Eterna Paixão
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Brittany acordou cedo aquela manhã o que era raro contando que estava ao lado de Santana que muitas vezes madrugava, mas era de se esperar que a médica estivesse exausta depois de um plantão turbulento. Observou a namorada dormir e riu para o leve ronco de Santana que mais parecia um ronronar.
Deu um beijo na bochecha morena e se levantou tomando o maior cuidado possível para não incomodar a mulher ainda deitada. Seguiu para o banheiro antes de caminhar até a cozinha para preparar a única coisa que sabia. Cereais. Enquanto comia, Brittany seguiu em direção à sacada apenas para se deparar com um sol brilhante e convidativo. Desviou o olhar para a praia onde as ondas pareciam agitas e altas, perfeitas para surfar. Então assim que terminou seu café da manhã voltou para o quarto apenas para pegar seu traje shorty100 neoprene, escrever um bilhete para Santana e deixar ao lado da cama em cima do criado mudo.
Enquanto fazia o caminho até a praia, Brittany pensava na conversa que teve com Santana sobre conhecer seus pais. A morena prontamente concordou com o convite e exibia uma felicidade que Brittany não achava necessária, mas quando parou para pensar em o que aquele simples gesto significava teve que admitir que a reação da namorada não fora de um todo exagerada. Logo em seguida marcou com a mãe que também demonstrou animação para conhecer a mais nova nora. Marilie já tinha ouvido diversas historias sobre a médica e mal podia esperar pelo final de semana. Não apenas sua mãe como sua avó e uma boa parte de sua família esperava pelo encontro apenas para saber como julga Santana.
O encontro estava marcado para o final de semana especificamente para o domingo quando aconteceria o grande almoço da família Van der Vaart. Depois de tudo ajeitado, Brittany saiu do apartamento e pegou o elevador que não demorou muito para chegar ao térreo do prédio. Cumprimentou Tommy rapidamente e literalmente correu até a praia que àquela hora da manhã era habitada por esportistas e pessoas que passeavam com seus animais.
Aproveitou por algumas horas as ondas agitadas e depois de um tempo apenas se sentou na areia para observar a imensidão azul que tanto amava. Enquanto observava o mar, Brittany não evitou pensar em sua namorada que provavelmente dormia de forma confortável em sua cama. Pensar em Santana sempre lhe fazia sorrir e o fato de que estavam juntas há um pouco mais de três meses também lhe soava bem. A seu ver era o típico namoro perfeito onde Brittany sempre levava Santana a jantares românticos e caminhadas ao luar na orla da praia e onde Santana sempre que possível cozinhava para as duas em suas folgas e passavam o resto do dia apenas assistindo filmes e abraçadas no sofá. Claro que como todo relacionamento saudável as duas brigavam, mas nada que não resolvessem poucas horas depois com uma boa conversa e uma noite de amor exaustiva e prazerosa.
Outra coisa que lhe fazia sorrir era lembrar-se de sua primeira noite com Santana. Não tinha sido muito tempo depois que começaram a namorar, mas com toda certeza foi perfeita. Santana havia feito reservas em um de seus restaurantes favoritos e por coincidência Brittany também tinha programado uma noite em um hotel do centro então apenas jantaram na preferencia da latina e foram direto para o quarto de hotel onde velas estavam espalhadas pelo quarto. Elas eram experientes e não precisavam de todo o enfeito da primeira vez já que em suas sessões de amassos já haviam atingido até a quarta base, mas um pouco de romantismo nunca é demais.
Brittany não sabia a hora exata, mas com certeza estava na praia a mais tempo do que tinha planejado então puxou sua prancha e caminhou até a orla onde esperava uma brecha para atravessar. Sua concentração estava voltada para o lado direito da rua quando ouviu uma freada brusca e um grito. Quando sua visão voltou para o lado esquerdo viu um rapaz deitado na pista, algumas pessoas começando a se aproximar e o carro que supostamente estava envolvido no acidente parado um pouco mais a frente.
— Socorro. Alguém me ajude – Ouviu uma mulher gritar e correu em sua direção quando viu que mexeriam no rapaz.
— Não mexam nele – Conseguiu chegar a tempo.
— Mas ele esta sangrando muito – A mulher tentou mais uma vez, mas Brittany a impediu – Ele vai morrer.
— Senhora será pior se mexer seu corpo – Brittany tentou lembrar-se do que Santana tinha lhe explicado sobre este tipo de situação – Qualquer movimento pode prejudicar ainda mais. Alguém liga para a ambulância.
— Já liguei – Um adolescente avisou e se aproximou mais – Eles disseram que já estão a caminho.
Não demorou para os paramédicos chegarem e logo colocaram o rapaz na maca e imobilizaram o corpo. Brittany ajudou a mulher a subir na ambulância e passou seu numero caso precisassem de alguma coisa. Enquanto terminavam de ajeitar as coisas, Brittany viu o que parecia ser um homem todo de branco subir na ambulância. O mesmo homem passou pela mulher e parou perto do rapaz na maca. Ela estranhou já que os paramédicos usavam uma roupa cinza, mas parecia que mais ninguém se incomodou com a presença do desconhecido.
Brittany ainda observava o homem de branco cuidadosamente quando o mesmo se virou e seu rosto parecia coberto por uma nevoa. Brittany arregalou os olhos, mas o que realmente a assustou e ao mesmo tempo impressionou foi quando asas enormes de abriram. Tão grandes que não pareciam caber no pequeno espaço, mas antes que pudesse se aproximar as portas da ambulância se fecharam e saiu às pressas.
