Eternal Flame – O Fim
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Notas iniciais
Acima de tudo, eu queria poder relaxar. Porém, todo esse desejo dissipou-se de meu alcance depois que Arthur deu as caras. Pregar os olhos parecia um desafio quase impossível de ser realizado.
O pavor tomava conta de mim. Eu estava sempre receosa, com medo de que minha família pagasse por aquilo que eu fui responsável. Se ao menos eu conseguisse dormir por uma hora sequer...
Jacob, deitado ao meu lado, emergia em um sono profundo. Muito diferente de mim, que me revirava sobre os lençóis ou permanecia fitando o teto por silenciosos instantes. Era perturbador.
E se tornava ainda mais dilacerante saber que eu não deveria contar todo esse sentimento que me remoia a ninguém. Muito menos a Jacob, afinal, em hipótese alguma eu gostaria de vê-lo ser afligido pelas consequências dos meus atos.
(...)
O céu, no dia seguinte, amanheceu completamente agourento. Havia nuvens tão densas que era impossível imaginar uma brecha de sol irrompendo entre elas.
Lufadas incessantes de vento gélido agitavam as cortinas do quarto. Levantei-me cautelosamente da cama e vesti minhas pantufas. Eu estava com tanto frio que me obriguei a trajar um casaco – o que era completamente incomum devido à minha temperatura corporal elevada. Porém, naquele dia, tudo parecia modificado. A melancolia fincava em meu peito, substituindo toda a alegria de dias trás; eu não me encontrava forte e radiante como antes, mas, ao contrário disso, com uma enorme exaustão mental. Ainda tentava assimilar todas as ameaças da visita inesperada de Arthur... um vampiro tão ardiloso, tão frio.
– Nessie, você está bem? – Jacob levantava-se lentamente da cama, afagando minhas costas. Só então percebi que estava chorando.
Limpei as lágrimas automaticamente na manga do grosso casaco de pele. Ninguém, nem mesmo Jacob, poderia ter conhecimento de minha dor.
– Não é nada. É só que... Sophia está se remexendo feito louca – forcei um sorriso, enfim notando que minha barriga havia aumentado de volume.
– Então por que chorava?
– E-eu não estava chorando – gaguejei incapacitada de conter o nervosismo.
– Não minta para mim, Ness... Sinto o pavor emanando de seus próprios olhos – o lobo murmurou enquanto contornava minhas pálpebras úmidas com o polegar.
Ah, você não tem ideia de como eu queria desabafar, expor tudo aquilo que me dilacera tão desenfreadamente...
– Não seja ridículo, Jacob! – vociferei sentindo a culpa tomar-me por completo. Eu realmente não queria estar fazendo aquilo, mas era a única forma de protegê-lo. – Não há absolutamente nada de errado, ok?
Levantei-me abruptamente da cama, sentindo meu corpo inteiro fraquejar de remorso. Jake apenas assentiu aparentemente compreensivo a minha súbita estupidez. Em seguida, marchei até o andar de baixo, comprimindo os lábios para evitar o choro.
Sem nenhum rumo, parei diante da lareira acesa na sala, observando o movimento disforme do fogo. Pelo canto do olho, eu podia ver Jacob ao meu lado, apenas analisando minhas estranhas atitudes.
– Nessie, desculpe-me pela intervenção, mas ultimamente ando muito preocupado com você – o lobo murmurou muito próximo de mim, segurando gentilmente meu braço e fazendo-me olhar para sua face complacente.
Seu toque fez-me estremecer, assim como seus profundos olhos negros que pareciam penetrar em minha alma. Um turbilhão de sentimentos e memórias indistinguíveis atravessou meu corpo, fazendo a parte interior de mim clamar por ajuda. Que diabos era aquilo? Por que minhas emoções estavam tão confusas e, ao mesmo tempo, tão intimamente unidas?
Num ato inconsciente, fechei os olhos, tentando separar os flashes que se apossavam de minha mente. Primeiro, consegui distinguir o rosto de Jacob aproximando-se do meu e depositando um beijo terno em meus lábios para, em seguida, dizer: “Está tudo bem, querida, eu estou aqui, posso ajudá-la”. A frase ressoou uma dezena de vezes antes de simplesmente se dissipar e dar lugar a um vislumbre do corpo de Jake embalando o meu.
