Josh era um rapaz calmo, sossegado, sem muitas preocupações. Ele via a vida com leveza, algo que ele queria aproveitar da melhor forma possível. Mas sua mãe não o via da mesma forma, e sim como alguém preguiçoso, relaxado e totalmente acomodado.

Em resumo: Um completo inútil.

Ela sempre fazia comparações com sua irmã mais velha, que com a idade dele já sabia o que queria fazer e corria atrás do que queria, enquanto ele com seus 16 anos nada fazia. Ela nunca perdia a oportunidade de esfregar em sua cara o encosto que ele era e que não tinha nenhum orgulho dele. Mas como teria? Para ela, ele não era ninguém. Ela sempre deixou claro sua insatisfação e o comparava ao seu pai que havia os abandonado.

Ele não demonstrava se importar e isso a irritava ainda mais, porém aquilo o machucava profundamente, sua irmã até que gostava quando sua mãe a enaltecia, pois aquilo inflava seu ego. Ela tentava disfarçar dando uma força a ele, mas era nítido a forma como ela também o enxergava. Ela também tinha a necessidade de ser reconhecida por sua mãe, já que seu pai era ausente.

Sua mãe fazia questão de expor a situação para visitas também, relatado sua insatisfação com seu filho. Dizendo que ele não servia para nada, por algumas vezes as mesmas visitas que ouviam isso se sentiam incomodadas com a forma que a própria mãe o tratava e o via.

— Não fale assim, mulher. Ele é seu filho e ainda está na escola. Uma hora ele cria gosto por alguma coisa. — falou a vizinha da casa ao lado tentando amenizar as duras palavras que a mãe proferia. A mesma fez cara de desdém enquanto retrucava.

— Leva pra casa então.

Ele por algumas vezes a ouvia, com o tempo ele passou a se isolar, não se comunicava com tanta frequência com nenhuma das duas, tentava apenas deixar para lá. Com o tempo, ele passou a se isolar também das pessoas da escola, acreditando que ele não corresponderia às expectativas de ninguém, já que sua própria mãe não via potencial nele. Com o tempo uma colega foi se aproximando dele, tornando assim amiga dele, aos poucos ele foi se abrindo.

Aprender a confiar, acreditar no contrário do que te falam, e passar a crê em si mesmo e no seu potencial é mais difícil do que pensam.

Porém essa amiga teve que se mudar, logo quando ele estava conseguindo dividir sua dor, ver algum "conserto" para ele. Ele tocava flauta transversal, algo que ela tinha ajudado a descobrir ao longo desse processo. Ele passou a se dedicar muito a isso, era uma forma de amenizar tudo aquilo que ele sentia. Mas sua mãe não via aquilo com bons olhos, ele tinha que ser como sua irmã.

Ele se via como a ovelha negra, uma sombra falha e incompleta de sua irmã. Ele não sabia do potencial que tinha, mas como saberia se ele não era encorajado? Em um dos momentos de fúria de sua mãe, ela tirou a sua flauta, e quebrou em sua frente, dizendo que ele era o maior erro dela e que ele deveria ter ido com o pai. Ele a lembrava muito, e a forma de “castigar” seu pai era magoando ele, como se fosse ele.

Josh era tão vítima quanto qualquer um ali, mas ela não via isso, a sua semelhança com seu pai a deixa ainda mais furiosa. Ele não sabia o que fazer, ele se odiava, odiava ela, mas ele não queria isso. Então quando ele atingiu seus 18 anos ele juntou o que tinha e foi embora enquanto sua mãe estava no trabalho e sua irmã estava na rua.

Ele nunca mais voltou, nem deu notícias, não ligou e nem deixou recado. Sua mãe com o tempo começou a replicar esse comportamento com sua filha mais velha, alegando que também seria deixada por ela. E uma hora ela também a deixou, ela não suportava mais aquele comportamento, então sua mãe aos poucos foi ficando sem ninguém.

Passou a não sair mais de casa, a não ser mais vista, ouvida, até que com o tempo os vizinhos alegaram sentir um cheiro forte vindo de lá e logo a polícia foi acionada.

Ela estava morta no sofá da sala rodeada de fotos e pertences de seus filhos. Agarrada a eles.

Como se pedisse algo.