Eternal: Amaldiçoados
2 Os Investigadores - parte I
Ainda era cedo, manhã do dia seguinte.
Dois rapazes acabavam de entrar na portaria do Seven Arts. O moreno, que ia mais a frente, cessou os passos e pôs-se a olhar ao redor. O interior do museu era demasiadamente grande, salas e corredores para todos os lados – isso sem contar a verdadeira aglomeração de pessoas que por ali transitava. O loiro ao seu encalço parou também, fitando-o enquanto coçava a nuca.
— Vamos demorar um bom tempo para encontrar a sala... — disse o último, um pouco impaciente.
— Não se usarmos o AN. — asseverou o outro, retirando do bolso de seu casaco um pequeno aparelho que se assemelhava, em forma e design, a um celular moderno. Quando pretendia pressionar uma tecla para ativá-lo, o amigo interrompeu-o.
— Está louco, Blake? Esse radar de fantasmas apita tão alto que, se captar anomalias aqui, as pessoas vão ouvir os sons dele do outro quarteirão!
— Não se eu colocar no silencioso... — E assim o moreno o fez.
— Essa coisa tem modo silencioso? — O loiro ficou desentendido. — Nossa, é melhor que o meu celular!
Blake revirou os olhos e tratou de ligar o AN rapidamente. Emitindo uma pequena luz vermelha, o objeto amostrou que no museu realmente havia alguma presença sobrenatural. Se movimentando para os lados, o rapaz que o segurava percebeu quando as piscadas passaram a ficar mais intensas e rápidas, e descobriu a possível direção de onde o que procuravam jazia.
— O sinal vem daquele corredor... — Apontou. — Vamos!
Em pouco tempo, ambos alcançaram uma nova sala que se dividia, como a de entrada, em vários corredores e salas de exposição.
— Pra onde, agora? — Christian perguntou passando os olhos vagamente ao arredor.
— Acho que nem preciso do AN pra responder sua pergunta... — Blake dissera, indicando com as mãos para um dos corredores a frente que tinha sua passagem bloqueada por faixas policiais. Ao notar um guarda de prontidão na entrada do respectivo caminho, concluíra: — Agora só precisamos de uma distração... Tem alguma ideia?
O loiro espiou o local e abriu um sorriso malicioso ao deparar-se com um garoto passando próximo a si.
— Tenho. — Informou para o colega, afastando-se dele e se esbarrando no moleque propositalmente.
— Ei, olha por onde anda! — O menino esbravejou, retirando por um breve momento os olhos de seu celular.
— Foi mal. — Christian então pigarreou com a garganta, encarando o menor de um jeito estranho. — Por acaso, você quer ganhar 5 Dólares?
O garoto esbugalhou os olhos, acenando positivamente com o rosto. Eis que o rapaz se agachou perante o jovem e foi a cochichar algo direcionado ao vigia da área restrita em seu ouvido. Ele ouviu seu desafio, fitou de relance o segurança a qual teria de enganar e se voltou ao moço da proposta.
— 10 Dólares ou nada feito! — Deu seu preço. Christian surpreendeu-se com tamanha ousadia do jovem.
— Só porque é uma situação importante... — acatara ao pedido, colocando as mãos no bolso de sua calça e retirando o dinheiro. Logo que passou a quantidade combinada ao menor, ele recebeu um acenar positivo deste e viu-o se dirigir até o guarda. — Se prepara, Blake. Temos que correr! — Sussurrou, voltando-se ao amigo.
Chegando o mais próximo que pôde do vigilante, o garoto fingiu ter uma queda brusca e começou a se contorcer de dor ao chão. Além do próprio segurança, ele conseguiu atrair a preocupação de uma quantidade expressiva de pessoas.
— Olha só... — Christian acompanhava o teatro do menino enquanto ia com relativa pressa para as faixas, as quais pulou facilmente e depois seguiu pelo corredor proibido. — Depois é um guri assim que cresce e se torna presidente... — mencionou para Blake, que o seguia.
Já fora do campo de visão do agente do museu e de qualquer outra pessoa, Blake voltou a sua atenção para o aparelho detector de anormalidades em sua mão e outra vez usou-o de bússola para saber pra onde deviam prosseguir. Seu brilho, todavia, era direcionado entremeio a duas salas distintas.
Christian, mirando um olhar instigante para as placas das duas salas, leu. — "Ala 14: Obras Infantis" e "Ala 13: Terror e afins". Onde será que nosso monstro está? — Perguntou de maneira irônica, fitando a décima terceira.
— Só porque é voltada para exposições de terror e coisas macabras não significa que seja aí. — Blake argumentou.
— Ah, significa sim! Que tipo de criatura sanguinária viria para um entediante museu americano fazer parte da exposição pra crianças choronas e catarrentas?
— O bicho papão? — O moreno foi sarcástico, ainda descrente da sugestão de Christian. Porém, resolveu acompanhar o loiro até a entrada do citado departamento. Lá, ele se chocou ao atestar que as piscadelas do dispositivo que trazia consigo passaram a ser muito mais recorrentes e brilhantes. Por incrível que pareça, o parceiro estava certo.
— Não falei? — Christian ficou cheio de si, risonho.
— Que seja. — Blake deu de ombros, fitando o cômodo escuro que os aguardava. — Vamos ver quem é a nossa entidade da vez...
E ambos adentraram na sala.
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