Etanol

1 Capítulo Único


Notas iniciais
vi que falta Jyushichi aqui no site. aqui vai minha pequena e humilde contribuição.
particularmente acho este casal bem fluffy, então decidi me desafiar escrevendo algo mais tristinho e tals qq

Quem sabe se a chuva caindo pela janela não fizesse vir a tona os pensamentos nostálgicos e deprimentes, nada disto viesse a acontecer.

Porém, tendo ou não desculpa para tal feito , lá estava ele, novamente naquela vivenda que nem ao menos lhe pertencia, em busca de um refúgio.

A indução por voltar atrás era causada pelo medo, mas ele sabia que era tarde demais.

Acomoda-se no futon enquanto Jyushimatsu se ocupa em servir mais uma rodada de bebida. A intimidade formada ao longo de uma vida inteira bem permitiria que ele por si só se servisse, mesmo sendo o hóspede. No entanto, a possibilidade de realizar qualquer esforço físico, até sendo mínimo, era capaz de lhe causar ânsia. O trabalho já lhe consumia o suficiente.

Seu ultimogênito finaliza a tarefa, pousando os dois copos acima da superfície de madeira: um disposto ao seu lado e o outro no oposto da mesa. Em seguida, ele se senta.

De inicio, eles permanecem cabisbaixos: inúmeros pensamentos de repulsão lhes surgem na mente. Depois que seus olhares se cruzam, um é capaz de ver através do outro o medo, a apreensão, a degradação.

Ichimatsu é quem se pronuncia para agarrar o copo e induzi-lo indiretamente à garganta , causando uma reação imediata no alheio, que em um movimento afobado, insiste em imitar o irmão.

Fez isso ainda que o que sentisse repulsa. Tanto pelo gosto, pelo aroma do líquido que agora redizia em seu estômago. Mesmo que, por parte, ingeri-lo constituísse no que julgava necessário para qualquer adulto. Serviria para que ele se esquecesse da rotina monótona do trabalho; para que fosse capaz de sorver, junto aos goles de álcool, toda a pressão que lhe era imposta para "se tornar alguém na vida" — respectivamente, manter um emprego, uma vida financeira estável e, quiçá, ter filhos, o que não eram objetivos visáveis para nenhum deles.

Entretanto, o que lhe induzia a passar por essas situação de embriaguez era o vazio propiciado pela ausência de suas quatro outras partes. Sim, essa era uma analogia dolorosamente corriqueira, comparar cada matsu como uma das divergentes partes que lhe compunham.

O que não se permitiria era ignorar o fato de que, apesar de tudo, restava um. Ali, naquela mesma sala, disposto a compartilhar a agonia da falta e tentar preenche-la a todo custo.

Alguns goles são suficientes para que ambos os copos estejam vazios.

Segundos de silêncio são proferidos. Nada havia a dizer. Isso porque as palavras já não serviam como consolo tão perfeitamente quanto os toques físicos, que de modo impuro e superficial, pareciam transmitir o calor de seus corpos para o imensurável frio que os consumia por dentro.

Sendo assim, era indiscutível o que vinha a seguir. No momento em que a sobriedade os abandonasse, que o etanol estivesse repercutindo na função de seus cérebros, o receio em pecar também se perderia em algum lugar da casa, para no final ser encontrado e causar o adiamento de uma próxima visita.

Notas finais
se ficou estranho, é porque escrevi as quatro da manhã. me desculpem qualquer coisa
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!