Eternal

1 Prólogo - Genesis


Notas iniciais
"Eu conheço você, eu caminhei com você, uma vez num sonho." - A Bela Adormecida

Deitou a cabeça ao lado, de modo que, a grama se tornasse o travesseiro natural mais gostoso. O outro repetiu o gesto e as cabeças ficaram lado a lado, tão próximas que os cabelos se tocam. Os cachinhos de um, os lisos do outro, que como combinação, faziam um par engraçado. A paisagem do grandioso céu, que acima estava, era a conotação do que mais expressava o instante delimitado ali, a paz costumeira, duas crianças que nem mesmo sabiam o conceito de tal substantivo. Os rapazinhos rolaram para direções opostas e num passo travesso ficaram sentados subitamente, eles riram do movimento que tentaram utilizar para assustar um ao outro. Seus pensamentos pareciam ligados, isso era certamente um fato, como uma conexão que vinha bem antes de se reconhecerem como seres humanos. Robbie encarou o amigo e o amigo encarou Robbie.

Por detrás dos olhos risonhos de crianças levadas, estavam duas almas que reconheceram no outro um amigo, uma companhia. Por razões diferentes o mundo os segregou, mas ao mesmo tempo, os mandou na direção um do outro. Tudo foi muito estranho, um minuto estavam em suas casas, no outro viam-se e aquilo durou sem entendimento por longos períodos. Tinham apenas oito, e em tantos diálogos possuíam um aspecto mais maduro. Cachinhos juntou as mãos fronte ao corpo e observou o loiro, enquanto que Robbie de longe fazia caretas, esperava que o outro risse.

Em contraposta às caretas, o outro menino fechou a cara e começou a imitar faces zangadas. Era um bom ator, se era, e quem acabou por rir foi Robbie. Este, pegou uma pequena bola solta no chão, em meio aos diversos brinquedos e com força a atirou na direção dos cachinhos, o menino tentou captura-la, porém, foi acertado em cheio na testa e colocou a mão ao reproduzir um “ai”. A preocupação surgiu no rosto de Robbie, que não se demorou a achegar-se ao outro:

– Te machuquei? – Perguntei tentando encostar em sua testa.

Cachinhos não respondeu, do contrário, atacou o menino e o derrubou no chão com um pequeno soco leve na barriga, seguido de movimentos que emitiam cócegas. Robbie iniciou uma rolagem pelo chão e gargalhadas eram gratuitamente distribuídas pelo gramado. Quão bela eram vossas inocências, que faziam do mais simplório ato, uma grande excursão sobre o que era ser feliz. Eles tinham tanto em comum, mas ao mesmo tempo, a vida os divergia de tamanha forma. Apenas um fato era tão igual quanto as nuvens do céu com algodão doce, um tinha duas mães, o outro, dois pais. Da diferença eram fruto, mas também, boas provas do que o amor pode fazer.

– Robbie, anda logo, vamos nos atrasar para chegar na casa da tia. – A mãe loira o chamou.

O pequeno Robbie as chamava de mamãe loira e de mamãe do cabelo colorido, devido aos diversos dreads que sua mãe Amanita costuma possuir. Ele olhou par ao amigo e em seguida para a mãe, parada na soleira da porta que dava para o jardim. Os olhos terminaram por focar fixos nos da loira:

– Oh, mãe, o meu amigo pode ir com a gente? Ele é tão legal.

– Que amigo, filho? – Ela pareceu procurar pelos vestígios de alguém além deles ali, não encontrou nada.

– O Julian. Esse. – Robbie olhou para o seu lado e o sorriso do menino branco e de cachinhos o deixou contente.

– Seu amigo imaginário se chama Julian? – Nomi aproximou-se a encarar o espaço.

– Não, ele está aqui, baixinho, cabelos cheios de cachinhos.

– Vai lá, a gente brinca mais depois. Oi, papai! – Ainda o ouviu dizer, gostaria de o ter impedido de ir embora, porém, esvaiu-se de sua frente.

– Ele acabou de ir embora. – Disse num tom sereno. A mãe abaixou junto dele e deu um beijo no topo da sua cabeça, abraçando-o carinhosamente.