“Obrigado por confiar em mim”, disse novamente o lobo em meus pensamentos.
Em seguida, um estrondo. Foi tão forte e gutural que fez meus ouvidos chiarem e todo o meu espírito tremer compulsivamente. E então, mais imagens foram despejadas em mim como um grande balde de água fria.
Porém, dessa vez, era Arthur quem dominava todo o espectro. Minha mente tentava rejeitar as imagens, muito embora eu sequer conseguisse abrir os olhos. Alguma força muito mais forte me prendia ali, obrigando-me a assistir ao show de horrores que estava prestes a acontecer.
Os olhos escarlates de Arthur fulminavam-me enquanto ele balançava negativamente o dedo indicador.
“Eu lhe avisei, eu lhe avisei”, repetia ele, de forma que uma dor torturante esmaga-se todas as minhas terminações nervosas.
E então, tudo o que eu desejava nunca ter de presenciar apareceu com uma clareza arrebatadora perante meus pensamentos. Os corpos de todos que eu amo – minha família, Jacob, a matilha, Charlie, Sue, Renée e Phil – padeceram dilacerados sob os pés do vampiro.
Mais um estrondo acertou-me em cheio...
E meu corpo finalmente voltou à plena consciência.
Desabei ao chão, totalmente incapaz de me manter em pé. O dilema mental sobre revelar ou não toda a verdade a Jacob veio à tona, mas serviu para que eu finalmente tomasse uma decisão: eu iria resolver minha parte do trato de uma vez por todas e acabar com todo o tormento. E, para isso, eu precisaria mentir para minha própria família. Contudo, eu preferiria ter de enganá-los a conviver com a eterna culpa de tê-los entregado de bandeja aos planos de Arthur.
E, pelo modo como as coisas caminhavam, meu primeiro alvo teria de ser Jacob. Só de pensar que eu usaria meus próprios poderes para ludibriá-lo revirava meu estômago. Porém, eu tinha apenas dois caminhos a seguir. Ambos causariam danos, no entanto, aquele parecia ter magnitudes muito menores.
– Nessie, meu anjo, você está bem? – Jake perguntou-me preocupado enquanto ajudava-me a levantar.
– Estou – respondi firme, mesmo que eu estivesse completamente acabada. – Só... só me desculpe... por tudo... reconheço a minha culpa.
Jacob olhou-me confuso, incerto do que eu queria expressar com aquelas palavras. Porém, não lhe dei tempo para questionar; apenas fechei os olhos e me aproximei dele, revelando todo o meu amor quando nossos lábios se tocaram. Talvez aquela fosse minha última demonstração de afeto perante ele até que tudo se resolvesse. Apesar da importância de Jake em minha vida, eu teria de concentrar-me o bastante para finalizar a situação de vez, ou então nossa eternidade poderia estar condenada.
Limpei minha mente, tentando acreditar que por um minuto eu estava livre dos inúmeros problemas. Apenas foquei-me ali, naquele momento, no calor vertiginoso que se apossava de meu corpo cada vez que suas mãos apalpavam minhas costas e desciam pelos meus quadris, na maciez de sua boca pressionada contra a minha... Apenas nisso, como se não existisse nada além de nós, nada além da calidez que emanava de cada gesto. Somente nossos corpos em constante movimento, sem preocupações, sem qualquer obstáculo.
– Eu te amo – balbuciei mantendo uma pequena distância entre nós.
E então, mesmo a contragosto, toquei seu rosto, transmitindo todas as informações que Arthur havia orientado. Convencendo-o de que aquele vampiro odioso era inocente, que o tormento incessante não era culpa sua.
No final, senti-me como se tivesse cometido um crime terrível. Contudo, essa foi minha escolha, não havia como voltar atrás. Pensando nisso, deixei se corpo desnorteado deitado sobre o sofá e, decidida a acabar com toda aquela desordem, sai em disparada em direção à mansão de minha família.
(...)
Logo que me aproximei, senti a tensão acumulando-se em cada canto do ambiente. Estava sendo difícil para todo mundo, principalmente porque não tínhamos previsão de qualquer ataque, uma vez que Arthur bloqueava qualquer vestígio de sua presença.
