Estrela de Cadente
2 Capítulo II - Cherry Bomb
Notas iniciais
Duas noites na estrada e nada.
Naos sabia que, para conseguir ver uma estrela cadente e ter seu desejo realizado, primeiro ela tinha que se afastar da maldita cidade que ousava brilhar mais que o céu – várias vezes a metrópole em que nasceu conseguia realizar tal pecado e a garota nem conseguia ver a imensidão escura e os pontos brilhantes que tanto amava. Não podia ficar em casa e tinha largado a escola, seu pai agia como se aquilo não o afetasse e sua mãe fingia entendê-la, enquanto falavam sobre sua tolice aos sussurros em suas costas.
Naquela noite resolvera largar o carro no encostamento e usufruir de uma pequena área disponível para acampamento em uma das clareiras beirando a estrada. A garota achou um espaço um pouco afastado das outras três barracas e arregaçou as mangas; ela tinha gastado uma bela nota com equipamentos para acampar, tudo da melhor qualidade – o que, por azar dela, não significava que eram mais fáceis de montar.
Depois de alguns bons minutos e da bendita sustentação da barraca ter caído umas três vezes outro campista veio em seu socorro em passos rápidos e um sorriso debochado no rosto.
“Primeira vez?” Brincou o jovem rapaz tomando as varetas de apoio das mãos de Naos que apenas bufou em resposta; mas, depois de alguns instantes com a barraca finalmente montada, a garota lhe concedeu um pequeno sorriso envergonhado.
“Obrigada?..” Disse esperando que um nome lhe fosse oferecido.
“Igor.” Sorriu-lhe singelo.
“Naos.”
— • —
As pessoas com quem Naos compartilhava com – um grupo de amigos fugindo de seus sonhos temporariamente, descobriu ela – ajudaram ela em todo que podiam e, depois de montarem um pequena fogueira, convidaram-na para se juntar a eles.
Depois de nomes que ela esqueceria na manhã seguinte, histórias de terror que não a deixariam dormir direito por dias e músicas cantadas fora do tom que ela levaria na memória para sempre, um a um as pessoas se recolhiam para suas barracas – mas não Naos, ela tinha uma estrela para encontrar.
Seus olhos encaravam o céu noturno com fervor fingindo nem notar os olhos que lhe encaravam de volta – Igor decidira lhe acompanhar sob a imensidão estrelada por mais alguns minutos. Naos não podia acreditar na tamanha sorte do rapaz que, no mesmo instante que ele resolveu voltar seus olhos para o céu, viu uma bendita estrela cadente.
“Você viu?!” Disse todo empolgado enquanto apontava aleatoriamente para o alto.
A garota apenas negou com a cabeça, tinha perdido aquela oportunidade por ter desviado os olhos para o olhar iluminado do rapaz bem naquele momento... Ela amaldiçoaria seu timing mais tarde, por hora, apenas se entreteria com sua companhia.
“O que vai desejar?” Perguntou ela em um sussurro.
“Seu número de telefone.” Sorriu-lhe brincalhão Igor.
Naos riu e lhe deu as costas acenando e voltando para sua barraca.
“Se você conta seu desejo para alguém ele não se realiza.”
Ela sorriu sabendo que ainda haviam muitas estrelas no céu.
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