Eternal Bonds – Interativa
5 Knowing The Selecteds – Chapter Three ♕
Notas iniciais
“O que quer que aconteça aqui
Vamos sobreviver”
P.O.V. Crystal Becker
– Cheguei! – gritei ao entrar em casa e deixei a chave numa mesinha ali perto. Tinha passado a tarde na casa de Julia, minha melhor amiga, ouvindo mais uma vez sobre a tristeza que a garota sentia pelos pais não presentes.
A garota poderia parecer uma patricinha sem coração, mas eu a conhecia e sabia que isso não era verdade. Pelo menos a parte do sem coração era. Fico feliz em ter pais presentes. Minha mãe é presente até demais, mas a entendo.
Gisela Becker teve uma infância difícil e sempre quis que isso não acontecesse comigo. Sempre quis que eu virasse a rainha do nosso país, Alemanha. O que eu sempre achei um pouco exagerado. Eu me vejo somente fazendo minhas joias e ajudando meu pai.
– Olha os modos, Crystal – ouvi a voz da minha mãe e saí dos pensamentos. – Uma dama não grita desse jeito – revirei os olhos.
– Pena que eu nã0 sou uma...
– Você que acha – falou bem baixo, o que me deixou confusa.
– Como assim?
– Irá entender... Venha jantar. Estávamos te esperando.
A segui até a cozinha, onde meu pai já estava sentado, nos aguardando.
– Olá, pai.
– Olá, Crys – deu um beijo na minha testa e eu sorri. Sempre fomos muito próximos. E foi ele que escolheu meu nome. Disse que assim que eu abri os olhos, se lembrou de cristais e escolheu Crystal. Amo meu nome, sem querer me exibir.
– Sente-se, temos que conversar – minha mãe falou.
– Que foi que eu fiz dessa vez? – coloquei os cotovelos na mesa e ganhei um olhar de repreensão, o que me fez coloca-los no colo.
– Nada, querida. Pode relaxar. – meu pai deu um sorriso amável.
– Temos boas notícias – ela falou animada e colocou um envelope lilás na mesa.
Peguei e vi o logo do palácio estampado, o que me fez ter um pouco de medo. Abri e tive minha confirmação: estaria na Seleção do príncipe Jonathan. Meus olhos se arregalaram e minha mão foi até a boca. Não queria entrar ali. De jeito nenhum. Subi correndo para meu quarto e fechei a porta. Peguei o celular e disquei o número de Julia, pois já o sabia de cor.
– Julia?
– O que foi, Crys? – falou preocupada.
– Uma carta do palácio chegou. Estou na Seleção.
– Isso não é bom? Esqueceu que sua mãe deixaria você fazer seu curso?
Conversamos por mais tempo e acabei me animando um pouco. Guardei uns desenhos de joias que estavam na mesinha, pois não queria que minha mãe visse, e fui dormir.
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“Tomem seus lugares, ponham seus vestidos e façam cara de boneca.
Todos pensam que nós somos perfeitos.
Por favor, não deixe que olhem através das cortinas”
P.O.V. May Ruby Throman
Entrei no camarim, me preparando para mais uma roupa. Tirei a saia e o vestido que usava e coloquei um vestido preto, que contrastava com meus cabelos brancos, obviamente pintados. Chequei tudo e me sentei, esperando a minha vez. Outra garota, ruiva de olhos verdes, começou a falar comigo.
– Oi, sou Katherina.
– Hm... sou May Throman – dei um pequeno sorriso, tentando parecer simpática.
Infelizmente, ela não era tão legal quanto pareceu. Tive que ficar ouvindo a garota falar de bolsas de marca que tinha usado e como o colar que comprou para seu poodle era chique e bonito. Como sempre, fingi prestar atenção e concordar com suas opiniões estúpidas.
Minha sorte foi terem me chamado para desfilar. Seria capaz de tirar a faixa de algum dos vestidos e amordaçar a garota.
Cheguei atrás da passarela, fiz o carão e pose de modelo. Fui andando e sentindo os flashes no meu rosto. Dei um sorriso e um beijinho quando cheguei na frente. Fui andando de volta. Minha profissão poderia parecer perfeita e ser o sonho de muitas garotas, mas não o meu.
Coloquei minha roupa normal e saí, vendo minha família me aguardando. Estava surpresa em ver meu pai. Não esperava que o tão ocupado Carl Hope viesse hoje.
– Olá, querida – minha mãe falou arrumando meus cabelos – Não sei porque pintar de rosa – falou baixo e virei os olhos, afastando suas mãos.