Girei cuidadosamente a maçaneta e a porta da mansão abriu-se para dentro. Alice veio prontamente me atender, porém sem nenhum sorriso costumeiro, apenas uma expressão contorcida que evidenciava as delicadas linhas de expressão em sua testa.
– Alguma notícia?
– Nenhuma – murmurei inquieta.
– Cadê o Jacob?
– Só vim até aqui para resolver alguns assuntos, então ele preferiu ficar em casa.
– Que tipo de assuntos? – indagou arqueando uma sobrancelha. – Há alguma coisa que você está escondendo, Nessie? Caramba, ultimamente não consigo mais ter visões com você e, Deus, por que veio até aqui trajando pijamas e esse casaco repugnante? O que está acontecendo?
Puxei-a pelo braço, conduzindo-a para um lugar mais distante, onde sumíssemos do campo de visão dos vampiros.
– Dá para me explicar para onde está me levando? – questionou irritada, tentando desvencilhar-se do aperto dos meus dedos em seu pulso.
– Esclarecerei tudo o que for necessário se você me deixar agir – argumentei impaciente. – Só preciso de um tempo...
– Tempo para quê?
– Infelizmente não posso dizer absolutamente nada, tenho que permanecer de boca calada – suspirei. – Você não imagina como eu queria lhe contar sobre tudo o que me entorpece, mas só complicaria ainda mais toda essa situação.
– Eu sou sua tia, Ness! Sabe que pode confiar em mim! – rebateu histérica.
– Não é questão apenas de confiança, Alice! É muito mais complexo, abrange dimensões muito maiores do que eu gostaria.
– Será que você pode ser um pouco mais objetiva?
– Ok, se assim deseja vamos direto ao ponto – conclui tensa, esfregando as mãos no tecido fino da camisola para secar o suor.
Levantei os olhos para encontrar os dela, transferindo novamente toda a mentira sobre Arthur. E assim como aconteceu com Jacob, Alice desabou no chão logo que terminei o processo. Se não fosse uma imortal, eu poderia jurar que ela estava apenas dormindo um sono tranquilo. Mas não, aquela infelizmente não era a realidade dos fatos.
(...)
Após esconder o corpo inconsciente de Alice na garagem, no porta-malas de um dos carros de Carlisle, adentrei silenciosamente a mansão à procura da terceira vítima. Era um sacrifício ver a dor em seus olhos enquanto eles perdiam a consciência, mas essa era minha única alternativa até então.
Emmett foi quem me recepcionou. Sua figura imponente de quase dois metros de altura bloqueou minha passagem, impedindo-me de prosseguir meu caminho até a sala de estar, onde o restante de sobrenaturais estava reunido.
– O que você e Alice estavam aprontando lá fora? – perguntou ele. – Estava espiando pela janela e as vi indo em direção à floresta.
– Por que diabos estava nos espiando? – censurei-o vincando a testa.
– Em meio a toda a situação do momento não podemos facilitar, Ness – murmurou Emmett, um meio sorriso irônico brotando de seus lábios. – Não se pode confiar em absolutamente ninguém.
Engoli em seco, fitando-o aflita.
– Só estou brincando! – exclamou ele. – E você não respondeu a minha pergunta...
Aja rápido, pensei e tentei criar uma resposta plausível antes que meu tio passasse a desconfiar.
– Só estávamos conversando... – murmurei insegura.
– Conversando sobre o quê?
– Estávamos fazendo suposições sobre os possíveis planos de Arthur contra nós. Afinal, depois que encontraram a carta, o vampiro simplesmente desapareceu.
– E por que Alice não voltou?
Esforcei-me para formular uma nova resposta, cavando fundo em minha mente. Meus olhos corriam pela paisagem a minha volta, buscando desesperadamente por qualquer auxílio.
– Ela resolveu caçar – disparei.
– Caçar? – repetiu com uma expressão incrédula. – A esta hora da manhã?
– Ela estava se sentindo fraca, uma vez que há dias não sente o gosto de uma única gota de sangue nos lábios.
Estava entusiasmando-me com a sucessão de mentiras bem elaboradas que iam se acumulando, até que Emmett rebateu:
– Alice saiu anteontem com Jasper. Eles arrebataram três cervos.
Encarei-o imediatamente, notando sua estranheza em relação às minhas ações. As palavras somem dos meus lábios diante da inevitável adversidade que viria a seguir. Emmett me fitava insatisfeito, esperando por maiores explicações. Suspirei derrotada, não conseguindo mais levar a conversa adiante.
