Eternal: Amaldiçoados

1 Capítulo 01: Não Pisque


Notas iniciais
Criatura(s) presente(s): — Weeping Angels, de Doctor Who.

Cidade de Nova Iorque, NY, EUA.

De tão cedo que era, o sol ainda nem surgido no horizonte havia. Enquanto concluía seu policiamento até o final do corredor onde estava, Frank percebera seu relógio-de-pulso marcando cinco horas da manhã, em ponto. O guarda logo deu por si que em meia hora o museu iria ser aberto ao público, por isso tudo em seu interior deveria estar no mais perfeito lugar para não haver contratempos. Pois bem, sua ala, pelo menos, assim se encontrava.

Ao fim do caminho, o segurança virou-se para o corredor que percorreu há pouco e observou tudo quieto. Então, pegou o radiocomunicador em sua cintura e foi a ver se na área do colega de turno as coisas andavam tão bem quanto na sua.

— Derek? — Chamou o outro vigia.

— Sim?

— Como está?

— Com um pouco de sono. — Disse o parceiro. — Afinal, passei a noite em claro!

Frank revirou os olhos.

— Me referi às coisas por aí...

— Ah.. — O outro gargalhou, sem graça. — Parece tudo legal também. Só falta checar as salas 13 e 14, e pronto. Poderemos ir.

— Ok. Vou te esperar na portaria, beleza?

— Beleza. — Assentiu. — Ei... essa estátua não era para estar aqui...

Derek se deparou com algo incomum no lugar onde se encontrava. Frank percebeu e ficou curioso, ao mesmo tempo também um pouco preocupado.

— O que houve? — Perguntou no rádio.

— Nada de mais... Só que uma daquelas estátuas novas está fora de posição, no corredor. Devem ser os guris que ficam dando rolé por aqui durante o dia... Aproveitam quando ninguém está vendo e começam a fazer algazarras! — supôs. — É por isso que eu pretendo trocar de turno. Na minha cessão, duvido que algum moleque com boné virado vai encostar uma unha nessas obras!

Frank ria ouvindo as reclamações do companheiro.

— Vai precisar de ajuda aí, para colocá-la novamente no lugar?

— Que nada! Se até um guri mexeu isso, provavelmente é bem leve.

Eis que Frank começou a ouvir múrmuros de força do outro lado.

— Ou não. Essa coisa deve pesar uns 300 quilos, nem se mexeu! O mais inusitado é que também não há rastros pelo piso que indiquem que ela foi arrastada... Ah, quer saber? Deixa isso pro Tim e pro Alex, aqueles dorminhocos de uma figa que não cuidam de nada direito! Nosso turno já acabou, vamos embora!

— Você decide.

Frank notou quando Derek desligou seu comunicador e fez o mesmo com o seu, pondo-o de volta no lugar e se voltando em direção à saída do museu. De imediato, começou a andar rumo a tal e foi inevitável que desse um longo bocejo em sua caminhada. Assim como o colega, estava exausto. A diferença é que ele não usava disso para reclamar do serviço.

O segurança terminava o corredor atual para pegar o novo que o levaria diretamente ao cômodo de atendimento quando, repentinamente, seu comunicador passou a emitir ruídos. Possivelmente se tratava de Derek tentando contato.

— FRANK, ESTÁ VIVA! ELA ESTÁ VIVA!!! — Os gritos de desespero do amigo deram lugar a uma abrupta estática.

— Derek? — Frank arqueou uma das sobrancelhas, confuso. — O que está havendo?

— NÃO POSSO PISCAR, FRANK. ELA ESTÁ ATRÁS DE MIM!! — Sua respiração pesada sinalizava que Derek fugia de algo, atônito. — NÃO PISQUE, FRANK! NÃO PIS... AHHHHHH!

— Derek?! — Dessa vez, quem ficou aflito fora Frank, inteiramente preocupado com o outro. — Derek, você está bem? Derek?

Não adiantava, o sinal do amigo havia caído. Sem perda de tempo, o vigia apressadamente sacou a arma que trazia consigo presa a seu cinto e foi em alvoroço para a ala cuja qual o parceiro era responsável. Após um par de corredores na direita, Frank pudera ver as placas das salas 13 e 14 no fim da nova reta que surgira. O que mais o deixou apreensivo fora que, pelas últimas palavras do amigo antes de entrar em pânico, ele deveria estar bem ali.

— Derek? — Gritou. Nada aconteceu em resposta. De repente, o rapaz se recordou de algo e iniciou-se uma inspeção ao redor de si. — Espera... Ele comentou que tinha uma estátua pelo corredor... Mas não tem nada aqui.

Sabendo perfeitamente que a sala das esculturas e derivados era a 13, imediatamente o homem se dirigiu para lá. Conforme se aproximava da entrada do cômodo suas mãos ficaram trêmulas. Limitou-se a repousar um de seus dedos sobre o gatilho da arma. Qualquer coisa que tentasse surpreendê-lo, e ele atirava sem remorso.

— Derek? Está aí? — Questionou ao passo que atingira a porta do décimo terceiro compartimento. O interior do cômodo estava quase que completamente escuro, salvava-se apenas o perímetro próximo a porta, que era parcialmente iluminado pela própria luz do corredor.

Com uma lanterna, Frank adentrou na sala e começou a iluminar seus cantos, ficando boquiaberto ao encontrar o radiocomunicador do outro funcionário caído ao chão, perdido. Enquanto caminhava até ele, não deixou de observar a escultura de pedra que permanecia imóvel logo à frente do aparelho, com uma pose horrível.

— “Anjos Caídos”. — Leu ao cessar os passos bem em frente à estátua e distinguir a caligrafia que ela levava num quadro na região da cintura. Subiu o olhar até fitar o rosto da escultura, sentindo um calafrio percorrer o seu corpo ao ficar cara a cara com aquela coisa horrenda. — Tá mais pra “Demônios de Pé”. Cruzes!

Virando-se de costas para a coisa, Frank agachou-se e capturou o rádio de Derek, só então descobrindo-o todo estilhaçado. Alguma coisa muito pesada deveria tê-lo esmagado de forma brutal. Alguma coisa que perseguia o seu amigo.

Por relance, Frank ouviu um estranho gruído ocorrer bem atrás de si. Ele se virou num rompante, pronto para atirar em quem fosse, e deu-se incrédulo face a face com a mesma estátua de antes, que agora parecia estar estranhamente mais próxima de si.

— Derek? Você que está fazendo isso?

O vigia desviou o foco do ser petrificado novamente para vasculhar aos arredores. Ledo engano. Tudo o que se escutou a seguir foram seus urros de dor e os estalos que os ossos do seu corpo fizeram enquanto eram bruscamente partidos ao meio por alguma coisa. Por aquela coisa.