– Oi, mãe, pai e Ryan – meu irmão mais novo acenou para mim e deu um sorriso, que eu retribuí. No geral, não somos muito diferentes. Os mesmos olhos azuis, o cabelo castanho. Mas ele é mais alto, mesmo sendo mais novo.
– Você estava linda, mana – o rapaz falou me abraçando.
– Obrigada.
– Temos que ir. Rápido, crianças. Festa pós desfile. – Jessie, minha mãe falou. Nos dirigimos ao hotel onde seria a festa vip. Me senti agradecida por ter ido arrumada.
A viagem foi silenciosa. Ao sair do carro, senti de novo os flashes no rosto e tentei sorrir mesmo com o incômodo nos olhos. Minha mãe estava ao meu lado e fazia o mesmo. Ela também era modelo. Fazia aquilo com tanta naturalidade que sempre achei que ela nasceu para a profissão.
Falamos com algumas amigas da minha mãe e suas filhas. Vi a garota ruiva do desfile e tentei ao máximo esconder-me. Pareceu funcionar. Uma música animada tocava no fundo enquanto conversava com meu irmão e comia um salgadinho, mas esta foi interrompida e ouvi a voz da minha mãe. Tanto eu como Ryan olhamos para o pequeno palco.
– Boa noite, senhoras e senhores. Sinto muito em interromper a diversão de vocês, mas tenho um anúncio a fazer. – sorriu, exibindo seus dentes brancos e alinhados. – Acho que todos aqui conhecem minha filha, May Throman. – senti um holofote no rosto e fechei um pouco os olhos. – Vem aqui, filhota.
Me levantei e ajeitei o vestido azul escuro que usava. Fui andando até o palquinho e subi com a ajuda de alguém que estava perto. Minha mãe me entregou um envelope lilás. O abri e li nas letras douradas, escritas entre as flores roxas que ornamentavam a carta, que estava na Seleção.
– Ela competirá, em pouco tempo, pelo coração do nosso querido Jonathan Russel– ouvi uma salva de palmas e sorri um pouco falsamente. Passei o resto da tarde aturando garotas fúteis me parabenizando e flashes que faziam meus olhos arderem.
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“Suas palavras fizeram um corte mais fundo do que uma faca.
Agora, preciso de alguém que me sopre a vida novamente"
P.O.V Kamille Dandara Alencar
Encarava a carta lilás na minha mão que Camila, minha melhor amiga, tinha me entregado e só uma palavra me descrevia no momento: arrependida. Poderia estar tudo ok. Eu poderia estar tocando violão escondido ou pintando, mas não. Vou competir pelo queridinho cafajeste da Inglaterra.
– Por que eu fiz isso, Cams? – me joguei na cama.
– Porque eu e a Iza insistimos.
– Verdade. A culpa é sua... – bufei e tapei o rosto com as mãos.
– Da Izadora também – falou cruzando os braços.
– Você sempre é a mente do mal. Nem vem.
– Obrigada, amiga. Mesmo que eu te ame, tenho que te deixar. Dever me chama – a loira se levantou e saiu do meu quarto.
Peguei um pincel e comecei a finalizar mais um quadro. Não que eu não goste disso, mas cantar realmente é o que eu quero e meu dom (pelo menos eu acho). Não é só porque a carreira da Liara foi por água a baixo que a minha também iria. E nem um pai para ajudar eu tinha. Aquele traste abandonou a família.
Desci as escadas, pois já era a hora de jantar. Fui a primeira a entrar na cozinha. Me sentei e fiquei cantarolando, até ouvir uma voz.
– O que já falei sobre música? – ouvi minha maravilhosa e adorada mãe falou.
– Está proibida – revirei os olhos – Não irá se repetir.
– Ótimo – iludida.
Começamos a comer em silêncio, mas lembrei de algo.
– Liara – chamei – Tenho uma novidade.
– Fala. – joguei o envelope na mesa e observei a morena ler – Ótimo. Algo de útil que você faz.
– Por mim nem iria.
– Nem pense, mocinha. Imagina a desonra. Você já não serve de nada e ainda quer fazer isso. Não seja burra.
Não aguentando, saí dali e corri para meu quarto. Joguei-me na cama e senti meus olhos arderem. Comecei a chorar em silêncio, mas ouvi batidas na porta.
– Sai daqui! Eu te odeio – gritei, mas vi a porta branca abrir.
– Achei que éramos amigos, Kams. – meu irmão se aproximou.
– Jay – me levantei e o abracei – Quero tanto ir embora daqui. Eu a odeio. Queria nunca ter nascido dela.
– Não fala isso, maninha. Assim você não teria o melhor irmão do mundo.
– O Liam? – falei rindo um pouco.
