Eternal Heart

3 Capítulo 2 - Turn Surprise


Notas iniciais

Eu imagino que se vampiros suassem, essa seria a hora em que a minha mão estaria pegajosa.

— Victor, a Angel está aí? — Carlisle perguntou.

— Sim — Victor respondeu e me estendeu o telefone.

— Oi — eu disse, pegando o celular da mão de Victor.

— Me diz o que houve? Como se sente? – Carlisle perguntou, preocupado.

— Eu não sei...

— Angel?

— Carlisle... Eu acho que estou grávida.

O silêncio pairou, e a palavra ficou suspensa no ar. Só o que eu ouvia era o som dos batimentos do Victor. Mas até isso já estava regular demais.

— O... O que, Angel? — Carlisle perguntou, depois de eras de segundos.

Ele quer que eu repita? Sério?

Eu escutei um alvoroço do outro lado do telefone, provavelmente minha família estava rodeando Carlisle agora.

— Eu. Acho. Que. Estou. Grávida. — eu disse, pausadamente.

Até que não é tão ruim dizer em voz alta, me faz parecer menos louca quando não está só na minha cabeça.

— Isso é... — ele começou.

— Impossível? Eu sei.

— Bom, parece que não é impossível – a voz de Rose ficou presente.

— Carlisle...

— Vocês precisam voltar, agora. Quanto mais cedo eu ver você, mais cedo poderemos saber o que está acontecendo.

— Hã... Tudo bem.

— Pegue o primeiro vôo para os Estados Unidos.

— Tudo bem — repeti e encerrei a ligação.

Respirei fundo.

— O que ele disse? — Victor perguntou.

Levei um susto. Eu estava tão concentrada em apenas respirar fundo, que quase esqueci que ele estava ali.

— Hã... Que temos que voltar — eu disse.

Soltei o ar mais uma vez, devagar. Era difícil respirar com o Victor tão perto de mim. Mas era necessário, respirar me acalma. E, neste momento, eu preciso de toda calma possível.

— Vou arrumar as malas — eu disse, como um robô.

Victor se recostou na parede enquanto eu arrumava tudo em velocidade máxima, e falava com a companhia de aérea.

Assim que terminei as duas coisas, meus olhos ficaram embaçados.

Diana.

Revirei os olhos.

Hoje, não!

Diana cuidava da casa enquanto ficávamos fora. Na verdade, ela e seu marido cuidavam da ilha toda. Recebiam uma fortuna de Carlisle para isso. Porém, ela não confia em mim. Ela sabe que tem algo de errado com o fato de minha família não envelhecer nunca.

— Droga! — eu disse e Victor levantou uma sobrancelha. — Diana. Ela quer ter certeza que você ainda está vivo.

Nesse instante, ela bateu na porta.

— Eu vou — ele disse e eu balancei a cabeça, concordado.

Fechei a última mala, e olhei para o lado. Era estranho me olhar no espelho agora. Nos primeiros meses da minha transformação em vampira, eu ficava me admirando na frente do espelho por horas a fio. Eu amava me olhar daquele jeito, com o cabelo perfeito, o corpo perfeito. De algum jeito, eu não me estranhava, mesmo que estivesse bem diferente do que eu era quando humana. Mas agora, apenas com um toque diferente no meu corpo, eu me assusto só de ver por relance. Eu estou tão acostumada com minha aparência, que não sei se quero que alguma coisa, algum dia, mude.

Mas, com a mesma força que eu me assustei ao ver meu reflexo no espelho, eu me encantei com o pequeno toque de dentro da minha barriga. Não era chute, era só... Não sei. Era como algo me cutucando do lado de dentro. E mesmo que pareça assustador, eu achei incrível. Era como se fosse a coisa mais perfeita do mundo estivesse se formando. E então, é claro, foi mais do que natural, pousar minha mão em minha barriga. No instante em que minha mão fez contato, um outro toque ficou suspenso entre mim e meu pequeno cutucador.

Mordi o lábio, e escutei passos no corredor.

Suspirei, irritada.

Estão estragando meu momento especial!

— Eu só quero falar com sua esposa — Diana dizia, enquanto andava pelo corredor.

Eu escutei Victor suspirar pesadamente, e então eles apareceram.

— Algum problema? — perguntei à ela, que não parava de me encarar.

Seus olhos desceram para minha barriga, onde minha mão ainda repousava. Mudei de posição imediatamente, e cruzei os braços.

— Meu Deus! — ela sussurrou, com a mão na boca. — Você é mesmo um demônio – ela disse, devagar.

Victor franziu as sobrancelhas. Ele não entendeu o que ela disse, mas sabia que não era nada gentil.

— O que você quer? – perguntei, com raiva.

— Você vai matar esse menino — ela disse, olhando para o Victor e para mim.

Descruzei os braços.

Do que ela está falando?

Seus pensamentos estão tão confusos quanto os meus.

Ah, odeio humanos que não se decidem.

— Do que está falando? — perguntei.

Ela balançou a cabeça, incrédula.

Suspirei, e tentei ser gentil.

— Por favor — pedi. — Me diz o que você sabe.

Minha voz pareceu estranha até para mim.

Ela respirou fundo, num dilema entre vir até mim, ou me xingar dali mesmo.
Ela resolveu que faria a primeira opção. Diana andou em minha direção à passos largos e lentos, quase parando, testando o terreno.

— Posso? — ela perguntou, estendendo a mão para minha barriga.

Concordei e fiquei imóvel.

O primeiro contato com humanos é sempre desconfortável. E eu estava acostumada com Victor, que nem o considerava como os outros. Agora, um outro humano me tocando é extremamente desconfortável, é quente, barulhento e tenso. Não sei se é pela situação, ou apenas por ela ser humana, mas eu não relaxei enquanto Diana não se afastou.

— E? — perguntei quando ela deu um passo par trás.

— Você vai matá-lo — ela apontou o Victor com a cabeça — se não matá-lo — e então apontou para minha barriga.

Aquilo me pegou como um baque.

Eu poderia dizer que nada mais importa. Por que uma ameaça para o Victor, é a única coisa que eu não teria limites para o que fazer. E durante muito tempo eu me definia como uma clara ameaça para ele, mas uma ameaça boa. Que não o machucaria propositalmente. Mas eu nunca cheguei a cogitar a ideia de uma ameaça ruim, que seja eu. Não teria discussão. Ou teria?

— O que ela disse? — ele perguntou, assim que Diana saiu.

— Nada de importante. Ela acha que sou filha de Lúcifer — menti, distraidamente.

— Hum.

É claro que ele não acreditou em mim, mas estranhamente não insistiu.

Meu celular vibrou.

— O motorista já está aqui — eu disse, indo em direção à porta.

— Angel — ele segurou meu braço quando passei por ele. — O que ela disse? — ele perguntou.

O encarei por um longo segundo.

Acho que eu estava escolhendo-o. Não preciso me convencer de que o amo... Sim, o amo mais do que qualquer outra coisa no mundo. E apesar de saber que devia me sentir mal, errada, culpada, arrependida... Não era assim que eu me sentia. Talvez porque não parecesse bem uma escolha.

Não, não teria discussão.

— Só o que eu já sabia — eu disse. — Que Carlisle precisa tirar essa coisa de mim.

Notas finais
XOXO