Eternal Mahou
4 Versos em sangue
Notas iniciais
Só tive tempo de dizer um curto “EEEEHH...!”, antes de quase explodir a caverna e me matar. Ela sorria para mim, enquanto flutuava a minha volta (ela estava flutuando!) e gargalhava da minha reação. Pensei estar maluco, mas ela dizia coisas engraçadas e eu ria sem parar, quando ela começou a me dar dicas de como controlar magia. Dicas que foram bem úteis, porque logo de primeira, consegui manter as chamas em minhas mãos.
Depois de um tempo, fomos caminhando pelo bosque, quando lhe perguntei seu nome, mas ela disse: “No tempo certo, saberá...”. Não entendia o motivo de tanto mistério, mas preferi não insistir, apesar de ela já saber meu nome, mesmo não tendo lhe contado. Falava entusiasmado com ela, mas notei que ela não estava mais lá.
Voltei à caverna para buscar minhas coisas, quando vi escrito nas pedras, com sangue, essas palavras:
“Decaem, impuros
Na queda do crepúsculo
Amantes do ódio.”
Achei estranho nunca ter visto aquilo antes, mesmo passando por lá quase sempre. Não entendi aquelas palavras, as quais poderiam ser profecias proibidas ou obra de um aluno desocupado tentando pregar peças.
Fui andando de volta para a escola, pois anoitecia, mas por algum motivo, a chegada estava demorando. Estava andando em círculos! Armadilha de um mago oculto... Não acredito que caí em uma dessas. O problema não era esse; já que, descoberta a armadilha, ela é desfeita, mas sim por que anoiteceu. Quando anoitece, as coisas que habitam o Bosque despertam; portanto, fui me refugiar na caverna, até o outro dia.
Na caverna, notei que as escrituras haviam sumido, mas havia sangue no chão. Aquilo começava a ficar cada vez mais estranho e misterioso. Quando a escuridão já tomava o bosque, conseguia ouvir coisas medonhas, como passos, gemidos e uivos. Dei-me conta de quão perigoso era o lugar só quando ouvi passos largos, densos, se aproximando, cada vez mais e mais próximos, dando para ouvir leves murmúrios e risadas.
E aquilo ia vindo, me deixando sufocado e paralisado de medo, e chegava, e cada vez mais perto, e mais perto, e a loucura chegava à minha cabeça, e me fazia querer cometer suicídio, mas não podia; não conseguia. Até que vi uma sombra se formar na entrada da caverna, estática, mas sentia que me observava – me desejava. Até que um rapaz surgiu, mas este continuava a me paralisar, sorrindo maliciosamente.
O rapaz era alto e pálido, mas seus olhos me olhavam insanos, como se me desejassem morbidamente. Aos sussurros, falou: “O que uma criança tão deliciosa faz aqui? hehehe...”. A princípio não entendi o que ele quis dizer com “deliciosa”, mas logo descobri. Ele veio se aproximando lentamente, olhando em meus olhos, e, ao ficar na minha frente, ele me abraçou e me levou ao chão, segurando minhas mãos e ficando sobre mim.
Não resistia, só olhava a cena. Beijou meu pescoço e sussurrou em meu ouvido: “Como é cheiroso, meu pequeno...”, abrindo a boca e mostrando suas presas, que, de fato, eram enormes. E foi aí que acordei do transe, ficando desesperado e começando a se rebater, mas ele era muito forte. Comecei a pegar fogo, mas ele não me soltava. E seus dentes iam chegando, e chegando, até encostar-se a minha pele. Mas, nesse momento, ouvi um tiro que ecoou em toda a caverna, fazendo o vampiro urrar e virar cinzas.
Ainda em choque, olhei o autor do disparo. Tinha cabelo escuro médio encaracolado, de olhos verdes e parecia ter uns 25 anos. Sua aparência me aterrorizava. Sorria de uma forma macabra, como se o vampiro fosse seu prêmio. Sua barba era “costeleta” e tinha um leve cavanhaque. Usava um chapéu “like Zorro” e uma mecha de cabelo caía nos olhos. Todas essas características juntas lhe deixavam com uma aparência apavorante.
Aproximou-se devagar, como se quisesse exibir seu visual gótico. Disse, com a cara fechada: “O que está fazendo aqui, moleque? Mais um segundo e você estaria sem mais nenhuma gota de sangue no corpo.”, abrindo um sorriso no canto da boca, como se a ideia fosse tentadora. Pensando que fosse outro monstro, saí correndo, mas ele me segurou. “Menino, o que você está pensando? Que eu sou um monstro? Se foi isso, está enganado, porque eu os caço.”. Um pouco aliviado e depois de avaliá-lo melhor, perguntei: “Por que você está aqui* Pelo que vejo você é um mortal...”. “Um mortal que consegue fazer mais que você para se salvar.”, retrucou.
Após uma longa conversa na caverna, descobri que ele tinha, na verdade, 19 anos e se chamava Joseph. Apesar da vestimenta diferenciada, ele trabalhava no Credo dos Assassinos, que de uns tempos para cá, passou a caçar monstros, e preferia agir sozinho. Estava atrás do vampiro, quando o viu na caverna. “Mas então por que não o matou, antes de eu quase morrer?”, pensei, mas nem precisei falar nada, pois ele disse: “Só não te salvei antes, porque queria ver sua reação diante de um vampiro.”.
Ficamos na caverna durante a noite – que mesmo odiando-me aparentemente, ele ficou de guarda -, e conversamos sobre os mortais do Credo odiarem os magos e guerreiros, pois dizem que são melhores, por serem especiais, e se reuniram para provar o contrário. Mas como se enfrentavam muito, fizeram um pacto para que eles nunca passem dos limites de Mahou. Por esse ódio, ele quase arrancou minha cabeça ao ver-me acender uma fogueira com magia.
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