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Santana se espreguiçou na cama e abriu os olhos antes de voltar a relaxar no colchão e fechar os olhos por mais alguns segundos. Virou-se para o lado direito onde normalmente estaria Brittany, mas apenas encontrou o vazio. Sua visão se voltou para o relógio na cabeceira e não estranhou a falta de sua namorada já que era mais de meio dia então se sentou na cama coçando os olhos e notou o bilhete sobre a cama.
Assim que leu sorriu com o carinho da namorada e se levantou indo em direção ao banheiro onde fez sua higiene matinal. Seu plantão realmente tinha sido cansativo, mas as horas que tinha conseguido dormir foram suficientes para se recuperar e se fosse necessário encarar outro plantão. Quando se é médico uma das primeiras coisas que aprende com a residência é que o sono pode ser retirado com uma boa xicara de café e que um descanso de meia hora fará toda a diferença em seu desempenho.
A primeira coisa que fez ao chegar à cozinha foi ligar a cafeteira antes de retirar da geladeira dois ovos e uma porção de bacon. Talvez a convivência com Quinn realmente tivesse feito efeito. Uma de suas mais novas manias era sentir falta do bacon em suas manhãs.
Enquanto fritava a comida, Santana despejou um pouco de café em uma xicara e suspirou assim que o liquido tocou sua língua. Era uma sensação maravilhosa ter o liquido em seu corpo e talvez sua mãe tivesse razão em brigar, não apenas com ela, mas com o pai também, sobre o vicio na cafeína, mas ainda sim era sua fonte de energia.
Terminou os preparativos e encheu sua xicara mais uma vez antes de sentar-se à mesa para apreciar sua refeição de forma calma. Geralmente Santana preparava uma porção para Brittany, mas a vasilha em que a namorada sempre comia seus cereais estava sobre a pia o que significava que Brittany já havia se alimentado.
Assim que terminou de comer levou o prato e a xicara para a pia antes de caminhar em direção à sala onde se jogou no sofá e ligou a televisão zapeando entre os canais da tv a cabo. Tentou se ajeitar melhor no móvel e fez uma lista mental do que precisava comprar para o apartamento de Brittany e isso incluía um sofá novo.
— Não é a toa que ela goste tanto do meu – Disse em voz alta quando encontrou um filme qualquer para assistir.
Não muito tempo depois Santana ouviu a porta abrir e Brittany entrar parecendo um pouco abalada. Santana a olhou confusa, mas esperou que a namorada se aproximasse o que não demorou a acontecer.
— Você está bem? – Perguntou se ajeitando no sofá.
— Eu não sei – Brittany sentou na mesa de centro e abaixou a cabeça.
— O que aconteceu? – Agora Santana estava realmente preocupada.
— Você acredita em anjo? – Brittany levantou a cabeça e encarou os olhos confusos de Santana.
— Sim – Confirmou com a cabeça enquanto franzia o cenho. Ela estava preocupada com a namorada. Raramente Brittany não fazia sentido quando queria explicar algo e era nesses momentos que Santana mais se preocupava com a namorada – Eu acredito que sempre tem alguém olhando por nós.
— Eu acho – Brittany parou por alguns segundo. Sua mente estava em conflito se o que seus olhos tinham visto era realmente verdade e não sabia se deveria compartilhar isso com Santana, mas ao encarar a namorada que lhe olhava de forma apreensiva resolveu contar mesmo que fosse loucura – Eu acho que vi um anjo.
Santana observou Brittany cuidadosamente por alguns minutos. A namorada aparentemente não estava com nenhum machucado na cabeça e parecia estar em seu estado normal exceto pelo fato de estar falando de seres espirituais.
Ela realmente acreditava que era possível a existência desses seres, mas era difícil crer que sua namorada ou qualquer outra pessoa podia vê-los. Era como se Santana acreditasse que anjos agiam de forma sigilosa sem a necessidade de ganhar créditos por seus feitos. Então se mantinham “invisíveis” perante a sociedade. É uma maneira diferente de se pensar, mas que funcionava para ela.
— Você tem certeza? – Perguntou, mas não esperou por uma resposta – Não foi alguém com fantasia?
Brittany olhou para as próprias mãos e pensou. Não fazia sentido aquele homem surgir do nada e entrar na ambulância. Como também não fazia sentido estar usando uma fantasia as onze da manhã. E como teriam surgido as asas? E porque o rosto estava nublado? E porque só ela parecia enxergar o homem de branco? Eram muitas perguntas sem respostas e isso a deixava ainda mais confusa, mas se nem ela conseguia entender como esperava que Santana a compreendesse? Então com um suspirou balançou a cabeça.
— Deve ser isso mesmo – Suspirou e deu um meio sorriso – Eu estou cansada e não estava prestando muita atenção.
— Vem aqui – Santana chamou apoiando as costas no braço do sofá.
Brittany sorriu e deitou sobre a namorada, mas antes deu um beijo nos lábios que tanto amava. Apoiou a cabeça no peito de Santana e suspirou com o quão confortável era estar nos braços da médica.
Seus pensamentos estavam divididos entre o acontecimento de mais cedo e sua namorada, mas como sempre Santana era sua prioridade então apenas se deixou levar pelo aconchego e os carinhos que a mesma fazia em seu cabelo.
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