ficar cuidando da Bella? Eu irei pagar um adicional para ela. – disse.

Minha irmã assentiu.

—Claro, pode deixar que amanhã mesmo eu falo com ela. – prometeu.

—Acerte tudo com ela e assim que ela vier para cá, eu volto ao trabalho. Segure as pontas enquanto isso.

Ela assentiu.

—Pode deixar, a gente vai se falando. Qualquer coisa que a Bella precisar, pode nos avisar. – ela disse.

—Obrigado. Agora vão, Rorie já está cansada. – disse e dei um beijo na bochecha da minha afilhada que dormia no ombro de Emmett.

Rosie pegou-a do colo dele e a colocou em sua cadeirinha no banco de trás, fechou a porta e me deu um beijo na bochecha.

—Boa noite, irmã. – disse.

—Boa noite.

Ela entrou no quarto e ficou esperando pelo Emmett, que me olhou.

—Cuida bem da Bella e não faça mais ela se machucar. – pediu e eu o encarei.

—Prometo me comportar. – disse.

Ele assentiu.

—Tchau. – ele disse.

—Tchau, dirija com cuidado. – pedi.

—Ok. – ele entrou no jipe e foram embora.

Respirei fundo e entrei em casa. Bella estava tirando a mesa com uma certa dificuldade.

—Hei! O que você está fazendo? – fui até ela e tomei o prato de sua mão.

—Quero ajudar.

—Não, você não pode fazer movimentos bruscos. Vai para o sofá e deixe tudo comigo.

—Mas, Edward…

—Vai, Bella!

Ela respirou fundo e foi para a sala. Tirei a mesa do jantar, lavei a louça, cuidei das crianças e levei Bella para o quarto.

—Quer tomar um banho antes de dormir?

Ela negou com a cabeça. Estava muito quieta.

—Está tudo bem? Está com dor? – perguntei.

—Estou bem. Eh… só estou cansada de ficar sem fazer nada. – ela disse.

—Hoje foi só o primeiro dia. – disse.

—Por isso mesmo. Imagine os próximos? Serão horríveis! – reclamou.

Comecei a rir.

—Você vai sobreviver. Eu poderia ficar aqui com você até você voltar, mas você não quer.

Ela negou.

—Prefiro que vá trabalhar, eu já não estarei lá, tirar você, não seria justo. – ela disse.

—Bella, minha família em primeiro lugar. Meu trabalho vem em segundo. – deixei claro.

—Mesmo assim, eu prefiro que vá trabalhar. Eu vou ficar bem. Só estou entediada por que não tenho nada para fazer. – ela disse.

—Ficamos assistindo filme, não foi divertido?

—Foi, mas eu queria fazer algo para me movimentar, andar, correr, arrumar algo aqui em casa.

Assenti.

—Ou seja, você quer fazer tudo o que não pode no momento. – sentei-me na cama de frente para ela e peguei em sua mão. – Olha, eu sei que é chato ficar assim, debilitada. Mas, desacelere um pouco para o seu próprio bem. Pelo menos por uns dias para você se recuperar.

Ela respirou fundo.

—Eu vou tentar. – ela disse. – Vá tomar seu banho, eu vou ficar aqui quietinho.

—Promete?

Ela assentiu.

—Prometo. Só… coloque um filme para mim. – ela disse.

—Comédia romântica de novo?

Ela negou.

—Agora eu quero suspense. – pediu.

Assenti.

—Ok.

Escolhi um filme de suspense e coloquei para ela, fui até o banheiro e me despi. Tomei uma ducha rápida, vesti uma calça moletom preto e uma camisa branca. Ao terminar, voltei ao quarto, Bella continuava deitada na cama e me olhou.

—Já terminou? – perguntou e eu assenti.

—Sim.

—Estou com um pouco de dor. – reclamou.

Peguei seu remédio e água para ela, dei o remédio para ela e ela tomou.

—Obrigada.

—Eu vou dar uma olhada nas crianças e já deito com você.

Ela assentiu.

—Dê um beijo de boa noite por mim.

—Ok.

Saí do quarto e fui até o quarto das crianças. Fui ao quarto da Megan e do Ethan, eles estavam dormindo profundamente, dei um beijo na testa de cada um, saí do quarto e fui para o quarto da Renée e do Thony, dei um beijo na testa deles e saí do quarto. Desci para o primeiro andar, fechei toda a casa de liguei o alarme.

No canto da sala, encostado na parede, estava o canto do nosso novo cachorro, ele estava dormindo. Aproximei-me dele e acariciei sua cabeça.