– Venha comigo – ordeno num fio de voz.
Reuni todos na sala de estar, determinada a acabar de vez com toda a situação embaraçosa ao meu redor. Era repugnante ter de enganá-los dessa forma, mas era a única maneira de livrar-me de Arthur. Se ele cumprisse com sua parte do acordo. Talvez ele pudesse me deixar em paz e eu – apenas eu, já que seria a única ciente do fato – conseguisse derrotá-lo. Assim como ele, eu também arquitetava um plano.
Logo que vampiros e lobos se mostraram a postos no cômodo, comecei a falar. Minha voz mantinha-se alta e clara. Eu realmente estava disposta a dar um fim em tudo aquilo.
– Necessito da atenção de todos vocês. É um assunto bastante delicado. Preciso da colaboração de cada um de vocês para seguir tudo o que eu orientar.
Todos deram um breve aceno afirmativo com a cabeça, o que já foi o suficiente para que eu continuasse:
– Dêem as mãos. Agora, peço que olhem fixamente para mim e, por favor, tentem não desviar a atenção por um mísero momento. Um único deslize poderá comprometer todo o processo.
– Por que exatamente temos de fazer isso? – indagou Seth, curioso.
– Infelizmente não posso contar – fechei os olhos por um instante, pronta para prosseguir: – Concentrem-se e sintam como se a energia emanasse de um corpo para o outro.
– Isso é algum tipo de bruxaria? – zombou Emmett.
– Sem deslizes – frisei, fuzilando-o com os olhos.
Inspirei profundamente, aglutinando o dom dentro de mim. Em seguida, imaginei-o se expandir, como se fosse algo material, sentindo-o irradiar por todo meu corpo. Eu nunca havia tentado antes, não sabia ao certo se poderia projetá-lo a dimensões maiores. Meu interior parecia tremer devido à força que eu despendia, tentando obter êxito a todo custo. Senti meus dedos formigarem, uma onda de poder utilizando-os como meio de comunicação com os outros organismos. Eu precisava ser extremamente resistente para suportar a pressão e a dor lancinante em minhas têmporas.
Já estava quase desistindo quando, de repente, todos começaram a sucumbir, caindo inconscientes sobre o assoalho, os corpos estavam frágeis e débeis após serem infringidos pelo meu dom, ou melhor, o dom que Arthur me concebera. Todos eles exceto Bella, que permaneceu de pé, assustada demais para proferir uma única exclamação surpresa.
– Mamãe? – indaguei e aproximei-me dela, notando que o poder não surtia efeitos sobre sua figura.
É claro, pensei. O escudo.
– O que você fez? – ela recuou imediatamente, parecia alarmada.
– Não é o que você está pensando. A culpa não é minha.
– O que você fez? – insistiu ela.
– Não posso falar nada a respeito... É perigoso.
– Eu tenho o direito de saber! – Bella gritou, cerrando os punhos. Ela tinha medo de mim. – Sou sua mãe! Além disso, vi com os meus próprios olhos. Portanto, não ouse mentir para mim.
Senti uma lágrima silenciosa contornar meu rosto e limpei-a imediatamente com as costas da mão. Duvido que algum dia tenha me odiado mais do que me odiei nesse momento.
– Todos nós estamos correndo risco, mãe. Garanto que será mais seguro se fingirmos que isso jamais aconteceu.
– Não – disse demonstrando uma firmeza que jamais a vi demonstrar. – Não vou permitir que você arruíne sua vida e a de todos eles – ela apontou para os corpos inertes, totalmente horrorizada.
– Por favor – supliquei, minha voz desaparecendo enquanto as lágrimas já eram incontroláveis, desejando concluir de uma vez por todas o assunto.
Bella desviava por entre o aglomerado de sobrenaturais desorientados, caminhando cuidadosamente em minha direção.
– Se você não me explicar agora mesmo o que houve há minutos atrás, nunca mais a perdoarei – sentenciou ela, esquadrilhando minha face com um olhar hostil.
– Mãe, não... – balbuciei cabisbaixa, incapaz de fitá-la novamente.
