Eternal Heart
2 Capítulo 1 - Everytime We Touch
Notas iniciais
Já se imaginou em um precipício a ponto de desabar? Mas embaixo, não tem água nem fogo, e sim algo que você sempre desejou? Eu imagino que essa seja a definição de amor.
Victor e eu havíamos chegado à alguns minutos, ele admirava o mar através da janelo do quarto principal.
— Isso é realmente uma ilha – ele disse.
Sorri.
— Você achou que eu estava exagerando?
— Um pouco.
Eu ri.
— No mapa ela é caracterizada com Ilha de Angel – falei enquanto andava em sua direção. — Totalmente privada.
— Isso é bom... Muito bom.
Ele me puxou para sua frente e me abraçou por trás. Ele beijou meu pescoço, fazendo uma trilha de beijos até o meu ombro.
— Acho que... — eu comecei, virando-me para ele, mas o mesmo me interrompeu com um beijo.
Suas mãos foram para a barra da minha camisa e a levantou, passando por minha cabeça e a jogando no chão. Seus lábios voltaram para meu pescoço... Até que eu parei, e ele percebeu que eu parecia uma pedra.
— Não precisa ter medo – sussurrou, olhando nos meus olhos. — Nós fomos um para o outro.
Ele me beijou, me apertando contra si. Houve somente o silêncio por um longo tempo, somente o som do coração de Victor batendo acelerado e o som dos nossos lábios se movendo sincronizados. Ele precisou de ar, e parou de me beijar, abrindo os olhos. Não fazia sentido ele me olhar daquela forma. Como se eu fosse o prêmio ao invés da ganhadora sortuda.
Ele puxou meu rosto para perto do seu.
— Definitivamente eu sou o cara maia sortudo do mundo.
Eu ri.
— Se eu fizer alguma errada, se eu te machucar... Você precisa me dizer.
— Você nunca vai me machucar – ele disse, e não me deu a chance de terminar.
***
Os dias estavam passando, e eu não tinha a menor vontade de ir para Denali, encontrar com Alice e Jasper. Eles já haviam se mudado, mas Carlisle pretendia ficar até o fim do ano, ou seja, apenas mais alguns meses. E onde Carlisle está, Esme também está. Rose e Emmett decidiram ficar por um tempo longe, talvez viver como um casal normal. Porém, eles me ligam o tempo todo. Eu sinto que Emmett tenta frear Rose, mas quem é que consegue?
Victor estava na cozinha, comendo sei lá o quê. Sentei-me no banco ao seu lado e ele se virou para mim.
Ele me beijou.
Eu não estava com sede, eu havia me alimentado ontem, mas o desejo subiu por minha garganta de forma avassaladora. Empurrei-o antes das presas aparecerem, e ele me encarou, surpreso.
— Você está bem? — perguntou.
— Sim, eu só...
Como posso estar com tanta sede!?
— Angel, seus olhos...
— Eu já volto — eu disse.
Não era como se eu estivesse com sede. Era pior. Era pior do que no primeiro dia em que vi o Victor. Mas agora, longe dele, assim como no primeiro dia que o vi, deixei o ar entrar em meu corpo, e a sede passou.
Suspirei.
Isso não é bom.
Isso não é nada bom.
Que droga! Eu sou uma vampira, não deveria ter mudanças! Nem coisas inexplicáveis acontecendo comigo!
Mesmo assim, resolvi me alimentar. Talvez fosse... Sei lá, a verdade é que eu não tenho uma teoria.
Quando voltei, já havia anoitecido.
Victor estava sentado no sofá, vendo um filme de luta. Que novidade! Isso deve deixar as pessoas violentas. Não gosto de imaginar o Victor como uma pessoa violenta.
Revirei os olhos.
Às vezes eu penso em cada coisa impossível.
Ele percebeu que eu o observava e me encarou.
Em um segundo eu estava em seu colo.
— Você está bem? — ele me perguntou, sua mão subindo por minha coxa.
