Estudando O Amor
3 Capítulo 3
Notas iniciais
No outro dia, encontrei Yoshida na frente do portão da escola. Ele estava me esperando. Ele acenava de modo exagerado. Eu apenas passei reto, sem nem olhar nos olhos dele, pois eu não precisava daquela humilhação toda. Mas, mesmo assim, ele correu atrás de mim.
- Mizutani, me espere. – eu ignorei seu chamado. – Mizutani! – ignorei novamente. – Mizutani, pode me ouvir?
- Como posso não ouvir se você está gritando no meu ouvido, Haru? – eu disse quase gritando. Esse cara me tira do sério.
- Então por que não me esperou? – eu o deixei sem nenhuma resposta. Haru resolveu mudar de assunto. – Então, Mizutani... qual é a sua primeira aula?
- Educação física. – eu disse. – As minhas aulas são as mesmas das suas, já que somos da mesma sala. Agora nós dois temos educação física. — Haru continuou me seguindo. Eu estava entrando no vestiário feminino e ele ainda me seguia. Antes que ele passasse pela porta eu adverti: — Haru. Você não pode passar daqui. Aqui é onde as meninas, e apenas as meninas, trocam de roupa. O vestiário masculino é ali. – e apontei para uma porta um pouco distante da porta do vestiário.
- Ah! Claro. Desculpe-me, Mizutani. – disse Haru, com um sorriso de vergonha.
Enquanto as meninas treinavam badminton, os meninos estavam jogando futebol. Quando terminei de treinar, fui observar o jogo de Haru. Um menino que, se não me engano, se chama Sasahara Sohei passou a bola para Yoshida Haru. Eu não pude acreditar. Haru fizera um gol sem nem dominar a bola.
- Gol contra! – quando o treinador gritou isso, eu fiquei morrendo de vergonha, pois estava vibrando e comemorando pelo gol.
- Ora! Mas não é em qualquer gol? – Haru olhou para mim e viu que meu rosto estava muito vermelho. Ele saiu de campo, pois o jogo acabara e me perguntou se eu tinha visto seu gol.
- Se eu vi seu gol contra? Sim.
- Ora, Shizuku. Não seja tão fria. – ele disse.
Com o tempo, fui me acostumando com as loucuras de Haru e os outros alunos também, mas eu gostaria de saber se eles não reagiam mais por medo do que por costume.
Em um dia normal, a professora veio falar comigo. Apenas quando chegou mais perto ela hesitou, pois Haru estava sentado no parapeito da janela, e sua postura o tornava ameaçador. A professora estava paralisada. Era aparente que, mesmo ela sendo uma autoridade, Haru demonstrava abertamente que a odiava.
- Shi-Shizuku. Vejo que conseguiu fazer com que Yoshida passasse a vir para a escola. Isso é ótimo. – disse a professora Akemi.
- Eu não gosto de você. – disse Haru, saltando da janela. – Sua presença me irrita.
- E a sua irrita a mim. – eu disse baixo para Haru, com esperança de que ele não ouvisse. Erro meu. Ele ouvira e estava quase me tirando do chão quando me segurou pela gola. Eu permanecia imóvel e calma.
- Y-Yoshida. Você não pode bater nas meninas. – a professora estava amedrontada. – Le-leia esse livro e melhore seu comportamento.
Yoshida se mostrou interessado pelo livro. Ele estava lendo algo em voz baixa no livro. De repente, ele andou na direção que estava nas minhas costas. Por um momento achei que ele estava indo embora, mas senti seus braços em volta dos meus ombros. Ele estava me abraçando? Senti meu rosto esquentar violentamente.
Eu tentei me afastar, mas Haru estendeu a mão e a colocou na frente de meu rosto, me puxando para trás e voltando a me abraçar. Os alunos que passavam, paravam para ver aquela demonstração pública de afeto.
- Ha-Haru. – eu disse gaguejando. Meu rosto devia estar queimando tanto quanto fogo. – A-As pessoas estão nos olhando, Haru.
Ele me soltou rapidamente e eu me afastei.
O sangue parecia querer sair da minha pele. Pelo menos as pessoas já tinham parada de me olhar.
- Mizutani. – chamou Haru depois de alguns minutos. – Você também me ama?
- Hã? – sua pergunta me pegou de surpresa. – Ha-Haru... eu... provavelmente não te amo do jeito que você me ama. Meu amor por você é um amor de irmão.
Haru ficou triste em um primeiro momento, mas logo ele sorriu e disse: — Tudo bem, Mizutani. Eu vou esperar que você se apaixone por mim.
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