– Aí já me ofende. – riu também – Agora fala o que foi.
– A Liara... Eu falei que não queria A Seleção, mesmo com a carta. E ela me chamou de burra inútil.
– Espera... Seleção? Você se inscreveu?
– Culpa de Iza e Cam.
– Você só é burra em não querer ir. Imagina. Você ia ficar longe da nossa mãe e ainda tocar ou cantar a vontade.
– Verdade. Você é o melhor irmão do mundo – dei um beijo na sua bochecha e passamos o resto da noite conversando. Estava gostando mais da ideia da Seleção.
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“Boas garotas são más garotas que não foram pegas”
P.O.V. Amelie Genevive Riddle
Acordei ao lado de Sebastian e me assustei ao olhar o relógio ao meu lado. Estava atrasada para um chá com damas da sociedade francesa . Ser nobre não é pra qualquer uma. Me levantei e fui até o banheiro do quarto do meu amigo colorido. Tomei um banho rápido e fui me vestir. A roupa separada por uma das empregadas estava cuidadosamente dobrada numa bolsa. Coloquei o vestido azul claro, fiz uma maquiagem e escrevi um pequeno bilhete para o moreno que estava deitado ali.
Fui para a mansão onde ocorreria o evento às pressas. Agradecia todos os dias por minha avó ter renegado a coroa francesa. Não aguentaria tanto ter que fingir ser a santinha. Não mesmo. Aguentar essas velhas falando o quanto cresci e estou bonita, coisas do gênero, realmente não é para mim, mesmo com os boatos que eu queira tomar o trono. O Michel pode muito bem ser o rei. Ainda mais com essa Seleção.
Conhecendo meu priminho como eu conheço, sei que ele vai mais se divertir com as garotas do que se concentrar em achar o amor de sua vida. Algo que temos em comum: curtir a vida. Mas como ele é homem, isso é normal.
Voltei para casa e quando entrei no quarto, vi uma mensagem do Sebs no meu celular “Nem para me acordar, né? Merecia um beijo de despedida (ou um banho)... Beijos” Travei o celular rindo dele. Não, não rolou essa coisa de amigos que viram namorados entre a gente. O sexo sem compromisso estava indo de vento em polpa conosco. Ainda bem. Ele é um ótimo amigo para ser jogado fora.
Coloquei uma roupa mais confortável e fiquei vendo TV. Ouvi o toque especial da minha mãe. A própria colocou, para eu não ignorá-la.
– Alô?
– Oi, filha. Quero que venha aqui em casa hoje a noite. Teremos uma pequena festa aqui e precisamos de você. – sabia que a pequena festa da senhora Kristen nunca teria menos de 60 pessoas.
– Tudo bem. Beijos.
– Beijos.
Desliguei e aproveitei para ligar para Claude, meu cabelereiro e maquiador pessoal. E gay. Um desperdício para a humanidade.
Enquanto ele não chegava, entrei no meu closet , a fim de escolher um vestido. Acabei optando por um branco todo rendado, que não passava dos meus joelhos. Escutei a campainha e logo o ruivo entrou.
– Olá, querida. Qual a situação?
– Uma “pequena festa” – fiz aspas com as mãos – da minha mãe.
– Qual o vestido?
– Aquele ali – apontei para minha cama de casal.
– Acho que já sei o que fazer.
Como sempre, Claude não me deixou ver meu reflexo no espelho antes de estar pronta. Primeiramente, tomei banho, depois fiz o cabelo. Em seguida, maquiagem e colocar o vestido. Meu cabelereiro me deu um salto com plataforma vermelho e brincos razoavelmente grandes da mesma cor. Me olhei no espelho.
– Obrigada, Clau! – o abracei.
– Minha obra prima. Sou um artista. – meu cabelo loiro estava com uma trança na lateral e o resto solto em cachos. Usava um batom vermelho nos lábios e um delineador preto que destacava meus olhos azuis.
Fui para a mansão da minha mãe e logo vi alguns fotógrafos. Posei para eles e entrei. Fiquei conversando com alguns conhecidos até o jantar ser anunciado. Todos se dirigiram às suas mesas no jardim da casa.
– Antes da comida, temos um pronunciamento. O motivo disto – falou meu pai se levantando.
– Sim. Todos sabem que A Seleção está para acontecer. E nossa filha estará presente. Como, quem sabe, futura Rainha da Irlanda. – todos começaram a aplaudir.
Estava surpresa. Eu mesma mandei a carta, mesmo sem um motivo claro. Mas esperava que o envelope rosa claro chegasse para mim, e não para o casal. Agora, bem, Inglaterra que me aguarde.