— Sim, eu só... — eu repeti a mesma coisa que antes.
Ele riu.
Antes que eu pudesse pensar em algo pra dizer, ele me beijou, me empurrando para o sofá e deitando por cima de mim. Minhas mãos foram para a barra de sua camisa, subindo e subindo...
De repente, alguma coisa me interrompeu. Minha garganta sentia o gosto do sangue, mas era de forma estranha. Eu não entendi até que fosse quase tarde demais.
Virei o rosto, e Victor me encarou, franzindo sobrancelha.
Empurrei-o e levantei.
Todo o sangue que ingeri, saiu por minha garganta. Porém, eu ainda sentia o incômodo da ânsia de vômito, mas nada saía.
É claro, não tinha nada para sair.
Isso tudo aconteceu em meio segundo.
Victor se levantou, e em vez do nojo estar estampado em seu rosto, foi só preocupação.
— Amor, você está bem mesmo? — ele perguntou, dando um passo a frente, evitando olhar para o chão.
— Sim...
— Tem certeza? Você está muito branca. Realmente branca... Sabe, mais do que normal.
— Eu estou bem — eu me levantei e ele segurou minha mão. – Deve ser por que todo o sangue que tinha dentro acabou de ser expulso.
Ele quase sorriu.
— Eu não sabia que vampiros vomitavam — ele disse, beijando meu rosto.
— Eu também não.
O cheiro de seu pescoço se tornou o centro da minha mente. Era tão bom...
— Victor...
— Hum?
— Eu estou com muita sede — eu disse entredentes, sem respirar.
Ele me encarou, ainda segurando minha mão.
— Não é melhor falar com Carlisle? Talvez ele saiba o que está acontecendo com você — ele disse.
— É, tudo bem. Mas primeiro, eu tenho que limpar isso — eu disse, indicando com a cabeça o sangue no chão, mas também evitando olhar.
— Eu faço isso — ele disse.
Eu ri.
— O único de nós que não precisa respirar, sou eu. — eu disse. — Vai para o quarto. Eu vou em... Dois segundos.
Ele sorriu e beijou minha testa.
Claro que demorou mais que dois segundos para que eu limpasse o chão. Quem diria que sangue mancha? Eu não, com certeza.
Eu precisava de um banho. Não por que eu estivesse cheirando a sangue, e sim por que o incômodo era fora do meu próprio corpo. Tudo me incomodava, as roupas que eu estava usando, o cheiro impregnado em mim. Até mesmo o som das ondas batendo na areia. Eu sei que um banho não mudaria a última coisa, mas ajudaria. De alguma forma, banhos sempre ajudam, até mesmo vampiros.
Depois de quinze minutos debaixo d’água, fui para o quarto. Victor mexia no celular, e pelo som, ele estaca jogando Candy Crush.
É melhor que ele não tenha me passado!
Pensei, enquanto subia na cama.
— Melhor? — ele perguntou, sem tirar os olhos da tela do celular.
— Com certeza — eu disse, sorrindo.
Ele finalmente me encarou, e sorriu. Não sei se era por que ele tinha elevado de nível, ou por eu estar ali. Vou deixar isso em aberto.
Meu celular tocou.
E eu sabia quem era.
Cogitei a possibilidade de não atender, mas eu sabia que ele não desistira.
— Emmett — eu disse de má vontade assim que atendi.
— E aí, mana? — ele disse, todo típico alá Emmett Cullen.
— Oi, o que você quer? – perguntei, sem paciência e Victor fez cara feia para mim.
— Precisava ser grossa? – Emmett perguntou.
— Sim, você me ligou para algo bem insignificante. Mas eu vou te perdoar — eu disse e escutei a risada de Rosalie. — Os Mets vão vencer.
— Isso! – ele gritou, e eu fechei os olhos com força,
— Não grita! Bom, no fim da temporada, o Rods vai quebrar a perna, e o time vai ficar comprometido.
Ao fundo escutei a voz de Carlisle dizendo para ele falar baixo, pois estava lendo.
