Estrelas sem céu
2 Capítulo 02 – A observadora sintonia
Notas iniciais
22 de Maio de 2009
Para o bem da humanidade era sexta-feira e para o meu bem hoje eu não estava atrasada, atrever ia-me até a dizer que hoje seria um dia formidável, o clima estava agradável o sol brilhava vergonhosamente e o vento que batia em minha pele estava com a sensação agradável. Todos já se encontravam na classe apenas esperando o professor de expressão corporal, durante a semana fui observando o comportamento do novato, (in)felizmente sempre tive esse “Q” de observadora desde pequena sempre fui mais de observar do que de falar, apesar de hoje as coisas terem se igualado. E pude perceber que Afonso, apesar de um pouco acanhado, estava se relacionando muito bem com a turma, era também observador, muitas vezes nossos olhos se encontravam e era como se um pudesse ler os pensamentos do outro, apesar dos poucos olhares atrapalhados não tive muito interesse em me aproximar do mesmo, ele não me parece nada compatível comigo e quando digo nada é definitivamente 0% de compatibilidade, me parece centrado demais, apesar de seus olhos muitas vezes o entregar de que ele não seja todo esse “centramento” expressado.
Passado alguns minutos o professor de expressão corporal adentrou a sala, deu alguns avisos cordiais, fez a chamada e nos informou que a aula seria na sala de dança, é realmente esta sexta-feira estava estupenda para o bem dos alunos os professores entenderam que é necessário algumas aulas práticas para extravasar.
Ao chegarmos na sala dança, todos puseram seus materiais no fim da sala que tinha o formato de um perfeito retângulo. Ao voltarmos todos ao centro, o professor pediu que sentássemos no chão formando um círculo e fechássemos os olhos, feito isso o mesmo apagou as luzes e deu play no som onde se iniciava uma melodia pacata, dessas de preencher a alma, e nos coordenou a nos mexermos de acordo com a música, cada um a interpretava de seu jeito, depois nos coordenou para fazermos a mesma coreografia, ainda em círculos deitássemos as costelas um no outro e mexêssemos as mãos em sintonia.
Passado a primeira atividade, o professor trocou de música e nos pediu que ficássemos de pé, e fizéssemos duas filas uma de frente para outra, e fez o mesmo segmento, pediu que fechássemos os olhos e sentíssemos a música e dançássemos entre si, e assim fizemos, de acordo que a música se animava as filas já não mais existiam e cada um dançava de seu jeito, seja em duplas, em grupos ou sozinho. Estava a bailar, rodopiar até sentir um calor em minha mão, era Afonso segurando-a, no mesmo instante parei de fazer o que estava fazendo e o encarei confusa, ele nada disse, apenas me girou conforme a música e me conduziu aos passos. Ao fim da música, nos separamos e sem nada dizermos voltamos ao nosso posto inicial, as filas, o professor passou mais uma atividade, onde espalhou cartazes no chão e nos deu giz preto e de acordo com a música usássemos nossos corpos, movimentos para reproduzir desenhos. “dançávamos” sobre o papel com as mãos segurando os giz e no fim cada um teve seu desenho de corporeidade.
O fim da aula haverá chegado e todos pegaram seus matérias e saíram da sala, eu e Ângela ainda estávamos lá, enquanto guardava a cartolina no meu guarda mapas Ângela tagarelava sobre a aula e eu bem sabia até onde ela queria chegar com essa conversa.
—Mas então Samantha, o que foi aquilo entre você e o novato?
—Do que você está falando Ângela?
—Você e ele dançando, aquela química, aqueles olhares...
—risos- Você vê coisas demais, foi apenas uma dança, te comprarei óculos com graus mais forte, para você parar de enxergar bobagem
Apesar de não ter levado Ângela a sério, uma parte de mim também tinha visto tudo que ela acabará de dizer, mas isso só poderia ser coisa de minha cabeça sendo influenciada pelas baboseiras de Ângela. Pegamos nossas tralhas e saímos da sala, esse semestre seria tudo, menos monótono.
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