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“Com seu corpo no meu, nossos corações batem como um.
E estamos iluminados, somos um amor em chamas”
P.O.V. Alexandra Amethysth Martell
Encarava os troféus na parede enquanto estava deitada na minha cama. Me senti orgulhosa de mim mesma. Ser campeã de skate sempre foi meu sonho e ter ido para a Irlanda foi a melhor decisão que tomei na vida.
Queria que meu pai estivesse ali comigo. Arthur provavelmente iria bagunçar meu cabelo e dizer “Parabéns, Amethysth”, pois sabia que eu odeio meu segundo nome. Depois iríamos sair para comer hambúrguer com os nossos amigos. Iria, se ele não tivesse tido o maldito câncer no pulmão. Tudo isso é por ele.
Não imagino o que seria de mim se ele não tivesse me tirado daquele orfanato nojento. As freiras me odiavam. Não que eu fosse um anjinho ou algo do tipo, mas não era tããão ruim assim. Se as outras crianças não fossem chatas, eu não arrancaria cabelos das bonecas nem quebraria os carrinhos. Ri com o pensamento.
– Entra! – falei ao ouvir batidas na porta.
– Oi, Alex – vi a cabeça morena de Gus aparecer.
– Que foi?
– Preciso que me acompanhe. Quero comprar algumas coisas para a Bassie.
– Vamos. Cahill também está precisando de retoques. – me levantei. – Agora sai.
– Por que?
– Não sou muito feminina, mas não vou sair com um moletom e um micro short, né retardado? Me espera aí.
– Ok.
Saiu e fui tomar uma ducha rápida. Vesti uma calça jeans, uma T-shirt roxa estampada e um tênis. Penteei meu cabelo e coloquei um boné. Peguei meu velho Cahill e saí. Se alguém não entendeu Cahill e Bassie eram nossos skates preferidos. Mesmo não podendo usá-lo nas competições, ele sempre foi meu xodó, afinal, era meu primeiro skate.
Saí do quarto e encontrei o moreno deitado no sofá. Dei um tapa na sua cabeça.
– Vamos?
– Claro. – pegou Bassie e fomos andando de skate até a Bill’s. Entramos na tão conhecida loja de esportes e fomos logo à sessão que queríamos.
– Meninos! Estão sumidos. Tudo bem? – falou Cassie, a filha do dono da loja. Ela tinha o cabelo negro raspado de um lado, um piercing na sombrancelha e várias tatuagens.
– Tudo – falei. – Estávamos atarefados. Sabe que ainda quero tentar sucesso no surfe.
– Claro que sei. E vai conseguir – sorri – Mas do que vão precisar? Chegaram algumas coisas novas e acho que vão gostar.
Como sempre, passamos mais tempo que o previsto ali, como sempre. Depois fomos ao shopping e comemos hambúrguer com batata frita. Uma das melhores coisas do mundo. Quando chegamos na casa, já estava escurecendo. Abri a porta e logo ouvi um barulho.
– Ai, seu retardado, isso doeu – ouvi a voz do... Kyle? Mas ele estava na Austrália. Logo acendi a luz.
– Surpresa! – gritaram os outros meninos.
– Não acredito que estão aqui! – fui até eles e demos um abraço em grupo. Logo dei um tapa na cabeça de cada um.
– Obrigada pelo carinho, Amethysth – dei mais um tapa em Will por ter me chamado pelo segundo nome. O mesmo deu língua.
– Bem, nós não viemos de Sydney pra cá por nada, então vamos direto ao assunto. – Adam disse – Dan...Gustav, cadê?
Ele foi até uma mesinha na sala e pegou um envelope cor de rosa. Fiz uma careta ao ver a cor, o que provocou riso dos 6 caras que se encontravam na sala.
– O que é isso? – falei
– Abra e leia – Gus me entregou e abri o envelope.
– Então eu entrei na Seleção? Pensei que era algo mais importante... – me joguei no sofá e tirei o tênis.
– Você não vai comemorar? Ou ter um daqueles ataques femininos? “Ai como o Sean é lindo!” – começou John.
– Aqueles cabelos ruivos me seduzem – falou Dan com voz afeminada.
– Você vai arrasar ali. Não vai ter pras inimiga. – ri muito com a tentativa de Will. Ele tinha uma voz muito grossa, então já dá pra imaginar o resultado.
– Até parece que não me conhecem. Nem sei porque me submeti a essa palhaçada... – falei e suspirei – Mas, agora já foi. Só me resta aproveitar que vocês estão aqui. Pizza?
– Pizza – falaram de uma vez e logo pedimos umas 5 para passar a noite.
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