– Ele vai voltar logo. Há sempre uma grande conexão entre os mundos que desejamos viver, e o que realmente vivemos, baby. Agora, vamos se arrumar. – Ela o puxou dali e jogou-o nas costas, começando a andar com a criança que ria incessante. O menino ainda foi capaz de olhar para trás, tentava ver Julian, no entanto, era como se nunca tivesse estado ali.

(...)

Julian encarou a parede e soltou a pequena peça do lego no chão, era da mesma forma quando se distanciavam. Cruzava as pernas e encarava o papel de parede dos heróis em seu quarto. Sentia-se como um estranho no ninho, ou era assim que o faziam pensar. Tinha de contar as horas para poder voltar ao amigo, porque muitas vezes contava as peças do lego na falta e no desanimo de o montar sozinho. Sentiu um braço tocar-lhe o ombro e virou. Chamava-o de papai estrela, enquanto o outro era o papai inteligente:

– Está tudo bem, cariño? – Perguntou.

– Si, papa. Estou desistindo de montar o lego, de novo. – Falou o menino.

– Eu te ajudo, se quiser. Posso chamar o papai inteligente. – Lito mantinha certo entusiasmo na voz, entusiasmo este não correspondido pelo pequeno.

– Não precisa, papai. Acho que vou pegar aquela pintura de artes para fazer, a professora quer ela bem bonita. – Tentou sorrir, mas o pai o conhecia, ambos o conheciam.

– O que está acontecendo, pequeno?

– Queria estar brincando com o Robbie. Só tenho ele. – Disse.

– Quem é Robbie? – O pai perguntou encarando-o.

– É o meu amiguinho, ele vem aqui às vezes.

Os olhos do homem se estreitaram diante do que ouvia, pois até onde sabia, ninguém visitava Julian. Lhe doía admitir, mas o filho não tinha amigos, ou pelo menos, não que ele soubesse. Deveria ser apenas um caso comum de amigos imaginários de infância.

– Papai?

– Sim?!

– Por que eu não tenho amigos? – Pela primeira vez foi capaz de ver o menino realmente triste e abaixar a cabeça. Não tinha resposta. – Eles não são leais comigo na escola e me chamam de criança estranha durante a aula, eu não quero mais ir lá.

– Olha, filho, pode mudar de escola se quiser. – Disse tocando sua mão.

– Eu não quero sair de casa. – Continuou cabisbaixo.

– Ei, não pode ser assim. Me deixa te dize ruma coisa, você tem de se bastar antes de esperar pelos outros, está de acuerdo? É horrível estar sozinho, mas você tem esse seu amigo imaginário, o Robbie. Ele vai voltar logo. Há sempre uma grande conexão entre os mundos que desejamos viver, e o que realmente vivemos, cariño. – E Lito sentiu que por algum motivo, disse algo que teve a impressão de ter ouvido nas correntes do seu pensamento e que alguém tinha dito há pouco. — Por que não me apresenta o Robbie?

– Talvez um dia. Vou falar com ele. – Disse o pequenino.

O pai, cuidadosamente, tomou o rosto do menino com as duas mãos e olhando em seus olhos, disse:

– Você é muito amado, Julian. A maioria das pessoas no mundo não pode dizer o mesmo. E eu quero que entenda que estamos com você, eu, seu papai inteligente, e até mesmo sua tia Dani. Ok? Uma hora tudo vai se acertar. Você confia no papai estrela?

Julian hesitou momentaneamente, certamente estava dividido no que pensar, no entanto, o olhar do pai com ternura e as palavras o fizeram baixar a guarda:

– Sim.

Ao ouvir aquilo, Lito aproximou os lábios da testa do garoto e depositou um beijo que fez um estalo. Em seguida o abraçou:

– Acha que é tarde demais para montar o lego com os papais? – Julian deu uma pequena risada.

“A gente se vê logo.” – Não sabia ao certo como, mas do nada foi capaz de ouvir a voz de Robbie. E ele sempre cumpria suas promessas.

Notas finais
Espero que gostem deste primeiro contato, eu realmente tenho muito para esta história. Espero que o tempo passe logo par a aseason 2. E deixem coments, até logo.