– Já chega! – mamãe exclamou exasperada. – Eu te amo muito, Renesmee, mas você passou dos limites. Darei a você apenas três segundos para decidir relatar-me ou não tudo o que está acontecendo. Caso a resposta seja negativa, tomarei as devidas providências.
Afundei o rosto entre as mãos tentando não demonstrar o sofrimento que me corroia por dentro. Enquanto isso, Bella fazia sua contagem em voz alta, na esperança de que eu pudesse mudar de ideia. Infelizmente, não era o que eu pretendia. Minhas emoções eram conflitantes demais para que eu sequer pensasse em confidenciar alguma informação.
– Seu tempo acabou – anunciou ela, suspirando pesadamente e dando as costas para mim.
– Espere – murmurei inconscientemente. – Bloqueie minha mente.
– Por que eu deveria?
– Faça o que estou pedindo e eu lhe mostrarei tudo o que desejar.
Mamãe parou subitamente, olhou-me por sobre o ombro e virou-se em seguida.
– Tudo bem – concordou aparentemente aliviada.
Estava incerta de que aquilo era o correto a ser feito, no entanto, eu já havia sofrido coerções demais. Precisava desabafar e dividir meus problemas com alguém que certamente me entenderia. Além disso, a insistência de Bella não permitiu que meus pensamentos se organizassem com precisão. Eu estava demasiadamente exausta para que conseguisse manter a farsa.
Coloquei a mão no rosto de mamãe, que respondeu ao meu gesto com um discreto sorriso.
Arthur é quem está por trás disso, transmiti em seus pensamentos. Ele me concedeu poderes para que eu pudesse modificar a compreensão de todos a seu respeito, convencendo-os novamente de que ele é apenas um humano. Se eu cumprisse minha parte no trato, talvez ele pudesse nos deixar em paz e eu conseguiria concluir meu plano para derrotá-lo. Caso contrário, ele mataria a todos aqueles que conheço.
– Ok, já é o suficiente – ela afastou-se de meu toque, atordoada.
– Prometa que não contará sobre isso a mais ninguém – pedi unindo as mãos em forma de súplica. – Já foi um grande sacrifício ter de explicar a você... Não posso deixar que mais alguém que amo interfira em algo que eu criei.
Bella balançou a cabeça em concordância e confortou-me em um forte abraço. Recostei a cabeça em seu ombro, contente pela sua compreensão.
– Como posso ajudá-la? – indagou ela, afagando carinhosamente meus cachos acobreados.
– Podemos começar levando esses corpos para um lugar mais aconchegante – aconselho. – Eles não devem se lembrar de absolutamente nada.
– Certo.
Distanciamo-nos e iniciamos o serviço. Minha mãe, com sua força surpreendente, conseguia carregar ao menos três vampiros de uma única vez. Já eu, apesar de possuir uma resistência considerável, não podia dizer o mesmo.
– Onde podemos deixá-los?
– No local mais convencional que encontrar – instrui enquanto corria para pegar Alice na garagem.
Eu não sabia por quanto tempo eles ficariam desacordados, portanto era essencial que atuássemos com celeridade. Qualquer recordação do acontecido seria um grande impasse, o qual teríamos de enfrentar e contornar a fim de evitar evidências.
Abri cautelosamente o porta-malas do carro de Carlisle e deparei-me com a figura totalmente vulnerável da pequena vampira. Admirei o fato de ela permanecer graciosa mesmo estando tão fragilizada. Sorri fracamente, contornando o rosto pétreo de minha tia com o indicador enquanto abominava-me por ter sido tão cruel.
– Eu daria tudo para desfazer tudo isso – murmurei incapaz de controlar a melancolia impregnada em minha alma.
– Talvez eu possa auxiliá-la – ofereceu-se uma voz feminina.
Virei-me de supetão e senti minhas pernas fraquejarem assim que encontrei a dona da voz. O gosto da bile parecia subir à garganta. Gostaria de clamar por Bella, contudo o choque era grande demais para que eu tomasse alguma atitude. Seus olhos escarlates cintilaram em minha direção e me causaram intenso repúdio. Coloquei-me em posição de ataque, uma fúria inexplicável corroendo-me por dentro. Minha mente trabalhava por mim, gritando em auto-defesa e desferindo golpes até que a figura a minha frente fosse dilacerada. No entanto, não consegui me mover.
– Jennifer?
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