—Oi, garotão. – disse. – Amanhã eu prometo que te darei um nome. Tanta coisa aconteceu, mas eu não me esqueci de você não.

Coloquei comida e água para ele e voltei para o quarto. Bella já estava cochilando, ajeitei-a na cama, apaguei tudo e me aconcheguei com ela, dormindo junto com ela. Tomara que ela se recupere rápido, ela não iria conseguir ficar assim, sem fazer nada por muito tempo.


Isabella Marie Swan Cullen


Duas semanas depois…


Eu passava pelos canais, sem nada para fazer. Eu já estava entediada de ficar em casa, já me sentia bem melhor, respirava sem dor, até queria voltar a trabalhar, mas Edward insiste que eu deveria ficar um tempo a mais em casa, me recuperando por mais um tempo.

Eu já estava tão cansada de ficar aqui, não via a hora de voltar para a minha rotina, eu precisava voltar, meu trabalho, meus filhos que eu mal podia carregar. E não sei por que Edward estava insistindo tanto para eu repousar por mais um tempo.

—Quer um lanche? – Victória apareceu e a encarei.

—Não, obrigada. Estou sem fome.

Ela se sentou ao meu lado.

—Você poderia mudar essa cara de tédio. – ela disse.

—Eu não consigo. – olhei-a. – Estou louca para voltar ao trabalho.

Ela riu.

—Vocês médicos, são viciados em trabalhar. – ela comentou.

—Bom… não é só isso. Se as crianças estivessem em casa, eu estaria menos entediada. Sabe, brincando com as crianças. Mas, nem isso eu posso.

—Você já está quase 100%. Daqui a pouco você estará melhor e voltará para sua rotina. – ela disse.

Sorri.

—Ok, obrigada. – disse. – Agora, mudando de assunto, como está Dean e meu afilhado?

Vic sorriu.

—Muito bem. Estamos até planejando em aumentar a família. – ela disse.

Sorri.

—Que maravilha! Aumentar a família é sempre bom. – disse.

—Eh, você sabe muito bem como é, né? Já está no quarto.

—Lembre-se que uma das minhas gestações foi dose dupla. – disse e ela riu. – Mas, também estamos planejando aumentar mais um pouco.

Ela sorriu.

—Vocês levam muito jeito para a coisa. – ela disse. – Fico feliz por você. Você formou uma família incrível.

Sorri.

—Obrigada pelo apoio.

—Você tem a sensação de que está sendo melhor do que seus pais? – ela perguntou.

Respirei fundo.

—Bom… se eu for para falar pela minha mãe, ela não me criou muito bem, admito. Ela era egocêntrica, se preocupava somente com o próprio umbigo e me deixava muito largada. E quando conheceu seu pai, só piorou, tudo era ele, você sabe bem disso, ele fez o mesmo com você. – ela assentiu com a cabeça. – Mas, no final, ela se arrependeu de tudo, quando ela ficou doente. Ela teve uma redenção.

Vic assentiu.

—E quanto ao seu pai?

Sorri.

—Bom, eu não tenho o que reclamar dele, para falar a verdade. Ele sempre foi um ótimo pai. Sofreu muito com a separação com a minha mãe, Sue foi quem o curou. Claro, no início do relacionamento deles eu ficava um pouco enciumada, mas depois eu percebi que ela tinha um grande coração e me deu um irmão de consideração maravilhoso.

Vic riu.

—Nisso eu tenho que concordar, Seth é incrível. – ela disse.

—Eh. – concordei. – Quando eu me mudei para cá, todos eles me receberam de braços abertos. Claro, menos a Leah, mas por que ela achou que eu tentaria algo com o Jake.

—Ah, mas um beijinho ou outro rolou, não é mesmo?

Comecei a rir.

—Eh, mas foi para me vingar dela. – disse e rimos juntas.

—Olha, sinceramente, entre Jacob e Edward, você saiu ganhando. – ela disse.

Sorri.

—Eh, eu sei disso. Sabe, quando comecei a namorar com o Jacob, era aquele amor quase adolescente. Não tive tempo de sentir muita coisa quando terminamos. Até aceitei de boa o relacionamento dele com a minha irmã. O problema sempre foi a Leah, parece que ela queria ficar em algum tipo de competição por causa do meu pai. Cheguei até a achar que ela não gostava do Jacob de verdade, que era só para ganhar de mim.

—Acho que ela acabou se apaixonando por ele, acredito eu. – comentou Vic. – E quando você começo a namorar o Edward? Acha que isso mudou?

Suspirei.

