Estórias curtas de cada um
9 Capítulo 9 - Lucy
O que falar de Lucy? Ela era uma garota que possuía tudo.
Uma perfeita aos olhos de qualquer pessoa. E ela mesma reconhecia isso, até conhecer Teo.
Foi daí que ela começou a perceber que não era sem por cento feliz e passou a enxergar nele sua real e verdadeira felicidade.
Ela tinha realmente tudo.
Pais presentes, felizes, classe alta, amigos que a amavam. Mas mesmo com tudo isso, ela começou a sentir que não era tudo. E que precisava dele em sua vida, ele até que gostava dela sim, os dois namoraram alguns meses, e a cada dia que se passava ela sentia ainda mais essa intensidade nesse relacionamento. Ele não possuía as mesmas condições que ela, mas quando ele não conseguia a acompanhar, ela fazia questão que ele estivesse lá com ela. Ela passou a fazer tudo com ele. Desde um simples passeio com os cachorros a uma prova que ela não tinha ideia do que seria. Mas para manter se perto dele, ela fazia o possível para que isso acontecesse.
Conforme o tempo ia se passando ela ia perdendo ainda mais sua identidade, afastando-se de amigos e de sua família a qual sempre teve a liberdade de confiar e falar sobre absolutamente tudo.. Todos achavam estranho e viam o que estava acontecendo, tentaram por diversas vezes alertá-la, mas isso tornava a agravar ainda mais toda a situação, criando uma lacuna cada vez maior de realidade. Ele não se importava no começo, ele alimentava esse comportamento que ela adquiriu, claro, ele a tinha em suas mãos. Logo ele veio com uma ideia de ir morar fora, em outro país, muito distante de onde eles estavam, ela ficou receosa pois sabia que não ia conseguir se comunicar muito bem.
Ela não sabia falar aquela língua, mas com o tempo ele ia alimentando isso em sua cabeça, alegando que eles ficaram juntos para sempre lá. Ela cega por ele ainda, não enxergava o que estava acontecendo ao seu redor. Seus pais até tentaram proibir esse namoro, mas só a fez reforçar a ideia do seu namorado. Bem, ela vendeu muito de seus pertences. Arrumou suas coisas enquanto seus pais estavam no trabalho, deixou um bilhete e sumiu dali. No início, para ela aquilo era o paraíso, era o que ela queria, ela estava encantada com tudo aquilo.
Mas com o tempo ele começou a apresentar outros comportamentos: deixava ela só no apartamento alegando que ia procurar emprego. Mas ele voltou tarde e bêbado. Ele alegou que estava triste por não ter conseguido nada e acabou bebendo para esquecer do fracasso. Claramente mais mentiras, mas ela acreditava e se sentia culpada por não poder ajudá-lo. Isso foi se repetindo até que ele chegou em casa com uma garota, no mesmo estado de sempre. Ela então o questionou quem seria ela, era nítido para qualquer um que a visse, mas ela não queria acreditar nessa possibilidade, então ele já cansado disse:
— Você é tão ingênua. — riu segurando a bela garota pela cintura enquanto encarava a namorada. — É claro que estou saindo com ela, não tá vendo?
— Saindo? Como assim? — perguntou ainda sem acreditar na cena que a esbofeteou bem na cara.
— Eu transo com ela. Ela me satisfaz, algo que você não saberia fazer se visse na sua frente. — gargalhou vendo as lágrimas escorrendo pelo rosto da pobre garota a frente. — Você realmente acreditou que eu gostava de você? De Você? — questionou sarcástico.
— Porque está fazendo isso comigo? Com nós? Eu abandonei tudo por você. Desisti dos meus sonhos, você era meu final feliz! — exclamou desesperada com toda situação.
Ele sem dizer mais nada, a pegou pelo braço e jogou para fora de casa. Ela ainda tentou por um longo tempo o chamar e bater na porta desesperada, ela não tinha para onde ir, a quem recorrer. Ali ela pensou em tudo: na vida, na sua decisão, no poço em que ela estava, em ela ter se perdido em meio a sentimentos. Uma de suas opções era o suicídio, mas ela ainda não estava certa disso.
Ela queria ligar para seus pais.
Mas ela tinha deixado tudo. Ela sem falar o idioma de onde ela estava, por mais que ela já estivesse morando lá a um tempo, a mesma nunca deu importância para aprender, pois ela só queria estar com ele e nada mais importava.
Então ela levantou, saiu dali e caminhou até não lembrar como voltar mais para lá. Ela sabia que era responsável por tudo aquilo. Em uma tentativa de atravessar o sinal, ela foi pega por um carro que havia se descontrolado e pegado apenas ela perto da calçada.
Ela morreu na hora de olhos fechados, como se já sentisse o que estava prestes a acontecer.
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