Eternal Flame

1 Songfic Eternal Flame


Notas iniciais
Oops... I did it again. Mais uma songfic para o casal do meu coração, que me inspirou a começar a escrever lá no comecinho de 2013. Achei um crime eu não ter escrito nada, nada mesmo, focado nesta canção que marcou tanto os dois e não resisti. Escrevi. Boa leitura!

Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating?
Do you understand?
Do you feel the same?
Am I only dreaming?
Is this burning an eternal flame?

Era esta a música que tocava no antigo rádio do Mustang de Mia Clarke. Era madrugada e a caçadora dirigia por uma estrada do Kansas, rumo ao bunker dos Homens das Letras, depois de aniquilar um ninho de vampiros numa cidadezinha do interior do estado durante aquele final de semana.

A caçada bem-sucedida era a última coisa que passava por sua cabeça naquele momento, já que a famosa canção da banda The Bangles lhe remetia a uma lembrança muito doce e agradável. Isso porque o primeiro beijo entre ela e um certo anjo de sobretudo aconteceu ao som de Eternal Flame, há pouco mais de três anos.

Sentindo a nostalgia irresistível misturando-se com uma saudade urgente, Mia resolveu chamá-lo:

— Alô, alô, planeta Terra chamando. Anjo? Na escuta?

A caçadora olhou rapidamente para o banco do carona e viu que ele permanecia vazio. Pelo retrovisor, observou o assento traseiro, mas também não havia nem sinal de Castiel ou do farfalhar característico de suas asas no ar.

Mia esperou mais um pouco. Porém, como continuava sozinha, fechou a cara e resmungou:

— Acho que não. Aposto que se fosse o Dean dizendo o seu nome acidentalmente, você já teria brotado na frente dele todo prestativo, certo? Depois não entendem o que é Destiel.

Apesar da reclamação, Castiel não deu o ar de sua graça no Mustang de Mia. Irritada com a demora, ela resolveu mudar de estratégia e dramatizou do jeito mais convincente e desesperado que conseguiu:

— Ai meu Deus! O que é isso que apareceu de repente? Pedras? Aerólitos? Demônios? Sim, são demônios! Muitos deles! Demônios por toda a parte! Anjo, socorro! Eles vão me arrastar para o inferno! Eu estou em perigo! Socorro!

O bater de asas que se propagou no ar imediatamente era o sinal de que sua tática tinha funcionado. No banco ao lado da caçadora, Castiel despejou zonzo e preocupado:

— Mia! Estou aqui! Onde eles estão?

O anjo olhou tudo em volta. Demorou alguns instantes para se convencer que não havia nenhum demônio ali, nem na estrada a frente, nem em parte alguma. Então, depois de unir as sobrancelhas em desaprovação, acusou:

— Você mentiu.

Controlando a vontade de rir, Mia replicou:

— Para um anjo. Acho que eu vou mesmo para o inferno, hum?

— Você acha isso engraçado? — queixou-se insatisfeito e ligeiramente magoado.

— Um pouco — a garota respondeu automaticamente. Porém ao notar que ele havia semicerrado o olhar, achou prudente consertar: — Não. Nem um pouco engraçado.

Um tanto incrédulo diante da naturalidade e falta de noção da caçadora, Castiel fez questão de argumentar seriamente:

— Eu pensei que você estava em perigo, Mia. Você consegue imaginar o que eu senti quando ouvi o seu clamor por ajuda?

Após ponderar a pergunta por longos instantes, ela arriscou:

— Pânico?

Insatisfeito por ela não entender a gravidade daquela mentira, o anjo inclinou a cabeça, levando Mia a captar sua mensagem e se justificar:

— Sem ofensa, mas isso não teria acontecido se você tivesse batido suas lindas asinhas assim que eu chamei pela primeira vez.

Então foi o momento de Castiel se explicar:

— Eu não pude vir. O Céu requer atenção no momento e meus irmãos precisam que alguém lhes guie. Mas eu te ouvi e viria assim que possível.

— Muito engraçado... — ela resmungou baixinho. — Agora eu tenho que pagar o pato por causa de um bando de anjos mais perdidos do que cego em tiroteio que não sabem amarrar o próprio cadarço sozinhos.

Por ter captado apenas parte das palavras, Castiel franziu o cenho confuso e inquiriu:

— O que você disse?

Sentindo que havia falado demais e que estava perdendo o foco, Mia aumentou o volume do rádio e orientou:

— Ah... Ouça isso!

I believe it's meant to be, darling
I watch when you are sleeping
You belong with me
Do you feel the same?
Am I only dreaming?
Or is this burning an eternal flame?

Enquanto a canção continuava tocando, o anjo indagou com um leve tom de crítica:

— Você me chamou, depois de me fazer acreditar que estava em perigo, para ouvir uma música?

— Não qualquer música, gênio. A nossa música — Mia fez questão de frisar, revirando os olhos.

Sim, Castiel sabia disso. Não tinha como esquecer que foi ao som daquela letra que ele se permitiu sentir o que sentia por Mia e se entregou ao desejo de beijá-la pela primeira vez. Apesar disso, ele não pôde deixar de ressaltar o que a caçadora havia feito antes, chamando-o daquele jeito e brincando com o seu senso de proteção. Claro que logo isso perdeu a importância diante da memória doce que visitava seus pensamentos naquele instante.

E ao perceber que o semblante do anjo havia se suavizado consideravelmente e que, se ele fosse humano, teria soltado um longo suspiro sem perceber, Mia deduziu satisfeita:

— Não está mais zangado, não é?

Voltando a si, Castiel redarguiu calmamente:

— Eu não fico zangado com você, apenas preocupado. Não faça algo assim de novo.

— Prometo.

Mia só não cruzou os dedos na frente dos lábios e os beijou porque o anjo vivia reclamando que ela se distraía com qualquer coisa e soltava o volante sem perceber. Desta vez não ia lhe dar o gostinho de acusá-la de negligência. Ainda mais porque estava bem perto de Lebanon, quase chegando.

Say my name the sun shines through the rain
A whole life so lonely
And then you come and ease the pain
I don't want to lose this feeling
Oh, oh

A música continuava tocando e, pela visão periférica, Mia podia sentir o olhar de Castiel em sua direção. Podia imaginar o leve e sincero sorriso que ele esboçava naquele momento. Sorriso que não desapareceu mesmo quando a música acabou e a caçadora parou o Mustang nas dependências do bunker.

Depois de desligar o motor e limpar a garganta, voltou-se na direção de Castiel e puxou assunto:

— Então você lembra daquela noite, Cas? Quando essa música tocou e...

Mia foi interrompida pelo toque repentino do anjo, que sem dizer nada, nada mesmo, trouxe o rosto dela para junto do seu e selou seus lábios com um beijo terno e mesmo assim impetuoso. Com isso, a caçadora fechou os olhos instintivamente e, como sempre, derreteu-se nos braços de Castiel, completamente envolta e entregue àquele momento, assim como ele.

Zonza, Mia permaneceu de olhos fechados quando o anjo se afastou algum tempo depois. Continuou fora de órbita quando ele acariciou seu rosto com carinho e respondeu:

— Eu nunca vou esquecer.

Uma brisa suave balançou o cabelo da caçadora e o farfalhar de asas se espalhou pelo veículo, indicando que Castiel havia partido. Só então Mia abriu os olhos e procurou se recompor.

— Nem eu — profetizou com um sorriso. — Até a próxima, anjo

Notas finais
Reviews para os coelhos?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!