Franzi a sobrancelha.
Eles já voltaram? Como não vi isso?
— Não acredito! E quem vai substitui-lo? –Emmett perguntou, mal humorado.
Um Emmett mal humorado é melhor do que um Emmett gritando.
— Jenks ou Silver. O técnico ainda não decidiu, e você sabe...
— Enquanto ele não decidir, você não vai saber — ele terminou minha frase e suspirou.
— Agora eu posso desligar? — perguntei.
— Não. — foi Victor quem respondeu.
Franzi a sobrancelha, e eu sabia que tinha um ponto de interrogação nos meus olhos.
Ele estendeu a mão para mim, e eu o entreguei o celular.
— E aí, V? — escutei Emmett dizer. — Curtindo a lua de mel? — ele perguntou, maliciosamente.
Graças a Deus que eu não posso ouvir a mente dele estando tão distante!
— Me erra, Emmett. Passa para o Carlisle — Victor disse, irritado.
— Puxa, vocês dois tão bem irritados, hein. Precisam...
— Emmett! — o interrompi.
Não precisava ler mentes para saber o que meu irmão retardado iria dizer.
— Tudo bem... — Emmett disse.
— Me dê esse celular, Emmett — escutei Carlisle dizer.
— Emmett, você só pensa em besteira — Rose o repreendeu enquanto o celular parecia mudar de mão.
— Olá, Victor. Espero que não se importe com Emmett. Ele, bem... Você já o conhece.
Victor riu.
Carlisle parecia mortificado.
Saí da cama, e fui em direção à janela.
Abri-a.
Puxa, estava calor.
Desliguei-me da conversa de Victor com Carlisle, e me foquei em algo mais importante.
VAMPIROS NÃO SENTEM CALOR!
Revirei os olhos.
O que tem de errado comigo?
— Eu não sei dizer o que está acontecendo com ela... — Carlisle dizia, pensativo. — Só sei que com certeza não é normal.
Eu podia até imaginá-lo andando de um lado para o outro, provavelmente em seu escritório, com o dedo indicador no queixo. Nada como um mistério sobre vampiros para mantê-lo interessado.
Eu estava prestes a sorrir, se não fosse por eu ter me visto de relance no enorme espelho do banheiro.
Me virei para ele, e encarei a mim mesma.
Eu sentia os olhos de Victor atrás de mim, e ouvi ele levantar da cama quando me virei de lado na frente do espelho. Eu escutei, mais do que vi, ele andar em minha direção.
Não podia ser. Era impossível. Quer dizer, eu nunca ouvi falar, ou li sobre isso... Não é real. Não pode acontecer. É tão impossível, que chega a ser proibido.
Ao fundo, eu escutava a voz de Carlisle, como um som oco, me deixando acreditar que é a realidade. Um plano de fundo para o caos que estava minha mente.
Levantei a blusa até minha barriga ficar toda exposta.
— Victor? Victor, você está aí? — Carlisle perguntava do outro lado do telefone. Mas nem mesmo ele pôde responder alguma coisa quando encarou minha barriga no espelho.
Era visível, um vão pequeno, mas nítido. Olhei para baixo, torcendo para que o espelho estivesse errado de algum jeito. Eu havia acabado de tomar banho, e não vi nada disso em mim. Tudo bem que eu não fiquei procurando algo volumoso na minha barriga. Mas, eu deveria ter... Não, não viria. Eu nem reparo em mim. Bom, eu sou uma vampira, não deveria mudar. Então, para que eu iria me admirar?
Mas eu deveria mudar esses conceitos, cada vez mais me dizem que estou errada.
— Estou aqui — Victor disse, a voz não passava de um sussurro.
Com o choque dele recuperado, o meu foi fácil. Mentira, eu estava apavorada! Não queria mais me olhar no espelho. Era assustador demais até para mim. E eu também não queria falar com Carlisle. Era mais assustador ainda imaginar ele me dando alguma resposta.
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