—Olha, para falar a verdade, eu demorei um tempo para revelar meu namoro com o Edward, quando revelei e o levei para casa, houve um breve momento, acho que ela até poderia estar um pouco bêbada que ela tentou flertar com ele, eles estavam sozinhos, quer dizer, eu estava espiando as atitudes de Leah e Edward a cortou, deixando claro que não faria como Jacob. Ela ficou com muito ódio dele, por que ela achava que poderia me tirar tudo, mas, ela também ficou com ódio dele preferir a mim do que ela.

—Olha, eu gosto muito da Leah, fiz grande amizade com ela, quando eu morava na casa do seu pai, mas, já acho demais ela achar ser mais bonita que você.

Olhei para ela e ri.

—Você é triste, né?

Ela riu.

—Eu só estou dizendo a verdade.

Balancei a cabeça.

—Mas, eu fico feliz que as coisas se acertaram com a minha irmã. Hoje em dia eu tenho uma relação muito sólida com ela. – disse.

—Eh, e ela descobriu uma nova mãe, está se dando bem com ela. – Vic disse.

Sorri.

—Eu fico feliz por ela. – disse.

Ela me olhou.

—Você ainda sente bastante falta da sua mãe, não sente? – perguntou.

Suspirei.

—Ela é minha mãe. Ela cometeu muitos erros, principalmente com você. Mas… eu a amo, os momentos finais dela foram bem tristes. Ela se arrependeu. – expliquei.

Ela assentiu com a cabeça.

—Eu sei. Apesar dela não ter sido uma boa madrasta, quando ela ficou doente, ela me pediu perdão, eu cuidei dela. Sei o quão arrependida ela ficou. Na verdade, o verdadeiro monstro era o meu pai. Ele quem a fez errar tanto. Ele foi capaz de obriga-la a deixar a Nessie em um orfanato, me deixou de lado, fez com que ela te deixasse de lado.

—Ele ainda é o seu pai. Assim como eu sinto falta da minha mãe, você deve sentir falta dele. – disse.

Ela deu um leve sorriso.

—Você acabou de falar que mesmo a Renée ter errado, você ainda a amava. Eu também o amo como meu pai, mas não sinto falta dele. Eu sinto falta da minha mãe, que sempre esteve ao meu lado, sempre cuidou de mim. E quando meu pai foi viver com a Renée e ela adoeceu por conta disso, eu fiquei muito sozinha. Em alguns momentos ela me culpava, por que ele tinha deixado ela para ficar com a mãe da minha amiga. Eu fiquei muito sozinha, ai ela morreu, e eu tive que viver com o meu pai na casa de vocês. Meu pai não me dava nenhuma atenção, o mundo dele era somente a Renée, ela, como madrasta, também não me dava atenção, eu fui me revoltando e acabei afastando você.

Sorri.

—Eu te entendo, Vic. – disse. – Mas, estamos melhores agora, formamos a nossa família, nossa carreira. E estamos felizes.

Vic sorriu.

—Sim, com isso eu tenho que concordar. – ela disse. – Estamos tão felizes!

Comecei a rir.

—Irei falar com Edward sobre uma visita ao meu pai assim que eu me recuperar. Sei que o vi no aniversário do Edward, mas quero que passemos mais tempo com ele.

Vic assentiu.

—E faz muito bem. – ela disse.

—Agora me conta, já conheço a nossa família perturbada, mas não sei nada da família do Dean. – comentei.

Ela riu.

—Ah, eles são adoráveis. Dean tem um irmão mais novo, o nome dele é Sam, de Samuel. Ele é advogado e está para casar, sua noiva se chama Jessica, é um doce e gosta muito do Enzo. Ela sonha em ser mãe, mas eles querem se casar primeiro, antes de formarem sua família.

Assenti.

—Uhum. E os pais dele? Ainda são vivos?

—Sim, o pai, John, foi fuzileiro e passou a vida trabalhando de mecânico, mas agora está aposentado. A mãe, Mary, sempre foi dona de casa, hoje também está aposentada. Eles moram no Kansas, e estão planejando vir passar as férias aqui. Perto do neto. Eu gosto muito deles, são incríveis.

Sorri.

—Eh, sei bem como é ter sogros maravilhosos. – disse e ela riu.

Vic pegou seu celular e olhou as horas.

—Bom, o papo está muito bom, mas você tem que tomar seu remédio. – lembrou-me e eu fiz careta.

—Hum, não vejo a hora de me recuperar. – disse.

Vic riu e pegou meu remédio.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Tomei o remédio e decidi tirar um cochilo. Esse papo com a Vic foi muito bom, e acabou fazendo com que eu sonhasse com minha mãe, ela estava em um jardim com Simba.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.