Aline fazia seus últimos ajustes junto com seu cinegrafista para dentro de alguns momentos entrarem ao vivo pela emissora RTV direto da Câmara dos Deputados em Brasília onde o presidente Oliver Torres faria um pronunciamento e responderia a perguntas sobre a reunião que teve na noite anterior.

A quarta-feira, 13 de maio de 2015 marcava seis meses de um evento trágico na vida do país e a população ansiava por respostas... ansiavam por um desfecho.

Aline era uma mulher extremamente bonita, de pele morena clara, cabelo curto com cachos bem definidos, 1,60m de altura, um sorriso cativante e um corpo levemente acima do peso que lhe dava curvas sensuais. Usando uma calça preta justa e uma camiseta branca com o logo de sua emissora essa mulher era uma dos vários jornalistas do país e do mundo todo que lá estavam aguardando o presidente do Brasil.

E no momento em que o relógio marcava 16h:22min chega no plenário da Câmara dos Deputados um homem de 57 anos, cabelo liso cinza escuro, 1,78m, corpo de porte físico robusto, com expressão fechada, vestindo um terno risca de giz preto e cercado de seguranças. Era Oliver Torres.

Oliver se posiciona na tribuna do plenário, toma um gole de água para lubrificar sua garganta, ajeita sua gravata azul clara listrada enquanto olha para a imprensa, estende a mão para que um dos seus seguranças lhe alcance algo, recebe de um deles algumas folhas de papel que ele coloca sobre a tribuna e então começa a falar.

— Boa tarde senhoras e senhores jornalistas e boa tarde aos cidadãos brasileiros.

Após o início de fala do presidente Aline entra ao vivo na televisão e informa que o presidente já está presente e começou a falar.

Então Oliver Torres continuou.

— Como todos devem saber e lembrar hoje marca o sexto mês da morte da presidente do nosso país Isabel Volkoff. E com enorme pesar que tenho que dizer que o assassinato dela ainda está sem solução.

Duas semanas após ter sido reeleita presidente do Brasil em uma das eleições mais acirradas da história do país em 13 de novembro de 2014 Isabel Volkoff foi morta por um sniper com um único tiro na cabeça enquanto caminhava pelo jardim do Palácio do Planalto.

Presidente Torres segue sua fala.

— Quem e porque a matou segue sendo um mistério. Sei que muitos acreditaram e talvez ainda acreditem que eu tenha envolvimento neste crime bárbaro contra a nação, mas isso não procede de maneira alguma, a família perdeu uma parente insubstituível, o país perdeu a sua melhor presidente e eu perdi uma grande amiga. Hoje com certeza sou o maior interessado na elucidação desse homicídio, não para limpar meu nome, mas temo que minha família sofra represálias por um crime que não cometi.

Neste momento o presidente interrompe sua fala, seus olhos se enchem de lágrimas, ele respira fundo, toma um gole de água e então segue seu discurso.

— O assassinato de Isabel chocou profundamente o Brasil é o mundo, mas este crime nos alertou para uma estatística ainda mais chocante. No Brasil hoje mais de 90% dos homicídios não são resolvidos, sei que para muitos aqui presente e para os que estão acompanhando pelas rádios e televisões essa estatística não é novidade alguma e eu não estou reinventando a roda por falar isso. Nós políticos falhamos e falhamos feio com a República Federativa do Brasil, falhamos com o povo que deveríamos representar e em nome da classe política peço perdão por nossa incompetência.

Oliver para de discursar para encontrar a continuação de seu discurso.

— Apenas desculpas não resolve nada pra uma mãe que perdeu o filho a dez anos e ainda não viu justiça, pro marido que ficou viúvo e não sabe quem lhe tirou o amor de sua vida. Apenas desculpas não apagam a dor de quem não teve um desfecho. E é por isso que estou aqui hoje. Como todos sabem ontem eu tive uma reunião que envolveu os governadores de todos os estados do país, os onze ministros do STF, os ministros da justiça e da defesa, e os secretários de segurança de todos os estados.

Um pigarro interrompe a fala do presidente.

— Após uma longa reunião que se encerrou apenas hoje de manhã encontramos uma solução para mudar este quadro aterrorizante.

A reunião a qual o presidente se refere não foi nada pacífica, cheia de ameaças e chantagens políticas até que uma solução impopular fosse aceita pela maioria lá presente e que não encontrasse oposição nos que foram contra.

Oliver prosseguiu.

— A partir de hoje a três poderes federais em conjunto dos estados da federação trabalharemos arduamente e reformaremos a constituição, e o código penal, além de investirmos pesado em ciências e tecnologias que facilitem as investigações criminais para assim derrubamos os índices de crimes sem solução, a partir de hoje segurança pública será prioridade número um do governo federal e por fim criaremos uma nova força policial para investigar crimes graves. Encerro aqui meu pronunciamento, se tiverem perguntas as façam.

Todos os jornalistas se levantam para tentar fazer a primeira pergunta e o presidente Oliver Torres aponta para Aline fazer a primeira pergunta.

Era a primeira vez de Aline fazendo cobertura política em Brasília, ela estava lá pois, a jornalista da RTV que cobria os bastidores da política nacional estava de licença maternidade. O momento era histórico e fazer a primeira pergunta era algo surreal para a jornalista recém formada, fazer a pergunta certa lhe renderia um impulso enorme na carreira, além de um lugar na história. Ela respirou fundo e então fez a pergunta que todos gostariam de fazer mas nem todos teriam coragem.

— Presidente Oliver, perdoe minha incredulidade, mas como o povo brasileiro pode acreditar no que o senhor acabou de falar sendo que durante anos ouvimos promessas de políticos como o senhor que jamais são cumprida?

O silêncio tomou conta do plenário da Câmara e todos olhavam para Aline com um olhar de surpresa pela coragem que teve de fazer tal pergunta. E para surpresa maior o presidente olhou para ela e sorriu.

— Me perdoe por não saber seu nome minha jovem, mas sua pergunta foi excelente. Você tem razão, durante anos prometemos coisas e não cumprimos, muitos foram incompetentes e outros mentirosos mesmos. O fato é que a desconfiança da nação nos políticos é culpa nossa e isso deve ser mudado. Quanto o porquê devem acreditar, vou ser realista, todos nós sabemos que o Brasil está a beira de um colapso e se nada for feito mergulharemos no caos, e se isso acontecer minha cabeça será uma das primeiras a rolarem em via pública, pode ter certeza os políticos sabem que seus pescoços estão a prêmio. É por isso que o povo de acreditar no que falo. Próxima pergunta.

Notas finais
Espero que tenham ficado curiosos com o que está por vir.